Notas iniciais
Boa Leitura!!!

Rosinha saia cedo de casa. Trabalhava como assistente da professora Marocas que ainda tinha sua escolinha na Vila Abobrinha. Os alunos chegavam a sete da manhã, e com pilha recarregada das férias iam voltar a todo vapor. Por isso tinha que levantar quando o galo cantasse a tempo de chegar antes das crianças. Após tomar um banho e comer um pedaço de bolo de milho com leite tirado da vaca, Rosinha saiu de casa. Caminhava pela estrada pensativa e cabisbaixa. Ainda estava chateada com Chico. Chegou na escola ainda antes que dona Marocas. Abriu o galpão, separou livros para serem usados, arrumou algumas carteiras.

- Bom dia Rosinha... – Cumprimentou Dona Marocas entrando na classe. A menina apenas respondeu com um muxoxo. – Que foi, desanimada?! Ainda nem começou o ano...

Rosinha – É que...Eu briguei com Chico, Dona Marocas... Acho que dessa vez foi pra sempre.

A professorinha sorri. Ao longo daqueles anos quantas vezes já não ouviu a mesma frase? Ia responder qualquer coisa, mas escuta batidas na porta era um de seus antigos alunos. Zé da Roça.

-Licença fessôra... – O menino disse tirando o chapéu em sinal de respeito. — Posso falar com ocê Rosinha?

Rosinha olha para a professora sem saber o que fazer até que dona Marocas lhe permite sair com um movimento afirmativo com a cabeça.

- Pode ir Rosinha, aqui esta tudo calmo...

A garota de trança saí acompanhada do garoto moreno. Acomodam-se em um tronco que serve como banco próximo da escola.

-Que se quer de mim, Zé?!

Zé – Ocê sabe, vim falar do Chico...

A garota faz uma careta e cruza os braços em sinal de desdém.

- Ele num tem boca não?

Zé da Roça — Ele queria vim ontem... Mas eu falei que num era bom procura ocê nervosa do jeito que ocê tava... Ele nem sabe que eu vim... Ontem ele num teve curpa... Eu mais o Zé que insistimo... Foi so uma brincadeira...

Rosinha – E o Chico é um bebê que faiz tudo que ocês mandam?!!! –Faz um não com a cabeça. – Sô boba não Zé... Ontem se a tarzinha bejo ele foi pruque ele num fugiu... Cês dois num tiveram curpa nenhuma...

Zé – Mas eu quero que ocê me descurpe memo assim... Eu num quero ir imbora com curpa no coração!

Rosinha (Estranhando) – Cê vai imbora, Zé?- Zé faz que sim com a cabeça. – Ará... Se nunca gosto aqui né memo?! Sempre oio essas istrada cum uns oio cumprido... Era questão de tempo – Faz uma pausa. – Vai pra Sum Paulo??

O garoto abre um sorriso triste.

- Eu sô Zé Roça, Rosinha... – Admira em volta. — Vô levar esse lugar no meu nome pra sempre... Mas num adianta eu da as costas... Dizê que não... Eu sempre quis morar em Sum Paulo... Drumi olhando aquelas luzes... Caminha que nem aquele povo... – Pega nas mãos da garota, em sinal de amizade. - Eu vô é corre pra ser feliz!!!

Ela aperta suas mãos carinhosamente.

- É o que todo mundo devia de fazê, né vredade?!

- E se tá esperando o que?! – A encara. -Esquece essa história de Viviane... Se gosta dele e ele ama ocê... Fica dando vortá pra que?! Enlaça o peão de vez e sela o homem!!!

Rosinha (Confusa)– Ocê tá falandu em sela o Chico?

Zé da Roça – Ará que espanto é esse?! Se vive falandu em casar, pois então esquece a regateira e vai ser feliz com ele!!

Rosinha – Isso é sério, Zé?!

Zé da Roça – Ara pra mim as coisa tem que ser sempre pra três antes de ontem... – Levanta-se e ajuda a garota a levantar. — Corre logo atrás dele mulher!!! – Lhe incentiva. Ajuda Rosinha a montar em seu cavalo. – Ele tá lá na casa dele, anda!!!! – A garota sem pestanejar movimenta e galopa com o bicho pela estrada em direção a fazenda de Chico Bento. Dona Marocas vem correndo da escola ainda a tempo de ver a garota sumir no horizonte.

- O que tá acontecendo?

Zé da roça (Feliz) – Nada demais Dona Marocas, ela já vortá... – Vai encaminhando a professora pra dentro da classe. – Eu ajudo a sinhora a montar a aula enquanto eu conto uma novidade... Sabia que eu, mais o Zé Lelê vamo morar em Sum Paulo?!

- São Paulo?! Que bom Zé...

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O terceiro ano já estava na classe há um bom tempo. Mesmo a maioria morando no mesmo bairro e passando quase todas as férias escolares junto, tinham muito papo para por em dia. Cascão conta a Luca, Cebola e Humberto sobre sua estada em terras orientais. Magali e Xaveco falavam sobre um show do Iron Maiden que estava para vir pra São Paulo e o novo clipe da banda, Denise, Carmem, Mônica e Cascuda preferiam conversar sobre as novidades do terceiro ano. Muita gente tinha saído da escola no ultimo ano.

- Aí tanta coisa... Festa de formatura, escolher vestido, buffet, viagem, paraninfa... – Disse Denise já sonhando com os festejos.

- Paraninfo né? Tem que ser o professor Rubens!!! – Opinou Carmem.

-Paraninfo né? Tem que ser o professor Rubens!!! [2] – Magali disse apoiando a loirinha e levantando os dois dedos.

- Affê maluco, tem que logo no começo das aulas já falar nesse cara? – Um ciumento Cascão se intrometeu na conversa.

- Maluco não, amor... – Pediu Magali arrancando risada de todos em volta já que o sujinho ficou vermelho. Deu um selinho no garoto sob uma chuva de assovios e gracejos.

Dorinha – Mas eu concordo com o Cascão... Professor Rubens não... Tinha que ser o Sparta...

Carmem – Choquei hein perua?Só se passarem um antivírus naquele doido antes. – Novas gargalhas. O deboche de Carmem sempre arrancava risos da galera.

Luca (Jogando os cabelos para trás, imitando a garota) – A gente não quer a festa micada, certo pe-ru-a?! – Mais risos de todos. Luca sabia imitar qualquer um com mestria.

- Ih, olha os caras se revelando... Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk... – Zuou Xaveco. Sério. – Pra mim tinha que ser a Ana Paula...

Mônica (Divertida) – O Cebolinha concorda... – Os outros começam rir.

Cascuda – Nada ele prefere a Lucília... – Gargalhadas em geral deixando o garoto vermelho. – E então Cebola quem você prefere?

- Pla mim tanto faz...

- Pelcebemos... – disse Cascão.

- Cala a boca... Amolzinho... – Mais risadas. Aninha entra na sala.

- Bom dia!!! E aí galera o que tá pegando?

Magali – Nada demais estamos falando da festa de formatura...

Aninha – Ah boa, também tenho que falar de festa com vocês... Todo mundo tá confirmado pra ir no meu níver semana que vem?!

- Opa Xaveco presente, querida professora!!!

- Como se o maior arroz de festa não fosse né Xaveco? – Denise disse também tirando seu sarro. – Denise também presente.

- Eu também, mas que troço é esse de traje a rigor? São roupas de pingüim?

Magali – Já te falei Cascão... O nome da roupa é Smoking...

Cascão (Entendido) – Roupas de pingüim!!! – Os outros voltam a rir.

Cascuda – Aninha... Aquele meu convite extra para o meu amigo que vêm de Londres?!

Aninha – Ah, já botei o nome na lista... José Carlos né?! – Cascuda faz que sim. – Pode levar o gato.

- Nem sei onde comprar essa roupa... – Comentou Cebola.

Mônica — Essa semana compro o meu vestido...

Denise – Aí meu príncipe nórdico vai amar me ver de longo...

Carmem – O príncipe nórdico do interior de Goiás?!

Xaveco da uma boa gargalhada, Denise retruca.

- Ele tem sim várias fazendas enormes lá... E vai me adorar ver de longo...

Xaveco – Longo ou longe?

- Eu posto as fotos no Orkut, bobão!!! Pode rir... Eu quero ver como vocês vão ficar quando ver o José Leoncio aqui...

Aninha (Rindo) – Nome mais brega Denise...

Carmem – Mas é rico que dói... Eu vi o perfil dele na net...

Denise – E fala cada coisa linda...

Cebola – Olha que quando a esmola é demais...

- O santo desconfia... – Completou Xaveco.

Mônica – Eu acho muito perigoso esse namoro pela internet...

Carmem – Noivado...

- Hey, hey!!! Vamos parar?! Vamos parar com esse mau agouro no meu noivado... – Abre a mochila e retira um baralho. Puxa uma carta. – Carta da paz pra vocês...

- Que isso? – Cascão perguntou á namorada.

Magali – Tarô... Ela virou mística agora...

Cascão (Rindo) – Aí aí quando começa essa aula hein?!

Licurgo entra na sala.

- Bom dia a todos, vamos começar a aula?

Todos vão para seus lugares. Licurgo vai dar inicio a aula, Do Contra entra.

- Chegou cedo mocinho... – Observou Licurgo, ironicamente.

- Se quiser posso voltar mais tarde... — Rebateu o garoto mal humorado da mesma forma. Alguns risos abafados, Do Contra ocupa seu lugar lá atrás. Coloca os fones de ouvido e puxa o capuz do colete de moletom sem mangas. Licurgo irritado faz uma marcação no nome do garoto e da inicio a aula.

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Genésinho ouvia a conversa do garoto sardento enquanto mexia no computador no escritório da fazenda de seu pai.

- Então a Rosinha e o Chico brigaram?

Zé Lele (Inocente) – Vê só?! Dá até pena... A Viviane é sirigaita de nascença memo... Ela me engabelo, mais o Chico e o Zé...

Genésinho enquanto mexia no perfil de uma certa ruivinha no Orkut ficava maquinando. enganar essas três “toupeiras” nem é tão difícil, mas eu tenho que tirar um proveito disso... Mas como?

Zé Lele – Então Genesinho... Já pos as foto no meu Yalkult?

Genésinho (Cheio) – Orkut, Zé... Orkut!!! Deixei a minha foto mesmo no seu Orkut. Não te disse que é perigoso deixar as suas fotos na internet?

Zé Lelê – Ará e pru que ocê põem a sua?!

Genésinho – Porque eu... – Procura alguma desculpa. – O meu pai é rico e anda com segurança, mas você Zé... – Faz um sinal de negativo com a cabeça. – Melhor não arriscarmos...

Zé Lelê ( Puro) – Ará Genésinho... Ocê é bom mesmo... Brigado... Posso falar com minha noiva?

Genésinho – Á vontade... – Deixou ocupar o lugar no computador. O perfil de Zé estava Com seu verdadeiro nome José Leoncio*. Mas a foto era de Genesinho. O filho do fazendeiro estava era se divertindo ás custas do garoto inocente que tinha ficado noivo de uma menina pela internet. Qual era mesmo seu nome? A Denise. Pensava que Zé Lele era filho de fazendeiro rico. Coitada. Fechou a porta do escritório deixando o menino distraindo-se no monitor, tinha outra preocupação na cabeça que atendia pelo nome de Chico Bento.

Notas finais
Comentem, please!!! Bjão!! Não sei se todos sabem , mas eu tenho num gibi meu aqui uma história que a professora do Chico faz chamada da classe e revelam que o verdadeiro nome do Zé Lele é José Leôncio.