Eu tentei
2 Pondo pra fora
Notas iniciais
Eu e Saori estávamos agora aguardando o tal psiquiatra que ela praticamente me forçou a ir. A sala era decorada em branco e preto, um tanto quanto frio pro meu gosto, mas... Eu não estava lá por vontade própria mesmo.
Saori estava convicta que eu precisava de ajuda. E eu tinha que obedecê-la, não tinha muita escolha na verdade. Ela era uma espécie de “líder” do meu círculo de relacionamentos. Era psicóloga, mas ninguém até hoje entendeu bem o porquê disso. Ela era herdeira de um verdadeiro império, e com o dinheiro que possuía não precisaria sequer trabalhar.
Mas ao invés disso ela acabou por fazer sociedades com quase todos os amigos. Eu e meu irmão também entramos nisso, nós tínhamos uma academia onde eu era personal e Shun administrador e recepcionista. Ela investiu o dinheiro e montamos algo incrivelmente bom. E a repartição dos lucros era... Quase que simbólica. Saori exigia 20% do lucro e mais nada.
Realmente fizera aquilo por nós.
Não a toa, eu e os outros praticamente a venerávamos. Ela era uma espécie de deusa para nós, uma musa inspiradora. Portanto nenhum de nós hesitava em estar ao lado dela quando precisava, para qualquer coisa que fosse.
Ele então...
Antes que eu me afundasse em sentimentos confusos em relação a ele, um homem alto, de longos cabelos loiros e olhar estranhamente fixo se aproximou. Quando cumprimentou Saori exibia um sorriso gentil.
—Boa tarde Saori. Fico feliz que tenha recorrido a mim nesse caso.
—Eu que agradeço a atenção, Saga. Eu imaginei que o que Ikki está passando é algo que é muito mais do seu território do que do meu. Portanto resolvi pedir ajuda.
—Entendo... Pelo que entendi, quer que eu o atenda junto com você?
—Sim. Após uma conversa com ele, você poderá entender melhor o que estou falando...
Saga fez sinal para que nós nos sentássemos em frente a sua mesa. Ele me encarou com uma expressão amigável.
—Está ferido.
Isso era meio óbvio. Com curativos no rosto, braços e os que ele não podia ver da cintura para baixo, eu era claramente uma pessoa machucada.
—Sim.
—Pode me dizer como isso aconteceu...
Fiquei olhando enquanto ele me encarava com uma expressão meio ansiosa.
—Desculpe. Eu sinto que já o conheço um pouco pelo que Saori me contou. Meu nome é Saga, sou psiquiatra especialista em... Alterações de personalidade.
—Transtornos de personalidade.
—Sim. Há quem não lide bem com o nome. Geralmente atendo apenas pessoas que me procuram, mas Saori me ajudou muito no passado e sem ela eu não poderia estar aqui hoje. Como ela me disse que tem você em alta conta, e sentia que estava sentindo você longe, me pediu ajuda e aqui estamos. Qual o seu nome?
Lembro de ter suspirado irritado e receber um olhar reprovador de Saori. Respondi de má vontade.
—Ikki.
—Ikki...
—Apenas Ikki.
Saga estreitou os olhos ao me encarar.
—Muito bem, “apenas” Ikki. Antes de tudo, quero ouvir da sua boca o que tem acontecido ultimamente. O que acha que pode me contar, assim, para iniciarmos uma conversa?
Eu não queria falar nada, essa era a verdade, mas já que estava ali... Tentei encontrar um lugar por onde começar, mas nada me vinha a cabeça.
—Que tal me falar como se machucou?
Era uma boa ideia.
Tentei contar de forma superficial como acabei sendo pego de surpresa por aquele velho maluco. Eu era ótimo em artes marciais, mas por conta do momento fiquei completamente subjugado a insanidade de Durval. Acordei já no hospital, com Saori e Shun preocupados comigo e aliviados por eu ter acordado bem.
Contaram-me que um dos vizinhos de Durval era policial, um jovem chamado Frei. Ao descreverem ele, me lembrei daqueles olhos azuis que me encaravam do outro lado da porta. Durval era conhecido por várias agressões as pessoas que recebia em sua casa, era um tipo perigoso que tinha tempos estava sendo vigiado pelo rapaz. Encontrava-se preso no momento, e Frei iria colher meu depoimento quando eu recobrasse a consciência e me pedir que fizesse uma acusação formal, para que a polícia pudesse prendê-lo.
Confesso que não queria mais me envolver naquela história, mas pelo olhar de Saori era necessário.
Falei a Saga que saí daquilo com um machucado na bochecha, joelhos e pernas ralados e uma leve concussão, além das pancadas na barriga. Me recomendaram repouso e que voltasse ao hospital em caso de dor de cabeça contínua ou dor abdominal que não cessasse com medicação.
Fui informado por Saori que cheguei ao hospital vestindo ainda as meias de renda e o fio dental rasgado. Por sorte ela não deixou que Shun soubesse disso, no meu celular ela era meu primeiro contato de emergência.
Quis morrer de vergonha.
Frei traria em breve minhas roupas e pertences, pegos na casa daquele maluco. Eu me sentia envergonhado por ter sido atingido por aquele doente.
E apenas por isso.
Frei por fim apareceu. Shun foi solicitado para passar a noite comigo em sua casa. Não morávamos juntos; eu queria manter a minha individualidade apesar da insistência do meu caçula. Saori pediu que ele fosse na frente para arrumar tudo, e nos deixasse a sós, ela me levaria para a casa dele assim que tudo estivesse resolvido.
Dei meu depoimento. Recebi alta quase que de pronto, uma vez que por sorte não estava seriamente ferido, apenas...
Tomei uma surra.
Então Saori me levou ao seu consultório, e me exigiu uma explicação de toda aquela situação. Após o término do meu relato, foi que ela decidiu que eu precisava de ajuda especializada.
Quando terminei de falar, Saga me encarava com a expressão tranquila.
—Você tem o hábito de se relacionar com pessoas pela internet há muito tempo?
—Alguns anos.
—Tem uma frequência?
—Não. Na verdade não, eu saio assim... Esporadicamente.
Saori mirou Saga com certa intensidade no olhar, mas nada disse.
—Ikki, você tem algum vício?
—Vício?
—Bebe, fuma, faz algo em excesso?
—Não, na verdade não.
—Nenhum vício em sexo?
—Não.
Saga anotava algo em uma folha. Não sei por que aquilo estava me incomodando.
—Está envolvido em algum relacionamento sério no momento?
—Não.
—Quando foi que vivenciou seu último relacionamento?
—Há muito tempo. Prefiro não falar nisso.
Saga pareceu ligeiramente interessado.
—Pode não falar nisso agora, mas uma hora vamos ter que entrar nesse assunto se você for continuar aqui, tudo bem?
Não, não estava bem. Eu acabara de conhecer o cara e ele já queria falar da minha vida toda assim?
—Que seja.
—E tem interesse em alguém atualmente?
—Se estou a muito tempo sem me relacionar, é meio óbvio que não.
—Não necessariamente. Talvez esteja a muito tempo sem se relacionar justamente por algum tipo de sentimento recolhido. Estou mais ou menos certo?
Na hora pensei que só podia ser coisa da língua solta da Saori, mas pela expressão dela de surpresa retirei essa ideia da cabeça na hora. Além do que ela guardava meu segredo com a ética profissional, quanto a isso eu não precisava me preocupar.
O cara era bom, eu tinha que admitir.
—Não gosto de ninguém.
—Hum...
Saga estreitou os olhos por alguns segundos.
—Não entendo o motivo de ter sido solicitado para acompanhar você. Por que acha que Saori quis que eu a acompanhasse em suas consultas Ikki?
—Exagero. Honestamente, não entendi o motivo também.
Saga deu um meio sorriso. Para mim, pareceu um tanto petulante.
—Saori?
Ela falou de um jeito tão calmo que fiquei ligeiramente assustado.
—Achei que apenas a terapia seria o suficiente para tratar o que eu julgava problemas de imagem. Ikki desde o começo tem uma visão distorcida de si. Mas percebi com os episódios que ele tem me relatado que isso é muito mais profundo. Algumas das coisas que ele já fez são... Incomuns. E a motivação que o levou até essas coisas parece a mesma, e isso eu não consegui tratar de forma satisfatória. Por isso acho que você será necessário. Eu acredito que ele precise tomar alguma coisa. Caso continue como está, tenho medo que se machuque muito mais do que no caso de ontem.
Saga tamborilou os dedos na mesa.
—Há esse risco? De se ferir?
—Já aconteceu antes, mas ele fez vista grossa, tratou como se fosse algo simples. E não é. Se continuar assim... Além de meu paciente, ele é meu amigo. Me preocupo com ele.
Saga considerou as palavras de Saori. Me olhou com aquele jeito que parecia me checar por dentro.
—Saori é uma profissional que já lidou com todo tipo de porcaria. Conheço a fundo o trabalho dela. Para que ela me diga que você fez coisas incomuns, eu fico no mínimo intrigado com que tipo de coisas seriam essas.
—Eu já disse que é exagero.
—Você se sentiu bem em algumas dessas situações que ela considera incomum?
Se ele estava falando de alguns episódios que eu compartilhei com Saori... Bom...
—Eu consegui o que queria. Isso que importa.
Saga me olhou por um tempo que não consegui classificar. O jeito que ele me olhava me deixava nervoso. Sustentei o olhar dele o máximo que pude, mas não consegui ir muito longe.
—Muito bem. Vamos começar então. Eu vou acompanhar você a partir de agora Ikki. Saori será uma espécie de expectadora. Ao término de nossas sessões eu irei conversar com ela em particular e iremos passar a você o que julgarmos necessários para cada sessão. Nos veremos semanalmente, sem desculpas.
—Nisso ele é pontual, não se preocupe.
—Muito bem. Ikki, por favor, deite-se ou sente-se naquele sofá, como se sentir melhor. Me conte então, depois que se acomodar, algo que você acha incomum que tenha feito ou se permitido nos últimos tempos.
A contragosto obedeci. Deitei-me e coloquei as mãos no peito. Tentei puxar na memória algo do tipo que ele falava.
Apenas por que a Saori praticamente me obrigou.
—Bem, confesso que um dos episódios recentes me deixou meio enjoado por algum tempo. Pode demorar um pouco pra contar tudo.
—Não trabalho com restrição de tempo. Por favor, seja detalhado.
Ele queria detalhes.
Eu daria os detalhes.
—- --
Não lembro bem a razão de eu ter ficado nervoso naquela semana. Sabia que tinha algo a ver com ele, mas não sei bem o real motivo daquela vez.
Acho que ele tinha ficado doente.
Foi, foi isso mesmo. Ele ficou doente e não o vi por alguns dias. Até me ofereci para cuidar dele, mas fui gentilmente afastado.
Outro amigo nosso fez o serviço.
Soube que ele estava mal do estômago. Com certeza deveria ter comido algo podre por aí, ele tinha uma estômago de ferro pra comer tanta porcaria.
Mas naquela vez a conta foi cobrada. Ele ficou péssimo. Eu soube que ele andava de cama, vomitando muito, febril.
Devia estar manhoso como nunca.
Visitei. Ou melhor, tentei visitá-lo. Mas nem pude subir até seu apartamento.
Naquela noite mesmo decidi procurar por companhia. Entrei na internet e comecei a pesquisar.
Passei por vários perfis, mas só vi mais do mesmo. Eu não gostava de sair várias vezes com a mesma pessoa.
Até que de repente vi um rapaz que se identificava como “Corvo”.
A primeira coisa que me chamou a atenção foi que ele disse que gostava de experimentar coisas diferentes.
Fiquei curioso. O que seriam essas coisas diferentes?
Puxei papo. Ele correspondeu. Pareceu um pouco metido no começo, e eu já ia saltando fora quando ele pediu foto.
Mandei por mandar. E aí ele começou...
“Nossa, como você é bonito...”
“Não acredito que um cara gato assim esteja sozinho...”
“Me dá uma chance e te faço ir as nuvens... Por que é onde os anjos merecem estar...”
Entre outras babaquices. O fato é que ele pareceu muito interessado.
E isso me bastava.
Ele retribuiu a foto.
Honestamente? Ele era feio.
Bastante feio.
Mas o que me importava era a atenção que ele estava me dando. Mesmo que por cantadas baratas, estava me elogiando, prestando atenção em mim.
Fiz a clássica pergunta, se ele tinha algum fetiche ou algum desejo. Ele riu e disse que gostava muito de fazer cócegas.
Achei meio bobo alguém sentir tesão fazendo cócegas. Perguntei como era aquilo, ele disse que se eu quisesse mesmo poderia me mostrar.
Bem, perguntei se era apenas isso que ele tinha de vontade. Após insistir um pouco ele disse que tinha uma fantasia que ninguém topara até então.
Quando ele me disse qual, eu torci o rosto.
Sério mesmo? Aquilo existia?
Ele me explicou como poderia ser feito. Ficou muito empolgado enquanto falava.
Bem...
Perguntei se ele ficaria contente se eu topasse.
Ele ficou todo empolgado pelo que pareceu.
E foi assim que eu tive meu primeiro banho romano.
—- --
—Desculpe interrompê-lo Ikki. Você é gay?
—Não sou viado.
—Perguntei sua opção sexual, não se você é um animal. Esse termo é pejorativo se não sabe.
Seria possível que Saga fosse tão irritante agindo daquele jeito? Mais pra frente eu descobri que era possível sim.
—Não.
—É heterossexual? Mas sai com homens?
—Sou bissexual. Tanto faz ser homem ou mulher, contanto que me dê o que eu quero.
—E isso geralmente inclui sexo ou apenas as vezes?
—Nem sempre acontece... Mas ao menos um clima erótico sim.
—Sente prazer nesses encontros?
—Não em todos.
—Culpa?
—Posso terminar?
—Certo... Desculpe, pode continuar.
—- --
Marcamos de nos encontrar em um bar, um tanto afastado da cidade. Ao chegar lá, topei com um cara que beirava os trinta anos. Tinha um moicano estranho, comprido e preto. Os dentes eram grandes e irregulares, e ele tinha um sorriso idiota.
—Você veio mesmo.
Só pela olhada que ele me deu, já valeu a noite. Aquele olhar era intenso.
Cobiçoso.
—Você é o corvo?
—Jamian, pode me chamar de Jamian. Eu... Uau...
Deixei que me olhasse o quanto quisesse. Era exatamente daquilo que eu precisava. Ele já parecia meio bêbado, mas eu não me importava.
—Tirei a sorte grande hoje... Me diga, agora que me viu ainda quer ir em frente?
—Estou aqui ainda, não estou?
Eu estava com medo que ele desse pulinhos de alegria.
—Então vamos, vamos ao meu apartamento. Lá podemos ficar mais a vontade. Ei, cobra aqui...
Jamian pagou sua conta e pegou uma garrafa de algum destilado barato. Enquanto caminhávamos, percebi que ele falava sozinho. Vez por outra me olhava e ria, todo contente.
Morava perto do bar, logo chegamos a um prédio pequeno. O lugar parecia velho e descuidado, não tinha nem elevador. Subimos as escadas e chegamos a um apartamento pequeno e bagunçado.
—Fique a vontade, não repare na bagunça. Eu vou pegar umas coisinhas no quarto, me trocar... Se quiser beber, sinta-se livre.
Ele se aproximou devagar. Chegou bem perto, eu podia sentir o hálito alcoolizado.
—Fique bem a vontade. Seu gostoso.
Ele me lambeu. Passou a língua na curva do meu pescoço até a orelha.
Senti um arrepio, mas confesso que não foi de excitação. Foi de nojo mesmo.
—Delícia.
Ele saiu meio cambaleante e sumiu na porta do que devia ser o quarto dele. Me sentei no sofá pequeno e esperei.
Depois de alguns longos minutos, a porta se abriu. Jamian saiu, vestindo uma cueca preta e uma camiseta de manga comprida na mesma cor.
Mais nada.
As pernas dele eram finas, pálidas e meio tortas. Os pés eram grandes.
Um corpo estranho.
Ele trazia uma caixinha nas mãos. Sentou-se ao meu lado, sorrindo idiotamente e me encarou.
—Então... Eu posso tirar sua roupa?
A animação do coitado me daria pena depois.
Mas ele estava ali fazendo o que eu queria... Sem sequer saber disso.
—Faça tudo que tiver vontade.
Ele gargalhou e bateu palmas. Abriu a caixinha e começou a escolher ali...
Penas.
Isso mesmo.
Pegou uma pena pequena, marrom clara e a mirou meio abobalhado.
—Vou começar com você belezinha.
Jamian se ajoelhou a minha frente e tirou meus sapatos e meias. Desabotoou o cinto do meu jeans e retirou minha camiseta.
Olhava para mim quase que com veneração.
Aquele olhar me deixava satisfeito. Feliz até.
—Sente cócegas, Ikki?
—Não.
—Isso é o que vamos ver.
Jamian começou a passar as mãos nos meus pés. Depois de alguns segundos, iniciou uma massagem.
Até estava bom.
Até a hora que ele começou a lamber meu pé.
Olhei meio espantado para ele, que passeava com a língua por ali, entre os dedos, pela sola... E me olhava com um tesão absurdo.
—Que pé maravilhoso... Está gostoso?
Eh... Estranho demais...
—Continua se estiver bom pra você.
Ele começou a chupar meu dedão. Pegou a pena e começou a passar ela no outro pé.
Não sentia nada naquele momento. Nada mesmo. Apenas deixei que ele fizesse aquilo por que...
Era simples. Nada prejudicial. E se ele me dava atenção, merecia ter seus desejos satisfeitos.
Bem, pra resumir ele me lambeu de cima abaixo. Enquanto passeava com a maldita pena pelo meu corpo. Não soltei um gemido sequer, nem quando ele afastou minha cueca e iniciou o sexo oral.
Na verdade eu nem me sentia excitado. Mas ele queria...
Quando viu que eu não estava mesmo correspondendo, ele trocou a pena por uma maior, preta e larga, e voltou a passá-la no meu corpo, a medida que se esfregava que nem um cachorro no cio nas minhas pernas.
E eu nada.
De repente ele arfou, e deu um gemido longo. Se jogou em cima de mim, a cabeça apoiada em meu ombro enquanto apertava meus braços.
—Seu... Gostoso.
Ele havia gozado se esfregando em mim. No íntimo dei graças a Deus, já podia cair fora dali.
Mas faltava uma parte.
—O que acha de tomar aquele banho agora?
Ele estava MUITO bêbado pelo jeito. Tremia um pouco, não sei dizer até hoje se pelo álcool ou por desejo mesmo.
Ninguém mais toparia aquilo, disso eu sabia.
—Se é o que quer... O que devo fazer?
Ele arregalou os olhos.
—Na minha cama... Quero que deite na minha cama.
Ele se levantou e foi me puxando pela mão até o quarto. A cama estava coberta apenas por um lençol velho.
Me deitei ali no meio, apenas de cueca. Ele me olhava de forma intensa.
—E agora?
—Agora deixa o resto comigo.
Jamian saiu por um minuto e voltou com a garrafa de bebida, e uns pacotes na mão. Identifiquei ali amendoim, um pacote de batatas e um de salgadinho, desses industrializados. Abriu a garrafa e tomou quase um quarto dela de uma vez, estalando a língua ao terminar.
—Essa é da boa.
Mal engolira a bebida, ele abriu o pacotinho de amendoins e enfiou um monte na boca. Começou a comer, aliás, engolir aquilo com pressa.
A cena era grotesca. E se repetiu até que acabasse o amendoim, as batatas e metade do salgadinho.
—Opa... Acho que está na hora.
Virou mais uma boa parte da garrafa e subiu na cama. Sentou em cima das minhas pernas e me encarou, o olhar já vago, distante.
—Pode... Apertar minha barriga...
Fiz o que ele pedia. Ele arrotou.
—Mais... Forte...
Eu forcei o aperto.
E começou.
Jamian começou a vomitar em cima de mim. O cheiro de álcool e sal do amendoim e dos salgadinhos invadiu minhas narinas, me deixando meio enjoado. Evitei respirar enquanto ele vomitava no meu peito e barriga.
E ria.
—Hehe... Hehehehe... HEHEHEHEHEHE...
Ele recuou um pouco e ficou me olhando. Começou a espalhar o vômito pelo meu tronco.
—SEU GOSTOSOOOOOO... PORRA...
Não demorou muito ele tossiu e voltou a regurgitar. O vômito quente se espalhou pelas minhas coxas.
Fechei os olhos e tentei me desligar dali. Mas não dava. A risada louca dele ecoava pelo quarto, enquanto ele continuava vomitando e espalhando aquilo pelo meu corpo.
—HIHIHIHI... Olha isso Ikki, olha... Que delícia...
Ele ficou de pé na ponta da cama e voltou a lamber meu pé. Quando tentou engolir a ponta dele, engasgou e vomitou mais ainda, agora me deixando completamente vomitado.
Aquilo era estranho. Quente, molhado mas ao mesmo tempo áspero por conta da comida mal digerida que se misturava ao cheiro azedo e se espalhava pela minha pele e pela cama inteira.
Jamian ria, ria muito. Estava visivelmente excitado. Se deitou em cima de mim e começou a se esfregar no vômito.
Ou em mim, não sabia mais nada.
Estava respirando pela boca pra não sentir aquele cheiro horrível. Não demorou muito, Jamian segurou meu rosto entre as mãos.
—Você é simplesmente...
Ele se esfregava mais forte.
—Delicioso. Porra...
Ele engasgou e acabou por vomitar uma última vez. Um jato mais comprido.
Que foi certeiro no meu rosto, única parte que estava intacta até então.
Fechei os olhos e quem já estava prestes a vomitar era eu. Mas se eu fizesse isso ele podia achar que eu estava correspondendo, portanto segurei o máximo que podia.
Ouvi ele rir e tremer, berrando quando atingiu o orgasmo pela segunda vez aquela noite. Jogou o corpo em cima de mim rindo alto.
—Maravilhaaaaaa...
Levantei rápido e corri até o banheiro. Ao ligar o chuveiro, a água demorou a esquentar mas não me importei. Precisava me lavar urgentemente.
Estava dos pés a cabeça coberto de vômito.
Arranquei a cueca sem a menor pretensão de vesti-la novamente. Que ficasse de presente pra ele.
O cheiro ainda estava lá quando me vi livre de todos os dejetos. Peguei seu xampu e me esfreguei com ele mesmo, com força.
Céus, o que eu tinha feito.
Confesso que pensei algumas vezes...
Se fosse ele ali, vomitando em mim...
Eu teria gostado?
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