Notas iniciais
Me avisem dos errinhos, tá?

Bruce resolveu fazer mudanças na batcaverna durante a semana, pois ele não estaria presente o tempo inteiro em que o palhaço precisasse sair, então ele decidiu dar essa pequena liberdade a ele, adicionando sensores nos elevadores, nos computadores, nos acessórios, no batmóvel e em várias outros itens importantes, impedindo o prisioneiro de tocá-los devido a coleira — os sensores seriam acionados e ele seria eletrocutado e, se o Batman estivesse longe, ele recebia um aviso pelo comunicador.

Durante esse mesmo período, Bruce acabou percebendo que o Coringa gostava muito — muito — de cantarolar e cantar, e teve de aguentá-lo o tempo inteiro, porque ele simplesmente não parava — mesmo diante de ameaças, que pareciam fazê-lo querer irritar ainda mais. Além das noites em claro.

Bruce, depois de ter desmaiado de exaustão e corrido risco com o seu arqui-inimigo a poucos metros, decidiu que não se privaria mais do sono, então ele tentara organizar bem o seu tempo para que não ficasse tão cansado, diferente do palhaço, que não dormiu um segundo desde que chegara. O vigilante não tentara fazer nada a respeito imaginando que fosse pelo mesmo motivo que ele não queria dormir.

Após as melhorias da caverna, Batman voltou a focar-se totalmente nos criminosos de Gotham, recebendo algumas informações de capangas de medrosos que indicaram onde ficava o novo escritório do Cobblepot, que ele estivera planejando visitar.

— Você vai sair? — Coringa perguntou com entusiasmo ao ver o cavaleiro sair do elevador, aproximando-se. O palhaço ainda tinha o olho roxo, não tanto quanto antes, mas ainda assim estava visível, assim como o arranhão no rosto do vigilante. Bruce o ignorou enquanto ele o seguia — Você sabe que pode me levar, certo? eu posso ajudar! seremos a próxima dupla dinâmica!

Bruce o ignorou novamente e o empurrou levemente para longe do carro, entrando nele em seguida.

— Você é um porre! — Coringa reclamou.

———

Pinguim passara a semana livre de preocupações, tanto do morcego quanto do chantagista, mas isso não significava que ele estava menos tenso, principalmente com pessoas trazendo corpos falsos o tempo inteiro para tentar ganhar o dinheiro, ele não aguentava mais ver cadáveres um atrás do outro.

— Chefe! temos outro — Um capanga dissera e Pinguim rolou os olhos, gesticulando para que deixassem entrar.

Um homem entrara trazendo um corpo — coberto — nos braços, colocando-o na mesa do homenzinho, que torceu o nariz para isso. Ele encarou por alguns segundos, implorando mentalmente para que fosse realmente o palhaço e ele não precisasse mais ficar 24 horas por dia com medo. Cobblepot tirou o pano da cabeça do corpo recém trazido e franziu o cenho, mais um inútil.

— Matem ele — Pinguim disse gesticulando e seus homens atiraram — Que droga, seus idiotas! não era pra ter feito aqui, agora vão ter que limpar tudo!

Os capangas rapidamente saíram do escritório para arranjar o material necessário para a limpeza, deixando Pinguim resmungando sozinho, até que ele escutara um barulho de vidro quebrando e soube que ele havia chegado. O homenzinho escondeu-se embaixo da mesa de seu escritório, segurando uma arma minúscula na mão, pronto para atirar em qualquer pessoa que entrar.

Cobblepot esperou alguns minutos que pareceram uma eternidade antes de criar coragem para levantar-se e checar a entrada. Oswald estremeceu ao se deparar com o Batman ao abrir a porta. Pinguim apontou a arma, mas o vigilante o desarmou facilmente, fazendo-o recuar até que suas costas encontrassem a parede. O cavaleiro das trevas olhou em volta, fixando seu olhar no corpo fresco ao chão.

— Se você veio aqui pelas armas, saiba que seu ajudante já está me dando muitos problemas — Pinguim dissera, a atenção do morcego agora era toda dele e ele se arrependeu de ter falado.

— Eu soube que quer o Coringa morto, por que? — Batman perguntou e o homenzinho pareceu ficar ainda mais tenso.

— O quê? — Pinguim perguntou em tom ingênuo.

— Não se faça de idiota, Cobblepot, não comigo — O cavaleiro das trevas dissera de forma ameaçadora.

— Uh... eu quero que ele morra, sim, você tem algo contra isso? — O criminoso retrucou, ele estava com mais medo da outra pessoa do que do Batman — Você mais do que ninguém devia concordar com isso! quantas vidas ele já tirou? quantas vai tirar? ele precisa ser detido.

— Nós dois sabemos que você não liga nem um pouco para as pessoas que ele matou — Batman voltou a olhar o cadáver e Oswald engoliu em seco.

— Não ligo, mas... uh, ele tá atrapalhando os negócios e... — Pinguim pausou e Batman cerrou os olhos, aproximando-se para amedrontá-lo, porém os olhos do criminoso não estavam voltados para o vigilante.

Antes que o cavaleiro pudesse olhar para trás, fora atingido com um dardo e sua visão ficou instantaneamente turva. Ele pôde ouvir a risada do Pinguim enquanto caía no chão devido a tontura, recebendo um chute do criminoso

— Isso é o que você ganha por se meter comigo — Cobblepot dissera, ainda rindo. Bruce tentou segurá-lo, mas estava lento, pesado, ele devia ter recebido uma dose alta de tranquilizante, mas não o suficiente para deixá-lo desacordado.

— Obrigado pela ajuda. Sabe, estou começando a gostar de trabalhar com você — Ele ouviu Pinguim comentar com alguém.

O vigilante podia ouvir os passos desajeitados do Cobblepot e os passos de outra pessoa, mas ele não conseguiu vê-la. O cavaleiro teve de esperar alguns longos minutos antes de sentir-se inteiramente bem novamente, o que deu tempo de fugirem, mas pelo menos tudo não havia sido em vão, já que agora ele sabia que Cobblepot estivera trabalhando com outra pessoa, ele só precisava descobrir quem.

———

— Finalmente! — Coringa disse assim que Bruce entrou com o carro na batcaverna — Você podia ter me levado junto, você sabe que eu acabaria com o problema rapidinho.

— Não encosta no carro — O vigilante dissera ao sair, fazendo o palhaço recuar do batmóvel com as mãos para cima.

— Você está falando isso porque se preocupa comigo ou com o carro? — Coringa perguntou, referindo-se ao choque que receberia — Porque falando assim até parece que você gosta mais dele do que de mim.

— Porque é verdade.

— Oh, não, não mesmo — Coringa disse com uma risadinha — Se você não se importasse comigo, eu não estaria aqui.

Bruce ignorou-o e dirigiu-se ao elevador, sendo seguido palhaço até as portas metálicas em que o criminoso não podia passar, recebendo um olhar chateado por isso.

— Não é justo — O palhaço dissera assim que o vigilante entrara.

— Não se preocupe, eu vou voltar para trazer os remédios — O cavaleiro dissera e isto foi o suficiente para fazer Coringa rolar os olhos e distanciar-se, as portas se fechando em seguida. Não importa o quanto o palhaço goste da companhia do morcego, ele odiava os remédios.

Bruce subiu os níveis da batcaverna até os computadores, onde Alfred estivera esperando. O mordomo tinha um certo olhar desconfortável e, como o vigilante sabia da capacidade do Alfred como ator, soube que era para ser notado.

— O que houve? — Ele perguntara.

— Estou preocupado com nosso hóspede, Mestre Bruce — Bruce não pôde deixar de arquear a sobrancelha para isso — Quero dizer, não me preocupo realmente com ele, mas me preocupo com o Senhor e o Senhor se preocupa com ele.

— Não me preocupo com ele, Alfred — Bruce dissera de forma impaciente — Mas deixá-lo morrer seria o mesmo que matá-lo.

— Certo... — Alfred dissera, mas não estava convencido — O problema de sempre, sugiro que o Senhor olhe as câmeras.

O vigilante retirara a máscara e se sentara em frente aos computadores, olhando as câmeras da noite passada e, de fato, ele havia ficado acordado, assim como nas gravações que Bruce vira dos dias anteriores. O cavaleiro olhou para a sua figura paterna, confuso. Se o palhaço tinha tanta dificuldade para dormir, por que estaria recusando os comprimidos que o ajudariam nisso?

— Acha que ele fica acordado porque está aqui? digo, no mesmo lugar que o Batman — Bruce perguntara e Alfred pensou por alguns segundos.

— Não sei, mas sugiro que o senhor também olhe as câmeras de Arkham, talvez possa ajudar — O mordomo dissera e Bruce concordara, fazendo exatamente isso enquanto o Alfred voltava para a mansão.

O vigilante invadira o arquivo de Arkham do Coringa e lá tinha mais coisa do que ele esperava encontrar. Haviam gravações das sessões de terapia do palhaço — tanto com a Harley, como com diversos outros psicólogos, cujo ele fizera uma nota mental para assisti-las depois — e as gravações nas celas de segurança máxima. Bruce assistiu aos vídeos de forma acelerada, vendo que o Coringa era extremamente inquieto e que ele também não dormia no Asilo.

O cavaleiro pensou ter visto o suficiente até que, em um dos vídeos, guardas entraram na cela do palhaço para sedá-lo, fazendo com que Bruce decidisse ler a parte do arquivo sobre os vídeos: basicamente, Coringa era agressivo, não podia comer e nem tomar banho junto com os outros internos, mudava de psicólogos e psiquiatras constantemente — alguns morriam, outros ficavam com medo — e ele andava desmaiando de exaustão pelo asilo, então tinham que sedá-lo de vez em quando para obrigá-lo a dormir.

Bruce recolocou a máscara e pegou a medicação do Coringa — que ele decidira aumentar a dose de anti-psicóticos depois de, no meio da semana, encontrar arranhões nos braços do palhaço — descendo para encontrá-lo. Quando as portas do elevadores de abriram, Coringa estava observando o batmóvel como se nunca o tivesse visto antes.

— Sabe, nunca tive a chance de vê-lo direito — O criminoso comentara com a aproximação de Bruce, era um tom quase amigável — Sempre que você me trazia pra ele, eu estava tonto demais pra notar. É bonito, mas falta cor — Coringa o encarou sorrindo, mas seu rosto se tornou sério ao ver os remédios.

Bruce os oferecera e ele engolira os dois anti-psicóticos e o antidepressivo que outro entregara, mas novamente deixara o remédio para dormir de lado.

Todos.

— Por que? — Coringa perguntou — Não precisei tomar esse até ontem.

— Até ontem eu não sabia que você tinha dificuldade para dormir.

— Que diferença faz se eu dormir ou não? — Coringa parecia realmente irritado.

— Não me faça te obrigar — O palhaço não pareceu intimidado, Bruce lembrou-se do vídeo — Ou usar um sedativo — A expressão do criminoso mudou por uma fração de segundo e o vigilante podia jurar que o viu preocupado.

— Você não faria.

— Você quer testar? — Bruce dissera e a boca do palhaço se transformou numa linha apertada enquanto ele pensava. Ele retirou o comprimido da mão do outro e o colocou na boca — Abra.

Ele o fez e Bruce assentiu ao ver que ele realmente os tinha engolido. Coringa distanciou-se, entrando e fechando a porta da cela — se é que ainda podia ser chamado assim — e Bruce estranhou ele ter saído sem nenhum comentário irônico. O vigilante voltou para cima e, ao passar pelos computadores — que estavam com as câmeras abertas — ele viu que o palhaço havia forçado o próprio vômito para expelir a pílula.

Batman voltou diretamente para a cela, seringa com sedativo no cinto. Infelizmente, o Coringa não aprovara a ideia de ser sedado e, pela primeira vez na semana inteira, eles brigaram feio.

Bruce tinha certeza que os braços do palhaço ficariam marcados pela força que teve de usar para segurá-lo na parede e aplicar a seringa.

Notas finais
Alguém ainda lê isso aqui?