Notas iniciais
Olá a todos, Está a tornar-se um hábito as minhas desculpas, mas vou ter novamente de começar esta nota com um pedido de desculpas. Meus amores, sei que têm esperado atualização, sei que não querem que esta fic fique por aqui e que se preocupam comigo e pelo meu bem-estar cada vez que fico muito tempo sem vir aqui. Um obrigada a todos; por favor não se sintam esquecidos. E é por isso mesmo que venho aqui hoje deixar-vos uma mensagem explicativa da minha ausência. Essa fic foi se tornando muito desgastante de escrever, principalmente agora que tenho menos tempo do que antes. Infelizmente há que estabelecer prioridades, e nem sempre o tempo a esta fic pode ser uma delas. No entanto, quero sossegá-los, pois isto não é uma desistência. Tenho intenção de finalizar esta história, mas não será para já. Assim, a publicação do presente capítulo serve de propósito ao aviso que agora faço: só voltarei a publicar mais capítulos quando tiver a fic finalizada. Nessa altura publicarei todos de uma só vez para não deixar mais ninguém à espera. Terão muito que ler aí, e provavelmente me amaldiçoarão internamente pela quantidade avassaladora de palavras. xD Enquanto isso, por favor, aceitem este capítulo pré-hiatus forçado, escrito sempre com cada um de vcs no pensamento. Mini-teaser: http://tinypic.com/player.php?v=2dm5sgx&s=8#.VFat6jSsUrU [CUIDADO: PODE CONTER SPOILERS] Entretanto, quero aproveitar para divulgar uma fic SQ de uma amiga. A história é muito boa, em universo alternativo, mas super bem construída. É fic hot para quem gosta, mas não é algo despropositado ou sexual por si só. Tem conteúdo e está muitíssimo bem escrita. Se não conhecem, aproveitem agora: http://fanfiction.com.br/historia/529739/Contato/ Um bem haja a todos vcs! Beijos com saudades.

ANTERIORMENTE:

Retirei o guardanapo do colo, jogando-o na mesa, e estava pronta para me levantar e ir embora, quando ele tornou a falar, naquele mesmo tom de voz calmo e sem emoção:

– O assassino é Neal Cassidy.

(…)

Take care of your soul
Take care of your soul
Soul, soul, soul...
Take care of your soul
Soul, soul, soul...
Take care of your soul
Take care of your soul

*** *** ***

Estava suando frio, completamente transtornada. Minha cabeça latejava tanto que eu temi ter um derrame cerebral horripilante e silencioso antes de conseguir marcar o número de Emma no celular. Olhei para o aparelho assim que o tirei de dentro da bolsa enquanto me trancava em um dos cubículos do banheiro, e depois, em vez de lhe ligar, apenas me sentei no vaso.

O que estava fazendo? Agora era tarde para lhe ligar. Mordisquei o lábio, nervosa. O que diria a ela? Que havia concordado com tamanha insensatez?

Tentei massagear as têmporas com meus dedos polegares e indicadores, algo que já havia resultado quando Gior fizera em mim. Encostei as costas à parede e tentei regularizar a respiração. O que Emma iria dizer quando eu lhe contasse? Mas contar exatamente o quê? Eu não podia contar.

Fechei os olhos, agoniada. Um enjoo repentino subiu do meu estômago até às minhas papilas gustativas me fazendo levantar rapidamente e tombar a cabeça sobre o vaso, vomitando tudo que tinha ingerido naquele jantar. O que fora praticamente nada.

Deus! Como eu concordara com aquilo?

Um novo vómito.

Mas …

Pressionei os olhos com força, fazendo a minha testa doer imensamente naquela contração de movimento.

Mas era tão tentador. E o Outro merecia. Não era um acordo qualquer aquilo que selara com Mr. Gold.

– Mas isso é … — engoli um indício de vómito antes de conseguir completar. – … asqueroso.

Ele limpou a boca nas pontas do guardanapo.

– Regina … — ele era ponderado em cada lance de palavras, e estava amplamente sério. – Pense nisto antes como um ato de justiça.

– Justiça? – vacilei, trémula.

– Mas é claro.

– A justiça tem seus meios próprios. – disse, tentando racionalizar todo a loucura que ele me propunha.

– Exato. – sorriu abertamente como se tivesse chegado aonde ele queria. – Quer meios mais próprios e … — tateou com certo deleite as palavras. – … infalíveis do que estes que eu tou propondo a você? Eu garanto … — sua mão se sobrepôs sobre a minha em cima da mesa e eu desviei os olhos para ela, antes de regressar o olhar novamente para seu rosto repleto de certezas. – … só assim a verdadeira justiça será feita.

Havia um nó na minha garganta que não descia e ele apercebeu-se imediatamente.

– Tome um gole de … — disse olhando o copo de vinho, mas logo se interrompeu, retirando o peso da sua mão da minha e chamando o garçom com um aceno. – … Por favor, nós vamos querer brindar com champanhe.

– Você é louco. – murmurei, abanando a cabeça. – Você não pode me fazer concordar com isso.

Ele soltou um riso mais estridente que o normal. Como o de alguém com sérios problemas mentais.

O garçom trouxe um balde com champanhe, e Gold pareceu se recompor, enquanto ele mesmo me servia o champanhe.

– Eu não posso. – admitiu, erguendo a taça flûte sobre a mesa na minha direção. – Mas queridinha, aqui entre nós, admita que anseia por isso tanto ou mais do que eu. Me diga … desde que ele cruzou a sua vida, admita! – seu tom de voz cedeu, pela primeira vez se alterando ligeiramente. – Admita que desde que ele apareceu sua vida estremeceu!

– Eu não posso … — meus dedos agarraram o guardanapo com força. – … ser egoísta. Emma e Henry, eles não …

– Regina. – pousou a taça de novo, e juntou as mãos assumindo uma posição de reflexão. – Ele vai destruir a sua vida. Eu não tou falando só de você. Você acha que ele veio me procurar pra quê?

– Eu não sei … talvez ele queira mesmo conhecer o filho …

– Você já se escutou? – zombou. – Não vai querer me convencer que você conquistou o império que conquistou com essa ingenuidade.

– Talvez ele queira dinheiro também. – admiti. – Isso não é nem nunca foi problema.

– Tenha cuidado, querida. – avisou, baixando brevemente o olhar para o prato. – O dinheiro da mesma maneira que pode ser a solução também pode ser o problema. Por mais inesgotável que ele seja, há coisas muito mais preciosas nesta vida que se esgotam com a velocidade de uma apedrejada na cabeça. – seus olhos fugiram dos meus na última parte e eu sei que ele estava se referindo à filha assassinada.

– Porquê eu? – perguntei, direta. – Porquê armar tamanho circo?

– Porque você é a mãe do filho dele. – ergui o sobrolho sem entender a relevância daquilo. – E você tá com a mulher dele.

– Emma não é mulher dele! – me exaltei. Ele riu.

– Vê? – levei a mão à testa, cansada daquela pressão mental. – Você vai finalmente colocar aquele sujeito onde ele merece. É um favor que você tá fazendo à humanidade.

– Eu não sei … o preço pode ser demasiado alto. – mergulhei meus olhos oscilantes e nervosos no reflexo do champanhe borbulhante na taça flûte à minha frente. – Não quero machucar mais a quem amo. – quase um sussurro inaudível.

Meus olhos desviaram do champanhe assim que senti novamente a sua mão sobre a minha.

– Emma não pode saber. Não antes do golpe final. – lembrou. – Mas a escolha é sua.

– Que garantias eu tenho que tudo corre como o previsto?

– Aqui. – ele me passou um documento. Passei rapidamente os olhos pelo papel que se assemelhava a um contrato de trabalho. Com as emissoras da Companhia Gold. – Ao mesmo tempo que me reserva direitos para explorar a sua imagem em entrevistas e outros meios de promoção, também incluiu uma série de cláusulas que a tornam minha protegida. E isso, queridinha, significa muito mais do que possa estar expresso aí nessas linhas. – salientou, me apertando suavemente a mão. – Nada irá acontecer a você ou à sua família.

– Tudo isso por vingança? – ousei perguntar, totalmente perdida com tudo que me havia sido revelado.

– O que você chama de vingança, eu chamo de paz. – retirou a mão da minha.

– Onde eu assino?

Baixou os olhos para a linha onde eu devia assinar, e colocou o dedo no local, em cima do papel. Depois tornou a levantar os olhos e esboçou um sorriso comedido.

Ia procurar por uma caneta na bolsa, mas antes sequer de poder chegar a ela, já ele tinha uma estendida para mim. Peguei na caneta, e assinei no final do contrato, rubricando todas as outras folhas.

– Envie depois uma cópia pra mim. – pedi assertiva, entregando de volta o documento. Peguei na taça de champanhe e a ergui sobre a mesa como ele havia feito momentos antes. – Não ouse me passar a perna, ouviu bem? Não pense que eu não reparei que uma delas é coxa. – acrescentei com escárnio a última parte.

Ele sorriu, assentindo com um maneio suave de cabeça.

– Tchin-tchin? – propôs, erguendo também a sua taça de champanhe, e inclinando ligeiramente a cabeça para o lado.

Juntei a minha taça à dele, num bater discreto e delicado, e depois, apesar da azia se fazer presente, fazendo uma festa dentro do meu estômago, eu mesmo assim engoli o líquido dispendioso e requintado.

Nunca a celebração tivera um sabor tão azedo.

Meu celular tocou, no chão daquele cubículo. Limpei os cantos da boca ao papel e ergui a cabeça, sentando no chão. Era Emma.

– Oi … Emma …

– O que você tem? Aconteceu alguma coisa? – escutei ela perguntar do outro lado.

– Não … porquê? – tentei ganhar tempo para me restabelecer minimamente. Devagar me tornei a sentar no vaso sanitário.

– Você tá com a voz estranha. Tá tudo bem? Ainda tá jantando?

– Não. O jantar terminou já. Tá tudo bem, eu … eu ia te ligar agora. – respondi numa meia verdade.

– Ok, ainda bem. Tou indo te buscar agora. – desligou, me deixando sem tempo para responder. O jeito era passar uma água no rosto e tentar me comportar o mais normalmente possível.

Inspirei fundo. Iria ser a continuação de uma longa noite.

*** *** ***

Os fotógrafos haviam dispersado. Se mais alguma foto havia sido tirada quando eu saí do restaurante e voltei a entrar no carro, eu não me apercebi.

Emma me deu um abraço tão apertado que por momentos eu achei não ser capaz de colocar em prática tudo que havia sido celebrado naquele contrato com Gold. Henry ficou tirando uma com a nossa cara, enquanto Emma me apertava como se não me visse há longas semanas.

– Hey .. – murmurei, me afastando com delicadeza dela no assento do carro. – Foi só um jantar. – disse, exibindo um sorriso tranquilizador.

Ela me encarou em silêncio por tanto tempo que eu achei que ela tivesse adquirido a capacidade de me ler os pensamentos, mas após Henry reclamar de novo da nossa demonstração de carinho exagerada, ela sorriu com aquele sorriso lindo e límpido tão característico dela e se afastou.

– Quando você for grandinho e arrumar um amor pra você … — ela dirigia-se a ele. – Você vai entender. E aí garoto, eu vou tirar o maior sarro com a sua cara, te envergonhar na frente de todos os seus …

– Tá bom tá bom! Já entendi! – Henry ergueu as mãos no ar em sinal de rendição. – Já que não podemos voltar pra casa do Gior por causa “daquela que não deve ser nomeada” – disse o engraçadinho, fazendo a referência à saga de livros do tão famoso jovem feiticeiro do universo potteriano de J.K. Rowling. – eu acho que o mais lógico é ir à sessão da meia-noite do cinema mais próximo! – completou entusiasmado.

– Você não tem idade pra sessão da meia-noite, moleque! – retorquiu Emma em tom divertido.

Como resposta, o rapaz afoito, limitou-se a imprimir aos lábios um movimento que demonstrava o quanto a negação das suas vontades por nós duas, suas mães, o contrariava e aborrecia. A seguir fletiu as sobrancelhas, talvez numa tentativa falha de nos intimidar, e soltou um som contrariado, em alto e bom som, típico de menino mimado.

– Rapazinho. – avisei, ainda assim com certa ternura.

– Vamos pra onde então? – desamarrou a carantonha do instante anterior, porque já sabia muito bem que chantagens daquelas não funcionariam àquela hora.

Troquei um olhar com Emma, eu própria em busca da resposta à pergunta do nosso filho, e imediatamente fui presenteada com um belo e estonteante sorriso. Meu estômago se contraiu silenciosamente.

– Gior disse que podíamos usar a suite do hotel por mais essa noite. – disse simplesmente.

Senti o meu rosto se contrair numa mistura de receio e desconforto. Desviei o olhar brevemente para Henry que não parecia nem um pouco interessado naquilo que a mãe acabara de dizer, se mantendo distraído olhando a rua pelo vidro do carro.

– Emma .. – minha voz saiu estremecida, quase um sussurro, como se quisesse camuflar segredos indizíveis. – … não me parece que hoje seja uma boa noite pra …

– Tá doida? – indagou, me interrompendo. Sua cara era o reflexo da perplexidade. – O garoto tá aí. – ela fez menção à presença de Henry com um leve manejar de ombro como se eu fosse uma louca saída do hospício capaz de sugerir os atos mais imorais e inconvenientes possíveis.

– Ah. – deixei escapar pateticamente.

– Você tá bem? – seu semblante se transformou todo ele em preocupação.

Sinceramente? É claro que eu não estava bem. Mas isso teria de ser rematado a detalhes daquele fim de noite um tanto ao quanto peculiar e invulgar.

– Sim. – menti num sopro de sorriso. – Só estou cansada, querida.

Ela sorriu e me passou o braço por cima dos ombros, me trazendo mais para junto dela. Eu, por outro lado, fiz força para esfriar o sangue que borbulhava dentro de mim e a consequente azia que me fazia sentir um gosto amargo na boca.

– Ed, por favor, nos leve pro hotel. – comandou Emma ao motorista que prontamente acatou a ordem sem um único pestanejar.

*** *** ***

Seu cheiro me invadia por completo as narinas. Era uma mistura de whisky com a cerveja mais vagabunda possível. Sua pele estava quente, queimando sobre mim, enquanto o bafo quente e ardente a álcool da sua respiração me tatuava a pele da curva do meu pescoço à medida que a sua boca corria por mim. Suas mãos, bruscas e sem quaisquer meias medidas, apertavam o osso da minha clavícula, cravando o meu corpo contra o solo arenoso da praia. Senti meus pulmões comprimirem, puxando, desesperadamente, o ar para dentro, sem sucesso. Minha garganta parecia arder com a iminência da aproximação quem sabe da morte, ou simplesmente, do desconhecido que tanto se apresenta como bom ou mau.

“Emma” – ele chorava num ato insano enquanto sua mão subia dos ossos da clavícula até à minha garganta que se sentiu sendo esmagada nos vários anéis da traqueia.

– Ahhrrg .. – escutei o ruído asfixiado, baixinho, entoando dolorosamente dentro de mim.

“Emma Emma Emma” – ele não parava de se lamentar.

A areia debaixo de mim já não doía mais, meu corpo parecia entrar num estado de anestesia forçada, e nesse estado, a única coisa que importava era chegar ao final o quanto antes. Meu estômago, se é que ainda tinha algum, revirou. Nesse, a anestesia não tinha pegado.

“Emma”

– Cal … cafarghh … Cala … — a garganta dilatou o impossível dentro do possível anatomicamente. – Cala a boca!!!

– Regina! – senti meus braços sendo puxados, e me revirei com força. – Acorda!

Uma luz imensa invadiu o espaço e meus olhos arregalaram se ajustando à claridade repentina do quarto.

Minha respiração saía entrecortada, desajustada e aos solavancos. Levei por reflexo uma mão à garganta como se esse simples gesto me possibilitasse respirar regularmente de novo.

– O que .. aconteceu? – perguntou Emma ao meu lado, na cama. Seus olhos estavam tomados por um brilho de terror ao me encarar à luz branda, agora eu havia percebido, do candeeiro da mesa-de-cabeceira. – Você parecia estar sufocando no sono.

Apalpei diversas vezes toda a extensão da garganta, aplicando um pouco de força uma vez ou outra, de modo a assegurar que os anéis da traqueia estavam intactos. Pressionei os olhos, sentindo a dor imensa que latejava nos ossos temporais do crânio. Deixei a mão direita escorregar para trás do pescoço, sentindo a minha pele molhada de suor.

– Ele … eu … eu pensei que ele … — balbuciei.

– Ele quem? – perguntou alarmada, com um vislumbre encoberto de humidade nos olhos claros.

Balancei a cabeça, exausta. Ela me estendeu um copo de água e eu tomei num gole de uma só vez fazendo o nó desajustado descer pela minha garganta permitindo-me limpá-la.

– Henry? – perguntei atordoada. Ela acenou com a cabeça para a sala de estar da suite, onde o nosso filho parecia dormir serenamente no sofá-cama.

– Você tá bem? – perguntou suavemente, retirando algumas mechas minhas de cabelo coladas ao meu rosto levemente humedecido.

Enruguei a testa naquele movimento que me causava dor e só depois a distendi, tentando relaxar a musculatura do rosto.

– Vou ficar.

– Eu ando tão preocupada com você. – ela suspirou, baixando o olhar para as próprias mãos que agora procuravam as minhas. – Não vejo a hora de descobrir o que você tem.

– Porquê? – questionei sem entender.

– Porque depois você poderá se tratar e tudo ficará bem de novo. Como antes. – tentou sorrir.

– O que faz você ter tanta certeza que será assim?

– Para com isso Regina. – repreendeu, subindo o olhar até ao meu. – Você não vai morrer.

– Eu tenho medo. – confessei, mas não estremeci. Nenhuma comoção tomou conta da minha voz.

– Não tenha. Nada vai acontecer com você, eu prometo. – se aproximou do meu rosto, acariciando-o na bochecha quente e molhada com um beijo leve.

– Não é disso que eu tenho medo, querida. – disse baixinho, mas se ela me ouviu não deu sinais disso, porque se limitou a me puxar com delicadeza para baixo, me fazendo tornar a deitar ao seu lado.

Meu medo é do que ele possa fazer com vocês depois de eu não estar mais aqui. – pensei, mas foi algo quase dormente, como se fosse o único pensamento capaz de me convencer que o acordo assinado não fora despropositado. E a esse único pensamento, o último antes de voltar a adormecer, eu me agarrei, me convencendo que aquela era a única saída.

Notas finais
Não me esqueci dos comentários. Irei responder a todos eles, já sabem que não gosto de deixar ninguém sem resposta, ainda por cima comentários e mensagens tão cheias de incentivo e apoio. Amo vcs