Evil Instincts
5 I'll Kill You Both
Notas iniciais
Blaine andava de um lado para outro no quarto desejando que pudesse mais uma vez morrer. Seu mundo estava se desmoronando aos poucos e por motivos que aparentavam não o incomodar tanto míseros dias atrás.
O moreno não conseguia parar de pensar na frase que Kurt o havia proferido no último "encontro" que tiveram, ainda que não pudessem ser nomeados de encontros aquilo que tinham. Blaine se irritava por saber que Kurt estava certo ao dizer que o moreno nunca iria encontrar alguém melhor que o Hummel. Aquela era a mais pura e dolorosa verdade.
Blaine nunca encontraria alguém que o satisfizesse tanto quanto Kurt fazia. O moreno teve inúmeros parceiros ao longo de sua vida e morte, mas nunca foram satisfatórios o suficiente. Sebastian até foi interessante, mas não tinha aquela coisa que ele e Kurt tinham.
Não havia com nenhum outro a mesma química que tinha entre Kurt e Blaine, aquilo era fato. A fim de espairecer e relaxar, Blaine foi atrás de um lanche para aquela noite, estava cansado de ficar encarando seu quarto e daqui a pouco faria um buraco no chão de tanto andar de um lado para o outro.
Kurt não estava muito diferente de Blaine. Também estava a pensar no que ele mesmo tinha dito para o moreno. Era difícil, pois ao mesmo tempo que queria fingir que Blaine não existia, o desejava e o queria, sentia que precisava dele. Talvez a rixa deles já tivesse ultrapassado todos os limites e talvez até tenham sido capazes de sentirem algo mais forte um pelo outro, mas a sede por poder foi tanta que ignoraram tais sentimentos.
Era melhor. Ninguém se machucava. Era muito mais fácil se eles ficassem nisso sem compromisso do que em um relacionamento, onde haveriam cobranças e mais cobranças. Um relacionamento não é tão simples quanto aparenta e, sendo honestos, nem Kurt, nem Blaine, nunca estiveram dentro de um para saber como realmente funcionava.
Uma sombra apareceu próxima ao espelho de Kurt e o mesmo deu um passo para trás. Como alguém havia entrado ali sem que ele sentisse ou escutasse? Será que estava distraído a esse ponto? Como não enxergou quem era, foi rapidamente ao local onde estava mantendo Jake, vendo que o mesmo dormia. Sentiu-se ser fortemente o empurrado contra uma parede do corredor e reconheceu na hora aqueles olhos meio pretos e meio avermelhados.
— Você precisa mesmo me assustar cada vez que invade minha casa? – Resmungou Kurt, vendo os olhos de Blaine voltarem ao normal.
— Você está jogando sujo, Kurt. – O moreno disse, sentindo repulsa do que tinha presenciado minutos atrás.
— Do que você está falando? Não estou entendendo. – Kurt disse confuso.
— Quer tanto ficar bem na minha frente no número de vítimas que acabou com um hospital? Olha, eu não quero mais fazer isso. Para mim chega! Ganhe o domínio da cidade ou o que for. – Blaine estava indignado com a atitude do castanho, que permanecia confuso, já que passara o dia inteiro em casa. – Mas que diabos, Kurt. Um hospital não. Isso é tão errado.
— Somos vampiros, precisamos nos alimentar e apenas nossa existência já é um erro. Não precisa se exaltar. Passei o dia inteiro em casa, não entendo mesmo do que está falando. Quem quer que tenha matado essas pessoas do hospital, não foi eu. – Se defendeu ele, confuso como nunca. – E mesmo querendo ganhar de você, eu não mataria pessoas em um hospital. Se bem que nós matamos pessoas saudáveis de qualquer maneira... As que estão morrendo vão "partir" de qualquer jeito.
— Mas continua sendo um hospital.
Uma risada foi ouvida pelos dois, que olharam em todas as direções e não enxergaram ninguém. Em momentos rápidos Kurt e Blaine estavam com os pescoços quebrados caídos no chão, com um castanho os observando, possuindo em seus lábios um sorriso tão perverso quanto o do demônio.
Os dois meninos só foram acordar duas horas mais tarde, acorrentados e sem entender nada do que estava acontecendo. Olharam para frente e disseram em uníssono de uma maneira surpresa a mesma palavra, o mesmo nome:
— Sebastian?!
— Olá! – Disse irônico. – Eu não pensei que dariam tanta bola para as trezentas e trinta e cinco pessoas do hospital... Ou para nenhuma das quase mil vítimas que fiz nos últimos dois dias... Fiz mais em quarenta e oito horas do que vocês dois fizeram nos últimos anos. Incrível, não? – Sebastian permanecia falando em tom irônico.
— Por que nos prendeu? – Kurt praticamente rosnou. – Você quebrou os nossos pescoços.
— E acha que eu não sei? Prendi vocês porque os dois me usaram no mesmo dia e isso foi errado. – Falou Sebastian, vendo ambos revirarem os olhos. – Eu não sou um qualquer, ok?
— É, mas gemeu feito um louco! – Kurt disse, jogando na cara de Sebastian.
— E só faltou implorar por mais. – Completou o moreno, vendo o ódio se estampar no olhar de Sebastian. – Nos prendeu por que, afinal? Quer mais, é isso? Ou resolveu que vai nos matar.
— Ah, eu vou matar os dois... – Sebastian disse e acabou rindo. – Vocês sabem que eu não vou matá-los... Eu quero outra coisa... Sabem, eu achava estranho essa atração louca que vocês sentem um pelo outro, mas depois que ambos se aproveitaram de mim, acabei entendendo o motivo e queria, não sei, fazer algo os três... O que acham?
— Você nos prendeu por sexo? – Blaine estava incrédulo. – Isso é ridículo.
— Não ligo. Acredito que possamos nos divertir muito. Além do mais, essa sala tem uma única porta e ela é de ferro, está muito bem trancada. Não há janelas e, para fechar com chave de ouro, ela é a prova de som. Não é maravilhoso? – Kurt revirou os olhos e virou-se para Blaine praticamente implorando para que ele fizesse algo.
— Tudo bem. – Concordou o moreno, puxando seu braço e arrebentando as correntes que o prendiam, soltando Kurt em seguida. – Não pensa em quebrar o pescoço dele, ele vai acordar mais revoltado ainda.
Blaine alertou Kurt, que parecia uma criança emburrada. O moreno empurrou Kurt contra a parede mais próxima, rasgando a blusa dele em seguida e o vendo encolher o corpo. Sebastian se aproximou, então Blaine aproveitou e beijou o Smythe calorosamente.
Kurt, sentindo um misto de raiva e indignação, puxou Blaine e o beijou, sentindo Sebastian beijar seus ombros e suas costas. Ok, aquilo poderia ser melhor do que aparentava. O Anderson passou a beijar o peito do Hummel ao ver que o mesmo virou a cabeça para beijar os lábios de Sebastian.
O Smythe enfiou suas mãos na parte de trás da calça do Hummel, o apalpando sem dó. Nesse momento, Blaine, em um rápido movimento, tratava de despir aos três, enquanto permaneciam trocando beijos por todos os pedaços de pele que encontravam um no outro. Estavam com um calor os dominando, mesmo que suas peles frias se chocassem sem parar.
Blaine foi atirado com força contra a cama e abriu um sorriso malicioso. Ele ficou, literalmente, de quatro na cama. Kurt sentou em sua frente e o beijou. O moreno foi descendo seus beijos pelo corpo do castanho, até que chegou ao membro do mesmo e o colocou em sua boca. Se ele fosse humano, teria parado de respirar pois, ao mesmo tempo em que mantinhas seus lábios no membro de Kurt, Sebastian penetrava Blaine com muita força. E ele gostou, é claro.
Os três gemiam loucamente. Fazendo uma ginástica não humana, Sebastian conseguiu até beijar Kurt, enquanto o mesmo gemia perdidamente por conta dos toques de Blaine. Blaine perdeu o foco no que estava fazendo inúmeras vezes enquanto sentia Sebastian colocando ainda mais força em seus movimentos.
Se aquilo estava bom, poderia ficar ainda melhor. Os três trocaram de posição, quem agora estava no meio era Kurt, na mesma posição que antes Blaine se encontrava. O Anderson por sua vez estava apoiado por cima de Kurt beijando Sebastian e, lentamente, estava colocando seu membro no Hummel, que deu um grito praticamente. O castanho mantinha seus lábios em torno do membro de Sebastian, subindo e descendo com certa dificuldade por conta de seus gemidos. Novamente seus corpos extremamente gelados parecia estar pegando fogo. Não pensaram que a ideia sem nexo de Sebastian poderia acabar sendo tão prazerosa assim.
Mais uma vez os três mudaram de posição. Quem se encontrava de quatro na cama era Sebastian, que já estava habilidosamente se deliciando com o membro de Blaine em seus lábios. Kurt foi o mais delicado ao adentrar Sebastian, mas logo seus movimentos pegaram velocidade e logo os três novamente estavam gemendo feito loucos e dizendo coisas completamente sem sentido, nexo ou qualquer coisa assim.
Movimentos e mais movimentos, minutos e mais minutos e, quando finalmente pensaram estarem começando a se cansar, chegaram aos seus ápices, os três juntos, gemendo alto, praticamente gritando.
— Nossa... Isso tudo me deu uma sede... – Comentou Sebastian, vendo um sorriso sapeca brotando nos lábios de Blaine e Kurt.
— Podíamos muito bem irmos nos alimentar e repetir isso... O que acham? – Perguntou o castanho, vendo o sorriso dos outros aumentar.
— Pensei que nunca fosse perguntar! – Sebastian e Blaine gritaram juntos, desesperadamente vestindo suas roupas.
Os três se juntaram em uma caminhada até o centro da cidade, onde encontraram exatamente três pessoas. Três rapazes. Se aproximaram e viram que logo os três perguntaram se eles queriam um cigarro, o qual eles prontamente negaram.
— Queremos seus corações. – Blaine disse com um sorriso sombrio nos lábios. – O que acham de concederem nossos pedidos e simplesmente se entregarem?
— O cara é louco, mano. – Um disse rindo, claramente bêbado ou algo do gênero. – O que você fumou, idiota?
Blaine soltou uma risada nasalada e se "transformou" completamente. Seus dentes ficaram maior, seus olhos escuros e sua sede aumentando. Tudo que ele e os outros vampiros ouviam eram aqueles corações batendo tão aceleradamente por conta do susto.
Os três rapazes tentaram correr, mas Blaine, Kurt e Sebastian pararam na frente dos três, se entreolharam e foram aos seus trabalhos. Ambos arrancaram diretamente os corações e tomaram aquele sangue maravilhoso, tirando Sebastian, que ficou apenas olhando.
— Isso é vergonhoso... Nunca fiz isso... – Confessou ele, envergonhado. – Arranquei todos aqueles corações apenas para criar uma intriga entre vocês, mas nem adiantou direito.
— Pois vai fazer agora. Aposto que quer ser como nós, não? – Blaine perguntou e Sebastian assentiu.
— Se prometer que não vai nos matar, podemos te ensinar algumas coisinhas. Somos mais velhos e experientes. – Sugeriu Kurt, vendo os olhos escuros de Sebastian brilhando.
— Não tenho motivos para matar vocês. – Afirmou ele e era verdade. Não queria matar os vampiros. – É só cravar os dentes e tomar o sangue?
— Larga esse e vamos arrancar outro para você, tome logo que arrancar. – Blaine parecia estar dando uma aula, pois Sebastian prestava atenção em cada palavra do moreno.
Foram em busca de uma quarta vítima para alimentar Sebastian. Encontraram depois de duas quadras andando. Era uma mulher, loira e sorridente que andava cantarolando uma música qualquer.
— Olá! – Sebastian chegou cheio de charme para a garota, como Blaine e Kurt disseram para ele fazer, assim seria até mais divertido para o Smythe. – Qual seu nome, princesa?
— É Quinn... – Disse ela, sorrindo tímida. – E você?
— Sua Morte. – Falou irônico, vendo ela ficar confusa, então ele transformou completamente sua feição e, naquele ar sombrio que o compunha, arrancou o coração da garota sem piedade e cravou seus dentes no mesmo, tomando o sangue dali em seguida.
Enquanto Sebastian terminava de se alimentar e novamente se aproximava dos amigos, percebera que os dois conversavam sobre algo.
— Acho que eu vou embora, Blaine. – Avisou Kurt, vendo o moreno mudar de expressão. – Sei que não sou bem-vindo aqui.
— Você podia simplesmente me dizer o verdadeiro motivo de ter vindo para cá. Eu ainda não caí nessa de que você só queria dominar o meu território. – Blaine queria se ajoelhar e implorar para Kurt não ir embora, mas ao mesmo tempo queria se livrar dele o mais rápido possível.
— Por que eu faria isso? Essa é a verdade. – Mentiu ele. – E sei que não farei falta, então...
— Uma semana. – Soltou Blaine.
— O que tem? – Kurt estava confuso.
— Fica mais uma semana. Depois vá embora, faça o que quiser. Mas fique mais uma semana. Vai que encontra motivos para nunca mais ir embora.
— Está apaixonado, Anderson?
— Nunca. – Riu o moreno.
Mas será mesmo que ele não estava perdidamente apaixonado?
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