Notas iniciais
Oi leitores do meu coração! Obrigada pelos comentários e opiniões, gostei de saber o que essa primeira ideia de enredo causou em vcs. Bem, vamos tentar desenvolver um pouco mais a trama. Boa leitura!

– Eu não entendo mãe. – Henry olhava para o seu documento de identificação com um olhar interessado e curioso. – Mas eu já não sou seu filho?

– Claro que é querido. – Eu respondi sorrindo, e apontei para o documento nas mãos dele. – E saiba que o meu nome estar aí ou não nesse cartão não muda nada.

– Então se não muda, porque você agora quer o colocar aqui? – Ele perguntou apontando para a linha que dizia Filiação.

Henry sempre fora inteligente, e agora com onze anos, cada vez estava mais atento ao mundo à sua volta, questionando tudo, querendo estar a par de tudo. Ele sabia que a sua mãe biológica era Emma, mas que o meu lugar na sua vida era tão importante como o dela, e que mesmo o meu nome não constando na sua documentação de nascimento, ele nunca questionara o meu papel e autoridade como mãe.

– Para nós que pensamos com o coração não há diferença alguma, mas você sabe, existem burocracias no mundo chato dos adultos. – Eu respondi o fazendo torcer o nariz. Eu abanei a cabeça rindo, aquela era uma das expressões que Emma fazia quando achava alguma coisa estúpida.

– Sim, eu já sei …. Foi por isso que você e a mamãe brigaram no outro dia? – Aquela pergunta me pegou de surpresa.

– Brigámos? Mas de onde você tirou essa ideia? – E realmente minha confusão era legítima porque eu não lembrava de uma briga nossa que ele tivesse presenciado nos últimos dias.

– Desculpa, mas é que eu deixei meu walkie-talkie em casa … — E à medida que ele falava o reconhecimento das suas palavras me invadiam de uma forma que iam me deixando com as faces enrubescidas de vergonha. — … na cozinha e … — Eu fechei os olhos, levando uma das mãos à testa como se me quisesse esconder do meu próprio filho.

– Henry …

– Eu desliguei depois! – Ele ergueu ambas as mãos no ar como se gritasse por inocência.

– Você escutou … a gente ..

– Não! – E desta vez era ele que havia ficado envergonhado. – Eu juro! – E ele esboçou uma cara de náusea que me fez rir. – Eu desliguei quando a mamãe falou que você a deixava louca ou algo assim. – Ele confessou apertando os olhos numa careta todo sem graça.

– Tudo bem querido. – Eu deixei escapar a respiração que eu prendi por breves momentos. – Você também já não é uma criança de colo, sabe perfeitamente que quando dois adultos se amam como eu e sua mãe, eles …

– Eu sei! – Ele praticamente gritou para me fazer parar, e dessa vez, fui eu que ergui meus braços no ar, fingindo rendição. Acabamos rindo os dois daquele momento, e ele abanou a cabeça, continuando o que ele queria dizer. – Eu sei que vocês fizeram as pazes, mas o que quero dizer é que entendo toda essa complicação de buru…u.. – Ele tentava lembrar da palavra.

– Burocracia. – Eu ajudei, fazendo ele confirmar com a cabeça.

– Isso. – Ele tornou a olhar para o documento sobre a mesa da sala. – Eu sei que é por causa desse negócio que vocês estavam discutindo … o casamento … essas coisas.

– Sim, foi isso. E você sabe, se alguma vez alguém falar algo maldoso pra você, eu não quero que você reaja com violência ou se sinta menos que alguém pela família que tem.

– Claro que não mãe! – Eu me espantava toda vez com ele, meu garotinho, tão maduro para a idade que me fazia transbordar de orgulho. – Eu sei que o que importa é se sentir bem com as pessoas que amamos, e se os outros não entendem, é porque talvez sejam uns pobres coitados que não têm ninguém que os ame de volta. – E eu fiquei estarrecida com cara de tonta o olhando sem dizer nada.

Mas quando ele havia se transformado nesse homenzinho?

– Mãeeee! – Ele passou a mão à frente do meu rosto, me fazendo retomar o foco da conversa.

– Você só pode ter herdado essa inteligência de mim. – Eu falei rindo, me recompondo e o puxando para um abraço apertado que eu sei que era a coisa mais careta do mundo, e que eu corria sérios riscos de assustar meu pobre filho com toda essa caretice até aos seus vinte anos de idade, mas foi mais forte do que eu. – O que eu fiz para merecer você?

– Você se apaixonou por uma loira linda e maravilhosa? – A voz dela me fez desprender um pouco de Henry e procurar por ela atrás de mim.

Eu me virei e a vi. Os cabelos ainda húmidos denunciando o banho que ela acabara de tomar, o aroma intenso ao gel de banho se aproximando à medida que ela chegava perto, e o sorriso resplandecente que eu enchia a boca para dizer que havia conquistado me arrebataram. Mais uma vez.

– Tão modesta você. – Não era uma crítica, e ela sabia disso.

Ela parou ao meu lado, me aniquilando mais uma vez com o seu olhar tão naturalmente avassalador. E esse era apenas um dos muitos aspectos que tornava Emma tão irresistível: ela não se dava conta. Ela simplesmente não tinha noção do quanto era maravilhosa sem nem tentar.

– Eu não mereço abraço? – Ela perguntou já abrindo os braços, mas Henry se afastou de mim, e foi andando para longe de nós.

– Me deixem fora dessa! – Ele falou com um pé no primeiro degrau das escadas que dava para o piso de cima da nossa casa. – Vou ligar pro Michael pra saber se posso ir lá jogar videogame … Posso? – Ele esperou o consentimento das duas, antes de subir.

– Já fez os trabalhos de casa? – Foi Emma que perguntou. Ele apenas assentiu com a cabeça, mas vi Emma cruzando os braços e fazendo cara de desconfiada. – Bem .. – Ele meio que se enrolou com as palavras. — … falta o de inglês. Mas eu faço hoje sem falta antes do jantar! – Ele acrescentou com pressa.

Emma olhou para mim pelo canto do olho, eu senti. Coloquei uma mão no seu braço e falei:

– Hoje tem sorvete de flocos para sobremesa.

A carinha de Henry foi impagável.

– Eu prometo que faço tudo logo. – Ele respondeu em jeito de súplica, me fazendo esforçar para não rir.

– Tudo bem. Edward te leva no Michael, mas às seis da tarde ele estará lá pra te trazer de volta pra casa. – Eu avisei, e ele assentiu subindo rapidamente as escadas.

Emma esperou que ele sumisse e se virou completamente para mim, me puxando delicadamente para ela.

– Sempre tão … — Ela passou a boca suavemente pela pele do meu rosto, apenas encostando os lábios numa carícia ao de leve, sem que se pudesse nomear de beijo o que ela fazia. — … tão persuasiva.

– Qualidades que advém dos negócios. – Eu respondi, fechando os olhos sem me dar conta.

– Qualidades? – Ela sussurrou no meu ouvido com a sua respiração quente.

– Hmm. – E nossa, que discurso tão fluente para uma pessoa sempre tão persuasiva, mas ela me roubava a coerência de uma forma tão inusitada que se os negócios dependessem de mim nos seus braços e não em uma mesa de negociações com gente tediosa e sem charme, eu facilmente entraria em falência. – Não é uma qualidade? – Consegui perguntar por fim, me afastando um pouco para encará-la nos olhos.

– Só se você conseguir me convencer a fazer amor com você em cima dessa mesa. – Ela apontou com a cabeça sugestivamente para a mesa atrás de nós na sala de jantar.

Mordisquei meu lábio indecisa, porque ela era uma safada que gostava de virar o jogo me desafiando e me provocando, o que não era geralmente um problema, mas quando eu olhei para a documentação que Henry antes olhava em cima da mesa, eu tive de recusar o desafio.

– Tenho de ligar aos advogados. – Informei, pegando nos papéis. – Quero regularizar logo a situação do nosso filho.

Ela torceu o nariz, me fazendo sorrir. Era aquela expressão, de Henry. Dela neste caso.

– Porque você não deixa isso pra depois do casamento? – Ela perguntou, me puxando de volta para ela. – Não é um papel que vai te fazer mais mãe dele do que você já é.

Meu sorriso murchou.

– Então porque você aceitou casar comigo Emma? – Eu lancei, sem conseguir evitar me sentir ferida.

– O quê? – Ela parecia alienada do peso que as palavras dela haviam causado em mim.

Abanei a cabeça, tentando afastar aquelas bobagens e inseguranças que ultimamente tomavam conta do meu inconsciente. Estava com Emma há tanto tempo, porque de repente sentia um medo inexplicável de a perder? Estávamos bem, felizes, apaixonadas.

– Tem razão amor. – Eu pousei os papéis na mesinha de centro ao pé do sofá. – Deixa só Henry descer que depois disso eu irei te mostrar o quanto posso ser persuasiva. – Eu sorri maliciosamente, a puxando pela parte de trás do pescoço para beijá-la na boca.

Notas finais
Sim Amanda, o sorvete de flocos foi pra vc! *__* ahahaha