Eu não devia estar aqui
5 Gente mais esquisita ainda...
Notas iniciais
Estou apavorada... As batidas no portão de madeira do pátio só ficavam mais fortes, e os alunos ficavam encarando o portão. Alguns pareciam com raiva, outros surpresos, outros até mesmo como se tentassem não perder o controle.
Mas eu era a única que estava com medo. A ÚNICA! Ainda bem que todos estavam prestando atenção demais no portão em vez de mim. A única coisa que se ouvia era a batida na porta, e se ficou assim durante uns segundos, até ouvir-se uma voz do outro lado da porta.
– Cara... Você sabe que ficar batendo na porta não vai fazê-la abri, não é? — Disse uma voz masculina
– Sei... – Outra voz respondeu. As batidas na porta cessaram.
– Nunca mais deixem o Jeff dirigir! – Reclamou uma voz feminina.
– CALA BOCA JANE! NINGUEM PEDIU SUA OPINIÃO!
– Crianças... Crianças... – Outra voz feminina falou – Enquanto vocês estão aí se matando... O portão está fechado... Nós estamos no lado de fora, e era para a gente estar lá dentro!
– Tive uma ideia!
– Qual?
– Me dá isso aqui Toby...
– Jeff! DEVOLVE!
– DA AQUI ESSA MERDA DE MACHADO – (N/A: ‘-‘)
– JEFF! SOLTA – Um coro de vozes ressoou no outro lado da porta.
– HÁÁÁÁÁÁÁÁ – A voz gritou, e em seguida um baque ressoou na porta, e veio seguida por outro, abrindo-se assim uma pequena fenda na porta.
– EI! Já estou conseguindo ver o outro lado. Epa... ESPERA! TOBY! DEVOLVE!
– O MACHADO È MEU, NÃO SEU!
– DEVOLVE ESSA MERDA! A GENTE QUE ENTRAR!
– Jeff... – Outra voz masculina respondeu – Calma...
– CALA BOCA AÍ SEU CEGO!
– CALA BOCA VOCÊ, COPIA DE CORINGA!
– Tio Eyeless... Tio Jeff... Parem de brigar – Disse uma voz de garotinha chorosa...
– Ninguém vai brigar Sally...
– Nem mesmo o Jeff resiste à carinha da Sally... Hahahahaha...
– Fica calada Clock... – Falou uma voz em tom ameaçador – A GENTE AINDA ESTÀ TENTANDO ENCONTRAR UMA MANEIRA DE ENTRAR!
– Não pegue meu machado!
– Jane, me entrega aquele extintor de incêndio.
– Não sou sua empregada.
– Então tá, eu mesmo pego!
– O que você pretende fazer com isso?
– IÀÀÀÀÀ – Em seguida a porta foi esmurrada varias vezes até ela abrir.
Todos os alunos deram um passo para trás observando o “grupinho do lado de fora”. Um garoto tinha o extintor de incêndio nas mãos, e a maçaneta da porta se encontrava caída no chão. Mas outra coisa me chamou atenção. O seu rosto. Eu arfei levando as mãos até a boca.
Sua pele era branca de um jeito quase sobrenatural! Seus olhos arregalados encaravam os alunos do pátio, sues cabelos duros e queimados caiam sobre os olhos. Mas o que mais me chamara atenção foram seus lábios.
Sua boca estava cortada!
Bem... O grupinho entrou no pátio recebendo a atenção de todos.
– Hmm... Acho que a gente chamou atenção demais – Disse uma garota. Ela tinha cabelos castanhos, e um olho verde. O outro olho... Bem... Era tipo um relógio. Tenho que dizer cada um desse grupinho tinha uma aparência um tanto estranha. Tinha uma garota com cabelos negros, e em seu rosto ela usava uma mascara que parecia meio colada a sua pele, por um momento até pensei que na verdade era seu rosto, mas depois percebi que não era... Também havia um garoto, que tinha cabelos castanhos, e usava uma mascara azul. No lugar de seus olhos, só havia escuridão. Eu estremeci.
Enfim... O pátio inteiro ficou calado por uns bons dois minutos, até o garoto com a boca cortada falar.
– Qual é? Vão ficar calados? Gritem, aplaudem, se matem, mas pelo amor de Deus, façam alguma coisa – Ele disse bufando. Os alunos continuaram lhe encarando perplexos em um silencio avassalador, que fora quebrado por Nicole gritando.
– AI MEU DEUS! – Nicole exclamou dando um pulo – GENTE! È O JEF THE KILLER!!!
Assim que ela falou isso, foi como se os alunos tivessem despertado do transe.
– Jeff The Killer? Aqui na escola? – Ouvi murmúrios ecoarem pelo salão.
– Sim! – Disse o rapaz de boca cortada, que identifiquei como o tal Jeff The Killer – Estou aqui na escola, algum problema? – Ele disse rindo – E, aliás, garotas bonitas desse lugar, quando eu receber o meu quarto, deem uma passadinha por lá mais tarde – Ele disse piscando um olho, retirando risos e suspiros de algumas meninas. Eu franzi o rosto. Como alguém poderia estar afim daquele projeto de coringa?
Enquanto eu pensava isso, alguma garota saiu correndo em direção do tal Jeff gritando.
– JEFF! Jefinho! Quanto tempo! – Ela falou praticamente pulando em cima dele. Eu a encarei. A garota tinha cabelos negros e longos presos em um rabo-de-cavalo, deixando uma mexa cor-de-rosa solta. Ela usava um moletom roxo junto de uma saia preta e uma meia três quartos de cor vermelhas com listras pretas.
–Argh! – Exclamou Jeff – Sai pra lá Nina... – Ele disse a empurrando. Ela cruzou os braços e fez bico. Em seguida ele sorriu de uma maneira psicopata e encarou os alunos.
– Bem... Hora de me apresentar – Ela disse sorrindo – Prazer, sou Nina The Killer – Ela disse fazendo uma reverência, para logo em seguida abraçar o braço de Jeff – E esse aqui, como vocês devem conhecer, é o Jeff, o meu namorado – Ela disse cantarolando.
– Nina... – Ele disse a empurrando e revirando os olhos – Eu já falei, e vou falar de novo, a gente não está namorando! – Ele disse bufando.
A garota riu descontroladamente enquanto ia em direção a multidão.
– Veremos – Ela falou para Jeff em um tom ameaçador para em seguida se dispersar na multidão.
– Vai se foder – murmurou Jeff revirando os olhos – Enfim... – Ele disse já esquecendo o acontecido. Ele se virou para os alunos e sorriu – Vocês já devem me conhecer, né... Afinal, não é todo o dia em que se encontra um Creepypasta famoso por aí! Então se quiserem vir pedir autógrafos, ou até mesmo se as donzelas quiserem algo mais... – Ele disse piscando um olho fazendo algumas garotas rirem –... Falem comigo agora! – Ele disse rindo. E com isso, como em um passe de magica, a multidão começou a ir em direção ao “grupinho” e começou o tumulto.
Os alunos começaram a conversar com o “pessoalzinho” que acabou de chegar como se fossem celebridades.
Provavelmente eu era a única que quis ficar no lado de fora. Fiquei pensando nisso até ser cutucada no ombro por uma garota. Ou melhor, uma garotinha mesmo!
– Tem muita gente... – Ela disse em uma voz fina e inocente de criança. Eu a encarei. Ela tinha por volta de uns oito anos, tinha cabelos castanhos e olhos verdes. Ela segurava um ursinho debaixo do braço e me encarava atentamente. Eu a encarei. È estranho o fato de ter uma criança dessa idade nesta escola. Eu sorri para a garotinha tentando ser simpática.
– Eu concordo – Eu disse fazendo um sorriso simpático – Eu não me sinto bem com multidões – Eu disse sorrindo.
– Eu também não gosto muito – Ela disse inclinando a cabeça para o lado – Mas o Tio Jeff gosta muito de chamar atenção – Ela disse coçando um olho.
– Eu concordo – Falei rindo – Qual o seu nome? – Perguntei.
– Meu nome? – Ela disse me encarando – Meu nome é Sally...
– Prazer, meu nome é Claire – Eu disse estendendo a mão. Ela a apertou sorrindo.
– Estranho... – Ela murmurou me encarando – Você não é um Creepypasta – Ela disse a ultima parte em um sussurro.
– Como assim? – Falei levantando uma sobrancelha.
– Você é humana... – Ela disse arfando.
– O que foi Sally?
– N-não era para você estar aqui... – Ela disse olhando em volta – Você tem que sair! Agora – Ela falou pegando meu pulso e tentando me guiar par o portão, mas eu desvencilhei meu pulso de sua mão.
– Sally... – Eu falei a segurando pelos ombros – O que está havendo?
– S-se v-você não for embora logo... V-você vai... Você vai... – Ela engoliu um seco.
– Eu vou o que?
– Vai morrer – Ela disse de uma vez. Eu arregalei os olhos.
– Como assim? – Perguntei. Minha voz saiu rouca e falha.
– O-o t-tio Jeff... – Ela falou engolindo um seco e olhando para o Jeff – Há não... – Ela disse engolindo um seco. Eu acompanhei seu olhar. Encontrei Jeff, que me encarava.
Por mais que sua boca seja cortada em um sorriso, sua expressão era séria. Ele me encarava se um jeito estranho, curioso, cruel, e até mesmo mortal...
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