Notas iniciais
Boa leitura

http://www.youtube.com/watch?v=aJVT_STsAd8&feature=player_embedded
Delay - Ai que saudade d'ocê

Chico junto aos outros roceiros trabalhava com a enxada arduamente. Carpia o mato com raiva, além de não estar em um bom dia o tempo não ajudava. O suor escorria por sua testa. Mas o incomodo maior vinha de dentro. Parecia que quando fechava os olhos sentia a pesada mão de Rosinha em sua face. A dor era bem maior do que a dos calos das mãos que segurava a enxada. Parou por um instante, retirou o boné e secou o suor da testa.

- Já cansado Chico? – Perguntou um dos trabalhadores.

- Sór tá forte por dimais!!!

- Sór nada, tá assim por causa da Viviane, ontem todo mundo viu ocê de agarro com ela... – Disse um garoto de mais ou menos sua idade, só que muito maior que Chico. Um velho conhecido seu, Tiãozinho Arriégua, que de Tiãozinho não tinha nada, continuava o mesmo brutamontes que na infancia. – E aí Chico ela é boa memo?

- Aquilo ali é maluca, ela que me agarro!!! Chave de cadeia...

Tiãozinho — Ixê intão nem fico cá Viviane e inda levo as bordoada da Rosinha?! – O garoto começa a rir acompanhado de outros peões deixando o garoto sem ação. – Ocê é uma mula mesmo Chico... Fosse eu ia cás duas...

O que parecia tranqüilo tinha acabado em confusão, Chico nervoso, ameaçava o engraçadinho com a enxada e Tiãozinho não arredava o pé, querendo mesmo briga. Um homem mais velho tenta segurar Chico enquanto outros dois davam conta de Tiãozinho.

- Mas respeito cá Rosinha, Tiãozinho!!!!

Tiãozinho. – Desistiu de me bater, maricona, vem que eu cabo com ocê!!!

- Não entra na provocação dele Chico...

- Me sorta que agora é questão de honra... – Chico respondeu desvencilhando do senhor e dando um passo em frente, decidido a acabar com o garoto que era no mínimo uns dois palmos mais alto que ele. Tiãozinho também soltou dos homens que lhe seguravam. Abriu um sorriso satisfeito.

- Acha mesmo que é páreo pra mim, tampinha?!- Montou uma guarda como um lutador de boxe, ameaçando. – Inda tem tempo de desisti...

- Se num me põe mais medo Tiãozinho!!! – Também monta a guarda começam a gingar como se estivessem em um ringue.

Todos os trabalhadores tinham parado seu serviço. Interessavam pelo desfecho do episódio. O garoto maior era dado como favorito, avança sobre Chico que desvia ligeiramente e lhe acerta um golpe na barriga, deixando Tiãozinho sem ar. Tenta reagir em vão, leva uma saraivada de pancadas do menor, perdendo parte de sua torcida. Pela primeira vez consegue reagir e da um empurrão em Chico. O menino não se intimida e solta uma rasteira em direção as suas pernas, fazendo Tiãozinho escorregar sentado sobre o terreno carpido e arrancando risos do público que parecia estar mais simpático com o ex de Rosinha. Instintivamente avança para dar mais socos, mas ao ver a cara inchada do garoto se afasta. Olha bem nos olhos castanhos do garoto.

- Isso pra ocê aprende quem é mula!!!! – Vira-se para ir embora, mas é impedido pelo cabo da enxada, para seu azar quando jogou a ferramenta no chão esqueceu-se de afastá-la da briga e o garoto maior achou. Não pensou duas vezes e acertou na cabeça de Chico com violência. O caipira ficou por alguns segundos em choque, sentido apenas o filete de sangue escorrendo pela cabeça. Quando voltou a si era tarde demais. Tiãozinho tinha se refeito e aproveita-se do susto. Meteu o pé em seu estomago sem dó. Chico não tinha força pra reação devido a dor do corte. Caído levou uma boa quantidade de socos, a única coisa que fazia em vão era por o braço na frente do rosto.

- E intão, quem é o mula, Chico Bento?- Pegou o garoto pela gola da camisa e jogou longe, ia partir de novo para cima dele, mas o homem que antes segurava Chico meteu-se na frente.

-Chega, ocês tão indo longe de mais... – Tiãozinho tenta corrompê-lo mais o outro é mais firme. — Chega de briga por aqui Tiãozinho!!! – O garoto percebe mesmo que o show já deu e afasta-se com um riso de satisfação, comemorando com alguns peões. O senhor corre para onde Chico esta, caído. – Chico, acho melhor leva ocê no hospital!!! – O garoto ergue-se um pouco, ainda parece meio zonzo. O homem lhe oferece a mão. – Fala comigo, Chico!!! – O garoto não responde nada. – Tá me deixando preocupado!!!

Em resposta Chico se levanta e com vergonha de encarar o restante das pessoas sai correndo sem olhar pra trás. Um garoto se aproxima do homem.

- Pai, será que ele ta bem?!

- Fica discansado, pra dar um pique desse é que nada de grave aconteceu... – Vira-se para a platéia que permanecia curiosa. – Melhor que a gente tem que fazê é vortá pro trabalho que é ele que vai por comida na nossa mesa, vamo lá gente...

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O sangue já parecia ter estacado, o corte não era tão fundo, apesar de feio. Chorava feito criança, não de dor, mas de raiva. Que humilhação!!! Apanhar daquele jeito!!! Que mais lhe faltava acontecer? Ouviu um barulho de galope.

- Aqui Tiãozinho eu já apanhei por dimais me deixa aqui no meu canto e...

Rosinha – Então foi vredade que me falaram?- Desce do cavalo mais que depressa. Aproxima-se dele.

Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir

– Chico esse corte... – Tenta examinar, vira o rosto envergonhado, joga o cabelo por cima.

- Foi nada não... Mas que ocê veio fazê aqui? – Frio. – Ocê num tá com raiva de mim?!

Rosinha (Sem graça) – E eu consigo ter raivar d’ocê por muito tempo? – Acaricia seu rosto com as costas da mão, Chico parecia irredutível.

Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade de ocê

– O Zé me procuro pra dispidir... E falô a vredade... Sobre a sirigaita da Viviane! – Sem graça. – Discurpá Chico?!

Chico – Ah... Mas o Zé inda tá nessa bobage de ir pra Sum Paulo é? – Balança a cabeça negativamente. — Um cabeça de vento memo...

- Deixa de bancar o dificer Francisco Bento!!! – Rosinha explode, arrancando gargalhadas do garoto. – Ocê é um mula mesmo... – Diz também rindo. Puxa o garoto e lhe dá um beijo. Para por um instante, Chico fica sem entender. – Posso fazer um pregunta procê?

Se um dia ocê se lembrar
Escreva uma carta pra mim
Bote logo no correio
Com frases dizendo assim

- Faz...

Seu rosto refletia toda a angustia que sentia, o medo de ouvir um não.

- Chico... Cê casaria com eu?!

Agora é a vez de Chico trocar de semblante. Pensativo, Rosinha diria que até assustado. Teria ido longe demais?

Faz tempo que eu não te vejo
Quero matar meu desejo

- Eu num so doido!!!... – Diz rispidamente para logo em seguida abrir um sorriso. Derruba-a carinhosamente na grama e cai por cima dela. – De num aceitá...- Completa lhe dando um beijo apaixonado. A menina não se desvencilha. Nunca permitia contatos mais íntimos. Medo de ficar mal falada, Rosinha sabe, para mulher é sempre pior.Mas o que são regras perante ao amor?! Finalmente reconciliam-se.

Te mando um monte de beijo
Ai que saudade sem fim

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O sinal finalmente tocava anunciando meio dia e o fim das aulas da turma da manhã no colégio do Limoeiro. Todas as classes pareciam combinar de sair falando alto e correndo, o que aumentava a urgência dos alunos. Quando o portão foi aberto pelo velho inspetor os adolescentes saíram como num estouro de boiada que cada um vai para um lado. Mônica, Magali, Cebola e Cascão permaneceram juntos. Tinham combinado de discutir o tal trabalho. Elas iam na frente, falando mesmo sobre o que tinha que fazer, já os rapazes conversavam mais atrás sobre futebol. Seguiam o caminho tranquilamente para a casa de Cascão, onde seria a reunião quando Mônica viu uma figura conhecida sua.

- FLAVINHO?! – Gritou para ser escutada no meio de um berreiro que a pivetada da 5° série estava fazendo em sua saída. O menino procura pela voz no meio de tanta gente até que vê a dentucinha acenando ao lado dos amigos. –AQUIIIIIIIIIIIIIII!!!! – O garoto corre até o local e finalmente se encontram animadamente. Dá um abraço apertado em Mônica lhe erguendo um pouquinho do chão. Apesar do pouco tempo tinham tornado-se grandes amigos. Cumprimentou Magali que já conhecia com um beijo no rosto e deu um aceno para o Sujinho e o Troca letras que não estava com a cara nada boa. – Flá, cê nem disse que ia vir!!! – Comentou Mônica.

Flavinho – Não confirmei, mas vim!!!

Mônica – A Magá você já viu um milhão de vezes, o Cas foi o que eu te disse que tava em Tókio... – Disse apresentando o sujinho ao mais novo colega. Dão um aperto diplomático. – Cascão o Flavinho também é skatista...

Flavinho – Mas não tão bom como ele... Tókio né?

Cascão – Ihhhhhhhhh!!! é que minha velha implica, mas se eu pudesse me profissionalizava...

Mônica – A aquele é o Cebolinha, você já viu né... – Diz fazendo um displicente movimento de mão em direção ao garoto que se sente meio de escanteio.

Flavinho – Sim eu conheço... Mô, só que eu to meio sem tempo, lembra que eu falei que a gente podia falar com a sua amiga sobre a peça de teatro na festa do projeto social da escola né?!

Mônica — Verdade, ela deve tá aí...

Cebola – Mas e o trabal...

- O que vocês decidirem tá bom... Bjus e me liga depois, tchau!!! – Corre com Flavinho para dentro da escola deixando o Troca letras com cara de panaca, Cascão e Magali seguem em frente namorando.

- A Mônica tá com algum ploblema na pelna pla plecisar dessa cala agalado nela e... – Percebe que também esta sendo esquecido pelo casal. – HEYYYYY!!!! ALOOOOOOOOOOUUU!!! TELA CHAMANDO...

- Que foi Cebolinha?! – Diz Magali se recuperando do susto e de um beijo.

Cebolinha – Que é que agola a Mônica não lalga desse tão de Fabinho?!

Magali – Flavinho... – O garoto faz uma expressão de desdém. – Ele é daquele grupo de teatro que a Mô tá fazendo e parece que eles vão apresentar a primeira peça aqui na escola, na festa do projeto social das crianças, e é super importante, primeira peça para o público de fora e toda bilheteria vai ser arrecadada...

Cascão – Pô eu achei ele maneiro... E essa arrecadação do dinheiro também é maneira.

Cebolinha – Um exibido isso sim... Tem que dirigir e atuar, que mais que ele faz, cenografia e faxina a no teatro? –Entram no quintal do sujinho que se ocupa em procurar a chave de casa e abrir a porta, Magali rindo responde:

- Deixa ser implicante Cebolinha... – Entram na casa.

- Manhê?! Manhê? – Cascão vai em direção a cozinha, Cebola se acomoda na sala enquanto Magali vai até o banheiro. – Encontrei esse bilhete na cozinha, minha mãe saiu pra visitar uma tia minha e só volta á noite, mas tem rango pronto...

- Qual o babado? – A comilona perguntou saindo do banheiro.

Cascão (Contente) – Só boas notícias. A casa é minha até de noite... – Dá um beijo na namorada. – Sabe o que quer dizer isso?

Magali (Inocente) – Que? – Cascão cochicha algo em seu ouvido, aproveita e da uma mordidinha de leve lhe deixando vermelha. Cebola também não deixa de ficar constrangido, mas disfarça mexendo no celular. Mesmo rindo a comilona da um tapinha no braço do namorado. – O Cê aí... – Ri ainda mais. – Vou deixar minha mochila no quarto.

Cascão (Malicioso) – Eu ajudo...

Cebola visivelmente esta desconfortável. Levanta-se subitamente e grita em direção ao quarto.

- CASCÃO... TCHAU!!!!

Magali – ESPERA CÊ... O TRAMPO?

- DEPOIS A GENTE FALA, VOU TER QUE PEGAR A MARIA NO COLÉGIO, TCHAU!!!

- TCHAU VÉIO... – Cascão diz colocando a cabeça na porta do quarto.

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Saiu da casa do Sujinho mais aliviado. “ Eu que não vou ficar de vela pra por fogo naqueles dois.” Continua sua caminhada até em casa. No caminho encontrou Xaveco e Cascuda, corria um boato que estavam ficando, ela não confirmava, mas também não desmentia. Cumprimentou os dois até finalmente chegar. Entrou em casa e flagrou o pai despedindo da mãe com um beijo um pouco mais quente.

- Oi filhão... A gente nem viu que você tava aí... Foi boaaula? – Perguntou seu Cebola sem graça.

- Ótima... – Mentiu. Não tava com clima pra conversar, queria um pretexto pra ficar sozinho. O caminho da escola de Maria, era uma boa desculpa. – Tô indo buscar a Maria mãe... – Os pais se encaram estranhando. – Eu adoro buscar a Maria no colégio... – mentiu novamente com um sorriso amarelo.

D. Cebola – Mas sua irmã já chegou e já saiu... Disse que ia almoçar com o Dudu e depois eles iam pra lan house pra um campeonato de jogos... – Mais uma frustração? – Amanhã Você busca ela...

- Ok... – disse caminhando para o quarto cabisbaixo, antes de alguém comentar respondeu. – Almocei no Cascão... – Fecha a porta. Tira a mochila, troca a roupa por um short confortável e cai desanimado na cama. Fecha os olhos, tentando dormir e esquecer as desventuras da manhã, mas apenas o abraço da dentuça com o (arghhhhh) Flavinho martelava em sua cabeça.“Só uma dentuça pra achar algo especial naquele besta... Tá na cara que eu sou muito melhor que ele! Mas se eu sou muito melhor que ele por que eu to sozinho? Até a pivete da Maria tá de enrabicho com o pereba do Dudu!!! Pô eu sou melhor com Dudu!!!”

Flashback

Cebola — Oi...

Mônica (Sem graça, estava já de pijama e observe ele sem camisa)- OOOOi...um saco né? Por lixo pra fora...- Olha pra baixo pra disfarça que ficou vermelha.

Cebola (Também envergonhado)- Bota saco nisso...

Fim de flashback

Flashback II

Cebola (Nervoso)- Mônica eu...

Mônica (Ofegante)- Que?!

Cebola- Eu...Eu...Eu...que...

Mônica- Eu o que?!

Cebola olha para Mônica o mais profundo que pode. Poem suas mão no rosto da garota esta pronto para beija-la.

Fim de flashback II

Flashback III

Mônica (Calmíssima) – Não Franja... Falta em vocês sensibilidade feminina... Vou usar com o Ce e logo ele ta dentro desse carro... Com licença. – Caminha tranqüila para dentro do clube. – E aê vai por vontade própria ou vou ter que buscar o sansão em casa pra você criar coragem?!!!! – Berrou a dentuça com toda sua força.

Fim de Flashback III

Flashback IV

Com a confusão armada Cebola joga o isqueiro junto de uma garrafa de bebida alcoólica criando um incêndio no carrinho de frutas. As pessoas começam a fugir desesperadas ao ver literalmente o circo pegando fogo. Mônica aproveita a distração de Moacir e lhe uma cotovelada, foge com Cebola, atravessam o hall e chegam no carro de Franja, estão bastante ofegantes.

Mônica olhou o Troca Letras com carinho. Um incêndio para salva-la. Um fofo.

Cebola – Que foi?!

Mônica dá um beijo em seu rosto deixando-o vermelho.

- Obrigada!!! Nunca vou esquecer disso...

Fim de Flashback IV

Levanta-se e começa a caminhar pelo quarto, nervoso.

Eu amo ela, eu amo a Mônica, eu AMO a DENTUÇA?!!!! Por que ela prefere aquele... (arghhhhh) Flavinho?!

Flashback

Mônica (Sem entender) – Cebolinha, mas por quê? Eu falei alguma coisa errado.

Cebola confuso respondeu a primeira coisa que lhe veio a cabeça.

- EU NÃO QUELO QUE EU NÃO POSSO SER ILMÃO DE UMA IDIOTA FEITO VOCÊ!!!

Mônica (DESACREDITADA) – QUE?!!!!

Cebola – É ISSO MESMO QUE VOCÊ OUVIU!!! EU NÃO POSSO SER ILMÃO DE UMA DENTUÇA FEITO VOCÊ!!! VOCÊ NÃO PASSA DE UMA MANDONA QUE ACHA QUE SABE TUDO SOBLE OS OUTLOS E QUE PODE INCLUSIVE DECIDIR O QUE QUER DA VIDA DELES COM AS CONCLUSÔES QUE VOCÊ TILOU!!!

Fim de Flashback

Senta-se na cama, angustiado

Cebola – Como eu pude ser tão idiota?!...

Notas finais
Olá!!! A música não sei se não gostaram, bem diferente do que estão acostumados a ouvir, mas eu não podia fugir da raiz sertaneja do Chico né?! =D
E do capítulo, gostaram? Achei a parte dos flashbacks um pouco grande, mas importante, tentarei atualizar mais rápido, bjos e comentem!!! Té mais!!!