Everything
11 Você escolhe a batalha, ou é escolhido por ela?
Notas iniciais
Espero que continuem acompanhando e me deixem saber o que estão pensando sobre os caminhos da história.
Se quiser mandar uma mensagem, brigando com a autora, pode também, rs.
Boa leitura. Nos vemos lá em baixo.
Eu escolho por quem lutar...
Quinn
Rachel não estava bem... Não era aquela sombra que vi naquele outro lugar, e não era a pessoa fraca e submissa que estava com Hudson, mas não era Rachel, e eu sabia por quê. As palavras de Finn a atingiram e só com o tempo ela veria que o que ele disse, era fraco e vazio, assim como ele. Mas até que ela percebesse isso, eu estaria lá esperando. O bom é que nossa amizade se tornava cada vez mais forte, então não era estranho estarmos sempre juntas. O grande alívio, foi perceber que não seria apenas eu a estar por perto. Brittany e Santana, mesmo que a latina não admitisse, gostavam muito de Rachel e queriam vê-la bem. Finn não foi tão estúpido e se dignou a passar os dias como se não estivesse no colégio.
Claro que Satan havia contado para todos do grupo, a palhaçada que Hudson fez, e o resultado foi mais que inesperado, pois todos odiaram sua atitude, inclusive Puck, e com isso ele estava totalmente afastado de toda e qualquer atividade que envolvia os membros do Glee Club. O que ajudou, e muito, a manter Rachel protegida do gigante, pois quando ela não tinha aula comigo, Santana, Brit, ou outro membro do coral se dispunha a manter Hudson longe, não que ele fosse se aproximar, mas era por precaução.
Mas Rachel ainda estava ferida, e sua carta não chegar, em nada ajudava... Eu ainda passava as tardes com ela, a distraindo. Outros dias, ficávamos com o casal Brittana, para ajudar Brit a estudar. E hoje não seria diferente dos outros dias, pelo menos eu pensei que não.
Estava sentada no chão do quarto, escorada na cama, enquanto abraçava Rachel que estava ao meu lado. Havíamos parado de estudar a pouco e neste momento ela parecia perdida em pensamentos, até que diz baixinho enquanto apoiava a cabeça no meu ombro.
“Por que dói tanto?”.
Eu sei do que ela está falando, e a dor em sua voz em entristece.
“Porque você confiava nele Rach. Ele era seu namorado.”.
“Mas o que ele fez foi pior do quê qualquer coisa que já tenham feito, e eu não sei se dói por isso ou por ele ter sido meu namorado.”.
Diz Rachel nervosa, mas sem se afastar. Então digo.
“Pior do que as coisas que eu lhe fiz?”.
Ela fica tensa e ao finalmente relaxar, diz com um suspiro.
“Você mentiu, manipulou e sabotou muitas coisas relacionadas a mim e ao Glee, mas em momento algum você queria atrapalhar meu futuro. Se não estou enganada, você sempre quis exatamente o contrário.”.
“Eu sinto muito por isso Rachel. Por tudo na verdade.”.
Digo triste, enquanto tento segurar as lágrimas. Então ela segura meu rosto com as mãos e diz firme.
“Eu já te perdoei Quinn, e isso faz toda a diferença, pois você me mostra todos os dias que se arrepende, e se não fosse por isso, não estaríamos aqui agora e eu não teria uma amiga.”.
Sorrio com suas palavras, mas quando ela retira as mãos do meu rosto e abaixa o olhar, meu sorriso morre.
“Mas o que Finn fez, não tem nada a ver com você, ou o que você me causou antes. Teve apenas o que ele quis... E isso dói.”.
“Ele era importante Rachel, para você. Foi seu primeiro amor, seu primeiro namorado. O garoto popular que quis a judia baixinha e tagarela.”.
Digo tentando animá-la e arranco dela uma risadinha e um tapa no braço, então continuo.
“E foi o primeiro a ser burro o suficiente para não notar a pessoa valiosa que ele tinha por perto... Talvez ele nunca perceba.”.
Ela não responde e se aconchega mais uma vez em meus braços, para algum tempo depois, dizer calma.
“Eu sei que ele está com medo de se aproximar de mim, e que você, Santana, Brittany e o pessoal do coral, não deixarão ele me machucar de novo. Mas entende que eu preciso conversar com ele, certo?”.
Eu sabia que ela faria algo assim, é tão Rachel Berry que eu quase sorrio, mas só de pensar na dor que ele a causou, me enfureço, e percebendo isso, ela continua dizendo, enquanto me aperta no abraço.
“Ele não me fará mais mal Quinn. Te garanto que o que ele fez esse tempo todo, foi o suficiente para me machucar de modo que não imaginei ser possível. Mas agora há pessoas com as quais eu posso contar caso ele me machuque, eu tenho amigos agora, tenho você...”.
Sinto meu peito inflamar com suas palavras e a aperto um pouco mais, enquanto digo contra seus cabelos.
“Você sempre me terá Rach. Eu vou lhe proteger.”.
Ela ri e pergunta leve.
“Então você será minha guarda-costas oficial, enquanto converso com Finn?”.
Gargalho com sua brincadeira e respondo.
“Claro madame, meus serviços estão à seu completo dispor.”.
“Bom saber disso Fabray.”.
Diz Rachel me olhando nos olhos e sorrindo, enquanto se afasta e em um segundo está de pé. Ouço a porta do banheiro bater e acordo do meu torpor, que foi causado pela intensidade do seu olhar. Você quer me matar Rachel? Penso por um tempo, até que me lembro de tudo o que estava acontecendo, e só a ideia de saber que Rachel ainda queria papo com Finnprestável, me dava asco. Mas apesar dos momentos de apatia, Rachel estava se recuperando bem do choque e da decepção, e isso me acalmava um pouco. Mas ainda havia Charlie e a carta...
O guardião sumiu desde a discussão com Finn e eu estava começando a me preocupar, pois não sabia como chamá-lo, nem o que estava acontecendo. E a carta de Nyada, que não chegava, estava realmente me assustando, pois pelos meus cálculos, ela já devia ter chegado. Então a única coisa que poderia fazer até que ele voltasse, seria ficar ao lado de Rachel o máximo possível e protegê-la do que quer que fosse. O bom era saber que para isso não estaria sozinha.
–--
Rachel passou o resto da semana quieta, e eu sabia que ela estava pensando em um modo de ter sua conversa definitiva com Finnincapaz. E ao passarmos por uma sala, que a esta hora deveria estar vazia, vimos o gigante. Ela parou na minha frente e disparou, no melhor estilo Rachel Berry.
“Você sabe que eu preciso conversar com ele, e sabe também que isso só vai acontecer por que eu estou bem e sei tenho amigos de verdade. Eu confio em você Quinn e preciso que você confie em mim agora. Confie que eu possa conversar com ele, sem sair machucada. Então eu vou entrar naquela sala agora e darei um fim a qualquer coisa que um dia tive com Finn e espero que você respeite isso, me entenda e me apoie, pois apesar de acreditar na sua amizade, eu não vou ficar bem se você não estiver do meu lado para isso.”.
Ok, eu ainda me assusto com a capacidade dela falar, mil palavras por segundo, mas isso só me fez sorrir, pois aquela era minha Rachel. Então lhe disse simples, enquanto a olhava nos olhos.
“Sim Rach, eu sei disso tudo. Na verdade já esperava que a qualquer momento você me dissesse que conversou com ele. E sim, eu te apoio, pois apesar de saber que ele não pode mais te machucar, pois você não permitiria, estarei aqui na porta, de olho nele, para o caso do ogro tentar lhe ferir.”.
“Mas Quin...”.
“Sem mas, Rachel. Não vou me meter na conversa de vocês, muito menos ouvi-la ou participar, mas não irei embora até que você esteja em casa, longe desse imbecil, que nós sabemos, ser violento quando quer. As cadeiras do colégio que o digam.”.
Sentencio firme, enquanto arqueava uma sobrancelha. Ela simplesmente me deu seu melhor sorriso e me abraçou, enquanto disse.
“Obrigada Quinn. De verdade, me sinto muito mais segura com meu guarda-costas por perto.”.
E antes que eu pudesse responder à sua gracinha, ela me deu um beijo no rosto e se afastou, enquanto aprumava sua postura e entrava, firme e decidida, na sala.
“O que está fazendo?”.
Oh God! Latina de uma figa, o que ela tem com essa história de ficar aparecendo do nada? Penso irritada, enquanto encaro aquela cínica que chamo de amiga e disparo furiosa.
“O que quer Santana? Me matar de susto ou apenas treinar suas habilidades demoníacas?”.
“Controle seu nervosismo Juno, pois sabe que comigo não funciona. Agora me diga o que está fazendo aqui. Espionando a conversa do Hobbit e do Ogro?”.
Rolo os olhos entediada, enquanto respondo, sem deixar de vigiar cada passo do Hudson.
“Estou vigiando aquele imbecil. Nunca se sabe quando ele terá uma recaída e nos mostrará um pouco de sua destreza como homem das cavernas.”.
“Interessante Fabray. E como o programa parece ser divertido, lhe farei companhia. E nem precisa me agradecer.”.
Como eu aguento essa latina? Penso entediada, mas feliz por saber que Santana é realmente minha amiga. Até que Finnalcançável percebe nossa presença e nos olha com aquele sorriso debochado, que morre instantaneamente quando eu faço um movimento, mostrando que cortaria sua garganta, e Santana faz algo mostrando que está de olho nele.
“Sabe Q. é sempre muito relaxante participar dos momentos em que você decide aterrorizar alguém. Principalmente quando o sortudo é a orca. Deveríamos fazer isso mais vezes.”.
Diz Santana com seu sorriso mais orgulhoso, ao que eu respondo enquanto sorrio.
“Claro San, vamos marcar uma rodada semanal, assim ninguém fica triste.”.
Ela concorda com a cabeça, e voltamos a prestar a atenção na conversa entre Rachel e um Hudson, muito branco e assustado. Adoro quando faço um bom trabalho de guarda-costas. Penso debochada enquanto espero Rachel sair dali.
Rachel
Eu estava bem, ou quase isso... A verdade é que desde que Quinn e eu nos acertamos, eu estava cada vez melhor. Claro que o golpe que Finn me deu, foi dolorido e inesperado. Eu confiava nele, pensei que fosse meu amigo e que quisesse meu bem. Imagine então, minha surpresa, quando ele mostrou quem realmente era, serem as pessoas que mais me mal trataram, em todos esses anos, que resolveram me ajudar e ficar do meu lado?
Quinn que estava cada vez mais próxima, e se tornou uma das pessoas mais importantes para mim em questão de dias, e tão surpreendente quanto ela, foram Santana e Brittany, que se fizeram presenças constantes, me mostrando o quão valioso pode ser, ter amigos de verdade. Não que a latina me poupasse de seus apelidos e palavras duras, mas acredito ser a forma dela de demonstrar sua preocupação, ou não... Que seja!
O importante é que agora eu tenho, realmente, pessoas com as quais contar, que querem meu bem. E se não posso dizer isso com tanta certeza sobre Santana, posso dizer sobre Quinn, pois foi ela que esteve lá todos os dias, mesmo naqueles em que eu claramente a evitei, e era por saber que ela estaria lá, que eu tomei coragem para ter uma última conversa com Finn.
“Precisamos conversar Finn.”.
Ele se vira, e me olha com aquele sorriso bobo, que um dia achei lindo, mas agora percebo ser apenas uma de suas maneiras de mascarar sua verdadeira face.
“Claro Rach. Estava mesmo esperando que você se desse conta que foi tudo armado por aquelas duas e viesse me pedir perdão.”.
Ok, ele é mesmo um idiota. Como eu pude me apaixonar por ele? Penso incrédula, enquanto vejo seu rosto ficar incrivelmente branco, então sigo seu olhar e vejo Quinn e Santana o ameaçando, não tão disfarçadamente, é claro. Isso me dá mais ânimo para terminar a conversa, então digo calma.
“Não Finn, não vim lhe pedir perdão, pois nada fiz de errado. A verdade é que quem errou foi você, ao ser tão egoísta e mesquinho, a ponto de planejar um casamento, apenas para me prender a Lima, mesmo sabendo que meu sonho sempre foi New York.”.
Ele me olha surpreso e diz rapidamente.
“Mas Rach, eu só estava pensando no nosso bem. No nosso amor. Pois você não recebeu sua carta de Nyada. Então se estivéssemos casados, você teria onde ficar.”.
E como se fosse possível, ele me assusta ainda mais. Então digo firme.
“Não Finn, eu não recebi minha carta de Nyada, mas não será isso que me impedirá de continuar tentando, ou até mesmo de ir para New York. E você não pensou em mim, ou no meu bem. Pensou em si mesmo e no que você queria, que era não ficar sozinho. Mas isso já aconteceu Finn. Você jogou fora a única chance que teria em manter nossa amizade, desperdiçou a única oportunidade que teria em manter o pouco de respeito que eu tinha por você. Pois apesar de toda a dor que me causou, ainda lhe respeitava, por ter sido meu primeiro namorado. Mas você não se importa com isso, prefere continuar com seu joguinho de mentiras.”.
E como se não bastasse, ele continua com o fingimento.
“E você sabe que foi exatamente um jogo que foi preparado pra mim Rachel. Aquelas duas nunca gostaram de você, de nós juntos. Elas armaram para que eu dissesse as coisas que lhe machucaram.”.
Cansada desse papo furado, e extremamente frustrada por não conseguir ter uma conversa madura com ele, digo com pesar por suas atitudes.
“Você sabe muito bem que elas não armaram nada. Ninguém te forçou a dizer uma palavra. Você simplesmente disse o que realmente pensava e sentia. Não culpe outras pessoas pelos erros que você cometeu Finn. Seja homem, pelo menos uma vez na sua vida, e assuma que errou. Além do mais, Quinn nem estava na sala quando você disse tudo aquilo.”.
Ele se aproxima com fúria nos olhos, o que não me surpreende, pois é sempre assim que ele age quando é desafiado e sabe que não tem razão, então diz frio.
“Claro, a grande Quinn Fabray. Sempre ela não é Rachel? Não acha estranho, que ela, um belo dia, resolver ser sua amiga e parecer bem feliz com o término do nosso namoro?”.
“O que quer dizer com isso Finn?”.
Pergunto fingindo interesse, pois sei exatamente onde ele quer chegar, e a verdade é que se ele me falasse isso antes de tudo o que ela fez por mim, eu duvidaria da amizade dela, mas aqueles olhos não são capazes de mentir pra mim, nunca foram na verdade, mas eu só percebi isso no momento em que ela me ofereceu sua amizade e mostrou que era o que queria.
“Ora Rach, é claro que a Fabray quer nos separar e se fez de sua amiga para conseguir isso. Tenho certeza que ela tem um plano incrível para voltar comigo, só para lhe humilhar.”.
Balanço a cabeça, descrente que ele possa um dia, perceber o quanto é egoísta e imaturo, então respondo determinada, encarando seus olhos.
“Quinn mudou Finn, ela quer nada com você, e nós dois sabemos disso. E como a conversa que eu gostaria de ter com você, não foi possível, uma vez que não admite estar errado, eu considero cortadas nossas relações de afeto e amizade. A partir de agora a única coisa que teremos em comum será o Glee Club, estudarmos no mesmo colégio e morarmos na mesma Cidade, além disso Finn, por favor, esqueça de mim ou de qualquer coisa ligada à mim. Não quero magoá-lo, assim como fez comigo, então peço que me deixe em paz e tome conta da sua vida. Desejo-lhe boa sorte no futuro, independente do que escolher ser.”.
Ele fica me olhando assustado por um momento, e percebendo que não dirá nada, me viro para sair. Até que ele diz com raiva.
“Se Quinn Fabray lhe convenceu que mudou, por que eu também não posso?”.
Me viro em sua direção e respondo calma.
“Por que ela arriscou tudo para me ajudar com uma simples sessão de raspadinha matutina. Ela fez de tudo para se aproximar de mim, todos os dias, mesmo quando eu a ignorei. Foi ela que ouviu meus problemas, sem me recriminar, e é ela que está naquele corredor esperando que eu saia bem desta conversa. Então Finn Hudson, veja por si próprio por quais motivos ela MOSTROU que mudou e realmente se preocupa comigo. Ela não me convenceu Finn, ela fez com que eu acreditasse nela, com cada gesto, palavra e olhar.”.
Mesmo surpreso com minhas palavras, ele consegui dizer baixo, ainda me desafiando.
“E o que acontece quando ela te machucar?”.
Suspiro cansada, por causa da insistência dele, e digo.
“Nós conversaremos, pois sei que ela tem seus defeitos, mas sua amizade é verdadeira. Então nós nos acertaremos e ainda seremos amigas. E mesmo que tudo que ela faça seja uma mentira, acha mesmo que alguém poderia me ferir mais do que aquele que eu acreditei amar?”.
Percebo pela expressão dele, que a conversa finalmente terminou, pois ali estavam estampadas a surpresa e a culpa. Então me viro e caminho em direção às pessoas, que têm provado serem minhas amigas de verdade.
Me aproximo de Quinn e Santana, que estavam esperando no corredor, e antes de dizer qualquer coisa, Quinn diz rapidamente.
“Você está bem Rachel?”
Sorrio com a preocupação em sua voz e digo calma.
“Sim, tudo bem. Podemos ir?”.
Ela me encara, parecendo procurar por algo, até que sorri em resposta e faz que sim com a cabeça. Até que me lembro de Santana e pergunto divertida.
“O que faz aqui Santana?”.
“Estava apreciando o espetáculo, Frodo. Esperava um banho de sangue, mas os anões e ogros sempre me decepcionam.”.
Responde a latina, fazendo uma cara entediada, até que Brittany aparece e diz alegre.
“Na verdade, San estava preocupada com vocês duas. Ela ficou com medo do Finn te agredir e da Quinn não conseguir segurá-lo e apanhar também. Então ficou aqui fazendo dupla com a Q. de guarda-costas, certo San?”.
Santana encarava, boquiaberta, a namorada, que sorria feliz enquanto saltitava no corredor, Quinn tentava esconder uma risada e eu ainda estava tentando processar a frase que colocavam juntas as palavras: Santana, preocupação e eu. Até que Quinn não conseguiu conter a gargalhada e disse entre risos, apontando para a cara da latina.
“S-San, você é... é mesmo incrível. Quem diria que Santana Lopez estaria preocupada com Rachel Berry.”.
Santana fechou os punhos e disse ríspida.
“Cale-se Fabray. Não estava preocupada com ninguém. Só queria apreciar a discussão entre Hobbit e Finnútil.”.
Então, antes que a latina acertasse a ex-cherrio, que ainda tentava controlar o riso. Brittany abraçou a namorada, enquanto dizia feliz.
“Não San, você se preocupa com a Rachel, por que Quinn gosta dela. Mas agora vamos embora, a aula já acabou e estou cansada.”.
Santana não escondeu seu sorriso malicioso, mesmo sendo praticamente arrastada pro Brittany, enquanto que Quinn ficou calada de repente e encarava os tênis. Será que perdi algo? Penso enquanto decido se interrompo o silencio dela ou não. Mas Quinn o faz por mim, quando diz baixinho.
“Então, como essa semana foi bem tranquila, mas hoje foi um dia cheio, o que acha de mudarmos um pouco o programa da tarde?”.
Sorrio por causa da sua timidez repentina, e digo animada, enquanto a sigo para o estacionamento.
“Claro Quinn. O que tem em mente?”.
“O que acha de irmos ao cinema? Faz tempo que não vou e se você gostar da ideia, podemos ir juntas.”.
“Acho ótimo Quinn.”.
Disse Santana que apareceu perto de nós duas, ainda agarrada à Brittany. Ganhando rapidamente uma resposta irritada de Quinn, que só me fez rir.
“Mas que coisa Santana! Pare de aparecer assim do nada! Você não disse que ia embora?”.
“Sim eu disse, mas resolvi esperar e pegar uma carona com você, e como estão indo para o cinema, eu e Brit-Brit também vamos.”.
Responde Santana com sua maior cara de pau, ganhando uma expressão chocada de Quinn, que disse em seguida.
“Mas você nem foi convidada!”.
“Não preciso de convites Juno, sabe disso. Agora vamos logo que não quero passar mais tempo que o necessário perto de vocês duas.”.
Quinn me olha incrédula, enquanto continuo rindo e dou de ombros. Então ela se vira para a latina e continua.
“Ótimo, não venha então. Sua falta nem será notada.”.
“Ora Quinn, está tão desesperada para passar um tempo sozinha com o Hobbit, que nem aceita mais a companhia de suas amigas?”.
Diz Santana, enquanto se solta de Brittany e aponta o dedo na cara de Quinn. Que fica vermelha e começa a discutir também, enquanto vão em direção ao carro. Me viro, rindo para a loira sorridente e digo.
“Elas não vão brigar ou qualquer coisa do tipo, certo?”.
Brittany pula alegremente, e diz, enquanto me abraça pelos ombros e me puxa em direção às outras duas.
“Elas estão felizes. É assim que mostram o quanto se gostam e confiam uma na outra. Se estivessem mesmo com raiva ou chateadas, não se falariam, ou partiriam para a agressão.”.
Faço que sim com a cabeça, enquanto continuo me divertindo com a cena. E digo baixinho.
“É uma amizade estranha, mas muito bonita mesmo assim.”.
Brittany me aperta os ombros e diz sorrindo, enquanto me olha nos olhos.
“Somos suas amigas também Rach. Pode ter demorado para acontecer, mas nós somos agora, de verdade. Então não se preocupe com mais nada.”.
Sorrio em resposta, sabendo e sentindo, o quão verdadeira, ela está sendo, todas elas na verdade, até que ouvimos Santana dizer.
“Vamos logo Brit-Brit. Consegui as chaves do Juno-móvel. Venha antes que ela resolva nos deixar aqui e ir ao cinema com Frodo.”.
“Lopez!”.
Grita Quinn, que segurava a latina, enquanto eu e Brittany compartilhávamos risadas. As coisas não poderiam estar melhores...
Quinn
Santana era tão inconveniente! Como eu ainda a suporto? Claro que era divertido estar com ela, principalmente para aterrorizar o Hudson, mas quando o assunto era Rachel, ela simplesmente não ficava quieta e vinha logo com suas gracinhas.E por falar na Rachel, ela nada comentou sobre sua conversa com Finnpaspalho, mas a forma como ela estava quando saímos do colégio e como está agora, me deixa tranquila, pois ela realmente parece bem. Seus pais tinham viajado, e ela perguntou se eu poderia passar o final de semana com ela, o que foi prontamente aceito.
Estávamos na nossa posição favorita, escoradas na cama, uma ao lado da outra, e eu estava divagando sobre Santana e seu dom em ser chata, Finnimpossível e sua grandessíssima cara de pau, Charlie o meu desaparecido favorito e Rachel... Que me interrompe com uma risada. O que está aprontando Rachel Berry?
“De que está rindo?”.
Ela me olha, com aquele sorriso lindo e responde simples.
“Estava lembrando de você e Santana hoje.”.
“Humf. Aquela latina sem escrúpulos. Sempre dando um jeito de cutucar alguém e arrumar problemas.”.
Ela ri mais um pouco e diz.
“Era disso que estava rindo. Vocês parecem se odiar, mas não verdadeiras amigas, uma para a outra. Isso é bonito.”.
Percebo a tristeza passar por seus olhos, e lhe digo séria.
“Você tem amigos de verdade agora Rachel. Sabe disso certo?”.
Ela faz que sim, mas não me olha, então levanto seu queixo delicadamente, e quando me encara, digo.
“É sério Rachel. Pode parecer estranho, apressado e tudo mais, mas sou sua amiga. Quero estar do seu lado sempre que você precisar. Quero que você possa confiar em mim. Que saiba que tem com quem contar, independente do que aconteça. E se tudo ainda parece louco demais para que você possa esquecer a imagem da cherrio que tanto lhe feriu, eu só lhe peço que me permita lhe mostrar o quanto me preocupo com você.”.
Vejo as lágrimas rolarem por aquele rosto lindo, e antes que diga mais alguma coisa, ela sorri e diz calma.
“Eu sei que sua amizade é verdadeira Quinn. E foi por saber e sentir tudo isso que eu pude conversar com o Finn hoje, sem deixar que ele me atingisse ou magoasse. Foi por saber que você ainda me apoiaria que eu pude dizer a ele, com todas as letras, que nós somos amigas, e que você não me machucará. E mesmo se fizer Quinn, eu poderei lidar com isso, pois o que você me oferece hoje, me dá forças suficientes para enfrentar qualquer coisa.”.
Sorrio com suas palavras e digo enquanto limpo suas lágrimas.
“Não te machucarei Rachel, não mais. Pode acreditar nisso.”.
Ela sorri em resposta e depois de um tempo, diz calma.
“Sabe, às vezes penso que nós somos amigas desde sempre.”.
A olho surpresa, e ela ri ao perceber a interrogação em meu semblante, então continua.
“Não que as coisas fossem claras para nenhuma de nós, pois... bem... você não era tão acessível, ou carinhosa.”
Reviro os olhos com sua afirmação e ela continua.
“Mas de um jeito torto, era você que sempre esteve do meu lado, pelo menos na maioria dos momentos mais importantes da minha vida, desde que nos conhecemos.”.
“Como assim Rach?”.
Pergunto, sem entender completamente onde ela quer chegar.
“Veja bem Quinn, de uma forma ou de outra, era você que sempre esteve lá por mim ou de alguma forma na minha vida. Você entrou no Glee Club e com isso levou Santana e Brittany, e assim conseguimos pessoas suficientes para participarmos de competições. Você namorava o Finn, que me fez conhecê-lo melhor. Você brigou pelas fotos do anuário. Eu contei ao Finn sobre sua gravidez. Você me fez compor uma música. Minha mãe adotou sua filha. Foram tantas coisas... Então Quinn, eu só posso pensar que de alguma forma, sempre fomos amigas. Além de que eu sempre quis ser como você e ter seu respeito e amizade. E sempre que eu penso nos últimos anos, a primeira pessoa que me vem em mente, é você. Então eu acredito, que sempre estivemos na vida uma da outra. De alguma forma, eu sinto que você sempre quis meu bem, ou o melhor de mim. Faz sentido?”.
Era tudo verdade. Sempre estivemos na vida uma da outra, mas eu era idiota demais para perceber isso, ou perceber a forma como a queria na minha vida, e fazia o que sabia de melhor: machucar. E eu me arrependo amargamente disso. Mas agora, vendo seu sorriso brilhante ao perceber que sempre estivemos próximas, e sabendo que vendi minha alma por isso, não poderia me sentir mais feliz. Então digo sorrindo.
“Sim Rach, de alguma forma, bem torta, sempre estivemos lá uma para a outra. A diferença é que agora você sabe que eu estarei lá por querer, por você. Não se esqueça disso, ok?”.
“Não esquecerei Quinn, pode ficar tranquila.”.
Disse Rachel, enquanto encostava a cabeça no meu ombro e eu a abraçava de lado.
Ficamos um tempo assim, sem dizer nada, apenas curtindo a verdade de tudo o que foi dito, a liberdade de finalmente sermos amigas. Então ela diz baixinho.
“Faz ideia do quanto estou feliz por você estar aqui?”.
Aperto seu ombro e digo no mesmo tom.
“Sim Rachel. Pois me sinto imensamente feliz, por você ter permitido minha aproximação e principalmente, por aceitar minha amizade.”.
Ela então me encara e diz divertida.
“Eu não permiti nada Fabray. Você que montou acampamento na minha janela e praticamente me obrigou a aceitar sua presença.”.
Gargalho com suas palavras e respondo.
“Eu sei que você não resistiria Berry. Era questão de tempo, você me pedir para entrar.”.
Ao terminar, vejo que ela está séria novamente, e diz.
“Obrigada por ter estado lá todos os dias, mesmo quando eu lhe ignorei e lhe feri. Obrigada por não ter desistido.”.
“Não tem o que me agradecer Rachel. Eu faria quantas vezes fosse necessário. Insistiria enquanto você permitisse.”.
Ela sorri e continua.
“E você iria parar?”.
“Somente se você fechasse a janela. Pois enquanto ela estivesse aberta, eu saberia que de alguma forma, você me queria por perto. E só por isso, tive esperanças que poderia vir, e que você voltaria.”.
Ela assente com a cabeça e me dá um beijo no rosto, antes de se levantar e entrar no banheiro.
Não consigo impedir o sorriso no meu rosto, e começo a pensar em como as coisas puderam chegar a esse ponto, que me faz tão feliz, e imediatamente me lembro de Charlie e volto a me preocupar com seu sumiço. Mas é claro que o guardião estava aprontando, só não esperava que me assustasse tanto, pois foi sua entrada repentina pela janela que me acordou dos meus devaneios.
“Charlie! Onde você esteve? Eu estava preocupada, você su... Oh Deus! Você apanhou?”.
Digo ao ver seu estado, que praticamente se arrastava para entrar pela janela e me aproximo preocupada. Como se ajuda um guardião surrado, se nem humano ele deve ser?
“Charlie... O-o que p-posso fazer para te ajudar?”.
Ele está sentindo dor, isso é claro, mas antes que eu encoste nele, ele diz baixo.
“A... A co-correpondência...”.
O encaro sem entender e digo.
“De que você está falando? Precisamos encontrar uma forma de ajudá-lo. O que preciso fazer?”.
Ele parece respirar fundo, para enfim dizer alto e cortante.
“A correspondência Fabray. Agora!”.
Mas o que é isso? Bateu com a cabeça e perdeu o juízo? Penso entre a fúria e a indignação enquanto vou para a frente da casa pegar a maldita correspondência. Que só realmente olho ao voltar para o quarto e ver ali a provável resposta para o estado dele.
“Oh Deus. I-isto é d-de Nyada?”.
E antes que eu possa perguntar qualquer coisa para o guardião, caído no chão, Rachel sai do banho e diz.
“Quinn, você já pode tomar seu banho... O que é isso?”.
A encaro assustada e balbucio, enquanto lhe entrego o envelope.
“E-eu fu-fui lá fora, e e-estava no correio...”.
Rachel treme ao abrir o envelope e tudo que posso fazer é rezar para que seja uma resposta positiva, enquanto alterno meu olhar entre ela e Charlie. Até que ela diz baixinho enquanto olha para o chão.
“É de Nyada.”.
Oh Rachel, por favor, não me assuste assim. Penso enquanto me aproximo, toco seu ombro e digo.
“E o q-que diz?”.
“E-eu passei.”.
“Oh Rachel, eu sinto tanto... Espera. O que?”.
Ela me olha, com aquele sorriso enorme e os olhos brilhantes e pula nos meus braços, enquanto dizia cada vez mais animada.
“Eu passei! Eu passei Quinn! Ah, eu nem acredito!”.
Relaxo com sua animação e me permito sorrir e fazer parte daquela felicidade. Então ela continua.
“Ah, eu preciso ligar para os meus pais. E para Kurt. E claro, para Santana e Brittany. Será que Santana se importará se eu ligar?”.
Sorrio com sua preocupação e digo calma.
“Santana vai adorar Rach. Tenho certeza que ela encontrará maneiras bem criativas de lhe dizer o quanto fica feliz com sua aprovação.”.
Ela sorri e me encara séria, enquanto diz suave.
“Muito obrigada por não ter desistido, por ter acreditado que eu passaria. E principalmente por estar aqui.”.
A intensidade daquele olhar é tanta, que a única coisa que posso fazer é corresponder e lhe dizer, com um sorriso bobo.
“Não precisa me agradecer Rachel. Sabia que você iria passar, e se não fosse desta vez, seria na próxima, ou na seguinte, mas sei que não desistiria. E estarei aqui, sempre que você quiser e precisar.”.
Ela continua me encarando por algum tempo, até que sorri, me dá um beijo no rosto e desce as escadas, dizendo algo sobre ir ligar para todos imediatamente. Mas a leveza do momento se vai, assim que me viro e encaro o guardião, escorado na janela, ainda ferido.
“O que houve Charlie?”.
Ele me encara sério e diz.
“Algumas coisas que só poderiam ser resolvidas por mim Fabray. Mas agradeço o trabalho que fez com ela, enquanto eu estava fora. Você e suas amigas tiveram papel fundamental no que aconteceu aqui hoje. Este foi o prêmio concedido.”.
O encaro interrogativa e digo.
“O que eu e as meninas tivemos a ver com a carta de Rachel, Charlie? E que prêmio?”.
“O prêmio foi a carta dela, e você e suas amigas, tiveram grande envolvimento em tudo Fabray, mas hoje não é dia para respostas. Fique com ela e aprecie o momento. Conversaremos depois.”.
“Mas onde você estava? Como se machucou?”.
Neste momento, Rachel volta para o quarto, dizendo algo sobre os pais e Kurt estarem felizes e Santana lhe xingando. Eu ainda estava parada no meio do quarto, esperando uma resposta de Charlie, enquanto Rachel me puxava para a cama e continuava falando. Quando ela finalmente dormiu, Charlie que continuava na janela, iluminado pela lua, e claramente melhor dos machucados, disse sombrio, antes de saltar pela janela.
“Estava na Guerra Fabray. E temo que em breve, será sua hora de partir para a batalha.”.
Suas palavras me assustam, mais uma vez, e antes de me entregar ao sono, só consigo pensar de que guerra ele estava falando, e como eu poderia lutar em algo que nem sei o que é. Mas ao olhar para a morena dormindo do meu lado, entendo parte do que ele disse, e decido que se fosse por ela, lutaria a batalha que fosse...
Então esteja preparada, jovem Fabray.
Notas finais
Abraços e obrigada.
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