Everything

12 A verdade está sempre lá fora?


Notas iniciais
Olá.
Antes de qualquer outra coisa, peço desculpas pelo sumiço. Muitas coisas aconteceram, trabalho, faculdade, pessoas e eu não conseguia tempo ou simplesmente seguir com a história.
Aos que acompanham, ou acompanhavam, mais uma vez, desculpe pela demora, mas garanto que não desistirei da fic e que acredito que agora ela engrene de vez.
E espero, sinceramente, que o capítulo esteja conforme vocês estão acostumados e que atenda às espectativas.
Bom, vamos ao texto, nos vemos lá em baixo.
Erros de digitação, português e afins, são de minha inteira e total responsabilidade. Reclamem comigo.

Talvez esteja tudo mais próximo do que se pensa...


Rachel

Era estranho, mas eu estava com medo. Mais medo do que não receber minha carta, eu estava com medo de ir. Ir e ficar longe dos meus pais, das coisas e pessoas que já conhecia, e principalmente dela... Ela estava indo para Yale, ter o futuro brilhante que sempre esteve à seus pés. Mas como ficaria nossa amizade? Eu estava com medo por que me sentia só, me sentia carente e mal amada. Afinal, foi meu ex-namorado que desejou e tentou me sabotar várias vezes, então eu me sentia largada, incapaz de ser amada de tal forma, que essa pessoa perto ou longe, não mudaria o que sentisse por mim. E a nossa amizade, era o mais próximo do que eu entendia desse sentimento tão forte. Eu precisava fazer algo sobre isso, algo por ela, uma chance para nossa amizade. E eu já sabia como e quem ia me ajudar...

Vejo meu alvo andar calmamente pelos corredores, então me apresso em sua direção.

“Santana!”

“Agora não Frodo, basta o Glee para te aturar.”

Responde à latina, sem ao menos se virar. Então fico na sua frente, forçando-a a parar e disparo antes que ela me expulse do seu caminho.

“Preciso de ajuda com uma coisa para Quinn, e como você é a melhor amiga dela, não haveria outra pessoa para me ajudar nessa tarefa. Entendo que você não goste muito de mim, mas como é para Quinn, acredito que você possa reconsiderar.”.

Termino esperando alguma reação dela, que estava parada apenas me encarando. Até que ela diz no seu tom mais conhecido.

“Não gostar muito de você, Berry? Eu definitivamente não gosto de você. E sim, sou a melhora amiga de Q, mas precisava desse discurso para admitir que não consegue, fazer nada sozinha?”.

“Eu não disse isso Santana.”.

“Que seja Berry. Posso tentar ouvir o que você quer, mas só depois da aula, pois agora B está me esperando. Depois do Glee conversamos, agora suma daqui.”.

Sempre sutil. Penso enquanto me preparo para responder por seu comentário desnecessário, até que me dou conta que preciso da ajuda dela, então me afasto e sigo em direção à minha aula, planejando várias formas de colocar meu plano em prática.

“Quinn Fabray, você vai ver o que é ter Rachel Berry como amiga. Me aguarde!”.



Quinn

As coisas estavam estranhas... Ou eu estava estranha, não sei ao certo. O fato é que desde que Charlie trouxe a carta de Rachel e disse tudo aquilo, eu me sentia fora de sintonia com o resto de tudo. Estava feliz pela Rachel, não só pela carta, mas por ver como a interação entre ela, Santana e Brittany estava fluindo, e digo interação por não me atrever a dizer que Santana é amiga de Rachel. Mas havia algo fora do lugar, e não era só pelo comportamento de Finn, que estava extremamente arisco, ou pelo sumiço, para variar, do guardião de Rach. Era outra coisa, algo maior, que me fazia perder o foco, a direção... E isso sinceramente me assustava...

“QUINN!”.

Acordo assustada dos meus devaneios, para me deparar com os olhos chocolates mais acolhedores que já vira, e involuntariamente sorrio, antes de dizer algo.

“Desculpe Rach. Você disse algo?”.

Rachel me encara preocupada, até que se dá por vencida e responde.

“Estava te perguntando sobre Yale, mas você parecia distante. Está tudo bem?”.

“Eu estava pensando em muitas coisas, não se preocupe. E o que você queria saber sobre Yale?”. Digo ao notar sua preocupação, mas antes que ela responda, aparece Satan com seu timming perfeito para estragar conversas.

“Chega de conversa Hobbit, a aula acabou. Rainha do gelo derretido, você não deveria estar em outro lugar agora?”.

Arqueio a sobrancelha para minha amiga latina, enquanto considero lhe dar a merecida resposta sobre o adjetivo conferido a mim, mas prefiro ignorar, por hora. Então levanto, me despeço das meninas e vou para o outro lugar em que deveria estar.

“Até mais tarde Rach. S, B, juízo.”.

Mas antes de sair pela sala, consigo ouvir as palavras de Rachel.

“Para onde ela vai todos os dias depois da aula?”

“Você deveria ser a primeira a saber Frodo! Não acredito nisso Brit-Brit, como ela é tão lerda?”.

Hahaha, Santana é mesmo uma comédia. Penso antes de finalmente fechar a porta.


–--


Fazia alguns minutos que estava no auditório, que estava completamente vazio, o que me dava espaço e silencio o suficiente para pensar em tudo o que estava acontecendo.

“Você percebeu, não foi?”.

Diz Charlie ao se sentar ao meu lado. Então sem lhe olhar, respondo calmamente.

“Algo me incomoda Charlie, e não saber o que é me assusta e irrita.

Você vai me dizer o que está acontecendo?”.

Ele suspira cansado e se vira para mim, esperando que eu o encare. Então começa uma das conversas mais estranhas que já tivemos.

“Antes de falarmos sobre isso, há coisas que preciso lhe explicar.”.

Concordo com ele e espero que comece.

“Eu lhe disse uma vez, que sou protetor das opiniões, sentimentos e desejos da pequena, lembra?”.

Faço que sim e espero ele continuar.

“Você entende o que isso significa Quinn? Você entende que caso o mestre deseje que alguém seja prejudicado, seu servo lutará para que isso aconteça?”.

Me assusto com suas palavras e me vejo incapaz de dizer qualquer coisa, e percebendo isso, ele continua após um suspiro e olhar triste.

“O jovem Hudson, em sua fome de atenção, entregou-se ao desespero e desejou ardentemente que a pequena não conseguisse ir para New York, e foi por isso que a carta dela não chegava.”.

“Mas como Finn teria poder suficiente para impedir que a carta dela chegasse Charlie? Isso não faz sentido.”.

Digo exasperada, enquanto começo a andar pelo auditório, me aproximando do palco. Até que Charlie se aproxima e continua.

“Ele não tinha poder direto para fazer isso Quinn, mas era seu desejo fundamental que a carta não chegasse. Então, seu guardião seguiu com seu dever, e atendeu ao desejo do seu mestre.

Entenda Quinn, a pequena estava sob a influencia dele, e não tinha forças suficientes para desejar que a carta chegasse, por si própria, e como ele estava mais forte, seu desejo foi concedido, e a carta ficou esquecida nos correios, pois o guardião dele fazia seu papel.”.

“Você está me dizendo, que a vontade de Finn, em prejudicar a Rachel, fez com que a carta não chegasse? Isso é uma piada!”.

Digo furiosa, por ele estar me dizendo algo tão sem sentido.

“Você deveria ser a primeira a entender que coisas que estão além do seu controle, realmente acontecem. Como me explica então você estar conversando com um ser, que teoricamente, não existe, ou ter voltado no tempo 5 anos, após um acidente fatal?

Concentre-se no que estou lhe dizendo Fabray, pois tudo o que ouvir a partir de agora, é de extrema importância para que você entenda a batalha que está prestes a se meter, onde eu não poderei lhe salvar ou defender.”.

Ouch! Outro tapa na cara. Penso enquanto lhe lanço um olhar de desculpas e me acalmo enquanto espero ele continuar.

“Cada pessoa tem seus desejos, vontades, anseios, e tudo isso é ouvido atentamente por seu guardião, na falta de uma palavra melhor. Nós temos como função cuidar dos nossos mestres, eles são nossa fonte de vida e poder, por isso deixá-los satisfeitos é uma função primordial.

O jovem Hudson não queria ficar sozinho, e toda vez que isso acontecia, ele ficava fraco, então seu guardião entendeu que enquanto a pequena estivesse por perto, seu mestre estaria bem, e fez sim o que lhe foi possível, para realizar esse desejo. “

“Mas você não poderia ter impedido isso?”.

Pergunto, enquanto tento entender tudo o que acontece ou aconteceu.

“Você se lembra que eu fui cego? Que não vi as reais intenções do jovem Hudson?”.

Faço que sim com a cabeça e ele continua.

“Isso inclui as ações do guardião dele. Como acreditei que o jovem Hudson queria o bem da pequena, não me atentei às ações do seu guardião.”.

O encaro furiosa, por mais uma vez, perceber o quanto Finn é covarde.

“Então Rachel não tinha como se defender, ou lutar para que recebesse a carta? Maldito Hudson!”.

Então Charlie assente e continua.

“O desejo do nosso mestre, é uma das coisas que nos dá poder, mas não é restrito a isso.”.

“O que mais pode influenciar então?”.

Pergunto enquanto tento pensar no que faria um guardião poderoso.

“Coisas básicas como família, amigos, realizações pessoais, sinceridade, entre outras coisas.

E foi por várias delas que a pequena não sucumbia totalmente ao desejo do jovem Hudson. Pois apesar de não ter amigos ou ter seus sonhos realizados, ela sempre teve seus pais, além de não mentir para si própria.”.

“Entendo. Mas o que isso tem a ver com a tal guerra em que você estava?”.

“Estava em guerra, lutando pela pequena. Como nosso papel é proteger a essência do seu senhor, quando eles são confrontados diretamente, nós entramos em guerra.

Quando a pequena se impôs para o jovem Hudson, um alerta foi soado, para o guardião dele. Ele sabia que em breve haveria uma luta, então buscou formas de fortalecer seu mestre. Isso explica as constantes ameaças que ele fez a você, enquanto planejava, mais uma vez, sabotar a pequena.”

Ele me olha seriamente e continua.

“Quando sua amiga levou a jovem Berry para a sala do coral, para encontrar Finn, a batalha foi iniciada. Todo o poder que eu possuía a partir daquele momento, deveria vir da pequena. No entanto as palavras dele a machucavam, e me atingiam, assim, se não fosse por sua chegada, tudo poderia ter se perdido ali.

Como o jovem Hudson se sentia poderoso e vencedor, a batalha seria longa e cansativa, por isso eu fiquei sumido por esse tempo.”.

“Mas você voltou com a carta. Isso significa que a vontade dela foi maior que a dele, certo?”.

Pergunto, enquanto tento entender como funciona isso de batalha e tudo mais.

“Em partes sim. O que aconteceu de verdade, é que o guardião de Finn, foi derrotado por mim. E por isso eu lhe disse que você e suas amigas foram fundamentais.”.

“Como assim Charlie?”.

Pergunto sem entender onde ele quer chegar. Então ele sorri e continua.

“Você foi a amizade que ela sempre desejou e que naquele momento precisava. Se você não tivesse chegado naquela sala à tempo, eu teria sido derrotado e a pequena se perderia de vez. Pois quando um guardião é vencido por outro, ele e seu mestre, não podem mais confrontar o vencedor. Não que ele se torne um escravo, mas ao perder, o guardião e seu mestre, ficam marcados com aquela derrota. Eles entendem que não possuem força para vencer o outro e se mantêm à distância.”.

“Isso significa que o Finn não pode mais fazer mal para a Rachel?”.

Pergunto na esperança te der dado um jeito em Finn.

“Não Quinn. Isso significa que caso o jovem Hudson não troque de guardião, ele não pode se meter com a jovem Berry.”.

Sem entender o que isso representa, digo exasperada.

“Como assim trocar de guardião Charlie? Uma pessoa não tem apenas um, a vida toda?”.

Então ele continua.

“Como você explica sobre o fato das pessoas mudarem? Não apenas de aparência, mas em relação a atitudes e comportamentos.”.

“Hummm... a pessoa simplesmente decide mudar?”.

Charlie gargalha com minha resposta e estreito os olhos esperando que ele se explique e pare de zombar de mim.

“Não Quinn, as pessoas não decidem simplesmente mudar. Elas podem fazer isso ao terem seus guardiões substituídos, ou quando seus guardiões cuidarem disso.

Lembre-se, somos guardiões dos nossos mestres, mas em determinados casos é necessários guiá-los também.

Quando um guardião é derrotado, ele pode influenciar na mudança do seu mestre ou ser derrotado por algum errante e ser substituído, causando assim essa alteração na pessoa.”.

“Acho que entendi essa relação que o guardião tem com a pessoa. É como se um fosse a extensão do outro?”.

Charlie sorri e diz suave.

“Algo assim jovem Fabray.”.

Com isso, ficamos em silencio por algum tempo. Eu tentando processar tudo o que ele me disse, e ele perdido em uma de suas viagens. Até que me lembro de algo.

“Charlie?”.

Ele me olha e espera.

“Quando meu guardião lutou com você, quem ganhou?”.

Ele parece triste de repente, e depois de um tempo em silencio, ele responde.

“Nós nunca lutamos. Sempre foi claro para ele, quais eram seus reais sentimentos, então fizemos um acordo de nunca batalharmos.”.

Fico pensando em suas palavras, até que me lembro de algo que nunca perguntei.

“Eu tenho um guardião?”.

Ele me olha assustado e começa a andar pelo auditório, enquanto eu espero e me escoro no palco. Até que ele para e diz baixo, e começa a se aproximar.

“Seu guardião tinha algumas responsabilidades a partir do momento em que amarrou sua alma à da pequena, por isso teve que lhe deixar.”.

“Isso não responde minha pergunta Charlie. Eu tenho um guardião?”.

Sou incisiva, pois ele está mudando de assunto e não respondeu minha pergunta.

“Não Quinn. Você não tem.”.

Indignada, me aproximo dele enquanto digo.

“Mas porra! Como não? Todos tem um, certo?”.

“Você morreu Fabray, lembre-se disso! Quando isso acontece, um guardião deixa de existir. Você não deveria estar aqui Quinn, eu lhe trouxe pois fizemos um acordo, mas isso não muda o fato de você ter morrido antes.”.

O encaro assustada, tentando absorver suas palavras. É claro que eu não esqueci que havia morrido, que voltei apenas para ajudar Rachel, mas com tudo o que ele disse sobre o papel dos guardiões e as batalhas, eu estava com medo de não alcançar meu objetivo.

Então digo baixinho.

“Foi por isso que você disse que eu teria que partir para a batalha? Eu não tenho um guardião, então vou ter que lutar sozinha?”.

Charlie parece cansado de repente, e se senta ao meu lado. Até que começa a falar novamente.

“Era sobre isso que queria conversar com você Quinn.

Havia algo errado acontecendo enquanto eu travava minha batalha com o guardião do jovem Hudson. Era como se algo estivesse sendo feito às sombras. Por isso você se sente estranha, sente como se estivesse algo fora do lugar.”.

Lhe encaro tentando decifrar seu olhar, então digo.

“E isso tem a ver com uma possível batalha que me envolva diretamente?”.

Ele suspira cansado até que continua.

“Temo que sim Quinn. Por isso lhe expliquei de onde vem toda a nossa força e poder. É preciso que você tenha essa força por si própria, que esteja consciente de onde vem sua força, para o caso de se confrontada, possa se defender e até derrotar seu adversário.”.

Começo a andar novamente, enquanto digo.

“Mas como eu posso fazer isso Charlie? Você apanhou feio nessa luta. Como eu posso derrotar algo que nem é humano?”.

“São coisas diferentes Fabray. Como guardião, em uma batalha com outro, somos equivalentes, nossa batalha é reflexo do que acontece com nossos mestres, e nossas habilidades e ferimentos são refletidas na força do nosso senhor. Como você disse, somos algo como extensões um do outro e lutamos juntos. Como você não possui mais seu guardião, você atingirá a fonte de poder do guardião. Você atingirá seu mestre.”.

Olho assustada para ele, e continuo.

“Mas como Charlie? Como derrotar um guardião a partir do seu mestre?”.

Ele me sorri doce e diz.

“Você já fez isso Quinn. Não apenas derrotou um mestre, como já venceu um guardião. E fez isso sozinha.”.

“Como Charlie? Eu não sou tão forte assim? Eu sempre fui uma pessoa manipuladora, orgulhosa e egoísta. Minha família nunca se importou comigo e eu não era muito legal com meus amigos. De onde eu tirei forças para vencer um guardião?”.

Charlie se aproxima e diz suave.

“Você ainda não sabe Quinn? Então vou lhe explicar. Sente-se um pouco.”

Sigo seu pedido e me sento na poltrona perto do palco, enquanto espero ele começar sua explicação.

“Você tem razão em quase tudo o que disse. Sua família não lhe apoiava, então você não recebia força deles. Seus amigos eram falsos e interesseiros, e você não ficava muito longe disso também, então seu poder não vinha dali. Mas você tinha algo que nenhum deles jamais teve, sua determinação sem limites. Apesar dessa determinação ser mascarada com orgulho e despeito, era ela que lhe mantinha firme, e toda vez que ela falhava, você se permitia ser sincera com a pessoa que mais lhe afetava e isso lhe deixava mais forte.”.

Olho sem entender essa última parte e ele continua.

“Toda vez Quinn, toda vez que você fraquejava, você permitia uma aproximação com a pequena. E nessa hora, você recebia toda a força necessária para prossegui, para se levantar e não permitir que lhe derrotassem.”.

“Mas como Charlie?”.

Ele sorri e continua.

“Quando você caia, ou quando estava se sentindo mal, ela estava lá, para lhe pedir desculpas, lhe oferecer sua amizade. Outras vezes você mesma tentava se aproximar, era gentil e mesmo que acreditasse ser fingimento, você tentava se aproximar. Eram nestes momentos, que você se permitia ser sincera, que você baixava sua mascara e deixava que a pequena lhe preenchesse com o que lhe faltava. Carinho, amizade e lealdade.

Vocês cometeram muitos erros uma com a outra, mas quando se permitiam ser sinceras uma com a outra, geravam a força que a outra precisava.”.

“Eu estou sendo sincera com a Rachel, desde que voltei.”.

O sorriso de Charlie aumenta e ele continua.

“E você nunca esteve tão forte. Mas há algo que limita sua força, que está te travando e nublando sua mente. E você sabe o que é.”.

Encaro o guardião por alguns instantes, até que me dou por vencida e digo cansada.

“Eu não disse a ela o que eu sinto.”.

Ele assente e diz.

“Exato Fabray. E muito mais do que ela saber, mas você ser sincera com o que sente, é fundamental para que você esteja mais forte para o que eu temo que esteja por vir.”.

Fico quieta por alguns instantes, até que lhe encaro novamente e digo decidida.

“Eu farei isso Charlie, e será logo.”.

Ele sorri e se levanta para ir embora. Então me lembro que não o agradeci.

“E Charlie, obrigada por ter me dito onde Rachel estava quando a briga entre ela e Finn começou. Se não fosse por você, eu não teria chegado a tempo.”.

Ele para no meio do caminho e quando se vira, sua expressão é puro medo e desespero, mas antes que eu diga algo, ele já se aproximou e me encara sério enquanto pergunta.

“O que você disse? Quando eu lhe avisei onde ela estava?”.

Me assusto com sua reação e digo temerosa.

“V-você me mandou uma mensagem. Enquanto eu estava aqui, no auditório, você me avisou para ir para a sala do coral.

Charlie, você está me assustando.”.

Ele se afasta um pouco e começa a andar novamente, parecendo muito agitado, até que diz.

“Eu não poderia lhe avisar nada. A verdade é que eu não posso lhe mandar mensagem nenhuma desse tipo. Podemos conversar diretamente, mas mensagens através da sua mente, não. Tem certeza que ouviu isso? Alguém lhe mandando para a sala do coral?”.

“Sim Charlie, tenho certeza. E não foi apenas dessa vez. Houveram outras, como quando nós brigamos, ou quando Rachel não queria que eu me aproximasse.”.

Ele me encara assustado mais uma vez e diz.

“Preciso investigar isso Quinn. Algo definitivamente não está certo aqui. De qualquer modo, preciso que você se fortaleça. Se o que temo estiver acontecendo, você vai precisar de toda a força possível para enfrentar o que está por vir.”.

E antes que eu diga mais alguma coisa, o guardião some diante meus olhos, me deixando assustada e temerosa com o que estava por vir.

E ainda tinha essa bendita declaração. Ah Fabray, como você consegue se meter em tanta confusão? Penso antes de notar que tenho que me apressar para chegar à casa de Rachel as três.



Rachel

Minha surpresa para Quinn estava caminhando conforme planejado. Com a ajuda de Santana, tudo foi mais rápido e agora bastava esperar. Quinn passou a tarde aqui, como todos os dias, mas eu sentia que ela estava estranha. Como se estivesse distante, e no momento seguinte, fosse completamente doce e gentil.

Ainda me intrigava para onde ela ia todos os dias depois da aula. E eu descobriria isso seria hoje.

–--

Quinn, Santana e Brittany estavam conversando normalmente após o fim da aula. Até que vejo a loira mais baixa se despedir. Me aproximo rapidamente das duas cherrios e pergunto.

“Vocês sabem onde Quinn está? Preciso combinar com ela algo sobre hoje a tarde.”.

Santana me encara furiosa, até que diz rispidamente.

“Se você não se lembra onde ela disse estar, não serei eu a lhe mostrar. Faço algo útil com essa sua cabeça oca, e trate-se de lembrar o que ela lhe disse, sabe-se quando tempo atrás.”.

Encaro as costas da cherrio que me deixou plantada no corredor, até que Brittany me acorda do meu estado do torpor e diz doce.

“Q está no lugar que pediu para você ir, pois ela tinha algo importante para lhe contar. Não a deixe esperando, por favor, Rach.”.

A loira me dá um abraço apertado e sai a procura da latina furiosa. Fico parada no meio do corredor tentando processar tudo o que aconteceu, até que me lembro de onde Quinn disse que estaria, e vou correndo encontrá-la.



Quinn

Estava brincando com as teclas do piano, até que a voz que esperei tanto tempo para ouvir, se faz presente.

“Me desculpe por fazê-la esperar. Eu havia esquecido do seu pedido para lhe encontrar aqui.”.

Me viro em direção à dona da voz e quando sorrio e ela corresponde tímida, tenho certeza que aquele é o momento certo.

“Não importa o tempo Rachel. Importante é que você está aqui.”.

Ela sorri mais ainda, com minhas palavras, e diz enquanto sobe no palco e se aproxima do piano.

“E o que você queria conversar comigo?”.

Encaro o rosto da pessoa que mais amo e com a simples constatação que faria tudo por ela, lhe digo simples.

“Eu gostaria de cantar uma música. E deixar que o que ela representa, seja interpretado por você. Pode ser?”.

Vejo o espanto em suas feições, mas ela concorda e antes que saia do palco, faço sinal para que ela se sente do meu lado.

“Brad ia tocar, mas como ele não poderia ficar aqui o tempo todo, me ensinou a tocar a música. Espero que goste e desculpe os erros que poderei cometer.”.

Ela sorri e diz enquanto me olha nos olhos.

“Tenho certeza que qualquer falha na música, será desconsiderada por ser você a cantar. Eu realmente não esperava que você cantasse uma música para mim, e isso já vale muito.”.

Sorrio com suas palavras e decido começar logo, antes que a coragem se vá e eu não siga com o que me propus a fazer.



I've been so many places in my life and time

I've sung a lot of songs, I've made some bad rhyme

I've acted out my love in stages

With ten thousand people watching

But we're alone now and I'm singin' this song for you

I know your image of me is what I hope to be

I've treated you unkindly but darling can't you see

There's no one more important to me

Darling can't you see through me

'cause we're alone now and I'm singin' this song for you

You taught me precious secrets of the truth,

Withholdin' nothin'

You came out in front and I was hiding

But now I'm so much better

And if my words don't come together

Listen to the melody cause my love's in there hiding

I love you in a place where there's no space or time

I need in my life, you're a friend of mine

And when my life is over,

Remember when we were together

We were alone and I was singin' this song for you

Yes, we were alone and I was singin' this song for you


Ao som do ultimo acorde, levanto o olhar das teclas e percebo que Rachel está chorando. Ela então se levanta e diz com a voz trêmula.

“E u-uma música m-muito bonita Q-Quinn.”.

Me levanto também, e digo enquanto me aproximo.

“Sim Rachel, é muito bonita. Mas você entende o que eu quis dizer?”.

Rachel continua me encarando assustada, então diz.

“Que somos amigas e você está arrependida pelo modo que agiu antes?”.

Suspiro cansada, e quando estou próxima o suficiente, limpo uma lágrima com a ponta dos dedos, e digo baixinho.

“Também Rachel, mas você não entendeu o que há por trás dela? Você não ouviu a melodia?”.

Rachel soluça por causa do choro e eu dou mais um passo, invadindo totalmente seu espaço enquanto passava um braço por sua cintura e a mão do outro continuava limpando suas lágrimas. Até que ela diz baixinho.

“O que está acontecendo Quinn? O que você quis dizer?”.

Sorrio com sua relutância em interpretar o que eu quis dizer, e decido que está na hora de ser direta. Então seguro gentilmente seu rosto, enquanto aproximo o meu e digo contra seus lábios.

“Significa que eu te amo de um modo que nenhuma música, poema, filme ou livro poderia explicar.”.

E com isso junto nossos lábios num beijo que era mais que esperado ou ansiado, era necessário.

Depois do que pareceram horas, vidas inteiras, Rachel me afasta lentamente, e toca os lábios com a ponta dos dedos, mas quando me encara os olhos, sua feição tranquila e serena, dá lugar a uma cara assustada e temerosa, e antes que eu consiga segurá-la ela sai correndo.

“RACHEL!”.

E antes que eu consiga processar tudo o que houve, ela já sumiu.


–--


Era madrugada e eu não conseguia dormir. Não fui para a casa de Rachel à tarde, pois sua janela estava fechada e eu temia pelo pior. Será que foi rápido demais? Será que ela realmente me odeia agora? Eram os pensamentos que me acompanhavam enquanto eu rolava na cama, até que ele chega e com o susto eu me sento.

“Ela ficará bem. Não se preocupe.”.

Olho para o guardião sentado na minha janela, enquanto ele olhava para o céu. Então digo cansada.

“Ela fechou a janela. Está claro que não me quer por perto e mais claro ainda que não está bem.”.

Ele me olha por um instante, antes de prosseguir.

“Entenda Quinn. Sua ex-rival, atual quase melhor amiga, se declarou com uma música extremamente melosa, e ainda a beijou. Como você quer que ela se sinta? No mínimo confusa, não acha?”.

Me sinto derrotada com suas palavras, mas continuo.

“Você disse que ela me amava. Sair correndo desse jeito, não é um bom sinal.”.

Ele ri com meu comentário emburrado e diz suavemente.

“Estar confusa, não muda o que ela sente por você. Por favor Quinn, dê um tempo para que ela processe tudo isso. Que ela se permita deixar o que ela sempre sentiu por você, sair e ser expressado.”.

Faço que sim com a cabeça e antes que ele saia, digo determinada.

“Eu entendo que ela precise de tempo e espaço Charlie, mas temo que se der espaço demais, ela interprete minhas ações como uma brincadeira, e isso eu não posso permitir. Então trate de ajudar sua protegida, para que ela aceite logo o que eu sinto por ela.”.

Ele gargalha com minha declaração e diz contente.

“Fico, mais uma vez, feliz em ver que Quinn Fabray está por aqui, e principalmente, que está pela minha pequena. Vou indo, pois ela não pode ficar sozinha.”.

Faço que sim e ele desaparece pela janela.

Me deito novamente, esperando o sono ou o cansaço chegarem, então percebo uma sombra na janela, e sem olhar para a janela digo.

“Melhor ir Charlie. Você mesmo disse que ela não pode ficar sozinha.”.

“O grande Charlie já foi, jovem Fabray.”.

Me assusto com a voz tão familiar, mas ao mesmo tempo tão diferente, e me levanto para encarar um rapaz tão alto quanto Charlie,mas com cabelos quase brancos de tão claros. Ele sorri debochado e diz enquanto se senta na janela.

“Ou devo chama-la de mestra?”.



Notas finais
A música do capítulo é "A Song for You", e pode ser ouvida no seguinte link:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=7M_VWSQJsmY
Espero que o texto tenha ficado conforme a linha que vinha seguindo, e que vocês tenham gostado. Mais uma vez, peço desculpas pela demora e espero que me digam o que estão pensando da história e sobre este capítulo.
Abraços e obrigada.
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