Eu e Você Para Sempre
13 A Dor Da Perda
Notas iniciais
CHRISTIAN GREY
Nós acabamos de sair do enterro de Gabriella. A pedido de Ana o caixão estava lacrado, então nós não vimos seu rosto. Seria doloroso demais. O acidente a deformou um pouco e seria doloroso demais.
Ana ainda está agindo de forma monótona. Nos dois últimos dias ela tem vivido por viver. Não está indo trabalhar e isso esta me fazendo gerenciar duas empresas, mas tenho Ross, Andrea, Angel e Mical comigo, elas estão me dando muita força. Na verdade. Todos estão dando forças. Está sendo bem difícil para todos nós vermos a Ana, a mulher forte e decidida que conhecemos se tornar a casa de uma pessoa.
Taylor estaciona o carro em frente ao Escala e desce para abrir a porta para nós. Desço e seguro a mão de Ana para que ela desça, e ela faz isso. Anastásia me olha e me dá um olhar fraco, um olhar que é possível ver a dor estampada ali. Um olhar de alguém que existe somente porque isso é inevitável.
Puxo-a para um abraço e ela começa a chorar, caminhamos para dentro do Escala enquanto Taylor vai para a casa de Grace e Carrick levar algumas coisas para Maysa. Eu decidi deixá-la lá por algum tempo, só por enquanto que Anastásia está mal.
Assim que entramos em casa levo Ana para o quarto e a coloco deitada na cama. Ela aperta o uniforme de Gabby contra o peito e começa a chorar baixinho, sento ao seu lado e dou um beijo demorado em sua testa, depois fico com ela até que ela durma.
ANASTÁSIA STEELE
DIA I
Acordo e vejo que Christian não está no quarto, a janela da varanda aberta mostra que já é noite lá fora. Sinto o vento gelado bater no meu rosto e automaticamente começo a chorar. Aperto a blusa de Gabby ainda sentido seu cheirinho.
Céus! Como vou viver se a minha filha?
DIA II
O dia amanheceu frio como ontem... Tudo continua na mesma. Ainda dor ainda parece em dilacerar e a saudade fica pior com a ideia de que ela não vai voltar.
DIA III
Hoje o dia amanheceu ensolarado. Mas o meu humor continuo o mesmo. Não levantei. Não comi. Apenas fiquei deitada e chorei.
Ela não vai voltar.
DIA IV
Estava muito sol hoje pela manhã, o calor estava insuportável.
Christian tentou me convencer a sair da cama, mas eu apenas o encarei, as palavras não quiseram sair. Então eu continuei chorando e voltei a dormir. Dormir era a única coisa que fazia a dor parar.
DIA V
Christian ficou acordado até tarde comigo hoje. Eu tive febre e ele ficou cuidando de mim. Já de madrugada minha febre abaixou, mas a dor ainda está aqui dentro. E quando eu chorei ele secou todas as minhas lágrimas. Nós não trocamos palavras algumas, mas eu o tenho ao meu lado. Sei disso.
DIA VI
Christian teve que ir ver as empresas hoje. Carla ficou comigo. Meu pai não veio me ver. Eu não esperava por ele.
Mamãe tentou me convencer a comer. Eu tentei, mas não tive forças na hora que me lembrei de Gabby.
À noite quando Christian chegou, ele me deu um beijo demorado na testa e depois disso não o vi mais. Mas de madrugada senti a cama afundar e sabia que ele estava ao meu lado.
DIA VII
A dor aumentou hoje. Eu passei o dia inteiro chorando e não deixei ninguém se aproximar de mim. Nem mesmo Christian. Eu sei que estou me destruindo, mas não quero levá-lo comigo. Esse é o meu inferno pessoal. Ele não tem nada a ver com isso.
—Anastásia abra a porra dessa porta. —Christian grita do outro lado da porta que eu tranquei assim que acordei.
—Vá embora! —Junto todas as forças que ainda me restam para mandá-lo para longe. —Eu não quero você ao meu lado. Vá embora!
—Eu nunca vou te deixar sozinha!
Tudo fica em silêncio por alguns segundos e com um estrondo a porta vai ao chão. Christian entra no quarto e me abraça, o que me faz chorar mais. Acho que eu só sei chorar.
—Eu te amo baby. Não me mande para longe. —Ele sussurra me balançando.
—Me desculpe. —Imploro chorando.
—Shii... —Ele sussurra enquanto me embala em seus braços. —Tudo vai ficar bem.
DIA VIII
Hoje pela manhã quando acordei eu vi Christian dormindo, ele tem uma expressão cansada no rosto. Vê-lo assim acaba comigo. Ele tem feito tudo ultimamente enquanto eu tenho estado em uma situação deplorável. Meus dias estão mais negros do que antes. Eu não tenho forças para nada.
Eu preciso da minha filha.
DIA IX
Já se passou uma semana, mas para mim tudo continua da mesma forma. Ainda sinto que vou acordar desse pesadelo a qualquer momento.
DIA X
Christian tentou me tirar da cama de todas as formas, mas tudo só resultou em mais stress. Ele perdeu a cabeça e gritou comigo. Digo que eu estava horrível, que estava suja e muito magra, e que se continuasse assim eu ia acabar morrendo. Eu apenas o encarei e fiquei em silêncio. Ele tem razão, eu realmente estou assim, mas não tenho forças para estar de pé. Sei que não posso viver assim para sempre. Mas talvez não viver doa menos.
DIA XI
Eu não vi Christian hoje, mamãe me contou que ele ficou no quarto de cima, estava acabado e não queria demonstrar isso para mim. Por mais que eu já soubesse o quão mal ele estava.
Grace veio me ver e me falou várias coisas, mas eu a ignorei na maior parte do tempo e apenas virei e dormi.
DIA XII
Kate veio me visitar hoje, mas assim que me viu começou a chorar e saiu do quarto. Virei para a parede e me senti mal. Nem minha melhor amiga consegue ficar do meu lado. Eu realmente devo estar deplorável.
DIAXIII
Meu pai veio me ver hoje, ele chorou a me ver, e mesmo eu estando toda suja e fedendo, em momento algum ele se importou de me abraçar e me dar seu colo. Ele ficou comigo no meu inferno pessoal o dia inteiro, mas depois teve que voltar ao Texas. Eu entendi que ele tinha seus problemas, e não disse nada. Papai prometeu que voltaria para me ver.
DIA XIV
Christian não vem mais me ver quando estou acordada... Ninguém mais, além da minha mãe e a Gail tem coragem de entrar aqui. Eu estou horrível. Suja. Com os cabelos despenteados. Tenho olheiras horríveis e estou muito magra. Aos pouquinhos eu me torno um defunto humano. Nunca imaginei que a dor fizesse isso conosco. Na verdade eu nunca imaginei que a perda de alguém amado pudesse doer tanto.
DIA XV
Apenas a Sra. Jones veio me ver hoje, ela cuidou de mim e passou um pano úmido em meu rosto. Ela também escovou meus cabelos e depois me deixou dormir. À noite quando eu dormia acordei com Christian me olhando. Ele estava sentando na cadeira ao lado da cama e tinha um copo de uísque na mão. Virei para o outro lado e comecei a chorar. Eu não gosto que ele esteja aqui. Eu não gosto que ele me veja assim. E ele não gosta de estar aqui.
DIA XVI
Hoje não tive visitas. Nem mesmo Sra. Jones veio. Eu passei o dia inteiro encarando as paredes e o teto. A saudade pareceu aumentar mais. A tristeza é como um retrato decorando o quarto e nas paredes há certo tom de solidão. Ainda dói.
DIA XVII
Acordei sentindo uma dor muito forte no estomago. Faz muito tempo que não como ou bebo água. Eu estou desidratada. Suja. Com os cabelos emaranhados. Minhas unhas estão sujas. Nem eu mesma aguento meu próprio odor. Eu tenho nojo de mim mesma e não faço nada para mudar isso.
DIA XVIII
Pela primeira vez depois de tudo que aconteceu eu sonhei com a Gabby, foi estranho. Ela estava chorando e chamando por mim. Eu acordei gritando por seu nome e mais uma vez me encontrei em um quarto escuro e sozinha. Christian apareceu quando me ouviu gritar. Ele não se aproximou, apenas ficou na porta com um olhar triste e continuo ali por um bom tempo. Até que eu dormi novamente.
DIA XIX
Acho que não posso dizer isso de acordar, mas eu sei que estava consciente, mas a falta de vitaminas e água no meu corpo me fez ficar com os olhos fechados o dia todo. Eu não em movi. Apenas fiquei como morta. Morta. É isso que eu sou.
DIA XX
Algo em despertou hoje, e não foi a minha dor ou a claridade. Foi a voz de Maysa. Ela estava me chamando. Na verdade chamando mamãe. Ouvi as vozes de Christian e Gail tentando acalmá-la, mas ela chorava muito e continuava gritando.
Isso me fez perceber o quanto eu estou sendo egoísta com todos. Me fez perceber que não doeu só para mim. Que a vida é dolorosa para todos. Que mesmo com uma perda tão grande o mundo está pouco se importando se você via levantar. Ele vai continuar girando.
Isso me fez perceber que não estou maltratando somente eu, mas todos. Christian. Mamãe. Meus amigos e até mesmo Maysa. Eu era a única pessoa que ela via como mãe e eu deixei minha bonequinha sozinha. Com certeza Gabby estaria ao lado dela nesse momento. E é isso que preciso fazer. A dor vai continuar independente do que eu faça, mas estar ao lado das pessoas que eu amo pode amenizá-la. E é lá onde eu vou estar.
Levanto-me e sinto meu corpo todo doer. Eu passei muito tempo deitada. Até minhas pernas doem.
Caminho até o espelho e tenho vergonha do que vejo. Eu estou horrível. Suja. Fedendo.
Não acredito que me tornei isso. Caminho em direção ao banheiro e entro de baixo do chuveiro deixando a água morna lavar meu corpo. Lavo meu corpo com sabonete líquido e sinto-me mais leve, mas melhoro realmente quando começo a lavar meus cabelos. Sinto toda aquela sujeira que estava pesando ir embora com a água.
É engraçado isso, porque nós pensamos que é apenas a dor, mas quando paramos de nos cuidar o peso que vem sobre nós é o que nós mesmos criamos ao nos maltratarmos tanto.
Fico por cerca de umas duas horas ali embaixo. Por algum momento eu me permito chorar, mas não pela perda e sim por ter me permitido ser tão fraca. Sei que até a pessoa mais forte tem seu momento de fraqueza, mas nós nunca devemos deixar a dor e a fraqueza nos consumir isso faz com que sigamos caminhos diferentes e uma hora poderemos nos perder e esquecer como volta caindo em um elo sem fim que nos levaria diretamente para a morte.
Enrole-me em uma toalha e saio do banheiro, quando me olho nos espelho vejo que estou com uma aparência melhor, minhas olheiras sumiram um pouco e agradeço a Deus por isso.
Não vejo nenhuma roupa minha por aqui. Até mesmo porque é a casa de Christian. Entro em seu closet e procuro por uma roupa. Visto uma de suas cuecas e depois coloco uma camisa branca de botões. Escovo meus cabelos e me sinto a pessoa mais aliviada do mundo.
Saio do quarto e ouço a voz de Maysa vinda da sala. Paro na porta e vejo Christian de costas para mim. Ele está embalando Maysa que eu acho que está dormindo.
—Ana... —Ele sussurra antes mesmo de se virar.
CHRISTIAN GREY
Hoje eu fui buscar Maysa na casa dos meus pais, a primeira coisa que ela fez quando chegou foi chamar por Ana e Gabby. Doeu explicar que ela não poderia ver Gabby, ela foi compreensiva nessa parte e disse que Gabby era um anjinho agora, mas foi quando eu disse que ela não poderia ver Ana que tudo ficou ruim.
Maysa começou a chorar e gritar por Ana. Isso me destruiu, mas eu não poderia deixar Maysa perto da Ana no estado que ela está. Isso faria mal para as duas. Principalmente para mim.
Eu não consigo mais ficar perto dela daquele jeito. Ela está horrível e cheira mal, é claro que eu não a abandonei. Todas as noites eu estou lá. Fico por horas observando-a dormir, mas saio antes que ela acorde. Eu queria fazer algo, queria arrastá-la para fora daquela cama. Queria cuidar dela, mas Anastásia se prendeu naquele inferno e só vive para a sua dor, isso acaba comigo. Eu me sinto o pior cara do mundo ao ver a mulher que eu amo se destruir e não poder mudar essa situação.
Enquanto faço Maysa dormir sinto um cheirinho de baunilha natural invadir a sala. Meu coração bate mais rápido e eu sinto a presença dela. Antes mesmo de me virar sussurro seu nome.
—Ana...
—Oi.
Viro-me e vejo Ana parada na porta. Ela está com os cabelos molhados e vestindo uma das minhas camisas.
Fico parado por alguns segundos sem reação, então ela se aproxima e me abraça o que faz Maysa acordar.
—Mamãe! —Maysa diz sorrindo e vaio para o colo de Ana.
—Oi baby. —Ana diz apertando-a em um abraço apertado.
—Você precisa comer algo. Eu vou falar com a Sra. Jones. —Digo meio confuso ainda.
—Tudo bem. —Ela diz com sua calma natural.
Vou em direção à cozinha e vejo Sra. Jones cozinhando.
—Sr. Grey, aconteceu algo? —Ela pergunta preocupada.
—A Ana levantou. —Digo e ela se espanta. —Ela tomou banho e está na sala com a Maysa, você pode fazer algo para ela comer? Forte.
—Claro. —Gail diz e sorri.
Volto à sala e vejo Ana sentada no sofá com Maysa dormindo em seus braços. Caminho até ela e sento ao seu lado, Anastásia me dá um sorriso fraco, e segura minha mão.
—Eu te amo, sabia? —Ela diz e meu coração se aquece a ponto de explodir. Puxo-a e lhe dou um beijo. —Me perdoa. Por favor. Eu fui fraca.
—Tudo bem baby, já passou. Eu estou aqui com você. Eu te amo.
—Não me deixa sozinha. Por favor.
Aperto-a contra meu peito e ficamos assim até que Gail chega com uma sopa para Ana. Gail leva Maysa para o quarto e eu fico observando Anastásia lentamente tomar a sopa. Não trocamos nenhuma palavra, ficamos apenas sentindo a presença um do outro.
—Senti falta de te ouvir. —Confesso.
—É mesmo Sr. Grey? —Ela diz colocando o prato de sopa de lado e senta no meu colo beijando o cantinho da minha boca. —E eu senti sua falta. Perdoe-me.
—Eu não tenho que te perdoar. Em nada. Momentos de fraqueza acontecem. —Digo e depois começo a beijá-la.
—Eu te amo. —Ana sussurra contra meus lábios e isso faz meu coração se aquecer de novo. —Mais que tudo.
—E eu te amo Srta. Steele.
O dia começa a passar e Ana não me solta por nenhum segundo. Quando Carla chega e vê sua filha ela quase tem um treco, mas fica feliz e obriga Ana a comer mais um pouco. Por volta das cinco meus irmãos e cunhados vêm nos ver e ficam surpresos ao ver Anastásia fora da cama, mas comemoram e tentam animá-la de várias formas possíveis. Mamãe e papai também vêm e ficam felizes com a melhora da minha mulher. O dia inteiro eu não saio do seu lado. Fico sentindo seu cheiro. Aquele de baunilha que só ela tem. Enquanto ela conversar, fico ali ao lado, apenas para ouvir sua voz e saber que ela vai ficar bem independente de tudo.
À noite, na hora de dormir, Gail já limpou o quarto e trocou os lençóis da cama, então Ana, Maysa e eu deitamos juntos.
Maysa é a primeira a pegar no sono, então eu fico esperando Anastásia dormir. Só para ter certeza que ela ficará bem.
Assim que Ana dorme eu pego no sono, mas acordo por volta das seis ouvindo o choro baixinho dela. Não digo nada, apenas a puxo para os meus braços onde ela se aconchega e vai parando de chorar até pegar no sono. Fecho meus olhos mais tranquilo assim que ela dorme, mas abro-os rapidamente ao ouvir meu celular tocando, pego-o de cima do criado-mudo e vejo que a chamada é desconhecida. Penso em recusar, mas talvez seja importante.
—Christian. —Diz uma voz feminina do outro lado.
Se eu não estivesse com tanto sono poderia dizer que conheço essa voz.
—Eu, mesmo. Quem fala? —Pergunto sonolento.
—Não importa. Eu só preciso que você saiba que a menina não morreu.
—O que? De que menina você está falando? —Levanto-me e saio do quarto.
—Eu sei que vocês pensam que a filha da Anastásia morreu, mas não é verdade. O caixão estava lacrado. Aquela não era a filha da Ana. Acredita em mim.
—Quem está falando.
—Eu preciso que você faça alguma coisa. Quem tem a menina em mãos pretende vendê-la para um casal brasileiro. Faça alguma coisa. A Gabriella não morreu!
Meu coração dispara com essa última frase.
Será possível?
—Como você sabe que essa garota realmente é a filha da Ana? —Pergunto.
—Porque da mesma forma que você reconheceria aquelas olhos azuis em qualquer lugar, eu também reconheceria seu merdinha. —A mulher diz num tom carinhoso e meu coração para.
—Mãe?
—Olá Christian!
Fale com o autor