Notas iniciais
Olá boa gente! =) Demorou mais um pouquinho este, mas saiu. xD Eu acho que vcs vão me bater lol, não digo nada! Apenas que se não entenderem qualquer coisa me gritem. Obrigada! =D Ah ... já ia esquecendo, o capítulo de hoje recorre à letra de uma música que eu gosto muito, de uma banda que eu tb gosto muito - Amor Electro - aqui está pra quem quiser conferir: http://letras.mus.br/amor-electro/so-e-fogo-se-queimar/#radio Boa leitura!

Dias passaram desde a revelação a Henry na sorvetaria. Ele simplesmente acabara por não se pronunciar mais sobre o assunto, e eu e Emma ficámos sem saber como reagir a respeito. Para todos os efeitos, o nosso filho se comportava como se nada houvesse sido mencionado, e como tal, não fizera, assim que havíamos saído aquele dia da sorveteria, uma única pergunta sobre Neal.

– Isto não pode ser saudável. – Emma me dizia ao meu lado na cama. – Ele devia ao menos ficar bravo não? Curioso talvez? – Ela indagava naquele frenesim em que andávamos as duas. – Revoltado?

– Amor, apaga a luz. – Eu pedi, esfregando a têmpora na lateral esquerda da minha cabeça.

– Está com dor de cabeça de novo? – A escutei perguntar, afundando mais para baixo na cama de modo a ficar mais próxima de mim.

– Deve ser mais uma daquelas enxaquecas chatas. – Expliquei. – Já tomei um comprimido, não se preocupe. – Sorri brevemente, me aproximando dos lábios dela para os selar com os meus num beijo delicado.

– Isso não me parece normal. – Ela murmurou enquanto me ajeitava mais nos seus braços. – Não lembro de você sofrer de enxaquecas há uns tempos atrás.

– Com certeza é do stress querida. – Encaixei o meu queixo no espaço do seu pescoço e aconcheguei-me mais ao seu corpo quente. – Agora por favor, apaga a luz.

– Tá bom teimosa. – Me beijou a cabeça. – Mas só se você me prometer uma coisa.

Afastei-me um pouco para a olhar com ar contrariado.

– Deixa … eu mesma apago. – Respondi, e sem esperar qualquer resposta, me debrucei sobre ela para apagar a luz do candeeiro que estava acesa do seu lado.

– Não, você não apaga coisa nenhuma. – Ela me segurou, me impedindo de chegar ao candeeiro. – Eu quero que você marque uma consulta no seu médico. Eu estou preocupada.

– Porquê isso agora? – Atirei bruscamente, sem paciência.

– Como assim, porquê isso agora? – Ela revidou, franzindo a testa, séria. – Você acha que eu não me preocupo com você?

Suspirei cansada com a aproximação de um provável desentendimento.

– Então para de falar dele. – Lancei de mau humor.

– De Henry? – Ela perguntou, e eu tive de rir com deboche.

– Não se faça de desentendida. Não entendo porque você insiste nesse assunto.

– O quê? Você não tá dizendo coisa com coisa Regina. – Ela se sentou, se encostando aos travesseiros. – Qual o problema afinal? – Ela questionou, e só aí eu percebi que ela realmente estava falando sério, e estava completamente alheia ao que eu dizia.

– O problema, Emma, é essa sua preocupação tão exagerada pelo fato de Henry não querer saber do … — Arregalei os olhos repentinamente, porque a minha visão ficou por segundos desfocada. — … do pai. – Concluí num tom de voz distante, e já sem olhar para ela, descansando o peso da minha cabeça no travesseiro.

– Eu estou preocupada com o nosso filho se você ainda não percebeu … — Vi ela se esticar e por fim apagar a luz, deixando o quarto totalmente na penumbra. – Talvez você conseguisse chegar a essa conclusão se parasse com esse medo infundado sobre Neal.

Permaneci em silêncio no escuro. Deixei que meus olhos fechassem por segundos, e que aquela sensação de rodopio dentro da minha cabeça desvanecesse. Inspirei fundo, abrindo por fim os olhos, encarando o teto apenas no rasgo de pouca claridade que adentrava o quarto pelas janelas.

– Estou cansada Emma. – Murmurei, talvez mais para mim do que para ela. – Essas últimas semanas não têm sido fáceis pra mim. – Confessei em voz baixa.

– Eu sei. – Ela respondeu em um suspiro. – Me desculpa.

– Não peça desculpas. – Pedi, e a sinceridade na dor do meu pedido era tão angustiante que meu coração parecia diminuir de tamanho dentro do peito. – Você não tem culpa.

Silêncio. O som dos ponteiros do relógio em uma das cómodas tictac – niando me golpeava diretamente no cérebro.

– Você também não tem. – A sua voz soou novamente quebrando os tic-tac’s dos ponteiros na minha cabeça. – A responsabilidade não é sua sabe?

Não respondi, deixando-a continuar, se ela assim o entendesse.

– A culpa do meu sofrimento não é sua. – Emma tornou a falar pausadamente. – Eu tenho medo de … — Sua voz rachou, sumindo completamente. A dor na minha cabeça se alastrou no mesmo instante que eu percebi que ela continha o choro.

Não ousei falar, porque não confiaria naquele momento na minha própria voz, então procurei no escuro por uma das suas mãos. Encontrando-a, apertei-a tão forte, mas tão forte, que os nós dos meus dedos pareciam anestesiar naquele aperto, ao mesmo tempo que sentia a cabeça inchada como se tivesse adquirindo o dobro do tamanho real.

– Eu tenho medo de … — Ela tentou mais uma vez, mas sua voz tragava sofrimento líquido, acabando com qualquer tentativa de firmeza nas palavras que saíam da sua boca. – Se você .. – Meteu o ar para dentro, para fora depois. – Regina, se você me abandona também, eu …

– Shiuuu … — Busquei pelo seu corpo na tentativa de a abraçar a mim. – Quem está com medos infundados agora é você meu amor. – Senti lágrimas molhando a pele do meu pescoço, e apertei-a mais contra mim. – Me diz … — Sussurrei num sopro de voz. – Como eu posso abandonar uma parte da minha vida e seguir adiante? – Depositei um beijo carinhoso, e sofrido, porque me partia o coração vê-la assim, na fronte da sua cabeça.

– Então … — Ela recomeçou, engolindo a saliva junto com parte das lágrimas. – Promete que vai marcar uma consulta no médico.

Neutralizei por segundos. Então era isso? Ela estava com medo que eu …

– Emma, você está exageran…

– Promete. – Ela me cortou, sem deixar de me abraçar na cama. – Promete que vai fazer isso ainda esta semana.

– Eu prometo. – Fiz-lhe a vontade, e assim que proferi aquelas palavras senti seus lábios tocando a minha face num beijo demorado e suave. E apesar de estar escuro, fechei os olhos mesmo assim, deixando que aquele carinho se prolongasse o máximo pela minha pele aflorando todos os meus sentidos.

Mais uma promessa
Mais um dia a duvidar
Mais outro remendo à pressa
Mais uma forma de te procurar

Ela colocou uma perna por cima das minhas, e eu sorri em silêncio, levando uma das mãos até à sua nuca, trazendo-a mais para junto de mim. Sua boca então se direcionou para a minha boca, se agarrando com os dentes aos meus lábios, os revirando dentro da sua boca de jeito similar ao modo como o meu crânio estava revirando dentro da minha cabeça.

Meus braços tomaram o impulso certo, se agarrando aos seus ombros com firmeza, a puxando para cima de todo o meu corpo repentinamente com a ganância de a ter em mim. Minha cabeça explodia forte, bombardeando a meio à batalha que se travava no local mísseis perdidos por todo o território revestido pelo meu crânio, me fazendo sentir quase o odor da combustão na entrada das minhas narinas.

A saudade não dá tréguas
Pede um sopro de ar
Para em mágoas repousar

– Eu nunca fiz isso antes. – Ela disse em um sussurro a meio ao constrangimento.

A fitei com curiosidade, descendo uma das minhas mãos do seu ombro descoberto pela alça da camiseta até ao seu braço, e depois, descendo mais um pouco, agarrei na sua mão.

– Nunca fez o quê querida? – Perguntei baixinho, esboçando um sorriso sereno.

– Você sabe. – E ela estava tão indefesa, seu olhar baixo, se fixando subitamente nos sapatos jogados de qualquer forma pelo seu quarto.

– Mas não estamos fazendo nada Emma. – Busquei pelo seu queixo com a mão livre, levantando-o na minha direção para a fazer me encarar de novo. – E não precisamos fazer nada se você não quiser.

Se eu falar talvez tu negues
Me chames a dançar
Sinta o corpo a voar

– Sua cabeça … — Ela tentou retirar algum do seu peso de cima de mim, mas eu não deixei, a agarrando com firmeza pelas costas. – Amor … eu não quero que …

– Eu quero você Emma. – Eu falei esfregando os meus lábios nos dela, os mordendo logo depois, lhe negando com esse ato uma resposta por parte dela.

Ela soltou um gemido na minha boca que entoou por todo o meu cérebro, permanecendo zumbindo nos meus ouvidos. Desloquei uma das mãos das suas costas para a sua nuca, lhe indicando o caminho a seguir, isso em simultâneo aos rabiscos que tipografava com as minhas unhas pela sua pele exposta e cada vez mais quente em mim.

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

– Mas não vou negar … — Ousei coragem. Ousei proferir a sentença sobre o fogo que ardia cada vez que encarava os seus olhos de olhar intenso e aquele tom claro de pele de aparência tão aveludada. – Não vou negar o quanto eu te quero agora.

E contrariando todas as minhas expectativas, ela não baixou o olhar daquela vez. Pelo contrário, ela continuou fixando o seu olhar esmeralda no meu olhar absorvido pela sua beleza. E nesse olhar, tão diferente de tudo e de qualquer coisa, emanava desejo. Se era o meu ou o dela, eu não pude mais racionalizar, porque ela se jogou nos meus braços, me fazendo perder o equilíbrio e tombar com ela sobre a cama.

– Eu não me importo mais. – Ela murmurou em cima de mim, me fazendo preocupar por instantes pelo seu olhar se ter tornado subitamente lacrimejante. – Com Neal … eu …

– Emma, você não precisa ..

– Me deixa falar. – Ela me impediu de falar e ao mesmo tempo de me afastar dela na cama. – Eu te amo. – Ela declarou, me silenciando de tal forma que até minha força física parecia me abandonar porque deixei o peso da minha cabeça tombar completamente no colchão. – Mas eu não posso mais negar também … Regina … — Ela pegou em uma das minhas mãos e sem que eu pudesse ter o discernimento necessário para reagir, ela simplesmente passou essa minha mão por partes do seu corpo até chegar ao cós da calça que ela vestia. E me fazer afundar, por dentro ela. – … eu também quero você. – Finalizou, me fazendo sentir a humidade que encharcava a peça íntima.

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar.

– Eu também quero você. – Ela suspirou descendo pelo meu torso, espalhando por cada centímetro descendente da minha pele a sua pele, os seus lábios, a sua língua, a sua saliva, o seu desejo, a sua fogueira abrasadora. Todo o seu eu dedicado a mim.

Senti a minha camisola sendo puxada para cima, depois rapidamente, passando pelo meu pescoço, sendo jogada de qualquer maneira em qualquer lugar do nosso quarto. E novamente o peso dela em cima de mim, queimando a minha pele naquela fricção de corpos que ela engrenava sobre mim.

E me agarrei tanto aquela fricção como se fosse o meu bote salva-vidas, como se fosse a única e mais desesperadora escapatória para a explosão que despontava dentro de mim.

– Tira. – Eu arfei puxando o tecido da camiseta que ela usava para dormir.

Ela se apressou a fazer aquilo que eu pedi, se livrando num abrir e fechar de olhos da camiseta, e logo fazendo intenção de se deitar de novo sobre mim, mas eu não permiti puxando o short também que ainda permanecia no seu corpo.

– Tira tudo. – Exigi. – Eu quero-te sentir inteira.

Só mais um momento
Lamento muito tempo, tanto tempo a mais
Mais que um sentimento
Mais que o segredo, ainda é cedo

– Se você quiser que eu pare … você … — Mordi o lábio, sem saber como agir naquela situação, o que era ridículo, porque não era a primeira vez que eu me deitava com alguém ou com uma mulher no caso. Mas Emma me deixava insegura, me deixava cheia de receios, com um medo enorme de a afastar para sempre de mim. – Se você não se sentir confortável com isso, a gente pode ..

– Regina. – Ela me travou, me segurando as mãos no alto da cabeça. – Se você continuar falando desse jeito, quem vai ficar pensando que você não quer isso … — Ela fez um sinal com a cabeça, indicando os nossos corpos despidos sobre a cama dela. – … vou ser eu. – Ela completou com um sorriso de canto.

Encarei-a por breves momentos com ar sério, mas ela parecia tão serena e certa do que queria, com um sorriso que se ia abrindo cada vez mais para mim que eu acabei por me sentir sorrindo também.

– Eu quero. – Disse, apertando as mãos dela que seguravam as minhas.

– Ainda bem. – Seu sorriso era contagiante. – Porque eu já não saberia viver com o fantasma de não poder te amar.

Movi as minhas mãos que ela agarrava para trás do seu pescoço, fazendo com que ela escorregasse as suas mãos pelos meus braços em direção ao meu tronco, iniciando um reconhecimento que mais tarde se faria instantaneamente, praticamente no escuro, de olhos fechados.

Beijei-a, e ela me beijou de volta.

A verdade mora a léguas
Faz cambalear
Tem, tem grades a penar

Ela estava completamente nua sobre mim agora. E seu corpo estava tão quente sobre a minha pele, se esfregando contra cada pedaço do meu corpo que chegava a queimar. Eu beijei a sua boca, por mais difícil que fosse beijá-la com a ondulação dos nossos corpos, por mais difícil que fosse respirar ao mesmo tempo que eu sentia os meus pulmões explodindo e reclamando por ar. E ela desceu com a palma da mão, me alisando em sentido descendente até me acoplar o sexo latejante com o peso da sua mão.

– Você está bem? – Escutei ela me perguntar, separando a sua boca da minha.

Não respondi. Porque raios ela estava falando isso agora? Porque raios ela estava me trazendo de volta para a realidade? Porquê agora, justamente quando eu estava em combustão, ardendo com todas as minhas frustrações, ela tinha de vir e me perguntar se eu estava bem?

Porque raios ela …

– Você não está bem. – A sua voz soou novamente envolta na escuridão do quarto, ao mesmo tempo que ela tornou a subir a mão, repousando-a sobre o meu abdómen.

– Estou bem. – Afirmei, e me assustei com a rouquidão na minha voz. – Não para. – Proferi, agarrando na sua mão repousada em mim, e levando-a de novo para o meu sexo.

Senti seu corpo enrijecendo sobre o meu, e sua mão completamente estática em cima do meu centro.

– Emma. – Engoli a saliva, tentando limpar a garganta. Forcei a voz a sair límpida novamente, mas não sei se iria resultar, porque havia aquele maldito nó que ultimamente se tornara tão familiar preso na minha garganta. – Você já não me quer mais?

– O quê?

Se eu falar talvez tu negues
Me chames a dançar
Sinta o corpo a voar

Ela tremia em antecipação, na expectativa e na vontade de me receber nela. Ela me olhava na claridade amena oferecida pela luz do candeeiro do seu quarto. Eu beijei-a mais uma vez na boca, forçando o meu peso sobre ela para que ela deitasse, e me deixasse ficar por cima, distribuindo todos os carinhos inimagináveis por cada parte do seu corpo ao meu alcance.

Meus lábios desceram para o pescoço, sugando suavemente o local que se tornaria o encaixe do meu queixo um dia. Minha língua foi mais gananciosa, deixando as reservas de lado, se dirigindo para os seus seios e os contornando alternadamente no que um dia se tornaria um dos meus preferidos deleites. E minhas mãos percorreram, fazendo toda ela se arrepiar, a pele quente e macia do seu corpo que um dia se tornaria meu refúgio de todos os males do mundo.

Uma das minhas mãos se colocou entre as suas pernas, apenas tateando sua humidade, distribuindo a sua lubrificação natural por toda a extensão do seu sexo. Emma ergueu os quadris instantaneamente, procurando por um maior contacto. Arrisquei olhar para a sua face iluminada pela fraca luz do candeeiro, e a sua imagem de êxtase com os lábios entreabertos e os olhos cerrados ficaria para sempre memorizada no mais íntimo recanto da minha mente como uma das lembranças mais preciosas da minha vida.

Beijei o colo dos seus seios, sussurrando palavras de amor em baixo da sua garganta, enquanto inseria um dos meus dedos na sua intimidade. Ela se agarrou à minha cabeça, me prensando contra o seu peito, me fazendo sentir o seu coração batendo descompassado à medida que eu iniciava um ritmo constante com a minha mão num entra e sai da sua vagina.

– Você é tão linda querida. – Sussurrei contemplando-a por instantes, aproximando-me rapidamente para depositar um beijo na sua boca que nada fez a não ser empurrar a minha e abafar o gemido que estaria prestes a sair.

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

– Amor … — Ela me olhava com aquele ar preocupado de novo, retirando parte do seu peso de cima de mim, e se colocando do meu lado. – O que está acontecendo com você?

Eu a fixei sem saber que responder. A minha cabeça estava tão pesada que simplesmente não tinha forças para a levantar do travesseiro. Me sentia fervendo, como se estivesse ardendo em febre, e ao ver Emma colocando a sua bochecha sobre a minha testa, percebi que ela se tentava certificar se era essa a razão do meu estado.

– Acho que você não está com febre. – Ela disse confirmando as minhas suspeitas. – Está com dor de cabeça ainda?

– Emma, eu estou bem. – Afirmei séria, a puxando novamente para que ela voltasse com o seu corpo para cima de mim, mas ela fez força para permanecer no lugar. – Porque você não me quer mais? – Atirei, começando a temer que o meu pior pesadelo estivesse pronto a eclodir.

– Claro que eu te quero, o que você está praí dizendo?

– Então me prova. – Impus pegando na sua mão e a levando para o meu sexo diretamente. – Me prova que você continua desejando a mim e não a ele.

Ela ficou estática, me encarando sem qualquer acção, me fazendo ficar irritada no meio daquela explosão dentro do meu cérebro.

– Está vendo como o meu medo não é infundado? – Atirei com um sorriso cínico e condoído.

– Regina, se acalma, você está perturbada.

– Claro que eu estou perturbada! – Eu devo ter gritado, porque minha voz ficou ecoando nos meus ouvidos. – Você prefere aquele traste a mim! Fica aí inventando essas desculpas pra não transar comigo, mas aposto que …

– Regina, para! – Senti ela me segurando pelos ombros, sem que eu conseguisse me soltar dela. – Você está delirando.

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar

Ela se impunha, preenchendo o seu lugar contra a minha mão, enquanto meus dedos eram engolidos pelo seu centro. Seus gemidos eram abafados às vezes por um beijo meu, mas apenas às vezes, porque o som deles me causava júbilo, então eu fazia questão de os escutar entoando bem perto dos meus ouvidos.

– Querida. – Sibilei, rodeando a cartilagem da sua orelha com a língua. – Eu realmente amo você. – Sussurrei, sentindo as primeiras ondas do seu orgasmo se aproximando.

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

– Não, eu não estou. – Eu revidei, levando as mãos à testa e esfregando. – Você está mais distante de mim desde que esse… esse … — Uma náusea se veio juntar à dor na minha cabeça, e talvez a razão disso pudesse ser os chifres recentes que provavelmente nasciam na minha testa. – … me diz a verdade! Você teve uma recaída, você … — Eu não consegui terminar, começando a chorar igual a uma louca na frente dela.

– Ok, você está me assustando de verdade agora. – Ela se afastou, acendendo a luz de um dos candeeiros e buscando pela calcinha e pela camiseta antes jogadas pela cama.

– Onde você vai? – Eu perguntei, ou choraminguei porque foi mais a isso que soou a minha voz.

– Vou dormir no quarto de hóspedes. – Ela respondeu simplesmente, sem me olhar, andando na direção da porta, sem me dar mais nenhuma importância.

Escutei a porta batendo, e a minha cabeça entoando a batida com uma força avassaladora dentro do meu cérebro.

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar

Ela relaxou depois, e me abraçou, me obrigando a descansar o meu peso sobre o seu corpo levemente transpirado. Me deixei ficar no seu abraço, que por incrível que parecesse, me fazia sentir realizada apenas pelo fato de a fazer feliz. Não havia frustração, não havia pressa ou desejo de retorno da minha parte, apenas aquele momento em que eu me sentia amada, mesmo sem a necessidade de ser tocada ou na iminência de um futuro orgasmo. Aquilo me bastava. Eu poder proporcionar tanto bem-estar e felicidade a Emma.

– Hey. – Ela abria os olhos, sorridente.

– Hey. – Sorri de volta, afastando algumas mechas da sua testa húmida.

– Se eu soubesse que isso com você era tão bom eu não teria me contido por tanto tempo. – Ela confessou com um sorriso sapeco no rosto.

Eu ri alto com aquilo, estalando um beijo sonoro no seu pescoço e logo depois nos seus lábios desprevenidos, mas que rapidamente se adaptaram aos meus com uma naturalidade intrínseca, como se tivessem sido moldados para isso.

– Foi tão bom assim hein? – Eu brinquei, fingindo presunção que na verdade não existia.

Ela mordeu o lábio e assentiu com a cabeça de um jeito fofo.

– Eu quero fazer o mesmo com você. – Declarou, me beijando brevemente os lábios. – Eu quero tudo só com você.

E sem me deixar responder ela simplesmente percorreu com uma das suas mãos pelas minhas costas, prensando um dos seus joelhos contra o meu sexo, me fazendo automaticamente gemer o seu nome. E com a outra mão, ela desceu, se juntando primeiro ao seu joelho que logo passou para a minha virilha, e depois, se perdeu, e me fez perder nela para sempre conforme ela afundava aquele primeiro dedo em mim, naquela que seria a primeira noite de amor de muitas.

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

Encarei o teto naquela desgraça. Eu, nua sobre a cama, sozinha e arrasada, com uma dor muito mais do que física arrebatando as minhas entranhas.

Será que estava ficando louca? Será que seria delírio meu, obsessão no final de contas?

Levei uma mão ao peito, tentando inspirar fundo e regularizar as batidas cardíacas. As lágrimas pendiam agora silenciosas, quase estáticas pelo meu rosto quente. Estaria vendo coisas realmente onde não existiam? Será que meu medo era tão grande que era capaz de me cegar ou pior, me criar alucinações?

Fechei os olhos por segundos, perdida, quebrada, completamente condoída com o meu próprio comportamento. Talvez efectivamente Emma tivesse razão, e eu precisasse ir ao médico. Talvez aquele estado de nervos, as dores de cabeça, as náuseas, todo aquele desgaste tivesse algum fundamento de foro médico. Por mais incrível que possa parecer, eu estou certa que preferia mil vezes que fosse algo relacionado a isso, e que todas as minhas desconfianças fossem infundadas, psicóticas, do que propriamente relacionadas com uma traição real.

Dei um pulo subitamente com o som de algo vibrando sobre a cómoda. Girei a cabeça e encarei o celular de Emma. Mordi o lábio nervosa, relutante, mas ao mesmo tempo demasiado tentada a ver o remetente daquela mensagem. Me endireitei ligeiramente e estiquei o braço para alcançar o celular.

O aviso de uma nova mensagem recebida estava escrito no visor do aparelho. Abanei a cabeça, e tornei a pousar o celular no pequeno móvel. Aquilo era simplesmente errado.

Mas que mal tinha ver só quem era? E àquela hora da noite? Olhei para o relógio do outro lado. Um quarto de hora para a uma da manhã.

Tornei a pegar no celular, e abri a mensagem antes que me arrependesse. Meu coração estancou, me dando a impressão de parar por instantes. Neal.

Fechei os olhos, as lágrimas querendo toldar toda a minha visão. Percorri mesmo assim as palavras escritas que me queimavam por dentro como um fogo dos infernos profetizando o meu pior pesadelo:

Agora que reencontrei você, fica difícil ficar longe. Morrendo já de saudades.

P.S. – Eu te amo.

Notas finais
Reviews??? Oh gosh! Corre!