Eu só vou se você for.
1 Capítulo 1
Exatamente as 05:45 da madrugada meu celular desperta, começa mais uma maldita semana em um maldito lugar que logo eu estaria na minha primeira maldita aula em uma escola qualquer e maldita.
As 06:00 da manha eu já estava em frente ao espelho do guarda roupa no meu pequeno e humilde quarto.Bom eu não fazia o tipo galã que arranca suspiro das mulheres, ou ate mesmo aquele tipo de cara que faz todo mundo quase quebrar o pescoço quando passa ao lado de alguém, mas ate que para um cara com 1,66 de altura e um poco acima do peso eu estava ótimo, bom pelo menos eu tento me iludir deste jeito né.
–Y — chamou minha mãe, Y era um abreviação do pequeno nome: Yan, na qual meu pai me deu — Você tem 15 minutos para descer, comer tomar café e sair de casa para pegar o ônibus.
Eu sinceramente não sei porque as pessoas falam "café da manhã" se geralmente sempre comemos alguma coisa e nunca tomamos apenas o café em si, quando eu for mais velho e virar o presidente do Brasil, vou proibir esse termo e começaremos a usar "Lanche da manhã".
–Sinceramente mãe, a senhora sabe que nunca como nada logo quando eu acordo, não sei porque ainda insiste.
–Essa mania feia ainda vai fazer você desmaiar na rua um dia, você vai ver.
As 06:29 eu já estava na rua, indo em direção ao ponto de trólebus. Sim trólebus é aquele ônibus elétrico que tem tipo uma rua só pra ele sabe e que por puro azar meu, sempre esta lotado de gente. Eu tinha exatamente 1 hora e 6 minutos para chegar na minha escola nova e achar a minha sala, onde passei o resto da manha e talvez da tarde pensando em maneiras diferentes de me matar, brincadeira que faço quando estou entediado, e eu sempre estou entendiado.
Não sei o nome do lugar a onde moro, estou morando aqui já faz um mês e eu ainda não decorei o maldito nome deste lugar. E lá estava eu, as 06:40 em pé com meus fones de ouvido escutando Supercombo, dentro de um trólebus cheio com pessoas na qual eu nunca tinha visto na minha vida e tinha certeza que a maioria eu nunca mais veria, mas eu não ligava para isso, eu não ligava ate que em um ponto super aleatório na qual eu nem mesmo prestei atenção no nome, entrou uma garota ruiva, bem branca, ela não era magra nem gorda, ela tinha um corpo bonito, um corpo muito bonito. E por incrível que pareça ela estava comendo, sim, ela estava comendo, de manha e em um trólebus cheio de pessoas, PESSOAS DESCONHECIDAS, na mão direita estava uma latinha de 350 ml de coca cola e na outra deveria ser algo parecido com um salgado-sanduíche. Ela parou bem ao meu lado, naquele lugar onde parece uma sanfona no trólebus, e uma coisa me chamou a atenção, o olho dela era cinza, não um cinza escuro mas aquele cinza bem claro beirando o branco, mas nem tão branco. Eu fiquei ali um tempo admirando a garota que parecia no máximo ter uns 17 anos, um fato engraçado nesta "ruiva" dava para ver que era um ruivo natural, mas a sua sobrancelha era preta, eu ri por dentro e ate deixei escapar um sorriso, que não durou muito tempo.
– ALGUÉM VIU MEU CELULAR?
Era uma voz de garota e notavelmente estava chorando e havia desespero na voz, e para o meu espanto a voz era da ruiva.
–MINHA MÃE VAI ME MATAR, GENTE ME AJUDA, ALGUÉM VIU UM CELULAR BRANCO?
Eu não podia fazer nada a não ser ficar vendo algumas pessoas tentando acalmar a ruiva e fazerem uma tentativa frustante numa missão em busca ao celular perdido. Ninguém achou e 3 pontos depois, a ruiva desceu em prantos, chorava tanto que ate soluçava, por um momento eu tive dó, mas logo pensei que nunca mais veria a garota ruiva da sobrancelha preta novamente, mas eu estava errado e como eu estava errado. Quando eu já estava me encaminhando em direção a porta para descer no próximo ponto eu pisei em algo, por um momento pensei que era o pé de alguma pessoa e já estava me virando pedindo desculpas, mas não havia nada ali, olhei para baixo e vi uma capinha de celular meio psicodélica com alguns desenhos em cores vibrantes, um celular estava ali entre meu pé esquerdo e em uma parte da sanfona, impossível para os outros verem, a não ser que eu tirasse o pé da frente, coisa que na hora que a ruiva estava gritando eu não fiz, fingi que arrumava meu sapato e peguei discretamente, era um Iphone, sei la qual, e logo desci do trólebus ai que tudo começou, o celular vibrou, não era de senha, apenas de deslizar e la estava um sms de um numero não gravado e a mensagem dizia:
–KAYLA ME RESPONDE.
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