Notas iniciais
Eu demorei pra caralho, eu sei e eu peço desculpas por isso, mas é que eu tenho altos e baixos e eu fiquei bem deprê nesse final de ano e etc, mas hoje eu me senti animada o suficiente para tentar reviver e terminar essa fanfic. Eu espero que ainda haja pessoas lendo e gostando. Aliás, os comentários de vocês são muito amor ♥ muito obrigado pelo carinho e apoio, me desculpem pelos que eu não respondi, mas é que não dá pra fazer isso agora (mas eu leio cada um dos comentários ♥). E mais: como faz tempo e eu tenho vergonha de ler o que eu escrevo, é provável que tenha algo de errado na estória, umas doidera bem louca (me avisem), mas tá aqui.

Horas se passaram desde a última coisa que ele conseguia lembrar. Coringa sabia disso pelos protestos de seu corpo depois de tanto tempo em uma mesma posição. Ele não abriu os olhos, apenas sentiu o ambiente e rapidamente soube onde estava devido ao frio e o desconforto no lugar ao qual estava deitado.

O palhaço se esforçou para levantar e logo se arrependeu da decisão, voltando a sentar e colocando as mãos sobre o rosto, ele estava suando frio e estava incrivelmente tonto — consequência do maldito tranquilizante. Ele abriu os olhos novamente, mas tudo o que conseguia ver eram borrões que alternavam em desfocar e focar.

Coringa esperou alguns minutos para que os efeitos do sedativo passassem, até que sentiu algo molhado no estômago. Ele não precisou olhar para saber que estava sangrando de novo. O palhaço não precisou se esforçar muito para levantar da segunda vez, já que o tranquilizante ainda estava no seu organismo e ele mal conseguia sentir a dor do ferimento.

Caminhando cambaleante até a porta, ele sequer precisou encostar nela antes que o Morcego-Salvador-da-Pátria entrasse na... cela? — ele ainda não sabia como chamá-la — e o empurrasse contra a parede. Coringa soltou uma respiração dolorosa e encarou o morcego.

— Sentiu saudade? — Ele perguntou com um sorriso e Bruce queria socá-lo por ele ter fugido com um ferimento e se colocado em perigo, mas queria abraçá-lo por não ter sido morto durante esse tempo... e essa sensação deixava o vigilante extremamente assustado.

— Onde esteve? — Bruce perguntou, mão na garganta do palhaço, impedindo-o de se mexer.

— Isso não é da sua conta, morceguinho — Coringa disse e segurou um gemido.

— Me responda! — O vigilante socou a parede ao lado do rosto do palhaço e literalmente gritou, surpreendendo a ambos, já que Bruce nunca havia demonstrado tanto descontrole emocional antes, mesmo que já tenha chegado bem perto. Coringa estava com os olhos arregalados, mas antes que pudesse fazer algum comentário irônico, ele acabara cuspindo um pouco de sangue, que fez com que o morcego o soltasse rapidamente — ...O quê...?

Coringa caiu de joelhos apos ser solto, colocando a mão no estômago sob a blusa — que antes era branca — empapada de sangue. Ele tentou se levantar novamente, mas não conseguiu. Batman se ajoelhou e levantou-lhe o rosto. Bruce se lembrava das bandagens sujas que o palhaço havia trocado em seu banheiro, ele se lembrava da quantidade de sangue — tanto antes, como agora — e tinha certeza que hora ou outra o palhaço começaria a alucinar.

Bruce tentou ajudá-lo a levantar colocando o braço do palhaço sob seus ombros, mas não ajudou muita coisa, já que, mesmo sendo leve, ele parecia um peso morto. O vigilante levantou-o de vez com os dois braços e o levou para a "enfermaria" da batcaverna — normalmente o lugar onde ele e o Robin eram costurados ou precisavam de algum tipo de cuidado — colocando-o deitado.

— Batsy... onde você...? — Coringa começou, mas não conseguiu terminar a sentença. Bruce imaginou que ele estava mal o suficiente para não conseguir sequer discernir o lugar onde estava, então ele achou seguro chamar o Alfred, que tinha bem mais experiência costurando pessoas do que o próprio Bruce, que não confiava em si mesmo nessa situação.

Alfred não hesitou, mesmo quando o próprio bilionário pensou em mudar de ideia, Alf decidira que deixá-lo morrer os tornaria iguais a ele — mas era uma desculpa para salvar o palhaço, já que o mordomo não era cego e podia perceber o clima de seu patrão mudando ao redor do criminoso, o que era preocupante, mas mesmo assim ele odiaria ver seu filho de coração partido, pois, por mais que ele não admitisse, era extremamente sensível em relação a este tipo de coisa.

Coringa mal tinha consciência, mas assustou-se ao ver Alfred e implorou por não sedativos, mesmo que fossem necessários. Vez ou outra o palhaço murmurava palavras aleatória, como Arkham, Harley ou até Bats, mas não demorou muito para que ele adormecesse de verdade e parasse de tagarelar porcarias.

Alfred, como sempre, fez um bom trabalho arrumando o que o açougueiro ao qual o palhaço havia pedido ajuda havia feito. O mordomo queria aconselhar Bruce, mas decidiu que sua opinião não faria diferença para o jovem Wayne, então se retirou assim que terminou, deixando um Bruce preocupado com o palhaço desacordado.

———

— Edward Nygma! — Pinguim gritou ao quebrar a parede do apartamento do Charada.

— Mas que porra?! — Nygma perguntou indignado ao ver o estrago que o Cobblepot havia feito com uma bazuca. Eddie havia trabalhado tanto no seu sistema de camuflagem e agora tudo se foi por causa do Coringa e do Pinguim. Ed sabia que não devia ter se metido nessa história — Você podia ter ligado! ou batido! ou qualquer coisa, menos destruir minha droga de esconderijo! olha só essa bagunça! quem vai arrumar isso aqui?

— Cala essa maldita boca, Nygma! — Oswald disse sem paciência, entrando com seus capangas armados ao seu lado, todos apontando suas armas para o Charada — Onde está aquele crápula?

— O quê? de quem diabos está falando? — Nygma perguntou, sem se amedrontar com as metralhadoras.

— Seguinte, Eddie... eu não tenho nada contra você — Pinguim começou — Mas o meu tá na reta e o seu também vai estar se você não entregar ele...

— Ugh — Ed reclamou, mas preferia ficar neutro, então se ele ajudasse o palhaço e entregasse ele, isso o deixaria imparcial, além disso, ele não tinha nada a perder — Primeiro quero um esconderijo novo.

— Mas é claro — Pinguim disse e juntou as mãos — Pela informação certa.

— Ele foi atrás do Bruce Wayne, muito provável — Eddie disse, checando as próprias unhas com desinteresse — Estava interessado em uma matéria de jornal que falava sobre ele.

— Hm... — Pinguim pareceu considerar a informação — E o que mais?

— Ele estava ferido — Eddie comentou com um sorriso que se forçava a formar-se em seus lábios — E, como eu sabia que alguém viria atrás dele, coloquei um rastreador extremamente difícil de se perceber em seu ferimento...

Pinguim abriu um sorriso de orelha a orelha e riu triunfante com seus capangas, abraçando Eddie de uma forma bem esquisita devido a extrema diferença de altura. Nygma afastou-se rapidamente e limpou as próprias roupas com repulsa.

— Em fim... — Nygma começou e pegou um aparelho do tamanho de um celular do seu bolso — A localização tem um preço...

— Um esconderijo novo, eu já ouvi! — Cobblepot dissera e tentara alcançar o dispositivo, que fora tirado de seu alcance pelo Ed.

— Não, meu querido amigo pássaro não-voador — Eddie falara com um sorriso cínico — O esconderijo era pela informação, pelo dispositivo é outra coisa...

— E o que seria isso? — Pinguim já se encontrava irritado.

— Metade dos seus lucros com seus clubes, tráficos e essas outras porcarias que mafiosos, gangsters... sei lá o que você é, fazem — Eddie dissera — E se, por algum acaso, eu morrer ou sofrer um acidente... ainda tenho formas de destruir o aparelho.

— Ora, seu desgraçado! maldito! — Pinguim gritara para Eddie, mas lembrava que era a sua vida em jogo — Feito! me dá essa porcaria!

— Com prazer — Eddie dissera ao estender-lhe o aparelho.

———

Bruce acordou depois de vários minutos e notou que havia cochilado enquanto vigiava o palhaço. O vigilante arrumou sua postura e levantou o olhar, percebendo um par de olhos verdes encarando-o com curiosidade e um meio-sorriso em um rosto doentiamente pálido. O morcego sentiu algo engraçado no estômago ao pensar em quanto tempo o outro estivera encarando-o.

— Preocupado? — Coringa perguntou e sua voz estava tão... estranha... não tinha o mesmo entusiasmo cínico, irônico e cruel ao qual Bruce estava acostumado. Parecia uma pergunta genuína e o palhaço parecia uma criança ansiosa para receber sua gratificação.

— Sim — Bruce respondeu com sinceridade e sentiu um peso sair de seus ombros — Eu procurei você em todo lugar... achei que estivesse morto.

Coringa riu.

— Bruce Wayne — Coringa interrompeu as risadas e Bruce o encarou com seriedade — Vocês tem várias coisas em comum, sabia?

Foi a vez de Bruce rir, surpreendendo o palhaço, que juntou-se a rir.

— Tipo o quê? — O vigilante perguntou, mas, por incrível que pudesse parecer, ele não se sentia conversando com um inimigo, mas sim com um amigo íntimo, ao qual você se sente confortável mesmo num silêncio incômodo.

— Os dois só usam preto — O palhaço dissera e eles riram juntos por mais alguns minutos até que o Coringa parou de repente — O que vai acontecer depois?

— Depois? — Bruce franziu o cenho, mesmo que o outro não pudesse ver devido a máscara.

— Depois disso tudo... depois que eu não tiver mais preço ou alguém me matar — Coringa dissera, olhando os próprios pés como se fossem a coisa mais interessante do mundo e, por um momento, Bruce podia jurar que ele estava triste.

— Você vai... — "Para Arkham" era o que Bruce deveria dizer, mas mesmo repetindo tantas vezes, nem ele conseguiria acreditar mais nisso — Receber tratamento psicológico adequado. Aqui.

Coringa virou-se para encará-lo com os olhos arregalados e cenho franzido, como se Bruce viesse de outro planeta.

— Essa piada não tem graça — O palhaço dissera, a expressão surpresa sedendo lugar à raiva.

Bruce abriu a boca para falar, mas antes que ele pudesse explicar sua proposta, explosões foram ouvidas pela caverna e ele levantou-se de supetão, acompanhado pelo palhaço.

— Fique lá — Bruce ordenou.

— Vai se foder — Coringa dissera enquanto continuava seguindo o cavaleiro das trevas em direção aos sons.

O vigilante não demorou muito para encontrar a origem dos sons: estava vindo do lado leste da caverna, estremecendo o lugar inteiro, até que uma escavadeira ridiculamente grande abrira caminho para dentro, deixando ambos Bruce e Coringa atônitos, já que ninguém deveria ser capaz de encontrar o lugar.

Pinguim desceu da escavadeira com a ajuda dos seus paus-mandados e aproximou-se com um sorriso imbecil, um charuto em uma das mãos e o guarda-chuva na outra. Ele deu uma tragada antes da porta de sua escavadeira abrir novamente, revelando uma moça alta, com a pele levemente esverdeada, cabelos avermelhados e folhas de hera enrolados por todo o seu corpo. Ele caminhou elegantemente até o Cobblepot e, a cada passo que dava, crescia uma flor atrás.

Antes que algum deles pudesse questionar a presença de Hera venenosa, outra pessoa se aproximou, desta vez por trás do homenzinho, que sequer viu a arma ser apontada para a sua cabeça antes de levar um tiro, surpreendendo a todos no lugar.

— Não preciso mais de você, Bolopot! — Arlequina disse e chutou o corpo sem vida de Oswald antes de voltar o seu olhar para o Coringa — Olá, Pudinzinho!