Notas iniciais
Oi. Eu demorei muito pra postar? posso tentar mais rápido se vocês quiserem e tal (mas eu não prometo pq, eu acho que já disse antes, minha percepção de tempo é ridícula).

As ruas sujas de Gotham estavam incrivelmente calmas se o palhaço levasse em consideração com o que estava acostumado. Ele andava e via criminosos que sequer chegavam a seus pés hesitarem em se aproximar — ele se perguntava se o haviam reconhecido ou apenas não estavam acostumados a encontrar alguém que não demonstrasse medo — e parou na frente da loja clandestina de armas.

Ele precisava de uma arma, uma faca, qualquer coisa, mas se entrasse no local, seria reconhecido e muito provavelmente morto, então esfregou o rosto com as mangas do moletom até conseguir tirar a maquiagem — ou boa parte dela, ele nem mesmo sabia como estava a própria aparência e isso o incomodava bastante. Ele estava com o capuz levantado para esconder a cor incomum do cabelo.

Coringa entrou e deu uma boa olhada ao redor, e notou o homem — dono do lugar — encará-lo com desconfiança. O palhaço fingiu estar alheio a situação, procurando algo que ele julgasse necessário. O homem levantou-se de sua cadeira, ele estivera ilustrando uma faca de caça que chamara sua atenção, fazendo-o encará-la.

— Não vendemos drogas — O dono dissera, ele era bem mais alto que o Coringa, mais alto até que o Batsy, mas o palhaço nunca se impressionara fácil — Dá o fora.

Ele se sentiu ofendido — muito ofendido — e queria fazê-lo pagar por dizer aquilo, mas ele precisava tanto de uma arma que forçou-se a engolir a situação. O palhaço sorriu de leve, tentando não parecer uma ameaça.

— Não uso drogas — Coringa comentou, voz dócil, voltando a olhar a faca de caça — Ela é linda, sua faca... está a venda?

Não — O homem a guardou no bolso traseiro, sentando-se de novo — O que você quer? não tenho o dia todo.

Coringa apoiou-se no balcão improvisado do lugar, olhando o estoque que ficava atrás do grandão. Ele viu metralhadoras, pistolas, escopetas de cano serrado e várias armas brancas, nenhuma era tão bonita quanto a que estava no bolso do dono da loja. O palhaço apontou para uma metralhadora e sorriu para o homem, que pegou-a e a colocou no balcão.

O criminoso pegou a arma e segurou, testando o peso e demonstrando pouco interesse. Ele a colocou de volta no balcão.

— Uma pistola, qualquer uma — Coringa pediu e o homem pegou uma das várias, entregando. O palhaço testou o peso e apontou-a tanto com uma mão quanto com as duas — Ótima... quero balas e um silenciador.

— O dinheiro primeiro — O homem ordenou e o palhaço riu divertido.

— Você não acha que eu vou te passar a perna, acha? você é o dobro do meu tamanho, poderia me quebrar inteiro... — Ele disse sorrindo e isso pareceu convencer o homem. Coringa achava engraçado como os homens eram facilmente manipuláveis quando tinham o ego massageado... ou talvez fosse só o seu charme.

O dono da loja entrara em uma porta nos fundos e não demorou muito até trazer uma caixa de balas e um silenciador, pegando a arma das mãos do palhaço e colocando ambos nela. O homem, então, apontou a arma para o lado e atirou duas vezes, mal conseguiram ouvir os tiros, entregando-a de volta para o palhaço, que a examinava cuidadosamente.

— Pode testar se quiser — Ele comentou.

— Adoraria testar — Coringa então apontou a arma para ele e atirou na cabeça, aproximando-se do corpo em seguida e empurrando-o com o pé para que pudesse pegar a faca de caça — Obrigado — O palhaço dissera antes de dar dois leves tapas no corpo.

Era bom saber que não estava enferrujado.

Coringa saiu do lugar e, como ninguém ouviu os tiros, ninguém sequer o olhou. Ele notou um carro estacionado cujo motorista estava distraído com sabe-se lá o quê e entrou. O rapaz virou-se para encará-lo e expulsá-lo, mas seu rosto encontrou o cano de uma arma e um sorriso maldoso que o fez engolir em seco.

— Para a mansão Wayne, por favor — O palhaço sorriu e o outro não hesitou em obedecer.

Entrar na mansão foi surpreendentemente fácil para o palhaço, pois, pelo visto, Bruce Wayne era diferente de todos os outros ricaços de Gotham e não contratava vários seguranças para sua propriedade. Coringa se perguntava porquê. O criminoso caminhou calmamente pelo jardim da frente, apreciando a vista do lugar que — por um milagre, talvez? — não era preto.

Ao chegar na entrada, ele ficou chateado em ter de aparecer assim, sem maquiagem e com um moletom ridículo do charada. Coringa abaixou o capuz e bateu na porta várias vezes antes de ser atendido por um mordomo que pareceu mais surpreso do que aterrorizado em vê-lo.

— Desculpe incomodar, senhor...? qual seu nome mesmo? — O palhaço perguntou, arma apontada para o outro, que passou a encará-lo com indiferença. Coringa tinha certeza de ter lido o nome do mordomo de Bruce Wayne em algum lugar, mas não era algo importante o suficiente para lembrar.

— Alfred — O mais velho dissera, voz perfeitamente normal. Coringa ficou um pouco irritado em perceber que ele não parecia levá-lo a sério.

— Então, onde está o seu patrão, Alfie? — Coringa entrou e colocou seu braço sobre os ombros do mordomo, arma apontada para a lateral da cabeça dele enquanto andavam — Eu e ele precisamos conversar.

———

Bruce estava nervoso. Ele não admitiria, mas estava nervoso. O bilionário estava sentado em sua mesa na empresa Wayne, usando um terno roxo — ele teria de arranjar uma desculpa para as matérias, não teria? — que ficava péssimo nele, não ouvindo sequer uma palavra que saía da boca de Vicky, a jornalista com a qual saíra há algum tempo atrás, a sorte dele é que ela sabia diferenciar bem a carreira da vida pessoal.

A moça estava em seu escritório a trabalho e ele — como o playboy narcisista que sua persona é — não poderia recusar o pedido de uma amiga, principalmente para fazer uma matéria sobre si que não fossem especulações. Bruce às vezes se pegava odiando sua vida verdadeira, como se ele fosse o Batman e não o Bruce, e isso estava-o preocupando. Se continuasse assim, acabaria como o palhaço: um maníaco fantasiado sem identidade.

Bruce sorriu e assentiu para algo que a garota dissera e isso a deixou feliz, ela não perguntara nada, felizmente, então o empresário poderia pensar por alguns segundos em que não estivesse cuidando da empresa ou combatendo criminosos — ou preocupado com um palhaço psicopata, sua mente gostava de acrescentar.

Vicky notou que ele não estivera prestando atenção, pois fizera uma pergunta, e então pigarreou, chamando a atenção do bilionário, que passou a olhá-la nos olhos. A moça, que havia mudado a cor do cabelo — ele notara, mas ficou indiferente, pois Bruce Wayne não é o tipo de pessoa que liga o suficiente para notar esse tipo de coisa — cruzara os braços, esperando uma resposta que Bruce sequer sabia que precisava dar.

— Pode repetir? — Bruce pediu distraidamente e ela riu sarcasticamente, irritada.

— A pergunta ou tudo o que eu falei? — Ela perguntou sem aumentar o tom de voz, arqueando uma sobrancelha. Bruce esticou-se sobre a mesa e colocou sua mão sobre a dela para fazer charme.

— Eu me distraí — Ele comentou e ela rolou os olhos, levantando-se — Qual é, Vicky?...

— Me chame quando quiser dar uma entrevista de verdade — Ela dissera com frieza, saindo sem hesitar. O bilionário grunhiu em frustração.

Bruce colocou as mãos sobre o rosto, ele não sabia o que fazer e não conseguia parar de se preocupar — e isso era ridículo, ele nem mesmo conseguira dormir. O estresse estava tomando conta e ele não tomou decisão nenhuma nas reuniões da empresa, é uma boa que sua persona seja um cafajeste, pois os sócios achavam que ele estava de ressaca, e essa era uma desculpa boa o suficiente.

Lucius havia notado, mas Bruce preferiu não falar sobre isso, pois o outro homem não merecia ser colocado no meio dessa confusão.

— Sr.Wayne? — A secretária abrira a porta de leve.

— Que é?! — Ele perguntou e soou irritado, ele não queria ter soado assim, a coitada só estava fazendo o próprio trabalho.

— Uh... o Senhor havia pedido para bloquear as ligações para o seu escritório e, desculpe estar sendo inconveniente... — Ela parecia amedrontada, provavelmente achava que perderia o emprego por ter incomodado — Eu só queria avisar que seu mordomo ligou várias vezes e me pareceu urgente...

— O quê? — Isso atraiu a atenção do Bruce, que a olhou preocupado — Por que diabos não me avisou antes?

— O Senhor não queria ser incomodado... — Ela o olhou aflita.

— Tudo bem, pode sair — Ele dissera após uma pausa relativamente longa.

Bruce levantou-se e foi até o telefone, que agora ficava perto da porta da varanda. Ele só conseguia imaginar o pior: algo poderia ter acontecido com o Alfred, alguém poderia ter descoberto sua identidade, Tim poderia estar em perigo, Gordon poderia ter sofrido um acidente e a Babs... ele não conseguia imaginar algo pior do que já aconteceu com ela — e isso o fez estremecer e quase sentir raiva do palhaço desaparecido, até teria sentido se não estivesse tão preocupado.

O bilionário pulou várias mensagens de moças que, sabe deus como, conseguiram seu número por aí, até que ouviu a tão familiar voz do seu mordomo e sentiu um pouco de alívio que, pelo menos com ele, nada havia acontecido.

Mestre Bruce? sou eu de novo, ligue ou venha para a mansão assim que possível.

Bruce se sentiu confuso e aflito, Alfred tanto poderia ter falado como não poderia se algo ruim tivesse acontecido, então ele ainda não tinha certeza. Por via das dúvidas, ele preferia voltar para casa.

———

— Alfred? — Bruce chamou ao entrar na mansão, não recebendo resposta. Ele seguiu até a sala e o escritório chamando pelo mordomo, até que ele entrou na cozinha e o encontrou amarrado a uma cadeira com uma mordaça na boca — Meu deus, Alfred!

O bilionário se aproximou e desamarrou a mordaça, fazendo com que o mordomo respirasse aliviado depois de tossir um pouco. Bruce desamarrou-o inteiro da cadeira e o ajudou a levantar.

— O que houve? você está bem? — Bruce perguntou, preocupação visível na sua voz.

— Estou bem, Mestre Bruce, mas o Senhor tem um convidado um pouco inconveniente, ele me fez ligar... — Alfred falou, esfregando os pulsos que estavam vermelhos devido às cordas — E ele aconselhou o Senhor a não chamar a polícia.

— O quê? — Bruce estava confuso — Quem? onde ele está?

— O palhaço, Senhor — Alfred dissera, massageando suas têmporas — Ele disse que precisava tomar um banho antes de conversar com o Senhor... acredito que ainda esteja lá...

— Ele sabe? — O bilionário perguntou com a voz baixa.

Do quê, Senhor? — Alfred dissera e arqueou a sobrancelha para que Bruce entendesse que era um aviso para não falar do assunto. O mordomo não sabia como o Coringa havia descoberto, mas sabia que ele não tinha provas concretas o suficientes, então era melhor prevenir. Bruce assentiu.

— Chame o Tim e diga onde está o traje — Bruce sussurrou — Ele sabe o que fazer.

O playboy, antes de ir encontrar o criminoso, decidiu pegar o controle da coleira antes, caso ele ainda estivesse com ela e tentasse fazer alguma coisa, colocando o pequeno dispositivo no bolso de trás da sua calça de grife. Ele subiu as escadas com cautela, olhando ao redor em busca de qualquer movimento que fosse, seu estômago parecia estar se retraindo com a ansiedade que sentia no momento.

Bruce foi até um dos banheiros da mansão, abrindo a porta cuidadosamente, mas não havia ninguém lá, aliás, o banheiro parecia intocado. Ele ficou confuso, mas decidiu checar no banheiro do seu quarto, que era o mais próximo. Por algum motivo, ele tinha quase certeza de que encontraria o palhaço lá.

O bilionário abriu a porta levemente, olhando o quarto e então viu a bagunça. Várias de suas roupas estavam jogadas pelo chão e pela cama e, perto da porta do banheiro havia sangue — não o suficiente para deixá-lo preocupado, mas em boa quantidade mesmo assim. Bruce espiou pela porta, que estava entreaberta, vendo o Coringa estremecer ao enfaixar porcamente o ferimento de bala, ele estava usando uma das calças do bilionário, que ficavam um pouco grandes para ele.

O empresário olhou ao redor o máximo que podia pela abertura da porta, notando bandagens já sujas de sangue no chão. Bruce deduziu que ele precisou tomar um banho para trocar as ataduras.

— É feio espionar os outros — Bruce ouviu o Coringa dizer e então voltou a olhá-lo, encontrando olhos verdes encarando-o com... ele não sabia dizer com o que — Pensei que fosse educado, Sr.Wayne.

Ele sorriu e Bruce fez o melhor que pode para fingir estar com medo, afastando-se levemente da porta enquanto o palhaço se aproximava, abrindo-a por inteiro.

— Você sabia que tem um ótimo senso de moda, Brucie? — Coringa comentou ao notar o terno roxo, tocando a lapela — Bem diferente de um amigo meu...

Bruce notou o rosto do palhaço, ele parecia mais louco que da última vez que o vira, então o vigilante imaginou que talvez fosse a falta dos remédios, que, mesmo que não parecessem, enfiavam um pouco de sanidade na cabeça dele. O bilionário engoliu em seco, para atuar, mas isso não deixou o palhaço feliz, que cerrou os dentes antes de empurrá-lo com força.

Coringa andou, sem parar de encará-lo, até seu closet bagunçado.

— Ele só sabe usar uma cor. Triste, não é? — Coringa continuou, desta vez olhando os ternos caros e roupas chiques do empresário. Todas pretas ou de tons muito escuros, com exceção de algumas camisas sociais — Sempre a mesma coisa... é como se ele vivessem num eterno luto, sabe?

— O que você quer? — Bruce soou com medo e o palhaço virou para encará-lo, raiva visível em seu rosto, como se Bruce o estivesse irritando só de respirar. Coringa ignorou a pergunta e vestiu uma das camisas sociais dele.

— Você não se importa se eu pegar emprestada, não é, Brucie? — Ele perguntou, virando-se e aproximando-se novamente — E você já pode parar com essa encenação toda...

— Do que está falando? — Bruce perguntou com o cenho franzido.

— "Do que está falando?" — Coringa mimicou, rolando os olhos — Você é mais sonso do que eu imaginei, que decepcionante, Batsy... imaginei que me receberia de braços abertos, afinal, você me viu... morrer... — Ele riu.

— Batsy?... o quê? — Bruce perguntou, mostrando confusão — Oh, você... você acha que eu sou o Batman?... — Bruce riu, mas logo parou. Coringa estava sério, encarando-o com indiferença, mas Bruce podia senti-lo irritado — Acho que houve algum engano, por favor...

— Shhh... tudo bem, Sr.Wayne... digamos que foi um engano — Ele permanecia sério, o que deixou Bruce confuso de verdade. O palhaço fez uma pausa longa, apenas encarando-o com raiva, até que ele sorriu como se tivesse uma ideia — Mas eu sempre tive uma queda por ricos babacas, você entende que... eu não quero sair daqui de mãos vazias...

Coringa estava a centímetros do empresário, tirando a pistola do bolso e apontando-a para Bruce, que segurou a respiração como se realmente estivesse amedrontado. Coringa sorriu e inclinou a cabeça para o lado — que lembrou Bruce de um cachorro — mas ainda parecia irritado. O palhaço afastou-se e foi até a cama, sentando-se nela e abrindo as pernas para o playboy, que franziu o cenho ainda mais.

Ele voltou a apontar a arma para o Bruce e apontou-a entre suas pernas, o sorriso travesso nunca saindo de seu rosto. O bilionário então entendeu o que ele queria e isso o fez engolir em seco.

— Não seja tímido, Brucinho... — Coringa dissera, diversão em sua voz — Você pode vir aqui, me fazer um favorzinho e me provar que eu estou enganado... ou desviar de um tiro, me nocautear e provar que eu estou certo... você decide, de ambas as formas eu sairei daqui... satisfeito — Ele riu da própria piada.

Coringa sabia que o Batman jamais faria isso, ele era orgulhoso demais, mesmo para fingir, então ele esperou Bruce se aproximar e socá-lo. Quando o bilionário chegou perto, o palhaço praticamente já podia sentir o gosto de sangue em sua boca, até que, surpreendentemente, Bruce Wayne ficou de joelhos entre suas pernas, o que o fez encará-lo com olhos arregalados.

Bruce sabia que o Coringa estava se divertindo e isso lhe dava nos nervos. Tudo o que ele queria era que Tim fosse rápido e chegasse antes que ele sequer tocasse nas calças do palhaço — suas calças, aliás — então ele hesitou o máximo que pode, até que sentiu o cano da arma na sua cabeça e fez força para não grunhir em irritação.

— Estou ficando impaciente — O palhaço comentou com um sorriso no rosto.

Bruce levou suas mãos trêmulas — que ele já não sabia mais se era atuação — até o zíper da calça, abrindo-a o mais lentamente que podia, mas o palhaço não parecia ter a mesma vontade de esperar, porque empurrou a arma com mais força em sua cabeça. O bilionário foi um pouco mais rápido, notando que o Coringa usava uma de suas boxers.

O palhaço pigarreou, Bruce estava demorando muito, o sorriso havia até mesmo sumido de seu rosto. O empresário engoliu todo o orgulho — e dignidade — que lhe restaram, mas antes que pudesse ao menos encostar no palhaço, alguém entrou pela janela, quebrando-a, fazendo ambos os homens encararem a figura do morcego vigilante.

Coringa parecia genuinamente confuso, ele tinha certeza — quase certeza, agora — de que Bruce era o Batman. Ele encarou o vigilante com olhos arregalados, Bruce se sentiu aliviado por Tim ter aparecido depressa, mas uma mísera pontinha dentro de si sentiu-se um pouco decepcionada. Ele tentou enfiar na cabeça que era apenas curiosidade.

Batman aproximou-se e Bruce, aproveitando a distração do palhaço, afastou-se o máximo que conseguiu. Coringa sequer olhava pra ele, encarando o morcego como se fosse de outro mundo, então ele começou a gargalhar e, antes que o vigilante chegasse perto, ele atirou. Bruce se preocupou com Tim, pois, por mais que ele soubesse que a armadura era a prova de balas, ele também sabia que o Robin era descuidado o suficiente para que o Coringa acertasse um de seus pontos fracos.

Coringa atirava sem descansar, rindo enquanto o fazia, até que — como Bruce havia previsto — ele acertara um dos pontos fracos da armadura, machucando a perna do Robin, que caiu de joelhos, encarando-o com ódio. O palhaço em fim se levantou da cama, tentando arrumar seus cabelos para trás, mas sem nenhum sucesso, ele arfava enquanto ainda ria, aproximando-se do garoto machucado.

— Ah, Batsy... como eu senti saudade! — Ele falou, Batman olhou para Bruce significativamente, sendo encarado de volta. Coringa seguiu sua linha de visão, avistando o bilionário — Não se preocupe com ele, eu não fiz nada... — Ele riu — Você chegou antes da diversão começar.

Batman permaneceu em silêncio e isso o deixou irritado, o que o fez colocar a arma no queixo do vigilante, puxando para cima e fazendo-o encará-lo.

— Está diferente... — Coringa cerrou os olhos para o morcego, que virou o rosto bruscamente — Está voraz, Batsy... se eu não te conhecesse, diria que até parece mais... jovem.

Ele não recebeu resposta. O palhaço grunhiu e apontou a arma para Bruce, que estremeceu.

— Uma conversa só funciona se os dois lados participam, Bats — Coringa comentou, encarando o morcego. Tim não sabia o que fazer, mas sabia que sua voz seria reconhecida se falasse — 1... 2...

Antes que o Coringa pudesse terminar a contagem, Bruce o pegou por trás de forma que não pudesse ver o seu rosto, sufocando-o apenas o suficiente para deixá-lo inconsciente, não demorando mais que alguns segundos para obter o resultado que queria e o palhaço largasse a pistola no carpete, e Bruce pudesse segurá-lo. Tim tirou um sedativo do cinto e aplicou para ter certeza de que ele não acordaria.

— Esse imbecil me deu um tiro! — Tim quase parecia em pânico.

— Isso reflete seu descuido — Bruce comentou — Não se preocupe, não deve ter atravessado a armadura, apenas bateu em um lugar leve o suficiente para te machucar.

— Machucar muito — Robin corrigiu, levantando-se com a ajuda de Bruce — O que vai fazer com ele?

— Levá-lo para a Batcaverna.

— De novo, Bruce? — Tim perguntou, desta vez não parecia com raiva, mas preocupado — Você sabe que ele é um maníaco, não é?... toma cuidado — Tim dissera.

Bruce tinha a sensação de já ter tido essa conversa diversas vezes. Bruce assentiu. Ele tinha que tomar mais cuidado, pois agora ele sabia que o Coringa sempre desconfiaria de Bruce Wayne de alguma forma. Ele se descuidou demais, confiou demais, e isso não aconteceria de novo, não poderia acontecer de novo.