Evil Love
3 Capítulo 3: Um alfinete infeccionado.
Notas iniciais
Ele tinha uma estranha ferramenta em mãos; uma ferramenta cortante. Encarando o brilho da lâmina contra seu peito, Ino via-se sem escolhas. Trêmula, olhava para todos os cantos do quarto, a procura de uma saída vã. Quando constatou o óbvio, encarou o grosso e ereto membro frente sua boca. Via os frios e sádicos olhos verdes observando-a, em uma mistura incerta de impaciência e vazio. Seus alinhados dentes rangeram-se, irritados, e a lâmina foi forçada contra seu peito, provocando um fino corte.
— Ande logo. Se morder vou retalhá-la. — avisou imperioso, pressionando o membro excitado contra os finos lábios da loira. Nem dava-se ao trabalho de tirar as roupas por completo, era maçante demais.
Em poucos segundos pôde sentir a língua quente envolvendo-lhe a glande. Um suspiro prazeroso fugia de seu controle, materializando-se. Concentrava-se na face dela, contemplando a boca avermelhada a sugá-lo com timidez e uma alta dose de medo.
— Sugue. — ordenou, retirando a longa franja de Ino de seu caminho. Lágrimas rolavam pelo rosto da Yamanaka, que passou a fazer o que lhe era ordenado assim que a lâmina cortava mais um pouco, fazendo-a conter um gemido de dor. Ardia, e podia sentir o sangue manchar sua pele gradativamente. Pequenos ferimentos deveriam ser os piores, a dor era sempre mais acentuada que a dos grandes machucados; estes, apenas chegavam a doer quando se olhava.
A visão se embaçava, em decorrer das lágrimas, e engasgava diversas vezes, a medida que ele mexia os quadris para empurrar mais de seu membro boca abaixo. Um nojo de alto nível a fazia querer muito mordê-lo, mas não havia maneira de escapar dele sem sair, no mínimo, com um corte grave. O assistia fechar os olhos, para sentir o contato mais intensamente. Em um leviano segundo, almejou arrancar-lhe um gemido forte, talvez ele merecesse sentir sua ereção tão rígida a ponto de doer. Mas ele estranhamente não reagia a dor, e pouco reagia ao seu louco prazer.
Abriu os olhos bruscamente, apavorando-a com seu perigoso olhar de tom verde. Moveu os quadris com mais ferocidade, queria ele todo dentro da boca dela, mesmo que por fora, tal tarefa parecesse impossível. Ino tentava não tossir ou vomitar, sabia que se fizesse isso, era capaz dele espancá-la. Mas inibir tais atos estava cada vez mais difícil, tanto, que logo que sentiu o membro pulsar mais vezes em sua boca, sugou mais rápido, para fazê-lo gozar e finalmente poder livrar-se daquela situação. No entanto, ele não gozava, o que causava-lhe desespero.
— Vire-se.
Não esperou, ele mesmo a virava de bruços na cama, puxando a barra da camisa xadrez para que pudesse visualizar a entrada da loira. Ela tentava contê-lo, mas a força com que sua cintura era segurada a impedia de sair da cama ausente de lençóis. O colchão áspero feria-lhe as mãos e os joelhos, porém, ele não a deixava sair da posição, dando consideráveis tapas em sua bunda, para que se mantivesse imóvel.
— Me deixa ir embora!!!! Para!!! Me solta!!! — gritava, tentando tirar seus longos cabelos de uma das mãos gélidas dele, que já os puxavam.
— Cale-se. — dizia somente, apertando um pouco mais a cintura de Ino. Roçava o membro em sua intimidade; a pele macia, lisa e um tanto úmida o atraía. A puxou de vez pelos cabelos, colocando-a de joelhos no colchão assim como ele, e com um imperceptível sorriso, mordia o pescoço da loira, subindo uma das mãos até seu seio esquerdo, para apertá-lo com firmeza. A penetrava de uma vez, sem avisos, arrancando um grito dela. E da mesma maneira, a soltava, para que voltasse a ficar com as mãos apoiadas no colchão. Entrava e saía com violência, voraz, rápido; Ino sentia que poderia ter os ossos de seu quadris deslocados, e tudo que pedia era para que ele se saciasse em breve, ou iria mesmo deslocar algum osso. A cada estocada lamentava ter voltado da casa de Naruto aquele horário da noite, isso, agora, lhe custava a própria vida.
— Para!! Está doendo!!! — implorava, tentando retirar as possessivas mãos dele de sua cintura. A força dele era algo a se duvidar, a se questionar seriamente. Com aquela decadente aparência, assídua magreza, ser tão forte não era nada compatível.
No entanto, ele não atendia nenhum de seus pedidos, estocando com velocidade por vários minutos. Apenas quando teve seu cabelo puxado outra vez, pôde sentir o alívio de tê-lo fora de si. Mas, o alívio durou poucos segundos, até que um agudo grito de dor subiu-lhe pela garganta. Ele a penetrava por trás, não importando-se com sua mínima entrada. O estreito canal comprimia seu membro, fazendo-o suspirar mais uma vez. Porém, os gritos irritantes dela estavam a aborrecê-lo, deveria ter derramado um pouco de vinho.
— Silêncio. — ordenava, irritado e desconfortável com os gritos dela, que não se cessavam.
Nervoso, a levantou pelo tronco, sustentando-a. Colava seu rosto ao dela, e em seu ouvido avisava:
— Grite mais uma vez e verá o que ocorre... — lambia seu pescoço, capturando as lágrimas que desciam até sua língua.
Ino mordia os lábios, a dor era grande, nunca havia feito tal coisa antes. Por um minuto, segurou nas mãos dele, firmes ao redor de sua cintura. Mais algumas estocadas e o ouvia gemer uma única vez em seu ouvido, sentindo sua essência molhá-la em jatos por trás. Enfim era solta, e desabava sob o colchão, com a respiração descompassada em dor.
Ele fechava a braguilha, pegando o maço de chaves e direcionando-se para porta, por onde saiu, deixando-a lá, inerte. Ouvia o cadeado na porta ser travado novamente, e perdia a conta de por quantas horas ficara ali, imóvel, chorando.
No quarto ao lado, ele encarava o teto, deitado sob uma cama arrumada. A noite talvez fosse vê-la.
******
— Hey, seu imbecil!!! Tem cinco mil fãs lá fora!! — gritava Neji, o vocalista, fora de si, completamente revoltado. Não, dessa vez Sasuke não sairia no meio do show daquela maneira. Se queria se drogar até morrer de overdose, okay, mas que indicasse um novo guitarrista ao Dirt e sumisse de vez.
— Pouco me importa, que todos vão se foder. — pronunciava o Uchiha, segurando nas caixas de som da coxia do palco, em uma difusa tentativa de chegar até seu carro, que nem mesmo fazia ideia de onde havia estacionado.
— Ah é?! Por que não diz isso aos fãs?! Hein?! Se toca, Sasuke!!! — tomava a voz Kiba, o baixista, colocando seu baixo em uma das poltronas da coxia e indo atrás do Uchiha, que tentava deixar a área reservada à banda.
— É isso aí, Sasuke!!! Quebre tudo!! — debochava Suigetsu, o baterista, aos risos. Jogava suas baquetas ao alto e as pegava, rindo e mascando um chicletes em meio a confusão.
— Pare de colocar lenha nessa merda, Suigetsu!!! — repreendia Neji, observando o rapaz de cabelos mesclados em branco e azul somente abrir as mãos, em um gesto de imparcialidade.
— Volta aqui, Sasuke!!! — Kiba berrava, irado. Naquele avanço reverso, teriam de tirar o Uchiha do Dirt.
— Vão se foder!!! A vocês e a esse bando de fãs sexistas!!! Que todos se fodam nessa porra!!! — explodia, não encarando a nenhum dos fãs, que assistiam sua descida dos fundos do palco com rumo a rua, boquiabertos. Até que uma voz feminina em meio a multidão foi ouvida com espanto:
— NÃO, QUE VÁ VOCÊ SE FODER!!! Seu insensível!!!
Parava; e encarava os marejados e raivosos olhos esmeralda há alguns metros de si, junto ao público. Sorriu em escárnio, quem diabos era aquela garota?
******
Em meio as lágrimas, havia pegado no sono por exaustão. Acordava exatamente da mesma forma, sem ter movido um único dedo. Seu estômago reclamava de fome, sua garganta ardia de sede, mas não queria que ele voltasse. Sabia que, quando voltasse, era para tê-la mais uma vez. Vai ver, morrer de sede ou fome fosse sua única opção piedosa.
Distraída, não percebia o som do cadeado se abrindo.
— Venha. — disse, surgindo em sua frente de calças trocadas e cabelos molhados.
— Me deixe aqui. — pediu, encolhendo um pouco as pernas. Sentia-se suja e incomodada por vestir somente aquela camisa.
— Não. — a puxou da cama, fazendo-a cair nas tábuas empoeiradas do chão. _ Está imunda. — a arrastou pelas canelas até a porta, onde virou-se por um instante para empurrar a porta.
Levantando-se com agilidade e desespero, a loira o empurrou com o restante de forças que ainda tinha, passando pela porta e correndo até o início da escada. Sentou-se no corrimão liso em madeira e deslizou até a porta, pelo qual girava afobada a maçaneta. Tinha que ir embora. Tinha que fugir daquela casa e, principalmente, dele. “Por quê isso não abre?” perguntava-se já chorando, ao vê-lo descer calmamente as escadas.
Desviou seus olhos até o porta-chapéus. A chave só poderia estar escondida naquele casaco. Capturou a vestimenta com aflição, mas antes que pudesse alcançar um dos bolsos, ele retirava a peça com brutalidade de suas mãos, atirando-a na porta.
Vê-la tentando escapar tirava-lhe a pouca sanidade, e sem medir seus golpes, a estapeava compulsivamente.
— PARA!!! — suplicava Ino, em pânico. _ Para!!! Para!!! Eu não faço isso mais!!! Juro!!! Para!!!
Socou fortemente a porta, apertando o punho contra a madeira para se conter. Com os olhos brilhando em fúria, bufava, puxando-a com violência pelas canelas outra vez, arrastando-a até a escada, onde a pegou e a colocou sobre um dos ombros.
— Me solta... — pedia, esgotada, a voz embargada em função do choro e da contínua dor na face. As lágrimas caíam ao contrário, molhando-lhe a testa. Ele subia as escadas a passos repletos de ira, ignorando tudo a sua volta.
Assim que chegou ao banheiro, a empurrou box a dentro.
— Tire essa camisa. — proferiu, sacudindo-lhe os ombros para que parasse de chorar. Aquele alto e escandaloso choro estava deixando-o inquieto.
Tirou ele mesmo a camisa que a vestia, abrindo o chuveiro quente em seguida, segurando-a embaixo da água. Molhava-se um pouco também, mas as lágrimas dela já misturavam-se a água do chuveiro, agraciando-o. A virava de costas, colocando seu imenso cabelo loiro ombro à frente. Encarou as marcas que havia dado a ela de presente. Inexpressivo, fechou o box, dizendo:
— Termine seu banho.
******
A noite caía, e Ino era novamente arrastada para o quarto. Todavia, não para o mesmo quarto, como os olhos cansados da loira notavam. Ele a jogava na cama, uma cama de casal, devidamente arrumada com lençóis aparentemente limpos, enquanto com o maço de chaves, trancava a porta. Vestia a mesma camisa xadrez sem alternativas, e encarava o ruivo de costas, a fechar o cadeado de uma trinca acima da maçaneta. Ele vestia apenas uma calça, preta, e as marcas de suas unhas ainda se perpetuavam em suas costas de coloração alva hospitalar.
— O que quer agora? — perguntou cínica, vendo-o se virar e aproximar da cama. Receosa, Ino já chegava até a cabeceira, apertando as pernas. A franja molhada e escovada descia-lhe a face, tapando seu olho esquerdo. _ É o seu quarto?
— É. — respondeu simplesmente, observando-a encarar todos os pontos do cômodo com certa curiosidade. Despreocupado, deitava-se ao lado dela na cama. Ela não teria como escapar. O maço de chaves estava preso a um de seus pulsos, no entanto, um alfinete furava-lhe a pele. A ferida infeccionada assustava a Yamanaka, que o assistia virar-se de costas, irritado com tamanha atenção.
— Vai dormir? — indagou, inclinando o corpo para frente para poder espreitar seu rosto.
Ele nada respondeu, apenas fechou os olhos, mas, depois de alguns minutos, ela ainda continuava ali, olhando-o.
— Pare de me encarar e faça o mesmo. — suspirou, aborrecido. Detestava a capacidade exagerada dela de obrigá-lo a falar.
Ino olhou mais uma vez o maço de chaves, era impossível pegá-lo com a tira que o segurava presa à pele do ruivo. A ideia de ter um alfinete transpassando-lhe a pele lhe apavorava, ele deveria mesmo ser pior dos maníacos. Com o corpo repleto de variadas dores, viu-se tentada a deitar-se e dormir.
******
Observava a mão dela em seu peito por horas, tirando sua calma respiração. O estranho toque singelo o fazia querer quebrar todo o quarto à murros, mas não se movia. Não movia um único músculo, e em um insano instante onde a cabeça dela tombou em seu ombro, desviou os olhos para seu lado.
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