Notas iniciais
Olá pessoas amadas.
Sejam bem vindos a um pouco de insanidade do tio Eric, motivada por um duplo desafio.
Sim, essa fic tem um desafio GIGANTESCO pra mim por dois motivos:

Say something I'm giving up on you / Diga algo, estou desistindo de você

And I'm sorry that I couldn't get to you / E me desculpe por não ter conseguido chegar até você

And anywhere I would've followed you / E eu teria te seguido para qualquer lugar

Say something I'm giving up on you / Diga algo, estou desistindo de você

Say something I'm giving up on you / Diga algo, estou desistindo de você

Say something / Diga alguma coisa

Say something — Cristina Aguilera

—E foi isso. Por isso estou aqui.

Quando terminei de contar o que havia acontecido, me senti... Não sei, mais leve. Não que houvesse algo pra me sentir leve ali.

Mas pelo menos eu tinha desabafado.

Antes que a sensação de desespero tomasse conta de mim, aguardei para ver o que ela diria. Saori Kido era minha psicóloga já alguns anos. Confesso que, em partes, a terapia tinha me ajudado muito.

Mas na verdade eu só estava ali por causa dele...

Sempre ele.

Eu detestava quando ela me atendia na penumbra. A sala a meia-luz me deixava incomodado, mas eu nem podia reclamar, eu a acordei no meio da noite e em um estado em que ela nunca havia me visto antes.

Tentei disfarçar ao virar o rosto, e percebi que a expressão dela não estava nada boa. Estava de um jeito que nunca vi antes.

Perturbada.

Saori tinha cortado os cabelos há algum tempo, estavam na altura dos ombros na época. Eles são castanhos, mas de um castanho que eu achava sem graça.

Mas isso não vem ao caso.

Ela tamborilava os dedos na mesa. Me encarava com olhos preocupados além do profissional.

—Você sabe que isso ultrapassou os limites, não sabe?

—Eu... Mas eu estou bem. Não foi nada muito sério, na verdade, eu...

Ela deu um tapa na mesa. Isso me assustou, ela era sempre tão controlada...

—Ikki... Não posso mais cuidar de você, isso está muito pior do que eu pensava. O que aconteceu hoje é a prova de que você vai precisar de uma ajuda maior do que a que eu posso oferecer. E de imediato.

Não gostei disso.

—Não vou começar do zero com outra pessoa, Saori. Se não quiser me atender mais, eu paro com essa terapia por aqui.

—Não seja precipitado. Eu vou continuar a cuidar de você, mas... Não o farei sozinha. Achei que estava se sentindo melhor Ikki, mas nós dois sabemos que não é verdade. Portanto, eu quero que você se consulte com um psiquiatra.

Não gostei disso também.

—Mas...

—Não tem mais, nem meio mas. Você precisa de algo mais forte... Alguma medicação pelo jeito. Portanto... Quero que você se consulte com ele e comigo, ouviu? Como sua amiga, exijo isso. Como sua psicóloga, recomendo veementemente. E não é para daqui algum tempo. É para agora. Espere um pouco.

Saori se levantou e foi até a janela. A sala que ocupávamos era grande, e o sofá em que eu estava era muito confortável. Não sei por que, mas sempre gostei mais daquele sofá de couro marrom do que de qualquer outro assento naquela sala.

Ela resmungava alguma coisa baixinho. Não entendi muito, mas nem me importei. Vi que ela ligou para alguém. Deveria ser o tal “ele”.

Parecia impaciente.

Após alguns segundos ela começou a falar. Não prestei atenção talvez por conta da quantidade de remédios que ainda deviam estar correndo pelas minhas veias. Eu estava meio sonolento, mas não me importava.

—Ikki?

Pisquei algumas vezes.

—Sim?

Ela já terminara a ligação? Fui pego de surpresa.

—Consegui falar com um psiquiatra. Além de ser muito mais experiente que eu, ele é especializado em transtornos de personalidade. Amanhã ele irá atendê-lo. Apesar de seus métodos geralmente serem... Bem... Intensos, por falta de palavra melhor, ele é considerado um dos melhores. Eu vou junto com você, portanto esteja pronto amanhã as duas da tarde. Está me escutando Ikki?

—Sim, sim... Amanhã... Duas da tarde.

Saori me olhou de um jeito estranho. Nunca vi aquele tipo de olhar vindo dela.

—Ótimo. Agora vamos. Vou te levar para casa. E tome um banho urgente, está... Deplorável.

Apenas concordei com a cabeça. Estava realmente com muito sono. Lembro de ir cambaleando até o carro.

E os acontecimentos do dia vinham pulando na minha cabeça.

—- --

Eu estava relativamente bem. Sério. Me sentia mais tranquilo, mais relaxado.

Mas aí aconteceu.

Eu o vi passando por mim no banco, meio distraído, e ele me acenou depois que o chamei mas não parou para conversar. Aquilo me deixou nervoso.

E quando eu ficava nervoso, precisava muito extravasar.

Foi um dia tranquilo na academia. Não havia aulas nem novos inscritos, portanto deixei tudo nas mãos do meu irmão mais novo e disse que ia dar uma volta para espairecer. Ele me olhou com aquela expressão inquiridora, mas eu garanti que estava tudo bem, só precisava relaxar batendo perna a toa e depois ir para casa e dormir tranquilamente.

Não sei se ele acreditou, mas Shun era doce e meigo, portanto não quis ser indiscreto e se despediu do jeito mais normal que conseguiu.

Honestamente? Eu já estava com a cabeça a mil.

Quando saia a “caça”, como costumava chamar, eu já sentia um calor na região abdominal, respirava mais rápido e ficava irrequieto.

Precisava chegar logo em casa.

Na frente do meu computador.

O caminho sempre parecia longo nesses dias. Naquele então, nem consegui medir o quanto. Enfim, ao chegar em casa fui logo ligando o notebook e me preparando para começar.

Eu entrava em fóruns, salas de bate papo, grupos de discussão em redes sociais e ali procurava por pessoas que atendiam meu perfil, ou por pessoas que tinham algo diferente para oferecer.

O diferente me era mais atraente.

Precisava de alguém que me visse. Me olhasse. Me notasse.

Só isso.

Colocava meu Nick falso, e meu perfil de “SemFrescura” já exibia algumas notificações.

Uma delas já me chamou a atenção de cara.

Era um homem mais velho. Devia estar perto dos cinquenta anos. Alto, mais de dois metros de altura. Cabelos nos ombros, grisalhos. Olhos escuros. Sorriso duro, meio que forçado.

Durval era o nome dele.

Fui até seu perfil na página e vi que ele não falava muito de si. Apenas que gostava de dominar o parceiro.

E tinha um fetiche por pés. Não soube bem se gostava de ver os dos outros ou gostava que vissem os dele.

Bem, parecia diferente do que tinha visto. Não custava experimentar.

Mandei uma mensagem privada. Ele estava online, pois logo me respondeu.

A conversa fluiu mecanicamente. Nome, idade, região que mora, interesses.

Isso atraiu minha atenção.

“Gosto de usar os pés. Apenas os pés. Para tudo.”

Confesso que ao ler aquilo fiquei um tanto intrigado. Perguntei mais, tentei fazer com que ele detalhasse.

“Se quiser saber mesmo como é, estou livre agora.”

Não tinha nada a perder, tinha? Claro que não.

“Estou indo!”

“Está de banho tomado?”

“Higiênico ao extremo!”

“Gosto de mandar.”

“Ótimo.”

“Pode vir vestido com algo?”

Ao ler seu pedido me senti estranho. Não queria fazer aquilo.

“Me excita ao extremo. Acho que você vai ficar ótimo!”

Ele me elogiou.

Ótimo.

“Que cor você quer?”

—- --

Passei em um Sex-shop e comprei o que ele pediu. Tudo bem, o pessoal da loja podia achar normal, não sei o que pensaram, mas eu me senti...

Não sei.

Um pouco estranho. Isso.

Estranho.

Que fosse.

Não demorei a chegar a casa dele. Toquei o interfone de um prédio escondido e um tanto quanto escuro. Uma voz grossa ecoou pelo aparelho.

—Sobe.

A porta se abriu e engoli em seco. Tive um pressentimento de que algo não estava bem, mas ignorei e segui em frente.

Não era um covarde.

Nunca fui. Eu sei que não.

Ele morava no décimo andar. O elevador subiu devagar. A sacolinha preta do Sex-shop escondia o conteúdo pedido por ele.

Quando a porta se abriu, Durval já estava me esperando. Ele me olhou de cima abaixo.

—Bonito. Forte e com jeitão marrento. Gostei de você, rapaz.

A voz dele era grossa. Ao passar um braço pelos meus ombros ele aplicou certa pressão ali.

—Eu gosto de mandar nos marrentinhos.

Um arrepio percorreu minha espinha. Entramos no apartamento dele. Antes que a porta se fechasse, consegui ver do outro lado do corredor um rosto preocupado, olhos azuis e cabelos loiros mirando intensamente a porta.

Sumiram assim que ela se fechou.

—- --

—Troque de roupa. E venha para a sala de joelhos.

Eu o encarei pensando se deveria fazer aquilo. Ele pareceu entender a minha dúvida.

Então eu senti um tapa forte na minha bunda.

—É surdo? Troque de roupa e venha de joelhos para a sala. Você merece um tratamento especial por ser tão bonito.

Oh. Ele me achava bonito.

Ignorei a vontade de quebrar a cara dele por causa daquele tapa e fui fazer o que ele mandou.

—- --

Me senti ridículo ao mirar meu reflexo no espelho.

Estava ali eu, um homem alto, forte, moreno...

Vestindo um fio dental vermelho e transparente.

Sim, uma calcinha fio dental. E que foi difícil de achar pro meu tamanho...

E detalhe, tinha meias de renda na mesma cor que só chegavam até pouco abaixo do meu joelho.

Nem eu entendi o misto de que era aquilo.

Bizarro.

—Está pronto?

—Já vou indo.

Não tinha por que me sentir mal, tinha? Afinal, ele me chamou de bonito. Ele estava me olhando. Enquanto eu fizesse o que ele queria, ele me daria a atenção que eu precisava.

Me notaria.

Era uma troca justa.

Abri a porta e foquei no chão. Me ajoelhei e comecei a engatinhar até a sala.

—Estou atrás de você. Ande de forma mais sensual.

O que seria isso? Antes mesmo que eu tivesse tempo de responder, senti uma pressão na altura da minha cintura.

—Isso, curve a cintura... Mais...

Ele me pressionava com o pé.

Obedeci. Caminhava como um felino, devagar, rebolando um pouco.

Sentia que meu joelho ralava em algo, mas decidi ficar quieto.

Ouvia seus passos atrás de mim. Sua respiração parecia mais rápida. Queria ver se ele estava nu ou ainda vestia o jeans escuro e a camisa azul marinho, mas achei melhor esperar.

Ao chegar na sala, ele mandou me deitar de frente para o sofá.

—Rebole um pouco pra mim.

—Re... Rebolar?

—Rebolar. É surdo? Igual uma putinha rebola pro macho dela. Rebola devagarzinho, quero ver essa bundinha dura torcendo toda pra mim.

E quando eu pensei em mandá-lo a merda, ele me pegou de calças curtas.

Ou melhor, sem calças.

—Você é lindo demais...

Eu era lindo. Viu? Ele estava me notando.

Virei-me de costas, ainda ajoelhado, e comecei a rebolar. O melhor que eu podia.

—Isso... Seu puto. Aliás, sua puta.

Sua puta? Não gostei disso e o encarei meio irritado.

—Minha putinha, rebola gostoso, rebola... Minha putinha linda...

Sentia seus pés me tocando, passando pelas meias, e pelo contorno do fio dental. Não era ruim, afinal, ele estava ali, me dando atenção... E me chamava de lindo...

Toda a atenção que ele tinha era minha naquele momento.

Isso me bastava.

—Deita.

Deitei de bruços.

—Coloca a cara no chão e não vira. Afasta as pernas e abre essa bundinha dura pra eu ver esse fio dental atolado.

Céus, eu estava mesmo no chão de um desconhecido que me alisava com os pés enquanto eu vestia calcinha e meia de renda vermelha e me comportava como um...

Devasso?

—Mandei abrir a bunda.

Afastei as nádegas. Senti o pé dele passeando pelas minhas costas.

—Isso... Gosta disso putinha?

Ele esfregava o dedão por cima da calcinha. Começou a massagear meu ânus, e eu gemi.

Contra a vontade, mas gemi.

—Responde putinha, gosta disso?

—Si... Sim...

Levantei o rosto e ele rapidamente o empurrou de volta com o pé.

—Mandei ficar virado com a cara no chão. Se me desobedecer, vou ter que te castigar. Entendeu?

Limitei-me a resmungar. Ele continuou a massagem com o pé e de repente senti que tentava forçar o dedo...

Lá.

—Ungh... Não...

Acabei soltando as mãos e tentando me afastar daquilo. Mas ele foi mais rápido.

O ar faltou quando ele me deu um chute na barriga. Tudo girou na minha frente. Ele gritou.

—QUEM MANDA AQUI SOU EU, ENTENDEU? VOCÊ É MINHA PUTINHA, MINHA! FAZ O QUE EU MANDAR OU EU TE MATO, PEDAÇO DE BOSTA.

Ele respirava rápido. No meio daquela confusão só conseguia ver seu olhar ensandecido.

Precisava sair dali.

—Eu... Vou... Vou embo...

Senti um estalo na bochecha, eu achei na hora. Uma dor nova, diferente, se espalhou pelo meu rosto.

Estava encarando a parte de baixo do sofá.

—VOCÊ SÓ SAI DAQUI QUANDO EU MANDAR ENTENDEU? EU JÁ DISSE, EU MANDO EM VOCÊ SUA PUTA BAIXA.

Agora aquilo tinha passado dos limites. Cuspi alguma coisa e tentei me colocar de joelhos.

Mas Durval foi mais rápido de novo. Ele me puxou pela cintura e jogou o corpo em cima de mim.

—Minha putinha vai me obedecer, ou vai morrer aprendendo. Se eu quiser foder seu cú com meu pé, é o que eu vou fazer. Você veio aqui querendo um macho pra mandar em você, não foi? É isso que você vai ter.

Senti meu cabelo sendo puxado, e ele começou a chupar meu pescoço com força. Estava muito dolorido e não conseguia reagir como deveria com aquele peso todo em cima de mim.

—Minha putinha linda...

Minha cabeça foi empurrada e senti que ele rasgava a calcinha. Ele tentou mais uma vez introduzir o dedão do pé em mim.

—Nã... Não, por favor, eu não quero...

Foi quando eu ouvi batidas. Alguém batia na porta com força.

—DURVAL! ABRA AGORA! O PRÉDIO INTEIRO OUVIU SEUS GRITOS, SAIA POR BEM OU A SITUAÇÃO FICARÁ PIOR PARA VOCÊ.

Com muito custo consegui me ajoelhar, jogando o tronco no sofá. Ao me virar, via o homem praticamente babando, andando de um lado a outro da sala. As batidas na porta continuavam.

—ABRA DURVAL. OU VAMOS ARROMBAR ESSA PORTA!

—ARGHHHHHH!

Durval soltou um urro ensandecido e partiu pra cima de mim. Senti vários socos na barriga, enquanto ele gritava.

—OLHA O QUE VOCÊ FEZ SUA PUTA. PUTA SUJA. PUTA BAIXA. CUSTAVA TER SIDO UMA PUTINHA BOA? TINHA QUE SER UMA PUTA PROBLEMÁTICA?

Não consegui manter a consciência por muito tempo. Apenas consegui ver a porta abrindo antes de perder os sentidos de vez.

Notas finais
E assim começa nossa história. Light pra não assustar de cara.
Me digam por favor o que acharam, isso ajuda muito para saber se mexo no que já está pronto ou deixo correr como já foi feito. Dúvidas, perguntem a vontade.
Um beijo e um abraço, e até sexta, dia das atualizações.