Notas iniciais
me avisem dos erros. Boa leitura.

Eram dias chuvosos em Gotham City, que já costumava ter uma camada cinzenta sobre o céu, deixando a cidade bastante escura até mesmo durante o dia, clima perfeito para certo vigilante aparecer fora do horário. Mas o lugar estava estranhamente calmo para os criminosos ultimamente, especificamente para para um homenzinho que atualmente estivera traficando armas, o que não era de se esperar, já que o cavaleiro das trevas sempre arruinava tudo.

Cobblepot deu suas últimas ordens para seus homens antes que eles saíssem na vã, seguindo para seu escritório, se é que podia ser chamado assim. O lugar era ridiculamente pequeno e abafado, mas era temporário até que ele pudesse se recompor do último encontro com o Batman. O homem se sentou na cadeira, colocou um charuto na boca, os pés sobre a mesa e começou a contar o dinheiro que conseguira nos últimos dias em que o morcego não se meteu em seu caminho.

Click, foi tudo o que ele ouviu para que começasse a suar. Uma arma engatilhada e o cano da mesma fora encostada na nuca do traficante. Pinguim levantou as mãos e arrumou a postura, ainda segurando dinheiro.

— Pode levar tudo — Ele dissera de forma quase ininteligível por causa do largo charuto entre os dentes, mas apenas ouvira uma risadinha em resposta, que era familiar, por sinal.

— Preciso que faça uma coisa por mim, baixinho — A pessoa dissera, colocando mais força na arma, deixando o homem ainda mais tenso.

— Qualquer coisa! — Ele disse, já tremendo. Era patético o quão covarde ele era quando não tinha algo ou alguém para defendê-lo.

— Pega o telefone — A pessoa misteriosa disse, sendo obedecida imediatamente — Ligue para qualquer pessoa que siga uma ordem sua. Diga essas exatas palavras.

A pessoa entregou-lhe um papel dobrado, Pinguim segurou a folha com as mãos trêmulas. Patético.

O homenzinho ligou para um de seus capangas mais confiáveis, iniciando a conversa de forma genérica enquanto esperava mais comandos vindos da pessoa armada, mas ela simplesmente permaneceu quieta por um tempo, deixando a conversa fluir de uma maneira esquisita entre o pássaro e o pau-mandado. Pinguim fazia o máximo que conseguia para não tremer a voz ou mostrar nervosismo.

Ele desdobrou o papel.

— Eu tenho uma proposta — Pinguim começou a ler — E eu preciso que você espalhe isso para o máximo de pessoas que conseguir...

Cobblepot pausou e o desconhecido deslocou a arma da nuca para a cabeça. Um aviso.

— Quero a cabeça do Coringa. Pagarei... 5 milhões para quem conseguir matá-lo — Pinguim disse, engolindo em seco, ele sequer tinha esse dinheiro todo atualmente, além de, é claro, ele não querer gastar tanto dinheiro numa coisa tão inútil — Espalhe a notícia.

— Desligue.

Oswald obedeceu.

— Bom trabalho, velhote — A pessoa recolhera a arma e o homem suspirou em alívio. O desconhecido caminhou para a frente do Pinguim, sendo encarado com olhos estarrecidos — Agora eu só preciso esperar.

— Você?! — Ele perguntara com tamanha incredibilidade.

Eu — A resposta veio acompanhada de um enorme sorriso.

———

A noite chegou e a única coisa que se via no céu era o sinal para o famoso vigilante mascarado vindo do Departamento de Polícia de Gotham City, e as únicas coisas que podiam ser ouvidas eram as sirenes das viaturas policiais. Por mais que o local fizesse bastante barulho diariamente, a cidade estava particularmente barulhenta esta noite.

O comissário não precisou esperar muito tempo no terraço do DPGC para perceber a figura escura e silenciosa que aparecera. Ele não falara muito desta vez. Nunca falava, na verdade, mas Gordon aprendera a conviver com o hábito. A situação fora explicada e o cavaleiro das trevas saíra antes que o oficial pudesse notar, deixando-o falando sozinho por alguns segundos até perceber. Com isso o comissário ainda não havia se acostumado.

A situação estava complicada, Jim não sabia de muita coisa, mas sabia do principal: a cabeça do Coringa agora valia milhões e ele estava no local com a maior quantidade de criminosos da cidade, além, é claro, dos cidadãos que quisessem conseguir uma grana extra. Gordon também havia informado que o Pinguim fora o responsável pela proposta, o que deixava a situação mais esquisita ainda, já que o homenzinho era conhecido por sua mão-fechada.

Batman seguira para Arkham antes que alguma coisa pudesse acontecer.

———

Coringa estava ficando entediado e isso não era bom, ele só ficava em Arkham pelo tempo que lhe fosse conveniente, mas agora ele estava pensando em sair para fazer algo mais... divertido. O palhaço estava até imaginando o que faria para escapar desta vez, teria de ser algo novo. Ele também precisava pensar no que faria com o morceguinho em seguida, isso sim seria diversão. O interno foi tirado de seus pensamentos assim que a pesada porta da sua cela se abriu, revelando um dos guardas.

Ele sorriu.

— Larry! é a minha vez, garotão? sempre achei que você preferia as moças — Coringa riu ao ver o rosto chocado do guarda, que sabia exatamente do que ele estava falando. Alguns funcionário em Arkham faziam um pouco mais com os pacientes além de vigiar.

— Calado, palhaço — O homem dissera, entrando na cela e se aproximando com algemas.

— Oh, para onde vamos? não me leve para onde levou as outras, isso não é romântico — Coringa disse rindo ao ser algemado e empurrado para fora — Você sabe que tem que ser especial.

O interno não parou de falar durante toda a caminhada. O guarda cumprimentara todos os outros que passavam, nenhum deles perguntou para onde o Coringa estava sendo levado, o que era bizarro — já que ninguém podia sequer se aproximar da cela dele sem motivos plausíveis — e deixara o palhaço desconfiado. O homem o levara para os chuveiros, empurrando-o para o mais longe possível da saída. Coringa se virou para encará-lo e fazer algum comentário maldoso, mas recebeu um soco inesperado antes, indo direto ao chão.

Ele riu.

— Agressivo. Gostei.

O palhaço recebeu um soco ainda mais forte pelo comentário.

———

Em Arkham, os guardas permitiram que Batman entrasse sem muita dificuldade, por mais que fosse perceptível que alguns não o queriam ali. O vigilante ignorara tudo que o diretor do Asilo tentara lhe falar e seguiu por entre os corredores do lugar, que ele conhecia bem o suficiente para não precisar de ajuda.

O cavaleiro chegara na ala de segurança máxima, checando a cela em que o Coringa costumava ficar, porém estava vazia. Preocupado, ele checara todas as outras, mas nenhuma continha o psicopata que ele precisava encontrar. Batman puxara o primeiro guarda que aparecera pelo colarinho e o levantara poucos centímetros do chão.

— Onde ele está? — Ele perguntara e o homem se debateu.

— Quem?! — O homem perguntou e o vigilante rangeu os dentes, ele não tinha tempo para isso. Jogou-o no chão e pisou em seu braço, não com força suficiente para quebrar, mas para assustá-lo.

— Onde ele está? — Batman rosnou e o homem chorou.

— L-Larry Winston levou ele! — O homem disse com a voz trêmula de medo — Ele d- ele disse que precisava da recompensa! me desculpa!

Onde. Ele. Está? — Ele perguntara novamente, desta vez colocando mais força sob o braço do guarda.

— Nos c- nos chuveiros! — O homem gemeu — Ele disse que lá seria mais fácil de limpar a bagunça!

O cavaleiro das trevas o soltara e seguira para os chuveiros. Ele pensara em prender este guarda como cúmplice, mas não faria sentido, já que provavelmente todos em Arkham sabiam e apoiavam a situação, mas não teriam coragem de fazer eles mesmos. Batman chegou rápido ao lugar, mas não rápido o suficiente.

Coringa estava no chão e o guarda estava por cima dele, eles brigavam violentamente, mas o interno ria. Batman tentou se aproximar e apartar, mas acabou assistindo o psicopata pegar as chaves das celas do cinto do oficial e cortar — ou, no caso, abrir — a garganta do guarda com as mesmas, sendo encharcado de sangue e gargalhando enquanto via os olhos do homem se arregalarem ao ter seus últimos suspiros de vida tirados de si.

Batman estava chocado, imaginando a força que era preciso para abrir a garganta de um homem com algumas chaves. Ele se aproximou e, tomado pela raiva, tirara o palhaço de baixo do corpo e o empurrara bruscamente contra a parede, fazendo com que ele ficasse sem ar por alguns segundos devido a força utilizada, socando-o em seguida e recebendo mais risadas roucas em troca.

— Por que fez isso? — O coringa perguntou e cuspiu sangue ao lado, mas nem mesmo ele sabia se era dele ou do guarda assassinado — Eu só estava me defendendo, Batsy.

Coringa socou o morcego com as chaves das celas entre os dedos, arranhando profundamente o rosto do vigilante com uma força inesperada. Batman recuou devido ao impacto, mas rapidamente voltou sua atenção para o interno que tentara fugir, mas o cavaleiro o puxara antes. O palhaço era mais forte do que seu físico sugeria e o outro tivera dificuldade para levá-lo ao chão, mas ele não parou de se debater até que o morcego tirara uma seringa do cinto e aplicara em qualquer lugar sem muito cuidado, fazendo com que o criminoso ficasse entorpecido em poucos segundos.

Batman suspirou em alívio e percebeu que agora também havia bastante sangue no traje. O vigilante usou o comunicador para avisar a Gordon sobre a morte do oficial antes de finalmente tirar o criminoso Asilo sem que alguém percebesse.

Bruce odiava essa ideia, mas não tinha outra opção senão levá-lo para a Batcaverna, o que era muito perigoso para ele, para o Alfred e para o Robin, mas ele não podia simplesmente deixá-lo em Arkham enquanto todos querem a cabeça dele — e Gordon não suportaria tê-lo no DPGC, não depois do que ele fez com a Barbara, além de que ainda seria perigoso para ambas as partes envolvidas devido a presença significativa de policiais corruptos.

Alfred se surpreendeu ao ver Batman coberto de sangue enquanto carregava o psicopata — tão ensaguentado quanto — no ombro, mas não questionou, ele sabia que o Batman provavelmente teria um motivo muito forte para que tal decisão tão drástica fosse tomada. O detetive pedira para que o mordomo não descesse ao local enquanto ele não assegurasse que era seguro.

Alfred imaginou que não fosse descer lá por um longo tempo.

Notas finais
eu queria muito opiniões '3'.