Eu estrelo você

17 A volta do que foi perdido


Notas iniciais
*Postando dois capítulos pois não postei semana passada, tive que sair no fim de semana e não consegui postar durante a semana porquê o pc ficou paralizando, e isso me torrou a paciência, desculpem. *EEEEEITA GIOVANAA, SEGURA QUE OS FORNINHOS VÃO CAIR O____O

Isabel POV

— NÃO VOU SOLTAR ATÉ QUE VOCÊ CONTE O PORQUÊ DE TER FALTADO POR UMA SEMANA INTEIRA !!! — Exclamei.

— Aiiiii !

— VOCÊ NÃO ATENDEU MINHAS LIGAÇÕES E ME MANDOU EMBORA QUANDO FUI TE VISITAR, QUEM VOCÊ PENSA QUE EU SOU !? — Perguntei.

— Desculpa, desculpa, desculpa ! Eu me rendo ! — Exclamou ele.

Parei de beliscar a barriga dele com minhas unhas enquanto o abraçava e falei :

— Vai, pode falar.

— Vamos subir primeiro, não quero falar aqui. — Disse ele.

— Tá... — Falei.

Subi com o Vinícius pra nossa sala de aula, e quando sentamos nos nossos lugares, falei :

— Pronto, pode contar.

Vinícius suspirou e falou :

— Não foi nenhum motivo especial, eu só estava meio chateado, apenas isso. — Disse ele.

— Chateado por causa de que ? — Perguntei.

— Por causa da briga com a minha mãe, no outro dia.

— Aquela que o Gabriel te ajudou ?

— Sim. — Disse Vinícius.

— Você está mentindo, não foi por causa disso. — Falei, enquanto me levantava.

— N-não est... — Ele foi falar, mas eu o interrompi.

— Escuta aqui sua quenga, desde que nos conhecemos você esconde sua história com o Gabriel, e até mesmo hoje eu não sei tudo o que aconteceu entre vocês dois. — Falei. — Mas o motivo de você ter faltado a semana inteira, eu tenho certeza que tem haver com o Gabriel ! E sabe o por quê ?

— Por que ? — Perguntou ele.

— Porquê você sempre me conta TUDO sobre TUDO, as únicas coisas que você me esconde tem haver com o Gabriel, e se você está me escondendo o motivo de ter faltado esses cinco dias, com certeza tem haver com ele também !

— Não vai mudar nada na sua vida saber sobre mim e o Gabriel.

— Claro que vai ! Caralho ! — Exclamei. — Você é o meu melhor amigo ! Eu mesma te conto tudo sobre mim, pois você sempre me ouve e me ajuda. Eu só quero que você confie em mim assim como eu confio em você, para que eu possa te ajudar do mesmo jeito que você me ajuda !

Vinícius ficou quieto, ele estava pensando no que eu disse.

— Tudo bem, eu vou contar. — Disse.

— Sério ? — Perguntei.

— Sim, eu já sabia que você não ia se convencer com um não ou uma desculpa qualquer, afinal eu já fiz isso muitas vezes. — Respondeu ele.

— Você é um péssimo mentiroso, e mesmo assim mente direto. — Falei.

— Achei ofensivo.

— É pra ser ofensivo mesmo, hunf. Agora fala.

— ... Por onde eu começo ? — Perguntou ele.

— Do início, você e o Gabriel eram melhores amigos, não eram ? — Perguntei.

Os alunos e o professor adentraram a sala, e tivemos atividade pra fazer.

Eu e o Vinícius sentamos juntos pra fazer, e ele continuou me contando toda a história.

Fiquei surpresa com as coisas que ouvi, aquelas palavras eram como peças que se encaixavam no meu quebra cabeça.

— E aí no domingo passado, naquele parque, ele ficou bravo ao saber tudo que eu fiz com ele e me deixou lá. — Disse Vinícius. — Também falou que era o fim, e que nunca mais iria olhar na minha cara.

— Tenso, então quando eu cheguei na escola, foi quando você tinha empurrado o Gabriel no parque e havia parado de falar com ele ?

— Sim. — Afirmou Vinícius.

— E você parou de falar com ele porquê ele te amava e te enchia o saco ? — Perguntei.

— Sim.

— Você abandonou seu melhor amigo, que conhecia à anos porque ele se apaixonou por você ?

— S-sim...

— E depois, quando você o chamou pra vir falar com a gente na loja em que eu trabalho, vocês foram numa praça, ele tentou te abraçar e você bateu nele ? Foi por isso que a Márcia foi atrás de você, furiosa ? Ela foi se vingar ?

— Sim.

— E você bateu no Gabriel só porquê ele estava feliz ao voltar à falar com você ?

— Foi porquê ele tentou me abraçar em público de novo, mas sim... — Disse Vinícius.

— Depois ele perdeu a memória em frente à sua casa e você acabou tendo que cuidar dele, e a única pessoa que ele lembrava era você ?

— Sim.

— E por se lembrar de você, e provavelmente sentir os mesmos sentimentos amorosos que sentia antes, ele ficava te expondo na frente da família ?

— Sim, e eu me irritava por isso.

— Aí você começou à namorar com o Guilherme e esqueceu o Gabriel na rua, tomando chuva ?

— S-sim...

— E por ter esquecido ele lá, sua mãe brigou com você e você ficou puto, achando que a culpa era do pobre Gabriel, que havia tomado chuva e ficado doente ?

— Uhum.......

— E por causa da raiva de ter levado uma bronca, você foi e sussurrou no ouvido dele, que ele era um inútil, que só te atrapalhava e que ele estaria melhor morto ?

— S-s-s-sim.....

— Daí no dia seguinte, ele esqueceu de você e começou à se lembrar das outras coisas ?

— Ele já havia começado a se lembrar antes, ele só esqueceu de mim mesmo. — Respondeu Vinícius.

— Ai teve a briga com sua mãe, ele encontrou o Gui, e depois você levou ele no parque para que ele lembrasse de você ?

— Isso.

— Aí lá vocês conversaram, você contou pra ele o que acabou de me contar, ele ficou puto porquê estava diante do garoto que fodeu com a vida dele, e decidiu parar de falar contigo de vez ?

— Sim.

— E você faltou cinco dias consecutivos porquê estava com medo e vergonha de se encontrar com ele, de novo ?

— Sim.

Nossa, a história deles é muito mais complicada do que eu pensava, aff, se eu soubesse que era tanta coisa assim, eu teria perguntado pra Márcia. Acho que eu conseguiria a convencer de me contar isso tudo.

O Vinícius fez muito mal pro Gabriel e agora está lidando com a dor do arrependimento.

— Se você pudesse mudar alguma coisa nisso tudo, você mudaria ? — Perguntei.

— Como assim ?

— Se você pudesse viver tudo de novo, você faria tudo igual ou mudaria algo ? — Refiz a pergunta, de um modo diferente.

— Eu com certeza mudaria algo. — Falou ele.

— O quê ?

— Quando eu tivesse começado à namorar com o Gabriel, eu daria todo o amor e atenção que ele merecia, ao invés de deixar ele de lado. — Respondeu Vinícius.

Hm... Hm...

— Olha, vou te falar o que eu acho disso tudo. — Falei.

— Fale.

— Acho que dar a atenção pra ele no passado não seria a solução, pois mesmo que você namorasse ele e não o deixasse de lado, isso não significaria que você o amava. — Falei. — Pra ser mais direta, se você não sentia nada mesmo por ele, você não deveria nem ter começado o namoro, esse foi o seu principal erro.

— Sim...

— Por que você deu falsas esperanças pro Gabriel, se você não sentia nada por ele ? — Perguntei.

— Eu pensei nisso semana passada e não consegui chegar à nenhuma conclusão lógica. — Disse ele. — Acho que eu errei mesmo, agi por impulso e estraguei tudo.

— Sim. Você foi ingênuo. Por sua culpa, a relação e história que você um dia teve com o Gabriel, se despedaçou. — Falei friamente.

— Eu sei.

— Mas e agora ? Depois de tanto pensar, o que você decidiu ? — Perguntei. — Você vai ir correr atrás dele ? Vai provar à ele que pra você, ele é sim muito importante ? Você vai lutar por ele, igual um dia ele lutou por você ?

— ...

— Hein ?

— Não. — Respondeu Vinícius.

— Por quê ? — Perguntei.

— Pois eu estaria mentindo, eu acho que não gosto tanto dele assim à ponto de lutar por ele. — Falou ele. — E outra, como você mesma disse, eu já ferrei com tudo, não tem mais volta.

— Hm... — Falei.

— É melhor nós nos afastarmos um do outro, de uma vez por todas, e seguirmos nossas vidas. — Falou Vinícius.

— Sim, e eu tenho certeza de que é isso que ele quer agora também. — Falei. — Vamos enterrar essa história e por uma pedra em cima. Seguir em frente, Vinícius.

Vinícius fez uma expressão triste e concordou comigo.

— E o Guilherme ? — Perguntei.

— Nunca mais falei com ele. — Respondeu.

— Nem vai falar ?

— Não sei, ele ainda não veio se desculpar comigo.

— Sei. — Falei.

— Aliás, quando eu falei que briguei com a minha mãe, estava falando a verdade. — Contou Vinícius.

— Sério ? O que houve dessa vez ?

— Ela ficou brava porquê eu estava faltando e quis saber o motivo. — Disse Vinícius. — Eu não consegui dizer a verdadeira razão, então ela começou à me atacar verbalmente com coisas horríveis.

— Eita...

— Ela usou minha homossexualidade, minha amizade com o Gabriel, meu beijo com o Guilherme e tudo mais pra me ofender. Foi horrível. — Disse ele.

Após o término das três primeiras aulas, eu e o Vinícius fomos pro refeitório da escola, no intervalo.

Estavam dando arroz, feijão, salada de repolho e uma maçã, de sobremesa.

Nós pegamos a fila e colocamos as mãos nos nossos pratos.

— Olha a Verônica e o Pedro ali, vamos com eles ? — Perguntou Vinícius.

— Vamos. — Respondi.

Eu e o Vinícius fomos até os dois, e nos sentamos na frente deles.

— Olha quem veio hoje, o sumido. — Disse Verônica. — O que aconteceu ? Estava doente ?

— Mais ou menos. — Falou Vinícius. — E aí, como vão ?

— Tá tudo bem, eu acho. — Disse Verônica.

— Oi Vinícius. — Disse o Pedro fofinho.

— Oi Pedro. — Falou Vinícius.

Olhei pro lado e vi o Guilherme comendo sozinho, sentado.

— Ei Vinícius, o Gui tá ali sozinho, acha que ele vai vir falar com você hoje ? — Sussurrei no ouvido dele.

— Acho que não, sei lá. — Vinícius sussurrou de volta.

Gabriel adentrou o refeitório, passando ao lado da fila com alguém em suas costas. Ele estava carregando aquele garoto albino, que é novo na escola.

— Oi tia, posso pegar uma maçã ? — Perguntou Gabriel.

— São DUAS maçãs. — Disse o garoto albino, que estava nas costas do Gabriel.

— Verdade, haha. — Riu ele. — Temos que dar uma maçã pro coelhinho também, mas acho que a salada seria melhor.

— Não sou um coelho. — Disse o garoto.

— Aqui, tomem. — Falou a tia, enquanto dava as maçãs pra eles.

— Brigado ! — Os dois exclamaram, juntos.

— Vamos sair daqui Nell, odeio ficar aqui dentro. — Disse Gabriel. — Esse cheiro de comida me enjoa.

— Tá, vamos procurar a Márcia então ? — Perguntou o garoto de olhos vermelhos.

— Ela deve estar "barrada" pelo Kaio. — Respondeu Gabriel.

— Hm... Então me leve pra qualquer lugar.

— Certo, vamos dar um passeio, hihi. — Disse Gabriel, enquanto saía do refeitório com o garoto em suas costas.

— Nell ! — Exclamou Verônica, enquanto batia as mãos na mesa e se levantava. — Eu já volto. — A garota jornalista saiu atrás dos dois garotos e nos deixou sozinhos com o Pedro.

— Quem era aquele menino esquisito ?? — Perguntou Vinícius.

— Ele é o aluno novo, Nell. — Respondeu Pedro. — Ele é albino e a Verônica tá doidinha pra conseguir uma entrevista com ele.

— Ele virou amigo do Gabriel ? Daquele jeito ? Isso é estranho, o Gabriel não é de fazer amigos. — Disse Vinícius. — E você viu Isabel ? Ele tava carregando o menino !

— Eu vi, eu vi. — Falei. — Você perdeu muitas coisas por faltar uma semana.

Continuamos conversando com o Pedro.

Gabriel POV

Vi Márcia sentada em cima de uma mesa de professor, que estava jogada num canto do pátio.

Fui até ela e coloquei o Nell sentado do seu lado esquerdo, depois, me sentei ao lado direito dela.

O coelhinho ficou todo distraído, comendo sua maçã, e eu cochichei com Márcia um assunto que o Nell não podia escutar.

— E aí, como foi ? — Sussurrou Márcia.

— O Guilherme estava sentado sozinho, comendo. — Falei.

— Ele não teve nenhuma reação ao ver o Nell lá dentro ?

— Não, e o Nell também não notou ele.

— Talvez não sejam o mesmo Guilherme, afinal de contas. — Disse Márcia.

Eu e Márcia havíamos colocado na cabeça, que o Guilherme da escola é o mesmo do passado do Nell, e nós bolamos uma teoria.

O Nell é albino e possui uma aparência física inesquecível pra qualquer um. Se o Nell olhar pro Guilherme após todos esses anos, talvez ele não o reconheça de vista, pois ele deve ter mudado muito fisicamente, mas, se o Guilherme ver o Nell, é impossível ele não o reconhecer, afinal, o Nell deve ser o único de cabelos brancos e olhos vermelhos no estado inteiro, ou talvez até no país.

Eu e Márcia tínhamos certeza que o Guilherme já havia notado o Nell na escola, desde o primeiro dia que ele chegou.

E era estranho, o Guilherme estava voltando comigo todos os dias pra casa, mas, por que ele não vinha falar comigo no intervalo também ? Eu e Márcia concluímos que era porquê o Nell estava com a gente.

O Guilherme não deve querer falar com o Nell por causa do que houve no passado deles, talvez ele se sinta culpado pelo Nell ter ficado sem andar, depois do acidente.

Se o Guilherme não queria falar com o Nell, talvez o Nell quisesse falar com o Guilherme.

Então só precisávamos fazer o Nell notar o garoto, mas a tentativa foi fail, pois o Nell nem olhou pras pessoas que estavam sentadas comendo.

— Vamos pensar em mais alguma coisa depois. — Falei. — E o Kaio ? Você não estava conversando com ele ?

— Sim, ele está lá na biblioteca.

Verônica chegou até nós do nada e perguntou :

— Nell, já mudou de ideia ? Quer fazer a entrevista ?

— Não. — Respondeu Nell.

— Por quê ? Vai ser melhor se você aceitar, nós poderemos fazer melhorias no elevador e nos banheiros. — Disse ela.

— Não, você só quer mais um furo. — Falou o coelhinho. — E eu não sou seu amigo pra querer te dar isso de mãos beijadas.

Flashback ON ~~ No meu primeiro dia de aula, na sexta série.

— Você veio de qual escola ? — Perguntou um garotinho loirinho, que se sentava do meu lado, na primeira carteira da frente.

— Vim do Benedita, conhece ?

— Conheço, falaram que lá é horrível. — Disse o garotinho.

— É horrível mesmo, foi por isso que eu saí de lá ! — Exclamei.

— Os professores eram chatos ?

— O problema não era os professores, eram os alunos. — Falei. — Eu não tinha nenhum amigo lá e ainda me chamavam de viado só porquê eu era quietinho e fazia as lições.

— Puxa, que chato, eu já passei por isso. — Disse o garotinho, enquanto fazia uma expressão triste.

— Eu só fiz a quinta série lá, normalmente era pra terminar tudo, mas eu não aguentaria ficar lá por mais um dia sequer. — Falei.

— Qual é o seu nome ? — Perguntou o garotinho.

— Gabriel, e o seu ?

— Meu nome é Pablo Vinícius. — Respondeu ele. — Mas pode me chamar de Vinícius, todo mundo me chama assim.

— Você fez a quinta série aqui também ? — Perguntei.

— Sim ! — Respondeu.

Flashback OFF

Pablo Vinícius... ?

— É melhor você fazer a entrevista Nell, a Verônica tem razão. — Disse Márcia.

— Eu me recuso. — Negou ele.

— A-aai.... — Gemi de dor.

— R-Riquelme ? Tá tudo bem ? — Perguntou Márcia.

— T-tá, é só a dor de cabeça ficando bem forte. — Respondi.

Desde que saí da casa do Nell na sexta, fiquei com uma dor de cabeça enorme.

Passei o fim de semana inteiro com ela doendo.

— É melhor você ir no médico ver isso. — Sugeriu Nell, enquanto dava uma mordida na sua maçã.

— Concordo. — Falou Márcia.

— Tá, tá, eu vou. — Falei.

— Não mudem de assunto. Nell, você não vai mesmo fazer a entrevista ? Todo mundo sonha em ser entrevistado no jornal ! — Exclamou Verônica.

— Biel, me leva pra biblioteca, não quero mais ficar ouvindo essa tiazinha. — Disse Nell.

— Não pode entrar lá com alimento. — Falei, enquanto mordia minha maçã também.

Ficamos aturando a Verônica falar o intervalo inteiro.

Com o término das aulas, eu voltei pra casa com o Gui, como de costume, e eu decidi ser bastante direto.

— Gui, você conhece o Nell ? Aquele menino de cabelo branco que fica comigo no intervalo ? — Perguntei.

— Como assim... ?

— Você conhece ele desde quando era pequeno ? — Perguntei.

— Então ele contou. — Respondeu Guilherme.

Nossa, era o mesmo Guilherme, estou chocado.

— Ele não sabe que você estuda nessa escola, digo, ele me contou sobre um Guilherme que era amigo dele. — Falei. — Eu apenas imaginei que podia ser você, mas não era nada concreto.

— Hm... — Disse Guilherme.

— Você não vai ir falar com ele ?

— Melhor não. — Respondeu o garoto. — Você sabe da história toda ?

— Acho que sim. — Falei.

— Então, eu não faço ideia de como chegar até ele. — Disse Guilherme. — Encarar o Nell, pra mim, é impossível. É mil vezes mais impossível do que encarar o Vinícius, afinal, é por minha culpa que ele não anda mais.

— Pode ter sido por sua culpa sim. — Falei. — Mas o Nell, quando me contou a história, em momento algum falou que a culpa foi sua.

— O que ele falou ?

— Ele disse que poderia ter desviado do veículo se quisesse, mas foi pego porquê estava distraído. — Contei. — O Nell culpa a si mesmo por ter sofrido o acidente, e também se culpa pelo quê aconteceu com a sua família, Gui.

— ... — Guilherme ficou quieto.

— Eu não sei o que você pensa sobre tudo isso, mas, o Nell está se culpando por tudo e segurando todo o peso sozinho. — Falei.

— Eu jurava que ele me odiava com todas as forças. — Disse Guilherme.

— Aquele coelhinho não tem força pra odiar ninguém, tenho certeza de que "ódio" é uma palavra que não existe no vocabulário dele. — Afirmei.

— Hm... — Guilherme ficou bastante pensativo.

— E se, — Eu fui falar, mas me interrompi por causa da dor de cabeça. — A-ai !

— O que houve ?

— N-nada não. — Falei.

Cheguei em casa e me joguei na minha cama, cansado de andar e com dor de cabeça.

— A-aaah... — Murmurei.

Flashback ON ~~ Há anos atrás, na sétima série.

— Ai ! — Exclamei. — Por que você me espetou com esse lápis ? — Perguntei, enquanto me virava pra trás e via o Vinícius sentado atrás de mim.

— Porque é legal, hihihi. — Respondeu ele.

— Tsk. — Murmurei.

Me virei pra frente e continuei fazendo a lição, mas senti algo espetando o meu pescoço.

— VINI ! — Exclamei, enquanto virava rapidamente pra trás, pegava o lápis dele e o jogava pela janela.

— Meu lápis ! — Exclamou ele.

O povo da sala olhou pra gente e deu risada. Eu me senti envergonhado e virei pra frente.

— Você vai me dar outro lápis. — Sussurrou o Vini, no meu ouvido.

— Eu não vou te dar outro lápis, a culpa foi sua por ficar me espetando ! — Exclamei, ainda virado pra frente.

Vinícius abriu seu estojo e retirou um novo lápis de dentro, e depois, deu um sorrisinho maléfico.

— Eu estou vendo... — Falei, enquanto olhava rapidamente pra trás.

Flashback OFF

Vini... ?

Flashback ON ~~ Há anos atrás, ainda na época da sétima série.

Eu estava brincando com o Vinícius no quintal da casa da avó dele.

— Eu vou ser o Byakuya. — Disse ele.

— Tá bom, eu serei a Crona. — Falei.

— Ahhhh não, a Crona não ! Eu tenho medo dela. — Falou o Vini.

— Que besteira, é só uma brincadeira. — Falei.

— Tá bom. — Disse ele, enquanto fingia segurar uma espada.

— Ragnarok ! — Exclamei, enquanto fingia segurar uma espada também.

— Shire, senbonzakura. — Falou o Vini.

Fui correndo até ele, mas ele apontou a espada pra mim.

— Você está sendo cortado ! — Exclamou ele.

— Ahhhh, malditas pétalas cortantes ! — Fingi estar sendo cortado. — Hahaha, mas esses cortes ativam o meu sangue negro !

Continuamos brincando, fingindo que éramos personagens até a Maria nos chamar.

— Vinícius, Gabriel, venham logo ! — Chamou ela.

Fomos correndo pra dentro de casa e nos sentamos na mesa da cozinha.

— Já lavaram as mãos ? — Perguntou a dona Maria.

— Aaarg. — Resmungamos eu e o Vini.

Fomos juntos até o banheiro pra lavarmos as mãos.

Eu liguei a torneira, mas só cabiam duas mãos por vez, nós não conseguíamos lavar ao mesmo tempo.

— Tira sua mão, deixa eu lavar primeiro. — Falei.

— Não. — Disse ele, enquanto empurrava minha mão pra fora da pia.

— Para Vini ! — Exclamei.

— Para você Gabriel ! — Exclamou ele.

Molhei ele com a água da torneira, e ele jogou água em mim também.

— Toma, toma ! — Exclamei.

— Vocês tão brincando com a água do banheiro ?? Não já falei que era pra ir um de cada vez ?? — Perguntou Maria.

Flashback OFF

Me levantei da cama e dei umas voltas pela casa, ainda com dor de cabeça.

Estou me lembrando do Vinícius, tenho certeza.

Tive alguns flashbacks no fim de semana também.

Droga, isso é estranho, por que as lembranças com ele estão voltando justo agora ? E pelo visto nós éramos bem amigos quando crianças.

Sorri sozinho, enquanto refletia o momento em que eu brincava com ele, fingindo ser um personagem.

Eu era muito idiota.

— Hahaha. — Ri.

Flashback ON ~~ No fim da oitava série.

— Vini, tenho medo de cair numa sala diferente da sua no próximo ano. — Falei.

— Nós sempre caímos na mesma sala, acho que não vão nos separar não. — Disse ele.

— Mas no próximo ano, nós vamos pro ensino médio e trocaremos de turno. — Falei. — Talvez eles embaralhem todos os alunos.

— Ahhh, verdade. — Falou Vini. — Mas qualquer coisa eu peço pra Maria me colocar na sua sala.

— Você fará isso mesmo ?

— Sim.

— Ta bom... — Falei.

Flashback OFF

Vini...

Flashback ON ~~ Há um ano atrás.

— V-Vini, eu g-gosto d-de v-você... — Falei.

Flashback OFF

Isso foi quando eu me declarei pra ele pela primeira vez, agora me lembro, foi tenso...

Flashback ON

Eu e o Vini estávamos sozinhos no quarto da Maria, ambos, assistindo televisão sentadinhos na cama.

Eu estava com muita vergonha, mas consegui criar coragem pra aproximar a minha mão pra perto da dele, até nossos dedinhos se tocarem, mas quando ele sentiu o toque, tirou sua mão de perto da minha.

— O quê foi ? — Perguntei.

— Não fica tentando fazer isso, é desnecessário. — Respondeu o Vini.

— P-puxa Vini, isso não é desnecessário. E-eu gosto muito de tocar na sua mão. — Falei

— E se alguém entra no quarto e vê ?? — Perguntou ele, inconformado.

— A gente diz que somos namorados. — Respondi.

Ao ouvir o que eu disse, Vini deu muita risada.

— E qual o problema, Vini ? E-eu não ligo pra isso, eu só quero ficar o tempo todo com você, quero sair com você, ter o meu primeiro encontro com você... Quero te dar presentes, quero te fazer carinho... — Falei, revelando todas minhas vontades.

— Para. — Falou ele.

— Outro dia eu fui no shopping Tatuapé, e lá na entrada, vi vários garotos da minha idade andando de mãos dadas. — Contei.

— HAHAHAHAHA, vai nascer o dia que vou andar de mãos dadas com você. — Falou Vini.

— Você tem vergonha ? — Perguntei.

— Não, eu só não quero mesmo. — Respondeu Vini.

— Hunf, você não vai ligar pra isso quando amar alguém de verdade. — Falei.

— Por quê ? — Perguntou ele.

— Porquê quando nós amamos alguém, somos capazes de dar tudo por essa pessoa e somos capazes de fazer qualquer coisa pra ficar perto dela. — Falei. — O que quero dizer é que, sua vontade de querer ficar com a pessoa e sua vontade de tocá-la será tanta que você vai querer tocá-la até mesmo em locais públicos como um shopping, e isso resultará em andar de mãos dadas.

— Isso aí é besteira, é uma humilhação — Disse Vini.

— Como eu disse, você vai entender quando amar alguém............ De verdade. — Falei, pois eu tinha certeza de que o Vini não me amava, nem um pouco.

Flashback OFF

— Aii... — Murmurei, enquanto me sentava no chão da lavanderia, encostado na parede ao lado do espelho.

O Vini me rejeitava muito.

Flashback ON

— Eu gosto tanto de você que quero dizer que te amo pelo menos 1000 vezes ao dia, mas, como "eu te amo" é uma frase desvalorizada, o que acha de criarmos uma frase só nossa ? — Perguntei.

— Que frase ?

— Bom, se o quê eu sinto por você é como uma estrela, podemos dizer "Eu estrelo você", um para o outro. — Sugeri.

— Hm... E isso vai ser como um "eu te amo", só que mais forte ? — Perguntou Vini.

— Sim ! Um sentimento superior ao amor ! E o legal é que poderemos dizer em público, pois ninguém vai entender o significado. — Respondi.

— Tudo bem então. — Concordou ele.

— Mas Vini... E-eu quero te pedir uma coisa.

— O quê foi agora ?

— Eu só quero que você me diga "Eu estrelo você" , quando você sentir por mim o mesmo que eu sinto por você, algo muuuuuuito forte. — Falei, com um sorriso no rosto. — Eu vou tentar de tudo, para você me estrelar também.

— "Você me estrelar", que engraçado, hahahhaha, tudo bem então. — Concordou ele.

Flashback OFF

Vini... E-eu te estrelava ? Esse termo que criamos juntos, é...

Minhas lembranças com o Vinícius foram retornado uma à uma, e eu continuava tentando lembrar de mais e mais coisas, ali, no chão frio da lavanderia.

Me lembrei do momento em que nos conhecemos, do momento em que éramos amigos, dos dias em que brincávamos juntos, da entrada no ensino médio, da minha declaração à ele, das rejeições, do empurrão no parque, dele ter parado de falar comigo, da chegada da Isabel na escola, que viria à ser a nova amiga dele, da chegada da Márcia e etc.

Eu me lembrei do passado inteiro e também me lembrei dos fragmentos que faltavam quando eu perdi a memória pela primeira vez.

Flashback ON ~~ Ainda nesse ano, assim que acordei após desmaiar e bater a cabeça.

— Oi Gabriel, você lembra de mim ? — Perguntou Vini.

— Lembra de mim ! — Exclamei.

— C-claro que eu lembro de você, mas... Está tudo bem ? — Perguntou ele.

— Está tudo bem. — Respondi, repetindo.

— Você lembra que lugar é esse ? E quem são essas pessoas ? — Perguntou o Vini, se referindo à Maria , à Thalia e à Roberta.

— São essas pessoas !! — Exclamei.

— Quem ?? — Perguntou Vini.

— Quem ?? — "Respondi".

— Ele só tá repetindo o quê o Vinícius tá falando... — Murmurou Thalia.

— Mas, já é um progresso, continue tentando, Vinícius. — Pediu Roberta.

— Errr... Bem... Gabriel, você lembra do pessoal da escola ? — Perguntou Vini.

— D-da escola ??

— Sim, da escola.

— Sim !! Da escola !!

— Affe. Desisto.

— Desisto ! — Exclamei.

Maria e Thalia deram risada, e o Vini decidiu sair do quarto.

— Não vai embora, Vini... — Pedi.

— Não me chama de Vini. — Falou ele.

— Chama de Vini ! — Exclamei.

Ele deu as costas e saiu do quarto, zangado.

Flashback OFF

Agora eu me lembro, então o Vini realmente estava lá quando eu acordei após a amnésia.

Eu estava com medo e me sentia sozinho, pois não conhecia ninguém.

Me lembro que ver o Vini me deixou muito alegre, foi como encontrar um amigo no meio de uma multidão de desconhecidos.

Flashback ON ~~ No mesmo dia em que eu desmaiei e bati a cabeça, perdendo a memória.

Me aproximei do Vini e dei um beijinho na bochecha dele, mesmo com todos os que estavam presentes no quarto.

— HMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM — Zoou Thalia.

— Mas nossa... — Murmurou Maria.

Vini se sentiu frustrado e limpou o rosto com a mão.

— ECA !! O-O QUE DIABOS FOI ISSO ? — Perguntou ele.

— Foi isso ! — Respondi.

— RESPONDE DIREITO !!!

— Tam dam !!! — Falei.

— Tam dam não !!! — Falou Vini.

— Tam dam sim !!!!! — Falei, entusiasmado.

Vini ficou bravo e saiu do quarto, me deixando sozinho com os parentes dele.

— O VINI FOI EMBORA DE NOVO !!!!! — Berrei, enquanto começava a chorar.

Me levantei da cama com dificuldade e fui me apoiando pela parede até que conseguisse equilíbrio suficiente pra andar sozinho (apesar de andar de um modo desajeitado).

Roberta, Maria e Thalia não fizeram nada pra me impedir.

— Ele tá indo atrás do "Vini" — Falou Thalia, enquanto gargalhava, se referindo à mim.

— Ele consegue andar, isso é bom. — Disse Roberta.

Fui atrás do Vini no quarto dele.

— Foi embora, Vini !! — Falei.

— FUI !! E vou de novo !

Flashback OFF

Eu queria estar perto do Vini, ele era o único que eu conhecia e eu achava que ele iria cuidar de mim.

Flashback ON ~~ Após a consulta na psicóloga.

— Eu já estou indo embora, agora é outro psicólogo que continuará com as consultas. — Falou Leila, enquanto descia as escadas do seu consultório ao meu lado

— Continuará as consultas ! — Exclamei.

Nós dois fomos pra calçada e ficamos ali na frente.

— Você quer que eu te leve pra casa ? — Perguntou a mulher.

— Quero não ! O Vini vai vir me buscar ! — Respondi.

— Eu acho que ele não vai vir não Gabriel, ele ficou bem bravo. Sem contar que o Vini não é uma boa companhia pra você. — Disse a mulher.

— Mais eu quero voltar pra casa com o Vini ! — Falei.

— Tem mesmo certeza ?? — Perguntou ela.

— Tenho ! Ele vai vir me buscar ! Ele não pode me abandonar de novo ! Eu o amo muito ! — Respondi.

— Tudo bem, tchau, até mais. — Falou ela, enquanto me deixava pra trás.

Me sentei na calçada em frente ao psicólogo e fiquei esperando.

Flashback OFF

— A-aaah... — Murmurei sozinho.

Flashback ON

Na frente do psicólogo que já havia fechado, eu estava lá, sentado na calçada tomando chuva e tremendo de frio, enquanto olhava pro céu com um olhar vazio e obscuro.

— C-cadê o-o.... V-vini....... ?

— E-ele m-me abandonou.... D-de novo..... — Sussurrei pra mim mesmo.

Flashback OFF

Eu queria tanto estar com o Vini, queria tanto o amor e o carinho dele, eu sempre ansiei por isso, sempre, sempre.

Eu sempre fiz de tudo para que ele gostasse de mim ao menos um pouco, e também possuía esperanças, afinal éramos amigos...

Mas por que, por que o Vini me abandonou tantas vezes ? Por que ele me rejeitou tanto e nunca se importou comigo ?

Eu sou tão inútil assim ? Eu fui ao limite, fiz coisas ridículas e amorosas, me humilhei de todas as maneiras possíveis por amor, e mesmo assim fui rejeitado... Por quê ?

Quando eu fiquei doente após tomar a chuva, ele me disse coisas horríveis, eu me lembro agora de cada uma daquelas palavras.

Flashback ON

— Você sempre foi de dizer aquelas baboseiras de amor, mas eu nunca acreditei em nada. Pra mim sempre foi mentira, sempre fingi acreditar só pra você não encher o saco. — Sussurrou Vini, no meu ouvido.

— Eu te odeio, eu não gosto de você, te abandonei aquela primeira vez no parque pra você parar de tentar algo comigo. Te abandonei uma segunda vez na escola, parando de falar com você e cortando todos os nossos laços. Te abandonei uma terceira vez te deixando na chuva... E se for necessário, abandonarei uma quarta. Você é um estorvo. — Sussurrou ele.

— Depois que eu parei de falar com você na escola, você não fez mais nenhum amigo, não é ? Exceto a Márcia. Mas saiba que nem mesmo ela se importa com você... Ninguém se importa. Se você morrer, não fará falta à ninguém. — Sussurrou Vini.

— O quê eu preciso fazer, pra você me deixar em paz e nunca mais me perseguir !? Te matar !? — Perguntou ele.

Flashback OFF

Eu merecia isso ? Eu merecia ouvir todas essa crueldades ? Como alguém consegue ser tão cruel assim ?

Por que eu amava o Vini ? O que foi que eu vi nele ? O que foi que ele me fez pra eu o amar tanto ? Por que eu amava alguém como ele ? Por que ? Por que eu me humilhei tanto ? Por que eu deixei de ser eu mesmo, calculista e pensativo, pra ser um bobo apaixonado ? Por que ? Por que ? Por que ? Por que ? Por que ? Por que ? Eu não sei a resposta pra nada !

Não, e o pior de tudo é saber, que o sonho e objetivo pro futuro que eu tanto queria lembrar, era...

Flashback ON ~~ Há um ano atrás, naquele maldito parque.

— Eu tenho certeza de que vim pra essa vida com o objetivo de realizar um certo sonho... — Contei.

— Que sonho ? — Perguntou Vini.

— Meu sonho é ser amado por alguém que eu ame muito, e, desde que eu te conheci, só consigo sonhar isso com você. — Falei. — Eu te amo muito Vini, quero passar o resto da minha vida com você... Aliás, mais do que amar, eu estrelo você.

Flashback OFF

Me levantei do chão e fiquei me encarando pelo espelho que havia na parede da lavanderia.

O espelho era grande e chegava até o chão.

Meus olhos estavam avermelhados por causa das lágrimas que escorriam.

Por que ?? Por que eu tenho um sonho ridículo como esse !? Por que eu quis tanto ser amado por um traste como o Vinícius !?

Dei um soco bem forte no espelho, quebrando-o.

— POR QUÊ, VOCÊ, É TÃO, IDIOTA, ASSIM !? — Gritei comigo mesmo, enquanto socava o espelho com força várias vezes.

— COMO EU PUDE ME HUMILHAR TANTO POR ALGUÉM ? POR QUE EU CONSIDERAVA AQUELE GAROTO TÃO IMPORTANTE, SENDO QUE ELE ERA O PIOR TIPO DE ESCÓRIA !? — Gritei.

Com minha mão esquerda, dei um tapa muito forte no espelho que chegou à estalar.

O mesmo se quebrou mais ainda e encheu minha mão esquerda de cortes.

Fui me abaixando lentamente até sentar no chão, com as mãos ensanguentadas deixando uma trilha de sangue pelo espelho.

Por que Vini... ? O que eu fiz pra você ser tão ruim comigo ? Eu queria saber o porquê de você ter me feito tanta coisa ruim...

N-não, talvez eu já saiba a resposta... Eu conversei com ele no domingo retrasado, naquele parque.

Flashback ON ~~ No parque, domingo retrasado.

— Porquê você foi muito cruel comigo, você foi o pior tipo de pessoa. — Falei ao Vinícius.

— .... Mas, e-eu...

— Eu sempre fui seu melhor amigo, e você conseguiu não se importar nem um pouco comigo mesmo com este laço que tínhamos ! Que tipo de monstro você é ? — Perguntei. — E mesmo depois de eu ter me declarado pra você, mesmo depois de eu ter lutado tanto por você, você vai e faz milhares de coisas pra me destruir...

— ...

— Por qual motivo ? Por que você me destruiu ? Por que você me magoou tanto ? Por que você tinha raiva de mim se eu não te dava motivos ? — Perguntei.

— Você fazia as coisas na frente dos outros, e....

— Não seja ingênuo !! Nós éramos namorados !! Você acha que namorados ficam longe um dos outros ?? Você acha que namorados conseguem se manter afastados, mesmo com o amor que sentem gritando arduamente pelo outro ?

— Somos dois garotos, é sempre difícil. — Falou Vinícius.

— Se você confiasse em mim, poderia superar as dificuldades, eu poderia te proteger ! E se você me amasse, seria você quem iria querer ficar perto de mim ! — Exclamei.

— MAS EU NÃO TE AMAVA, EU NÃO TE ESTRELAVA, E NADA DISSO, EU NÃO SENTIA NADA POR VOCÊ ! — Exclamou ele. — JÁ DEIXEI ISSO CLARO, NÃO DEIXEI ?

Flashback OFF

Verdade, eu já perguntei isso pra ele e a resposta foi algo ridículo.

Basicamente, ele me fez sofrer tanto porque me considerava um incômodo e eu o irritava com minhas coisas de amor.

Quer dizer que tentar conquistar alguém é algo que merece uma punição ? O Vini é um monstro ?

Espere, não...

Não...

Não...

Não...

Não...

O Vini não é o único monstro aqui, eu também sou, pois eu... Consegui me esquecer do sentimento que eu julgava ser o "mais forte". É mesmo humano esquecer um sentimento ?

Se eu esqueci meu poderoso amor pelo Vini, então no final era um amor fraco ? Eu não amava o Vini ? Não ! Eu tenho certeza que sentia algo muito forte por ele, mas então, por que eu esqueci !? Como eu consegui esquecer do meu precioso Vini ? Não ! Ele não me é precioso ! Ele é um vagabundo horroroso e chupador de vibradores ! Não, mas mesmo ele sendo tão sujo assim, eu ainda o amava, então por que eu o esqueci ? Eu sou pior do que ele ? Não ! Eu o esqueci porquê ele disse aquelas coisas ruins pra mim, é a única explicação cabível, a culpa foi dele. Não ! Eu o esqueci porquê era fraco, se meu amor fosse forte o suficiente, eu não teria o esquecido nem que o universo explodisse ! NÃO ! AMOR NÃO SE MEDE ! DROGA !!! EU NÃO SEI O QUE PENSAR !!!

— AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH !!!!!! — Dei um grito muito alto, grito que ecoou por toda a casa.

Verônica POV

Terça feira, às 06:15 da manhã, eu acordei e peguei meu celular em cima da escrivaninha pra olhar as horas.

— J-já tá na hora de levantar... — Murmurei.

Vi uma notificação de conversa no whatsapp, e fui curiosa olhar o que era.

Um número desconhecido e sem foto havia me enviado um vídeo, dizendo :

"Se você quer um furo e uma história enorme que pode virar uma linda manchete, basta olhar este vídeo. "

— Ué... — Murmurei, enquanto clicava na tela pra baixar o vídeo.

Quando baixei, vi um garoto chupando um vibrador.

— A-aaah, D-Daaan... — Murmurava o garoto do vídeo, enquanto enfiava e tirava o vibrador da boca.

Este garoto é o... Vinícius... ?

Sim, é ele, eu tenho certeza !

— Kufufufu. — Dei um sorriso abafado.

Continua no capítulo 18.