Notas iniciais
Olá gente bonita e charmosa! =D Posso dizer que estou adorando escrever essa história, que se desenha em traços largos e curvas apertadas dentro da minha mente. xD Eu gosto muito de ler as vossas opiniões, ajudam-me mais do que vcs possam pensar, acreditem. Relativamente ao capítulo de hoje, espero que não se torne aborrecido ou entediante por causa dos flashbacks, mas esse tipo de coisa penso que se tornará indispensável para que a história evolua e progrida de forma plena nos seus vários contextos. =) Boa leitura!

Havia passado uma semana desde que Emma tinha-se encontrado com o …

Outro.

Uma semana longa e infernal para mim, em que me via como era hábito afogada em trabalho e agora a juntar a todas as minhas preocupações, mais esse problema. Estávamos tentando chegar a um entendimento sobre a forma de contar a Henry sobre o … o … pai dele.

Já falei que me dava uma náusea incomensurável quando o assunto era esse ser? Pois é, cada vez que tinha sequer de pensar sobre o tema, a minha vontade era simplesmente de vomitar tudo que eu tivesse no estômago tal era a indisposição com que eu ficava. No entanto, apenas ingeria um comprimido para o enjoo e esperava aquela sensação horrível passar.

Tínhamos combinado de contar hoje a Henry. Ele terminava as aulas às cinco da tarde, e as duas juntas, numa exceção, o iríamos buscar na escola.

Enquanto isso, eu sabia que ela devia estar com ele … o outro. Aliás, entre ontem e anteontem, ela não fazia mais nada a não ser inventar desculpas para ter de se encontrar com ele com o pretexto de avaliar de perto as verdadeiras intenções do sujeito … imagina! Como se isso me deixasse mais tranquila. Sentia ciúmes sim, confesso. Mas não era só isso. Era aquele palpitar angustiante no peito do medo que eu antes havia classificado de inexplicável. Um medo arrebatador que me causava um transtorno emocional tão grande que eu começava a ter a sensação de estar enlouquecendo. Até o simples direito de chamar Henry de nosso filho, meu e de Emma, agora me parecia retirado. Como se eu estivesse sendo despromovida do papel que eu ocupei por quase seis anos na vida de Henry. Me sentia ameaçada é óbvio, mas era mais do que isso … era um medo tão grande, um estado crescente de vulnerabilidade como se eu estivesse a ponto de perder tudo aquilo que eu conquistara: a minha família.

Meu nicho de mercado não era propriamente a exploração de peças de roupa infantis, mas o convite para a inauguração daquela loja no centro da cidade de Boston havia sido me entregue por meu querido amigo Giorgio, o que me fizera obrigatoriamente ter de aceitar e por consequência, comparecer na festa de abertura.

– Bem que a gente podia ter vindo no seu jatinho particular não é mio bene? – Ele me dizia, na que devia ser a sua centésima reclamação, ao meu lado no carro.

– Gior querido, de Nova Iorque aqui são 3 horas de carro, além disso nós estamos chegando já … — Eu respondi apontando dentro do carro para o pequeno aglomerado de pessoas à porta da tal loja que inaugurava daqui a alguns minutos. – E você sabe muito bem que eu não quero …

– Dar nas vistas, porque não faz o seu género e blá … blê … — Ele ficou me zombando de um jeito ridículo, forçando a voz a sair-lhe da garganta como se ele fosse um retardado. – … e blê… blá ..mil vezes bláblê …

– Para com isso seu idiota! – Eu acabei dando-lhe um tapa no braço sem conseguir evitar de rir. – É verdade! Eu não gosto disso!

– Conta outra Regina, você nasceu pra dar nas vistas mio bene. É por isso que somos amigos. – Ele me cortou, retirando os meus óculos do porta-luvas e os colocando no próprio rosto sem pedir qualquer permissão, mas também não era preciso … não se tratando de Gior. – Oh pelos criadores da Chanel e das devassas devassadas, você tem que me oferecer esses óculos! – Ele ficou se mirando no espelho fixo no quebra-sol do carro.

– Nem pense! Eu preciso deles pra enxergar. – Eu respondi, já esticando a mão para os pegar de volta.

– Se você precisa deles pra enxergar porque não está com eles à frente dos olhos? – Ele me provocou com aquele jeito superior dele, cheio de deboche. Ao ver que me tinha calado, ele acabou rindo vitorioso. – Viu só como eu tenho razão? Você precisa deles do mesmo jeito que a fama precisa de você … e não se iluda meu bem, você … — Eu simplesmente acabei por desistir de dizer qualquer coisa, já procurando por uma vaga para estacionar o carro. — … você simplesmente A-D-O-R-A — Ele soletrou e eu abanei a cabeça com uma careta, deixando-o terminar. – … que olhem pra você.

– Se você acha que sabe sempre tudo porque raios precisou de mim pra vir nessa inauguração? – Eu lancei para ele, naquilo que eu sabia que iria tocar num ponto delicado. Ele se calou e ficou emburrado igual à criança grande que era, e tornando a guardar os óculos de onde os tinha retirado, cruzou os braços com ar chateado.

– Você joga sujo. – Ele simplesmente atirou, olhando pelo vidro do carro.

– Então você devia se dar por satisfeito porque tudo que eu sei, eu aprendi com você. – Eu brinquei, buscando pela mão dele para a beijar carinhosamente. – Vamos Giorgio querido, eu estava brincando … — Eu tentei fazê-lo se voltar para mim de novo. – Eu sei que pode ser assustadora essa coisa de … se apaixonar e tal.

De repente, sem que eu esperasse, ele começou rindo feito um louco, me deixando sem entender nada. Ergui uma sobrancelha, esperando ele me esclarecer, isto era, se ele conseguisse parar de rir.

– Ai mio bene .. você às vezes me mata com essas suas tentativas falhadas de dar conselhos no departamento amoroso! – E novamente ele caiu na gargalhada.

– Deixa de ser ridículo seu grosso! Eu já me apaixonei muitas vezes para sua informação! – Eu disse desligando o carro, e pegando a minha bolsa para pegar o batom para retocar a cor escarlate dos meus lábios.

– Sim, claro que você já se apaixonou meu bem …. Muitas vezes até. Pena essa sua paixão se esgotar com a última gota de champanhe da noite.

– O que você quer dizer com isso?

– Você quer que eu seja grosso de verdade? – Ele parou de rir, ficando por momentos sério, virado para me encarar. Não respondi nada, então ele concluiu. – Você gosta de atenção, você é assim mio bene … uma sedutora. Depois disso, você perde o interesse.

– Isso não aconteceu com você! – Eu revidei me sentindo injustiçada.

Ele riu de novo, sendo que desta vez foi ele que me pegou na mão, me beijando a pele dela suavemente.

– Isso é porque eu sou muito gostoso! – Ele falou sensualmente, subindo a sua mão pelo meu braço até ao meu ombro. – E uma pessoa extremamente interessante e …

– Gay? – Eu completei deixando a cabeça inclinar um pouco para dar espaço ao rosto dele que se aproximava de mim, me beijando com a sua boca o pescoço brevemente.

– Bem .. – Ele sussurrou perto da minha boca. — … eu prefiro feliz. – E desviando a boca de novo, ele se afastou, se tornando a encostar ao assento do carro com um sorriso convencido no rosto.

– Mas falando sério … — Eu recomecei, mudando de assunto. — … Porquê tanta coisa com essa pessoa misteriosa? – Eu indaguei já que ele ainda não me tinha contado da paixão secreta dele. – Quer dizer, não que eu me importe de ver as últimas tendências da moda infantil no mercado, mas quem é o cara?

Ele ficou com um ar levemente embaraçado, e me fez sinal para sair do carro, enquanto eu o via saindo pelo seu lado. Quando estávamos ambos do lado de fora, ele se aproximou de mim, caminhando comigo me levando pelo braço em direção à loja recém inaugurada, já que as pessoas pareciam entrar lentamente num pequeno congestionamento inicial.

– Meu bem … — ele começou ruborizado, o que era fofo e completamente fora de caráter para ele. — … não é o cara …

Olhei para ele com o cenho franzido sem entender nada. Entrámos finalmente na loja, bastante arejada e espaçosa, onde as pessoas começavam circulando, vendo e mexendo nos vários artigos. Ao fundo, num dos cantos, existia um balcão, onde uma jovem bastante bonita e sorridente observava tudo com um ar de pura felicidade.

– Ali. – Ele apontou com a cabeça para a moça.

Posso dizer que naquele instante, em que tudo tentou se conectar com tudo dentro do meu cérebro, o meu chão caiu.

– Oh meu Deus! Mas é uma mulher! – Eu acho que devo ter falado muito alto, porque logo senti ele me dando uma cotovelada, e rindo nervosamente ao meu lado enquanto a moça virava a sua atenção para nós.

– E quando eu falo que você não consegue passar despercebida você não entende … — Ele murmurou perto do meu ouvido, antes da moça chegar até junto de nós.

– Oi .. você .. – Ela estava olhando para Giorgio. — … é Jórgíiiee ahh, … certo? Aquele que é fã do meu trabalho? – Ela pareceu corar com a sua própria pergunta pretensiosa.

– O nome é italiano querida, e se diz Giorgio. – Eu me meti, respondendo secamente.

Senti um pisão num dos meus imaculados Louboutin e logo Gior rindo feito um palhaço ao meu lado.

– Pode me chamar de George se for mais fácil pronunciar. – O escutei falar, e já ia me preparar para falar novamente não fosse ele praticamente me agarrar bruscamente pelo braço e me fazer sinal para calar a boca. – Regina mio bene … você não estava dizendo há pouco que as roupas de Christine eram fabulosas? Dê os parabéns a ela, e vá ver os modelitos infantis.

Olhei torto para ele, mas lá forcei um sorriso cordial para a tal Christine, e me afastei na direção oposta a deles.

Realmente … e Gior ainda tinha a petulância de dizer o quanto sentia por eu não me conseguir apaixonar de verdade. Para quê? Para ficar agindo feito uma palhaça? Giorgio era uma pessoa simplesmente maravilhosa e fantástica, era culto, engraçado e inteligente, mas faça-me o favor! Era só ele se apaixonar e ficava parecendo um descerebrado. E ao que tudo indicava, parecia que essa tendência se mantinha mesmo o tal cara revelado acabar sendo uma mulher.

Olhei para baixo, para o meu calçado, e amaldiçoei internamente Gior por ter sujado o meu sapato com o pisão que me havia dado. Tornei a olhar para o ambiente à minha volta, onde haviam mesas espalhadas em alguns dos cantos da loja com copos de refresco, e me aproximei para pegar um copo para mim.

Fiquei ali bebericando do que parecia ser suco de manga e observando as pessoas ao redor empolgadas com as criações da loja. A maioria eram mulheres com crianças, provavelmente os filhos ou sobrinhos talvez, querendo obrigar a criançada a experimentar as roupas da nova grife. E foi curioso aquele instante, porque eu tinha tudo pare me sentir deslocada e desconfortável no meio daquele contexto, mas na verdade eu não estava.

Me peguei olhando um menino de cabelos castanhos e pele clarinha, muito fofo. Tinha as bochechas rosadas de tanto se mexer, devia estar transpirado porque desde que o estava olhando ainda não o tinha visto quieto um só minuto. No entanto não vi sinal de um adulto responsável por ele ali perto, embora o garotinho não parecesse nem um pouco importado por isso. Fiquei com vontade de me aproximar, mas achei melhor não, então dei um grande gole na bebida, mas antes que o líquido pudesse descer pela minha garganta, já o meu vestido azul-turquesa estava todo molhado pelo suco que senti sendo entornado em mim.

– O meu vestido! – Exclamei alarmada, tentando entender como aquela desgraça tinha acontecido.

– Desculpe! – Uma vozinha infantil gritara e só aí eu baixei o olhar para ver o mesmo garotinho de que apenas retirara o olhar por breves segundos. – Foi sem querer. – Ele fez um biquinho adorável, me fazendo esquecer por momentos a situação do meu vestido.

– Não foi nada … — Respondi, olhando para ele, sem saber que dizer direito. Nunca levara muito jeito com crianças. — … você não está aqui sozinho está?

– Henry! – Escutei uma voz gritando extenuada. – Quantas vezes eu tenho que te falar pra não sair correndo por .. – A dona da voz notara a minha presença, porque se calara de repente. — … Oh me desculpe, ele fez isso? Eu peço mil perdões …. Eu … — Ela começou balbuciando sem graça, procurando por algo na bolsa que trazia cruzada no peito.

– Não se preocupe, eu tenho uma mala no carro com roupa. – Eu assegurei a ela, a observando com curiosidade, enquanto a via retirar um lenço da bolsa e esticar na minha direção para passar no busto do meu vestido.

– Ah … acho que … — Ela parou constrangida antes de me tocar com o lenço. — … é melhor ser você a fazer isso … — Eu segurei no pedaço de tecido estendido, e sorri apenas.

– Obrigada. – Disse, sem conseguir tirar os olhos das esmeraldas que pareciam figurar nos seus globos oculares.

Fiquei perdida por … segundos? Minutos? … eu não sei, mas a dona daquele olhar era simplesmente encantadora. Não era somente a cor das íris dos seus olhos, era o brilho que jazia lá, era … indecifrável de tão lindo.

Não sei por quanto tempo viveu aquele momento em mim, mas pela primeira vez na minha vida, eu tive a certeza do que era estar inteiramente viva e plena como um todo.

– Mamãe? – Henry, o menininho, chamara a loira que sustentava ainda o seu olhar no meu. – Quero ir embora.

Ela piscou, desviando o olhar do meu para o filho, e falou de um jeito carinhoso para ele se despedir de mim.

– Qual o seu nome? – A criança me perguntou, fazendo com que eu me voltasse para ele, me baixando um pouco para ficar o mais próximo possível da sua altura.

– Regina.

– Eu sou o Henry. – Ele respondeu num sorriso mais alargado, acabando por revelar a falta de alguns dentes na sua boca. – E esta é minha mamãe. – Ele completou apontando orgulhoso para a loira ao seu lado que acabou por sorrir também.

– Prazer Henry. – Fiz um pequeno aceno com a cabeça para ele, e logo depois me endireitei, encarando a loira à minha frente. – Prazer … -Estendi a minha mão para ela.

– Emma. – Ela completou, apertando a minha mão num cumprimento.

– Emma. – Repeti, deixando a sensação da maciez da sua mão se prolongar na minha.

Despertei das minhas lembranças com o toque do meu celular. Rapidamente o peguei, e nervosamente atendi a ligação.

– Emma?

Eu preciso falar com você sobre Neal. – Ela pausou, provavelmente esperando eu responder alguma coisa, mas que eu não conseguira no momento. – O que você acha de marcarmos um jantar lá em casa com ele?

– Jantar? – Eu devia estar parecendo uma retardada pelo tempo que o meu cérebro estava demorando a reagir às falas dela, mas aquele assunto simplesmente me deixava demasiado nervosa. – Mas … não acha isso um pouco precipitado?

– Sim, eu não estou falando hoje … mas depois de contarmos a Henry. Estabelecer um primeiro contato .. seria bom ser no nosso ambiente e com a nossa supervisão. Você não acha?

Não consegui responder, estava me sentindo de novo enjoada. Afastei um pouco a boca do celular e tentei inspirar fundo.

Regina? – A sua voz soou de novo do outro lado da linha.

– Sim querida. – Tornei a falar, tentando fazer com que a minha voz saísse firme. – Mas você não acha melhor adiarmos isso?

Como assim?

– Contar a Henry … eu … — Tentei ser coerente, buscar alguma justificação para não ter que contar tão depressa ao nos .. a Henry, sobre aquilo. — … Emma …

Você está se sentindo bem? – Ela soou preocupada.

Não respondi, porque aquele nó horrível se apoderou da minha garganta mais uma vez. Tentei reprimir a vontade repentina de chorar, mas estava ficando cada mais difícil.

Amor … por favor fala comigo. – Notei um certo desespero na sua voz, mas já nem sei se isso é legítimo ou se minha opinião pode ser considerada. Talvez eu na verdade quisesse que ela realmente estivesse desesperada por mim. – Você está na empresa?

– Hm hm. – Foi o que consegui responder, pateticamente.

Não sai daí. Eu vou ter com você. – Desligou.

Fiquei olhando para o visor do celular sem qualquer reação. Apenas encarando o término da chamada feito uma palhaça. Desmiolada. Descerebrada.

Até quebrar num choro compulsivo em cima dos papéis que eu tinha em cima da mesa.

Notas finais
Qualquer coisa que não tenha conseguido passar da melhor forma, não hesitem em perguntar. ;) Até depois.