Notas iniciais
Não sei se eu gostei desse capítulo e achei ele meio OOC, mas em fim...

Nygma estava completamente concentrado no experimento que estivera fazendo quando ouviu batidas na porta e quase estragou tudo, xingando alto pelo ocorrido, afinal, ninguém sabia onde ficava esse esconderijo — este ele fazia questão de esconder, pois era nele que ficava quando não queria ser incomodado e, ironicamente, estava sendo. Um esconderijo não pode se chamar esconderijo se as pessoas podem encontrar. Eddie estava extremamente irritado.

O charada seguiu até a porta — que também devia estar escondida atrás de uma projeção, deixando o lugar parecendo uma parede simples, mas alguém encontrou mesmo assim — e olhou pelo olho mágico, encontrando um Coringa molhado e ensanguentado, ele estava uma bagunça completa. O palhaço bateu no lugar mais algumas vezes antes de Edward decidir abrir.

Nygma teria dito algo inteligente se o palhaço não houvesse caído sobre si assim que a porta fora aberta. Eddie levantou-se rapidamente para a porta e trancou-a, colocando a projeção novamente, olhando em volta para ter certeza de que ninguém viu. Coringa permanecia no chão, exausto demais até para tentar levantar.

— O que está fazendo aqui? — Nygma perguntou de forma séria, mas ainda ajudou-o a levantar.

— Senti saudade — Coringa sorriu e o Charada rolou os olhos, arrumando os óculos com a mão livre antes de levar o palhaço até o sofá — Preciso da sua ajuda.

— O que aconteceu contigo? — Eddie olhou a figura sentada no sofá, sem forças, roupas empapadas de sangue e a mão cobrindo o ferimento — E porquê você achou que eu, entre todas as pessoas, te ajudaria? acha que eu sou idiota?

— Ah, Eddie, querido... você não quer que eu responda com sinceridade, quer? — Coringa disse e segurou um gemido — Você vai me ajudar... porque eu te trouxe um presentinho.

Isto chamou a atenção do Charada, que sequer o havia olhado no rosto até o momento e agora tinha toda a sua atenção virada para ele, isso levou um sorriso ao rosto do palhaço.

— O que é? — Nygma perguntou, arrumando os óculos novamente antes de cruzar os braços.

— Um favor — Coringa sorriu novamente e Eddie franziu o cenho.

— Pra que diabos eu precisaria disso? — Ele perguntou e arqueou uma sobrancelha. Coringa conhecia Nygma o bastante para saber que ele era egocêntrico pra se imaginar auto suficiente — E quem te garante que eu não vou te matar agora e pegar a recompensa?

— O favor é pro que você quiser e você não vai me matar porque é inteligente — Coringa disse e o Eddie parecia pensar no assunto. O palhaço se sentiu ofendido, pois não era todo mundo que ganhava um favor do palhaço príncipe do crime. Mesmo assim, Ed era idiota o suficiente para fazer qualquer coisa desde que alguém massageasse seu ego.

— Tá — Nygma disse depois de uma pausa, sentando-se ao lado do palhaço — Saiba que eu vou cobrar.

— E eu vou cumprir, palavra de escoteiro... agora me ajuda — Coringa dissera e fizera o formato de um "x" no peito. Eddie se aproximou para tirar-lhe a parte superior do terno e o palhaço fez o máximo que conseguia para se afastar — O que tá fazendo?

— Te ajudando, ué — Eddie parecia confuso — Não quer limpar o ferimento? já tirou a bala pelo menos?

— Eu não... tava falando disso... — Coringa mostrou-lhe a coleira no pescoço — Era sua, então você consegue tirar sem me eletrocutar, não é?... urgh...

— Quem te colocou isso? — Nygma perguntou, parecia ainda mais confuso. Ele não recebeu uma resposta, então decidiu ignorar, olhando o objeto no pescoço do outro. Era uma coleira que ele havia criado para a mulher-gato, não era nada pessoal contra ela, mas o morcego precisava de um incentivo para levá-lo a sério — E que papo é esse de eletrocutar? ela deveria explodir sua cabeça...

— É, mas ele fez umas mudancinhas — Coringa sorriu e tossiu, gemendo em seguida — Pode tirar?

— Claro que eu posso, mas você tem certeza de que não é melhor cuidar do ferimento primeiro? — Eddie perguntou, levantando a roupa do palhaço para dar uma olhada e fazendo uma careta em seguida — Parece bem feio.

— Não, ele pode... ah! estar rastreando — O palhaço dissera e Nygma sorriu triunfante — O que foi?

— Meu esconderijo é bloqueado, seja lá quem for, não vai conseguir rastrear nada até aqui — Eddie dissera e fora a vez do palhaço de rir.

— Seja rápido mesmo assim — Coringa dissera e seu sorriso sumiu, transformando-se numa careta dolorida.

— Talvez demore... — O palhaço sequer respondera — Tá bom. Se pegar uma infecção, não me culpe.

Eddie desapareceu pelo apartamento na procura das ferramentas necessárias para retirar a coleira — sem eletrocutar o palhaço — e não demorou muito para voltar com uma pequena caixa e sentar-se novamente ao lado do Coringa, que permaneceu em silêncio o tempo inteiro, por incrível que pareça.

Nygma começou a destravar a segurança da coleira para que o choque não ocorresse de maneira nenhuma e, depois, começar a destrancar os mini-cadeados que seguravam-na no lugar. Edward estava orgulhoso de si, pois havia demorado menos do que esperava, então sorriu triunfante quando o objeto saiu, analisando-o com cuidado para tentar obter qualquer informação sobre o morcego que ela agora possa oferecer.

Eddie estava pronto para se levantar quando ele percebeu que o Coringa estava de olhos fechados. Nygma preocupou-se um pouco com o fato de que o palhaço pudesse ter morrido, já que ele teria de jogar um bom sofá fora.

— Coringa? — Charada chamou, mas não houve resposta. Nygma colocou dois dedos abaixo do nariz do palhaço e sua respiração estava fraquíssima — Ah, fala sério, não morre aqui.

Eddie colocou uma mão na testa do palhaço e notou a febre, deixando-o um pouco aflito sobre o que fazer. Nygma se levantou e foi atrás de antisséptico, bandagens e qualquer coisa que pudesse ajudar, antes que o Coringa morresse de verdade. Eddie começou a tirar-lhe as roupas, até que o palhaço abriu os olhos levemente, eles não estavam focados e ele parecia confuso.

— Oi! — Eddie falou animadamente — Você vai ter que me ajudar agora... eu vou tirar sua roupa e tentar te ajudar a não sangrar até a morte... não feche os olhos, entendeu?

Coringa não reagiu, fechando os olhos em seguida. Nygma segurou-lhe o rosto com as duas mãos e olhou-o nos olhos.

— Não feche, entendeu? — Coringa assentiu dessa vez — Ótimo.

———

Estava amanhecendo quando Bruce começou a aceitar a ideia de que o palhaço havia fugido e provavelmente estaria morto em poucas horas se não recebesse o tratamento adequado. Ele não conseguia entender como um homem ferido conseguia despistá-lo e até hackear — ou quebrar, Bruce não fazia ideia — a coleira, já que o rastreador não estava funcionando.

Batman havia seguido uma pequena trilha de sangue que o Coringa havia deixado, mas ela era bem curta, a chuva não ajudava, e não havia nenhuma outra pista a seguir.

Bruce suspirou em frustração e percebeu estar mais preocupado do que deveria. E daí que ele fugiu? e daí que ele foi baleado? ele já ficou ferido antes e pode se cuidar muito bem sozinho. Bruce dizia a si mesmo, mas não estava nem um pouco convencido, pois em todas as outras vezes ele teria uma gangue para a qual voltar — eram confiáveis? não, mas tinham medo e recebiam pelo trabalho, e agora eles tinham outro chefe e esse chefe o queria morto.

O vigilante tentou tirar a ideia de que o Coringa estava em perigo, já que ele sequer pensou mais de uma vez antes de abandoná-lo — abandoná-lo? fugir. Bruce decidiu parar de procurar e voltar para a Batcaverna e tentar descobrir o que houve com a coleira e se há alguma maneira de rastreá-la.

———

— Seu namorado tava aqui fora de novo, fala sério — Nygma reclamou enquanto olhava pela minúscula janela. Coringa riu de leve.

O palhaço estava deitado no sofá do Charada, seu blazer, seu colete, gravata, etc foram descartados por motivos óbvios e ele estava enfaixado porcamente, mas Eddie até que havia feito um bom trabalho, se levar em consideração que ele nunca havia costurado outra pessoa.

Nygma notou o Batman rondando várias e várias vezes, provavelmente atrás do Coringa, mas não sabia o motivo e tinha certeza que o palhaço não responderia se fosse perguntado, então simplesmente ignorou tudo, já que se — se — um dia ele precisar, o palhaço vai ter que se prestar o serviço.

Coringa já havia até mesmo dormido por algumas horas, coisa que o Charada considerava lucro se você souber do problema que o palhaço tem com o sono. Mas quando o Ed mandou-o dormir novamente, ele recusou-se, então ele não insistiria.

Eddie — Coringa gemeu e o Charada arqueou a sobrancelha — Seja um bom garoto e me traga algo pra vestir.

— Acho que isso conta como dois favores — Eddie comentou enquanto saía do cômodo.

— Nada verde ou com pontos de interrogação! — O palhaço exigiu e, por mais que ele não pudesse ver, sabia que Ed estaria rolando os olhos.

Coringa esforçou-se para levantar, gemendo baixinho enquanto o fazia, aproveitando para dar uma boa olhada no apartamento do Eddie: simples, pequeno e charmoso, como o dono. O palhaço riu pra si mesmo. Coringa notou o jornal na mesa de centro e decidiu ler enquanto esperava o Nygma encontrar alguma roupa sem interrogações — ia demorar um pouco, já que o senso de moda dele era ridículo.

O palhaço estava pronto para ficar entediado com as noticias chatas e entediantes do jornal — já que ele não estava nele — até que algo chamou-lhe atenção e ele sorriu de orelha a orelha.

— Eu só achei esse moletom aqui, então não reclama — Eddie dissera ao voltar ao cômodo e encontrar o palhaço sorridente olhando para o papel, ele arqueou a sobrancelha — Não sabia que lia os jornais.

— Não leio, querido Eddie — Coringa comentou, olhando-o ainda com um sorriso enorme — Você sabe como eu odeio despedidas, então eu simplesmente vou embora... surgiu um assunto importantíssimo pra mim.

— E qual o motivo pra tanta felicidade? — Nygma perguntou, assistindo-o enquanto ele vestia o moletom com um pouco de dificuldade — Pensei que ainda queriam a sua cabeça.

Au revoir, Eddie — Foi tudo o que o Coringa respondeu antes de beijá-lo fortemente no rosto, ele sabia o quanto Ed odiava isso, e sair do lugar apressadamente.

Nygma esfregou o rosto — que ele sabia estar sujo de batom — e pegou o jornal que o palhaço estivera olhando, não entendendo o alvoroço mesmo após ler a matéria: "Bruce Wayne e a moda dos ternos roxos". Eddie ficou confuso, decidindo que nunca entenderia esse perfeccionismo do Coringa com suas roupas.