Evil Love
2 Capítulo 2: Em uma gaiola sem abertura.
Notas iniciais
Sentia-se como um animal em uma caixa. Engaiolada, mas sem ter ideia de onde estava a saída. Percorria todo o local escuro que estava, cambaleando e caindo diversas vezes em função da falta de luz e força. Estava muito fraca. Será que a pancada que ele dera em sua cabeça havia sido forte o suficiente para apagá-la e também para aturdi-la? Não conseguia entender. A onde ele estava? O que queria consigo? Era um sequestro? Muitas perguntas sem respostas rondavam a mente de Ino que, tropeçando mais uma vez em algo sólido, caía sob o chão empoeirado, vencida. As lágrimas brotavam em seus olhos, fruto da confusão e do medo. Medo. Quem era aquele cara? Seria um maníaco? Tentava a todo custo lembrar-se das feições do homem, mas somente seu casaco preto vinha-lhe à cabeça. “Shikamaru...” lembrava-se, o amigo deveria estar muito ferido. As pancadas e chutes que levou do homem foram completamente brutais e sub-humanas, jamais vira alguém com tanta ira antes.
— Me tira daqui!!! O que você quer?!?! Eu não tenho grana, cara!!! — gritava, chorosa, tentando firmar as mãos no chão. Mas não tinha resposta alguma. Olhando para cima conseguia ver uma fresta de luz, mas não poderia confiar em sua visão, estava em um completo breu. _ EEEI!!! ME TIRA DAQUI AGORA!!!! — exigia aos berros, erguendo-se e batendo os pés no chão.
Poderia debochar da desorientação dela no escuro, porém, gostaria de assistir até onde ela iria com aqueles gritos irritantes e intermináveis. Cortar-lhe a língua talvez não fosse má ideia.
— Meu pai vai procurar por mim, entendeu?!?! Você vai ser preso!!!! — ameaçava a loira.
Levando a garrafa à boca, bebia apenas um gole de vinho. Amargo, o único que não fazia-lhe querer vomitar com tanto açúcar. Doces deveriam ser banidos do planeta.
— Não vai falar nada?!?! Eu sei que pode me ouvir!!! — Ino persistia, olhando para todos os lados constantemente. O temor que ele aparecesse e pegasse-a por trás era quase transbordável.
Ela era uma criatura tão falante quanto sua irmã. Aquilo estava começando a irritá-lo... Seus gritos estavam tirando-lhe o prazer de ver o terror em seus olhos. Quando a escolhera como seu “novo entretenimento”, o medo em seus estranhos olhos azuis chamou-lhe atenção. Pensava que seria interessante observá-la, mas o arrependimento já surgia.
— SEU IDIOTA!!! IMBECIL!!!! FILHO DA PUTA!!!! Me tira daqui!!!! — berrou a plenos pulmões, mas assim que viu uma pequena porta se abrir de modo furioso engoliu seco, pensando que ter ficado calada fosse melhor.
Trêmula, Ino deu alguns passos para trás, observando a silhueta do homem que caminhava calmamente em sua direção, segurando uma garrafa na mão direita. A luz vinda da porta aberta não permitia-lhe enxergá-lo, mas o vibrante vermelho de seus cabelos era notável. Olhou mais uma vez para a porta. Tinha de tentar, talvez só tivesse aquela chance. Sem pestanejar, a loira correu em direção a porta, empenhada em sair daquele lugar. Mas quando tocava a maçaneta a fim de abrir a porta o bastante, ele puxou-lhe fortemente o rabo de cavalo, arrastando-a pelos cabelos para o interior do porão novamente.
— Você me irrita. — afirmava Gaara, em seu tom rouco, sentindo a cólera subir junto ao sangue. Jogou-a no chão e caminhou até a porta, fechando-a e, com o maço de chaves, trancando-a. Indo até ela novamente, fechou seu punho no pescoço alvo. _ A próxima vez que se dirigir a mim com aquelas palavras, te mato. — avisava, frio. Seria seu primeiro e único aviso.
Esforçando-se para respirar, Ino tossia em agonia, ele estava praticamente enforcando-a. Desferia alguns golpes contra seu punho, mas ele nada se abalava. Batendo sua cabeça com violência no chão, Gaara a olhava, divertindo-se com seu olhar suplicante. Os primeiros botões abertos da camisa branca do uniforme escolar chamavam-lhe atenção, e sem formalidades ele abria os botões restantes com a mão livre, ignorando os murmúrios de pânico da garota.
Ino apertava suas unhas contra o punho dele, em uma tentativa de fazê-lo soltá-la. Já sentia o sangue dele molhar-lhe as pontas dos dedos, mas tudo parecia em vão. Ele não reagia à dor. Sentia sua gélida mão percorrendo cada centímetro de sua barriga, parando no cinto que usava junto a saia. Mexeu as pernas desesperada, mas a força com que ele apertava sua cintura a fazia se concentrar na dor do que na tarefa de detê-lo. O ar a faltava cada vez mais, poderia morrer a qualquer instante.
Percebendo-a parar de ferir seu punho, ele soltou a garganta da loira, puxando-a outra vez pelos cabelos, até que ficasse de pé.
— P-Para!!!… Me deixa ir embora!!! — pediu Ino, em meio ao choro e a busca fervorosa por ar. Foi prensada com raiva contra a parede, de frente. Emitia alguns grunhidos apavorados, a medida que ele lhe tirava a camisa branca por completo e também a saia, fazendo o mesmo com o sutiã. _ Me solta!!!! — implorou em um grito, sentindo uma das mãos dele apertar seu seio com força, afim de deixar marca.
Suspirando de desejo, Gaara mordia o pescoço da loira, passando para o ombro livre em seguida. Apertava a pele macia entre os dentes, contentando-se somente quando a sentia esquentar, em sinal de estar roxa o suficiente. Ela tinha um cheiro inebriante, algo que o fazia lembrar das flores que cresciam ao redor daquela casa tida como vazia há muitos anos. Ino tentava impedi-lo de descer o elástico de sua calcinha, mas ele voltava a puxar-lhe os cabelos.
— Socorro!!!! — gritava em seu último fio de esperança, mas o som da garrafa se espatifando contra a parede a fez encolher-se de medo. Podia sentir os lábios dele tocando-lhe a orelha, enquanto sua mão livre adentrava-lhe a intimidade, penetrando dois dedos.
— Ninguém vai lhe ouvir... — sussurrava o ruivo, satisfeito ao detectar um gemido da loira assim que circulava-lhe o clitóris com o dedão, massageando-o. Ria internamente, trazendo ela para si novamente pelos cabelos. _ Cale-se. — ordenou por fim, abrindo a braguilha de sua calça para retirar seu membro ereto, roçando-o contra a bunda de Ino.
Ele a virou de costas para a parede em um brusco movimento, mantendo o corpo dela colado ao dele. Por aquele breve momento, Ino enfim pôde ver a cor de seus olhos. Verdes... Dois sádicos e frios olhos verdes. Forçava os lábios sobre os dela, fazendo-a abrir a boca sem escolhas. A Yamanaka tentava morder-lhe a língua, mas isso não o impedia de esfregar seu membro contra sua intimidade, que tornava-se molhada por reflexo. Mesmo em pânico, a loira lutava contra uma parte de si. Parte que sempre se decepcionava a cada transa com amigos, nenhum deles assemelhava-se ao psicótico ruivo que a penetrava voraz, com violência. Gritou, cravando suas unhas nas costas dele em mais uma tentativa de defesa. Ele a virava novamente de rosto para a parede, movimentando-se com pressa. Saía e entrava totalmente nela, trazendo-a pela cintura. Alguns tapas eram desferidos em suas costas e bunda, para que ficasse quieta. Mas, pelo visto, ela não sabia manter a boca fechada. Teria de ensinar a seu entretenimento como fazer isso. Okay, teria tempo para aquilo. A parede úmida com vodka fazia Ino tremer perante a tinta gélida.
Mais umas poucas estocadas e a puxava para si, emitindo seu final e único gemido de prazer. Sua essência molhava a loira por dentro, que arregalava os olhos assustada. O fato de tomar anticoncepcionais nunca servira ao certo para nada, mas agora, agradecia internamente com veemência.
Logo era arrastada novamente para fora do porão, onde pelo caminho, podia ver o péssimo estado da casa em que estava sendo mantida refém. Gritava, devido a dor imensa na raiz de seus cabelos, mas ele aparentava não ligar para nada. Certamente era sim um maníaco. Ele subia uma imunda escadaria, levando-a como um urso a ser arrastado de manhã. A geladeira repleta de correntes e um grosso cadeado era apenas um detalhe. Um irrelevante detalhe.
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Enérgica, Sakura pulava ao som de sua música favorita. Todos os jovens de Konoha deveriam estar reunidos assistindo ao show do Dirt. Pegou o celular e discou os números de sua melhor amiga. Ino estava mais do que atrasada para o show!! Onde será que aquela loira havia se metido que não tinha ido na aula? Porém, o que mais a intrigava era o estado de Shikamaru. Ele estava todo arrebentado e não se lembrava de nada!! Nem mesmo de qual a gangue que havia feito aquilo com ele!! Revoltante... Colocava o celular no ouvido e, mesmo que não ouvisse com clareza, conseguia compreender que o telefone da loira estava na caixa postal. Caixa postal? Ah mas ela iria até a casa de Ino assim que o show acabasse! Ah ia! Olhou para Naruto ao seu lado. Tivera que pedir ao loiro para acompanhá-la no lugar da Yamanaka.
— Parece que o Sasuke não passa de um drogado metido... — zombou Naruto, rindo da maneira como o tal Uchiha Sasuke deixava o palco, visivelmente alterado e saindo de cena ainda na metade do show.
— Como?! — indagou Sakura, incrédula, assistindo seu maior ídolo atirar a guitarra nas caixas de som, saindo do palco aos gritos, direcionados aos outros integrantes da banda.
******
Estava trancada naquele quarto há varias horas. Sentia-se suja e, sobretudo, com muita fome e dor. Tremia tentando esconder sua nudez com as mãos, mas assim que notou mais a fundo o guarda-roupa no canto do quarto, correu até ele. Por sorte não estava trancado como tudo naquele lugar. Quem era ele? Onde poderia encontrar uma saída? Tinha que encontrar uma saída e fugir. Fugir daquele louco. Com a porta em mãos, a loira analisava seu corpo. Estava repleta de marcas vermelhas e arroxeadas, todas virariam terríveis hematomas. Suspirando triste, ela olhava para dentro do guarda-roupa, pegando a única peça de roupa dentro dele. Uma camisa xadrez, em vermelho e amarelo. A vestiu, agradecendo por ser grande o bastante para tampar-lhe até pouco acima da metade das coxas.
Virou-se para a porta. A corrente com cadeado não permitia sua saída, mas permitia-lhe ver um pouquinho do outro lado. Aproximando-se com receio e medo, Ino observou pela fresta formada na porta de madeira. Onde ele estava? Será que havia saído? Mas antes que pudesse se perguntar mais alguma coisa, viu sua silhueta surgir de uma das portas. Seus cabelos estavam molhados e inexpressiva face nem mesmo se mexia. Rapidamente, a loira foi até o lado oposto do quarto, sentando-se no chão, abraçando os joelhos e cobrindo parte do rosto com sua longa franja, em uma tentativa natural de proteção.
O ruivo adentrava o quarto, abrindo o cadeado com o maço de chaves, e com perigosos passos sem um único ruído, colocou-se de frente para ela.
— Venha. Ia ser irritante se desmaiasse de fome. — pronunciou, olhando-a cético. O choro dela pouco o importava, assim como as marcas que tinha pelo corpo. As marcas não o causavam qualquer reação além de excitação. _ Venha. — repetiu, puxando Ino pelo braço sem paciência.
A loira tropeçava nas próprias passadas, descendo a escadaria sem equilíbrio. Ele apertava de forma grosseira seu pulso, levando-os até a cozinha.
— Sente-se. — disse, virando-se em direção a pia.
Com o estômago reclamando em dor, pela falta de comida, Ino acatou o que foi dito por ele, sentando-se em uma das duas cadeiras que a imensa mesa desproporcionalmente tinha. Observava duas sacolas de comida, mas logo seus olhos voltaram para a figura dele. Estava sem camisa, e suas unhas tinham deixado evidentes marcas na pele pálida, quase doente, dele. Sua coluna poderia ser notada, e diante da ideia de seus ossos, algumas incomuns cicatrizes também. Ele virava lentamente, encarando-a sério.
— Pare de me olhar e coma, será sua única refeição hoje. — determinou, terminando de abrir os muitos cadeados da geladeira.
A loira questionava-se o porquê de tamanha loucura, não fazia sentido trancar uma geladeira daquele jeito. Todavia, nada perguntou, se ele ficasse aborrecido talvez não ficasse viva até pegar aquele maço de chaves. Com certeza as chaves da porta deveriam estar ali. Olhou para abertura da cozinha. Tinha uma pequena sala, com uma única poltrona, e após ela, a porta de entrada. Um porta-chapéus estava ao seu lado, pendurando o mesmo casaco com que ele a capturara. A porta não tinha nenhum cadeado, apenas uma fechadura comum. Intrigada, Ino voltou-se para as sacolas a sua frente. Seu estômago não a deixaria pensar muito se não fosse atendido com urgência.
Pegou um dos três pães dentro da primeira sacola e o mordeu com ansiedade.
Gaara a olhava, incomodado. Ela parecia muito faminta, vai ver sentia a fome que raramente surgia nele. Passava dias sem comer. Ela comia toda sua comida de um mês em poucos minutos...
—... Não vai comer? — Ino perguntou receosa, notando o mórbido olhar do ruivo sobre si.
Porém, ele nada respondeu. Engolindo o pedaço final do pão, a loira fez uma essencial pergunta:
— Qual seu nome?
— Gaara.
— O que quer de mim? Olha, porque não me deixa ir embora? Já não teve o que queria? — interrogou, séria, encarando-o. Nada nele era comum.
E como esperado, ele não a respondeu novamente. Respondia apenas o que lhe era conveniente. Virou-se, abrindo a porta da geladeira e tirando de lá uma jarra de água, que estendeu a ela. Ino a pegou, colocando um bom gole no copo de plástico na mesa. Assim que terminou de beber, foi puxada outra vez pelo braço, até que estivessem no segundo andar. Era empurrada para o mesmo quarto onde estava há pouco tempo, e deitada na cama sem lençóis com brutalidade.
Ao vê-lo abrir a braguilha da calça, a loira poderia sentir sua garganta queimar. Ele colocava a mão dela em seu membro, deslizando-a para cima e para baixo, e em um suspiro desejoso, dizia:
— Termine com a boca.
Nada era capaz de abalá-lo. Talvez, só se preocupasse consigo mesmo.
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