Notas iniciais
Oi.

Bruce já podia imaginar matérias nos jornais como "Bruce Wayne compra diversas maquiagens para namorada misteriosa" — ou algum derivado disso — assim que pisou na loja de cosméticos e as moças pararam para encará-lo, todas surpresas. Ele sabia que chamaria a atenção e em pouco tempo haveriam paparazzis tentando descobrir alguma coisa. Bruce arrumou o blazer antes de seguir para o balcão e colocar o seu sorriso mais charmoso.

A atendente corou enquanto simplesmente o encarava, até que ele pigarreou e ela ficou constrangida por estar encarando.

— Posso ajudá-lo com alguma coisa, Sr.Wayne? — A moça perguntou, ainda sem olhá-lo nos olhos.

— Ah, sim. Eu, como é fácil de se presumir, não entendo nada de maquiagem — Bruce disse, mantendo o sorriso. Ele podia ouvir as outras clientes cochichando sobre ele — Poderia me ajudar a encontrar algo? é um... presente.

— É claro! — Ela disse com entusiasmo exagerado e fez o melhor que conseguiu para se recompor — É para alguém em especial? — O sorriso de Bruce sumiu por alguns segundos e a moça quase entrou em pânico — Não é da minha conta, desculpa!

— Não, tudo bem — Ele sorriu novamente e ela se sentiu um pouco mais aliviada. Bruce fazia o máximo que podia pra não grunhir de raiva — Podemos dizer que é sim, uma pessoa bem especial.

— E ela tem alguma preferência? — Ela perguntou.

— Uh, vermelho e preto. Sombra preta e batom vermelho, basicamente — Bruce disse com incerteza, mas nunca havia visto o Coringa usando outras cores que não fossem vermelho e preto.

— Nós temos vários tipos de sombras pretas e batons vermelhos, não teria como ser mais específico? — A moça perguntou e Bruce não fazia ideia do que responder.

— Como eu disse, eu não entendo disso... — Ele respondeu.

— Tudo bem, uh... então eu poderia escolher alguns produtos que talvez venham a agradar, pois eu sei quais são os produtos de melhor qualidade, mas gostos são diferentes, então não tem como ter certeza se... — Ela começou e Bruce assentiu.

— Bom, você entende bem mais disso do que eu, então vá em frente — Bruce disse e a moça começou a mexer nas prateleiras atrás de si.

Não demorou muito para que ela juntasse algumas maquiagens e mostrasse cada uma delas, dizendo os pontos positivos de todas. Ela havia mostrado pelo menos três batons que, para Bruce, eram exatamente da mesma cor, assim como as sombras, mas ele decidira levar todas por precaução, já que ele conhecia o palhaço o suficiente para saber que ele gosta de ter opções.

— Volte sempre, Sr.Wayne.

— Espero não precisar — Ele comentou alto o suficiente para que ela ouvisse.

Bruce queria fazer tudo de uma vez, então assim que saiu da loja de cosméticos, decidiu ir em uma das lojas de terno/alfaiataria favoritas de sua persona de playboy. O lugar era extremamente elegante e tinha janelas enormes — o que havia sido um dos principais motivos de ele preferir o lugar, já que era bom o suficiente para ser visto como Bruce Wayne. Infelizmente, agora ele não queria ser visto por ninguém.

O milionário saiu do carro e olhou em volta antes de entrar na loja, sabendo que os paparazzis apareceriam no minuto que alguém o reconhecesse, então ele queria ser o mais rápido possível. As pessoas começaram a encará-lo e Bruce lembrou-se do porquê odiava ser uma celebridade. Seu alfaiate o cumprimentou e ele começou a olhar os ternos, incomodando-se ao não encontrar nenhum da cor desejada.

— Procurando algo específico, Bruce? — O alfaiate, Frank, perguntara ao vê-lo em dúvida.

— Um terno roxo — Bruce comentou, ainda olhando as roupas. Todas numa variação de preto e branco, todas algo que o Wayne usaria. Nada que agradasse o palhaço.

Roxo? — Frank arqueou a sobrancelha — Não sabia que gostava de usar cores...

— É pra... um amigo — O playboy dissera e o alfaiate assentiu.

— Tá bom — Frank dissera após alguns minutos de pausa, ainda engolindo a informação que Bruce Wayne tinha algum amigo que não fosse a si próprio — Tenho alguns ternos roxos, mas ficam lá atrás. Ninguém quer usar um terno roxo desde que o Coringa apareceu, então eu desisti de vendê-los.

— Posso ver? — Bruce perguntou e o alfaiate assentiu, seguindo para os fundos da loja. Em poucos minutos ele reapareceu segurando vários ternos roxos diferentes em tom e estilo, separando todos para que Bruce pudesse dar uma olhada em cada um deles.

— Por que seu tal amigo quer um terno roxo, especificamente? — Frank perguntou e Bruce teve de pensar em uma desculpa rápida.

— Ele não quer, é uma piada — Bruce não conseguia deixar de pensar no quão irônica a frase era.

— Ternos roxos caem muito bem com piadas — O homem com sarcasmo, mas com seriedade — Em fim, você tem as medidas dele? eu posso ajustar se quiser.

Bruce examinou os cinco ternos e decidiu que não levaria dois deles, pois eram escuros demais e o Coringa muito provavelmente não gostaria. Os outros eram de tons mais chamativos, mais o estilo do palhaço, mas Bruce não conseguia saber qual deles o agradaria mais. Havia um com um sobretudo, um com o blazer um pouco mais curto e o outro era simplesmente um terno.

— Acho que vai ser-... — Antes que Bruce pudesse terminar a frase, um flash chamou sua atenção, fazendo-o virar para encarar a câmera fora da loja. Ele grunhiu, os fotógrafos haviam sido mais discretos na loja de cosméticos.

— Cansado da fama? — Frank perguntou sorrindo e Bruce sequer o olhou — E então?

— Vou levar esses três.

Bruce suspirou ao lembrar que ainda teria de comprar coletes, sapatos e gravatas coloridas para agradar ao Coringa, que, obviamente, se recusaria a usar um traje completamente roxo.

———

O palhaço estava ansioso, ele mal conseguia esperar para vestir uma roupa decente. O vigilante trouxera três ternos, alguns pares de sapatos, gravatas, etc, para que o criminoso pudesse escolher. Claro que o Coringa reclamou de tudo o que ele trouxe com arrogância, mas precisava escolher um deles mesmo assim. Então, depois de horas só pra decidir qual era o "menos pior", ele fora se arrumar nos chuveiros.

Demorou muito. Bruce quase desistiu de usar o palhaço no plano, mas depois da longa espera, ele aparecera. Coringa estava com o terno e sobretudo roxo, uma camisa social preta por dentro, colete social amarelo, gravata borboleta verde e sapatos bem lustrados. Seu cabelo estava arrumado para trás, mas a parte traseira ficara um pouco bagunçada e ele estava com uma sombra preta bem esfumada e batom vermelho.

Bruce nunca admitiria em voz alta ou pra si mesmo, mas ele sentia falta de vê-lo assim. Ao perceber estar sendo encarado, o palhaço sorriu com malícia — o vigilante percebeu que também sentira falta desse sorriso vermelho, mas ele decidiu afastar o pensamento.

— Gosta do que vê? — Coringa piscou para o morcego e Bruce quase rolou os olhos — Já tem um plano?

Sim — Bruce o encarou para ter certeza de que ele estaria prestando atenção — Você vai chamar o Pinguim para algum lugar, encontrá-lo e fingir que ainda está no controle do submundo de Gotham. Quero que você amedronte-o, não deve ser difícil — O palhaço sorriu — E você precisa descobrir quem está trabalhando com ele e porquê, acha que consegue?

— Está me subestimando, Bats?

— Só não estrague tudo — Bruce disse, estendendo um telefone para o palhaço — Ligue para o Cobblepot, marque algum lugar. Isso vai surpreendê-lo.

— Ah, com certeza — Coringa riu só de imaginar a reação do Oswald, discando o número do homenzinho no telefone.

Pinguim acordou com o celular tocando e grunhiu, o homenzinho abriu os olhos com dificuldade, vendo as horas no relógio de pulso dourado que havia deixado na cabeceira da cama, grunhindo novamente ao notar o horário tardio. Cobblepot se levantou e foi até o telefone, atendendo-o sem muita educação.

— Quem é o filho da puta que tá me ligando de madrugada?! — Pinguim perguntou numa voz irritada, porém sonolenta. Oswald ouviu uma risada rouca do outro lado e estremeceu.

Ozzie, que demora pra atender, você sabe que eu odeio ficar esperando — O palhaço falou e só ouviu silêncio, Oswald já começara a suar só de ouvir sua voz.

— C-Coringa? — O homenzinho perguntou, o sono fora esquecido e ele estava totalmente acordado agora — O que você quer?

— Estava com saudades. Podemos nos encontrar pra conversar? — Coringa perguntou de forma direta, sequer demonstrando interesse na conversa — Diga um lugar.

— Sim! — Pinguim assentiu nervosamente, tentando soar como normalmente soaria, mas sem sucesso — Pode ser perto dos Píeres em Bleake Island?

— Claro. Só preciso que me diga mais uma coisinha — Coringa começou. Bruce arqueou a sobrancelha para ele, já que já haviam marcado um local, não havia mais nada para conversar — Eddie tá por aí?

— Eu não sei, acho que sim? — Pinguim dissera meio incerto, estava confuso, mas um pouco mais aliviado em pensar que talvez ele sequer soubesse que sua cabeça estava em jogo e quisesse conversar sobre o Charada por algum motivo aleatório.

— Ótimo! — Coringa disse de forma animada — Me encontre em Bleake Island em mais ou menos uma hora. Não me deixe esperando — O palhaço desligou, deixando o Pinguim com seus pensamentos. Coringa jogou o telefone de volta para o morcego, que o encarou esperando uma explicação.

— O que tem o Nygma? — Batman perguntou.

— Hm? nada, só queria saber como está um velho amigo — Ele sorriu inocentemente — Tá com ciúme?

Bruce grunhiu, já irritado, puxando-o pelo braço em direção ao carro.

— Rude!

Batman abriu a porta traseira do batmóvel e estava pronto pra simplesmente jogar o palhaço lá dentro.

— Opa, opa, opa! pera aí, pera aí! — Coringa reclamou, afastando-se o máximo que podia, mesmo com o Batman ainda segurando-o — Você não tá esquecendo de nada não?! — Ele apontou para a coleira — Porque, sabe, eu não quero morrer eletrocutado, não tem graça.

Bruce estava estressado, principalmente por ter feito tudo isso pelo palhaço, então sim, ele esquecera de ajustar o dispositivo. O vigilante puxou o Coringa pra perto e começou a mexer na coleira, desconectando-a da Batcaverna — ou seja, o palhaço só poderia levar um choque pelo controle que Bruce tinha, dando-o completa mobilidade pela caverna e fora dela.

O vigilante o largou e apontou para o carro, sendo xingado, mas obedecido. Coringa sentou em um dos bancos traseiros, no qual não poderia ver o Batman ou o caminho.

Bruce dirigiu até o local indicado. Estava escuro, chovia levemente e o Pinguim não havia aparecido ainda, então o Batman teve de escutar o palhaço cantarolando porque estava entediado. Bruce não estava prestando atenção quando o Coringa começara a falar com ele.

— Então... — O palhaço começou, já esteve nesse carro vezes o suficiente para saber que Bruce o escutaria — Se você pegar o Pinguim, vai me soltar, né?

— Você volta pra Arkham — Batman dissera e o outro respirou fundo.

— Mesmo se eu prometer ficar longe por uns tempos? — Coringa dissera e o morcego o ignorou — Você é tãããão chato.

Eles ficaram alguns segundos em silêncio.

— E se seu plano der errado e o Pinguim simplesmente me matar? — A ideia levou um sorriso aos lábios do criminoso — O que você faria? aposto que você abandonaria seu posto de morcego salvador da pátria.

Cala. A. Boca — O vigilante dissera de forma agressiva e o palhaço rolou os olhos. Bruce observou a movimentação e viu o Pinguim chegando mais dois capangas — Você tem que ir — Batman disse antes de abrir a traseira do carro para que o Coringa saísse.

— Me dá uma arma! — O palhaço saiu e o olhou pela janela do carro, e Bruce simplesmente o encarou — Você espera que eu vá sem nada?! sério? que falta de profissionalismo.

— Eu apareço se alguma coisa acontecer — Coringa o encarou incrédulo, mas decidiu continuar mesmo assim.

Pinguim estava longe o suficiente para que não visse o carro, então Coringa se aproximou com ambas as mãos nos bolsos do sobretudo. O homenzinho conversava distraidamente com os seus homens, olhando para as ruas a procura do palhaço, até que seus olhos pousaram para a figura que se aproximava com um sorriso cínico no rosto. Cobblepot estremeceu e sacou uma pistola, o que fez seus homens refletirem o ato.

Coringa riu e o outro criminoso o olhava como se visse a morte em pessoa. O palhaço quase não se lembrava do quanto gostava da sensação de causar medo. Ele tirou uma das mãos do bolso e acenou para o Pinguim.

— Oi, Oz — Ele dissera com um sorriso que chegava a ser macabro. Oswald não respondera, simplesmente permaneceu imóvel e tentara não tremer. Coringa começara a andar lentamente de um lado para o outro, os olhos dos outros homens acompanhavam cada ato seu — Que bom que veio, sabe, precisamos conversar.

— Ah, é? — Pinguim tentou soar controlado, mas soou exatamente o oposto.

— Sim,... eu fiquei sabendo de uns rumores maldosos ao seu respeito, muito maldosos. É claro que eu não acreditei, afinal, somos amigos, não é? — Coringa o olhou e seu sorriso sumiu por um segundo, antes de voltar — Mas, sabe como é, eu fiquei com aquela pulguinha atrás da orelha e decidi sair do meu... descanso... pra descobrir a verdade.

— É uma pena que tenha voltado — Cobblepot disse e o palhaço o encarou com o cenho franzido, fazendo-o pigarrear — Quer dizer, não que eu quisesse que você fosse embora, mas porque você merecia descansar e tudo mais...

— Hmm — O sorriso do palhaço sumiu e ele encarou-o com intensidade — Soube que você me quer morto.

— São só rumores, eu te garanto! não é, pessoal? — Pinguim perguntou aos capangas, que assentiram. Coringa fez uma longa pausa antes de falar novamente.

— Sério? então que bom que esclarecemos isso! — Coringa olhou para os capangas agora — Por que não abaixam as armas, rapazes? a não ser que eu seja uma ameaça pra você, Oz... eu sou uma ameaça?

Coringa encarou o outro criminoso e arqueou uma sobrancelha, Pinguim fez sinal para que seus homens abaixassem as armas e eles obedeceram. O palhaço queria rir e apontar o quão patético o homenzinho era.

— Agora me diga, amigo — Coringa se aproximou e apoiou seu braço na cabeça do Pinguim, guiando ele para que andassem enquanto conversavam — Quem espalhou um boato tão maldoso sobre você? quero eu mesmo matar essa pessoa. Soube que ela usou seu nome para demandar minha cabeça.

— E-Eu não sei.

— Ora, Pengy, não vai querer mentir pra mim agora, vai? — Coringa deu-lhe um leve tapa na cabeça. Se não estivesse chovendo, ele tinha certeza que o Pinguim estaria suando feito um porco — Porque eu soube que tem alguém por trás dessa, hm... mentira... toda.

— É... — Pinguim começou, mas hesitou e fez uma longa pausa, até que um sorriso se formou em seus lábios — Vai pro inferno, palhaço.

Coringa teria rido se não tivesse ficado tão confuso. Cobblepot acenou para alguém atrás do palhaço, que virou-se para seguir a linha de visão do homenzinho, encontrando uma silhueta que se aproximava pouco a pouco, mas estava completamente encapuzada — e estava escuro o suficiente para camuflar suas feições. A pessoa apontou uma pistola e atirou no estômago do palhaço sem hesitar, fazendo-o cair enquanto ria histericamente.

— Você me... enganou, Oz... — O palhaço dissera em meio a risadas e a falta de ar por causa da dor — Parabéns... você ainda é um covarde...

Pinguim o chutou, fazendo-o cuspir sangue. Coringa conseguia ouvir os passos se aproximando. O palhaço tentou se levantar, mas um dos capangas do Pinguim o segurou no chão com o pé.

— Ei, então, se foi você quem pegou ele, eu não preciso te dar meu dinheiro, preciso? — Oswald mostrava preocupação exagerada com o dinheiro.

A próxima coisa que o palhaço conseguiu ouvir foi alguém caindo e então o capanga retirou o pé. Coringa tentou levantar-se novamente e viu o Batman lutando contra alguém que mais estava desviando do que lutando, além dos capangas tentando dar algum auxílio, mas sendo bastante inúteis. O palhaço levantou-se com dificuldade, sangue pingando o suficiente para fazer uma pequena poça no chão, suas roupas empapadas, assim como a mão.

Batman não havia acertado o desconhecido nenhuma vez sequer, esta pessoa era ágil o suficiente para desviar de tudo. Ela afastou-se o bastante do morcego para conseguir respirar e dar uma boa olhada ao redor, procurando algo e correndo pra longe em seguida. Batman queria ter ido atrás da pessoa encapuzada, mas os dois capangas ainda o seguravam. Não demorou muito para que ele nocauteasse os dois, até que ele notou o que a pessoa estivera procurando e não havia achado: O Coringa.

Notas finais
Achei uma merda.