Eu Sei Quando Você Mente
12 Alguém está mentindo
Notas iniciais
Sabrina levantou o tampão da porta do balcão da secretaria e entrou na área dos funcionários. Sentou em uma das cadeiras de atendimento, fingiu teclar algo no computador desligado, olhou para Hélio e disse com uma voz grossa, imitando alguém:
— Senhor Alvarez, vamos aceitar sua rematrícula na Escola Municipal apenas se parar de comer sua namorada atrás da cantina.
— Prefiro desistir dos estudos — ele debochou com malícia, de pé e do lado oposto do balcão.
Miriam tinha acabado de aparecer na grande porta da secretaria e pegou toda a cena. Fitou os dois com certo julgamento, mas pareceram não se incomodar. A garota vinha de um hall de entrada da área administrativa da escola, que tinha uma alta porta de vidro que dividia a área interna de um pequeno gramado com jardim e, metros depois, um portão de grades sublimes para a rua.
— Cadê os outros? — a recém chegada perguntou um pouco esbaforida. Limpou o suor da testa e esperou por alguma resposta.
— Não sei. Só tem a gente aqui, por enquanto — Sabrina explicou ainda atrás do balcão. Ao lado dela, uma porta trancada levava para outras salas administrativas da escola.
— Tão zoando com a nossa cara — Hélio comentou desgostoso e tentando botar medo nas duas garotas -, ou é uma armadilha. E a gente tá aqui de bandeja.
— Sabem se eles vem? — Miriam perguntou aproximando-se mais.
— Sei lá — Hélio respondeu meio carrancudo. Relaxou o corpo e jogou-se numa das duas poltronas verdes perto da janela de vidro. — Só topamos vir pra ser a maluca da Windera tem algo de verdade pra falar.
— E ela tem só mais dez minutos — Sabrina completou. — Se não aparecer, a gente vai vazar daqui.
— Tá bem — Miriam se deu por vencida. Na verdade, não tinha muito o que fazer. — Vamos esperar, né.
Miriam pensou em Dário e planejou mandar uma mensagem para ele em breve. Ela ia caminhando até a direção de Hélio para sentar-se na outra poltrona, mas parou no meio do caminho quando sentiu o celular vibrar no bolso. Pegou-o com ansiedade e logo botou a luz na cara para enxergar quem ligava.
— É o Felipe — ela disse em voz alta e logo atendeu. Sabrina deu de ombros. — Alô, onde você tá?
— Cara, eu to preso — ele respondeu de imediato e Miriam buscou por algum sentido no que ele havia falado. De imediato, notou apenas suas expressões. Tinha urgência em sua voz. E também medo e aflição. — Vem me tirar daqui! Eu acho que tem alguém lá fora... Têm alguém me ligando sem parar. Falando umas coisas nada a ver e...
— Felipe, calma — Miriam pediu para ele. Mas também estava pedindo para si mesma. Seu corpo estava todo arrepiado — Me fala onde você tá!
— Tem alguém aqui... — ele lamuriou entre as primeiras lágrimas e começou a sussurrar cada vez mais baixo. — Tô ouvindo passos lá de fora... Tá me rondando.
— Felipe, me fala onde — Miriam insistiu ainda mais angustiada.
— Eu tô preso na sala do 3ºA. Vem me ajudar, por favor...
— Eu tô indo. Se esconde, por favor. Eu tô indo! E fica quieto! — Aprontou-se para sair da secretaria e olhou assustada para Sabrina e Hélio.
— O que rolou? — Sabrina perguntou já percebendo a aflição da garota e tomando a situação como mais séria do que imaginava.
— O Felipe tá preso numa sala. Precisamos ir lá ajudar ele, vamos!
— Ei, ei — Hélio interveio levantando-se da poltrona. Ergueu a mão para Miriam e fez que não com seu dedo indicador na direção dela. — Não vamos pra lugar nenhum.
— O quê? Mas ele tá em perigo! — a garota contestou. Sabrina pareceu também não entender a atitude do rapaz.
— A gente não tira o pé daqui até a Windera aparecer. Se aparecer. E outra: aqui têm aquilo ali. A gente tá mais seguro aqui — ele apontou para o canto direito da secretaria, onde havia uma câmera instalada. Enquanto terminava de falar, ele mexeu na parte de trás das costas e tirou de lá uma pequena pistola. — Daqui não saio.
Hélio resmungou e jogou-se firme na poltrona novamente com a pistola repousada sobre a perna direita.
— Eu te falei, amor. É ela. É a Windera — Sabrina comentou com rancor. Saiu de trás do balcão e sentou-se na outra poltrona. Parecia ter aceitado os argumentos do namorado e deixado de lado a história com o Felipe. — É aquela maluca que tá brincando com a gente. Atraiu todo mundo aqui pra ficar mais fácil de matar todo mundo de uma vez. Se for isso, estamos mais seguros aqui, mesmo.
— Que se fodam vocês, então — Miriam retrucou enquanto tateava na parte de dentro do balcão entre canetas, grampeadores e papéis até encontrar e agarrar uma faca de romper grampos.
— Ela vai morrer — Sabrina comentou vendo Miriam partir para a área interna da escola.
Miriam saiu do bloco administrativo e foi em direção ao pátio principal da escola, seguindo pelo caminho de pedras. O local estava totalmente escuro, então optou por simplesmente não olhar para os lados para não sentir medo de nada que pudesse estar atrás das sombras.
Por causa do receio e da sensação de perigos que rondam por todos os cantos, sentiu a pressão do ar pesar. Era mais difícil andar, respirar e mexer os membros. Sentiu as pernas meio bambas e sem firmeza dos passos. Era como se o seu corpo estivesse se recusando a rumar para o perigo iminente. Como se ele quisesse dar um aviso para seu racional parar e pensar no risco que estava enfrentando.
No fundo, Miriam sabia que queria desistir, dar meia volta e correr para a delegacia da cidade ao invés de, feito uma tonta, segurar um objeto semi pontiagudo de dez centímetros para salvar alguém que muito provavelmente já estava condenado. Para se defender de alguém misterioso que já tinha assassinado violentamente duas pessoas.
Por um momento, seu corpo congelou e deu um tranco no meio de um passo. Simplesmente travou. Era a última tentativa do seu subconsciente dá-la um choque de realidade e fazê-la desistir da ideia idiota de colocar a própria vida em risco.
Já a outra parte do seu cérebro resgatou subitamente a figura de Larissa. Sabia que Miriam estava rumando para Felipe, mas projetava naquela situação a outra garota. Como se pudesse salvá-la e trazê-la de volta.
Seu cérebro redesenhou com nitidez os seus pensamentos durante e depois do enterro da amiga com um realismo de emoções que só um corpo repleto de medo e adrenalina poderiam conceber. Se questionava o tempo todo sobre o que teria acontecido se Larissa tivesse compartilhado mais, pedido ajuda e por socorro. Se houvesse qualquer possibilidade de Miriam ter feito algo para evitar que ela fosse assassinada com uma faca enfiada na garganta.
E era exatamente o que Felipe tinha feito. Miriam balançou a cabeça com força para afastar para longe a névoa de dúvidas que pairava sobre sua visão e tirou o corpo do transe. Apertou mais o passo e correu em disparada para o outro lado do terreno da escola.
Quando finalmente chegou no corredor do bloco do ensino médio, já conseguiu ouvir os barulhos. Não podia distinguir o que eram, mas os ouvia abafados, mesmo que altos. Vinham dentro de alguma das salas. O coração da garota apertou dentro do peito já na primeira nota que seus ouvidos captaram. Não percebeu as mãos trêmulas agarradas na faca de grampo devido ao tamanho ardor de desespero que seu corpo estava injetando para si mesmo.
— Felipe! — Seu berro ecoou pelo longo caminho enquanto corria no longo, frio e escuro corredor. Procurou nas placas ao lados das portas cinzas até chegar na que indicava o 3ºA.
Sabia que realmente era aquela porta pelos urros e gritos de dor que partiam atrás dela. Virou a maçaneta com tudo, mas a porta não reagiu, estava trancada. Chacoalhou-a com força na intenção de sua violência romper o fecho, mas a madeira nem reagiu.
— Felipe! — gritou batendo com a palma da mão contra a porta ainda tentando violá-la. Se afastou e chutou-a com o pé, mas a madeira continuou imóvel. — Porra! Felipe!
— Socorro! — conseguiu ouvi-lo lá de dentro. Logo depois do seu grito abafado de ajuda, sons de carteiras e cadeiras sendo derrubadas aos montes ecoaram. Outros sons altos e fortes seguiram e Miriam entendeu que Felipe podia estar lutando pela sua vida lá dentro. Um nó amarrou-se em sua garganta a ponto de travar sua respiração.
A garota começou a jogar-se contra a porta repetidas vezes enquanto os sons graves e grunhidos continuavam dentro da sala. Ouviu Felipe gritar de dor. Miriam não sabia exatamente o que fazer quando conseguisse abrir a porta, mas continuou tentando como se sua própria vida dependesse disso. Até que se tocou que podia haver outra maneira.
Lembrou-se que as salas daquele lado do bloco tinham janelas maiores e com grades mais largas. Davam para a parte de trás da escola, onde havia uma pequena mata com árvores velhas. A poucos passos dali, podia dar a volta, entrar na mata e acessar a sala pela janela.
Desgrudou-se da porta com o seu corpo completamente dolorido para rumar até ao fim do corredor e dobrar a esquerda para ir à floresta. Antes de virar, um vulto a fez hesitar e recolher para trás com passos. Uma figura alta surgiu das sombras e a encarou com olhos assustados.
Miriam demorou para processar quem era, mas, devido ao seu estado de alerta, cravou com tudo a faca de grampos contra ele. Sentiu-a entrar uns dois centímetros na carne e raspar algo duro, provavelmente um osso. A figura se recusou no sentido oposto de Miriam.
— Porra! Caralho! — o homem gritou e comprimiu o corpo quase em posição fetal para lidar com a dor e o susto do ataque repentino. — Sua puta, maluca!
Miriam não respondeu. E foi apenas quando ele abriu a boca para falar reconheceu o homem que havia lhe dado carona dias antes. Primo de Dário. Não lembrava de seu nome. Ela deu mais passos recuados para ficar mais distante dele.
— O que você tá fazendo aqui? — perguntou assustada e desconfiada. Estava esbaforida.
Rômulo arrancou a pequena faca do seu ombro direito e jogou-a no chão. Sangue pingou ao redor dela e escorria pela sua camiseta amarela. Antes que ele respondesse, outro grito surgiu de dentro da sala seguido de um alto som de vidro se quebrando. Miriam e Rômulo se entreolharam assustados e os dois partiram de volta para a porta da sala.
— Felipe! — Miriam chamou-o mais uma vez batendo na porta. Rômulo afastou a garota do local com seu corpo e passou a procurar no seu molho de chaves a correta para abrir.
A garota não questionou. Apenas esperou o homem liberar o caminho, dar passagem para dentro da sala e acender a luz. Ele disparou para dentro como um jato. Miriam notou que ele segurava um canivete com a outra mão e então desistiu de acompanhá-lo para poder tomar distância. Ela ficou parada no batente da porta.
— Merda! — Rômulo retrucou com voz chorosa diante da cena abaixo de seus pés. — Merda, merda, merda!
Sangue. Havia muito sangue na sala. As carteiras estavam todas reviradas e abrindo um espaço no meio da sala e perto da janela. No centro do chão, uma poça de sangue escuro cintilava abaixo dos cacos de vidro e dela partia um rastro de sangue até o lado oposto da porta da sala. Um rastro que se levantava na parede e ia além da direção da janela quebrada para a mata escura.
Felipe não estava ali, mas dava para entender que seu corpo fora levado para o além das sombras do lado de fora.
Não havia o que Miriam questionar. Felipe estava trancado em uma sala que Rômulo tinha a chave. Logo em seguida, ele apareceu do nada na escola deserta. Até onde Miriam sabia, o cara não tinha motivo nenhum para estar ali naquele momento. Sem aulas de inglês às 23 e poucas horas.
— O que você tá fazendo aqui? — ela o confrontou já se preparando para correr para longe dali, mas a curiosidade pela resposta a fez esperar mais.
Rômulo não disse nada de pronto feito. Grunhiu mais um pouco, limpou as lágrimas do rosto e, ainda de costas para Miriam, disse:
— Nós éramos próximos, eu e o Felipe.
Ele limpou a garganta e se esforçou para segurar o choro e conseguir falar claramente. — Ele pediu pra eu acompanhar ele aqui. Tava com medo... E eu vim...
— Não acredito em você — Miriam bradou. Deu um passo para atrás para ficar mais próxima do corredor e espiou para fora. Queria se certificar de que não havia mais ninguém dentro do bloco. Depois, voltou a atenção para o professor.
— Eu tou falando a verdade — ele insistiu, mas sem muita força na voz. Queria argumentar, mas não havia energia para dar ênfase nas suas frases e no tom de voz. — Eu achei que ele ia ficar seguro aqui, por isso tranquei ele na...
Era o suficiente. Antes dele terminar a fala, Miriam agarrou uma das cadeiras das carteiras ao seu lado e arremessou com força contra Rômulo. Ele nem viu o objeto voando em sua direção e foi atingido no meio das costas. Imediatamente o baque o fez cair no chão sobre o rastro de sangue. Ele se levantou rápido e sem se queixar de dor, apenas desestabilizado pela queda.
— Você tá maluca? — ele gritou virando-se para a garota abaixo do batente. Tentou recuperar o equilíbrio e ficou de joelhos. Miriam se preparou para fugir novamente, mas o que disse o professor no segundo seguinte a fez desistir. — Eu amava ele, tá? Eu amava ele!
Rômulo voltou o tronco na direção da poça de sangue e se jogou sobre ele. Arrastou alguns cacos de vidro para alcançar algo brilhante que lhe chamou a atenção. Era uma corrente de metal quase completamente banhada em vermelho. Agarrou na palma da mão e puxou para perto do seu peito. Tinha voltado a chorar.
— Eu dei essa corrente para ele — lamentou baixo.
Rômulo estava se preparando para levantar, mas Miriam bradou:
— Não levanta. Fica aí.
E ele obedeceu. Virou-se para a porta e ficou encarando Miriam, assustado.
— Me dá essa faca — ela pediu olhando para o objeto que ele segurava com a outra mão. Ele hesitou, mas depois jogou no chão para escorregar até os pés da garota, que a alcançou e já se pôs a apontar a lâmina para o homem.
Rômulo foi se levantando devagar e com cautela para não assustar Miriam, que o encarava com um olhar ameaçador. Sentindo a dor no peito por causa do primeiro golpe que ela lhe deu, somado ao baque que fazia suas costas latejarem, não duvidou que a garota pudesse atentar contra ele uma terceira vez.
— Não fui eu, eu juro! — ele se justificou na frente daquele banho de sangue. — Eu...
— Cala a boca! — Miriam gritou irritada. Estava tomando tempo para raciocinar melhor.
— Olha, eu tô falando que eu fiz nada, porra! — Rômulo deu sinais de que estava perdendo a paciência. Seu corpo tremia, o rosto estava amarrado e as mãos agitadas. Nitidamente atingindo um pico de estresse.
Miriam sentiu-se encurralada. Se Rômulo estava falando a verdade, queria dizer que o assassino poderia estar por ali ainda. E a demora da Miriam em raciocinar e tomar alguma atitude provavelmente estaria deixando os dois vulneráveis para o Anônimo atacá-los de surpresa, ou se espreitar próximo para matá-los.
Rômulo podia estar sendo um grande ator, ou usufruindo de informações obscuras — se ele fosse mesmo o Anônimo, isso faria sentido. Mas um ponto importante chamou a atenção de Miriam após raciocinar um pouco: a corrente.
Lembrou de um dos seus primeiros dias de aula. Estava aos poucos se aproximando de Larissa e lutando veladamente contra a resistência de Felipe em aceitar que ele e Larissa não eram mais uma dupla e aos poucos se tornavam um trio na sala de aula. Depois de um tempo, Felipe já se soltava mais enquanto estava perto dela. Um dos primeiros sinais disso foi quando chegou todo contente na aula vestindo a corrente de prata.
— Ganhei de alguém especial — ele respondeu sorrateiro depois que Larissa o questionou.
Miriam observou o homem novamente: com um buraco no ombro direito, camiseta repleta de sangue e olhar acuado. Teve empatia o suficiente para acreditar na situação, por mais que inusitada.
— E-eu... só vim ajudar ele a acabar com as ameaças. Não devia ter deixado ele aqui, não devia... — Rômulo resmungou dando tapas na própria cabeça.
Miriam queria evitar de ficar encarando aquele sangue todo, mas seu olhar não conseguia fugir de espiadas esporádicas. Depois de tantas, um embrulho assumiu seu estômago e teve que fazer muita força para não vomitar ali. Mas o choque foi passando e o alerta voltou a tomar conta do seu corpo.
— A gente precisa sair daqui, vamos — ela pediu. Um pouco de luz retornou no olhar do professor após perceber que Miriam havia lhe dado um voto de confiança, mas ele recusou seu plano:
— Eu vou atrás dele — virou o corpo em direção da janela quebrada e se equilibrou para não escorregar naquele sangue todo.
— Entrar nesse breu? — Miriam questionou, já ficando agitada. Queria dar o fora dali o quanto antes. Havia perdido tempo demais. — Você vai morrer. Não têm nenhuma chance dele ter sobrevivido. Vamos pra longe daqui.
O professor parou seu caminhar, resmungou algo que Miriam não entendeu e deu meia volta para correr em sua direção.
— Meu carro tá lá fora — ele disse passando pela porta e apontando o caminho para Miriam, que o seguiu.
Saíram com toda velocidade do bloco, passaram pelo caminho de pedras. De novo, Miriam evitou ao máximo olhar para os lados. Já estava correndo com a maior velocidade que podia. Se o Anônimo a atacasse ou estivesse atrás dela, não teria mais nada para fazer. Olhar só a deixaria ainda mais amedrontada.
Chegaram ao pátio central e depois viraram para o casebre do zelador até chegar no pequeno portal azul. O que viu fez o coração de Miriam quase saltar pela boca.
— Tá acorrentado — ela reclamou tentando puxar as grossas correntes amarradas por um cadeado maior de sua mão. Eram pesados e nitidamente não se romperiam com sua força bruta.
Rômulo olhou para cima para analisar a altura do muro e constatou que seria difícil demais escalar e pular, então Miriam sugeriu um novo plano:
— Vamos sair pela secretaria, a gente pula a grade, sei lá. Sabrina e Hélio estão lá. É seguro.
— Eu tenho a chave da frente — o professor deu a ideia aliviado, já pensando em ir para longe dali. — Mas... Você confia nesses dois? Quer dizer, eles realmente estavam na secretaria quando o Felipe foi atacado?
— Eu só confio em mim — a garota respondeu bradando a faca que tinha roubado dele — Eles que se fodam.
— Certeza?
— Bora, porra! — Miriam o puxou pelo braço. Tinha um caminho meio longo pela frente. E voltar para o pátio escuro não era muito animador, mas a única alternativa.
Fale com o autor