Eu e Você Para Sempre
6 Um Coração Completo
Notas iniciais
—Meus filhos. —Grace se levanta assim que Christian e Elliot se aproximam e nós fazemos o mesmo. Ela os cumprimenta com beijos no rosto. —Como foi à viagem?
—Nós estamos vivos, e foi o Christian que nos trouxe. —Elliot diz e seu irmão revira os olhos. —Então acho que foi bem.
—Não implique com seu irmão Elliot Grey. —Grace diz sorrindo.
—Kate. —Elliot cumprimenta Kate com um beijo depois me cumprimenta. —Olá Ana.
—Elliot. —Digo formalmente.
—Não vão me apresentar à senhorita? —O outro Grey diz me olhando.
—Eu faço questão. —Mia fala. —Christian Grey, conheça Anastásia Steele.
Nós nos encaramos por alguns segundos e mais lembranças me vêm, mas não demonstro nada.
Eu não acredito que esse é o Christian... Não pode ser.
Sinto todos tensos à nossa volta e decido me manifestar.
—Christian Grey. —Sussurro arqueando uma sobrancelha. Estendo a mão para ele e dou um sorrisinho digno de um Oscar. —É um imenso prazer conhecer meu maior concorrente.
—Anastásia Steele. —Ele diz com desdém e segura minha mão. —Digno o mesmo.
Sinto uma corrente elétrica passar por meu corpo e me arrepio. Solto sua mão rapidamente e todos se sentam.
—É não teve tiros. —Elliot diz e todos acabam rindo.
—E por que teria? —Christian assume uma postura muito séria, mas não deixa de me olhar. —A Srta. Steele e eu somos adultos, e sabemos diferenciar as coisas, não é?
—Digo por você Sr. Grey. —Sussurro. —Mas sim, eu sei muito bem diferenciar as coisas.
—Que tal começarmos a jantar? —Grace sugere e todos concordam na hora.
Fazemos os pedidos e eu ainda sinto o olhar de Christian sobre mim, mas nem se quer o encaro.
Tem que ser ele... Esse olhar. Ainda é o mesmo. Eu não posso estar ficando louca.
Todos vão conversando sobre assuntos aleatórios e eu acabo me distanciando em lembranças e pensamentos... Isso só pode ser loucura, o meu maior concorrente não pode ser o meu melhor amigo... Aquele menininho de olhos cinza que eu conheci.
—Merda! —Volto ao mundo real e vejo Christian se levantar com a gravata toda molhada de vinho. Acho que a garçonete derramou o vinho nele. —Olha o que você fez garota!
—Christian, calma. Foi um acidente. —Grace diz com um olhar de desaprovação e ele revira os olhos.
—Ótimo! —Ele exclama e desfaz o nó da gravata arrancando-o do pescoço.
Christian desabotoa os três primeiros botões da camisa e por segundos meu mundo para... O colar... Ele tem o colar.
—Ana, você está bem? —Elliot pergunta e todos me olham. —Você está pálida.
—Eu... —Sussurro confusa e me levanto. Com isso meu colar balança no meu pescoço e vejo Christian olhar incrédulo para ele. Lágrimas brotam nos meus olhos e meu coração acelera. —Eu só tenho que ir. Desculpem.
Pego minha bolsa e praticamente corro para fora do restaurante.
Eu não acredito que depois de cinco anos o reencontrei. Ah meu Deus! Isso é demais.
CHRISTIAN GREY
Não consigo tirar meus olhos de Anastásia, por mais que eu a odeie por roubar meus melhores negócios estou incrivelmente encantado em conhecê-la. Ela é delicada como uma boneca. Até seus gestos e olhares são encantadores e isso me fascina.
Por um segundo eu chego a imaginar que ela é aquela menina por quem eu tanto procuro, mas ela não demonstra nada disso.
Não consigo parar de olhá-la, mas quando sinto algo molhando minha gravata meu sangue ferve.
Levanto-me e vejo que a maldita garçonete derramou vinho na minha gravata.
—Merda! —Exclamo bravo. —Olha o que você fez garota!
—Christian, calma. Foi só um acidente. —Mamãe fala me dando um olhar de desaprovação e eu reviro os olhos.
—Ótimo!
Desfaço o nó da gravata e a puxo, depois desfaço os três primeiro botões da minha camisa e meu colar balança no meu pescoço.
—Ana, você está bem? —Elliot pergunta todos a olham. —Você está pálida.
—Eu... —Ela sussurra confusa olhando para mim. Lentamente ela se levanta e com esse movimento seu colar balança em seu pescoço fazendo meu mundo parar. —Eu só tenho que ir. Desculpem.
Porra! É ela.
Anastásia praticamente corre para fora do restaurante deixando todos confusos.
Kate se levanta para ir atrás dela, mas eu a impeço.
—Eu posso? —Pergunto surpreendo a todos.
—Eu não sei se é uma boa. —Kate diz e eu insisto.
—Eu só vou conversar com ela, e essa é a noite de vocês. —Digo calmamente.
—Tudo bem, mas só cuidado. Ela é muito sensível. —Kate diz como um olhar ameaçador e reviro os olhos.
Saio do restaurante e encontro Anastásia chorando encostada no carro. Ela me olha com aqueles olhos azuis e isso só aumenta minha certeza. Aproximo-me e ela seca as lágrimas.
—Sr. Grey...
—É você não é? —Pergunto cortando-a. — Você é a garota por quem eu procurei durante vinte anos.
—Eu não tenho a menor ideia do que você está falando. —Ela diz de forma fria.
Caminho até ela e puxo o colar de seu pescoço, junto ao meu e eles se encaixam perfeitamente.
—Você não faz a menor ideia depois disso? —Pergunto bravo.
—Christian... —Ela diz voltando a chorar e eu não resisto e a puxo para os meus braços. Enrijeço, mas não a solto. Ela chora contra meu peito por alguns minutos.
—Você tem olhos engraçados. —Ela sussurra me olhando nos olhos e eu tenho mais convicção de que é ela. Minha Ana. —Cinza.
—Eu te procurei por vinte anos. —Digo abraçando-a outra vez. —Sabe o quanto doe te perder?
—Sim. —Ela sussurra e parece distante. —Eu também te perdi.
Ana me solta e enxuga as lágrimas, ela dá um sorriso debochado e me encara.
—Você tinha que ser meu maior concorrente? —Abro um sorriso com sua pergunta.
—Não vamos falar sobre isso, se não eu vou querer te bater, você roubou um dos meus melhores negócios, eu estou muito bravo com isso. Aliás, você sempre faz isso.
—Desculpe-me. —Ela diz sorrindo e isso é uma visão linda. —Será que você pode devolver isso?
—Claro. —Digo lhe entregando seu colar. E ela o coloca de volta no pescoço. —E tão bom te ver outra vez. Eu pensei que nunca mais te veria.
—Eu também pensei. —Ela se encolhe e noto o medo em sua voz. —Foram tantos anos... E-eu. —Ela gagueja e volta a chorar. Sem pensar a puxo para os meus braços. —Me desculpe.
—Tudo bem baby, nós estamos juntos outra vez. Não estamos? É o que importa.
—Mesmo que sejamos concorrentes?
—Foda-se essa porra toda! Eu não vou abrir mão da minha melhor amiga por essa merda!
—Você continua o mesmo bobo de sempre. —Ela diz me apertando. —Que bom que eu te encontrei. Eu senti muito sua falta.
—Eu também. —Confesso. —Foi horrível não ter ninguém com quem implicar, e olho só. Você continua baixinha.
—Ei! —Ana me dá um tapa indignada. —Você é um idiota Grey!
Ficamos mais alguns minutos ali, até que lembramos que temos que voltar ao restaurante.
—O que nós vamos falar para eles? —Ana pergunta olhando-me profundamente.
—Por hora? Nada. —Digo tranquilamente. —Depois que você conversar com a Kate, nós dizemos algo.
—Ok. —Ela sussurra
Dou um beijo em sua testa e entramos no restaurante, todos nos olham quando chegamos à mesa, mas não dizem uma palavra. Puxo a cadeira para Ana sentar e depois me sento ao seu lado.
—Amiga você está bem? —Kate pergunta e Ana dá um sorriso encantador.
—Ótima! —Ela exclama.
—Espera ai. —Mia diz olhando-nos. —É minha impressão ou o coração de vocês se completam?
—Hã? —Todos dizem juntos e encaram Mia.
—O colar. —Mia explica. —Que o Christian nunca tira, por causa daquela garota. A Ana tem a outra metade. Ei, espera ai... A Anastásia é a garota?
Ana olha boquiaberta para mim e quase se afunda na cadeira.
—Alguém pode me explicar isso, por favor? —Kate diz parecendo estar furiosa.
—É... —Sussurro rindo. —Acho que está na hora de falarmos.
Com muita paciência e calma, começamos a explicar todos os detalhes de nossa infância até agora o nosso reencontro.
—Ana, eu me sinto envergonhada. —Grace diz olhando para mim e Ana. —Eu recebi ordens para deixar o Christian longe de você... Mas eu não sabia que vocês...
—Tudo bem Grace. —Sussurra Ana segurando sua mão. —Eu sei que foi meu pai que mandou me deixar longe do Christian, ele não me queria perto dele por causa da Ella, mas eu devo a minha vida a ela. Aquela mulher morreu para me salvar, e isso não tem preço.
—Como você foi parar na casa do Christian afinal? —Kate pergunta.
—Minha mãe biológica. —Ana diz encolhendo os ombros. —Ela me jogou fora assim que meu pai se separou dela.
—Te jogou fora? —Mia pergunta indignada. —Como assim?
—Ela me culpou por meu pai ter ido. —Ana diz com um olhar triste. —Mas eu não me importo com isso. A Carla, minha madrasta, ela cuidou muito bem de mim.
—O engraçado de tudo isso é que vocês se tornaram os maiores rivais que eu já conheci. —Papai diz e todos riem. —Isso foi à coisa mais incrível, quem diria.
—É mesmo. —Elliot diz. —Vocês dois, que se odiavam segundos atrás, estão assim, juntos.
Ana ruboriza e eu reviro os olhos.
—Eu sempre considerei a Ana uma irmã. —Digo segurando sua mão e ela sorri. —Eu adorava protegê-la e cuidar dela.
—E eu adorava a companhia dele. —Ana diz sorrindo. —Por mais que ele fosse muito tímido e mandão.
—Olha, tímido eu já não digo, agora mandão. —Elliot diz e Ana sorri.
Fico olhando seu sorriso e seu jeitinho, ela não mudou nada. Continua sendo a mesma Ana. Minha menininha.
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