Evil Love
6 Capítulo 6: Ácidas tosses e um casaco vermelho.
Notas iniciais
Dava mais um passo, parando ao pegar um antigo casaco vermelho. Lembrava-se bem daquele casaco. Gaara o carregava consigo por todos os cantos da casa, desprezando o tempo e vestindo-o estando calor ou frio; O que estava fazendo em meio as roupas de Kankuro? Talvez, com a bagunça da nova mudança de cidade, tivesse se aglomerado as peças largas e desleixadas de Kankuro.
— Kankuro!!! — chamou, colocando uma das mãos na cintura. Raramente vestia saias, não havia peça de roupa que detestasse mais, mas mediante ao anormal calor de Konoha, não tivera outra escolha. Aquela saia azul era o que de mais fresco tinha no guarda-roupa. _ Preciso fazer compras... — disse Temari a si mesma, em uma nítida constatação.
— O quê foi? — perguntava Kankuro, jogando-se em sua cama com preguiça. Domingos eram incrivelmente mórbidos e nostálgicos, mal acreditava que teria de ir aquele maldito colégio no dia seguinte.
— O que o casaco do Gaara está fazendo nas suas coisas? — perguntou, se virando para encarar o irmão.
Tirou o chapéu dos olhos. Aquele casaco... Jurava que Gaara deveria tê-lo levado consigo em mais uma de suas estranhas fugas. Fuga esta que estava demorando tempo demais... Iria completar uma semana. Suspeitava fielmente que ele provavelmente estaria na antiga casa de seu pai, porém, não atreveria-se a procurá-lo. Qual fosse sua nova loucura ou obsessão, que estivesse só. Olhos e boca costurados vinham-lhe a mente. Dedos serrados; Talvez, estivessem mais seguros assim.
— Não faço ideia. — respondeu, tapando os olhos novamente com o chapéu. Estava com muito sono.
Ouvia um suspiro de Temari. Ela ainda preocupava-se com ele, ou melhor, com as consequências que seu desaparecimento poderiam render a eles. Perda de tempo. Sempre se ferravam com as burradas que Gaara cometia, por que agora seria diferente? Há dias atrás, ela quem não se preocupava com nada, apenas com o necessário. Agora, era como se as posições tivessem sido invertidas. _ Relaxa Temari... Não foi você que disse que não era para gente se esquentar?
— Disse. Mas essa droga de casaco me traz merdas para cabeça. — bufou, jogando o agasalho vermelho de volta no armário.
— Se for sobre aquilo, ninguém vai esquecer. — afirmava, ajeitando o travesseiro com as mãos.
— Não, eu digo das surras que o Gaara levava. Esse casaco ainda tem o sangue dele. — sentou-se em sua cama, retornando ao que deveria estar fazendo: arrumar o uniforme para o dia seguinte.
Haviam se esquecido daquele vago detalhe, sua personalidade mudara de tal forma, que era como se a criança isolada que fora tivesse sido enterrada por várias camadas de terra, como em um enterro a céu aberto. Em um suspiro, Kankuro encarou a irmã. Talvez, fosse melhor irem procurá-lo mesmo, antes que o pior ocorresse.
— Acha que devemos ir atrás dele dessa vez? — indagou, cruzando os dedos, sentando-se na cama também.
— Não sei. Mas ele com certeza vai estar sozinho. — era a única coisa do qual apostava todas as suas fichas. Gaara estaria sozinho. Não havia nada que evitasse mais do que pessoas.
Criava suas próprias barreiras de vidro, longe, há milhas. Não havia culpados, o caçula já tinha suas próprias tendências, inegavelmente aumentadas com o tempo. No entanto, havia sido batalha devolvida. Uma sangrenta e bizarra batalha.
******
Socava a parede, inconformado. O que era a polícia aquela merda de país? Um grupo para festa de crianças? Revoltante. Não poderia aceitar.
— Eu quero minha filha de volta, delegado!!! Não vou descansar enquanto não ter a minha Ino aqui!!! Comigo!!! — gritou Inoichi mais uma vez, descontrolado.
Poderiam sentir a dor palpável do pai da loira, porém, não poderiam fazer nada. Estavam impotentes, completamente impotentes. Para Sakura, completava-se uma semana sem a melhor amiga. Jamais imaginou estar em tal situação, ainda mais, sem Ino.
Naruto rangia os dentes, compartilhando da revolta do pai da Yamanaka. A polícia realmente não servia para nada, absolutamente nada. De nada adiantava cartazes com a foto de Ino, buscas diárias pelas ruas de Konoha e uma provável hipótese dela ter sido levada por um homem de casaco preto. Era o mais perto que haviam conseguido chegar. Um homem de casaco preto. Shikamaru não lembrava-se dele e, como principal testemunha, também tinha igual valor vazio. O Nara não conseguia se recordar do que havia acontecido na noite em que ele e Ino tinham deixado sua casa.
— Compreendemos o seu lado, senhor Yamanaka. Mas já fizemos o que estava ao nosso alcance. — repetia o delegado mais uma vez, bebericando sua xícara com café forte; sem açúcar.
— Quem foi a testemunha que viu a Ino com um cara de casaco preto? — perguntou Sakura, exaltada. Apertava sua pequena bolsa cor de rosa com força, detestava estar de mãos atadas.
— Foi uma denúncia anônima. — dizia o delegado, abrindo uma de suas gavetas.
— Mas nós precisamos saber quem foi!!! Vai ver a pessoa pode falar mais!! — argumentava Naruto, levantando-se de uma das cadeiras e espalmando a mesa de madeira.
— Acalme-se, garoto! Ou vou detê-lo por desacato a autoridade.
— Como podemos ficar calmos, doutor?! Minha filha desapareceu!!! Desapareceu!!! O senhor sabe o que é isso?!?! Sabe o que é perder um filho?! — estourava Inoichi, distanciando-se mais uma vez da janela e aproximando-se da mesa do delegado.
— Infelizmente não sei, mas posso imaginar. Eu compreendo seu estado, senhor Yamanaka, mas não podemos fazer mais nada. Por favor, podem se retirar? — finalizava o delegado.
******
— Coitado do tio Inoichi, Naruto... Ele está sem chão. Perdeu a esposa agora levam a Ino...
Deixava seu corpo cair sobre sua cama. Estava exausta. Haviam percorrido Konoha por horas mais cedo em busca de Ino. Entretanto, mais uma vez, voltavam sem nenhuma pista do paradeiro dela. Virou-se de bruços, olhando para Naruto, sentado em seu tapete. Os all star laranja dele estavam tão imundos quanto... Não!! Não!! Havia jurado a si mesma que não iria mais pensar naquele imbecil. Ele não passava de um drogado dúbio e, como a maioria dos artistas, não dava a mínima para seus fãs. Fãs eram apenas otários que bancam seus ídolos. Era o que provavelmente ele deveria pensar.
— Ela foi raptada, Sakura. Certeza. A Ino é bonita, algum maníaco...
— NÃO!!! Não diz isso!!! Eu não quero nem pensar!!! — cobria o rosto em espanto, não poderia imaginar aquilo. Era preferível acreditar no improvável, do que no pior. Ino estaria bem. Ela tinha que estar. Ou nunca iria se perdoar por ter ido naquele maldito show. Sofrera a maior decepção de sua vida.
E, ao falar com o Uchiha, somente havia tido essa confirmação. Ele estava completamente drogado, com uma garrafa de vodca em mãos e muito ácido garganta a baixo. Ainda se recordava bem dos traços daquela garrafa...
“ — Foi mal! — disse no automático, assim que um forte corpo chocou-se contra o seu. Porém, logo que ergueu os olhos e contemplou quem havia trombado consigo, fechou os lábios, muda; em um misto de surpresa e descrença no que era decodificado por sua mente.
Não acreditava... Não poderia acreditar.
Ônix sobre esmeraldas. Sua mão ainda sob o torso dele, coberto por uma mal tratada camisa de marca, do qual o dinheiro estava a ser jogado no lixo. Vestia uma camisa xadrez respingada com um líquido alaranjado desconhecido, e seus fiéis tênis estrategicamente sujos, como assim acreditava, resplandeciam a sombra do Dirt. Incorretos, porém, de letras impressionantes e profundas. Letras vagas, que ele fazia questão de desperdiçar mandando a todos os fãs um belo: “vão se foder”, que já estava estampado em vários tabloides locais. Certamente não sairia ileso dessa. E nem gostaria que ele saísse. Talvez buscasse por vingança, por uma forte paixão platônica destruída, por de devaneios a respeito de seu imprudente mundo.
Era ela. A mesma garota que havia rebatido o que dissera. Não acreditava que enfim estava cara a cara com ela. Havia tentado descobrir para onde ela tinha ido após o show, em uma insistente curiosidade, somente para ter a honra de comprar briga com ela novamente. Para fazê-la engolir aquela pequena audácia, que até impressionava-o positivamente.
— Está drogado! — exclamava com raiva, recobrando sua consciência perdida por alguns minutos. Olhava a garrafa de vodca de marca importada, vazia, assim como as pupilas dilatadas seu maior ídolo. _ Aliás, é tudo que você é. Um drogado, não passa disso. — jogava as palavras, firme.
Sasuke arregalou os olhos, surpreso. Não sabia o que aquilo deveria acarretar em si.
— Fui idiota. Você nem deve saber o que escreve... — finalizou, curvando os ombros e passando por ele. Dava passadas duras no asfalto pós-Dirt, desviando do lixo.
Sentia-lhe os olhos arderem em frustração, em raiva; Ele era somente um drogado, jamais seria o Uchiha Sasuke que um dia, imaginou ser.”
— Cadê a Hinata, hein? — a estridente voz de Naruto a atingiu como um gatilho, despertando-a. Hinata... Fazia dois dias que também não ia na aula. Se não estava enganada, ela passaria o final de semana com o tal primo distante em Tóquio, para acertar algo para seu pai.
— Não sei bem Naruto, acho que ela viajou com aquele primo dela que ninguém nunca viu. — deu de ombros, deixando o abaixar de olhos do loiro passar despercebido. _ Por quê?
— Por nada, sei lá, ela estava diferente esses dias. — respondeu, encarando os próprios pés.
Hinata, apesar de muito tímida, era sempre gentil e prestativa. Ouvia-lhe como ninguém tinha total paciência. Mas nos últimos dias, sentia-se ignorado pela Hyuuga. Ela não tinha todo o tempo de antes para conversar, parecia muito ocupada. O que será que estava havendo?
******
Tentava se segurar à mesa com os pulsos amarrados, falhando. Todo seu corpo era agitado com rapidez, e sentia que poderia perder o ilho esmagado pelas ossudas e gélidas mãos dele. Era penetrada com velocidade e violência, recebendo alguns tapas na bunda, já rosada. Em pânico, a ideia de seu membro estar maior a cada dia não era descartada. Ia até seu âmago, e com dor temia que ele ultrapasse. Não se surpreenderia caso ele ultrapassasse, parecia não ter limites. Parecia não se saciar totalmente, e a prova mais viva e fiel disso era aquele compulsivo ritual diário. Transavam todos os dias, as vezes, mais de duas vezes. Tinha vontade de chorar, desaparecer, dissipar-se, virar pó; morrer. Em sua cabeça, deveria estar a quase uma semana naquela casa aterrorizante.
Uma semana na doentia e viril companhia dele.
Dava-lhe descanso somente à noite, tarde da madrugada, quando as pernas já não a firmavam no chão, e a cabeça doía-lhe tão intensamente que gostaria de arrancá-la de seu pescoço, em uma fina esperança. O distorcido e vazio mundo dele a assombrava, era tão retraído que poderia passar o resto de seus dias naquela poltrona imunda, observando aquela notória janela fechada. Tinha notado que as vezes ele retirava o maço de chaves do pulso, deixando a horrorizante ferida aberta. Estranhamente, o corte ao redor do alfinete não cicatrizava. Via pequenos filetes de sangue escorrer por ali várias vezes ao dia. Ele, porém, nada expressava.
Era como se não reagisse a dor. Como se vez alguma a tivesse sentido ou, tivesse experimentado tanto dela que havia criado anticorpos externos contra ela. Poderosos anticorpos fantasmagóricos.
Ele parava de mover os quadris, mas não sentia seu sêmen frio invadi-la. Respirava fundo, desesperada por ar. Seu quadril doía tanto que estava a perder o ar.
— Sua vez. — proferia, com seu rotineiro tom rouco. Soltava o quadril dela, levando as mãos as coxas marcadas com hematomas. E cético, observava a cintura avermelhada e com alguns pontos arroxeados dela. Subia uma das mãos até o seio esquerdo, trazendo-a para si. As costas macias e igualmente avermelhadas por seus tapas, tocavam-lhe o torso ameaçadoramente magro. Ela estava ali, naquela cadeira, em seu colo, há um tempo considerável. A queria por mais tempo hoje.
Puxou-lhe os cabelos loiros, tombando a cabeça dela em seu ombro. Ino tinha o rosto contorcido de dor, a raiz de seus cabelos ainda não estava acostumadas aqueles bruscos puxões.
— Pule. Faça. Ou o farei por você... — ordenava, em uma sutil ameaça, sussurrando aos ouvidos da loira. _ … Por trás. — completou, curvando os lábios em um leve sorriso sádico. Ela tinha gritado muito da última vez, resolvera dar-lhe uma folga, mas poderia mudar de ideia.
Engolindo seco, Ino tremia assustada. Sentira tamanha dor da última vez em que ele a tomara por trás, que beirou a inconsciência. Sem escolhas, gesticulava em afirmativo com a cabeça, as lágrimas incrivelmente molhando-lhe o rosto. Não sabia como seu corpo ainda poderia dar-se a luxo daqueles, estava a morrer de cede. Segurando desajeitada à madeira da mesa, movia os quadris lentamente para cima e para baixo, sentindo o grosso e rígido membro dele entrar e sair de si.
Suspirava em prazer, ajudando-a a ir mais rápido pelas pernas. Premiadamente, tinha a visão dela sentando e erguendo-se em seu membro, gemendo algumas poucas vezes em dor ou em prazer. Mas tal fato pouco lhe importava. Deslizou uma das mãos pelas costas femininas, afastando o longo cabelo que atrapalhava-lhe.
— Poderá comer algo depois. — concedia, analisando seu estado.
******
Estava errado. Estava completamente errado. Não fazia sentido a vida estar pregando-lhe um castigo tão grande, tão iminente e letal, de modo lento. Ele aplicava-lhe aquele castigo com primor, fazendo-a mergulhar em seu mundo, mesmo sem ter sido convidada. Gostaria de invadir a mente fria e calculista que ele vagamente aparentava recorrer, para decifrar o que o fazia daquela maneira. Porém, não tinha aquele direito.
Ou, ainda, não tinha.
Apertava as mãos envolta dos joelhos, ele havia permitido que se alimentasse e matasse sua cede, mas não havia entregado a camisa xadrez como das outras vezes. Estava nua. Sentada nas tábuas empoeiradas do quarto onde frequentemente era jogada. Não havia retornado ao quarto dele mais, e altas horas da madrugada, ainda estava nadando naquela insônia por tensão, por medo. No entanto, de algo sabia: ele pouco dormia também. Podia ouvir suas passadas arrastadas e vagarosas algumas vezes no decorrer da noite. Levava uma das mãos à virilha, a essência gélida dele ainda estava ali. Esforçando-se, colocou-se de pé, ao estranhar um ruído distante, gradativo e seguido.
Silenciosa, caminhou até a porta, abrindo-a até onde as correntes permitiam-lhe ver. Ao longe, uma luz estava acesa, milagrosamente. O escuro era como um fiel companheiro dele, todavia, havia uma luz acesa. A luz do banheiro.
Novamente, ouvia o som, tentando assimilar o que ele poderia estar destruindo no momento.
Mas, ao contrário do que pensava, os ruídos não passavam de fortes tosses. Muito fortes e altas, como se estivesse a carregar ácido na garganta. Acompanhadas de audíveis lufadas de ar. O que diabos estava acontecendo?
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