Eu, Ela, Nosso Filho e o Outro
21 Lados
Notas iniciais
No capítulo anterior ...
– Ninguém pode. – Reforcei, apertando o ombro do meu filho sem deixar de encarar o homem pelo vidro. – Nem mesmo o próprio Gold.
*** *** ***
Logo após a denúncia que fiz à polícia do que estava acontecendo, meu celular tocou nas minhas mãos. Número restrito. Era ele, soube assim que o vi com o próprio celular encostado ao ouvido. E ele continuava olhando na minha direção lá de baixo.
Atendi a ligação, mas me mantive calada. Sua voz soou calma e constante.
– Miss Mills, eu realmente lamento essa transgressão da minha parte, mas compreenda que às vezes para que uma atitude seja tomada é preciso mover os meios adequados.
– Os meios adequados? – Interrompi com a voz alterada. Henry virou a cabeça e me olhou confuso. – No meu vocabulário isso tem outro nome. Isso que você tá fazendo é ilegal!
– Eu peço as minhas mais sinceras desculpas. Apenas me escute por alguns minutos. – Seu tom era demasiado cordial e afável para o meu gosto. – Prometo não tomar muito mais do seu tempo … e claro … — Fez uma pausa, entoada com certa gravidade. – Nem o tempo da sua família.
– Eu exigo que tire a sua cambada dos meus jardins! – Gritei embaceando o vidro com o meu hálito quente.
– Tenha cuidado Miss Mills. – Avisou com uma ponta de deboche encoberto na voz. – Será que esse último escândalo não lhe bastou para aprender a se comportar em público? Ora, minha querida, vou direto ao ponto porque já me apercebi que se encontra um pouco nervosa e a última coisa que quero é fazer seus nervos aumentarem.
– Diga de uma vez. – Rugi, obervando o meu filho espiando pela porta do quarto, provavelmente se tentando inteirar do que se estava passando no piso inferior.
– A imprensa acabará, infelizmente, por engolir você inteira. Oh .. e não pense que eu fico satisfeito se isso acontecer, muito pelo contrário queridinha. Eu tenho paixão por uma grandiosa história! Mas me diga, que história é grandiosa sem a sua bela e estonteante protagonista presente na trama? – Seu tom foi ficando cada vez mais empolgado, quase adquirindo contornos exagerados de teatro. – Regina, preste atenção, e me perdoe a intimidade, mas terá de admitir que nesse preciso momento eu estou me tornando no seu melhor amigo e consequente tábua de salvação.
– Eu não estou entendendo onde você quer chegar.
– A salvaguarda da sua família. – Respondeu firme. – Cassidy se tornou uma ameaça a ela, vai negar?
Vi pelas janelas a polícia chegando e cercando todos os homens de Gold, terminando aos poucos com aquela palhaçada. Um policial se aproximava do próprio Gold que ainda mantinha o celular no ouvido, enquanto continuava falando comigo.
– Você sabe bem que não posso negar que ele é uma ameaça sim. – Confirmei o olhando atentamente ao longe.
– Então queridinha, seja razoável. Já que não pode dar um sumiço nele, ao menos me deixe entrar na jogada e fazer com que pra variar você fique bem na gravação.
– Eu não confio em você. – Respondi sem pestanejar.
– Quem falou em confiança? – Ele soltou um riso baixo, fazendo sinal com a mão ao policial indicando que já desligaria a ligação. – Escolha apenas bem o seu lado Miss Mills, pois eu já escolhi o meu. – Pausou, voltando a colocar os óculos escuros no rosto. – Ah .. e saiba que o meu lado é sempre o que ganha. – Desligou sem me dar qualquer hipótese de resposta, e se voltou para o policial.
– Mãe. – Era Henry me chamando da porta. Dei as costas às janelas e me voltei para ele. – Acho que tudo já acalmou lá embaixo. Escutei a porta batendo, mamãe deve ter colocado eles pra fora.
Assenti com a cabeça e antes de sair atrás dele, olhei novamente lá para fora pelas janelas. Mr. Gold entrava numa das carrinhas blindadas e aos poucos os jardins ficavam desocupados à medida que a força policial escoltava todos os membros da companhia Gold para fora dos portões da casa.
*** *** ***
Emma e Giorgio estavam na sala de cochicho e assim que me viram descendo com Henry se calaram no mesmo instante.
Henry correu para abraçar a mãe que por sua vez o mandou ir tomar banho, o que logo o fez ficar com má cara.
– Eu agora virei io-io pra ficar subindo e descendo? – Ele resmungou subindo os degraus novamente.
– Isso não é bom pra ele. – Emma murmurou em voz baixa. – Podemos antecipar a viagem a Seattle? – Perguntou a Gior.
– Vocês dois! – Me meti entre eles, exaltada. – Vão ficar falando como se eu não fosse ninguém aqui?
– Claro que não amor. – Emma se dirigiu a mim. – Mas isso aqui tá-se descontrolando. Acho melhor a gente dar um tempo … sair dessa cidade.
– O problema não é a cidade Emma. A imprensa vai-nos perseguir onde quer que a gente esteja. – Revidei exausta. – Afinal … o que aconteceu aqui em baixo com Neal?
– Acho melhor deixar vocês sozinhas per ora. – Gior se intrometeu, saindo da sala.
Quando ficámos sozinhas, Emma se sentou no sofá e me fez sinal para que me sentasse também ao seu lado.
– O que você não me está contando? – Perguntei, séria.
Ela suspirou, pegou nas minhas mãos e as beijou de forma demorada.
– Acho melhor ligarmos aos advogados Regina. – Ela me encarou, me sustentando o olhar com pesar. – Ele disse que se não o deixássemos ver Henry iria entrar com um pedido na justiça.
Balancei a cabeça desgostosa sentindo um cansaço muito mais difícil de suportar do que o físico. Encostei as costas no sofá e fechei os olhos, talvez numa tentativa desesperada de reorganizar as ideias.
– Não fica assim. – Escutei-a dizer. – Eu não suporto te ver desse jeito.
– Como você quer que eu fique? – Indaguei ainda de olhos fechados. – Desde que esse homem apareceu tudo vem descambando. Talvez chegue uma hora e não tenha mais concerto.
– Por favor, não fala assim. – Ela pediu em um sussurro, apertando mais as minhas mãos. – Os advogados, eles podem …
– Henry não merece passar por tudo isso. – Respondi, abrindo os olhos e virando o rosto para encará-la. – Tem ideia do que implica uma luta na justiça envolvendo uma pessoa mediática como eu? Se já estava ficando complicado imagine agora. Não vão deixar Henry em paz na escola, na rua … em qualquer lugar por onde ele passe! Nossa vida acabou de virar um inferno. E eu não sei se me consigo perdoar por isso. – Larguei as mãos dela abruptamente.
– Para de te martirizar! – Ela se alterou ligeiramente. – A culpa não é sua.
– O que interessa isso agora? A nossa casa acabou de ser invadida por um batalhão de abutres sedentos pela minha carne. E pior Emma! Eles estão usando minha família pra me atingir. – Me levantei repentinamente e comecei andando de um lado para o outro na frente dela. – Eu já sei o que temos de fazer. – Parava uma vez ou outra no lugar, apenas para recomeçar a andar de novo. – Vou comprar duas passagens de avião pra vocês pra algum país da Europa. Você leva Henry pra passear durante uns tempos, aí enquanto isso, eu fico aqui e …
– Você tá louca? – Me vi sendo interrompida e a minha passagem sendo barrada por ela que se levantou e ficou parada na minha frente me impedindo de continuar para trás e para a frente. – Nem pense que deixo você aqui sozinha nessa loucura! Nós vamos dar um jeito sim, mas não é assim, uma pra cada lado … ainda mais com você assim nesse estado …
– Que estado? – Ergui a sobrancelha sem compreender.
– Com esse mal-estar todo ou já se esqueceu das tonturas, dores de cabeça ...
– Ah Emma, chega disso! Eu não tenho nada!
– Se acalma, eu não quero brigar. – Ela tentou se aproximar, mas eu me afastei dando-lhe as costas. – Eu não sou sua inimiga Regina, sou sua mulher. – Suspirou.
Não respondi, até porque minha cabeça estava a mil à hora, pensando em alguma solução para aquela situação. Talvez Gold tivesse razão em certa parte, talvez a solução fosse entrar no jogo, mas tentar jogá-lo a meu favor.
Senti o toque dela nas minhas costas e estremeci, meio que despertando da minha transe.
– Em que tá pensando? – Perguntou baixinho.
– Uma entrevista. – Disse de forma ausente.
– Do que você tá falando?
– Uma entrevista e nada mais é o que ele terá. – Me virei e fixei os seus olhos verdes amedrontados. – Gold. – Esclareci. – Darei uma entrevista a ele com a condição de termos paz depois disso. O assunto depois morrerá e Neal não terá influência suficiente pra perturbar a nossa vida.
– Tem certeza? – Perguntou não muito convencida.
– A única certeza que tenho é a de que sou capaz de tudo pra proteger a minha família.
Vi ela balançar a cabeça em sinal afirmativo e me puxar logo depois para os seus braços, me apertando contra ela em um abraço.
*** *** ***
Henry estava trancafiado no quarto sem querer trocar uma palavra nem comigo nem com Emma. Gior havia-se ausentado para tratar de uns assuntos relacionados ao trabalho e portanto estávamos por nossa conta durante o resto do fim-de-semana.
– Hey … tá sentindo alguma coisa? – Emma perguntou, me fazendo abrir os olhos. Virei o rosto para ela que estava deitada ao meu lado na cama. – Você não falou nada o resto do dia.
– Estou me sentindo sufocada. – Balancei a cabeça em negativa percebendo o que ela acabara de pensar. – Não é esse tipo de sufoco. Não é físico … é …. olha pra isso! – Gesticulei para o ar, apontando para nenhum lugar em específico. – Ou melhor, é físico sim!
– Você não tá dizendo coisa com coisa.
– Essas quatro paredes! – Apontei para os lados consternada. – Eu preciso sair daqui ou vou asfixiar.
– Foi você que quis subir pro quarto … mas podemos descer …
– Descer pra uma outra divisão desta prisão de luxo? – Cortei mais bruscamente do que era minha intenção.
– Podemos sair pra rua se quisermos, é só avisar os seguranças para …
Soltei uma gargalhada fazendo-a se calar sem entender. Ela franziu a testa e se sentou enquanto aguardava uma explicação.
– Muito me admira logo você falando isso. – Ela ergueu a sobrancelha continuando na mesma confusão que antes. – Sim, Emma. Você que sempre foi alérgica a qualquer tipo de escolta por parte da segurança, está aqui na minha frente dizendo que quer adotar daqui em diante esse novo hábito de vida.
– Para de cinismo. – Revidou, se levantando. – Eu sei bem o que você tá querendo e te aviso já que não vai conseguir.
Me sentei na cama e cruzei os braços a encarando com o semblante fechado.
– E o que eu estou querendo?
– Discutir. – Lançou convicta. – Te conheço Regina. Sei bem que essa é sua forma de tentar me proteger … proteger você também. Mas você se esquece de uma coisa no meio disso tudo …
Não ousei responder, até porque talvez ela tivesse razão naquilo que dizia, por mais que eu não quisesse admitir. Não suportava condicionar a vida dela daquela forma, me sentia culpada, como se a minha vida tão glamourosa e cheia de vantagens estivesse de repente se tornando um fardo pesado de suportar. Estava zangada comigo, e eu não conseguia me suportar a mim mesma naquele estado. Emma sempre reclamara da exposição da minha vida, mas antes disto acontecer, no meu íntimo eu sabia que haviam mais coisas boas do que ruins. Graças à vida que levava tinha conseguido proporcionar a Emma e a Henry uma vida repleta de regalias que sei bem que não era isso que os tinha feito ficar comigo, mas que de qualquer forma me fazia sentir realizada por poder dar-lhes a melhor vida que eles poderiam sonhar em ter. Agora, tudo mudara. Henry ficaria afastado dos amigos, das suas actividades, da sua vida normal até então, caso contrário, teria de andar cercado de seguranças para onde quer que fosse. E eu sei bem que embora Emma quisesse me apoiar, o tempo iria acabar por mostrar a ela que isso não seria possível por tempo indeterminado até ela se cansar de vez.
– Eu estou falando com você. – A escutei falando. – Dá pra prestar atenção?
– Prestar atenção em quê? Que isso tudo é uma fase que vai passar? Que depois dessa fase, quando Henry perder os amigos todos, ele não me vai odiar? Que você, depois de ser arrastada pra este inferno junto comigo, não vai me odiar também? Hein Emma! – Meu tom de voz a essa altura já estava extrapolando os limites do bom senso. – Você deveria ir embora e levar o seu filho com você.
– O meu filho? – Ela repetiu chocada. Olhei para ela e meu peito doeu tão fundo que me amaldiçoei internamente por ser tão fraca. Uma lágrima solitária percorria-lhe uma das faces enquanto o seu rosto revelava como ela devia se estar sentindo destroçada por dentro. Eu a estava magoando muito, eu sei. Talvez assim fosse melhor, talvez assim ela não tivesse de lidar com tudo que estava acontecendo, talvez … — Como você pode falar essas coisas? – Sua pergunta saiu quase esganiçada, enrolada em choro. – Não estou te reconhecendo.
– Eu acho melhor você ir enquanto ainda há tempo. – Disse da forma mais firme que consegui encenar para fora.
– E o casamento?
Baixei o olhar brevemente, tentando não demonstrar o quanto aquilo me atingia da forma mais dolorosa possível. Me levantei e caminhei até perto dela.
– Vou cancelar. – Falei secamente. Ela abanou a cabeça incrédula à medida que mais lágrimas caíam dos seus olhos. – Eu sei que está doendo, mas vai passar.
– Como pode ser tão fria? – Indagou, a sua dor sendo gradualmente transformada em raiva. – Como pode ser tão covarde? – Ela se aproximou, seu olhar não mais vertia lágrimas, mas seus olhos brilhavam com enorme intensidade. – Quem é essa pessoa medíocre que tá agora na minha frente? – Continuou lançando com raiva, ao mesmo tempo que percorria todo o meu rosto com o olhar, parando fixamente nos meus olhos castanhos, que eu estava certa não estarem tão mais castanhos assim. – Você quer mesmo me fazer te odiar não é? Está empenhada nisso!
– Não vamos chegar a lugar algum com isso.
– Pois saiba Regina Mills … — Ela continuou sem ligar às minhas palavras, se aproximando ainda mais do meu rosto. – … isso que você tá fazendo não vai resultar. Eu não sou uma das suas criadas que você manda e desmanda como bem lhe dá vontade. Eu sou sua mulher!
– Emma …
– Não! Se você não me amasse mais eu iria entender por mais que me doesse. – Novas lágrimas rolavam dos seus olhos verdes, mas que não a impediram de continuar com firmeza enquanto eu me sentia desmoronar por dentro e cada vez mais impossibilitada de continuar com aquela farsa. – Mas não é esse o caso! Seu amor te contradiz Regina! Está escrito nos seus olhos!
– Cada um acredita naquilo que quer. – Respondi engolindo em seco, mas sem piscar, sustentando o seu olhar raivoso.
– Você tá mesmo me mandando embora? Assim? – Ela olhou à volta desnorteada, num misto de dor e raiva onde mais lágrimas insisitiam em escorrer pelo seu rosto rubro. – O que eu digo a Henry me diz? Que você está nos expulsando da … — Meu coração apertou, talvez ele estivesse sendo lentamente esmagado até só restar pó. – … da sua casa? Que esses seis anos foram uma mentira? Um contrato verbal entre duas partes em que você concordou em bancar até satisfazer os seus caprichos de brincar de casinha? Responda! – Ela quase cuspia na minha cara tamanha era a sua exaltação, o que me fez recuar para trás sem sentir.
– Eu vou acertar tudo! Vocês não vão ficar desprotegidos, eu vou me certificar que não vos irá faltar nada …
– Se você completar essa frase com o que estou pensando, eu juro, Regina … — Ela parou, fazendo uma pausa assustadora, seus olhos pareciam querer sair da órbita e uma veia pulsando na lateral da sua testa era visível. – … eu juro … — Sua voz quebrou, destroçada. Não consegui mais segurar as minhas próprias lágrimas que derramaram contra a minha vontade para fora dos meus olhos. – … eu nunca te vou perdoar.
Levei as mãos ao rosto, como se pudesse esconder em simultâneo toda a dor e vergonha que estava sentindo. A minha cabeça começou me bombardeando com maior intensidade do que já era habitual e eu me senti incapaz de continuar em pé.
– Regina! – Exclamou quando eu perdi a força nas pernas e quase caí, não fosse ela me segurar e me fazer sentar no cadeirão ao lado. – É isso não é? – A minha cabeça rodopiava e a voz dela era ruído desconexo para o meu discernimento. – É por isso que você tá agindo assim…
– Foi só uma queda de pressão. – Retomei um pouco os meus sentidos conseguindo responder.
– Não é só isso e você sabe … amor … por favor … me deixa ajudar. – Sua voz era chorosa, embargada pelas lágrimas quentes que eu sentia queimando no meu rosto juntamente com as minhas assim que ela colara uma das faces em mim. – Eu não posso nem imaginar em perder você, eu não ia aguentar, eu …
– Você é mais forte do que pensa Emma. – Sussurrei no ouvido dela.
– Mamãe! – Gritei assustada vendo a minha mãe caída no chão da sala da nossa casa. – O que aconteceu?
Minha mãe era uma mulher incrivelmente bela, pelo menos aos meus olhos ela era uma autêntica rainha. Com certeza o porte da realeza não lhe faltava, e seu modo de se dirigir a todas as pessoas à sua volta era rapidamente associado à nobreza. Às vezes achava-a meio arrogante quando discutia com papai, mas logo ela se redimia, do seu jeito é claro, e o compensava o fazendo soltar risadas altas. Sempre me orgulhei muito dela por isso mesmo. Essa capacidade que ela tinha de não perder a pose, mas mesmo assim ser justa.
Vê-la caída no chão era por isso muito difícil de digerir. Corri para ela nos meus quase quinze anos, assustada e sem saber o que fazer para que ela ficasse bem de novo.
– Eu vou chamar o papai! – Exclamei alto chegando perto dela que parecia estar de novo consciente. – Ele vai saber o que fazer.
– Não! – Senti sua mão agarrar o meu braço me impedindo de sair do lugar. Olhei-a com os olhos arregalados e balancei a cabeça de forma fraca.
– Mas você precisa de ajuda. – Disse.
Ela esboçou um sorriso. Seu sorriso era tão incrivelmente branco que mais parecia um anúncio de pasta de dentes colgate, mas embora fosse isso tudo, naquele momento ele me havia parecido meio amarelado não sei bem porquê.
– Eu já me estou sentindo melhor Regina. – Ela respondeu calmamente, embora sua respiração fosse irregular e eu pudesse ver algumas gotículas de suor brilhando na sua testa. – Vamos querida … me dê a mão.
Eu obedeci sem falar nada. Ajudei-a a se sentar numa das poltronas da sala e me mantive calada apenas a olhando.
– Não se preocupe, logo logo isto passa. – Tranquilizou, mas não me havia convencido porque já não era a primeira vez que presenciava um desmaio dela. – Promete uma coisa pra mim?
Balancei a cabeça em sinal afirmativo.
– Não vamos preocupar seu pai com isto tá bom? Ele tem estado com uns problemas no trabalho e anda muito stressado. Não vale a pena aborrecê-lo com tonterias.
– Mas esses desmaios não são normais, mamãe. – Ousei dizer, ainda assim com uma ponta de receio porque contradizer a minha mãe nunca fora tarefa fácil.
– Promete outra coisa pra mim? – Ela continuou passando por cima do que eu havia dito como se não tivesse escutado. – Você vai ser forte.
– O que tá acontecendo? O que você tem? – Perguntei assustada. Sabia que ela deveria estar escondendo algo grave para não querer falar sobre isso.
Ela sorriu mais uma vez e se inclinou para me beijar uma das faces com delicadeza.
– Eu amo você ma petite reine. * — Se afastou parecendo-me contemplar com atenção. – Em breve uma autêntica rainha. Você vai destroçar corações com tamanha beleza como a sua mãe. – Ela completou rindo do próprio tom de presunção incutido naquilo que dissera, mas incrivelmente vindo dela não soava como algo snobe. – Eu vou ficar bem Regina. – Assegurou por fim.
– Promete? – Desta vez fora eu que perguntara.
– Só se você me prometer também uma coisa.
Eu abanei a cabeça e suspirei, um pouco frustrada com a teimosia dela, mas acabei assentindo.
– Promete que vai ficar bem.
– Você tá roubando a minha promessa! – Reclamei chateada.
– Não se pode roubar algo que lhe pertence meu bem. – Ela respondeu com ar misterioso e me piscou o olho antes de se levantar. – Ficaremos bem porque você, minha filha, é mais forte do que aquilo que pensa.
– Se eu sou forte como você diz me deixa ficar ao seu lado. Não me exclui dessa maneira. – Emma dizia com a voz abafada estrangulada pelo choro.
Abri os olhos repentinamente, toda a cena passada com a minha mãe passando pela minha tela mental. Eu me lembrara da voz dela! Eu reconhecera cada trejeito, cada gesto seu, o aroma do seu perfume doce e discreto. Os contornos do seu rosto e seu sorriso incrivelmente branco. Me afastei de Emma quase assustada.
– Meu Deus, Regina! Você tá suando! – Ela colocou as mãos nas maçãs do meu rosto que ferviam. – Vamos, você não vai ser mais teimosa que eu desta vez! – E sem que eu conseguisse fazer nada ela me levantou e me deitou na cama de novo.
– Querida … — Agarrei-lhe a mão a fazendo se sentar na beirada da cama. – Pode ligar pra Giorgio.
Ela franziu o cenho, esperando que eu continuasse.
– Diga a ele pra antecipar os meus exames em Seattle.
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