Eu, Ela, Nosso Filho e o Outro
1 Intro
Notas iniciais
Estou iniciando mais essa fic que desde já se está revelando um desafio, por dois principais motivos:
1º - História com universo alternativo à série, que eu realmente tenho muito receio de não conseguir desenvolver. A história se passa em Nova Iorque, sem magia, sem maldições, sem Snow White's ou príncipes encantados de qualquer espécie;
2º - História escrita em primeira pessoa, o que é tremendamente complicado para mim, e em que eu tive logo a prova disso com esse primeiro capítulo em que me deparei com a mudança da pessoa no meio do capítulo de forma inconsciente, e tive de modificar tudo novamente para a primeira pessoa.
No entanto, eu decidi me auto-desafiar, e postar esse primeiro capítulo para ver se realmente tem "pernas para a andar". Por isso, aguardo as opiniões, críticas construtivas, etc.
Boa leitura!
Senti o calorzinho daquela manhã me aquecendo o rosto de uma forma gostosa, e me remexi levemente na cama, mas assim que o fiz, inconscientemente enruguei a testa com a surpresa provocada pela ausência do corpo dela ao meu lado. Abri os olhos devagar, e tive de levar uma mão às pálpebras para me proteger da claridade forte da manhã que entrava pelas grandes janelas do nosso quarto. Me permiti espreguiçar rapidamente espantando o sono de uma só vez e encarei o lado vazio da cama ao meu lado. Girei o próprio corpo ligeiramente e afundei o rosto por segundos no travesseiro dela que exalava o perfume a camomila do shampoo dos seus cabelos, e tomando coragem, num só pulo, me levantei.
Senti um arrepio ao pisar o chão frio com o pé descalço, o que me fez procurar imediatamente pelo chinelo felpudo perdido debaixo da cama devido à turbulência da última noite causada naquele cómodo pela nossa pequena celebração privada. Aquela lembrança me fez esboçar um sorriso feliz, e me fez ao mesmo tempo ter pressa para reencontrar a responsável por criar todo aquela felicidade na minha vida. Vesti um robe leve que caía suavemente sobre a minha pele e saí do quarto.
Entrei na cozinha e lá estava ela, com o jornal erguido ocultando o seu belo rosto, provavelmente lendo as últimas notícias na secção de esporte.
- Se levantou tão cedo … — Eu comecei falando, me aproximando da mesa onde ela estava sentada. — … nem me falou nada …. – Chegando ao seu lado, percorri a textura da sua blusa com os dedos na zona do braço, até subir ao ombro, onde deixei a minha mão ficar. – Senti sua falta. – Acrescentei com a voz rouca, me dobrando um pouco para lhe beijar o pescoço.
Ela não me respondeu, apenas fechou o jornal abruptamente e me encarou, não permitindo que eu tocasse a sua pele quente. Ergui uma sobrancelha sem entender o porquê daquela atitude tão brusca.
- Eu perdi a conta das vezes que falámos sobre isso! – Ela estava zangada, e eu sem conseguir entender uma só palavra do que ela dizia. – Quantas vezes eu te falei que queria algo discreto?
- Emma querida, eu não estou entendendo nada do que você está falando. – E era verdade, eu realmente não estava.
Ela se levantou, pegando no jornal, e o empurrou contra o meu peito sem nenhuma delicadeza.
- Veja com seus próprios olhos e me diga depois que não entende! – Ela praticamente rugiu e se dirigiu à pia do lava-loiça sem me encarar.
Não foi preciso desfolhar por muito tempo o jornal, porque logo nas primeiras páginas eu vi a que se devia aquele ataque de fúria de Emma. Meus olhos ficaram relendo a manchete de letras enormes da notícia principal que preenchia toda a folha.
Conceituada empresária do mundo da moda legaliza relação homossexual
Regina Mills e namorada casam dia 20
- Emma … eu .. – Eu não sabia o que dizer, apanhada de surpresa pela revelação da notícia do meu casamento com Emma estampada num dos jornais mais lidos dos Estados Unidos.
Em baixo do título havia uma foto grande de nós duas numa das ruas de Nova Iorque de mãos dadas, e no canto da notícia, numa foto de menor tamanho havia uma imagem do rosto de Henry com a legenda “Filho de Emma Swan ganha mãe milionária”.
- Eu não acredito que você permitiu isso Regina! – Ela barafustou, se virando novamente para mim. – Você não tinha o direito de nos expor dessa forma, mas acima de tudo, você não tinha o direito de expor o meu filho assim!
- Seu filho? – Senti meu peito doer com as palavras duras dela. – Eu .. eu pensei que Henry fosse nosso filho..
- Também eu pensava muita coisa … mas não é isso que diz nessa notícia, é? – Emma baixou a cabeça, soltando um suspiro pesado, sem conseguir me olhar.
- Não interessa o que essa notícia diz … querida … — Eu me aproximei dela, deixando aquele pedaço de fofocas maldosas jogado na mesa. – Você sabe como funciona a comunicação social, sabe como nem sempre se pode fazer caso de …
- De um monte de possíveis verdades? – Ela me interrompeu com os olhos levemente marejados. – Porque é isso o mais lógico! A caçadora medíocre de recompensas casar com a milionária do mundo da moda para se dar bem!
- Para Emma! – Eu tive de aumentar o tom de voz, porque ela estava ficando fora de si. Levei minha mão ao seu rosto para poder olhar melhor para ela, e deixei um carinho na sua face rubra de raiva. – Amor, eu não aguento te ver assim. Por favor esquece isso, não tem significado algum. – Ela preparava-se para me interromper, mas eu não deixei. – Nós mudamos a data do casamento, o lugar, tudo que você quiser … e desta vez, eu te prometo que não vou deixar nem um único paparazzo idiota se aproximar da nossa família.
Eu a abracei forte, e ela se permitiu afundar o rosto no meu pescoço. Tive a certeza que ela chorava, porque senti a pele do meu pescoço humedecida pelo que só podiam ser as suas lágrimas quentes e silenciosas.
- Querida … — Meu coração apertava ao vê-la assim.
Emma era sempre tão forte e segura, mas quando o assunto era esse ressaltar na diferença da nossa posição social, ela ficava muito insegura. Por mais que eu fosse discreta, não dando entrevistas acerca da minha vida pessoal, nem falando por aí com qualquer um sobre a minha vida, era praticamente impossível fugir de toda essa exposição. As coisas simplesmente vinham à tona, e às vezes, nem sequer eram verdades, e embora eu já tivesse aprendido a lidar com esse tipo de coisa, já Emma não havia adquirido ainda a mesma capacidade. Além disso tinha Henry que eu criava com Emma desde os seis anos de idade e que me tinha como mãe igualitária com a maior das naturalidades. Sempre o tentei proteger também, e até hoje nunca haviam ocorrido sérios problemas, nem mesmo na escola, com os colegas de classe ou amigos do nosso filho.
- Eu só .. – A escutei falando contra o meu ombro com a voz abafada. Ela se endireitou, me voltando a encarar ainda com os olhos um pouco vermelhos. – Eu não suporto que duvidem do amor verdadeiro que une a nossa família.
Eu esbocei um sorriso pequeno, mas sincero. Afaguei-lhe o rosto carinhosamente e selei brevemente os meus lábios com os dela, me afastando logo de seguida.
- E sabe o que eu não suporto? – Eu a questionei com serenidade.
- O quê?
- Que você duvide do quanto eu te amo. – Eu sorri, estalando um beijo ruidoso na sua bochecha.
Ela soltou um risinho audível, e aquele era simplesmente um dos melhores sons que compunham a minha vida.
- Me desculpa? – Ela perguntou de um jeito tão fofo que a minha vontade era pegá-la no colo e comê-la a beijos. Mas me fiz de difícil.
- Vou pensar no seu caso Miss Swan. – Mordi meu lábio inferior sem querer, apenas observando a labareda que se acendia dentro das suas íris esverdeadas.
- Não me chama assim que você sabe que me deixa louca. – A voz dela desceu um tom e eu me arrepiei no mesmo instante, mas me afastei, me dirigindo de novo à mesa, onde me sentei sem pressa.
- Pode deixar que dentro de pouco tempo eu te passarei a chamar de Mrs. Mills. – Pisquei o olho de forma cúmplice, cruzando a perna.
Ela não respondeu. Em vez disso, correu até mim, colocou as mãos sem cerimónia nas minhas coxas, permitindo que eu descruzasse as pernas, e se encaixou entre elas, me trazendo para mais perto do seu centro.
- Estou contando com isso. – Ela sussurrou antes de esfregar os lábios nos meus ao mesmo tempo que deslizava as mãos dos meus quadris para as minhas coxas, me fazendo ficar mais encaixada nela.
Deixei que ela fizesse o que bem entendesse com a minha boca, porque esse era um dos muitos dons que Emma possuía: me deixar completamente molhada com simples beijos repletos de paixão. Era uma paixão tão arrebatadora que nem o passar dos anos havia conseguido apagar, não quando a sua boca se pegava contra a minha daquela forma e me deixava tonta com o embate dos lábios nos meus, com os seus dentes na rugosidade dos meus lábios e com a sua língua na quentura da minha, dando voltas e mais voltas, me dando e retirando em simultâneo todo o equilíbrio do meu corpo. Por sorte, ela me segurava com força, afagando e cuidado de cada pedaço de pele exposta que ela encontrava.
- E Henry? – Ela murmurou no canto dos meus lábios.
Eu sorri, porque sabia ao que ela se referia. Tombei a cabeça para o lado, dando a indicação silenciosa que era para ela se dirigir para aquele local.
- Chega só depois do almoço. – Respondi.
- Ótimo. – E me abocanhou o pescoço de forma faminta.
Soltei uma risada gostosa seguida de um gemido ao sentir a língua dela circular por aquele lugar específico que ela tão bem conhecia na curva do meu pescoço, e a prendi a mim com força com as minhas coxas, cruzando as minhas pernas à volta do seu quadril.
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