Notas iniciais
Olá, boa noite minha gente! =) Ai que máximo, a recomendação da Calzona SwanQueen! Muito obrigada! Ler as suas palavras de apreço, saber que nem era muito muito fã do ship e depois até está a ponto de morrer de overdose (de forma figurada!) com tanta SwanQueen na veia é completamente encantador! A-D-O-R-E-I E desculpem a demora. Desculpem também o tamanho desse capítulo =S Espero que não seja aborrecido, porque é bem grande. E obrigada a todos como sempre, sem vcs não faria tanto sentido seguramente. Boa leitura!

Estava tão inserida na análise daquela proposta de campanha para a divulgação de uma conceituada marca de calçado italiano que nem dei por Katia entrando na minha sala.

– Eu peço desculpa, eu bati na porta, mas …

– Não é necessário se desculpar Katia. – Eu a interrompi, desviando o meu olhar da minha leitura para ela com um sorriso. – Estava completamente vidrada nas ideias desenvolvidas pelo nosso colaborador aqui do departamento de marketing para este novo cliente da indústria do calçado. – Expliquei, me surpreendendo com o meu próprio entusiasmo.

Ela correspondeu ao meu sorriso, e se aproximou da minha mesa com o dossier grosso que tinha nas mãos.

– Estão aqui os documentos que me tinha pedido ontem relativos à Jimmy Choo. – Ela disse, me entregando o dossier. – E tem uma pessoa à sua espera lá fora. – Ela acrescentou com um sorriso de canto, todo comprometedor, o que me fez erguer a sobrancelha sem entender.

– Pessoa? Mas eu não tenho ninguém na agenda pra agora … — Eu baixei o olhar, procurando pelo tablet provavelmente escondido por debaixo de algum monte de papéis na bagunça que se tornara a minha mesa na última hora.

– Não me diga que sua noiva precisa de hora na agenda? – Uma voz muitíssimo familiar perguntou, invadindo a sala sem esperar convite.

Levantei a cabeça, vendo Emma toda sorridente piscando o olho a Katia, e fazendo-lhe sinal ao mesmo tempo para que se retirasse. Katia sorriu de volta, porque essa minha assistente claramente pertencia ao time Emma Swan, sendo uma das primeiras na torcida para a nossa felicidade. E até desconfio que a menina em tempos tenha tido uma paixão platónica por Emma, que confesso, sempre achara um charme. Eu adorava isso em Emma: seu jeito de cativar as pessoas à sua volta sem nem mesmo se esforçar para isso.

No entanto, e não era como se eu não estivesse feliz por ver Emma, mas naquele momento não consegui deixar de me sentir tensa com a sua presença inesperada ali.

– Sendo assim … — Katia tornou a falar, se dirigindo a mim, ao mesmo tempo que olhava para as horas no relógio no seu pulso. – Será que eu podia antecipar meu almoço? – Ela me pediu, mordiscando o lábio nervosamente, o que me fez rir.

– Namoradinho novo é? – Provoquei, deixando-a vermelha na mesma hora.

– Deixa ela amor, tem mais é que aproveitar mesmo. – Emma se meteu, praticamente colocando a moça para fora da sala, e numa questão de segundos fechando a porta com a chave.

– Você não devia ter feito isso. – Eu repreendi quando ela voltou a me encarar. – Tirou minha autoridade na frente de …

– E o que você vai fazer a respeito disso? – Ela me cortou, avançando na minha direção com um olhar predador. – Vai me dar um castigo? – Ela lançou chegando na beirada da mesa, e pousando ambas as mãos nela, como se me desafiasse. – Ou … — Ela continuou, e desta vez, contornou a mesa até chegar junto de mim, do outro lado. – Vai fugir de mim como fez esta manhã?

Estremeci. Ela se aproximou mais, me puxando pela cintura para ela, e eu simplesmente me senti encurralada.

– Emma, eu … agora tenho de … — Balbuciei feito uma imbecil.

– Inventar uma nova desculpa pra fugir de mim? – Ela insistiu, e eu realmente percebi que não iria ter escapatória. – O que você tem meu amor? – Ela perguntou num tom de voz manso, me fazendo tanto querer cair nos seus braços, no sentido figurado é claro, já que ela agora me tinha praticamente enredada nela contra a minha vontade. – Você tem me deixado tão preocupada ultimamente … — Ela suspirou, baixando o olhar. – É o casamento? – Ela perguntou, levantando novamente o olhar para o meu completamente incrédulo para o que ela dizia. – Eu sei que eu tava resistente à ideia no começo, mas Regina … eu quero que você saiba … — Ela me segurou o rosto com ambas as mãos, e eu só tentava não chorar, porque só Deus sabia o quanto aquilo me estava custando. – … eu quero que saiba que nunca houve ninguém que me fizesse tão feliz como você me faz.

Ela sorria. Eu queria sorrir junto, eu juro! Eu queria tanto me permitir sorrir com ela, mas aquele fantasma, aquelas mensagens … eu simplesmente não conseguia. Então, eu comecei a chorar, me sentindo tão ridícula como eu nunca me havia sentido antes.

– De novo não! – Ela exclamou, continuando a me segurar o rosto, chegando mais perto, encostando a sua testa na minha. – Por favor, fala o que você tem. – Ela pediu, sua voz rachando em desespero no final. – Você vai me deixar doida assim … — Apenas um murmúrio entrecortado na garganta.

Eu não aguentei mais. Minhas mãos tomaram sua rota por mim, como num piloto automático, e se dirigiram para a sua nuca, impulsionando à anulação do espaço que ainda separava as nossas bocas uma da outra. E em um primeiro momento, ela estagnou, não mexendo um único músculo do seu rosto, provavelmente pega de surpresa pela minha atitude. Mas depois, numa questão de segundos, ela correspondeu, começando a mexer os lábios contra os meus, rapidamente em busca da minha língua.

Assim que nossas línguas se encontraram, todo o excedente de medos que assombravam o meu cérebro sumiram, todas as dúvidas evaporaram, e em consequência, toda a minha pele queimou em febre, secando lágrimas e me fazendo esquentar na ânsia de a ter ali mesmo, naquela sala de escritório. E aquela vontade decididamente não parecia ser só minha, porque logo senti Emma descendo as mãos pela minha silhueta até parar mais abaixo, me apertando pelos glúteos, e me elevando levemente, à medida que me empurrava para a mesa, me fazendo sentar sobre o tampo da mesma.

– Querida … — Afastei a boca dela, esbaforida, verificando que o batom vermelho dos meus lábios agora era partilhando com os dela. – Toda a papela.. – Ela não esperou eu terminar, me atacando o pescoço feito uma leoa faminta. – Emm … — Ela me chupou a pele do pescoço, lambendo em sentido descendente logo depois, e eu me senti irremediavelmente perdida.

– Você me deixa doida vestida assim. – Ela soltou entre um beijo molhado e uma dentatinha chegando perto da gola da camisa que eu usava. Eu devo ter respondido com um som qualquer de aprovação porque seus dedos ágeis reapareceram sobre o meu peito, manejando a tarefa de desapertar todos os botões da minha camisa sem a arruinar.

Eu deixei cair a cabeça para trás, e gargalhei sonoramente.

– Se gosta tanto de me ver vestida assim … — Endireitei a cabeça, e mordi o lábio, tentando segurar o riso. Puxei-a pelas extremidades da gola da jaqueta e roubei-lhe um beijo mordido. – Porquê me quer despir logo agora? – Provoquei, afastando nossas bocas, mas sem deixar de a segurar pela jaqueta.

– Quem falou em despir? – Ela revidou sorrindo daquele jeito safado que me fazia ter a certeza que ela já pensara numa série de formas de fazer o que ela quisesse comigo sem que tivesse de me tirar a roupa. Partilhei do mesmo sorriso, pouco antes de sentir uma das suas mãos saçaricando por debaixo da minha saia preta. E olha que ela para conseguir aquela proeza naquela velocidade com a saia lápis justa que eu usava era de vangloriar. De pé.

– Tem razão. – Empurrei-a, me levantando, o que fez com que a sua expressão mudasse instantaneamente, adquirindo contornos de apreensão. – Quem precisa de se despir é você. – Concluí, erguendo a sobrancelha sugestivamente. Girei em torno dela, trocando nossas posições, mantendo-a desta vez a ela contra a mesa.

– Isso é alguma forma indireta de criticar a minha roupa? – Ela se mostrou ofendida, mas claro que de ofendida ela não tinha era nada.

Eu beijei-a de novo, descendo minhas mãos até à sua cintura e esfregando o meu corpo no dela no processo. Desviei a minha boca da sua, espalhando beijos pelas maçãs do seu rosto, queixo, nariz, e novamente, pela boca, sugando os seus lábios sofregamente, me permitindo saboreá-la por alguns instantes. Provar do gosto da sua saliva, e mesclar a minha na dela, como se tentasse no procedimento minucioso em que se tornara o beijo criar uma nova bebida para matar a sede aos desvalidos.

– Emma. – Murmurei, passando depois a língua pela rugosidade do seu lábio inferior. – Quem ofereceu essa roupa a você fui eu querida. – Respondi, sorrindo, e plantando mais um beijo nela.

– Ah! – Ela exclamou, fingindo estar surpresa. – Então o que você quer mesmo é me ver nua! – Eu abanei a cabeça, rindo da brincadeira sem graça feito uma tonta. – Que coincidência amor, eu sofro do mesmo em relação a você.

– Você é muito besta. – Eu respondi sorrindo, permitindo que ela me abraçasse completamente. – E inconveniente também. – Acrescentei, dando um tapinha na mão que ela acabara de conseguir levar de novo para a minha coxa, por baixo da minha saia preta. – Eu tenho um convite a fazer a você. – Mudei de assunto, me pendurando no pescoço dela.

– Espero que envolva matar minha fome. – Ela disse maliciosamente, me fazendo revirar os olhos.

– Se for a fome do seu estômago a resposta é sim. – Ela colocou uma carinha de desapontamento com a resposta. – Você vai gostar. – Assegurei. – Lembra daquele meu amigo Giorgio?

– O que sumiu da sua vida sem mais nem menos? – Ela ficou séria. – Ele deu notícias?

Assenti com a cabeça, desviando os olhos para a mesa em busca do celular.

– Ele esteve aqui hoje. – Expliquei, pegando no celular e marcando o número dele. – Uma longa história. Te conto no caminho pro restaurante. – Parei de falar com Emma, assim que escutei a voz de Gior do outro lado da linha. – Oi querido, sou eu, Regina. Estou ligando por causa do seu convite para o almoço. Ainda tá de pé? – Perguntei, meio incerta se seria uma boa ideia juntar Emma e Gior, principalmente agora que já tinha contado a ele sobre meus medos e desconfianças. – Sim … — Olhei para Emma, esboçando um curto sorriso. – Emma também vai. Ela tá aqui comigo na empresa. – Ele confirmou o almoço, pedindo para que o encontrássemos no Lincoln Ristorante, um dos melhores restaurantes com comida italiana em Nova Iorque. – Mas você fez reserva? Não acha melhor irmos numa pizzaria qualquer? – Eu sugeri, meio que fazendo pouco na última parte, já que eu não poderia perder demasiado tempo em um almoço naquele dia com todas as coisas que eu ainda tinha para fazer.

– Claro que eu fiz reserva. – Ele respondeu do outro lado em um tom de voz aborrecido, o que me fez rir. – E como é possível que depois de tantos anos você continue usando a piada de que todo o italiano é ossessionato por pizza?

– Porque há piadas que morrem com a gente? – Eu revidei rindo, trocando um olhar com Emma, que por sua vez ergueu a sobrancelha sem entender nada da conversa. – Não, mas sério querido … eu não posso demorar.

– Você realmente não mudou nada mia ossessionata dal lavoro*! – Exclamou daquele jeito exagerado dele.

– Não sou obcecada Gior, sou apaixonada, é diferente. – Ripostei, enquanto ele me zombava do outro lado dizendo uma porção de “si” todos impregnados em ironia. – Mas tá bom seu tonto, nos encontramos lá mesmo. Bacio querido. – Desliguei, voltando minha atenção para Emma.

– Quanta intimidade. – Emma disse com sarcasmo, se afastando de mim, e se dirigindo para o sofá do outro lado, se sentando com os braços cruzados.

Franzi o cenho, surpreendida com aquela reação dela, a princípio sem entender muito bem ao que se devia, mas depois como que se acende uma luz, eu entendi, o que me fez rir alto.

– Você tá com ciúmes Miss Swan? – Perguntei, largando o celular sobre a mesa, e me dirigindo até ela, no sofá.

– Não é ciúme. – Ela me contrariou secamente. – Apenas espantada com a rapidez com que você resolve os problemas com aqueles que te abandonam sem qualquer explicação, mas fica os evitando resolver com quem está ao seu lado. – Seu olhar queimou no meu com a afirmação, para logo depois ela baixar o olhar, e fixá-lo com ar emburrado nas botas que calçava.

– Emma .. – Chamei o seu nome em tom baixo, sem nem saber que dizer a seguir, até porque ela tinha razão até certo ponto. Mas não era só eu que não estava resolvendo os problemas que tinha com ela. Ela também estava me enganando! Da pior forma possível. Inspirei fundo, endireitando as costas e me mantendo inerte à sua frente, em pé. – Não se faça de vítima. – Atirei bruscamente.

Ela instantaneamente levantou a cabeça, me encarando com ar perplexo. E embora por momentos ela parecesse querer falar alguma coisa, ela se manteve em silêncio, me fazendo ter cada vez mais certeza das minhas desconfianças. Escutei ela largando um pesado suspiro, e depois a vi levando as mãos ao rosto, esfregando-o.

– Regina … — Ela murmurou, de um jeito abafado, porque as suas mãos estavam à frente da sua boca. Meu coração apertou. Será que ela confessaria? Recuei alguns passos, me encostando à mesa como precaução. – Não vamos brigar de novo, tá bom? – Ela pediu, e meu peito não sei se desapertou com o alívio ou decepção, por mais ilógico que a última opção assim se demonstrasse.

– Eu também não quero brigar. – Falei simplesmente. Vi ela assentir em silêncio com a cabeça, e após alguns segundos, se levantar e ir ao meu encontro.

– Você realmente fica linda com essa roupa. – Emma me disse, já perto o suficiente para me acariciar o queixo com os dedos. Ela esboçou um pequeno sorriso, e se aproximou mais, beijando a minha face suavemente. – Quer dizer que eu também fui convidada pra esse almoço de amigos?

– Giorgio fez questão de te convidar. – Respondi, me permitindo amenizar o meu semblante sério. – Vamos querida. – Peguei no celular, na minha bolsa, e indiquei-lhe a saída com um maneio de cabeça. – Te explico pelo caminho. – Ela se dirigiu para a porta, seguida por mim, logo atrás.

Saímos da empresa no meu carro, até porque Emma tinha ido até lá de moto. Aquele restaurante onde Gior tinha marcado realmente me trazia boas recordações, mas era impossível não associá-lo também à partida de Gior para longe da minha vida nesses seis anos. Havia sido lá que sempre comemorávamos juntos qualquer evento especial que acontecesse nas nossas vidas. Inclusive a última comemoração que acabou também por demarcar em simultâneo a sua saída repentina da minha vida. Mas hoje seria diferente, como um novo começo. Esse pensamento me acalentou o coração durante toda a viagem até ao restaurante, a qual aproveitei para colocar Emma a par de tudo que havia acontecido a Gior nesses anos afastado.

– E como você pensa ajudá-lo? – Emma perguntou assim que estacionei o carro.

– Eu ainda não sei, mas irei contactar os advogados para isso. – Respondi, me referindo ao caso sobre a paternidade da filhinha de Gior. – Ele já sofreu muito com isso, mas preciso me inteirar melhor de todos os detalhes dessa história pra poder ajudar. Então … — Parei por momentos de falar, enquanto retocava o batom dos meus lábios. – … eu tava pensando … — Me olhei no pequeno espelho que segurava em uma das mãos, me certificando se a cor estava perfeitamente espalhada pelos meus lábios. – … em convidá-lo pra passar uns dias com a gente lá em casa.

– O quê? – Escutei a voz dela num tom de voz indignado, o que me vez virar para ela.

– O que tem demais? – Interroguei franzindo o cenho confusa. – Ele é meu amigo e está passando por um mau momento.

– Nós também tamos passando por um mau momento. – Retrucou assertivamente.

– Estamos? – Ergui a sobrancelha desconfiada, tentando perceber ao certo ao que ela se referia, e se seria agora que ela confessaria que estava me traindo.

– Esquece. – Ela desviou o olhar, procurando por um lenço no porta-luvas para limpar o resto do batom que tinha ficado grudado na sua boca com os nossos beijos. – Vamos logo pra esse almoço que ainda tenho trabalho de tarde. – Ela continuou, comprovando através do espelho do quebra-sol que seus lábios estavam limpos.

Eu não disse mais nada, concordando apenas com a cabeça. Ela saiu do carro, e eu saí logo atrás. O restaurante ficava em um edifício envidraçado, ostentando luxo e requinte, e embora o normal fosse Emma comentar algo a respeito, salientando em como tudo aquilo era um desperdício de dinheiro, desta vez contudo ela não dissera nada, entrando comigo em silêncio.

– Miss Mills. – O recepcionista do restaurante assim que me viu me cumprimentou sem que eu tivesse de dizer uma só palavra. Eu sorri em apreço. – E … Miss Swan. – Ele acrescentou passando rapidamente os olhos pela tela do computador, verificando a reserva. Emma bufou impaciente do meu lado. – Mr. Ferraz está à vossa espera. Por favor me acompanhem. – Ele sorriu, indicando o caminho para a nossa mesa.

Não foi preciso muito para avistarmos a figura alta de Giorgio que logo se levantou para nos cumprimentar. Ele sorria abertamente, seu rosto lindo, agora livre da barba que me arranhara a pele aquela manhã. Sorri de volta, satisfeita por tê-lo de volta.

– Mio bene. – Ele se aproximou, me tocando o rosto brevemente numa carícia de leve. – Que bom que aceitou meu convite. – Ele afastou uma das cadeiras à volta da mesa redonda para que eu me sentasse. Depois, ele voltou a sua atenção para Emma, e sem que eu conseguisse evitar, senti um nervoso miudinho começando a me consumir. – Emma Swan. – Declarou, como se o nome dela fosse um título digno da realeza, e realmente, e ai eu sorri internamente, eu concordo que era. – Quanto tempo. – Vi ele pegar na mão dela e a levar aos lábios, daquela forma exagerada sim, apenas encostando os lábios nas costas da mão dela.

– E você … — Emma começou séria. – … Giorgio Ferraz, exagerado como sempre. – Ela concluiu, mas agora eu escutava uma ponta de divertimento na sua voz, e quando voltei o olhar para ela, comprovei que ela estava sorrindo.

Gior riu, penteando os cabelos castanhos com a mão, e logo puxando outra cadeira para que Emma sentasse. Antes de se sentar, ele fez sinal ao garçon, pedindo uma garrafa de Lambrusco.

– Já viram minha sorte? – Ele se virou para nós duas, enquanto se acomodava no lugar. – Almoçar com as duas mulheres mais bellas de Nova Iorque?

– Sempre galanteador. – Emma disse, sorrindo, e eu larguei o ar que nem sabia que estava retendo dentro do peito.

– Sim querido, mas será que é apenas de Nova Iorque? – Provoquei rindo. Ele assentiu, concordando, e não permitindo que o garçon enchesse os nossos copos com o vinho, ele se disponibilizou logo a cumprir a tarefa. – Com certeza mias caras. Os paparazzi perdem il conto de tanta foto.

– E por isso não poderia ter escolhido lugar melhor para isso. – Emma respondeu, irónica. – São uma praga na nossa vida, mas existe quem não consiga passar sem eles.

– Acham que a tal pizzaria seria melhor? – Gior perguntou fingindo reflexão. – Imaginem a manchete: Empresária conceituada comendo em pizzaria, claramente falida e arruinada. – E incrivelmente ele conseguia arrancar gargalhadas sinceras de Emma, acabando com toda a sua má disposição.

– Espera Gior … eu tenho uma melhor! – Me surpreendi vendo Emma se dirigindo daquela forma tão mais descontraída a ele. – Que tal: Noiva de milionária mostrando os deleites dos pobres em lanchonete de esquina?

Giorgio começou rindo sem parar, me dando um cotovelada e me piscando o olho.

– Vamos mia Regina, sua vez … — Ele se virou para mim, me incentivando a entrar na brincadeira.

– Tá bom tá bom, calma. – Pensei durante alguns segundos até que abri um sorriso e disse. – Fama em declínio? Regina Mills lambendo o molho de tomate da Margarita dos dedos.

Emma simplesmente engasgou com o gole de vinho que acabara de tomar tal foi a força que fez para reprimir as gargalhadas que queriam soltar da sua garganta. Giorgio ria sonoramente sem se importar com as pessoas à nossa volta, e eu apenas senti uma paz enorme, inexplicável, me atingido o peito, enquanto olhava aquela cena de um jeito bobo e feliz. Principalmente por Emma, e só aí eu me apercebi o quanto eu sentia falta do som das suas risadas, e de toda a naturalidade e afinidade em que se alicerçou o nosso amor.

– Estou doido pra conhecer a mulher que te deixou desse jeito. – Gior me dizia empolgado depois de eu ter estacionado o carro à porta da casa de Emma, em Boston.

– Que jeito? – Revirei os olhos, confirmando no GPS se o endereço estava correto e se o prédio era mesmo aquele.

– Innamorata. – Respondeu.

– Eu não estou apaixonada. Já falei pra você parar com isso. – Procurei pelo espelhinho na minha bolsa para ver se estava bem. – Você não acha que esse tom de batom é muito forte para a ocasião? – Perguntei, minha atenção desviada por momentos pela cor do meu batom no reflexo do espelho.

– E qual é a ocasião afinal? – Ele revidou sorrindo trocista, e eu bufei, chateada.

– Vamos de uma vez. – Fechei o espelho, e saí do carro.

Toquei à campainha em baixo do prédio, e parecia que tudo estava certo, era o endereço certo. Escutar sua voz através do altifalante já me tinha deixado com os nervos à flor da pele, então nem queria pensar como seria quando voltasse a vê-la cara a cara. Era questão de segundos. Subimos pelo elevador. Era o último andar.

– Mio bene, você tá me deixando nervoso. – Gior pegou nas minhas mãos e as apertou. – Seja qual ocasião for, eu tou com você. Certo?

– É disso que tenho medo. – Confessei, com um sorriso fraco. – Não vai aprontar. Promete?

– Prometo amor mio. – Me beijou a mão, largando-a logo para abrir a porta do elevador que acabara de chegar no andar de Emma. – Até porque eu acho que quem tem de aprontar hoje é você.

– Idiota. – Passei por ele, dando-lhe um encontrão propositado, enquanto ele ria.

Toquei uma vez. Nada de abrir a porta, toquei de novo. Troquei um olhar com Gior, que me segurou no braço no mesmo instante porque ele se apercebeu que eu estava quase dando meia volta e indo embora.

– Desculpe a demora! – Emma abriu a porta apressada. Suas bochechas rubras, os cabelos molhados, e apenas um robe branco vestido. – Não sei como falar isso, mas tá tudo atrasado. – Ela disse, encabulada. – Mas por favor, entrem. – Ela se afastou, fazendo sinal para que a gente entrasse.

Eu sorri timidamente, e ia avançar quando uma vozinha infantil soou logo atrás de Emma.

– A moça bonita chegou mamãe? – O menininho, filho da loira, Henry, perguntou, esfregando os olhos com cara de sono.

– Henry! Era pra você tar dormindo já. – Emma repreendeu, mas ela sorria. – Teve um sonho ruim meu amor?

– Não, mas eu quero jantar com vocês! – Ele exclamou animado voltando sua atenção para mim. – Ela também é minha amiga. – Ele apontou o dedo acusatoriamente na minha direção.

Eu comecei rindo, encantada com aquele menino mais uma vez. Emma abanou a cabeça com um sorriso e se voltou para mim e olhou pela primeira vez para Giorgio que estava um pouco mais atrás.

– Vejo que veio com seu namorado. – Ela disse, e Gior tossiu, tentando conter o riso. – Prazer, Emma Swan. – Ela estendeu a mão para ele para que ele a apertasse, mas em vez disso, ele recolheu-a causando surpresa em Emma, levando a mão dela aos lábios, o que me fez revirar os olhos.

– Il piacere è tutto mio.* – Ele respondeu gentilmente, encostando os lábios nas costas da mão dela. – Giorgio Ferraz ao seu dispor.

– Italiano? – Emma indagou sem deixar de sorrir, mas retirando a sua mão rapidamente.

– Não ligue querida. Esses descendentes de italianos têm muito a mania. – Eu revidei, deixando Gior indignado para trás. – E antes de mais, boa noite. – A cumprimentei com um breve beijo no rosto. – Não se preocupe com o atraso, não tem qualquer problema. – Me virei para o garotinho que olhava tudo com um olhar curioso. – E boa noite também pra você menino Henry. – Pisquei-lhe o olho e ele sorriu.

– Boa noite. – O menino respondeu baixinho, repentinamente envergonhado.

– Mas fiquem à vontade. – Emma falou, indicando a pequena sala de jantar do apartamento. – Eu vou só colocar uma roupa e já já sirvo o jantar. – Ela acrescentou já saindo para o hall novamente. – Vão querer tomar alguma coisa? … quer dizer, não tem grande coisa, mas … — Ela tornou a ficar encabulada.

– Não se preocupe, estamos bem assim. – Me antecipei a assegurar, não fosse Gior pedir uma bebida dispendiosa qualquer. – Vá tranquila, Henry vai-se comportar direitinho, não é querido? – Me virei para o garotinho que se tentava pendurar numa das cadeiras da mesa de jantar. Ele parou as suas pequenas acrobacias assim que eu dirigi a pergunta a ele e desceu da cadeira, assentindo com a cabeça com um sorrisinho sapeco.

– Tudo bem. Obrigada. – Emma sumiu da nossa vista, provavelmente em direção ao quarto dela para se arrumar.

Logo depois, Giorgio se aproximou de Henry calmamente e sorriu.

– Então … — Ele começou, puxando uma das cadeiras da mesa e se sentando. – Henry … cadê seu pai?

– Giorgio! – Eu repreendi, chegando junto deles os dois. – Não seja indiscreto.

O menino não disse nada, mas baixou a cabeça com ar triste.

– Meu amor, não ligue para ele. – Falei meigamente, levantando o queixo da criança. – Ele não fez por mal. Com certeza seu pai trabalha muito e …

– Eu não tenho pai. – Henry respondeu, desta vez, espantosamente indiferente. – Só minha mamãe linda. – Ele sorriu e se voltou a empoleirar no encosto da cadeira.

Escutei Gior rindo e murmurando um baixo “vai que é tua” de uma forma completamente desnecessária. Lancei-lhe um olhar de reprovação e me apressei a alcançar o menino que mais um pouco e cairia no chão.

– Cuidado querido. – Peguei nele e o coloquei no chão em segurança. – Você assim ainda se machuca.

– Mamãe nunca deixa eu me machucar. – Ele disse rindo, e saiu correndo para fora da sala.

– Pai ele não tem. – Gior começou falando ao meu lado. – Resta saber se a concepção da criança se deu por obra del santo Spirito Divino ou se o macho deu à sola.

– É impressionante como você consegue ser tão vulgar às vezes. – Atirei, dando-lhe um tapa no ombro.

– Isso doeu! – Ele reclamou, me puxando para o seu colo. – Mio bene, tou começando a achar que esse seu mau humor e toda essa tensão se deve à falta de …

– O jantar vai ser … — Emma parou à entrada da sala, embasbacada momentaneamente pela situação presenciada. – … servido agora. – Ela concluiu sem graça.

– Emma, nos desculpe. – Me apressei a levantar do colo de Gior. – É que Gior às vezes se comporta como uma autêntica criança.

– Imagina. – Ela sorriu, abanando a cabeça, parecendo desvalorizar qualquer mal-entendido. – Deve ser difícil mesmo pro seu namorado manter as mãos longe de você.

Eu fiquei perplexa, sem saber o que responder. Será que estava vendo coisas ou interpretando-as de forma equivoca? Mas aquela declaração dela realmente poderia conter alguma insinuação escondida, ou não?

– Não precisa ficar constrangida. – Ela continuou, cortando o silêncio. – Se percebe ao longe o quanto vocês se gostam. – Ok, agora eu teria mesmo de desfazer aquele mal-entendido.

– Sim, a gente se gosta muito mesmo. – Reagi, começando a explicar. – Mas não é do jeito que você está pensan …

– Sim, Emma Swan. – Gior se meteu com uma falta de noção arrebatadora. – Até porque mia Regina aqui pra demonstrar o outro tipo de amor prefere outras coisas. Capisce? – Ele acrescentou a última parte todo malicioso, com um sorriso idiota no rosto.

Emma abriu a boca, mas voltou a fechá-la sem conseguir dizer nada. Eu não sabia se batia em Giorgio ou se me metamorfoseava em toupeira e cavava um buraco no chão para desparecer dali.

– Ele disse capixeeee! – Henry chegou gritando, completamente alienado do constrangimento sentido na sala. – Capixeee, capixeee! – Ele abraçou a mãe por trás todo sorridente. – Você capixeeee mamãe? – Ele perguntou rindo sem parar pelo jeito como a palavra italiana soava.

– É filho …. – Emma fixou o olhar no meu, me fazendo estremecer. – Acho que eu capixeii sim. – Ela respondeu, sorrindo para mim, mostrando que não havia qualquer tipo de preconceito pela revelação feita por Giorgio sem o meu consentimento há segundos atrás.

– Meu estômago não aguenta mais. – Emma disse, limpando a boca ao guardanapo. – Mas estava tudo delicioso. – Ela sorriu, e se inclinou mais para mim. – Eu vou ter de ir agora amor. Pego um táxi. Mas vou esperar por você pra jantar em casa. – Ela me beijou o rosto demoradamente, e antes de se afastar completamente, sussurrou perto do meu ouvido. – Você hoje não me escapa. – Senti um arrepio percorrendo desde a nuca até à lombar como era habitual sempre que ela me provocava daquele jeito. – Giorgio, foi um enorme prazer te rever, de verdade. – Ela se virou para Gior que tinha um olhar bastante comprometedor no rosto. – Espero que não suma de novo hein? – Ela espicaçou, mas não havia malícia no seu tom de voz. Se levantou, se despedindo dele com uma palmadinha nas costas, e antes de ir embora, me piscou o olho sorrindo, e deu as costas, saindo apressada.

– Vamos fala! – Eu exigi, encarando Gior assim que Emma sumiu do meu ângulo de visão.

– O que você quer que eu fale? – Ele perguntou rindo.

– Oh nem adianta desconversar, eu conheço bem esse seu olhar. Vamos … o que foi?

– Impossível ela estar te traindo. – Ele afirmou com convicção. – Ela continua tão apaixonada por você como você por ela. É de fazer inveja na verdade. – Ele deu um gole no café calmamente, me deixando por segundos com os meus pensamentos.

– Eu preciso de tirar essa história a limpo Gior. – Declarei séria. Ele assentiu com a cabeça.

– Do que você precisa mio bene? – Questionou de forma amável.

– Preciso que você vá hoje comigo a Brooklyn. – Proferi firmemente, certa que enquanto não confrontasse aquele homem, aquele fantasma, minha cabeça não me iria dar uma trégua, e isso poderia significar perder o amor de Emma para sempre.

Notas finais
Tradução: * mia ossessionata dal lavoro! - minha obcecada pelo trabalho! * Il piacere è tutto mio. - O prazer é todo meu. Qualquer outra dúvida, já sabem! ;)