Onde está o palhaço?! — Vociferou a voz no telefone — Eu te dei bastante tempo, idiota, estou ficando impaciente.

O parceiro — se é que se podia chamar assim — do Pinguim estava ficando cada vez mais agressivo e frustrado, mas Oswald nada podia fazer em relação ao problema dele com o Coringa. Cobblepot massageou as têmporas antes de responder, tentando pensar em uma resposta adequada.

— Não sei onde ele está, tá bom? nós colocamos um preço bem alto pela cabeça dele, grudada ou não ao corpo, mas eu não posso fazer mais nada — Pinguim dissera e quase conseguiu sentir o olhar sanguinário do seu colega — Ele deve ter se escondido muito bem, ninguém conseguiu achar ele ainda...

Ele não está nos esconderijos antigos — Seu colega dissera, parecendo ter se acalmado um pouco, pensando com mais coerência — E o Batman?

— O que tem ele? — Cobblepot arqueou a sobrancelha, sequer estivera pensando no morcego desde a última vez que ele apareceu e isso até o surpreendeu. Talvez estivesse se sentindo seguro demais com esta pessoa agarrada ao seu pescoço.

Ele apareceu? fez mais perguntas? — A voz parecia urgente, como se tivesse adivinhado algo — Acho que ele sabe de alguma coisa.

— O que está sugerindo? que o Batman escondeu o palhaço?! — Pinguim começou a gargalhar alto, parando apenas alguns bons minutos depois — Uff... Batman pode ser doido, docinho, mas eu duvido que ele apostaria o próprio pescoço confiando no Coringa.

Silêncio. Pinguim não ouviu uma resposta por uma longa pausa, mas não desligou.

Então trate de achá-lo.

Foi a última coisa que Oswald ouviu antes da linha ficar muda. É, ele teria problemas.

———

Com o passar dos dias, a investigação do Batman não havia tido grandes avanços, infelizmente. Pinguim sempre fora um imprestável e nunca fora um dos criminosos mais espertos quando se trata de esconderijos, mas desta vez ele tinha ajuda e esta pessoa parecia saber muito bem o que estava fazendo. Bruce sentia-se frustrado e não conseguia pensar direito, principalmente porque, além da investigação, ele ainda tinha que lidar com o palhaço homicida.

Bruce não se considerava uma pessoa muito abalável — dependendo da situação — mas não conseguia esquecer o que o criminoso fizera, mesmo que ele tenha tentado convencer-se de que apenas ficou surpreso, seu subconsciente discordava. O Coringa, por outro lado, agia como se tivesse feito algo perfeitamente comum entre eles. Bruce até mesmo achou que havia sido apenas mais um provocação, mas depois chegou a conclusão que o palhaço poderia realmente ser tão obcecado pelo Batman que desenvolvera algo romântico, ou o que ele achava ser romance.

O pensamento causou-lhe náusea. Algo assim não podia ser saudável, principalmente por causa do quanto o vigilante e o criminoso sempre se odiaram — e até admiravam — mas o que tinham era completamente baseado em violência e desprezo, sentimentos que fossem diferentes de repulsa ou raiva não faziam sentido. Ainda assim, Bruce encontrava-se sentindo algo que não conseguia nomear pelo palhaço, talvez simpatia.

Bruce decidiu que ignoraria o Coringa — e o fez, por uma semana ou quase — e o palhaço acabara ficando muito irritado sem a atenção do morcego, mas isso já era algo comum. O vigilante também fizera o palhaço tomar todos os comprimidos, ameaçando-o com tranquilizantes — Coringa os odiava o suficiente para obrigar-se a tomar os remédios.

Bruce poderia até mesmo dizer que fizeram um pouco de progresso.

Batman estava aprimorando alguns equipamentos do carro enquanto pensava no que faria para chegar até o Cobblepot, mas nada vinha a sua mente, então o máximo que ele podia fazer era esperar que o Pinguim agisse.

Batsy — Coringa o chamou melodicamente, tirando o vigilante dos pensamentos. Bruce largou o dispositivo que estava prestes a instalar no carro e virou o rosto para encará-lo — Sabe, ficar encarando o nada faz um homem pensar, e eu estive pensando que talvez eu pudesse te ajudar a pegar... o...? — Ele franziu o cenho.

— Cobblepot — Bruce informou.

— É, isso — Coringa rolou os olhos. Ele sequer lembrava de quem o queria morto — Você sabe que eu conheço o Pinguim, somos praticamente amigos, eu poderia ajudar...

Bruce o ignorou.

— Fala sério, só me deixa sair daqui por 5 segundos — Coringa dissera depois de alguns minutos em silêncio com o cenho franzido — E eu realmente posso ajudar. Eu poderia, sei lá... ser uma isca, ele viria até você se soubesse que eu tô aqui, bem... ele não, aquele gordo covarde, mas se ele enviasse alguém, conseguiríamos informação.

O vigilante já havia pensado nisso, mas o Coringa é instável e perigoso demais para sair ou seguir um plano. Bruce não confiava nem um pouco no palhaço para fazer qualquer tipo de parceria temporária. O criminoso, surpreendendo o morcego, ajoelhou-se e segurou-lhe as mãos de forma teatral.

— Por favor! eu vou me comportar e ser seu bichinho de estimação perfeito! — O Coringa estava implorando e Bruce arqueou a sobrancelha. Claro que tudo isso podia ser uma mera encenação, mas o próprio vigilante já se sentiu enfadado ao passar tempo demais na Batcaverna, então ele se viu obrigado a acreditar. Mesmo assim, o palhaço ainda não era confiável.

Batman puxou suas mãos bruscamente, retirando-as do alcance do palhaço, que permanecia do mesmo jeito, com olhos suplicantes. Céus, Bruce nunca o vira tão diferente antes: Seus olhos verdes cobertos de olheiras escuras, cabelos desgrenhados, o rosto mais pálido que o normal por causa da falta de maquiagem, seu rosto não estava distorcido em um sorriso sádico e, principalmente, a falta de cores chamativas das quais ele era tão acostumado, ele quase parecia ter um pouco de humanidade em si, se ignorasse a aparência.

Se Bruce havia estranhado tanto, para o palhaço devia ser uma tortura sem tamanho, principalmente por ele ser alguém que adora ser o centro das atenções.

— Como vou saber que não está me enganando pra conseguir o que quer? — Bruce dissera, mas ele saberia. Ele poderia ver os batimentos do outro pelo modo detetive, mas ele queria ouvi-lo dizer alguma coisa.

— Porque eu estou pedindo com educação — Ele sorriu esperançoso, mas o vigilante sequer piscou — O que você quer que eu diga? que eu não vou tentar fugir? eu vou, você sabe, mas eu tenho essa merda de coleira e você vai me achar.

— Você poderia tirá-la.

— Você me disse que eu seria eletrocutado se tentasse, então você tem vantagem sempre.

Bruce pensou um pouco mais e, mesmo com sua consciência alertando-o sobre o perigo disto, ele tomou a decisão da qual sabia que se arrependeria.

— Certo-...

— Sério?! — Coringa o interrompeu e levantou-se animadamente.

— É,... você será uma isca. Suponho que você tem um jeito de contatar o Pinguim? — Bruce perguntou de braços cruzados.

— Óbvio — O palhaço rolou os olhos.

— Preciso pensar em um plano — Batman comentou em voz alta inconscientemente, arrependendo-se em seguida.

— Ugh, deve ser um horror viver nessa sua cabeça lenta, quase começo a achar que gosta de me ter aqui — Coringa disse e cruzou os braços — Eu tenho um plano.

— Não confio em você, muito menos nos seus planos.

— Estou tão magoado, Bats — O palhaço disse — Cá estou eu, pronto pra dar meu sangue por você...

— Quando chegar a hora, eu aviso o plano.

— Claro, claro — O Coringa abanou com a mão, perdendo o interesse no assunto rapidamente — Então, o que vamos comprar primeiro?

— Comprar? — O palhaço gargalhou com a ingenuidade do morcego.

— Ou o quê? você espera que eu saia assim? você acha que eu apareceria assim pra alguém? — Ele ainda ria — Não me leve a mal, amor, mas preto não é a minha cor e calças de moletom não é o meu estilo. Sugiro que comecemos com o terno...

— E você espera que eu te leve pra comprar roupas? — Bruce dissera e o palhaço rolou os olhos.

— Eu posso ir sozinho, se preferir — Ele sorriu — Aliás, você nem ia precisar gastar seu precioso dinheirinho de morcego e seria bem mais divertido.

Bruce cruzou os braços novamente.

Ou... você poderia ir sem essa máscara — O palhaço se aproximou e apontou o dedo para o nariz do morcego — E tentar a sorte em achar algo que eu goste.

Coringa sorriu ao notar a irritação do Batman ao perceber que ele estava certo. O vigilante suspirou e assentiu.

— Sem ternos pretos — O Coringa avisou-o e encarou-o com o cenho franzido — E não esqueça da maquiagem.

— Sério? — Bruce o olhou incrédulo.

— Mas é claro — O palhaço olhou-o como se tivesse sido ofendido — Vou esperar ansiosamente para que me conte seu... plano... e, claro, se não conseguir arranjar um, eu estou sempre disposto a contar o meu.

Não — Coringa deu de ombros.

Bruce sabia que não devia fazer isso, mas já havia passado tempo demais e ele não sabia se conseguiria manter a razão com o palhaço por perto, ele estava desesperado para achar uma maneira para que a proposta do Pinguim saia de jogo.

Notas finais
Sei lá, talvez o próximo capítulo saia rápido.