Notas iniciais
Olá =) Antes demais preciso agradecer muito aos leitores que dispensam algum do seu tempo para me deixar um comentário em cada atualização, principalmente pelas palavras de grande incentivo e apoio relativas ao capítulo anterior. Fiquei profundamente feliz (e aliviada) por ver que mesmo a história estando seguindo um rumo cheio de complicações e tudo mais, vocês ainda assim depositam a vossa insanidade... ups, confiança, quero dizer! na minha mente criativa. =P Brincadeira. Essa fic é um presente que a minha mente lá resolveu me oferecer, então, nada mais justo do que partilhá-la com vocês, pelo menos até a fonte secar ahahah ... ok, next, lol Boa leitura! ;)

Ainda era cedo quando cheguei a casa com Henry, e meu celular não me deixava esquecer todos os meus afazeres e todos os compromissos que eu tinha na empresa, mas Emma ainda não tinha chegado, o que não me deixava alternativa a não ser ficar com o nosso filho em casa. Nessas horas eu agradecia de verdade por ter uma pessoa tão competente trabalhando para mim como era Katia. Decididamente teria de pensar na promoção futura que lhe daria, até porque se não fosse por ela segurando as pontas para mim nessas horas, eu provavelmente daria em doida. Após ligar-lhe dando algumas indicações do que ela precisava fazer na minha ausência, decidi tomar o tal banho de banheira para tentar relaxar dos eventos sucedidos do dia.

Henry parecia mais tranquilo depois do sorvete, e embora eu tivesse consciência que uma conversa se fazia necessária com ele, achei melhor deixá-lo sossegado por agora. Iria esperar Emma chegar para conversarmos, o que não seria nada fácil. Só de pensar na conversa que teríamos que ter já ficava tensa e ansiosa. Primeiro, porque nem sabia ao certo se ela teria tomado conhecimento do último escândalo envolvendo a minha pessoa, e segundo, porque assim que ela soubesse da briga de Henry na escola, com certeza seria mais um motivo para uma briga entre nós. Suspirei, enquanto subia as escadas e me dirigia ao quarto.

Deixei a banheira enchendo com água quente enquanto me livrava de todas as peças de roupa. Coloquei depois alguns sais de banho perfumados na água e devagar fui entrando, primeiro com a ponta do pé, testando a temperatura da água, depois com o resto do corpo, me adaptando à quentura depositada ali que até embaciava os vidros todos do banheiro. Sentindo as pálpebras pesadas, meus olhos foram sucumbindo ao cansaço e foram se fechando.

A sensação da água quente banhando o meu corpo era tão confortável que aos poucos fui sentindo toda a tensão se desvanecendo, até que depois de algum tempo, minutos talvez não sei, perdi a conta, senti algo macio me acariciando um dos ombros. Soltei um suspiro de agrado, sem abrir os olhos, apenas usufruindo daquele carinho que se ia estendendo ao outro ombro, depois à minha nuca, e por cada pedaço de pele não submersa pela água.

– Hmmm … Emma … — Ronronei me contorcendo ligeiramente na banheira. – Senti a sua falta …

Ela não respondeu, em vez disso, senti a sua mão roçando pelo meu ombro e adentrando a água, descendo pelo braço. Inclinei a cabeça um pouco para trás e sorri, sentindo os seus lábios no meu pescoço, chupando perto do osso saliente da clavícula.

A sua mão massageou um dos meus seios, mas apenas brevemente, pois logo continuou descendo apressada. Tocou a minha intimidade completamente afogada pelo nível da água, e ficou lá, passando a palma da sua mão no sentindo avesso aos ponteiros do relógio. Vez ou outra mudava o sentindo, e me tocava com um dos dedos aplicando uma maior pressão no clítoris cada vez mais revelado. Minha boca se encontrava entreaberta, relaxada, a cabeça pendente para tás, acho que encostada agora nela, que me abraçava por trás, me fazendo senti-la contra mim, tocando cada milímetro molhado da minha pele. Ela me puxava mais para baixo, fazendo com que apenas a minha cabeça se mantivesse fora da água. Senti seus lábios molhados pela água me beijando o ombro, depois algo mais esponjoso, sua língua, percorrendo o espaço reservado ao encaixe do seu rosto no meu pescoço.

Gemi, descendo a minha mão até à dela no meu centro, e senti ela me invadir como uma correnteza que te atravessa e te leva à outra margem. Nos balançámos, chapinhando alguma da água para fora. Eu soltei uma risada mesclada num gemido quando ela tornou a tocar o clítoris e balançou mais a água para fora.

– Emma … vamos molhar todo o banheiro … — Murmurei sem deixar de rir e de me contorcer. – Você trancou a porta? – Perguntei ainda com os olhos fechados, enquanto ela aplicava mais força ao movimento daquele dedo. – Henry está …

– Regina!! – Escutei a voz dela num grito, me fazendo sobressaltar e abrir os olhos de rompante.

Olhei ao redor meio desnorteada, me dando conta que estava sozinha na banheira e que a mão no meu sexo era na verdade solitariamente a minha. Me apressei a retirar a minha mão dali, e a sair da banheira, procurando rapidamente por uma toalha, enquanto senti os passos de Emma chegando mais perto.

Assim que saí do banheiro a vi entrando no quarto e fechando rapidamente a porta atrás de si. Dava para ver ao longe que ela estava chateada, e que não fazia questão de o esconder.

– Eu avisei tanto a você … — Ela começou andando de um lado para o outro à minha frente, sem conseguir me encarar. Talvez ela achasse que se olhasse direito para mim, mais depressa explodiria de raiva. — … como você foi deixar a suas merdas mexerem com Henry? – Ela finalmente me encarou, e a raiva que eu vi no seu olhar me fez estremecer. – Uma coisa sou eu, agora o meu filho …. Pelo amor de Deus Regina! Sabe que mais? Eu estava certa em não querer aceitar esse casamento, toda essa exposição da sua vida, tudo isso … — Ela parou de falar ao ver o estado em que eu estava. Precisei me agarrar à ombreira da porta do banheiro para não cair, porque estava vendo tudo rodopiando de novo.

Ela respirou fundo, esfregando o rosto com as mãos e se sentou na beirada da cama. Ficámos em silêncio por algum tempo, sem conseguir trocar uma única palavra. Todavia quando a tontura pareceu amenizar, eu me aproximei dela, e me sentei ao seu lado, ainda enrolada na toalha.

– Emma … — Falei em tom baixo sem nem saber por onde começar. — … eu sei que devia ter te contado de ontem …

– Quer dizer que realmente havia algo a contar? – Ela se virou para me olhar, verdadeiramente surpreendida. – Você foi pra cama com aquela mulher, é isso que está me dizendo? Por isso você estava estranha ontem! – Ela deu uma espécie de soco no ar, e se levantou abruptamente me dando as costas. – E você ainda vem me falar de stress …

– Não foi nada disso! – Eu reagi, me levantando também e a puxando pelo braço para que ela voltasse a olhar para mim. – O que eu quis dizer foi que ela estava lá pra isso, mas Emma! – Eu a obriguei a me olhar, segurando o seu rosto nas minhas mãos. – Eu não tive culpa, não aconteceu nada, ela tentou, mas não aconteceu nada! – Meu desespero era visível, juntamente com as lágrimas que surgiram beirando os meus olhos.

Ela me encarou fixamente, respirando pesadamente, com o indício de lágrimas também reluzindo nos seus olhos verdes.

– Regina … — Ela segredou como em um sopro cansado. — … eu não sei até quando isto pode resultar …

Meu coração apertou tanto, mas tanto com aquelas palavras segredadas que um nó enorme e grosso se instalou bem no meio da minha garganta me fazendo arfar e dar um passo atrás, largando-lhe o rosto.

– O que você está dizendo? – Abanei a cabeça de forma fraca, e me sentei outra vez na beirada da cama, sem que minhas pernas conseguissem suportar o peso do meu corpo. – Emma … foi tudo um mal-entendido …. – Sussurrei com a primeira lágrima escorrendo pelo meu rosto empalidecido.

– Mas sua vida é cheia desses mal-entendidos. – Ela respondeu séria. – Sabe … eu acho que mesmo que você não pertencesse a esse mundo, não seria diferente.

– Você não pode estar falando sério. – Eu revidei contra aqueles disparates que ela estava dizendo.

– Você não faz de propósito, eu sei … mas é um íman que você tem, você simplesmente joga um sorriso e o mundo cai aos seus pés. E eu tento há muito tempo aprender a lidar com isso, mas eu sinceramente não sei se alguma vez vou conseguir.

Eu fiquei escutando aqueles absurdos como se estivesse vivendo uma realidade alternativa. Meu relacionamento com Emma não era uma coisa impensada, momentânea, fugaz ou imatura. Não, nada disso. Nós havíamos construído um contexto familiar repleto de segurança e suporte. Não era apenas um namoro, um passatempo … Henry era nosso filho, não apenas dela. Nós eramos uma família. Nós somos! E porquê agora, por causa de mais uma mentira maldosa do exterior, ela estava pondo tudo em causa dessa forma?

Ela continuou me atacando, porque era isso que parecia que ela estava fazendo, me dizendo que eu no fundo gostava de toda aquela atenção, de me sentir desejada, cobiçada, e mais quatrocentas tolices iguais ou piores a essas. Só sei que comecei mais uma insuportável vez vendo tudo rodando, e escutando a voz dela ficando cada vez mais longe, tudo parecia misturado com tudo, e de repente tudo virou negro.

Emma estava absolutamente de tirar o fôlego naquela noite. Era muito raro vê-la com um vestido, mas dessa vez, ela tinha cedido às minhas vontades e aceitado o presente que eu havia-lhe oferecido: uma peça única e delicada desenhada propositadamente para ela pela designer de moda, e minha querida amiga, Alice Temperley.

Era um vestido na cor marfim bastante romântico e casual, que assentava divinamente bem no corpo de Emma. Dava-lhe um ar bastante descontraído e jovem, fazendo a cor dos seus olhos sobressair na cor clara do vestido. Os seus cabelos loiros entrelaçados numa pequena trança na lateral da sua cabeça, deixando as restantes mechas soltas, incutiam na figura dela a própria personificação de uma bela e estonteante deusa grega.

– Estão me olhando esquisito. – Ela havia acabado de sussurrar no meu ouvido ao entrar ao meu lado no restaurante.

– Querida .. – Enlacei o braço dela no meu, e continuei andando com ela para dentro do estabelecimento requintado onde tínhamos marcação para jantar. — … Estão olhando você “esquisito”… — Repeti a expressão dela divertida, soltando uma risada curta. — … porque estão com dificuldade em segurar a baba. Você está absolutamente deslumbrante. – Pisquei para ela cúmplice, o que a fez sorrir.

Durante todo aquele jantar, não consegui tirar os olhos dela por um único segundo. Meu coração balançava dentro do peito com a harmonia que era a sua voz, as suas risadas, o seu brilho interior. Havia decidido que Emma era a mulher da minha vida, não conseguia imaginar nem meu presente, nem meu futuro sem ela. Havíamos construindo tanto durante os anos que estávamos juntas, partilhando os cuidados e educação de Henry, e nada nunca me havia preenchido tanto como aqueles dois na minha vida.

– Amor .. – Chamei a sua atenção enquanto ela se deliciava com o Bavaroise de Morango. – Eu quero te pedir algo.

Ela desviou a atenção da sobremesa para mim, e segurou na minha mão sobre a mesa.

– Seja o que for a resposta é sim. – Ela sorriu, me acariciando a mão. Eu acabei rindo com a resposta dela, e mordi levemente o lábio encarando-a um pouco nervosa.

– Miss Swan … quanta coragem! E se eu te pedir algo que você não esteja disposta a dar? – Indaguei em jeito de brincadeira com intuito de quebrar o meu próprio nervosismo.

– Impossível isso acontecer, porque eu já dei a você tudo. – Ela retirou a mão da minha e levou mais um pouco do doce à boca o saboreando com um ar completamente indecente. Engoliu depois de uma longa pausa, e me olhou profundamente antes de acrescentar. – Eu amo você.

Eu sorri emocionada com a declaração. Olhei brevemente ao redor, e de repente, aquele ambiente me estava caindo “esquisito”, como diria Emma.

– Vamos fazer um brinde então? – Vi ela erguer a sobrancelha por instantes sem entender. – Mas longe daqui … longe desse mundo todo que você detesta. Em casa.

– E vamos brindar a quê? – Ela perguntou com um sorriso curioso nos lábios bem delineados.

– Aceita se casar comigo? – Respondi com o pedido que estava entalado na minha garganta há longas semanas.

– Regina … você … — Vi ela balbuciar, e por momentos temi a resposta mais do que qualquer coisa na minha vida. — … está falando sério?

– Porquê o espanto? Você é minha mulher há muito tempo, Henry … você sabe, ele pra mim é como se fosse meu filho também… eu quero muito formalizar tudo isso Emma. Vocês são o meu porto seguro, a minha família. – Eu declarei, tentando segurar as lágrimas, ainda mais ali naquele sítio público. Se não tomasse cuidado, seria manchete no jornal do dia seguinte.

– Você é a mulher da minha vida. – Escutei ela dizer, e pegar novamente na minha mão sobre a mesa. – E eu também quero tudo com você. – Ela fez uma pausa, parecendo ponderar no que diria a seguir. – Mas promete que isso não vai atrapalhar o que a gente tem?

– Emma .. claro que não. Eu nunca deixaria que nada prejudicasse a minha família. – Garanti a ela e então trocámos sorrisos cúmplices.

Decidimos sair logo depois, brindar em casa, comemorar nossa felicidade e amor do jeito que mais desejávamos naquela noite. E assim o fizemos, entre carícias, risos e beijos apaixonados.

– Regina, por favor acorde! – Parecia ser a voz de Emma me chamando, embora soasse como se ela estivesse no fundo de uma caixa. – Amor … por favor … — Gradualmente parecia que a voz dela ia ficando mais nítida nos meus ouvidos, e fui reconhecendo o seu rosto na minha frente, quase desfocado de tão perto que estava dos meus olhos. – Eu não queria que isso tivesse acontecido.

– Emma .. ? – Hesitei tentando me afastar um pouco para encará-la. Vi ela recuar, me dando espaço e tempo para me recuperar.

Percebi que ainda estava enrolada na toalha, e senti meus cabelos molhados na almofada onde tinha encostado a minha cabeça na cabeceira da cama. Reajustei a minha visão, e vi ela me oferecer um copo com água.

– Beba, vai-te fazer bem. – Peguei no copo e bebi um gole da água, sem deixar de a olhar. – Você ficou sem almoçar de novo? – Perguntou.

– Emma, eu sei que isso que aconteceu com Henry na escola foi culpa minha e que eu prometi que não deixaria nada acontecer …

– Toma, veste isso, é melhor não pegar friagem, ainda fica doente. – Ela me cortou, me estendendo as peças de um dos meus pijamas de algodão.

Fiz o que ela disse, me levantei devagar e fui vestindo o pijama. Contudo, e apesar de ver Emma se preocupando com a minha saúde, algo estava estranho na forma como ela se estava comportando. Senti-a distante, e depois de tudo aquilo que ela dissera antes do meu desmaio, não poderia ficar tranquila com aquele clima desconfortável que se instaurou entre nós. Ela se manteve afastada, encarando a parede, enquanto eu me trocava, e isso estava-me irritando profundamente.

– Pronto. – Eu falei já com o pijama vestido. – Dá pra olhar pra mim agora ou vai ficar agindo como uma adolescente? – Questionei de forma sarcástica.

– Adolescente? – Ela se virou bruscamente, tornando a me encarar. – Adolescente é esse seu comportamento leviano.

– Como você pode falar isso? Eu sei que o que aconteceu com o nosso filho foi culpa minha tá bom? Mas daí a me chamar de leviana … — Eu revidei, porque uma coisa era toda a maldade da mídia no meu pé, outra bem diferente era o desrespeito de Emma para cima de mim daquela maneira. – Você sabe perfeitamente que eu não posso controlar tudo! Eu tento Emma! Eu juro que eu tento, mas eu não consigo! – Eu acabei gritando a última parte, frustrada.

Ela não respondeu, apenas largou um suspiro profundo. Eu, por outro lado, tornei a me sentar na cama, cansada.

O silêncio se instalou no quarto. Nenhuma de nós parecia saber o que dizer, pelo menos não algo que não acabasse por machucar uma das duas. Vi ela se sentar numa das cadeiras do outro lado do quarto, mais longe de mim.

– Porque você não atendeu as minhas ligações mais cedo? – Me lembrei de perguntar nem sei bem porquê. Curiosamente parecia que aquela pergunta tinha tocado num ponto delicado, porque Emma levantou o rosto de repente e o que eu vi no seu olhar me fez sentir um medo inexplicável.

– Eu estava com o cliente que te falei que tinha marcado comigo. – Ela respondeu, e embora ela estivesse com o rosto virado para mim, eu percebi que ela não me olhava, e sim, fixava de forma ausente um ponto qualquer atrás de mim.

– Mas isso não era de manhã? – Eu me lembrei que a reunião com o tal cliente tinha sido na verdade marcada para de manhã, e por isso, ela ter dito mais cedo que estava atrasada.

Ela não respondeu. Meu coração apertou.

– Emma? – Sussurrei no misto da necessidade de uma resposta, mas com o medo do que isso acarretaria.

– Eu .. – Ela começou, ainda sem me olhar. — … eu acabei ficando com ele até de tarde.

Franzi o cenho, sem entender o porquê da necessidade de uma reunião tão longa.

– Olha pra mim. – Pedi-lhe. Vi ela desviar o olhar para o chão, e logo depois focar o olhar no meu, vacilante. – O que está acontecendo?

– O cliente … ele …

– O que tem o cliente? – O medo inexplicável parecia bombardear o meu coração, e quando vi os olhos de Emma brilhando, mesmo àquela distância, pude confirmar que a razão desse medo era real, mesmo sem saber ainda o motivo.

– É o pai de Henry. – Ela respondeu, deixando uma lágrima tremelicar no canto de um dos seus olhos, antes de escorrer pelo seu rosto arrasado.