Notas iniciais
Olá a todos! Antes demais, eu sei! Muito tempo mesmo sem atualizar, mas é que além daquele problema com o Nyah, eu ainda fiquei sem net, então não consegui mesmo postar capítulo nenhum. Eu espero que isso não tenha-vos feito desistir ou perder o interesse pela fic, =/ Anyway, estou feliz por estar de volta, fui lendo como de costume com grande alegria todos os comentários que me deixaram e vou já já responder. Sobre a recomendação da AMD2012, já lhe agradeci, mas não poderia deixar de o fazer aqui novamente. Simplesmente me deixou hiper mega super feliz. cada palavra sua, cada elogio, cada observação, cada estrangeirismo lol (!!) - felicidade enorme saber do impacto que tem tido Giorgio como personagem - cada palavra de apreço e carinho que sempre tem comigo, não tem preço. As palavras não são suficientes, mas espero que vc saiba. Muito obrigada. ;) Ah, é verdade, como andou acontecendo esse desespero todo com o Nyah, eu resolvi seguir o exemplo das pessoas inteligentes e precavidas xD ... e postar esta fic em um outro site, portanto, sempre que eu atualizar aqui, irei atualizar lá também: http://archiveofourown.org/works/1646243?view_full_work=true#comments Sem mais delongas, espero que continuem me acompanhando. Boa leitura!

You'll fall like a guillotine, and kneel before the queen
You'll fall like a guillotine, and I will rise

– Querida, me deixa atender. – Pedi a Emma, já que o meu celular tocava em cima da mesinha de cabeceira do lado dela. – Vamos … você apenas o confiscou por uma noite.

– Hoje é Sábado. – Henry resmungou entre nós ensonado, me fazendo ganhar um olhar de reprovação de Emma que se espreguiçava do outro lado da cama.

– Pode ser importante amor. – Insisti me inclinando sobre eles os dois para pegar o aparelho que tocava de forma insistente.

I don't need blue blood running through my veins because
Like a queen, like a queen, I can make you say you love me

– Hoje serei sua secretária. – Ela respondeu fazendo graça, e sem que eu conseguisse impedir, ela atendeu o meu celular. – Telefone de Regina Mills, pois não?

Henry já desperto, reprimiu o riso ao meu lado, achando graça ao tom emproado que a mãe usara para atender a ligação. Eu tentei não rir, mas foi inevitável não esboçar pelo menos um pequeno sorriso. De qualquer forma, fiz-lhe sinal para que me devolvesse o celular logo, mas ela se levantou da cama, se afastando e continuando naquela encenação tosca e inapropriada.

– Qualquer assunto a tratar com ela, terá de marcar hora. – Emma falava num tom de voz monocórdico sem transmitir qualquer emoção. – E isso terá de ser feito preferencialmente durante os dias úteis, de segunda-feira a sexta-feira, caso contrário …

– Emma! – Exclamei irritada, me levantando e arrancando o celular da mão dela. – Peço desculpas. Fala Regina Mills. – Fiz uma careta para ela que deu de ombros como se aquilo não tivesse sido nada demais. – Entrevista? Mas sobre o quê exatamente?

Henry e Emma me encaram surpresos, sem compreender nada da conversa.

– Não … eu não … — Balbuciei, sem conseguir acreditar naquilo que me estavam falando do outro lado da linha. – Como conseguiu o meu número? – Me alterei, não gostando nada do fato da minha privacidade estar sendo transposta daquela forma. – Não darei entrevista nenhuma! – Gritei a última parte. – Minha senhora, eu estou sendo bastante clara! Isso está fora de questão, é um absurdo isso. Não me vou expor dessa forma … — Emma se aproximou de mim, encostando o ouvido ao aparelho, tentando escutar a conversa. – O quê? Você acha mesmo que eu quis que aquilo que aconteceu ontem fosse notícia? Você não me conhece, quem tá pensando que é pra falar assim …

– Miss Mills, eu entendo sua revolta, mas estamos falando aqui de Mr. Gold. Ele quer promover sua defesa …

– Minha defesa? – Aquilo era inacreditável. – Eu não fiz nada de errado pra ter de me defender.

– Mas é de Mister Robert Gold de que estamos falando e ele …

– Nem que fosse o próprio Papa em pessoa! – Cortei bruscamente. – Por favor não me ligue mais. Tenha um bom dia. – Desliguei atordoada.

– O que acabou de acontecer? – Emma perguntou, me olhando preocupada.

Fiquei durante alguns segundos apática, olhando o visor do celular na minha mão, e depois, antes de explicar qualquer coisa, tentei esboçar um sorriso, e me virei para Henry que tinha uma expressão assustada no rosto.

– Nada de importante. – Caminhei até ao nosso filho na cama e me sentei na beirada ao lado dele. – Querido, porque não vai tomar banho, escovar esses dentões pra gente ir tomar o café da manhã todos juntos?

– E porque vocês duas não param de me tratar feito criança? – Ele revidou, cruzando os braços emburrado, olhando de mim para Emma.

– Porque você ainda tem a pele do rosto macia igual bumbum de neném. – Respondi, fazendo-lhe cócegas na barriga.

– Mãeee … para com isso! – Ele contorceu-se, rindo, tentando se afastar das minhas investidas.

– Vá-se arrumar, vamos querido. – Disse, parando, deixando ele se recompor.

Ele se levantou rápido, mas antes de sair do quarto, se virou para nós sorrindo de canto.

– Isso não fica assim. – Avisou, nos olhando com ar superior, e saindo.

– Esse moleque tá ficando cada vez mais parecido com você! – Emma observou sorrindo. – Então … — O tom preocupado retornou à sua voz. – Quem era?

– Uma das assessoras de Mr. Gold. – Mordisquei o lábio sem olhar para ela.

– Mr. Gold, o magnata britânico das comunicações? – Emma perguntou incrédula. Olhei para ela, apenas assentindo com a cabeça. – O que ele quer com você?

– Esse escândalo com Neal tomou proporções maiores do que a gente imaginava. – Expliquei nervosa. – Gold quer uma entrevista exclusiva para a sua rede de televisão. Estão em negociações com Cassidy pra conseguirem uma entrevista com ele também …

– Não posso acreditar! Negociações? Cretino! – Ela alterou-se, dirigindo-se às grandes janelas do quarto. – Você tinha razão … — Baixou a voz ligeiramente. – Ele não passa de um oportunista.

– Ainda tinha esperanças que não fosse? – Questionei, aproximando-me dela com cautela.

– Não é isso. – Virou-se, me voltando a encarar. – Mas é triste… uma decepção sabe? – Abanou a cabeça, buscando pela minha mão direita. – Saber que o homem que eu … — Ela travou, desviando o olhar para o anel de noivado no meu dedo anelar.

– Que você amou. – Completei, apertando a mão dela, e sorrindo quando ela levantou de novo o olhar até ao meu. – Eu sei querida. – Murmurei, encostando minha face à dela, deixando que suas mãos percorressem as minhas costas, fechando o meu tronco em um abraço.

– Eu não queria trazer nada disso que tá acontecendo pra sua vida. – Começou falando junto ao meu ouvido como se segredasse.

– Hey mocinha. – Interrompi, a apertando mais contra o meu corpo. – Não foi você mesma que falou que não existe essa coisa de … meu mundo, seu mundo … minha vida, sua vida? – Indaguei em tom leve, o que a fez soltar um riso curto no meu ombro, onde depositou de seguida um beijo sobre o tecido do meu pijama. – Eu te amo Emma. Isso que tá acontecendo não é culpa de nenhuma de nós as duas. Okay?

– Okay. – Respondeu, se afastando um pouco para me olhar. – O que vamos fazer agora?

– Tomar o café da manhã? – Sugeri, tentando desvalorizar o peso dos problemas que eu tinha plena consciência que não nos largariam. Ela riu, me beijando os lábios suavemente.

*** *** ***

A campainha tocou era quase meio-dia. Henry estava na sala fazendo alguns deveres da escola e eu estava sentada no sofá analisando alguns relatórios enquanto ele uma vez ou outra me perguntava alguma coisa sobre a matéria.

– Pode deixar, eu abro! – Escutei Emma gritando, descendo as escadas apressadamente e se dirigindo à porta.

– Come stai, mio dolce? – Reconheci o sotaque de Gior um pouco distante, mas ao que parecia todo animado. – Deixe que lhe diga cara mia … sua futura esposa è fortunata ad avere una donna così bella come te. *

– Não entendi nada Giorgio, mas obrigada. – Ela riu. – Acho eu.

Escutei a risada dele depois e levantei a cabeça para os ver na entrada da sala.

– Ele tem razão querida. – Falei, me levantando, deixando os relatórios na mesinha de centro, e me dirigindo a eles. – Eu tenho muita sorte. – Pisquei o olho para ela e estendi a mão direita para Giorgio.

– Dio mio!! – Exclamou puxando a minha mão quase até ao seu nariz. – Não! Isso é …

– O anel de noivado que Emma me deu. – Esclareci sorrindo.

– Não deixa de ser um pouco démodé isso … — Ele começou.

– Hey!! – Emma interrompeu, indignada.

– Oh mio bene, você não me deixou terminar. – Gior falou de novo, contemplando a esmeralda do anel com apreço. – Eu ia dizer que não deixa de ser démodé essa coisa de anel de noivado, ma que afinal le cose più preziosa não o podem deixar de ser.

Emma revirou os olhos sorrindo, e eu dei um beijo no rosto dele já que ainda não o tinha cumprimentado.

– É só essa mala ou tem mais trezentas no carro pra trazer pra dentro? – Emma caçoou se referindo à mala que Gior tinha ao seu lado no chão.

– Tá vendo mio bene? – Ele se virou para mim rindo. – La donna perfetta per voi. Piena di buon senso dell'umorismo. *

– Eu acho que me inscrevi num curso de italiano sem saber. – Emma reclamou irónica enquanto pegava na mala de Gior. – Vou colocar essa … o que você tem aqui dentro? Barras de ouro? – Perguntou, se referindo mais uma vez à mala que tentava mover com dificuldade.

– Emma, mia bella, de forma alguma deixarei que carregue esse peso todo. – Ele tomou a mala da mão dela e sorriu, pedindo-lhe para que ela indicasse o caminho.

Eu observei-os subindo as escadas e abanei a cabeça rindo da interação deles.

– Ele vai ficar aqui com a gente? – Escutei Henry perguntando atrás de mim me fazendo virar para olhar para ele.

– Durante uns tempos. Porquê? Você não gosta de Giorgio, querido?

Ele encolheu os ombros e fez cara de indiferença.

– Ele fala de um jeito esquisito. – Observou apenas.

– Meu amor, Gior é todo esquisito. – Respondi rindo. – Mas depressa você se acostuma e ainda vai acabar por contratá-lo como professor particular.

– Professor de esquisitices? – Ele revidou fazendo troça, o que o fez ganhar um tapinha meu no braço. – Italiano né? – Corrigiu descarado.

– Sua mãe tem razão. Você tá ficando muito metidinho mesmo. – Disse, mas não havia reprovação na minha voz. – Vamos, não pense que me distrai dos seus deveres não! Me mostra pra ver se fez tudo bem pra irmos almoçar.

Ele bufou, decepcionado por não ter conseguido desviar o assunto sobre os deveres da escola e se dirigiu até à mesa onde antes havia estado sentado.

*** *** ***

O nosso almoço decorreu dentro da maior das normalidades, pelo menos aquela que seria possível e imaginável tendo Giorgio como convidado. Como já era de esperar, Gior depressa se ambientou e mais depressa ainda arranjou um aliado à altura, Henry.

– Non si ricorda nem um pouco aqui do tio Gior, ragazzo? – Giorgio perguntava a Henry enquanto surgia da cozinha com uma garrafa de licor que eu desconhecia ter em casa.

Henry pareceu refletir durante alguns segundos antes de responder.

– Acho que sim. – Respondeu animado sem se levantar da mesa. – Você sempre me dava aquelas bebidas doces pra beber e ficava contando histórias divertidas desse seu jeito esquisito.

– Bebidas?? – Eu e Emma perguntámos alarmadas em uníssono.

Giorgio encolheu os ombros e deu uma piscadinha para Henry com a maior cara de pau na nossa frente.

– Você andou dando álcool pro nosso filho? – Emma perguntou incrédula, acompanhada da minha própria incredulidade a seguir.

– Onde está seu senso ético Gior? Você é médico por amor de Deus! – Quase gritei, tirando a garrafa de licor âmbar da sua mão de forma brusca. – Como você foi capaz de …

– Mio Dio! Quanta isteria! – Ele me interrompeu erguendo as mãos no ar com certo cuidado para não derrubar o copo cheio que ele trazia na outra mão com uma bebida de cor escura com três cubinhos de gelo boiando à superfície. – Suas madri são sempre assim tão stressadas jovem Henry? – Ele perguntou, depositando o copo com a bebida na frente de Henry na mesa.

– Explique-se. – Emma cruzou os braços com ar sério. – Agora.

– Sim Giorgio … e não se arme em engraçadinho. O que é isso? – Completei, me referindo à bebida de cor semelhante à coca-cola na frente de Henry.

– Isso, miei amori, é um drink altamente sofisticado da minha autoria. – Explicou com ar pomposo, e antes que eu ou Emma tornássemos a criticar, ele continuou. – Composto por suco de morango, suco de maracujá, xarope de guaraná, soda e gelo. – Sorriu convencido. – Prove ragazzo! Veja se aprova seu titio também como barista!

– Como o quê? – Henry perguntou tentando não rir.

– Bartender, querido. – Esclareci, revirando os olhos para Gior que estava divertidíssimo com a brincadeira sem graça.

– Eu diria que você tá se candidatando também ao cargo de novo comediante, seu palhaço! – Emma respondeu zombando, enquanto olhava o rótulo da garrafa de licor na minha mão. – Você tá querendo embriagar minha família é? – Ela riu desta vez, se servindo do Amaretto que ele havia trazido.

– Apenas querendo adoçar mais esse mel todo minhas adoratas! – Respondeu, se tornando a sentar ao lado do nosso filho que bebericava do drink especialmente preparado para ele. – Então … qual è il verdetto? * – Perguntou apontando para a bebida com gelo.

– Gostoso! – Henry exclamou tomando outro gole. – Você devia mesmo trabalhar como barista!

– Viram só? Até il bambino concorda con me! – Ele clamou entusiasmado. – Essa é uma das minhas mais novas ideias pra realizzare nas clínicas em Seattle.

– Transformar um ambiente esterilizado em bar? – Indaguei com a sobrancelha erguida, depois de provar do licor âmbar que ele havia trazido também.

– Esattamente! Quer coisa mais esterilizada do que o álcool? – Atirou sorrindo com ar insano.

– Isso que o Henry tá bebendo não tem álcool mesmo, certo? – Emma franziu o cenho, esticando a mão para pegar o copo de Henry tentando se certificar.

Gior abanou a cabeça como se achasse ridículo aquela insistência.

– Você tá bem querido? – Perguntei-lhe de repente preocupada. – Você tá mais estranho do que o normal.

E ao que parecia eu tinha tocado na ferida porque ele deixou de ser capaz de me encarar, se concentrando em mexer o café de forma compulsiva com a colher. Troquei um olhar cúmplice com Emma, e coloquei açúcar no meu próprio café enquanto ela se levantava calmamente e começava a recolher o resto da loiça sobre a mesa.

– Me ajuda aí garoto! Traz os guardanapos vai. – Emma pediu, passando por Henry que terminava de beber o seu drink doce. Ele reclamou um pouco antes, mas logo obedeceu, saindo atrás dela para a cozinha.

– O que aconteceu? – Perguntei, pegando na mão de Gior sobre a mesa assim que ficámos sozinhos na sala.

Ele pareceu reticente em falar, mas vendo que eu não ia deixar aquilo passar, ele suspirou, apertando a minha mão de volta.

– O pedido pro teste de paternità que io pedi ao tribunal foi concedido. – Informou em voz baixa.

Não respondi logo, tentando entender primeiro ao que ele se referia, e depois, tentando achar algo apropriado para dizer-lhe sobre aquilo. Afinal, desde que ele havia retornado não havíamos falado mais do problema dele sobre a questão da guarda da filha já que tudo girara em torno dos meus próprios problemas.

– Mas isso é bom Gior! – Respondi enfim, sorrindo, tentando ao mesmo tempo passar confiança. – É mais um passo nessa sua luta pra ter sua filha com você.

– Eu sei mio bene. – Respondeu com o semblante baixo, e de repente, todo o peso que ele carregava dentro do peito se manifestou nas linhas do seu rosto, fazendo todo o brilho se apagar dos seus olhos. E como por mágica, aquela figura envelhecida e tristonha que aparecera no meu escritório depois de tantos anos, estava de volta ali à minha frente, cabisbaixo, completamente irreconhecível em relação à pessoa que ele era. – E se o teste der negativo? – Ele perguntou num sussurro como se a sua própria pergunta o envergonhasse.

– Oh querido … mas você não me disse com tanta convicção que Emily era sua? – Tentei fazê-lo me olhar de novo, e quando ele o fez, seus olhos tremelicavam, perdidos, enevoados na névoa que tomava conta do azul límpido das suas íris. – Eu não quero-te ver assim! Você vai fazer esse maldito teste de ADN e vai poder esfregar na cara daquela mulherzinha que ela nunca passou de uma reles mentirosa.

Ele deu uma risada embargada, me surpreendendo.

– Você nunca gostou dela. – Observou tristemente. – Sempre tão mais sensata do que eu no departamento di romanticismo.

– Ah … até parece! Eu? Sensata? – Revidei irónica, rindo. – Não lembra de Sarah? – Ergui a sobrancelha manhosa. – E de Suzanne? – Consegui arrancar uma risada mais leve dele, e sorri satisfeita. – Então e aquela outra doida que ficou viciada nos dildos XL e só queria com isso, depois de … — Levantei o olhar na direção da cozinha e baixei mais a voz. – … você sabe. – Sorri ligeiramente constrangida.

Giorgio teve de levar a mão à boca para não se desmanchar a rir, e apesar daquilo ser altamente perturbador e inadequado, me fez sentir melhor já que tinham sido essas minhas histórias desastrosas do passado que tinham conseguido arrancar um sorriso sincero dele de novo.

– Sua vita sessuale era bem divertida sì! – Respondeu sorrindo. – Mas sabe mio bene … — E ele fechou um pouco mais o sorriso. – Quando se tratou de amor de verdade, você simplesmente acertou. Diverso da me …. Porque io … eu errei feio na hora de escolher.

– Para com isso Gior! Você ainda vai encontrar alguém que te mereça.

– Non importa più. Eu só quero mia figlia con me. – Confessou fracamente.

– Você terá sua filha. – Falei com determinação, porque eu acreditava realmente nisso. – Quando você vai fazer esse teste?

– No final dessa semana, em Seattle. E sobre isso Regina … — Seu tom de voz mudou, adquirindo contornos de precaução. – Falei com Emma. Quero que minha equipe médica faça um check-up em você, traga seus exames anteriores.

– Você não tinha nada que falar sobre isso com ela. – Repreendi, me endireitando na cadeira. – Você sabe que não é o momento, ainda mais com o casamento tão próximo.

– Por isso mesmo mio bene. Precisamos nos assegurar que você tá em forma pra luna di miele, non è vero? – Franziu a testa sugestivamente, e de repente o italiano alegre e abusado estava de volta na minha frente, todo malicioso fazendo graça.

– Você é um idiota. – Respondi bruscamente, mas na verdade não estava zangada. – Sorte sua que eu te amo.

Ele sorriu largamente, e tomou o resto do licor com cor de caramelo.

– Tudo estará preparado pra você em Seattle mio amore. Só fazer umas ligações … tutto bene? – Pediu com suavidade.

– Tudo bem seu mala. Pode marcar. – Confirmei suspirando. – Mas aviso já que se Christina aparecer na minha frente, eu não me responsabilizo pelas minhas ações!

Ele abanou a cabeça rindo, murmurando um “Christine” de forma disfarçada ao que eu fiz questão de revirar os olhos e me levantar, indo até à cozinha para ajudar Emma e Henry, deixando ele para trás terminando de beber o café.

*** *** ***

Estava entardecendo, e não havíamos saído de casa o dia todo, até porque Giorgio praticamente nos obrigara a contar-lhe tudo o que já estava planejado para o dia do meu casamento com Emma, ou seja, apenas a data e mais nada. Depois disso, e de ele se conseguir recuperar daquela “tragédia” como ele próprio apelidara, nos encurralou no escritório e resolveu ele mesmo fazer um plano para o tão esperado dia. E como Henry faria seus doze anos no final desse mês, dois dias antes da data que havíamos marcado para o casamento, Gior endoideceu, querendo instantaneamente mudar tudo, inclusive a data para bater com o aniversário do nosso filho e fazer uma grandiosa festa.

– Você acha mesmo que Henry vai querer comemorar o aniversário no casamento das mães? – Emma perguntava num misto de descrença e divertimento. – Por favor Gior, não invente. Ele até decidiu que nem queria festa esse ano!

– Como il bambino não quer festa? – Giorgio revidou completamente perplexo dirigindo o olhar a mim. – Regina! Isso não stai certo!

Eu acabei rindo do tamanho da indignação dele.

– Querido, você não sabe que as crianças de agora preferem comemorar o aniversário com os amigos numa pizzaria qualquer? – Indaguei.

– Ah mias caras, isso foi antes do tio Gior chegar na vida desse menino, porque podem apostar que quando eu contar as minhas ideias ao jovem Henry, ele não só vai querer essa festa, como ainda vai querer convidar a escola inteira pra ela! – Exclamou em uma grande empolgação.

– Lá se vai a descrição. – Emma murmurou ao meu lado, mas curiosamente seu tom nem era de censura. Em vez disso, senti ela me envolver a cintura com um braço e me encarar com um sorriso. – E se o deixássemos aqui com esse plano maquiavélico e dessemos uma fugidinha as duas? – Sugeriu num sussurro carinhoso.

Balancei positivamente a cabeça, e numa típica saída à francesa, saí com Emma do escritório, deixando Giorgio debruçado sobre o computador totalmente absorvido pelos seus planos para o casamento, e agora, pelos vistos, também para aniversário de Henry.

– Você acha que vai ser uma catástrofe não é mesmo? – Perguntei a ela, assim que fechei a porta.

Ela soltou uma risada, encolheu os ombros e me beijou os lábios rapidamente.

– Há coisas bem mais catastróficas do que uma grande festa de casamento. – Respondeu.

– E de aniversário, não se esqueça! – Acrescentei rindo.

– Gior é pirado. – Ela concluiu, me fazendo concordar com a cabeça.

– Ele é sim. – Enfatizei sorrindo. – E você ainda mais por não se opor a tudo isso.

Ela encostou a testa à minha e sorriu de forma serena.

– Cansei de me opor a tanta felicidade, você não?

Aquilo me fez alargar o sorriso, e em vez de responder-lhe com palavras, selei nossos lábios num beijo vagaroso e delicado.

Era impressionante como os últimos acontecimentos tinham acabado por nos unir ainda mais do que antes. Depois daquele escândalo com Neal na comunicação social, das desconfianças e acusações que fiz a Emma, e de todas as discussões ou brigas nas últimas semanas, parecia que finalmente tudo estava voltando ao seu lugar, principalmente, toda a entrega e força que envolvia esse amor tão grande que era o Nosso e que abrangia a harmonia dentro da nossa família.

– Sabe o que eu acho que a gente devia fazer? – Ela perguntou quebrando o beijo, mas se mantendo grudada em mim.

– Escolher o destino para a lua-de-mel? – Provoquei, mordiscando o lábio enquanto brincava com a gola da sua camisa.

– Melhor. – Respondeu, me fazendo erguer a sobrancelha sem entender, até porque eu não podia nem pensar em coisa melhor naquele momento. – Antecipar a nossa lua-de-mel.

– Você é muito besta. – Retroqui rindo. Ela balançou a cabeça como se eu estivesse sendo injusta e me deu um selinho antes de voltar a falar.

– Eu fiz uma reserva apenas por essa noite naquele hotel que você adora. A gente podia dar uma escapadinha … — Seu olhar era igual ao de uma criança cheio de expectativas. – … Henry vai se divertir muito com o titio Gior aqui em casa. – Ela riu da própria piada me fazendo rir também. – Aí a gente aproveita pra relaxar na piscina privada que eles têm e … — Sua voz foi descendo de tom, se tornando mais baixa e grave à medida que ela aproximava seus lábios do meu pescoço.

– E que mais Miss Swan? – Indaguei, maliciosa, inclinando o pescoço lentamente.

– E ver um filme naquela telona de cinema que eles têm no quarto e … — Sua boca subiu até à minha orelha, prendendo o lóbulo entre os seus dentes por alguns segundos.

– Comer pipoca? – Indaguei novamente, negando a minha vontade de me render completamente às suas provocações.

Ela afastou parte dos meus cabelos com a mão e me beijou a base do pescoço, enquanto deslizava a outra mão pelas minhas costas.

– Podemos comer pipocas se você quiser. – Respondeu, e apesar de não estar vendo o seu rosto, sabia que ela estava sorrindo contra a minha pele. – Podemos comer outras coisas também.

Aquilo me fez rir e me arrepiar, permitindo que ela subisse novamente o rosto e me beijasse na boca durante alguns segundos.

– Hmm .. – Não foi bem um gemido, foi algo como um sinal de aprovação contido em riso que saiu pela minha boca prensada à dela. Afastei os nossos lábios e encarei-a com um sorriso ansioso. – Não estou convencida ainda. – Acrescentei em desafio.

Ela mordeu o lábio inferior, e num rasgo de segundo me senti sendo completamente despida perante os seus olhos, apesar dela permanecer parada à minha frente sem fazer coisa nenhuma. Percorrendo a pele do meu rosto com os lábios, ela parou por instantes na minha têmpora, e segredou no meu ouvido a verdadeira proposta para aquela noite no hotel.

– Miss Swan! – Exclamei surpreendida, afastando o rosto para olhá-la. – Quem te anda ensinando essas coisas? – Eu ri, a puxando para um beijo logo de seguida selando o acordo silencioso. Contudo, antes que o beijo pudesse ser novamente aprofundado, o som da campainha soou, nos fazendo separar e trocar olhares surpresos.

– Estamos esperando alguém? – Ela me perguntou olhando as horas no relógio de pulso. Neguei com a cabeça e me afastei, caminhando rapidamente para a porta com ela logo atrás.

– Eu abro! – Henry gritou para o ar, e não sei porquê aquilo me fez sentir apreensiva e instantaneamente apressar ainda mais o passo na direção da porta.

Assim que cheguei ao hall vi Henry de costas, a porta aberta, e ele recuando dois passos para dentro de novo. Ao me aproximar mais, senti um calafrio me percorrer a espinha, e antes que eu conseguisse tomar alguma atitude, já Emma havia passado por mim à velocidade de um foguete, alcançando o nosso filho.

– O que você pensa que tá fazendo aqui? – Emma perguntou bruscamente, se colocando à frente de Henry.

Eu fiquei paralisada um pouco atrás deles, me questionando mentalmente como ele teria conseguido passar os portões da casa sem ninguém nos avisar. Mas isso depressa virou fumaça porque vi que ele não estava sozinho, havia jornalistas, fotógrafos com ele, talvez a imprensa em peso ali, e a voz de um dos nossos seguranças gritando logo atrás.

– Eu só quero falar com o meu filho! – Neal se defendeu, seu tom de voz era de desepero, mas com certeza era mais uma farsa daquele canalha. – A única forma foi pedir ajuda! – Exclamou, se justificando ao se referir à presença da comunicação social.

Henry estava assustado, gritou na cara do pai que não queria falar com ele, e Emma mandou que ele subisse para o quarto. Relutante em obedecer, Emma me fez sinal, pedindo que eu o levasse que ela resolveria, e eu assim o fiz, obrigando as minhas pernas a me obedecer. Subi com Henry para o quarto e corremos para as janelas para ver o alvoroço que estava lá em baixo: os seguranças da casa tentando controlar aquela invasão de privacidade e praticamente uma patrulha de carros da companhia Gold espalhados pela entrada da mansão.

– Eles podem fazer isso? – Escutei Henry perguntar.

Cerrei os olhos com raiva, e insiprei fundo antes de lhe responder.

– Não querido, ninguém tem esse direito. – Olhei lá para fora, e vi sair de um dos carros a figura de um homem magro de óculos escuros no rosto, cabelos castanhos pelos ombros, e vestido de forma impecável, com um terno completamente negro.

Peguei no celular e marquei o número das autoridades, enquanto aquele homem erguia o rosto, dando a entender que olhava para cima ao mesmo tempo que retirava os óculos da cara com certa arrogância e olhava para aquelas janelas, diretamente na nossa direção.

– Ninguém pode. – Reforcei, apertando o ombro do meu filho sem deixar de encarar o homem pelo vidro. – Nem mesmo o próprio Gold.

Notas finais
Tradução: * è fortunata ad avere una donna così bella come te. - tem sorte de ter uma mulher tão bonita como você. * La donna perfetta per voi. Piena di buon senso dell'umorismo. - A mulher perfeita para você. Cheia de bom senso de humor. * qual è il verdetto? - qual é o veredicto?