Everybody hates Pip

28 Um pouco de mais do mesmo


A rotina do colégio rapidamente voltou a mesmice que estava acostumado antes de morrer, com pouca ou nenhuma coisa diferente. As ameaças, a intimidação e as agressões dos seus colegas voltaram como se nunca tivesse, em momento algum, acabado. Os professores e o diretor ainda não gostavam do britânico, ainda era culpado por situações fora do seu controle e os castigos sem justificativa não diminuíram.

Pip poderia viver com isso, havia aguentado aquela situação na maior parte da sua vida, mas se pudesse mudar apenas uma coisa dentre tudo isso, gostaria que Damien também não tivesse que lidar com bullying apenas por estar perto de Pip.

Como, por exemplo, o que acontecia naquele exato momento atrás da escola, com Trent Boyett segurando Damien contra a parede e batendo nele mais vezes do que o pobre britânico gostaria de presenciar. Tudo isso porque ele foi ativamente lhe defender, mesmo que tivesse pedido, quase implorado, para que não fizesse isso.

Sim, claro que era horrível falar e pensar dessa forma, mas estava acostumado com o bullying depois de todo aquele tempo. Mas não Damien.

Não era uma briga justa, Pip nunca tinha notado como o ex-anticristo parecia magro perto de Trent e ele não estava nem mesmo com espaço para bater de volta. A angústia pesou no peito do britânico de um jeito que ele não conseguiria colocar em palavras, vendo aquilo enquanto tentava se soltar de um dos amigos de Trent – Bill ou Fosse, não tinha certeza e não era a sua prioridade saber.

Em um último movimento Trent empurrou Damien na parede e deu um soco na área do estômago dele que Pip foi capaz de sentir. Sabia melhor do que gostaria como aquele loiro corpulento era forte.

Damien se curvou e colocou os dois antebraços na barriga, ficando sem ar por um momento e o britânico rezou – como isso era irônico – para que dessa vez ele ficasse quieto. Antes daquilo, Pip não fazia ideia de como ele era autodestrutivo:

— Já cansou? — Damien ergueu o rosto que na verdade não estava muito machucado, isso se não fosse pelo corte na testa e o fio de sangue. Trent também não estava intacto, mas era óbvio que tinha levado a pior. — Eu não sabia que você batia tão fraco.

Não era possível que ele fosse mesmo continuar com isso, Pip pensou com uma ponta de desespero. Nesse momento Damien foi para cima de Trent, que sorriu enquanto rapidamente deu outro soco no mesmo local de antes.

A briga iria começar tudo de novo e Pip não prestou atenção quando Fosse ou Bill chamaram Damien de patético, só tentou se soltar de novo e ganhou um xingamento.

Isso até que, subitamente, Gary Harrison empurrou a porta dos fundos para trás e viu a cena. O recém-chegado arregalou os olhos, chocado por alguns instantes, mas logo deu um sorriso nervoso:

— Ei, eu não acho que vocês deveriam fazer isso com-

— Vai estragar a festa de outro, cara.

O garoto mórmon recuou um pouco por causa da grosseria, mas olhou com preocupação para Pip e Damien. Gary sempre se preocupava honestamente com os outros, ele era uma pessoa boa, Pip lembrava disso e das vezes que ele realmente lhe defendeu, antes mesmo de Damien voltar para South Park.

Talvez por isso ele não obedeceu Bill e ficou por ali mesmo, na verdade até se aproximou e foi nesse momento que Pip se viu livre de Fosse.

— Isso não tem nada a ver com você, viadinho. — Bill falou debochadamente e o outro valentão riu. — Vai querer ajudar logo esse francês?

O dito francês – que era, na realidade, britânico, mas ninguém nunca e jamais iria se importar com isso – teria ficado aborrecido, no mínimo chateado, se não estivesse tão preocupado com outra coisa no momento. Olhou na direção de Damien por um segundo, que estava limpando o sangue do rosto, mas apenas fazendo uma mancha maior e um pouco mais clara.

Pip poderia ser muitas coisas, idiota, lento e meio burro, mas com a vida que teve, se houve uma coisa que ele aprendeu, era a hora certa de fugir. Bill e Fosse não estavam olhando naquela direção e os seus braços estavam livres. Trent segurava a gola do casaco do ex-anticristo apenas fracamente, também tendo a atenção tomada por Gary.

Apenas calculou um pouco mal quando agarrou o braço de Damien, antes dele ter a chance de fazer qualquer coisa, e empurrou Trent Boyett para longe com uma força que não sabia que tinha – e na verdade não tinha mesmo.

Normalmente Pip não faria isso. Se fosse apenas ele que estivesse sofrendo alguma agressão não reagiria a nada, porque sabia perfeitamente que sempre que tentava se defender tudo acabava pior no final. Mas não estava sozinho e não era o britânico que estava apanhando daquela vez.

Segurando a mão de Damien puxou ele para longe e fugiu de toda aquela cena que não lembrava nem mesmo da razão de ter começado. Pip não conseguiu se importar mais que iria faltar aula. Não ligava para um possível teste surpresa, para uma advertência ou uma suspensão.

O que o coordenador supostamente poderia fazer quanto a isso? Ligar para os seus pais?

~ DIP ~

Damien estava estranhamente quieto enquanto Pip tentava cuidar um pouco dos machucados no rosto dele, apenas encarando o loiro com aqueles olhos castanho avermelhados. Os dois estavam no sofá e havia aquela caixa de primeiro socorros no único lugar desocupado dentre os três.

Quando se afastou, Damien passou uma mão pelo rosto exatamente onde o britânico havia colocado o curativo na pele, no queixo a uma polegada abaixo da boca, para cobrir um corte particularmente feio e que não fazia ideia de como ele havia conseguido. Por sorte ele não ficou com olho roxo, mas na bochecha direita o hematoma estava começando a ficar evidente.

— Valeu…

Mas Pip ignorou aquele agradecimento cabisbaixo, pois tinha coisas demais para falar:

— Não me agradeça, Damien, apenas, por favor, não faça mais isso. — O moreno franziu as sobrancelhas, mas Pip continuou. — Você não precisa acabar desse jeito por minha causa, eu conseguiria muito bem lidar sozinho com aquela situação-!

Eu não ligo.

Se afastou mais uma vez do garoto de preto, definitivamente despreparado para aquela grosseria e o encarou por longos segundos. O que diabos ele estava pensando falando daquela forma, bem quando Pip apenas queria ajudar!?

— Mas eu me importo, não quero ver você machucado…!

— E como você acha que eu me sinto, hein, Pip!?

Damien falou alto, soando ligeiramente zangado, e Pip Pirrup se encolheu no sofá encarando ele sem saber bem o que dizer. Felizmente não precisou pensar em nada, o ex-anticristo apenas voltou a falar antes que tivesse alguma chance:

— Eu fico cada vez mais doente por ver todo dia aqueles caras mexendo com você e não conseguir fazer mais nada! — Ele estava apertando as mãos em punhos, mas não olhava na sua direção. — Eu só queria poder quebrar cada um deles na porrada, porque você não merece isso.

Então Pip se aproximou de Damien mais uma vez e colocou uma mão sobre um dos punhos fechados, se virando mais no sofá para poder realmente olhar no rosto dele, ainda cheio de incertezas sobre o que deveria falar ou não. Claro que estava feliz por ele se importar assim, mas uma parte idiota do loiro ainda achava que aquilo fosse algum sonho bom demais para ser verdade.

Ainda era esquisito pensar que havia alguém no mundo que se importasse – que amasse — Pip genuinamente e ele sentia que não merecia isso.

— Ei — Quando chamou, felizmente Damien olhou na sua direção e nesse momento Pip abriu um pequeno sorriso. — desculpe.

— Para de se desculpar.

Negou algumas vezes com a cabeça:

— Eu já estou acostumado com a minha vida, mas esqueci que você não está. — Assim que o outro garoto relaxou a mão, o loiro aproveitou para entrelaçar os dedos. — Mas eu juro que vou ficar bem, já sobrevivi a coisas piores.

— Quando tu fala assim, eu tenho vontade de-

— O que eu estou tentando dizer é — Interrompeu, sem necessariamente querer escutar a continuação daquela frase. — obrigado por se preocupar comigo.

Damien ficou em silêncio por tempo o suficiente para fazer Pip ficar sem jeito, mas o riso que ele soltou foi inesperado de muitos jeitos diferentes. Ele lhe puxou para perto em um abraço que também pegou o loiro desprevenido, apertado e depois disso não soltou mais. Retribuiu sem saber direito onde colocar as mãos e com o rosto esquentando por causa daquele olhar intenso, incomparavelmente mais feliz que momentos atrás:

— Que Inferno Phillip, por que você tá agradecendo? O que você esperava que eu fizesse?

Estava ali uma pergunta que não soube como responder e o uso do nome fez o loiro corar ainda mais, perder qualquer linha de raciocínio e gaguejar um “sinto muito” que Damien não demonstrou se importar dessa vez. Ele apenas tomou os seus lábios em um beijo lento, carinhoso e cheio de outras coisas não ditas.

Pip conseguiria passar por isso, ele poderia passar e superar todo aquele bullying como fez durante toda a sua existência. Ele terminaria o colégio e finalmente poderia sair daquela cidade desagradável que era South Park e fazer alguma coisa da própria vida. Esses eram os únicos planos do pequeno britânico desde o começo, desde que sempre esteve sozinho.

Mas agora, com do seu lado Damien, tudo poderia ser muito mais fácil.

~ DIP ~

O sol estava se pondo por entre as montanhas, a paisagem principal de South Park, quando Damien colocou os pés para fora de casa e foi seguir Pip. Não podia dizer que não se sentia mal por isso, mas além de estar genuinamente curioso havia também aquela sombra de preocupação nos seus pensamentos.

Não lembrava de muita coisa do que Pip falou sobre onde morava porque ele realmente nunca falou muito sobre isso. Sabia que era em algum lugar no centro – uma das áreas mais perigosas da cidade – e só isso. Era exatamente por isso que Damien não pode deixar de se preocupar, por mais que o britânico tivesse insistido que não deveria e que ele poderia muito bem ir buscar as coisas dele sozinho. Não duvidava disso, só que havia muita coisa diferente dessa vez.

Enfim, estava curioso e preocupado. Conseguia muito bem imaginar Phillip morando em algum orfanato da igreja, muito antigo e destruído pelo tempo, por isso quando o loiro entrou naquele beco entre dois prédios altos – um deles estava abandonado – realmente lhe pegou desprevenido. Correu até lá e só teve tempo de ver Pip naquele lugar escuro, empurrando o que parecia ser uma tábua de madeira para o lado, na parede da construção que estava desabitada.

Aquilo não era o que parecia, certo? Não poderia.

Pip? — Nesse momento o garoto loiro tomou um susto e virou o rosto na sua direção, com os olhos arregalados. — O que você tá fazendo…?

Ele não respondeu imediatamente, Damien decidiu se aproximar e com choque viu que Pip realmente morava ali. Não dava para ver muito bem pela penumbra, mas haviam as coisas dele naquele buraco na parede, que dava para um lugar pequeno demais para ser realmente um cômodo. Um colchão fino no chão, uma pequena pilha de livros velhos, uma caixa onde haviam mais coisas dele, praticamente quase nada.

— Você mora aqui!? — Pip assentiu com a cabeça, quieto e sem realmente olhar na sua direção e a confirmação cabisbaixa fez algo dentro de Damien doer. — Desde quando…?

— Veja bem, Damien — O britânico começou enquanto nervosamente brincava com as próprias mãos, tentando se distrair. — eu morava nesse orfanato em que as freiras e as outras crianças não gostavam muito de mim, onde era cheio de regras e eu realmente tentava seguir todas elas.

Parte do moreno já sabia como aquela história terminaria, não era uma surpresa, mas escutar aquilo saindo da boca de Pip definitivamente tornava tudo pior:

— Tinha uma regra, sobre ser proibido pegar comida da cozinha fora dos horários de refeição e todas as crianças tinham medo demais das freiras para tentar. — Ele soltou um riso triste, enquanto cruzava os dedos das mãos na frente do corpo e apertava. Daquela posição, por causa da cabeça baixa e a franja, Damien não conseguia ver os olhos de Pip. — Quando um garoto fez roubou algo, eu nunca soube o que foi, e a cozinheira sentiu falta ele… colocou a culpa em mim. As freiras acreditaram.

Havia aquela amargura no jeito que Pip falava que fez Damien perder todas as suas palavras, ficar sem saber o que falar e absolutamente chocado. Aquilo era demais! Tinha passado de absolutamente todos os limites e para o ex-anticristo pensar assim, certamente era alguma coisa.

— Elas me mandaram empacotar as minhas coisas e me expulsaram do orfanato — O britânico continuou a se explicar como se ele tivesse feito algo de errado. — naturalmente, eu tentei falar com algumas pessoas, mas ninguém se importa o suficiente comigo para fazer algo, não é? — Aquele riso triste destruiu Damien de jeitos que ele não sabia que eram possíveis. — Sinto muito, Damien, eu não queria que você tivesse visto isso.

Pip — Damien se aproximou do britânico e colocou as mãos nos ombros dele, mas o garoto apenas se encolheu e não conseguiu olhar na sua direção. — faz quanto tempo que você vive assim?

Mais uma vez Phillip ficou quieto por tempo demais, quase hesitante, mas no fim das contas respondeu:

— Três anos…

Três anos. Pip vivia na rua, daquele jeito, há três anos e Damien sentiu tanta raiva naquele exato momento, mais tanta, que não tinha nem como expressar direito. Pensou em falar muitas coisas, perguntar porque diabos Pip não tinha falado sobre isso antes, porém não teve nem mesmo a oportunidade de falar nada disso:

— Por favor — O loiro gaguejou, nesse momento sentiu os ombros dele tremendo e subitamente ele pareceu se engasgar nas próprias palavras. — eu- eu sei que morar na rua é patético, mas eu juro que- a senhora dona da lavanderia, na outra rua, ela me deixa usar as coisas lá em troca que eu limpe tudo-

Assim que viu uma lágrima descendo pelo rosto de Pip, abraçou ele.

De todo mundo, entre todos os valentões do colégio inteiro e de pessoas que poderiam lhe fazer mal de alguma forma, de gente que definitivamente não poderia saber daquilo, Pip conseguiu esconder por três anos inteiros. Ninguém nunca ficou sabendo, ninguém nunca se importou.

Todo esse tempo só para, depois de tudo, Damien descobrir tão facilmente.

Agora Pip apenas tinha muito medo do que seria dele depois disso. O ex-anticristo lhe confortou e ofereceu ajudar para ajudar a levar as suas coisas até a casa, coisa que naquele ponto o britânico não estava com condições de negar.

Com certeza ele só estava fazendo isso por pena, não é? Pip era só um garoto francês, órfão, patético e digno de pena e agora Damien finalmente veria isso.

No momento estava no quarto, sentado na cama e tirando a pilha de livros de dentro de uma caixa no seu colo, um por um, quando parou e segurou um específico, que também era um dos seus favoritos de Charles Dickens.

— Pip?

Parou de olhar para a capa do livro Oliver Twist e olhou na direção de Damien, mas um segundo depois ele sentou ao seu lado e o peso a mais fez o colchão afundar apenas vagamente.

— Sim?

Só teve tempo de colocar o livro de lado antes do moreno segurar sua mão, carinhosamente, acariciando com o polegar. Encarou ele de volta e não conseguiu adivinhar o que ele estava pensando, por isso desviou o olhar.

Estava tudo muito estranho.

— Eu sei que é uma pergunta idiota, mas você tá bem?

— Claro que eu estou — Forçou um sorriso, mas o outro continuou sério. — Eu sei que o que você presenciou lá atrás deve ter sido bastante chocante e eu realmente sinto muito que você tenha visto aquilo, mas garanto que estou ótimo.

Damien não pareceu acreditar nisso e, nessa altura, nem mesmo Pip realmente conseguia crer nas próprias palavras. Talvez, no fundo, estivesse mais tentando se convencer de algo do que falando alguma verdade:

— O meu quarto enquanto eu morei na Inglaterra não era muito diferente, sabe? A minha irmã e o esposo dela não tinham muito dinheiro, as coisas eram bem difíceis…

Quando ele continuou quieto Pip começou a ficar ansioso. Damien certamente estava arrependido de abrigar um sem teto na casa dele, com certeza deveria ser isso.

— Eu só… — O britânico tentou encontrar algumas palavras a mais no meio da bagunça que os seus pensamentos estavam agora, mas não conseguiu e apenas abaixou o rosto mais uma vez. — Sinto muito.

— Por que você tá se desculpando?

Se calou por um segundo e não conseguiu pensar em uma resposta para isso, realmente não sabia, por isso deixou todos aqueles sentimentos apenas saírem pela sua boca:

— E-eu… eu não quero dever nada para você, nada mais do que eu já devo.

— Você não me deve nada.

— Obviamente eu te devo muita coisa, sim! — Falou um pouco mais alto do que pretendia, mas não conseguiu se importar e sem perceber que, mais uma vez, estava chorando. — Você sempre me ajudou e agora está me abrigando na sua casa!

— Isso não importa.

Claro que importa! — Pip se levantou da cama e encarou Damien, agora mais alterado do que jamais esteve. — Eu não quero dever nada para você, Damien! Eu não quero que você se sinta na obrigação de me deixar aqui por causa daquilo! Eu não quero pena!

Pip esfregou uma mão no rosto, limpando as lágrimas e isso fez o peito de Damien doer. Naquela posição em que precisava erguer o rosto para olhar o loiro, segurou as duas mãos dele desesperado para fazê-lo parar de chorar, mas sem ter certeza se conseguiria e se esse fosse o caso, esperava que Phillip entendesse que ele não precisava chorar sozinho.

Beijou as duas mãos dele carinhosamente e sem esperar nada em troca.

— Eu não me sinto na obrigação de nada, Phillip, e isso não é pena. — Os olhos azuis dele, cheios de lágrimas, se focaram nos seus. — Eu te amo.

— Mas eu morava na rua — Pip soluçou e apertou as suas mãos, mas sem mover um músculo. — você não está com nojo de mim…?

Damien balançou cabeça em negação apenas algumas vezes, vigorosamente.

Eu te amo.

Os ombros de Phillip tremeram assim que falou isso e no olhar dele ainda tinha aquela descrença que tanto incomodava o moreno. Queria tanto fazer ele entender isso logo, de qualquer jeito.

Assim que levantou da cama, antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, Pip soltou as mãos apenas para lhe abraçar e começou a chorar no seu ombro. Passou os braços ao redor do corpo do loiro e apertou afetuosamente, logo depois fazendo um carinho nas costas.

Ficou assim esperando que Pip se acalmasse, o que levou alguns bons minutos até que ele afastasse o rosto do seu ombro e, dessa forma, Damien conseguiu realmente ver os olhos vermelhos por causa do choro. Pip fungou apenas uma vez durante esse tempo.

Ele ainda não olhava na sua direção, mas sim para algum ponto do casaco preto de gola alta, então abriu um pequeno sorriso sem mostrar os dentes, continuando quieto e pensativo por mais alguns instantes, antes de finalmente levantou o olhar:

Eu também te amo, Damien.