Depois de uma longa noite de confusões, o sol raiava e anunciava a chegada da manhã. Teddy se espreguiçava, levantando-se da cama, erguia os braços e sentia os músculos doerem, dormira extremamente bem ontem, porém de maneira bem apertada.

-Já raiou o dia, Rock Star, quer se levantar para que eu possa tomar conta de você?

O sono aos poucos ia cedendo espaço para a consciência, Billy bocejava e levantava o dorso, ficando sentado. Depois de uma longa noite de brigas, ambos os garotos acabaram por dormir na única cama de solteiro no cômodo. Terminavam adormecendo de mau jeito, mas puderam desfrutar de uma proximidade inigualável.

-Temos algumas horas antes do colégio, depois tenho que ir trabalhar. Só há essas poucas horas para ficarmos sozinhos.

-Acho que eu devia ir pra casa e tomar um banho, ainda estou usando roupas de ontem... Epa?

Billy parou pera primeira vez para olhar seu vestuário, não reconhecia nem uma daquelas peças em seu corpo. Notava que tudo era um pouco grande e lembrou-se que antes de desmaiar, vestia suas roupas de super-herói.

-Você me trocou?

-Claro que sim, não ia deixar você passar a noite toda com aquele colam, peguei algumas roupas minhas e coloquei em você.

Antes de algum protesto começar, Billy foi tomado nos lábios pelo companheiro. Era beijado frenética e delicadamente. Envolvia os braços ao redor do loiro e o apertava na camisa com tamanha força que acreditou que a rasgaria. Ficou com o rosto vermelho e se encolheu instintivamente.

Todo início de namoro é um mar de rosas, Teddy puxava seu namorado para o colo, abria as próprias pernas e o encaixava perto de si. Sorria como um bobo apaixonado, abraçava seu amor pelas costas, mas notou que ele estremecia um pouco.

-Ai... Cuidado Teddy, meu corpo ainda dói...

-Deixe-me conferir uma coisa, lindinho.

Temendo que seu pressentimento estivesse certo, Teddy levantava a camiseta de Billy e a atirava para o lado. Os olhos do garoto quase saltaram as orbitas, nunca sentira tanto remorso em sua vida.

-Eu não... Não sabia, como eu pude? Perdoe-me lindinho...

Das costas até provavelmente as pernas, o corpo de Billy era tomado por hematomas gigantes. Linhas roxas seguiam descendo por todos os lados, formando uma imagem muito desagradável. Depois da surra que levou ontem, era um milagre que ainda conseguisse andar.

-Ah, já imaginava... Tudo bem Teddy, isso vai sumir depois de um tempo.

-Não, não esta tudo bem, fui eu quem te machucou assim, jamais me perdoarei por isso...

Não existiam muitos lugares onde conseguia encostar-se ao corpo de Billy, ele não se importava tanto com os ferimentos, mas estes certamente incomodavam em vários pontos. Teddy colocou a palma das mãos no ombro do amante, depois apoiou suavemente a cabeça em suas costas.

-Sou um monstro... Só uma besta selvagem faria algo assim, ainda mais com quem se ama...

-Menos Teddy, ou vou achar que você esta muito sentimental.

O rosto do rapaz loiro não melhorava, apesar das tentativas de animação, seu semblante continuava abalado e reflexivo. Teddy levantava-se e deixava Billy sozinho na cama, ia até a janela e olhava para o céu, próximo do amanhecer.

-Perdoe-me, tem todo direito de sentir raiva...

-Mas quem falou... Teddy, não estou com raiva!

Mesmo insistindo muito, Billy não conseguia colocar na cabeça de seu par, que tudo já estava superado e esquecido. Billy encostou o pé no chão e sentiu uma dor aguda e forte, torcera o tornozelo na primeira surra e depois fora agravado o ferimento na segunda.

Inspirando fundo e ignorando a dor, o menino de cabelos pretos se dirigia próximo ao amado, pousou a cabeça em suas costas e o abraçou o mais gentilmente que pode. Tentou conforta-lo de alguma forma, mesmo sem saber como.

-Como pode? Abraça seu agressor? Eu sou uma besta que te machucou, e ainda assim quer me consolar Billy?

Das faces de Teddy, escorria uma única e solitária lágrima, que parou bem na palma de Billy. Ele fechou a mão e sentiu o pequeno ponto úmido em sua pele, suspirava um pouco e começava a discursar.

-Escute Teddy, escute com muita atenção, essa lágrima prova que não é verdade isso que diz. Essa lágrima representa a bondade que tem, mascarada por sua força. Ela sempre vai existir, eternamente se manterá... Então...

Pela personalidade introspectiva e calma de Billy, eram raros os momentos que ele tentava se expressar com clareza e determinação. O menino tímido e retraído, agora tremia os braços envolta da cintura de quem acreditava amar, cerrava os punhos e corava violentamente.

-Pode mesmo me perdoar? Não me quer longe?

-Perdoei no instante em que me beijou... Mas você quem vai escolher agora, o passo em direção a mim, ou à solidão.

Teddy se virava e abraçava seu amante, de maneira desesperada e afoita, agora o apertava tão forte quanto fosse preciso para sentir-se seguro. Não queria ficar nem mais um minuto caminhando sem ninguém, ainda mais após experimentar o amor.

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-Consegue andar, Rock Star?

-Acho que não muito bem, ainda está doendo um pouco.

Billy fora obrigado a deitar-se na cama, sem direito a protestos por conta do tornozelo. Ele estava levemente inchado e doía bastante, uma pequena bolsa de gelo fora presa na região visando diminuir a dor.

-Não precisa ser tão atencioso, sei que não vou poder ir à aula, e terei de ver um médico, porém, posso ficar sozinho algumas horas.

-Nem pensar, não vou sair do seu lado até ter certeza que está recuperado.

-Que exagero...

Billy cruzava os braços e bufava, estava sendo protegido como criança praticamente não o permitia fazer nada. Em parte se emocionava por ter alguém preocupado com seu bem-estar, por outro...

-Que ridículo.

-Quem vai cuidar de você?

-Eu mesmo cuido!

-Não fale assim lindinho, eu fui muito ruim com você e quero compensar, vou ficar aqui e cuidar de você o dia todo! Por favor, não me negue este pedido.

Teddy puxava as costas das mãos de Billy e as beijava uma por uma repetidas vezes. O olhar do loiro enquadrava o do namorado, de uma forma suplicante e infantil. Billy bufava várias vezes e ficava com o rosto vermelho, por fim desistia e assentia com a cabeça.

-Tá bem Teddy, só hoje escutou? Amanhã tem que me prometer que vai pra aula normalmente!

-Claro, tudo que meu lindinho quiser!

O relógio jazia esquecido em um criado mudo próximo, Teddy voltava a deitar-se na cama e pacientemente aninhava o namorado em seu peito, tomando cuidado para não machuca-lo. Bocejava algumas vezes e acariciava os cabelos de Billy, até este pegar no sono novamente.

-Descanse por hora meu lindinho.

Billy apenas respirava pesadamente, fechava os olhos e adormecia ligeiramente. No momento não havia qualquer preocupação ou temor, apenas o torpor. Talvez fosse aquele o ponto que ambos queriam chegar, a santidade e a segurança à qual chamaria de casa, e que sempre poderiam retornar.

-Teddy...

-Sim?

A menção do nome do loiro o cortou de uma linha de pensamentos indefinidos, este virava os olhos para a figura semiadormecida em seu peito e o acariciava na bochecha.

-Depois de tanto pensar, será que eu encontrei... Encontrei terra firme, encontrei aonde voltar?

-Pode ter certeza que sim.

-Então eu não estive... Estive perdendo tempo.

Um último e pequeno beijo selou o breve diálogo do casal, Billy descansava finalmente. Teddy acariciava seu parceiro de maneira protetora, olhando para a janela de fora e o dia recém-nascido. Finalmente o amanhã parecia promissor.



Notas finais
Estou pensando em fazer um Crossover muito nada haver, o que acham? Com outros heróis que eu gosto, mas ainda estou matutando -Espero que tenham gostado do capítulo!