Eu estrelo você
24 Estrela unida
Notas iniciais
Gabriel POV
Não sei como consegui inverter uma situação daquelas. Por pouco eu não fui parar no mundo dos mortos junto com o Vini, se é que existe mesmo um mundo para os mortos. Ele estava muito desesperado por causa daquela droga de vídeo, e com razão, na situação dele eu também iria querer me matar. O vídeo já deve estar sendo comentado pela escola inteira e não há nada que possamos fazer para parar isso. O pior é que está apenas começando pois os alunos não serão os únicos que teremos que enfrentar, eu tenho certeza de que os professores irão o questionar sobre esse vídeo e que o caso vai parar na diretoria.
Depois disso, ainda teremos que enfrentar a mãe dele mais uma vez, e, inevitavelmente, os avós. Aff. É mais fácil dizer que teremos que enfrentar todo mundo e que o planeta inteiro é nosso inimigo mortal.
Tadinho do Vini, parece que o universo está o punindo por causa dos erros que cometeu. Tudo que ele queria que não acontecesse está acontecendo e a culpa é toda desse maldito FourAfternoon Bridge, se bem que... Talvez isso seja bom. Por mais que seja um egoísmo horrendo da minha parte, a verdade é que toda essa situação catastrófica acabou me unindo com ele. Se não tivéssemos chegado ao ponto de quase nos suicidarmos, será que teríamos conseguido nos entender tão bem? Tenho quase certeza que não.
Sexta-feira às 07:10 da manhã.
Se passaram dez minutos desde a "quase morte" que eu e Vini tivemos. Após aquilo, nós tentamos nos recompor rapidamente para que nenhum aluno que tivesse subindo percebesse que estávamos chorando e fomos pra nossas salas. Combinamos nos encontrar com todo mundo pra conversar no intervalo, referente ao vídeo e ao FourAfternoon.
Assim que cheguei na sala, sentei-me no meu lugar e Nell ocupou o lugar da Márcia, que era atrás de mim. Ela havia vindo para a escola mas se sentou longe da gente por causa da briga que tivemos.
Todo mundo já tinha entrado na sala, incluindo o professor, mas ele estava lendo um livro didático e ainda não havia começado à passar a matéria. Provavelmente, havia perdido a página do conteúdo.
— O que aconteceu com você e Vinícius? Você encontrou ele, não foi? — Indagou Nell, tocando as minhas costas para que eu virasse pra trás e conversasse com ele.
— ...Aconteceu muita coisa. — Respondi, virando pra trás.
— Então me conte. Vocês deixaram todo mundo esperando e nós pensamos que o Vinícius tinha ido embora. — Falou o albino, enquanto abria um zíper de sua mochila que estava em cima da mesa.
— Eu achei o Vini no último andar, sentado em cima de um muro querendo se jogar. — Falei.
Assim que eu disse tais palavras, Nell parou por alguns segundos de fazer o que estava fazendo (retirar o material da mochila) e soltou um leve suspiro.
— Entendi. Algo assim é compreensível considerando a quantidade de estresse que a mente dele tem suportado nos últimos dias. — Falou o garoto. Como sempre, a maneira com que Nell compreendia as coisas era fantástica. Além de ser inteligente, ele tinha uma mente aberta para qualquer tipo de assunto e sempre considerava toda a situação, sem tratar nada com ignorância. — Mas, o que você fez pra impedi-lo?
— Eu sentei no muro também e fui até o lado dele. Falei que iria me matar junto com ele e nós conversamos sobre toda a situação em prantos. — Respondi.
Assim que dei essa resposta, Nell suspirou fortemente e não disse nada até tirar seus materiais e colocar a mochila em baixo da mesa.
— Você faria isso mesmo, Biel? — Perguntou o garoto, pousando as mãos por de cima das rodas da sua cadeira de rodas.
— Sim, eu faria. Pelo Vini, eu faria qualquer coisa. — Respondi.
— Entendi... Mas... Que bom, pelo menos você conseguiu livrá-lo do suicídio. Acredito eu que deve ter sido um diálogo muito desesperador. — Falou o garoto.
— Foi.
O professor então, começou uma explicação sobre a matéria e nós tivemos que fazer silêncio. Na realidade, mesmo que ele não tivesse começado a explicação eu e Nell teríamos ficado em silêncio, pois havia se criado um clima muito estranho quando eu falei sobre o que tinha acontecido.
Tive certeza de que Nell havia ficado muito chateado por eu quase ter me matado por conta do Vini, mas, com seu jeitinho meigo, ele tentou entender toda a situação pelo meu ponto de vista e guardou as coisas que queria falar para si mesmo.
É, o Nell é bem diferente da Márcia. Ela teria feito um show se soubesse disso.
Após a explicação, nós dois e toda a classe começamos a guardar os materiais para irmos pra sala de vídeo. O professor explicou que iria passar um filme sobre... Errr, eu não estava prestando atenção.
— Nell, quer que eu te leve? Você pode deixar sua cadeira aí. — Falei, tentando dissipar aquele clima sombrio.
— Ontem você me deixou no refeitório e pediu pro Guilherme me levar. — Disse ele, de um modo gélido.
— ...? O que tem? — Perguntei.
— Biel, eu não sou um objeto que você empresta pro amigo e ele te devolve depois. Eu sou uma pessoa. Em momento algum eu te pedi pra me deixar lá, e, você foi a primeira pessoa que eu deixei me levar nas costas. — Disse ele. — Não era pra você ter feito aquilo e não era pro Guilherme ter me carregado. Eu me senti um ridículo, pois ele ia saindo do refeitório na maior normalidade e só depois foi se tocar que tinha que me levar. Parecia até que eu era um incômodo.
— Bem, mas o Gu... — Eu ia dizer que o Guilherme era o melhor amigo dele e tudo mais, mas, ele me interrompeu.
— Não importa. Eu voltei à falar com ele recentemente e ele mudou muito desde quando éramos pequenos. Não o conheço mais, não confio nele e ele não é tão íntimo de mim como era antes. Pode ser duro, mas essa é a verdade. Você não podia ter feito o que fez. — Falou ele.
Me senti muito mal quando o Nell falou aquelas coisas pois ele estava certíssimo. Eu não devia ter feito aquilo. O Nell é um garoto fechado e ele dificilmente confia em alguém de verdade. Mesmo que fosse o Gui, eu não tinha o direito de ter feito aquilo.
— Desculpa Nell. — Falei, abaixando a cabeça e direcionando meu olhar para o chão.
— ...Tá, ta bom. — Disse ele.
Todo mundo já tinha saído da sala e só restamos eu e ele.
— Então...
— Pode me levar, mas não largue de mim um segundo se quer. — Disse ele. — Nunca mais, nunca.
— Certo coelhinho. — Falei, deixando escapar um sorrisinho.
Peguei o Nell nas costas e saí da sala carregando ele. Senti ele envolvendo seus braços carinhosamente pelo meu pescoço, me dando um abraço por trás. Também pude sentir sua respiração bem perto da minha orelha direita, assim como senti seu queixo tocando meu ombro na maior cautela.
— O que está fazendo, Nell? Desse jeito você vai roubar os sentimentos que eu tenho pelo Vini. — Falei, num tom de brincadeira.
— É mesmo? Quer dizer que apenas isso é o suficiente para fazer você se apaixonar por mim? — Indagou ele. — Nesse caso, o amor tão grande que você sente pelo Vinícius não passaria de uma farsa.
Comecei à descer as escadas para o pátio, degrau por degrau com bastante cuidado.
— Sim, acho que você tem razão. — Falei.
Após dizer aquilo, tanto eu quanto ele ficamos em total silêncio. No caminho, senti o Nell deslizando seus braços na maior suavidade no meu corpo, nas partes que ele alcançava. Tenho certeza de que ele estava me fazendo carinho, mas, não consegui imaginar o porque. O silêncio dele não me deu nenhuma pista e como sempre, eu não pude descobrir o que ele estava pensando, mas... Será que o Nell poderia ser apaixonado por mim, também?
Assim que chegamos na sala de vídeo, coloquei o Nell sentado numa cadeira bem ao meu lado, e, ficamos conversando em silêncio sobre o vídeo.
— Ainda temos que descobrir quem é o FourAfternoon Bridge, que enviou o vídeo para a Verônica e publicou ele no Facebook. — Falei.
— Se ele tiver mesmo aqueles outros dois vídeos do Vinícius, vai ser tenso. Sinceramente, não acho que vamos conseguir encontrá-lo. — Disse ele. — Só estou tentando porque sei que o Vinícius é importante pra você.
— Obrigado.
— Hoje eu irei na casa da Verônica com ela. Já falei com a minha mãe e ela disse que vai levar nós dois de carro. — Falou o coelhinho.
— Vocês vão pegar o número do FourAfternoon, não é? — Perguntei.
— Aham, mas como eu disse, não acho que vai dar em algo. Tenho certeza que ele descartou o chip após mandar o vídeo. — Respondeu Nell. — Pelo que a Verônica disse, o contato era totalmente anônimo no whatsapp, não tinha foto e nem nada.
— De fato. Mas se ele já tiver descartado o chip, então eu vou convencer a mãe do Vini a recorrer à justiça. Se ela denunciar o perfil do FourAfternoon e provar que ele postou um vídeo sobre o Vini, tenho certeza que eles conseguirão encontrar a pessoa por trás do perfil. — Falei. — E para constar, eu já preparei as provas de que ele postou o vídeo.
— Hm... Entendi. Recorrer à justiça parece ser o seu último trunfo, não é? — Indagou Nell.
— Sim.
— Mas sabe, antes de fazer isso, pense um pouco no nome do sujeito. — Disse o menino.
— "FourAfternoon Bridge"? — Perguntei. — Eu já pensei nisso. Parece até que ele está indicando um local e um horário.
— Exato, algo como: "Às 4 da tarde na ponte". — Respondeu Nell. — E se ele quiser que o encontremos? Colocar esse nome como perfil é muito, muito suspeito. Se ele quisesse apenas se manter anônimo, colocaria um nome aleatório que não lembrasse à nada, mas... "FourAfternoon Bridge" com certeza indica algo.
— Mas quem ele iria querer que o encontrasse? O Vini? — Perguntei.
— Isso, só pode ser o Vinícius. — Respondeu Nell, direcionando seu olhar para a tela devido a um chamado do professor.
— Não, é muito perigoso. — Falei.
O professor então, explicou que o filme mostraria o início da revolução industrial, e, todo o seu trajeto até a criação das primeiras locomotivas.
Logo depois, o filme se iniciou, mas eu continuei conversando bem baixinho com o Nell.
— Além disso, não sabemos quando é o dia e qual é a ponte que ele está se referindo. — Falei.
— Ponte, não é? Aqui na cidade temos um viaduto que passa por cima da linha do trem, e, o rodoanel que passa por cima de várias ruas e bairros. — Disse Nell.
— Verdade. Se fôssemos considerar todas as ruas em que o rodoanel passa em cima como pontes individuais, nunca conseguiríamos chegar à uma conclusão, pois poderia ser qualquer uma delas. — Falei. — Além disso, não sabemos se é "em cima" da ponte ou "em baixo" da ponte.
— Não Biel, eu acho que você está fazendo muito rodeio sem necessidade. — Falou ele. — Se nós pararmos pra analisar, fica óbvio que a "bridge" que o cara estava falando é o viaduto, e que, obviamente, é em cima dele.
É, o Nell tinha razão. Era impossível ser o rodoanel pois além de ser muito longo e não ter um lugar seguro para os pedestres andarem, a entrada para se subir nele fica na cidade vizinha. E se não é o rodoanel, só pode ser o viaduto, e se for o viaduto, só pode ser em cima dele, pois ele passa por cima de duas avenidas e da linha de trem.
— Hm... Mas mesmo que seja, ainda não sabemos o dia. Talvez já tenha até passado. — Falei.
— Deve ser amanhã ou domingo. — Disse o Nell.
— Por que?
— Porque é mais provável que seja no fim de semana. — Falou o menino.
— Mas aff, isso é muito circunstancial. — Falei.
— Pelo menos é alguma coisa.
— Não, é perigoso. Não quero correr o risco de colocar a vida do Vini em perigo de novo. Hoje eu só encontrei ele no terceiro andar por causa de um menino estranho que falou que ele estava lá, se não fosse por isso, sabe-se lá o que poderia ter acontecido. — Falei.
— Menino? Você não contou isso. Que menino? — Perguntou o Nell.
— Um menino de cabelo vermelho. Ele é daqui da escola mesmo. — Respondi.
— Como ele sabia que o Vinícius estava no terceiro andar? E se ele viu que ele ia pular, por que não fez nada para impedir? — Perguntou Nell.
Verdade. Por que? Eu estive com a cabeça tão ocupada por conta do Vini que até me esqueci de pensar nesse menino.
— É mesmo... Além disso, como ele sabia que eu estava procurando pelo Vini??? Agora que você falou, me toquei que aquele menino era muito estranho. Ele parecia saber de tudo que estava acontecendo mas mesmo assim falou comigo na maior tranquilidade. — Falei.
— Me conte, o que exatamente ele te disse? — Perguntou Nell.
Flashback ON
Subi as escadas correndo e fui direto pro segundo andar. A sala do Vini ficava no fim do corredor.
Visualizei um garoto parado no meio do corredor, o que era bem esquisito, mas o ignorei, e passei do lado do mesmo.
— Aonde você está indo ? — Perguntou o garoto à mim, assim que passei ao seu lado.
Parei de andar e fiquei o encarando, sem dar resposta. Fiquei confuso com aquele garoto estranho ter me parado de repente e fiquei me perguntando se já o conhecia.
Ele possuía cabelos vermelhos, num corte social. Usava o uniforme da escola mas não estava carregando sua mochila.
— ... ? — Não falei nada, apenas balancei a cabeça como se estivesse com dúvida.
O curioso garoto, apontou o dedo direito pra cima e logo falou :
— Ele está no terceiro andar. — Disse ele.
Do que ele está falando ? Ele sabe que estou procurando por alguém ?
— É melhor você ir logo, antes que seja tarde. — Falou o garoto, enquanto dava as costas pra mim e ia em direção as escadas, pra descer pro pátio. — Pessoalmente, eu queria observar a cena, mas acho que não é uma boa idéia não. Ao invés disso, estarei esperando por vocês dois amanhã.
Flashback OFF
— Como você esqueceu algo tão importante assim? Ficou na cara que esse garoto está ligado ao vídeo! — Exclamou Nell. — Não vou me precipitar e dizer que ele é o culpado em si, mas, com certeza ele tem algo haver. Aliás, agora que pensamos nisso, nós nunca cogitamos a ideia do culpado ter um cúmplice.
Como pude deixar esse menino de lado? Eu deveria ter pensado nisso antes, mas, por que ele apareceria para mim? Por que ele falaria comigo e entregaria sua identidade? Agora que sei quem é ele, basta eu procurá-lo pela escola.
Não, espera. Se o que o Nell disse estiver certo, ele pode ser apenas um cúmplice, mas... Será? Eu não sei. Não faço idéia do que esse tal de Afternoon Bridge tá querendo.
— Biel, calma, vamos examinar isso pouco a pouco. Não deixe os pensamentos tomarem conta de você. — Disse ele, dando um beliscãozinho na minha mão.
— Mas Nell, é muito difícil. — Falei.
— Calma, vamos com calma. — Repetiu ele.
Virei o olhar para a tela do filme e assisti um pouquinho dele com a finalidade de me distrair.
— Primeiro ponto. Vamos supor que esse menino de cabelo vermelho seja o FourAfternoon, e que, ele quer encontrar você e o Vini amanhã em cima da ponte. — Disse Nell. — Se isso for verdade, tem algo estranho. O certo seria ele querer encontrar apenas o Vini, mas, por que você tem que ir junto?
— Não sei. — Respondi.
— Certo, segundo ponto. Se esse garoto é o FourAfternoon Bridge e estuda na nossa escola, então quer dizer que ele também é aquele "Dan"? Antiga paquera virtual do Vinícius para qual ele mandou os vídeos? — Perguntou ele.
— Sim, acho que sim. Sempre achei que FourAfternoon Bridge e Dan são a mesma pessoa, tanto que, até cheguei a pensar que talvez ele fosse da nossa escola e usasse um perfil falso desde o começo, mas... O que me choca é ele aparecer de repente e nos convidar para um "encontro". — Falei.
— Hm... Vamos falar com o pessoal sobre o que descobrimos no intervalo, aí poderemos bolar alguma coisa. — Falou Nell. — Acho que a primeira coisa que precisamos fazer é sair caçando esse menino na escola inteira. Se ele veio hoje, então podemos adiar o "encontro" que deveria ocorrer amanhã e resolver tudo ainda hoje, e num lugar seguro.
É, encontrá-lo em cima de um viaduto poderia ser muito perigoso. Numa guerra, ceder a vantagem de campo ao inimigo pode ser fatal.
Às 09:31 da mesma Sexta-feira, no intervalo, eu chamei a Verônica junto de Nell em minhas costas na fila do refeitório, e, perguntei se poderíamos ficar na sala do clube de jornalismo pois lá era o local mais reservado da escola em que poderíamos conversar. Ela aceitou na hora, pois sabia que se tratava sobre o vídeo. Nell também deu algumas pistas que nós havíamos descoberto coisas muito relevantes e que precisaríamos conversar com todo mundo.
Verônica falou que o Pedro estava sozinho no clube deles e disse para irmos na frente e que ela chamaria o Vini, Gui e Isabel.
— Oi Pedro. — Falei, junto de Nell, assim que o garoto abriu a porta após batermos.
— Oiii, bom dia. A Verônica tá lá na fila do refeitório. — Disse ele.
— Nós sabemos, mas precisamos falar sobre algo importante e ela disse que poderíamos ficar aqui. — Falei.
— Sim. Ela foi chamar o Guilherme, o Vinícius e a Isabel. — Complementou Nell.
— Okay, podem entrar, só não vamos ter cadeiras para todos. — Falou ele.
Coloquei o Nell sentado em uma cadeira e fiquei em pé ao lado dele, encostado na parede. Ao mesmo tempo, Pedro ligou o ventiladorzinho que ficava em cima de uma escrivaninha no canto da sala, para refrescar o ambiente. Apesar do horário, estava um pouquinho quente.
— Oláááááá, chegamos! — Exclamou Isabel, mostrando-se bem animada apesar da situação. Ela era sempre bastante hiperativa, independente do que estivesse acontecendo. Ela entrou na sala como se tudo pertencesse à ela, sem nem mesmo bater na porta. — Vem logo sua puta, parece que o Nell e o Gabriel descobriram quem é o sujeito que mandou o vídeo. Fique alegre!
E então, logo atrás de Isabel veio o Vini mostrando-se bastante tímido. Ele veio andando até mim e ficou em pé do meu lado, encostado na parede também. É mesmo! É a primeira vez que eu vejo o Vini depois daquilo! S-será que nós... Estamos namorando...? Não, ainda não, pois ninguém pediu ninguém em namoro.
Eu vou me certificar de pedi-lo em namoro de novo, assim que tudo isso acabar.
— Oi. — Falei.
— Oi. — Falou ele.
— Está tudo bem, Vini? Mexeram com você na sala? Os professores mencionaram alguma coisa? — Indaguei. Eu e o Vini estávamos conversando bem baixinho, apenas para nós dois ouvirmos.
— Umas meninas ficaram me zoando mas a Isabel tretou com elas. — Disse ele.
— Mas e o professor nessa hora? Não falou nada?
— Era uma professora. Não, ela só mandou elas calarem a boca. — Falou ele.
Não gosto disso, o Vini parece estar sofrendo muito. Ele não está sorrindo, está todo sério e tímido. Até parece comigo. Ele sempre fala gritando e vive tagarelando um monte de besteira, parece até outra pessoa. É por isso que eu tenho que resolver tudo isso, para poder trazer o Vini de volta.
— Ele ficou reclamando o tempo todo na sala que estava com fome, mas, quando chegamos no intervalo, ele foi correndo se enfiar na biblioteca. — Disse Isabel, sentando-se numa cadeira.
— Claro né, se ele entrasse no refeitório, iria todo mundo começar à falar dele. — Falou Verônica, adentrando a sala junto com o Gui.
— Eae galera, eae Pedro. — Falou Gui, que foi até onde Pedro estava sentado e ficou observando ele escrever algo para o clube.
— Oii Gui. — Disse Pedro, dando um sorrisinho bem simpático.
Vendo que todos estavam ali, Verônica fechou a porta assim que entrou e se sentou na mesa dela, que ficava próxima à de Pedro.
— Bom, já que todos estão aqui, então irei falar o que eu e Gabriel descobrimos enquanto conversávamos. — Disse o coelhinho.
— Não mencione coisas desnecessárias. — Falei, me referindo ao fato de eu e o Vini quase nos suicidarmos. Acho que o Vini não chegou a contar pra Isabel sobre esse ocorrido, e, mesmo que tivesse contado, os demais ali não precisavam saber.
— Certo. — Afirmou Nell, parecendo ter entendido o recado.
Nell contou que o garoto de cabelo vermelho havia vindo falar comigo e também contou tudo que eu e ele havíamos conversado hoje, desviando da parte sobre o suicídio.
— Cabelo vermelho? — Falou Guilherme. — Eu nunca vi ele aqui antes.
— Pode ter sido possível que ele tenha vindo na nossa escola unicamente por esse dia, meio que de forma infiltrada entre os alunos. Nós possuímos uniforme escolar mas não possuímos carteira de identificação, então, qualquer um com o uniforme pode entrar e sair das áreas que não sejam dentro das salas de aula, devido à chamada. — Explicou Verônica. — Mas, esse garoto deve estudar aqui sim. Daniel e cabelo vermelho, não é? Realmente tem um menino com esse nome e cabelo vermelho aqui na escola, e eu inclusive já o vi várias vezes indo pra casa a pé. Ele atravessa o viaduto para ir pro outro lado da linha do trem.
— Como esperado da jornalista da escola. — Falou Nell.
— Isso mesmo querido, informação é poder. — Falou Verônica, prendendo o cabelo num rabo de cavalo. Ela estava de costas para nós por estar sentada em sua mesa, que ficava de frente pra parede. — Ele se destacava nas atividades de aula. Era bastante inteligente.
— Vini, tudo indica que esse garoto é mesmo o Daniel e o FourAfternoon. Já passou pela sua cabeça que ele era dessa escola ou se morava aqui perto? Ele já deu alguma pista?
— Não. Ele dizia que morava no Piauí. — Falou Vini, mostrando-se bem pensativo.
— Hahahahaha, se ele soubesse que esse cara era dessa escola, ele teria ido correndo dar gostoso para ele, HAHAHAHAHAHA. — Falou Isabel.
— FICA QUIETA SUA JARARACA! DO QUE ADIANTA!? ELE ERA UMA FARSA MESMO! SÓ O NOME QUE ERA DE VERDADE! — Exclamou Vini. — VOCÊ ACHA QUE EU SOU UMA PUTA PRA IR DAR PRA ELE MESMO DEPOIS DO QUE ELE FEZ? SAI DAQUI VIU! E NEM TEMOS CERTEZA SE ELE ESTUDA AQUI OU NÃO.
— Acho que é ele sim. Seria muita coincidência haver um outro Daniel de cabelo vermelho na nossa escola, não acha? Além disso, um desses falou com o Gabriel hoje, com certeza é ele. — Disse Verônica.
— Nell, o que você acha? Acha mesmo que esse garoto que falou comigo, é o Dan/FourAfternoon? — Indaguei.
— Sim, agora as evidências ficaram mais claras. Não temos nenhuma prova concreta mas temos muitas provas circunstanciais. — Respondeu ele.
— Oxiii, mas e se não for ele, gente? O que vamos fazer? — Indagou Pedro.
— Se não for ele, veremos o que vamos fazer depois. Por hora, vamos atrás do garoto. Ele deve estar por perto — Falou Nell.
— Não, ele foi embora. — Disse Guilherme.
— Foi embora??? — Perguntou Verônica.
— Sim, agora que pensei melhor, acho que vi um menino de cabelo vermelho indo embora agora pouco. — Respondeu Guilherme
— Aff, que viado. — Afirmou Isabel.
— Talvez ele tenha cogitado que iríamos descobri-lo e foi embora. — Disse Nell.
— Mas como ele adivinharia isso? — Perguntou Pedro, fazendo sua cadeira giratória rodar para que ficasse de frente com a gente.
— O garoto se mostrou pro Biel hoje. Ao fazer isso, creio que ele já estava ciente que iriam chegar até ele. — Disse Nell. — Nós descobrirmos sua identidade já era algo que fazia parte do seu plano, provavelmente.
— Sim, você tem razão Nell. Vendo por esse ponto, nós estamos dançando na palma dele. — Falei. — E tem mais, hoje é sexta-feira. Se ele foi embora hoje e eliminou as chances de nos encontrarmos com ele, então parece que ele está jogando tudo para amanhã, pois amanhã é o dia marcado para irmos até a ponte.
— É uma armadilha. Ele quer que vocês encontrem ele amanhã a qualquer custo, pelo visto. — Disse Nell.
— Mas as chances de vocês encontrarem ele hoje não foram eliminadas. Vocês podem ir na casa dele, esqueceram? Eu sei mais ou menos onde é. — Disse Verônica.
— Você só sabe que ele mora do outro lado da linha do trem. Há um mundo inteiro após a linha do trem. — Disse Nell.
—Mas gente, se for preciso, nós podemos pegar o endereço dele nos registros da escola. — Falou Pedro. — Na hora de fazer a matrícula de um aluno, os pais devem sempre trazer um comprovante de residência e claro que ele não é uma exceção.
— Vamos precisar de uma bela desculpa para fuçarmos o registro dele na secretaria. — Disse Verônica.
— Caralho, o clube de jornalismo pode até fazer isso? Pensei que os registros fossem restritos aos alunos! — Exclamou Isabel.
— E são. Nós meio que quebramos uma lei ao fuçarmos lá. — Disse Verônica. — Mas sabe como é né, somos os queridinhos da escola.
— Vou lá falar com a Mônica. — Falou Pedro referindo-se à coordenadora, enquanto se levantava e saía da sala.
— Aeee, essa eu quero ver. — Disse o Gui.
— Quem irá na casa do garoto? — Perguntou Isabel.
— Qualquer um menos o Vinícius, afinal ele é o principal "alvo". — Disse Nell.
— Sim, eu posso ir junto com alguém. — Falei.
—Eu vou. — Disse Isabel. — O que acha de vir também, Gui? Você não vai precisar fazer nada hoje.
— Beleza Isa, eu já ia pedir pra ir mesmo. Vou querer conversar com esse maluco aê. — Respondeu ele.
— Boa, vocês três deverão dar conta de tudo. — Falou Verônica. — Mas sabe, Nell, agora que já descobrimos quem é o culpado, então não precisaremos ir na minha casa ligar para o número dele.
— De fato, mas não precisa se preocupar. Posso cancelar com a minha mãe na hora que ela vier me buscar. — Disse o garoto.
— Vini, você tá muito quieto... — Cochichei para o Vini que ainda permanecia ao meu lado, encostado na parede.
— Tá todo mundo falando de mim na escola e você quer que eu fique como?? — Indagou ele, de um jeito grosso.
— Tudo bem, tudo bem, desculpa, não fique bravo, nós iremos resolver tudo isso hoje. — Falei.
— Tomara... — Disse ele. — Mas eu tô com um pouco de medo. O Daniel ser da nossa escola foi algo muito escroto pra mim, sabe? Parece até que ele é obcecado comigo, ou me odeia, sei lá.
— Verdade, nós não sabemos o motivo disso tudo, ainda. — Eu meio que me separei do restante do pessoal ao conversar com o Vini, pois, parei de ouvi-los para que pudesse dar mais atenção à ele.
— Se a Isabel for mesmo junto, toma cuidado pra não deixar ela armar um barraco lá. — Disse ele, tentando me alertar sobre sua amiga.
— Não preciso me preocupar com isso Vini, haha, se ela armar um barraco vai até ser bom. — Falei. — Pra ser franco, até mesmo eu estou querendo rodar a baiana com esse "Dan".
— Você?? Rodando a baiana?? — Disse ele, dando risada de mim.
— O que foi? Qual é a graça? Vou mesmo rodar a baiana, ué. — Falei.
— Claro que não vai! Você é todo tímido, eu duvido que consiga falar direito com alguém que nem conhece. — Disse ele, ainda rindo. — E desde quando você arma barraco?? Você sempre manda eu ficar quieto quando estou falando muito alto porque acha que é "mimimi, desnecessário ficar gritando, mimimi".
— Verdade Vini, mas pergunte ao Gui, ele já me viu zangado duas vezes. — Falei.
— ...Grampeadores. — Murmurou ele, tirando o sorriso do rosto.
— Sim, grampeadores.
— Mas quando você fica bravo você não arma um barraco, só grampeia os outros e faz eles se sentirem um lixo. — Falou Vini.
— Hihi. — Soltei uma risadinha.
— Me coloca ali, Biel. — Pediu Nell, puxando a minha camiseta.
— Hã? Por que? — Perguntei.
— A Verônica disse que vai aproveitar que estamos aqui pra me entrevistar. — Respondeu ele. — Eu disse pra ela que deixaria, ontem.
— Ah, então vocês estavam falando sobre isso agora? — Perguntei.
— Estavam, sua anta. — Disse Vini.
— Certo. — Afirmei, enquanto pegava o Nell no colo e o levava até uma cadeira que a Verônica colocou à frente dela.
— Então você também vai gravar? — Indagou Nell, após sentar-se.
— Acabei de explicar que sim. O Pedro não tá aqui pra ir escrevendo a entrevista, então eu vou gravar para que ele possa passar tudo pro jornal. — Respondeu ela resumidamente, enquanto cruzava as pernas e segurava o aparelho de gravar com sua mão direita. — Não falem nada, pois esse negócio consegue captar até uma agulha caindo no chão. — Alertou Verônica à nós, que não iríamos participar da entrevista.
— Beleza. — Respondeu Gui, por todos nós.
Na hora de começar a entrevista, um barulho veio da porta e todo mundo olhou reflexivamente para ela, pra ver se alguém iria entrar. A maçaneta foi pressionada pelo lado de fora, e, em seguida, a porta se abriu revelando a pessoa que estava por trás dela. Era Pedro.
— A Mônica não deixou de jeito nenhum que a gente olhasse a ficha do menino. — Disse Pedro. — Ela falou que daquela vez que fomos olhar a ficha da menina lá, foi uma exceção entre as exceções e que nunca mais aconteceria de novo.
— Affffffff, cara. — Reclamou Gui.
— ... — Nell ficou quieto, assim como Vini e Isabel.
— Parece que a Mônica fez a gente cair do cavalo. Não tem jeito, teremos que optar pelo plano B. — Disse Verônica.
— É!! Isso porque você são os queridinhos da secretaria! — Afirmou Isabel, num tom irônico.
— Oxi Isabel, calma, não precisa ficar tão brava, eu também já imaginava que eles não iam deixar, além disso, não é algo tão ruim. — Falou Pedro. — Já que não sabemos onde ele mora, então é só esperarmos até Segunda-feira. O Daniel vai ter que aparecer na escola mais cedo ou mais tarde.
— É arriscado. Muito arriscado. — Disse Nell. — O garoto planejou tudo para que nos encontremos amanhã, e, na perspectiva dele, caso não seja uma armadilha, ele estará nos concedendo uma "chance de ouro".
— E mesmo que seja uma armadilha... — Murmurei.
— Exato, ele não vai gostar nem um pouco se nós não comparecermos e poderá publicar outro dos vídeos do Vinícius. — Completou Nell.
— Teremos que tentar ligar. Ele nos deixou numa posição em que devemos usar todas as cartas à nosso favor. — Falou Verônica.
— E se a gente entrar na secretaria e bisbilhotar o negócio dele escondidos? — Sugeriu Vini, que parecia estar bem descontente com a notícia de Pedro.
— Não. A secretaria tem câmera e se fôssemos pegos fazendo isso, provavelmente seríamos expulsos. — Disse Verônica.
— Então deixa ué. Vamos atrás dele amanhã no viaduto e já era. — Disse Gui.
— Gui... Calma, calma. Uma coisa de cada vez. — Falou Nell. — Eu sinceramente não acho uma boa idéia mandarmos você, o Gabriel e a Isabel lá.
— E vai fazer o que? Mandar o Vini lá? — Perguntou ele.
— Não me chama de Vini, Guilherme. Só o Gabriel pode me chamar assim. — Falou Vini. No mesmo momento, todo mundo olhou para ele com os olhos arregalados, exceto o Pedro.
— Tá...? — Disse Gui, sentindo-se meio oprimido.
Naquele instante, todo mundo pensou uma coisa diferente sobre o Vini, cada um com sua perspectiva.
Guilherme POV
Só porque ele não tá mais ficando comigo que não vai deixar eu chamar ele de Vini? Affz, se acha, me arrependo de ter ficado com ele.
Isabel POV
ISSO AÊ LACAIA, TÁ COMEÇANDO A APRENDER O JEITO CERTO DE TRATAR O CRUSH! OS CONSELHOS QUE TE DEI HOJE NA SALA FIZERAM EFEITO! AEEEE! Gabriel, aproveite que agora a vadia tá toda na sua!
Verônica POV
Só está dando em cima do Gabriel porque o coitado está fazendo de tudo pra ajudar. É tenso, esse povo de hoje em dia só gosta de alguém quando a pessoa é bonita ou traz alguma utilidade.
Nell POV
Será que o Vinícius se apaixonou mesmo pelo Biel, "magicamente", depois do ocorrido de hoje? Eu não estava lá para ver o quão tensa foi a situação, mas... Não sei. Ainda acho que ele não ama o Biel de verdade. Bom, eu vou descobrir isso quando chegar o momento em que for o Biel quem precisará da ajuda dele.
Pedro POV
Puxa... Acabou o pudim na cantina. Será que elas vão vender amanhã? Eu estava tão ansioso pra comer...
Gabriel POV
— S-sim... Apenas eu posso... — Falei abaixando o rosto.
— Voltando à pauta de hoje, então está decidido? — Indagou Verônica.
Ficamos todos pensando por um tempo em alguma nova alternativa, tanto que o sinal indicando o fim do intervalo bateu. No fim, não conseguimos pensar em nada, mas, Nell nos deu uma pequena esperança dizendo sobre ir na casa da Verônica para ligar pro número do Dan.
— 'Vamo' pra sala viado. — Disse Isabel, chamando pelo Vini da porta da sala em que estávamos.
— Vini, me espera na hora da saída. — Falei.
— Tá bom. — Falou ele. — Você vai ficar aqui?
— Sim, a Verônica ainda vai entrevistar o Nell e eu vou esperar eles terminarem pra subir com ele. — Falei.
— Ah ta, então tchau... — Disse ele.
— Tchau... — Falei.
Eu e Vini nos embolamos na hora de nos despedirmos. Tentamos abraçar um ao outro mas hesitamos de vergonha e ficamos parecendo dois babacas. No fim, apenas fizemos um toque de mãos e ele foi embora com Isabel. Guilherme também já havia subido e só restaram eu, Verônica, Nell e Pedro na sala do clube.
— Pedro, pega o note e escreve tudo. — Disse Verônica.
— Okay. — Falou ele.
Aquela entrevista só foi terminar as 10:10, 20 minutos depois do término do intervalo. A professora ficou brava comigo e com Nell quando chegamos aquela hora na sala e nos fez explicar em detalhes sobre o que estávamos fazendo. Um povinho chato da sala também zoou o fato de nós estarmos voltando juntos e sozinhos àquela hora, mas eu e Nell apenas ignoramos.
Nas últimas aulas, o Nell sentou-se perto da Márcia e ficou conversando com ela. Não sabia o que eles estavam conversando, mas, caso estivessem falando de mim, eu não ligava nem um pouco. Era provável que o Nell estivesse explicando pra ela toda a situação, mas isso não era algo necessário pois não tinha nada haver com ela.
Se bem que... Ver os dois lá sem mim era meio triste. Eu não queria ter ficado de mal com a Márcia, mas... Ela foi longe demais.
Às 12:27, do lado de fora da escola à frente do portão, todos nos reunimos menos o Guilherme e o Pedro. Os dois foram embora juntos e pareciam não estarem ligando muito para o caso do vídeo, bem, o Guilherme antes estava bem animado, mas acho que a "patada" que o Vini deu nele fez ele desistir de ajudar.
Não entendo, ele ficou bravo só por causa disso sendo que eu falei coisas piores e ele me perdoou, vai entender.
— Vamos Verônica, aquele é o carro da minha mãe. — Disse Nell, apontando para o carro que estava estacionando do outro da rua. Ele estava sentadinho em sua cadeira de rodas comigo guiando-o por trás.
— Tá. — Falou ela.
— Biel, pode deixar. Vai lá com o Vinícius pois vocês têm coisas mais importantes pra lidar. — Disse ele.
— Tudo bem. — Falei, saindo de trás dele para ele fosse por si mesmo até o carro de sua mãe, girando as rodas com as mãos. — Nós vamos ficar esperando pela sua mensagem.
— Eu sei. — Falou ele, se despedindo e indo até o carro com Verônica.
— Agora vocês vão falar com a sua vó, né Vinícius? — Perguntou Isabel.
— É, ela com certeza já viu o maldito vídeo com a minha mãe e deve estar agoniada. — Respondeu ele.
— Olha Vini, desculpa, mas... Vai ser muito tenso. — Alertei. — Dessa vez, a culpa está toda com a gente e não há argumentos verídicos para usarmos em nossa defesa.
— Da gente nada! A culpa é minha! Por que você está se culpando também? Pare, você só tá me ajudando! — Disse ele. — Mas tanto faz, eu fiquei pensando nisso desde ontem e sabia que teria que encará-los.
— Gente, posso ir também? — Perguntou Isabel.
— Pode. — Respondi por mim e pelo Vini.
— Tem certeza? — Indagou ele.
— Tenho Vini, a Isabel apesar de ser barraqueira, sabe falar bem em qualquer situação. — Falei. — Mas Isabel, se você for, vai ter que ficar lá até de noite que é quando a mãe dele chega do serviço.
— To sabendo. Vou ligar pra minha avó quando chegar lá e avisar que vou na casa do Vinícius.
Começamos a andar em direção à casa do Vini, que ficava perto da escola. Eu e ele fomos andando lado a lado, bem perto, tanto que várias vezes as nossas mãos se trombavam enquanto andávamos. Isabel estava conosco e conversava alto com o Vini da forma que sempre fazia.
O que viria à seguir na casa do Vini após toda a situação do vídeo, ninguém sabia ao certo.
Continua no capítulo 25.
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