Notas iniciais
Olá gente bonita e deliciosa! =D Esse capítulo demorou um pouquinho mais, mas espero que vá valer a pena a espera. Gostaria de agradecer imensamente à Queen of Disaster pela recomendação que me deixou, que me fez ficar feliz e altamente motivada. Muito muito obrigada! ;) E quero dizer a tds vcs que adoro vossos comentários, seja por review aqui, por mensagem privada (Royal Bruna *__*), ou por outra forma qq que me achem pra falar. Adoro essa interação, troca de ideias e ponto de vista, e vcs sabem, mesmo que eu tenha já uma ideia pré-concebida de algumas coisas na fic, ler o que vcs têm a dizer sempre me ajuda a trabalhar mais e muitas vezes me dá até novas ideias que tento integrar no enredo em mente. Peço desculpa, ainda não respondi os últimos comentários, mas passei agora aqui rapidamente porque não queria deixar de postar este novo capítulo, então assim que puder, respondo todos vcs! Obrigada queridos! Suka, essa é pra vc =P mas não se vá acostumando não xD (espero mesmo não desiludir) Amo tds vcs, meus leitores adorados! Beijos, mtos. Boa leitura!

No capítulo anterior ...

– Como foi capaz? – Foi tudo que saiu da boca de Emma, que se manteve parada como uma estátua à entrada do escritório, me olhando com uma expressão de pura desilusão nos seus olhos esmeralda.

*** *** ***

– Emma! – Minha voz saiu quase sob a forma de um guincho estridente. Meus olhos piscaram, fazendo inevitavelmente as lágrimas que tremiam no canto deles caírem, mas todas as outras que continuavam me inundando por dentro permaneceram aprisionadas dentro de mim, me fazendo duvidar da minha própria capacidade de respirar.

Vi Gior se levantar e caminhar na direcção de Emma, me dando as costas. Não consegui entender o que ele dissera a ela, porque não passou de um sussurro, mas escutei perfeitamente a resposta de Emma, não porque ela gritava, mas porque o seu tom de voz parecia simultaneamente queimar como uma tocha em brasa e gelar como um gigante iceberg.

– Nos deixe sozinhas. – E aquilo, dito daquela forma tão dura, uma ordem, uma imposição, me fez estremecer. Giorgio ainda se virou brevemente para me olhar, me piscou o olho e consegui distinguir ainda o “ti amo” nos seus lábios, antes de ele se voltar a virar e sair pela porta, fechando-a logo atrás.

– Emma, eu posso explicar … — Comecei logo que ficámos sozinhas, me tentando levantar no processo, mas sem sucesso, porque uma nova tontura me obrigou a me manter sentada no sofá.

Ela andou rapidamente até mim, se sentando ao meu lado, mas sem me tocar.

– O que tá sentindo? – Perguntou, mas só consegui sentir indiferença na sua voz.

– Não tou sentindo nada … eu estou bem. Eu quero que você ….

– Para com isso Regina! Chega! – Ela se alterou, me assustando. – Você claramente não tá bem, e hoje, depois da baixaria que você fez …

– Eu sei que não devia ter feito aquilo. – Cortei, me alterando também, e ao mesmo tempo ficando com raiva pensando que ela iria começar defendendo aquele nojento. – Você vai ficar do lado dele? – Atirei, abandonando qualquer arrependimento que poderia restar do que tinha feito.

– Eu não tou falando disso agora. – Respondeu, me fazendo ficar confusa. – Porque não admite de uma vez que precisa ir no médico? – Encarei-a por alguns segundos, tentando perceber ao que ela se referia. E depois de entender só fiquei com mais raiva ainda.

– Você tá insinuando que eu tou ficando louca, é isso? – Me levantei de rompante, e felizmente desta vez não senti tontura alguma, me permitido continuar de pé. – Me diz … você não acha que eu tenho razão pra tar insegura? Cheia de medo de te perder … e Henry … Emma! – Gesticulei para o ar, enervada, me esforçando para não perder a coerência no meu raciocínio. – Você tem noção do que eu tenho passado? E agora, confirmar que você esse tempo todo … Oh Deus! – Virei-lhe as costas, incapaz de concluir, e tentando ao mesmo tempo impedir que ela me visse chorando de novo.

– Confirmar o quê? – Senti a voz dela mais perto, me indicando que ela devia ter-se levantado também. – Sabe Regina … eu nunca pensei que você um dia se comportaria da mesma forma que o resto. – Ela não gritava. Era pior … ela estava magoada, desiludida comigo. Mas curiosamente me deu mais raiva ainda, porque afinal, que direito ela tinha de ficar magoada se era ela que estava me enganando e não o contrário?

Me virei de repente, esquecida das lágrimas e de tudo, enraivecida por estar a ser julgada daquela forma.

– Não se faça de vítima! Você andou se encontrando com ele este tempo todo nas minhas costas! – Gritei na cara dela, descontrolada. – Me fazendo de otária! – Minha vontade foi quase assentar a mão na cara dela, mas quando dei conta disso recuei, assustada comigo própria. Jamais encostaria um dedo nela, e pensar que poderia quase estar ultrapassando os limites do respeito, me fez estremecer novamente.

Ela me olhou séria, seu olhar vacilante e magoado pelas minhas palavras. Foi questão de segundos até o brilho dos seus olhos derramar para fora sob a forma de lágrimas. Observei-a enquanto ela se sentava de novo, e meu coração doeu por termos chegado aquela situação.

– A única coisa que aconteceu entre mim e ele foi um beijo. – Confessou, de cabeça baixa, e eu não soube mais que reação ter, até porque minha cabeça estava latejando igual a uma bomba em contagem regressiva pronta para explodir. – Eu me afastei dele logo, não permiti que continuasse. – Ela levantou a cabeça, fixando o seu olhar lacrimejante no meu, perplexo. – Mas sabe o que me dói mais? – Lançou retoricamente, continuando logo com a voz chorosa. – É saber que você desconfiou de mim ao ponto de arquitetar um plano qualquer para o encontrar naquele motel.

– Mas eu sempre tinha razão em desconfiar não é mesmo? – Não consegui evitar o cinismo que moldou a minha pergunta.

– Não Regina … você não tinha. – Seu olhar era triste, condoído. – Se eu não te contei desse beijo foi porque não significou nada pra mim. Nada … eu até cheguei a pensar que pudesse significar, mas quando ele me beijou, a única coisa que eu senti foi um grande nada. E uma enorme vontade de voltar pra casa, para você, para os seus braços, para a nossa família. – Completou com o rosto rubro demarcando a sua pele branca pelos lugares do choro.

– Emma, eu … — Não soube como continuar. Aquilo que ela dizia era a verdade, agora eu sabia disso, agora não restavam mais dúvidas. Meu coração pareceu diminuto comparado ao dela, que me amou sem cobranças e de forma incondicional quando tudo que eu havia feito ultimamente era não dar valor ao amor dela. Tudo que eu havia feito era desprezar e fechar os olhos aos pequenos gestos de carinho e afeição que ela nunca deixara de me prestar, mas que eu, tomada pelos meus medos imensuráveis de parecer fraca, fiz questão de não ver.

– E sabe o que me dói também? – Ela continuou, e eu estremeci no lugar, com dificuldade em continuar escutando o que mais ela teria para me dizer. – Você nem pensou em Henry … se expôs dessa forma leviana, vulgar … você … — Ela parou de falar, tapando o rosto com uma das mãos.

– Emma por favor. – Me ajoelhei junto dela, tentando fazê-la me olhar de novo. – Me perdoa, por favor … eu não tenho palavras suficientes pra dizer o quanto eu sinto por tudo isso. – E era verdade, minhas lágrimas cada vez mais grossas rolando pelo meu rosto eram a prova disso.

– Eu também sinto. – Ela sussurrou, me deixando tirar-lhe a mão do rosto. – Eu só continuei falando com Neal porque ele me disse que apesar de eu ter refeito a minha vida ao lado de outra pessoa, ele gostaria de ter algum tipo de relação com o filho. – Aquela revelação me fez arregalar os olhos com espanto. O sacana me havia enganado completamente, me usou e eu me deixei usar direitinho para servir os propósitos dele. – E me desculpa Regina, mas eu não lhe poderia negar isso, até por Henry. – Ela continuou, e eu agarrei-lhe nas mãos com firmeza.

– Meu amor, eu sei que isso não justifica, mas não foi nada disso que ele me disse hoje. Pelo contrário … — Eu falava depressa, com urgência em esclarecer o meu lado, mesmo que houvesse partes que não tivessem justificativa. – … Ele me disse coisas horríveis! Insinuou coisas. – Fechei os olhos me sentindo nauseada só de lembrar aquele encontro. – Me fez pensar que você … me perdoa. – Abanei a cabeça com arrependimento. – Mas quando ele me agarrou e ficou dizendo que …

– Espera … ele te agarrou, como assim? – Ela me interrompeu, e só aí eu me dei conta que no vídeo que colocaram da nossa discussão na internet só aparecia a parte em que eu agredia-o, e não o contrário. Até o vídeo havia sido editado! – O que ele te fez? – Seu desespero repentino era nítido, até porque ela começou me tocando cada parte do corpo, provavelmente tentando se certificar se eu não estaria machucada. – Isso aqui no seu pulso … — Ela me virou o pulso direito para cima, e só aí eu vi que uma nódoa negra em tom claro já era visível no sítio em que ele me segurou impedindo-me de lhe dar um tapa. – … ele fez isso?

Assenti com a cabeça com olhar cabisbaixo.

– A verdade é que eu também o quis machucar. – Confessei, decidida a não esconder mais nada, mesmo que isso me prejudicasse. – Eu estava desnorteada, com raiva, com medo …

– O que ele fez mais? – Me interrompeu de novo, e no lugar da dor dentro do seu olhar brotou raiva. – Eu quero saber o que levou você a fazer aquilo que a gente vê no vídeo.

Suspirei, cansada. A cabeça doendo, e agora meus joelhos também porque continuava ajoelhada na frente dela. Como se ela tivesse a capacidade de me ler, ela me puxou com delicadeza e me fez sentar ao seu lado, e ficou me segurando as mãos com um olhar sério.

Esbocei uma careta, mas acabei contando todo o encontro, as coisas que ele usara para me atacar, e por sua vez, me fazer também atacá-lo fisicamente da forma que ficou gravada.

– Canalha! – Ela vociferou furiosa. – Isso não vai ficar assim! – Ela me largou as mãos e fez menção de se levantar, mas eu a puxei de volta.

– Por favor querida. – Pedi, minha voz trémula. – Eu não quero mais confusões, já basta o que eu fiz. – Baixei por instantes a cabeça, suspirando. – E agora é Henry que vai sofrer as consequências … eu não devia ter …

– Hey! – Ela me levantou o rosto com uma das mãos. – Você não tá sozinha. – Ela esboçou um pequeno sorriso me surpreendendo. – Henry te ama. – Disse, me fazendo sorrir brevemente com aquilo. – Eu te amo. – Ela completou, e novamente me surpreendeu com a declaração de amor. – E a partir de hoje, eu quero que você escute com atenção as pessoas que te amam tá bom?

Engoli um soluço com a emoção e abanei quase de forma compulsiva a cabeça, tentando não tornar a chorar.

– Isso é sério Regina. – Ela reafirmou. – Eu tou preocupada com a sua saúde. – Franzi o cenho confusa. – Eu liguei pro seu celular quando fiquei sabendo desse escândalo. Gior atendeu.

– Ele não tinha nada que atender uma ligação que era pra mim. – Retorqui já começando a não gostar do rumo daquela conversa.

– Não comece. – Repreendeu, desvalorizando o que eu acabara de dizer. – Ele me disse que você tinha passado mal, desmaiado. Mas eu também não quis muita conversa, por causa do que tinha acontecido.

– Não tou entendendo onde você quer chegar. – Respondi na defensiva.

– Ele me disse também que não foi a primeira vez e que já notou alguns sintomas preocupantes em você.

– Emma, você sabe que ele é exage …

– Sim, eu sei que ele é. – Me cortou, me apertando mais as mãos. – Mas desta vez não é exagero dele. Eu já te pedi pra marcar uma consulta no seu médico, mas se você quiser, Gior se ofereceu pra colocar todos os recursos das suas clínicas em Seattle à nossa disposição. Podemos ir na maior das descrições, fazer os exames necessários e …

– Eu não tenho tempo pra …

– Você quer me chatear a sério? – Revirei os olhos para ela, mas acabei sorrindo e abanar a cabeça em negativa. – Ótimo. – Ela sorriu, satisfeita. – Mas agora não vamos pensar nisso. Eu vou fazer uma comidinha leve pra você e vou tranquilizar Henry que a essa hora deve tar morrendo de preocupação com tudo isso.

– Eu posso falar com ele. – Ofereci, até porque era o mínimo que eu podia fazer depois de tudo.

Ela me acariciou a face com delicadeza, se aproximando mais do meu rosto, permitindo que seus lábios roçassem pela minha pele, e se afastou depois, me voltando a encarar.

– Se deixa ser cuidada pra variar, vai … — Ela baixou mais a voz, sorrindo de canto, e todo o carinho e amor que eu por momentos achei que não existiriam mais nela por mim, estavam ali, refletidos quase como em uma luz que ofuscava, no brilho resplandecente dos seus olhos verdes. Direcionados totalmente a mim. – … você não tem de fazer tudo sozinha, amor.

Só me dei conta das novas lágrimas que rolavam pelo meu rosto, quando senti o toque dos seus dedos as imobilizando, e logo depois, seus beijos, as fazendo sumir da minha pele, e eu acho, que ao mesmo tempo, ali, naquele momento, elas começavam a desaparecer também do meu íntimo mais profundo, em que às vezes, nem eu mesma tinha acesso. Então deixei que meus olhos fechassem, e que seus lábios descansassem sobre minhas pálpebras, distribuindo carinho e confiança sob a forma de beijos demorados e incrivelmente precisos.

– Agora você vai pro nosso quarto. – Ela murmurava, sem me deixar abrir os olhos, encostada ainda à minha pele. – Vai tomar um banho quente, enquanto eu preparo algo pra você comer.

– Tem certeza que não quer ajuda? – Perguntei, deslizando minhas mãos pelos seus braços.

– Toda a ajuda que você pode dar agora é fazer aquilo que eu tou mandando. – Ela se afastou devagar, e eu abri os olhos. Ela me lançou um desafio com o olhar, antes de perguntar. – Acha que consegue fazer isso? – Ergueu a sobrancelha com uma ponta de provocação.

– Te obedecer? – Indaguei sem conseguir evitar de rir. Ela fez que sim com a cabeça, sorrindo serenamente. – Eu posso tentar. – Respondi sorrindo de volta, com um novo sentimento de calma resgatado dentro de mim.

– Ótimo. – Disse, se aproximando de novo para tomar a minha boca na dela, num beijo intenso mas breve. – Mas aviso já que se não conseguir, eu mesma subo e te obrigo a obedecer. – Ela concluiu me puxando do sofá devagar, nos levantando.

– E Gior? – Perguntei, me lembrando do meu amigo que a essa hora nem sabia se já tinha ido embora.

– Não se preocupe com ele. – Retorquiu se baixando num instante para pegar o meu celular que só aí vi que estava sobre a mesa de centro. – Convidei-o pra passar uns dias connosco como você queria. Ele essa noite fica ainda no hotel, mas amanhã vem pra cá. – Ela enlaçou o meu braço no dela e foi caminhando comigo até à porta do escritório. – E o seu celular fica comigo essa noite. – Completou sem me olhar, me fazendo logo abrir a boca para argumentar, mas sem nem me dar tempo para isso. – E não adianta reclamar.

– Ah vai ser assim é? – Girei para olhar para ela, com uma expressão aborrecida no rosto por estar sendo tratada feito uma criança.

– Sim. – Respondeu divertida. – Você hoje está sob minhas ordens. Agora suba.– Ela me segurou pelos ombros me virando na direção das escadas que davam para o quarto. Eu deixei escapar um suspiro, e não me movi do lugar, ficando apenas de costas para ela, encarando os degraus. – Vamos! – Exclamou me dando um tapinha na bunda, o que me fez virar a cabeça para olhá-la e logo revirar os olhos, mas obedecendo inevitavelmente, começando a subir.

*** *** ***

Após me despir completamente, me enfiar na banheira com água quente, deixei que minha cabeça pendesse para trás, encostando-a à beirada embutida em mármore, o que me fez ficar praticamente com o corpo deitado. Meus olhos fecharam instantaneamente, e quando fiz isso, mais parecia que um enorme peso havia sido pousado sobre mim. O peso da realidade, mais uma vez. Uma realidade que eu havia contribuído para que acontecesse, sem conseguir ter o discernimento necessário para avaliar a implicância em como tudo que levou aquela situação desastrosa teria não só na minha vida, mas como na vida da minha família. Um escândalo desse nível provavelmente teria consequências nos negócios, mas nem era isso que mais me preocupava. O que temia verdadeiramente era Henry e a forma como ele lidaria com isso. E apesar de saber que Emma estava me dando apoio incondicional, o que já me acalmava um pouco, por outro lado aquela sensação ruim que me assaltava agora de forma recorrente continuava me alfinetando sem qualquer explicação.

O aparecimento repentino de Neal ainda me intrigava, porque até agora não conseguia entender o porquê dessa armação toda. Será que tudo fazia mesmo parte do plano dele para ter Emma de volta? Mas se fosse, que certezas ele poderia ter da eficácia desse plano? Até porque mais tarde ou mais cedo, eu e Emma iriamos descobrir toda a divergência entre as conversas paralelas que ele teve com nós as duas, conforme se confirmou depois deste escândalo. Esfreguei a testa cheia de dores, tentando ao mesmo tempo parar de pensar em tudo aquilo, pois quanto mais eu dava voltas, mais eu me sentia tonta e perdida em meio à minha própria confusão.

– Amor … — A voz dela me fez abrir os olhos, antes de deslizar minhas mãos pela testa na direção dos cabelos, os humedecendo com as próprias mãos molhadas. – Trouxe um lanche apenas. – Ela disse, pousando a bandeja no móvel atrás de mim com alguns mini croissants, suco de laranja, e um caldo de legumes servido num prato fundo.

Me ajeitei na banheira, me sentando direita, tocando as costas nuas na extremidade do mármore, o que fez com que meus seios ficassem visíveis, espreitando por cima do nível da água. Virei a cabeça, olhando melhor as coisas que ela havia preparado e não consegui evitar de fazer uma careta.

– Isso é mais do que um lanche. – Reclamei, desviando a atenção para o rosto dela.

– Não seja teimosa. – Puxou o banco quadrado negro e se sentou, ficando quase ao meu nível de altura, do meu lado. – Eu como os croissants com você. – Sugeriu, esboçando um sorriso brincalhão.

– Você é muito esperta, querida. – Respondi irónica, mas sorri de volta, esticando o braço, tocando-lhe o rosto com a mão molhada. – Como tá Henry?

Em vez de responder logo, ela girou a cabeça, beijando a minha mão carinhosamente.

– Ele tá bem. – Franzi o cenho não acreditando. – Ele tá mais preocupado com você do que com essa baixaria toda. E bem … — Ela baixou o olhar por segundos. – Ele tá com raiva do pai.

– Me perdoa Emma. – Senti meus olhos mais uma vez marejados. – Isso tudo é culpa minha.

– Não peça mais desculpas. – Respondeu, se inclinando mais para mim. – A situação fugiu do controle … de nós duas. – Me beijou nos lábios, subindo a mão pelo meu pescoço, acariciando com a ponta dos dedos meus cabelos molhados.

– Como pode ser tão maravilhosa? – Indaguei entre seus beijos, num sussurro tão baixo que se minha boca não estivesse tão perto da dela, minha respiração se mesclando na sua, eu estou certa que ela não escutaria.

– Seus olhos me fazem assim. – Ela respondeu rindo, descendo a mão pelo colo dos meus seios. – Agora você deliciosa desse jeito eu ainda tou pra descobrir como pode ser verdade.

– Boba! – Esparrimei um pouco de água com a mão, a molhando também, rindo. – Vem cá …

– Não não .. – Ela se afastou das minhas mãos, abanando a cabeça em negativa. – Primeiro você tem de comer.

– Eu concordo meu amor. – Respondi sorrindo com malícia, a tornando a puxar, mas me inclinando também, o que fez com que chão ficasse todo pingado das gostas que escorriam do meu corpo. – E eu tou cheia de fome. – Mordi o lábio, sentindo a textura repuxar com o aumento do sorriso que eu tentava frear.

– Não faz assim … Regina … — Segredou suspirando, percorrendo meu tronco com o olhar faminto. – Eu não vim aqui pra isso.

Aquilo me fez rir com vontade no seu pescoço, a molhando mais ainda, enquanto ela se tentava esquivar de mim.

– Quem manda ficar me provocando? – Revidei, sorrindo. – Vem, entra. – Pedi, indicando com um maneio da cabeça a banheira. – A gente come aqui no quentinho. – Sua sobrancelha levantou de forma instantânea me fazendo rir, e corrigir de seguida. – Os croissants.

– Os croissants, sei … — Ela se afastou brevemente, levantando, e colocou a bandeja sobre o banco onde antes ela estava sentada, e eu peguei num croissant, dando uma mordida. – Vai tomar a sopa fria assim. – Disse, enquanto se despia à minha frente.

– E se você demorar vai tomar banho frio. – Reclamei, enfiando o resto do croissant na boca, e bebendo depois um pouco do suco.

– Não faz mal. – Ela me respondeu, descendo a calcinha preta pelas pernas com pressa, ficando completamente nua. – Quem precisa de banho quente quando tem você assim? – Ela sorria, se aproximando devagar, e me fazendo agradecer imensamente por já ter descido pela garganta o resto do croissant com o suco, porque se fosse agora, eu teria sérias dificuldades para engolir.

Ela entrou na banheira primeiro com um pé, depois com o outro, devagar para não chapinhar mais água para fora. Se ajoelhou à minha frente, e me puxou com delicadeza pela mão, me fazendo ajoelhar também, até permanecer ao mesmo nível que o dela.

Nos mantivemos frente-a-frente, nos olhando, tateando suavemente, reconhecendo partes do corpo uma da outra, como se tudo aquilo fizesse parte das etapas de um ritual sagrado. Nossos lábios se roçaram vagarosamente, se sentindo mutuamente, minutos antes das nossas línguas provarem o gosto molhado da pele macia e quente. Minutos que se multiplicaram na etapa seguinte em que as línguas se tocaram, desbravando os céus das bocas, explorando cada recanto molhado e cálido do desejo que emanava de dentro para fora, descendo e subindo mãos, salteando esquinas e escalando falésias, apenas para cair, descendo em queda livre até ao fogo posto ardendo nos centros em baixo.

– Eu amo você. – Declarei, olhando fixamente para o tom escuro das duas esmeraldas que se pronunciavam em desejo sem nem mesmo a sua dona ter a necessidade de o expressar por palavras. – Eu preciso tanto de …

Ela me cortou bruscamente, me calando com um beijo profundamente sequioso, abalando as minhas estruturas que só se mantiveram em pé porque ela me segurou com firmeza pela cintura, me colando ainda mais ao seu corpo húmido.

– Eu também. – Ela soltou num rasgo de gemido, descendo da minha boca para a minha garganta, enquanto uma das suas mãos descia pelo meu quadril até à minha bunda, a apertando. – Preciso tanto de você.

Aquilo me fez sorrir, me arrepiar, e desejá-la ainda mais, se é que isso era possível. Percorri suas costas com as unhas, arranhando a sua pele suavemente, e busquei quase desesperadamente de novo pela sua boca na minha. Beijei-a nos lábios, prendi-os com os dentes, suguei-os, soltei-os, e tornei a explorar toda a sua cavidade bocal com urgência com a língua. E ela me agarrava mais, me levando com ela para a água, permitindo que eu ficasse sobre ela enquanto suas costas encostavam do outro lado da grande banheira. Levei uma mão à sua nuca, intensificando aquilo que já não dava mais para intensificar entre nossas bocas, mas que triplicava a intensidade de forma quase imediata quando nossos sexos se tocaram, debaixo de água. Me encaixei melhor nela, minhas pernas, uma de cada lado dos seus quadris, nossos corações descompassados, batendo forte, seio contra seio, tórax contra tórax, comprimindo-se e adelgaçando-se mutuamente. Respirámos o mesmo ar, e suas mãos se posicionaram sobre o meu quadril, me forçando mais nos movimentos incontroláveis que eu fazia contra ela, me contorcendo em prazer com a sensação de atrito causada entres nossos centros com a água quente. E tudo parecia pegar fogo, apesar de estar molhado por todos os cantos, enquanto tudo o que eu mais desejava era me fundir nela como se fossemos um só corpo.

– Emma … — Suspirei com dificuldade sem parar os movimentos quase frenéticos, a fazendo se afundar mais na banheira para manter o contato com a minha vagina. – Vamos molhar o banheiro inteiro. – Desenrolei num fôlego só.

Ela nem respondeu, apenas balançou positivamente a cabeça, confirmando a minha declaração, o que me fez rir entre um gemido que fez sua exigência em sair pela minha boca. Mas depressa esse gemido mesclado em riso se tornou plural, sendo seguido de mais outros tantos, que aumentaram de volume quando uma das suas mãos desceu entre nossos centros servindo ainda de maior estimulante para as duas.

Ela rodou o pulso, esfregando a palma da mão em mim, e eu queria muito beijá-la, mas quem diz que eu conseguia? Eu só conseguia me contorcer cada vez mais e arfar, puxá-la mais para mim pelas costas, e afundar mais, em súplicas para que ela me fizesse gozar. Sua boca procurou pela minha insanamente, debatendo-se para conseguir me beijar novamente, e conseguindo tal proeza, ela duelou fortemente com a minha língua, ao mesmo tempo que apertava um dos meus seios pressionados aos dela.

– Como pode ser tão … — Ela falou com rouquidão afastando a sua boca da minha. – … gostosa? – Senti seus dedos navegando em mim, afundando, me levando a cravar as unhas nos seus ombros com força.

Não sei como mas ela conseguiu passar uma das suas pernas por cima da minha coxa, facilitando assim a movimentação da sua mão que me penetrava avidamente com dois dos seus longos dedos. Atirei a cabeça quase bruscamente para trás e repuxei o lábio com os dentes, acompanhando o ritmo acelerado da sua mão a cada nova estocada dentro da minha vagina.

– Querida … — Sussurrei por entre meus lábios ressequidos, enlouquecida de tanto tesão, sem ligar às ondas saltitantes de água que nossa atividade estava provocando e ao consequente estado em que estavam deixando o chão do banheiro. – Eu vou ..

E fui. Completamente envolvida e derrubada por um dos maiores orgasmos de que me lembro sentir na vida.

Gemi alto o nome de Emma, o seu nome apenas sendo abafado pela sua boca que se apressou a tapar a minha, me enrolando em mais voltas com a sua língua deliciosa. Ela continuou movendo os dedos para dentro e para fora do meu sexo, tão sensível que até o simples toque da água me fazia estremecer, desacelerando gradualmente o ritmo, ao mesmo tempo que acalmava o beijo, o fazendo ficar mais amoroso e demorado.

– Hmm … — Sibilou, manhosa, contra os meus lábios, apenas para os tomar de novo com os dentes e os sugar com suavidade, sem pressa de os devolver. – Você me faz sentir até mal.

Franzi o cenho, momentaneamente apreensiva com o que ela dissera.

– Porquê? – Perguntei, me afastando ligeiramente, à medida que a senti retirando seus dedos do meu íntimo.

Ela esboçou um pequeno sorriso, subindo a mão pelo meu ventre, passando pelos meus seios, contornando com a ponta dos dedos os mamilos me arrepiando totalmente, o que foi visível pelo sobressaltar do meu corpo, e parando essa mesma mão, com esses seus dedos que haviam estado dentro de mim, sobre a minha boca. Foi como um reflexo, instintivo ou intuitivo, não sei, mas meus lábios se entreabriram para receber aqueles dedos, os chupando brevemente.

– Você me deixa doida. – Confessou, puxando seus dedos de volta e me beijando mais uma vez cheia de desejo. E eu, antes de me perder novamente naquilo, me tornei a afastar e ergui a sobrancelha com ar inquiridor.

– Você ainda não me respondeu.- Lembrei.

– Você me faz sentir mal porque … — Ela recomeçou, seus olhos inquietos. – … você acaba de passar mal e eu não consigo pensar em mais nada a não ser em te voltar a comer. – Ela baixou o olhar, parecendo por momentos envergonhada.

Eu soltei uma risada sonora, pega de surpresa pela confissão dela. Abanei a cabeça, e a beijei uma, duas, três vezes, como quem completa um mantra religioso e preciso.

– Só você pra me fazer rir numa hora dessas. – A abracei forte, beijando sua omoplata esquerda. – Tá esfriando. – Constatei, uma vez que a temperatura da água não estava mais tão quente como antes.

– Melhor sair então … você precisa descansar. – A escutei dizendo perto do meu ouvido.

Afastei-me, e olhei-a sorrindo. Estendi minha mão para ela, e saímos da banheira, todas ensopadas, pingando ainda mais o chão. Peguei em dois robes brancos atrás da porta, vestindo um e entregando o outro a ela para que o vestisse também.

– Sabe meu amor … — Abri a porta e caminhei para dentro do quarto, sumindo do ângulo de visão dela. – Eu estou me sentindo tão melhor agora. Devem ter sido os croissants. – Fiz uma pausa, esperando ela entrar no quarto também. – Não quer comer mais? São deliciosos e fortificantes.

Ela sorriu com aquele jeito safado que me fazia ter dificuldade em me segurar, recuando alguns passos, entrando de novo no banheiro. Quando tornou a entrar no quarto, se dirigindo a mim, trazia a bandeja com o resto dos croissants em uma das mãos.

– Tudo pela sua saúde minha Rainha. – Ela disse, mordendo um croissant e logo me beijando.

– Hein … esse tem chocolate! – Exclamei, lambendo os lábios e vendo o chocolate no meio do croissant na mão dela. – Também quero!

Foi a vez dela gargalhar, fingindo fugir de mim, ao se deitar na cama e pousar a bandeja na mesinha de cabeceira ao lado.

– Venha comer então. – Provocou, sorrindo abertamente, cruzando as pernas, fazendo com que o robe subisse mostrando as suas coxas ainda com algumas gotículas de água passeando pela sua pele alva.

– Nada me daria maior prazer meu amor. – Respondi, com um enorme sorriso nos lábios, enquanto caminhava até ela na cama.