Everything
7 Porquê você demorou tanto?
Notas iniciais
Abraços e boa leitura.
Rachel
Acordo e sinto braços circundarem minha cintura, um toque tão suave, me sinto protegida... amada.
Viro com um sorriso e me deparo com Quinn Fabray. Quinn Fabray!? O céus, o que houve? Penso desesperada enquanto arregalo os olhos para a loira adormecida ao meu lado. Então me lembro que somos meio amigas agora e que ela ficou para dormir ontem. Mas não comigo! E se ela acordar e perceber o que fez? Se resolver me odiar novamente? Eram tantas perguntas que já estava ficando louca, com isso me mexi um pouco, movimento este que foi logo seguido por um apertão mais forte no abraço que ela me dava e um sorriso satisfeito em seu rosto. Ah, esse sorriso. Me rendo ao sorriso dela e relaxo novamente. Afinal se ela surtar quando acordar eu terei aproveitado um pouquinho. Penso com uma risada baixa, me divertindo ao imaginar como ela agiria se surtasse.
Fico a observando por mais alguns minutos até que me dou conta do que estou fazendo. Como assim ficar admirando Quinn Fabray enquanto ela dorme abraçada a você? O que isso significa Rachel? Ela dá mais um sorriso no sonho e me distrai novamente, então cutuco sua bochecha com o indicador. Ela é tão fofa!
Fico cutucando sua bochecha segurando uma risada, pois ela está adorável e suas bochechas são tão macias, até que ela sorri e diz baixinho sem abrir os olhos.
“O que você está fazendo?”.
Paro o movimento no meio do caminho com medo do que virá a seguir. Ela abre os olhos e diz ainda sorrindo.
“É sério Rachel, você pensou que minhas bochechas eram o que?”.
Vendo seu sorriso brincalhão, finalmente solto o ar que não percebi ter prendido e respondo envergonhada.
“É que você estava tão tranquila dormindo e deu um sorriso que fez suas bochechas ficarem tão fofas que eu não resisti. Desculpe.”. Oh Rachel, o que você está dizendo? Cale-se ou ela vai te mandar embora.
Então ela me surpreende mais uma vez, ao soltar uma gargalhada e me abraça apertado enquanto diz.
“Você é mesmo uma graça Rachel, e fica linda envergonhada.”.
Sinto meu rosto queimar com suas palavras e ao notar que estou quieta ela se afasta e diz, enquanto gargalha novamente. O que está fazendo comigo Fabray?
“Mais linda vermelha como está agora.”.
Oh céus, o que fizeram com Quinn Fabray? Minha cabeça está a mil e notando que ainda não respondi ela começa a se afastar. Quando está de pé, diz triste, e só assim acordo do meu torpor.
“Desculpe Rachel, não queria lhe constranger.”.
Levanto rapidamente e digo.
“Não Quinn, não é isso. É que você me pegou de surpresa. Ainda estou tentando entender quem é essa pessoa na minha frente.”.
Digo essa última parte baixinho enquanto abaixo a cabeça, mas ela parece ter ouvido, pois se aproxima e coloca os dedos em meu queixo, delicadamente me fazendo levantar o rosto e diz.
“Compreendo que esteja confusa Rachel, mas não precisa procurar explicações em lugar algum, apenas olhe pra mim e diga se acredita que mudei ou não, então terá sua resposta. E se olhar mais atentamente verá também o por quê.”.
O que quer dizer com isso Fabray? Penso enquanto faço sinal com a cabeça concordando, ela sorri e vai para o banheiro, e eu fico aqui parada tentando entender suas palavras. Quando ela volta já está com suas roupas, então pergunto.
“Já vai?”.
Ela sorri novamente e diz enquanto senta ao meu lado.
“Sim Rachel, melhor ir antes que seus pais lembrem que estou aqui e resolvam fazer algo para deixar claro o quanto lhe fiz mal, coisas das quais realmente me arrependo, ou que Finn chegue.”.
Percebo seu tom triste e digo enquanto seguro suas mãos.
“Meus pais não farão isso Quinn. Eles podem querer me proteger, mas sabem que sei me defender. E já disse que Finn não virá, não quero vê-lo até que seja extremamente necessário.”
Sua risada preenche o quarto mais uma vez, e sem perceber fecho os olhos para apreciar este som que para mim é único.
“Pelo jeito Finn realmente te irritou.”.
Abro os olhos e digo indignada.
“Claro! Como ele pôde agir daquela forma comigo a semana toda? Foi estúpido e infantil, e além de não me explicar seus motivos, afastou você todos esses dias.”.
Somente ao ver o arquear de sua sobrancelha percebi o que acabei de falar. Controle sua boca Rachel!
Vejo um sorriso, que eu diria ser presunçoso, se desenhar em seus lábios enquanto ela diz.
“Não sabia que tinha sentido tanta minha falta Rachel. Mas eu não me afastei por causa dele, mas sim por perceber que não teríamos nenhum momento tranquilo, uma vez que seu namorado estava agindo como sua sombra, e também não tinha tanta certeza se seria bem recebida.”.
Fecho a cara contrariada e digo furiosa.
“Ele foi um idiota! E claro que você seria bem recebida.”.
Ela sorri com minhas palavras e diz enquanto se levanta.
“Ele não foi Rachel, ele é. De qualquer forma, vou indo.”.
“Tem mesmo que ir?”. Pergunto sem conseguir entender a tristeza que sinto ao saber que ela vai embora.
“Sim Rachel, não quero tomar seu tempo.”.
“Não terei nada para fazer Fabray. Ficarei aqui e curtirei meu dia tedioso vendo filmes e comendo pipocas.”. Respondo mal educada, pois quero que ela fique. É tão difícil entender isso?
Ela para na porta do quarto e diz enquanto se vira.
“O que vai fazer hoje à tarde?”.
Levanto animada, por acreditar que ela vai me chamar para fazer algo e digo feliz.
“Nada por quê? Tem algo em mente?”.
Ela sorri travessa e diz.
“Apenas esteja pronta às três. Passo aqui para lhe buscar.”.
Se aproximou, deu um beijo no meu rosto e foi embora, me deixando parada tentando assimilar o beijo e suas palavras.
Me jogo na cama e fico pensando em tudo o que vem acontecendo desde o início da semana, até que sem perceber as palavras saem da minha boca.
“O que você está fazendo comigo Fabray? Por que essa vontade louca de estar cada vez mais perto de você, se dias atrás você me odiava? Ah! O que estou fazendo?”.
“Falando sozinha estrelinha?”.
Sento assustada, com a entrada do meu pai no quarto, e digo.
“Hum... estava pensando alto papai.”.
Ele me olha sério e diz enquanto senta na cama ao meu lado.
“E isso por acaso tem a ver com a loira que saiu de casa há alguns minutos?”.
Ótimo, estava mesmo falando alto! Penso irritada e respondo cansada.
“Talvez papai. Muitas coisas aconteceram essa semana que me surpreenderam.”.
“Sobre Quinn?”. Ele pergunta suave enquanto me abraça.
Respiro fundo tentando organizar tudo em minha mente, pois Quinn Fabray definitivamente fez uma bagunça. E sabendo que não haveria pessoas melhores que meus pais para conversar, digo sincera.
“Sim papai. Ela me confundiu e me surpreendeu de uma forma que nem consigo explicar. Semanas atrás ela simplesmente não podia me ver pelos corredores sem me olhar fria ou dizer algo maldoso. Mas desde o início desta semana ela mudou, drasticamente!”.
Ele me olha encorajando que continue, então tomo fôlego e digo.
“Ela foi me procurar na sala do Figgs para saber da minha suspensão. Me abraçou e disse que sentiu minha falta. Faz ideia do quanto isso me assustou?”.
“Então no dia seguinte enfrentou um jogador do time, dizendo que ele ou qualquer outro jogador deveria deixar de jogar slushies em mim. Um jogador de futebol papai! Na frente de toda a escola, por mim?!”.
Levanto exaltada e começo a andar pelo quarto. Ele parece pensar por um instante e diz calmo.
“E essa mudança lhe incomoda minha filha?”.
“Não papai, me assusta! Pois tudo o que sempre esteve relacionado à Quinn Fabray era um mistério. Seu ódio por mim nunca foi justificado e eu aguentei por todo esse tempo, mas ela ser exatamente o contrário comigo fez uma confusão tão grande que não sei realmente como agir.”
“Como não sabe Rachel, se ontem você permitiu que ela ficasse aqui?”. Pergunta ele ao que eu paro de andar e digo.
“Eu não pensei papai, foi por impulso. Quando a vi chorando daquela forma só queria confortá-la e fazer algo para que voltasse a sorrir. Mas quando paro para pensar, fico louca por não entender o que está acontecendo, com medo de que em algum momento ela mude e volte a ser fria comigo. E isso eu não aguentaria papai.”.
Não consigo segurar as lágrimas, então meu pai se aproxima e diz enquanto me abraça.
“E você acredita que ela poderá ser assim com você de novo estrelinha? Você pode olhar nos olhos dela e duvidar de sua mudança?”.
“Não papai. Eu vejo uma sinceridade tão grande nos olhos dela, que não consigo fugir ou me desviar. Mas eu tenho medo. Medo de me deixar levar e me machucar.”.
Digo entre soluços e ele me responde doce.
“Não tenha medo minha filha. Mesmo que ela o faça, você poderá passar por isso. Mas uma vez que acredita na mudança dela, por que não se permitir conhecer quem ela está mostrando ser?”.
Vou me acalmando aos poucos com suas palavras, e quando o choro cessa levanto os olhos e lhe digo baixinho.
“Ela não me machucará papai, e talvez seja isso o que mais me assuste. Mas o senhor está certo.”.
Ele sorri e antes de sair do quarto diz.
“Também acredito nela e fico feliz em saber que você está aberta às surpresas que a vida pode nos trazer estrelinha, mesmo que se assuste, é bom decidir encará-las de frente e descobrir o que nos aguarda. Mas agora vamos tomar café filha.”
Sorrio com suas palavras, afinal saber que meu pai me apoia me deixa confortável o suficiente para arriscar, pois ele estaria lá pra mim caso o pior acontecesse.
“Já desço papai e obrigada.”.
Quinn
Rachel e eu estamos no parque. Ela está linda, sorrindo como nunca. Resolvo me sentar na grama e ficar observando-a, até que Santana e Brittany aparecem sentadas ao meu lado. Está tudo bem, estamos conversando e Brittany solta uma de suas pérolas.
“Quinn parece um algodão doce, não acha Sant?”.
O que? Penso incrédula. Mas fica pior quando Santana resolve cutucar minhas bochechas enquanto diz.
“É verdade Brit-Brit. Será que a anãzinha pensa o mesmo?”.
Mas que coisa Santana! Penso irritada, mas incapaz de me mover. Então Rachel chega sorrindo e continua o que aquelas loucas estão fazendo.
Poxa Rachel, até você?
Acordo e minhas bochechas estão sendo cutucadas. Oh God, não é um sonho, é um pesadelo! Mas espere... Eu conheço esse perfume, então não seguro um sorriso e pergunto baixinho.
“O que está fazendo?”.
Abro os olhos e ela está com o indicador parado no ar, provavelmente ia cutucar minha bochecha de novo, então responde enquanto cora.
Sua resposta a deixa mais corada e não resisto à vontade de abraçá-la apertado. Ao me afastar vejo que está mais vermelha agora e não seguro a gargalhada. Mas ao ver que ela está quieta, percebo que fui longe demais e me levanto rapidamente, enquanto peço desculpas por tê-la deixado sem graça.
Rachel se levanta dizendo que está tudo bem, que estava apenas assustava comigo ainda, então resolvo ser um pouco direta e lhe respondo que pode acreditar na minha mudança. Decido ir embora, pois não quero dar de cara com Hudson e ela diz irritada que ficará sem fazer nada durante o dia. Quanto drama meu amor. Penso achando graça. Assim me vem à cabeça que não posso desperdiçar essa oportunidade e a convido para fazer algo à tarde. O que eu ainda não sei. Ela aceita animada e eu saio do quarto pensando no que fazer com ela hoje no nosso “encontro”.
Não dou nem dez passos em direção à saída e me aparece um dos senhores Berry, Que ótimo, serei interrogada, torturada e picada em pedaços. Onde está o seu Deus agora Fabray?
“Podemos conversar Fabray?”.
Veio a voz do senhor Berry me tirando dos meus planos para sair pela janela.
“Claro Sr. Berry”.
Engulo em seco, enquanto respondo resignada, abandonando assim minha estratégia de fuga. Que os céus me protejam.
O sigo até o escritório e ao fechar a porta ele começa imediatamente.
“Espero que entenda a razão desta conversa Fabray, e como não vamos demorar, vou direto ao assunto. O que quer com minha filha?”.
Uau, essa foi mais que direta. Será que foi dele que Rachel puxou toda aquela determinação? A pergunta veio seca e rasgante, me impedindo de ter qualquer oportunidade de pensar a respeito. E como sei que fugir será pior, resolvo ser sincera e direta também.
“Sei que não fui a melhor pessoa para Rachel nos últimos anos, mas gostaria de mudar isso Sr. Berry. Rachel é uma pessoa incrível, e apesar de ter demorado para perceber ou admitir isso, gostaria de fazer algo por ela. Algo que talvez ninguém tenha feito.”
Seu olhar avalia cada movimento, cada palavra minha. E como Fabray que sou, também não desvio o olhar enquanto espero ele dizer algo.
“Porquê agora Quinn?”.
Ele pergunta com um tom de voz mais calmo, fazendo com que eu consiga respirar um pouco aliviada, principalmente por ter me chamado pelo nome.
“É nosso último ano Sr. Berry, e como me arrependo amargamente por tudo que fiz a ela, resolvi tomar uma atitude logo, antes que não haja mais tempo ou que ela não deixe mais eu me aproximar.”.
Ele suspira e diz com um sorriso.
“Não foi isso que perguntei Quinn. Quero saber porquê só agora resolveu admitir o que sente por ela. Porquê demorou tanto?”.
Oh Quinn, você está tão encrencada! O que fez afinal? Onde você deixou essa informação escapar? Satan! É isso, só pode ter sido ela, mas por quê? Para arruinar de vez meus planos e chances de ficar com Rachel? Minha cabeça começa a pensar rapidamente em todas as bobagens que devo ter deixado escapar, até que sou interrompida pela risada do Sr. Berry, que diz.
“Acalme-se Quinn, foi só uma pergunta.”.
Controle-se Quinn, responda ao homem logo! Penso enquanto respiro fundo para tentar responder a pergunta dele.
“E-eu não sei Sr Berry. Digo, me pegou de surpresa e...”.
Ele ri mais uma vez e me interrompe dizendo.
“Você deixou algumas ações suas passarem desapercebidas. Tais como, a foto do anuário, as raspadinhas e ódio injustificado, a briga para que ela compusesse uma música, o tapa no baile, bom... muitas coisas.”.
Ele diz tudo com um sorriso e me sinto cada vez mais encurralada. Como você deixou tudo isso passar Fabray?
“Minha filha levou quatro anos para fazer você se apaixonar por ela, não precisa ter pressa em explicar a demora.”.
“Na verdade Sr. Berry, Rachel demorou exatos 45 segundos para fazer eu me encantar por ela. Em algumas semanas sua filha era a única coisa em que eu pensava, até que resolvi ir contra isso e namorar Finn, e a partir deste momento, fiz coisas cada vez piores.”
Respondo em um fôlego só enquanto ele me olha espantado.
Após algum tempo me avaliando, pergunta calmo.
“45 segundos?”.
“Sim Sr Berry. Foi o tempo exato para que ela me olhasse e abrisse o sorriso mais lindo que tinha visto até então.”
Respondo enquanto sinto minha face arder. Provavelmente estou mais que vermelha agora, pois ele solta uma risada e continua.
“E o que houve depois?”.
Abaixo os olhos por vergonha das palavras que vou dizer, e solto baixinho.
“Eu joguei um slushie nela.”.
“Disso eu já sabia Quinn, quero saber o que houve com você depois.”.
Levanto o olhar assustada com suas palavras, pois pela primeira vez, alguém quer saber o que acontecia comigo toda vez que fazia mal a ela. Então entre lágrimas respondo baixinho.
“E-eu fui pa-para as arquibancadas.”.
Sinto uma mão nas minhas costas, enquanto ele gentilmente me guia para o sofá que existe no cômodo.
Ao me sentar ele pergunta calmo.
“E depois querida?”.
Choro mais ao pensar no que houve e respondo enquanto me entrego às lembranças.
“Eu chorei.”.
Flash Back [on]
Estava pegando algo no meu armário, até que o fecho e fico observando as pessoas no corredor. Mas só ela me chamou a atenção.
Ela está concentrada em guardar algo no armário e a porta esconde parte do seu rosto, mas algo me faz continuar olhando. Até que ela fecha o armário e vejo o rosto mais bonito que já passou por este ou qualquer outro lugar. Ela coloca uma mexa dos cabelos escuros atrás da orelha, se vira, me vê e sorri.
Ela é linda. Penso enquanto involuntariamente correspondo ao sorriso, o que faz o dela aumentar.
Ela é definitivamente linda. Continuo pensando enquanto ela começa a caminhar em minha direção.
Ela está vindo pra cá, o que eu faço? Me sinto agitada com sua aproximação.
Ela é linda... Não! É pecado Fabray! Ela é uma menina, como você! A voz do meu pai interrompe meus pensamentos.
Mas ela é linda. E é uma menina Quinn, afaste-se dela. AGORA! Meu sorriso morre e ela percebe.
Mas ela é linda, o que eu faço? Afaste-a de você. Agora Fabray, antes que seja tarde. E dando ouvidos a este pensamento, pego o slushie do garoto que passava e jogo em seu rosto.
Sua expressão agora é de horror e vejo as lágrimas brotarem em seus olhos castanhos, mas antes que eu possa me render a pedir desculpas, saio correndo em direção às arquibancadas.
Ao chegar lá, sento em um dos bancos e começo a chorar enquanto abraço meus joelhos e travo mais uma vez uma batalha com minha mente.
Eu não podia ter feito aquilo. Ela é linda, e parece ser a pessoa mais doce que já vi. Vou pedir desculpas...
Não Fabray, você fez o certo. Precisa afastar ela e todo pensamento deste tipo de sua cabeça. Ela é uma menina e você é uma Fabray, não esqueça disso!
Me deixo levar pelas lágrimas, por saber que apesar de dominar minha mente, este pensamento não é o correto, não é algo bom. Pois a partir deste dia era sempre assim, eu a maltratava e me sentia rasgar depois, me escondia e chorava minha dor...
Flash Back [off]
“Não se preocupe querida, você está se mostrando ser muito mais forte do que tudo aquilo que lhe foi ensinado de ruim. Você é forte Quinn, estar aqui se abrindo para o pai da pessoa que você mais machucou, mostra que você mudou. E estou orgulhoso de você.”.
A voz do Sr Berry me acorda daquelas lembranças dolorosas, e ainda chorando lhe digo.
“Mas eu a machuquei Sr Berry. Machuquei a única pessoa que de um jeito ou de outro sempre esteve de braços abertos pra mim. A machuquei por anos, simplesmente por não ouvir o que realmente estava na minha mente e me deixar levar por aquilo que me impunham.”.
“Mas agora você sabe o que ouvir Quinn. Você é uma Fabray muito melhor do que qualquer um poderia ter sido. Você fez escolhas ruins e aprendeu com elas. Elas lhe fizeram forte e corajosa o suficiente para lutar pelo que acredita, para pedir desculpas e buscar se redimir, e isso Quinn, é algo que pessoa alguma poderá lhe tirar.”.
Sua voz doce e suas palavras fazem com que eu me acalme e consiga parar de chorar. Então levanto o olhar e lhe digo mais calma.
“Obrigada Sr Berry. De todas as pessoas, o Sr deveria ser o primeiro a fazer com que eu me afaste de Rachel, mas está aqui, me consolando, sem me julgar.”.
Ele me sorri terno e diz.
“Por pior que tenha sido para minha filha, Rachel sempre teve apoio e amor suficiente para enfrentar o que lhe acontecia. E percebo que foi isso que lhe faltou Quinn, então fique tranquila, você jamais será julgada nesta casa.”.
Faço que sim com a cabeça e ele me diz divertido.
“Então, agora pode me responder porquê demorou tanto para admitir o que sente e lutar por ela?”.
Sorrio com sua brincadeira, mas respondo séria.
“Eu estava decidida a deixar Rachel em paz com Finn e esconder, mais uma vez, o que sinto por ela, mas sem machucá-la desta vez.”.
“E o que mudou?”.
Ele pergunta e eu continuo.
“Algo aconteceu e me fez perceber que se não fizer nada por ela agora, talvez não haja outra oportunidade. Algo está errado com ela Sr Berry, ela parece triste, vazia. Não a vejo sorrir como antes, seus olhos não tem o mesmo brilho e isso me doeu de tal forma que minha melhor opção seria fazê-la ver que há mais que Finn Hudson em sua vida.”.
Ele sorri e diz sério.
“Você percebeu não é? Percebeu que aquele rapaz tira toda a alegria e esperança da minha estrelinha, que ela está se perdendo.”.
Faço que sim e continuo triste.
“Por um momento Sr Berry, acreditei que sua mudança fosse fruto do amadurecimento exigido por nós quando estamos decidindo nosso futuro, mas com Rachel não foi só isso. Ela sempre foi uma das pessoas mais centradas e determinadas que conheço, claro que como toda pessoa, ela cometeu erros e equívocos, mas ainda sim era de uma força e alegria tão grandes que faria inveja a muitas pessoas perto dela.”.
Sorrio ao pensar na pessoa que ela sempre foi, e com um suspiro continuo.
“Mas não foi amadurecimento. Foi algo que a tira as forças, lhe suga a alegria e determinação. E por isso eu resolvi mudar minha decisão de me manter a margem de sua vida, e lutar para estar realmente em seu caminho, ao seu lado.”
Ele sorri enquanto dá um apertão de leve em meu ombro e diz.
“Ninguém jamais descreveu Rachel com tanta fidelidade, e não sabe o quanto isso me deixa feliz, principalmente por saber que alguém como você, com o amor que vejo em seus olhos, lutará para colocar minha estrelinha no caminho certo. Ela pode ser muito teimosa, mas quando perceber que aquele rapaz não é o melhor para ela, conseguirá por fim, ver que você é alguém capaz de fazê-la feliz.”.
Sorrio com suas palavras e ele me surpreende ao me puxar para um abraço enquanto diz.
“Mostre a ela Quinn. Mostre que você é digna do amor que ela guarda, que você cuidará dela com carinho e respeito.”.
“Pode deixar Sr Berry. Farei tudo o que for possível para ajudar Rachel a ver que ela tem outra escolha, que ela pode ser tudo o que sonhou sem estar amarrada a alguém que só lhe puxa para baixo. E mesmo que ela decida não ficar comigo, mostrarei a ela que ainda sim a apoiarei.”.
Ele se afasta e diz sorrindo.
“Tenho certeza que conseguirá Quinn. E por favor, me chame de Leroy.”.
Sorrio enquanto aceno com a cabeça e saio da casa de Rachel, me sentindo imensamente mais leve e determinada a conquistar aquela baixinha.
Mas onde vou levá-la? Oh Quinn, você deveria ser menos impulsiva! Penso irritada mais uma vez por não fazer ideia de onde ou o que fazer para Rachel à tarde, e sem outra opção, vou pra casa pensar em algo.
–--
Chego em casa e como ainda é cedo, tomo café com minha mãe, que apesar de notar minha agitação, nada comenta, pois me conhece o suficiente para saber que quando estiver pronta, lhe direi o que está havendo. Assim, depois do café e parar de inventar planos mirabolantes para meu suposto encontro com Rachel, resolvi fazer uma cesta de lanches vegans, sucos, frutas e uma toalha. Vejo que está quase na hora combinada, então sigo para casa de Rachel. Por Deus, que ela goste do que preparei!!
Antes de bater na porta da casa dos Berry, uma Rachel sorridente a abre e pula em meu pescoço me dando um abraço apertado, claro que como lerda que sou, demorei alguns segundos para lhe abraçar de volta, vendo finalmente um Leroy sorridente atrás da filha. Até que nos separamos e ela diz animada.
“Olá de novo Quinn, já sabe onde vamos?”.
Lhe sorrio em contemplação e respondo suave, enquanto a puxo com uma mão e com a outra dou tchau para o Sr Berry.
“Na verdade Rachel, estava sem a menor ideia de onde ir, então preparei uma cesta com um lanche e se quiser, poderíamos ir ao parque, ou qualquer outro lugar que deseje.”.
Ela dá pulos de alegria, no melhor estilo Rachel Berry e diz mais animada, como se fosse possível.
“O parque parece ótimo Quinn! Faz tanto tempo que não vou lá.”.
Respiro aliviada por ter acertado em algo, enquanto lhe abro a porta do passageiro e ela me sorri tímida.
O caminho até o parque, apesar de curto, foi muito divertido. Rachel mexia no rádio e nos CDs procurando alguma música, e assim que encontrava, disparava a cantarolar, digo, cantar mesmo, pois bem, ela é Rachel.
Como era sábado o parque não estava muito cheio e pudemos escolher ficar debaixo de uma árvore bem grande, nos protegendo do sol que alegrava Lima naquele dia.
Apesar de saber coisas sobre Rachel, que ela mesma ainda não tinha me contado, a tarde foi incrível. Conversamos, rimos, brincamos e por sorte em nenhum momento ela tocou no assunto Hudson.
E assistindo ela brincar com um cão a alguns passos de mim, me vez perceber que aquela era a verdadeira Rachel, não a mulher fraca que estava sujeita a Finn Hudson e nem a sombra triste e desamparada que era aquela que vi no que poderia ser seu futuro, e ali, mais uma vez, tive certeza que lutaria contra tudo e todos para não deixar aquela Rachel se perder.
“Ela está feliz, sabe o que isso significa Fabray?”.
Charlie aparece e me interrompe dos meus devaneios. Olho para ele intrigada com sua pergunta e faço que não com a cabeça.
Ele sorri e me indica para olhar Rachel, que agora caminhava em nossa direção, enquanto diz.
“Significa que ela está se permitindo, e com isso, está permitindo que você entre na vida dela. Não desperdice essa oportunidade Fabray, você sabe muito bem o quão teimosa ela pode ser, mas a partir do momento em que decide algo, somente a machucando que ela muda de ideia. Então, não a machuque.”.
Correspondo ao sorriso que ela me dirige e digo séria, sem desviar meu olhar do dela.
“Você já deveria saber que machucá-la é algo que não farei. Estou aqui para fazê-la feliz, porque iria ferir a mulher que amo?”.
Sento ele ficar sério e assim me diz cortante.
“O que fará com Hudson então? Pois dependendo do que fizer para separá-los, machuca-la é a única coisa que fará.”.
Olho incrédula para ele, pois de alguma forma ele tem razão e por isso não sei o que responder. Rachel parece ter percebido a mudança das minhas feições e pergunta preocupada enquanto me toca suavemente o braço.
“Tudo bem Quinn?”.
Charlie me olha em desafio e admitindo a derrota, pelo menos naquele momento, me viro para Rachel e lhe respondo com um sorriso.
“Sim Rachel, só me lembrei de algo que terei que resolver em breve e espero tomar as decisões certas.”.
Ela me sorri e diz brincalhona.
“Se precisar de ajuda, não hesite em pular minha janela, afinal você parece boa nisso.”.
Não seguro a gargalhada e a abraço enquanto digo realmente feliz.
“Só você mesmo Rach, para me fazer rir em um momento como este.”.
Sinto ela enrijecer no abraço e me afasto preocupada, e antes que diga algo ela diz baixinho.
“V-você m-me chamou d-de Rach?”.
Controle sua língua Fabray! É o primeiro pensamento que me vem a mente ao perceber a gafe que cometi, e como ela espera uma resposta, meu rosto tem o descaramento de corar enquanto lhe respondo tímida.
“M-me desculpe Rach...el, eu não sei o que houve.”.
Vendo meu embaraço ela me abraça apertado enquanto diz feliz, fazendo com que mais uma vez eu me sinta nas nuves.
“Não tem problema Quinn, só me pegou de surpresa. Principalmente por meu apelido soar tão doce em sua voz.”.
Yes! Ponto para Fabray! Penso enquanto aperto o abraço e nos levo para debaixo da árvore e aproveitar o resto do nosso dia.
–-
Depois de deixar Rachel em casa e propor fazermos algo no dia seguinte, volto para casa pensar nas palavras de Charlie.
“O que farei para fazer Rachel enxergar que Finn a está puxando para baixo cada vez mais, sem machucá-la? Oh Quinn, você está tão ferrada.”.
E com pensamentos entre problemas e o dia agradável, adormeço sem perceber o rapaz alto que me olhava pela janela.
Notas finais
Por favor, me digam para que eu possa fazer o possível para melhorar o texto e a fic cada vez mais, ok?
Abraços.
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