Notas iniciais
Olá leitores adorados =) Pois é ... tenho consciência que talvez o rumo dessa história esteja adquirindo contornos demasiado tensos e complicados, em que nossas protagonistas se distanciam uma da outra, e isso poderá afastar a quem procura uma história diferente. Todavia, necessito ser fiel ao que tenho em mente, e por isso o presente capítulo também seguirá a mesma linha do anterior: Tensão. xD Relaxem aos que continuarem comigo, pois eu também adoro beijos e abraços, amor no coração e noites de paixão. É uma roda viva de emoções, em que o bom só será beneficiado em detrimento do mau, mas para isso, automaticamente o mau terá de co-existir nessa fração. Nossa, e como estou chata hoje rsrsrs Obrigada a todos pela paciência do costume =) Boa leitura!

Já passava da hora de almoço, e tirando o fato de eu ainda não ter almoçado, com certeza meu dia nem estava tão ruim como eu esperava que ele fosse ficar. Consegui remarcar a reunião que havia perdido de manhã, e felizmente, sem grandes implicações no que dizia respeito às relações de cordialidade com a Gucci. Os relatórios estavam lidos, relidos e assinados, e agora apenas precisava chamar Katia para os entregar.

Chamei-a pelo telefone, e enquanto esperei que ela entrasse, passei os olhos rapidamente pela ementa do dia on-line do restaurante que ficava a cem metros dali.

– Miss Mills. – Levantei os olhos da tela do computador quando ouvi a voz de Katia vinda da porta.

Ela se manteve estática e com uma postura bem distante e rija, aguardando as ordens que eu lhe daria, e aquilo decididamente não me deixava confortável.

– Por favor. – Me levantei e fiz-lhe sinal para se aproximar. Me sentia muito mais calma agora que havia retomado o controlo das tarefas da empresa, fazendo com que fosse agora mais fácil enxergar o meu comportamento demasiado rígido para com ela naquela manhã. – Talvez eu tenha sido demasiado brusca com você esta manhã. – Tentei esboçar um sorriso ameno, mas até isso fazia aumentar a dor na minha cabeça. – Vamos esquecer o que aconteceu? – Pedi de forma sincera.

Ela fixou o olhar em mim durante alguns segundos, mas acabou por esboçar também um pequeno sorriso, e isso de alguma forma ajudou a tirar algum do peso que eu estava sentindo.

– Claro Miss … — Ela parou ao ver o meu semblante de reprovação. — … Regina. – Eu sorri com a correção que ela fez. – Eu entendo o seu lado. É muita coisa pra gerir.

– O que eu faria nessa empresa sem você? – Eu soltei uma risada com a minha própria piada. Tornei a olhar para o computador e virei a tela para ela poder ver. – E se fôssemos almoçar as duas? Ouvi falar que eles têm umas almôndegas de peixe deliciosas. – Indiquei a imagem on-line bastante apelativa que ilustrava o cardápio.

– Hmm … — Vi ela hesitar e franzi a testa em confusão. Ela olhou para o relógio de pulso e esboçou uma careta que eu não entendi logo ao que se devia. — … eu já almocei, não sei se já se deu conta mas são três e meia da tarde.

– Ah sim, deve estar quase na hora do lanche mesmo. – Eu acabei rindo, o que sempre serviu para que eu descontraísse um pouco. – Então se considere como minha convidada para um super lanche na lanchonete aqui de baixo. – Pisquei o olho para ela e fui pegando rapidamente nas minhas coisas, e logo me dirigindo até ela que se mantinha a poucos metros da porta.

– Tudo bem, já que é minha chefe que está mandando. – Ela brincou, pegando no monte de relatórios que eu lhe entreguei ao passar por ela.

– Convidando. – Eu corrigi, deixando ela passar para fora do escritório à minha frente. – Mas será que eu tenho sempre de corrigir você?

– Um dia eu aprendo. – Escutei ela respondendo também de forma descontraída, se dirigindo até à sua mesa.

Olhei as horas no celular enquanto deixei Katia por alguns minutos tratando do envio dos relatórios. Mordisquei o lábio meio nervosa quando vi três ligações perdidas de Emma. Será que ela já estava sabendo daquele escândalo?

– Não têm nada pra fazer não? – Atirei para dois funcionários bisbilhoteiros que cochichavam a um canto. Mas é claro que Emma já sabia, se ali parecia que ninguém falava de outra coisa.

Fiz cara feia, e tudo aparentava de novo normalidade, o que claro, eu não me enganaria, era apenas o medo de perder o emprego que calaria na minha frente as fofocas. Tirando isso, não poderia fazer mais nada. Me sobressaltei com o toque do celular na minha mão, e me surpreendi ao mesmo tempo que me preocupei ao ver o nome Henry no visor.

– Oi querido, está tudo bem? – Perguntei logo ansiosa.

Pode vir me buscar na escola? – O escutei perguntar com a voz estranha.

– Te buscar? Mas sua última aula não terminava às seis?

– Sim …

– O que está acontecendo Henry? – Estava ficando alarmada com os modos dele.

– Não estou me sentindo muito bem. – Sua voz soava baixa, como se ele tivesse quase segredando para ninguém escutar. – Liguei pra mamãe pra ela me vir buscar, mas ela falou que não podia e que ia-te ligar …

Quase sem me dar conta, senti uma sensação grande de alívio pelo que ele me revelou sem se aperceber. Isso provavelmente quereria dizer que as ligações de Emma que eu não atendi se deviam a Henry e não àquela notícia.

– Tá bom meu amor. Eu vou já pra aí. – Desliguei a chamada.

– Algum problema? – Escutei Katia perguntar atrás de mim tocando o meu ombro.

– Meu filho me ligou. Não está se sentindo bem … — Respondi a ela já procurando pelo nome de Emma na agenda do celular. – Me desculpa, mas nosso lanche vai ter de ficar pra amanhã.

– Não se preocupe. Fica pra depois. – Ela sorriu, me fazendo sinal para ir sem me preocupar.

Fui andando para fora da empresa com o celular no ouvido, esperando Emma me atender. Ela não estava me atendendo por mais que fosse grande a minha insistência. Tentei uma última vez, já entrando para dentro do meu carro. Ela rejeitou a chamada, e só aí desisti. Era meu sinal para saber que ela realmente deveria estar ocupada, então mais uma vez suspirei de alívio e encarei isso como um sinal em como tudo estava bem com ela.

Arranquei com o carro, mas não sem antes parar por breves segundos ao lado de um dos seguranças e mandar a ele que chamasse a equipe de reparações para endireitar o “U” na fachada do edifício.

Quando estava quase chegando para buscar Henry reconheço o número da diretoria da escola dele no visor do celular chamando. Sem perder tempo atendi no alta voz já preocupada pelo que podia ter sucedido com meu menino.

– Alô?

– Miss Mills, fala da diretoria da escola de Henry…

– Sim, eu sei. Aconteceu alguma coisa? – Cortei com urgência.

– Tenha calma, tudo está controlado agora, mas …

– O que aconteceu com Henry? – O desespero era nítido na minha voz enquanto chegava com o carro junto aos portões principais da escola.

– Seu filho se envolveu numa pequena briga e …

– Como? Ele está bem? Mas eu falei com ele há pouco pelo celular.

– Sim, está bem agora, apenas um sangramento leve no nariz, mas está sendo cuidado na enfermaria.

– Mas como isso foi acontecer? Quer saber, eu estou entrando agora aí, vou desligar … falamos dentro de segundos. – Desliguei completamente fora de mim, já pisando firme com o salto alto dentro do edifício escolar.

A primeira coisa que fiz foi dirigir-me à enfermaria desnorteada, embora a diretora já me tivesse informado que a situação não era grave, mas eu precisava confirmar com meus próprios olhos.

– Henry! – Chamei alarmada, sem nem bater na porta, o que fez com que a auxiliar de enfermaria me olhasse torto, mas nem quis saber. – O que aconteceu?

– Não foi nada. – Ele disse simplesmente com um curativo para estancar o sangue prensado no nariz. – Eu quero ir pra casa. – Ele pediu sem me olhar direito nos olhos.

Me dirigi a ele e o abracei. Olhei para a auxiliar que me olhava com reprovação e saí com meu filho sem dirigir uma única palavra aquela mulher.

Estávamos quase pisando fora da escola, quando uma voz me chama, me fazendo virar.

– Miss Mills, posso dar uma palavrinha consigo? – Era a diretora, uma mulher demasiado magra, baixa, e sem cor no rosto.

– Não pode ficar pra outra hora? – Perguntei, fazendo sinal para Henry, esperando que ela entendesse que agora o que eu menos queria era conversar com ela.

– Receio que se ficar pra outra hora, mais uma nova “palavrinha”… – E ela fez o sinal de aspas com as mãos de uma forma cínica. — … precisará ser falada …

Fleti a sobrancelha com aquela insinuação despropositada da mulher, mas achei melhor concordar. Pedi a Henry que esperasse na recepção da escola por alguns minutos, prometendo não demorar, e segui a diretora para o gabinete dela.

– Diga rápido, meu filho claramente não se encontra bem e eu não posso perder o meu tempo com coisas inúteis. – Falei sem meias medidas quase de forma rude assim que fechei a porta do gabinete atrás de mim.

– Curioso justamente ser a senhorita falando que não pode perder o seu precioso tempo com coisas inúteis. – E lá estava ela com aquela ironia impregnada nas suas palavras. Sem que eu pudesse responder, ela atirou para cima da mesa sem rodeios com uma série de revistas em que só depois eu reconheci que a minha imagem era capa.

– O que significa isso? – Perguntei secamente.

– Isso .. – Ela pegou numa das revistas e folheou-a, até parar na página que lhe interessava. – É a sua irresponsabilidade enquanto mãe … se é que eu posso chamá-la assim. Infelizmente, Miss Swan estava incontactável. – Ela acrescentou a última parte com uma ponta de veneno na voz.

– Mrs. Smith, como a pessoa educada que eu sou, nem vou perder o meu tempo respondendo-lhe à altura … — Me aproximei dela, pegando na revista que ela tinha estendido para mim. — … é que sabe, correria o risco de dar um jeito ruim nas costas, tamanha seria a distância a que me teria de baixar. – Ironizei da mesma forma que ela usava sempre para falar comigo. – E quanto a estas notícias … — Passei os olhos brevemente pelas calúnias habituais naquela revista que a comunicação social inventava sobre mim, e reprimi a vontade de rasgar aquelas páginas. — … se são o motivo que arranjou para me atacar, eu dispenso. Agora se tem algo realmente importante a me falar sobre o meu filho, eu agradeço que vá direta ao ponto. – E joguei a revista sobre a mesa de qualquer maneira, cruzando os braços.

Ela sorriu de forma debochada, o que me deu nervos.

– Será que não entende Miss Mills? – Franzi a testa, esperando ela continuar. – A sua vida mediática não é compatível com a vida de um jovenzinho prestes a entrar na adolescência. Já não basta obrigá-lo a viver com o fardo de ter duas mães, e ainda quer sujeitá-lo a mais esse constrangimento?

Aquela mulher não podia estar falando sério! Meu sangue ferveu e eu realmente tive de me segurar para não tacar um soco na cara daquela mulher nojenta. Em vez disso, respirei fundo, segurei uma tontura rápida que passou pelo meu corpo trémulo, e esbocei um sorriso cínico.

– Sabe realmente o que eu não entendo? – Ela esperou eu continuar. – Como um ser medíocre como você pode estar à frente de uma instituição de ensino desse nível a que eu inclusive faço doações mensais para que não falte nada na educação desses alunos. Mas ainda bem que acabou de me prestar este pequeno esclarecimento.

– O que quer dizer com isso? – Seu sorriso murchou completamente.

– Oh não se preocupe Mrs. Smith. – Falei com sarcasmo descruzando os braços e já me preparando para sair. – Meus advogados entrarão em contacto com a senhora para lhe explicar com detalhes. – Abri a porta, e antes de sair ainda acrescentei friamente. – Tenha um resto de boa tarde.

Nem sei como consegui me manter em pé na frente daquela mulher horrível, porque assim que saí pelo corredor tive de me sentar por alguns segundos num dos bancos do recinto. Fechei os olhos, tentando fazer com que tudo parasse de rodar. Respirei fundo várias vezes até abrir novamente os olhos e me conseguir levantar devagar.

Fui caminhando até onde estava Henry e tudo parecia estar de novo bem. Encontrei-o na recepção cabisbaixo, e meu coração apertou. Segui com ele até ao carro, e comecei dirigindo até casa.

– Quer me falar o que aconteceu? – Perguntei com a voz calma enquanto dirigia, embora me sentisse nervosa por dentro.

– Não foi nada. – Murmurou olhando para fora através do vidro.

– O sangramento no seu nariz diz o contrário. – Ele não respondeu. – Quer parar em algum lugar para comer alguma coisa?

– Não tenho fome.

– Henry …

– Foi só uma briga tá bom?! – Ele se virou para mim chateado. – Uns bobocas lá no recreio ficaram falando umas idiotices. – Ele cruzou os braços, se agarrando mais à mochila sobre o colo.

– O que eu te falei sobre não brigar? Você está cansado de saber que não deve …

– Defender a minha mãe? – Ele lançou com raiva, me cortando.

Acabei por parar o carro e estacionar numa vaga qualquer por onde estávamos passando. Desliguei o carro, e olhei para ele, séria.

– O que disseram eles? – Perguntei, fazendo ele olhar para mim.

– Que você ainda nem tinha casado e já estava pulando a cerca … — Ele acabou baixando o rosto, e num fio de voz acrescentou. — … isso é verdade?

– Verdade … — Eu repeti para mim, tentando assimilar o que ele quis dizer, e me dando conta, quase gritei a resposta. – Oh Henry, claro que não meu amor!

Ele levantou o rosto e me lançou um olhar culpado por ter duvidado, nem que tivesse sido por uma fração de segundos.

– Desculpe.

– Querido, você não tem que pedir desculpas. – Eu estiquei o braço e acariciei a sua mão. – A culpa disso tudo é minha … — Confessei com o semblante baixo. — … Eu amo tanto você e a sua mãe, você sabe disso não sabe?

Ele esboçou um pequeno sorriso e assentiu com a cabeça.

– Podemos parar na Maggie Moo's pra tomar um sorvete? – Ele perguntou com um novo ânimo. Eu sorri de volta, retirei a minha mão da sua e voltei com ela ao volante.

– Claro que sim querido. – E tornei a ligar o carro para irmos à sorveteria.

Notas finais
Ahhh, antes que esqueça: Bom Carnaval! ahahah =P