Eu e Você Para Sempre
7 Uma Pequena-Grande Surpresa
Notas iniciais
ANASTÁSIA STEELE
Quando o jantar termina nós ficamos por mais algum tempo conversando, Christian não para de sorrir e eu acho que isso está impressionando a todos.
—Ana, onde você vai ficar? —Mia pergunta.
—Em um hotel aqui pertinho. —Digo sentindo meu corpo pesar pelo cansaço.
—Nada disso. —Christian diz. —Todos vão para a minha casa, e por que você acha que ficaria de fora?
—Hã... Por que eu não faço parte da sua família? —Pergunto semicerrando os olhos. —E porque eu não quero ir para a sua casa.
Elliot segura o riso assim como Grace, e é a primeira vez que a vejo sorrindo.
—Anastásia Steele, não discuta comigo. —Ele diz semicerrando os olhos. —Eu ainda sou mais velho.
—E mais idiota. —Digo arqueando as sobrancelhas. —Eu não vou para a sua casa.
—E não te perguntei. —Ele diz e eu me calo. —Você vai e pronto, sem discussões. Fim!
—Você é impossível. —Reviro os olhos e acabo sorrindo.
—Espero que isso tenha sido um sim, pois eu não aceito um não.
—Christian, eu já aluguei um quarto, e minhas coisas estão lá.
—Dane-se, eu posso mandar alguém pegá-las. E quanto ao quarto, eu posso pagar.
—Queridinho, eu ainda sou melhor que você no mundo dos negócios, e tenho tanto ou mais dinheiro do que você. Então eu posso muito bem pagar meu quarto de hotel.
Todos ficam em silêncio enquanto Christian me encara boquiaberto, Elliot explode em uma gargalhada e Christian apenas levanta as mãos em sinal de rendição.
—Então quer dizer que você vai para a minha casa? —Ele pergunta e eu gargalho.
—Você é impossível. —Digo rindo. —Ok, eu vou, mas eu vou ter que me privar da sua ótima companhia, pois tenho muito trabalho para resolver.
—Sem problemas, eu também tenho. —Ele diz.
—Calma ai. —Mia diz. —Vocês, os maiores concorrentes da América vão trabalhar no mesmo local? Eu quero ver isso.
—Mia. —Grace diz chamando a atenção da filha.
—Até eu quero ver isso. —Diz Carrick.
—Dois. —Comenta Elliot.
—Três. —Kate fala e eu semicerros os olhos para ela. —Amiga, desculpa, mas é inevitável. Você vivia xingando o Christian de incompetente, dizendo o quanto ele era ruim ou inútil, ou até mesmo... Um rostinho bonito que conseguia tudo só porque era um Grey.
Coloco a mão sobre a testa e encaro Kate com um sorriso falso.
Sinto o olhar de Christian sobre mim e tenho vontade de afundar na cadeira.
—Nem a olhe com essa cara. —Grace diz. —Você disse coisas horríveis sobre a garota. Até que ela conseguia fechar negócios usando muito mais que um sorriso.
—Há é? —Encaro Christian que dá um sorrisinho mais falso que o meu e encolhe os ombros. —Eu não tenho culpa se você não é competente.
—Não sou competente? —Ele diz indignado. —Você que ganha às coisas fáceis demais.
—O que? —Bato as mãos na mesa e o encaro boquiaberta.
—Esse fim de semana vai ser ótimo. —Elliot diz rindo.
—Há vai! —Todos os outros falam juntos.
Depois de jantar todos nós saímos do restaurante juntos, mas vamos com carros diferentes.
Mia, Grace e Carrick vão com um carro, e Kate e Elliot em outro, e eu acabo indo com Christian até o hotel pegar minhas coisas.
Assim que estacionamos o carro em frente ao hotel a primeira coisa que vemos é a multidão de fotógrafos parados.
—Merda! —Exclamo. —Esqueci-me disso.
—Não tem nada demais, é só passarmos sem nada a declarar. —Christian diz como se foi à coisa mais normal do mundo.
—Claro! —Exclamo em tom sarcástico. —Os dois maiores rivais juntos. NADA A DECLARAR.
—Você é boba demais Ana, vamos.
Christian desce do carro e os fotógrafos começam a bombardeá-lo com fotos, respiro fundo quando ele dá a volta no carro e abre a porta para mim, seguro em sua mão e desço do carro, o que quase me cega pelo tanto de foto. Christian me puxa contra seu peito e esconde meu rosto por causa dos flashs, ele nos guia até o hotel e assim que entramos o segurança fecha a porta.
Seguimos para o quarto e Christian me ajuda a pegar minhas malas e as coisas de Kate que ficaram aqui, nós logo saímos com as coisas e vamos até a recepção para pagar o quarto.
Acho que ficamos em torno de vinte minutos discutindo na frente da recepcionista sobre quem vai pagar o quarto. A mulher não consegue se segurar e começa a rir, como todos os outros funcionários. Christian me vence pelo cansaço e o estresse e eu o deixo pagar, depois de xingá-lo muito, é claro.
Nós saímos do hotel, outra vez somos bombardeados, mas chegamos ao carro.
Quando chegamos na casa de Christian ele me acorda calmamente e nós saímos do carro.
Fico parada muito sonolenta o vendo pegar minhas malas, ele me olha e sorri logo se aproxima e envolve meu ombro com o seu braço, sorrio e deito a cabeça um pouco.
Assim que entramos vejo que a casa está completamente acesa, e há muitas vozes vindas da sala.
Caminhamos lentamente até a sala e todos nos olham.
—Vocês já estão na TV. — Mia fala animada
—Já? —Dou risada. —Dessa vez foi rápido.
—Vocês não ouviram a melhor. —Kate fala rindo e veste sua cara de jornalista. —Anastásia Steele e Christian Grey, um dos maiores concorrentes no mundo dos negócios, foram flagradas juntos entrando em um hotel, poderia ser apenas uma reunião de negócios, mas será um novo romance?
Explodo em uma gargalhada e Christian em acompanha.
—As pessoas não têm mais o que inventar. —Christian diz rindo. —Eu nunca teria nada com a Ana, ela é como uma irmã.
—Espero que não me troque por ela. —Mia diz nos fuzilando.
—Jamais! —Exclama Christian. —A Ana está cansada, eu vou mostrar o quarto para ela. E vou ir para o meu.
—Tudo bem crianças. —A mãe de Christian diz e meu coração se aperta.
Eu sinto falta da minha mãe... Bem, Carla. Ela sempre cuidou de mim tão bem, e eu me afastei dela e do meu pai... E Da...
—Vamos? —Christian pergunta tirando-me de meus devaneios.
—Claro. —Sussurro. —Boa noite a todos.
—Boa noite. —Todos dizem juntos.
Christian me indica o quarto e eu lhe dou um abraço de boa noite depois entro, desfaço minha mala e guardo as coisas no guarda-roupa que há no quarto. Tiro meu vestido e coloco um pijama de seda. Pego meu macbook e meu celular e sento-me sobre a cama para trabalhar um pouco.
Meu celular começa a tocar e eu estranho pelo fato de ser três da manhã. Atendo-o ao ver que é Carla.
—Mamãe. —Atendo preocupada. —Aconteceu algo?
—Querida, eu não quero que se preocupe. —Ela diz já me deixando preocupada. —Mas seu pai sofreu um acidente.
—Hã? —Jogo o Mac de lado e me levantando começando a andar pelo quarto. —Como assim acidente?
—Ele estava dirigindo, não sei ao certo, parece que um motorista bêbado bateu no carro dele.
—Ah meu Deus! E como ele está?
—Ele bem... Mas...
—Mas?
—A Gabby estava no carro com ele.
—O que? —Grito e sinto meu coração se apertar. —Como ela está?
—Eu não tenho notícias, ela está na sala de cirurgia. —Carla diz com a voz preocupada.
—Eu estou indo para ai. —Declaro. —Eu chego ainda de manhã.
—Tudo bem querida, mas tome cuidado.
—Ok. Beijo. Qualquer notícia me ligue.
Desligo meu celular e começo a fazer minhas malas. Ouço alguém bater na porta do quarto e mando entrar.
—Ana? —Christian pergunta confuso a me ver fazer a mala. —Você está saindo?
—Sim. —Declaro. —Eu tenho que ir para o Texas.
—Texas? Como assim?
—Meu pai, ele sofreu um acidente. —Digo omitindo pequena parte. —Eu tenho que ir ficar com a minha madrasta e com ele.
—Ok, mas parece que não foi só isso. —Ele diz e eu fico em silêncio.
—Foi só isso Christian. Agora eu tenho que terminar isso aqui e pegar um avião.
—Eu vou com você.
—Christian isso não tem nada a ver com você. —Digo nervosa.
—Tudo que tiver a ver com você, tem a ver comigo.
—Christian. —Sussurro confusa. —Eu não vou deixar você ir comigo para lá. Não vou ficar tomando seu tempo.
—Tomar meu tempo? —Ele bufa e dá risada. —Te ajudar não toma meu tempo, e além do mais, eu tenho um helicóptero, posso levar você tranquilamente.
—Você acha que sou doida de entrar em um helicóptero com você? —Brinco pelo fato de estar nervosa. —Eu tenho amor a minha vida, ok?
—Eu vou me arrumar, e mandar prepararem o Charlie Tango.
—Charlie Tango?
—Sim. —Ele diz sorrindo.
—Leve algumas roupas então, ok? Não sei quanto tempo teremos que ficar lá.
—Você que manda Srta. Steele.
—Ótimo! —Sorrio e ele sai do quarto.
Merda!
Por que eu aceitei? Agora ele vai descobrir a Gabby.
O que eu faço?
Termino de arrumar minhas coisas, mas nada me vem à mente, e quando percebo Christian está no quarto novamente já vestido e com uma mala pendura pela alça no ombro.
—Vamos? —Ele diz olhando-me de uma forma como se visse que estou escondendo algo.
—É... Tem certeza que você quer ir?
—Tenho. —Christian diz e pega minha mala. —E vamos logo.
—Ok. —Digo dando um falso sorrisinho.
Nós saímos do quarto e descemos as escadas, assim que chegamos à sala encontramos Grace, Carrick e Mia tomando chá.
—Vocês vão sair? —Grace pergunta preocupada.
—Sim. —Christian diz. —O pai da Ana sofreu um acidente e nós vamos vê-lo.
—Ah meu Deus, ele está bem? —Mia pergunta preocupada.
—Eu ainda não sei. —Digo encolhendo os ombros.
—Assim que vocês chegarem lá nos deem notícias. —Carrick fala e consentimos.
—Tudo bem. Vamos Ana. —Christian diz segurando meu braço e nós saímos.
Encontramos um homem de cabeça raspada e olhos verdes com aparência de militar nos esperando e frente a um carro. Christian troca algumas palavras com ele e nós entramos carro.
Não consigo dizer muito coisa, pois estou muito aflita pela Gabby... Se ela se machucar eu nunca vou me perdoar.
Estou tão distraída que quando paramos eu nem percebo, então Christian me avisa, nós entramos em um hotel e subimos três andares. Quando as portas do elevador se abrem a primeira coisa que vejo é um helicóptero com o nome Charlie Tango escrito na lateral. Christian dá um sorriso bobo para o helicóptero e depois troca algumas palavras com um homem.
Entramos no mesmo e Christian faz as checagens de voo, e logo estamos decolando.
A viagem inteira eu não consigo tirar Gabby da minha coisa... Por favor, não deixe que nada aconteça a ela.
Quando chegamos Christian pousa o helicóptero em uma filial da minha empresa que abri há pouco tempo aqui no Texas. Nós descemos e passamos prela empresa onde já há muitos funcionários.
Eles quasem têm um treco quando nos veem juntos, mas eu não falo com ninguém, apenas passamos por ele e saímos da empresa onde um carro nos espera e lá está o homem com aparência de militar nos esperando.
Como ele chegou aqui tão rápido? Não importa.
Christian me apresenta o homem como Taylor, seu chefe de segurança... Entendi como ele chegou tão rápido.
Taylor nos leva até o hospital, e assim que pego as informações que preciso corro até onde Carla e papai estão.
—Annie. —Carla diz assim que me vê. Ela me abraça apertado e só agora percebo o quanto senti falta disso. —Como você está querida? —Carla olha para Christian e arqueia uma sobrancelha.
—Bem. —Sussurro. E nem olho para meu pai. —Onde a Gabby está?
—Ela acabou de sair da cirurgia, está se recuperando em um quarto, você pode visitá-la daqui a pouco.
—Tudo bem. —Dou um sorriso forçado ao encarar meu pai, mas Christian pigarreia e eu volto minha atenção para ele. —Há mamãe, quase esqueci... Essa aqui é Christian Grey.
—Christian Grey? —Carla diz surpresa, mas aperta sua mão. —É um prazer conhecer o arco-inimigo da minha filha.
—Christian Grey, é? —Papai pergunta e eu tenho que sorrir.
—Sim, lembra-se dele? —Digo em tom de ironia. —Lembra quando eu era uma garotinha que fui jogada fora e a mãe dele me acolheu. Lembra como você me arrancou dele e depois me levou embora? Logo depois dela ter morrido para me salvar? Lembra-se de tudo isso? —Lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto com o desabafo. —Lembra que eu fiquei quase dez anos sem falar nada, porque eu sentia muita falta dele? E lembra o que você disse? Que eu não precisava das pessoas! Eu só precisava de mim mesma! Você estava muito enganado! Eu precisei dele antes! E vou continuar precisando! Porque ele sempre me tratou melhor que você! Você tirou tudo de mim, e agora quase me tirou a Gabby.
—Eu nunca tirei a Gabby de você, foi você quem se afastou dela! —Papai joga na minha cara. —Você a deixou, deixou a nós e foi embora!
—Porque eu era uma criança! —Exclamo e Christian segura minha mão dando-me coragem. —Eu não sabia o que fazer. Você só sabia gritar e jogar na minha cara como eu estava errada! Mas a culpa nunca foi minha por você ser um péssimo pai! —Tomo fôlego e suspiro. —Eu não acredito nessa história de acidente. Você bebeu de novo não foi?
—Annie... —Ele encolhe os ombros e isso confirma tudo.
—Ah meu Deus! —Exclamo e coloca a mão sobre a testa. —Você a colocou em risco? De Novo?
—Com licença. —Uma enfermeira diz se aproximando. —Será que vocês podem fazer silêncio? Os pacientes têm que descansar.
—Desculpe-nos. —Mamãe fala e a enfermeira via embora. —Chega de altas emoções por hoje. Ray, eu acho melhor você ir para casa. Annie vá ver a Gabby, Christian, por favor, acompanhe-a.
—Tudo bem Sra. Steele. —Christian diz me conduzindo ao corredor onde ficam os quartos. —Quem é Gabby?
—É uma longa história, eu te explico depois. —Sussurro assim que paramos em frente ao quarto. Respiro fundo e entro vendo Gabby deitada sobre a cama olhando para um dos livros que eu lhe dei. —Oi Gabby.
—Mamãe!
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