Eu, Ela, Nosso Filho e o Outro
10 Dúvidas
Notas iniciais
Escutei um barulho vindo da porta, me fazendo estremecer no meio do choro.
– Vim entregar esses … — Ela parou de falar assim que viu o meu estado. – Regina, meu Deus … o que aconteceu? – Vi-a largar o que ela tinha na mão sobre a mesa, e dar a volta para me ajudar a endireitar na cadeira.
– Eu estou bem. – Respondi, olhando Katia com a vista embaçada pelas lágrimas. – Me larga! – Exclamei afastando as suas mãos de perto de mim.
– Como bem? Você estava aí chorando desesperada … o que …
– Eu disse que eu estou bem Miss Roberts! – Me levantei de rompante, passando por ela, evitando qualquer tipo de contato corporal. Inspirei fundo de costas para ela, e passei a mão sobre o rosto, limpando-o apressadamente. – O que está fazendo ainda aí parada? – Perguntei me voltando para encará-la.
Ela não me respondeu, apenas desceu o olhar para os papéis salpicados pelas minhas lágrimas sobre a mesa. Me recompus completamente e forcei um sorriso.
– Katia, eu agradeço a sua preocupação. Você é super competente e tudo mais, mas se não tem mais nada para fazer aqui na minha sala, eu peço a você que se retire. – Pedi de forma pausada.
– Muito bem. – Ela assentiu séria. – Qualquer coisa que precise eu estarei à disposição.
– Obrigada. – Esperei ela sair, mas antes dela fechar a porta, ela voltou-se de novo para mim, como se tivesse se lembrado de alguma outra coisa.
– Já ia esquecendo … ligou um tal de George Ferraz querendo marcar uma reunião com você o mais breve possível. Disse a ele que você estava com a agenda completamente lotada até final do mês. Quer que eu ligue de volta dizendo que consegui uma hora pra você recebê-lo?
– George Ferraz? – Aquele nome era desconhecido para mim. – Ele não adiantou o assunto?
– Não … — Ela franziu a testa, parecendo refletir por instantes. – Disse que depois tornava a ligar, mas pediu para transmitir felicitações pelo seu noivado e que esperava poder comparecer com um bom presente na … — Ela fez uma careta meio incerta das suas palavras, mas tentando passar o recado na íntegra e com o máximo de autenticidade. — … “boda” … meio estranho não é?
– Provavelmente um louco fanático querendo aparecer. – Desvalorizei o assunto. – Katia faça-me um favor, ligue para o Dr. Houston e diga-lhe que a nossa reunião das 15 horas terá de ser adiada. Eu depois volto a contactá-lo para remarcarmos.
Ela assentiu, sorriu brevemente, e se retirou, me deixando com os meus pensamentos novamente.
Dr. Houston era um dos advogados que estava tratando das formalidades da adoção de Henry. Tinha combinado de falar com ele a respeito do reaparecimento do .. de .. de Neal. Não falara nada com Emma sobre o assunto, mas eu precisava saber em termos legais com o que eu poderia contar nessa história. Estava tão arrasada com tudo isso, e embora eu soubesse que Emma não me colocaria de parte, meu medo de perdê-los era maior do que tudo.
Retirei um pequeno espelho da minha pasta sobre uma das cadeiras num canto da sala, e tentei retocar a maquiagem do meu rosto, de modo a disfarçar a vermelhidão provocada pelo choro e a sombra das olheiras já visíveis pelo estado de cansaço e ansiedade em que andava nos últimos dias.
Olhei as horas no relógio de pulso, assinalando quase duas horas e meia da tarde. Não havia almoçado direito, para variar, então decidi subir ao bar no piso superior para comer mais alguma coisa e tomar um café forte para me animar.
Fui-me sentar numa das mesas no pequeno terraço que havia ao lado, numa das mesas mais afastadas do balcão ou de outras mesas que me fizessem ter de falar com mais alguém por pura educação. Estava um dia relativamente claro, com um solzinho bom como a companhia de eleição para me acompanhar naquela torrada e café. Assim fiquei durante um bom tempo, perdida mais uma vez nas minhas recordações, que mais pareciam ter sucedido em uma outra vida.
– Eu não entendo muito desse tipo de coisa, mas esse tecido parece ser bem delicado. – A moça de mechas loiras e encantadoras, Emma, apontava para o meu vestido molhado de suco. – Pelo menos me deixa pagar a lavandaria.
– Eu tenho mais tr .. – Acabei desistindo do que ia dizer, que seria “três vestidos iguais na minha mansão em Nova Iorque”, me dando conta do quanto isso soaria pretensioso. Em vez disso, acabei sorrindo, e dizendo que não tinha importância.
– Claro que tem importância. Não é Henry? – Ela respondeu, pousando a mão no ombro do menino pequeno que já parecia estar ficando muito impaciente por estar há demasiado tempo parado no mesmo lugar. – Tem importância sim, porque nós não devemos andar por aí jogando suco nas roupas dos outros, certo garoto?
Só depois eu entendi o que ela estava fazendo. Como eu era alienada nesse tipo de coisas! Ela estava ensinando ao filho a se responsabilizar pelos seus erros? … Acabei sorrindo feito uma idiota para a cena que presenciava.
– Sim, eu sei mamãe. – O menininho moreno respondeu cabisbaixo. – Eu pedi desculpas.
– Sim, ele pediu sim! – Eu confirmei, não suportando ver o menino daquela maneira.
– Que bom Henry. – Ela falou apertando levemente o ombro dele para transmitir aprovação. Me olhou novamente e ia falar mais alguma coisa, mas o menino interrompeu:
– Você é bonita.
Fiquei sem saber o que responder a ele de imediato, pega de surpresa pelo elogio descontextualizado, mas depois tornei a sorrir e agradeci.
– Mamãe porque ela não janta com a gente? – Ele lançou animado, me deixando mais uma vez sem palavras, e ao que parecia, também à mãe dele que sorriu sem graça para mim.
– Henry, isso lá é pergunta que se faça! A moça tem a sua vida e de certeza que já tem planos para …
– Por acaso não tenho não. – Me vi respondendo sem nem pensar, e com certeza ela iria ficar pensando que eu era uma abusada sem noção.
Ela me fixou por alguns segundos sem dizer nada, enquanto o menino, Henry, gritava um “Oba!” cheio de empolgação.
– Quer dizer, eu não quis me fazer de convi … — Eu comecei, de um jeito tão desajeitado que nem me reconheci.
– Não se preocupe, eu não pensei isso. – Emma me cortou, esboçando um sorriso que parecia ser sincero. – Aceite o convite pra jantar como forma de pagamento pelo estrago no seu vestido. Quer dizer … — Vi ela descer o olhar pelo meu vestido, mordendo o lábio nervosamente, e aquilo instantaneamente me fez arrepiar. – … Acredito que um jantar feito por mim não pague um vestido desse nível, mas ..
– Um jantar feito por você terá um valor muito superior, então eu fico no lucro. – Revidei, e desta vez fui eu que a deixei sem graça, porque ela baixou brevemente o olhar, levando uma mão às suas mechas, enrolando-as nos dedos. Era adorável na verdade.
– Oba! A moça bonita janta com a gente! – Henry soltou quase num grito, e começou puxando a mãe pelo braço querendo ir embora. – Mamãe vamos no parque.
– Espera garoto. – Ela fez sinal para ele se acalmar, e tirou rapidamente um bloquinho e uma caneta de dentro da bolsa. – Eu vou anotar o endereço aqui. – Ela foi escrevendo à medida que falava. – E você pode aparecer por volta das oito da noite … — Ela arrancou a folha do bloco e a estendeu para mim.
– Muito bem … lá estarei às oito em ponto. – Respondi agarrando no pedaço de papel escrito.
Ela assentiu com um sorriso, e se deixou levar pelo menino que a puxava para fora da loja sem lhe dar outra alternativa.
– Háa! – Ela exclamou alto na minha direção, já quase perto das portas principais da saída. – Pode levar seu marido .. ou namorado se quiser! – E sem me dar tempo de resposta ela simplesmente sumiu com o menino, se perdendo entre os transeuntes lá fora na rua.
Marid ..namorado? Fiquei feito uma idiota fixando as portas transparentes da loja, perdendo o meu olhar e pensamento naqueles dois e …
– Viu passarinho amarelo? – Dei um salto com o susto, levando a mão ao peito. Me virei para ver Giorgio me olhando com um sorriso estranho no rosto. – Ou eu diria antes ave loira de espécie rara? – Ele perguntou de jeito trocista, me fazendo fazer uma careta.
– E você .. já galou tudo que tinha que galar da sua Christina? – Provoquei.
– É Christine. E nossa, como você está agressiva hoje mio bene. Tem certeza que não está de TPM?
– Não é da sua conta. – Eu respondi andando para fora da loja sem olhar para ele.
– Desde quando? – Ele foi andando atrás de mim a passo apressado para me acompanhar.
– Desde que você virou hétero e nem me informou. Quanta consideração! – Passei as portas da loja, e esperei o sinal abrir para poder atravessar a rua.
– Mio benee … vem cá! – Ele me abraçou por trás, acabando por me fazer rir contra a minha vontade. – Eu estava com vergonha … — Ele confessou, baixando o olhar. Só aí olhei para ele, séria.
– Vergonha? Nós sempre contámos tudo um ao outro, o que é diferente desta vez?
– Quer que eu realmente te diga o que há de diferente desta vez? – Ele perguntou sério, mas ao ver a minha sobrancelha erguida em confusão, um sorriso malandro se redesenhou nos seus lábios finos. — Veja se adivinha qual é coisa qual é ela que todos temos entre as pernas, mas em alguns é …
– Você é um babaca idiota! – Eu não deixei ele terminar dando um soco no ombro dele que logo reclamou com a dor, mais um exagero dele, como era óbvio. – Não é hétero nem há um dia e já está se comportando como um cafajeste sem vergonha.
Ele riu e me beijou o rosto sem que eu pudesse evitar.
– Me perdoa amor mio? – Ele me encarou com aqueles olhinhos ternos que sempre me enterneciam.
– Você gosta mesmo dela Gior? – Busquei pelas mãos dele que estavam geladas.
Ele não havia-me respondido, mas nem foi preciso porque bem antes disso eu já tinha a minha resposta.
– Não importa se você é gay ou não, com tanto que seja feliz. – Eu lhe disse, e deve ter sido uma das coisas mais sinceras que eu já dissera para alguém até aquele dia.
Ele abriu um sorriso lindo e me abraçou. Eu o abracei de volta, e quando nos soltámos, eu entrelacei meu braço no dele, e juntos atravessámos a rua até ao carro do outro lado.
– E agora vai-me contar quem era a loiraça gatona? – O escutei perguntar ao se sentar do meu lado no carro.
– Aparentemente uma mãe de família. – Respondi não muito animada sem olhar para ele. – Me convidou para jantar na casa dela …
– Nossa mio bene, não perdeu a tacada! Quanto tempo foi? … 10 minutos de sedução? – Ele ficou olhando o relógio no pulso tentando fazer as contas.
– Não foi nada disso Gior … o filho dela acabou indo contra mim, me sujando o vestido com suco … ela deve ser casada e tudo mais … — Respondi de forma ausente.
– Então você recusou o convite pra jantar certo?
Não respondi, nem olhei para ele, me sentindo nervosa.
– Regina! – Ele berrou atónico. – Não pode ser! Ai amor mio … olha pra mim. – Eu obedeci me voltando para encará-lo. – Você realmente está, você … — Ele não conseguiu terminar a própria frase levando as mãos à boca incrédulo.
– Estou o quê? Não diga disparates! – Liguei o carro, já me preparando para arrancar. – Eu aceitei por … por educação.
– Engane-se o quanto quiser mio bene, mas não me engane a mim. – Ele soltou uma risada curta, e depois meio que soltou um soluço ou não sei bem o que foi, mas quando o olhei nos olhos ele parecia estar prestes a chorar de emoção. – Eu nunca pensei que estaria vivo pra ver o dia em que Regina Mills finalmente se ia apaixonar!
– Cala a boca! Eu não estou apaixonada, que droga! É só um jantar.
– Que pena que eu não estarei lá pra ver isso. – Ele disse-me olhando com cara de tonto alegre.
Nesse momento eu acabei rindo pelo que ele dissera, e de forma divertida respondi-lhe, o pegando de surpresa:
– Na realidade você estará sim.
– Hey! – Dei um pulo na cadeira, me apercebendo que alguém me tinha acabado de chamar. – Quer me matar do coração?
– Emma? – Encarei-a completamente a leste de tudo.
– Te procurei por tudo que é canto nessa empresa. – Ela puxou a cadeira que havia do outro lado da mesa e a levou até à minha frente, se sentando nela logo de seguida. – O que você tem? – Ela me segurou as mãos nas dela, me olhando com preocupação.
Meu olhar se perdeu durante alguns segundos nas esmeraldas que eram os seus olhos. Tentei perceber se o brilho delas ainda estava lá do mesmo jeito que eu me lembro, mas acho que a minha visão deve ter ficado desfocada por alguma coisa porque não consegui enxergar direito.
– Você está chorando? – Escutei a voz dela alarmada, e logo de seguida senti as suas mãos no meu rosto. – O que está acontecendo com você?
– Emma … — Dei uma pausa, piscando os olhos, e de imediato sentindo lágrimas tombando deles. – Você ainda o ama?
Vi ela franzir a testa no que deve ter sido um milésimo de segundo, a princípio sem entender, mas depois, ela abriu a boca para responder, apenas para a tornar a fechar no segundo seguinte.
– Você o ama? – Repeti, enquanto mais lágrimas escorriam de forma silenciosa pelo meu rosto.
– Regina não seja ridícula. – Ela retirou as mãos do meu rosto, e instantaneamente senti as faces como tomadas por um gelo abrasador. – Você perguntando isso até me ofende. Não misture as coisas.
– Eu acho que quem está começando a misturar as coisas é você. – Respondi, tomada por uma súbita irritação. Deixei que as últimas lágrimas escorressem sem ter a preocupação de as limpar e agarrei com firmeza no pulso de Emma. – Essa sua necessidade repentina de estar com ele não é coisa de quem não mistura as coisas.
– Você está vendo coisa onde não existe! – Ela exclamou, puxando o seu pulso de volta. – Eu estou pensando em Henry. Não quero que o meu filho sofra mais com isso.
– O seu filho? – Agora sim ela estava-me tirando do sério, ao mesmo tempo que dava razão a todos os meus medos. – E por favor, não use Henry como desculpa, ele era um bebezinho quando ele te deixou … um recém-nascido! – Eu me levantei consternada. – Não use o nosso … — E eu tive de forçar a palavra para eu mesma voltar a acreditar nela. – … filho pra justificar as suas ações!
– Baixa a voz, estão começando a olhar pra gente. – Ela me avisou, olhando pelo canto do olho na direção das outras mesas.
Posso dizer que aquilo apenas contribuiu para que a minha irritação aumentasse, beirando a raiva. Encarei-a brevemente em silêncio, frustrada, e me sentindo incompreendida.
– Eu quero mais é que os outros se explodam. – Disse, me afastando dela.
– Onde você vai? – Ela perguntou nas minhas costas, me fazendo virar.
– Trabalhar. – Fiz uma pausa, respirando fundo e contando até dez mentalmente. – Ou você acha que até isso os outros vão ficar comentando? – Ok, a contagem não havia resultado.
– Para com isso Regina. – Escutei ela pedir, se aproximando de mim. – Henry também é seu filho. – Ela baixou numa fracção de segundos o olhar, envergonhada. – É você que eu amo, não ele. Você sabe disso.
Fixei o meu olhar profundamente no dela e … estava ali, aquele brilho, indecifrável de tão lindo, iluminando as duas íris de coloração dúbia.
– Durante muito tempo foi muito doloroso tocar nesse assunto sabe? – Ela me dizia naquela noite estrelada, no terraço do seu apartamento em Boston.
– Não precisa me contar se não quiser. – Assegurei a ela, com um sorriso sincero nos lábios.
– Não .. – Ela se virou para me olhar, e não sei se foram as luzes da cidade iluminando tudo à nossa volta, mas os seus olhos me fuzilavam com seu brilho próprio com uma intensidade capaz de me retirar o ar, me fazendo esquecer de como respirar. – Eu quero te contar.
Eu sorri apenas, aguardando.
– O pai de Henry foi o homem da minha vida. – Ela confessou, e mesmo querendo estar lá para ela, meu coração se ressentiu com aquela declaração, mas eu fiz força para não apagar o sorriso que permanecia na minha boca. – Nunca mais houve ninguém como ele, sabe? Capaz de me deixar … como eu posso dizer … — Ela parou, desviando o olhar do meu, tentando achar a palavra certa.
– Sem palavras? – Eu completei rindo. Ela me fixou de novo e riu junto comigo.
– É … acho que é meio isso mesmo. A gente fica sem saber como se comportar, agir, sei lá … meio sem cérebro mesmo.
– É … — Confirmei baixo, sem saber que falar a seguir.
De repente, o silêncio se tornou pesado, incomodativo, como se a ausência das palavras naquele caso escondesse segredos terríveis. Ou simplesmente, os revelasse.
– Regina .. – Ela recomeçou, com o olhar não muito firme no meu, a insegurança ou nervosismo transmitidos pelo próprio lábio mordiscado. – Você me deixa assim.
– Assim? – Perguntei por instantes sem entender.
– Sim … sem saber como me comportar, como … — Ela baixou o olhar, se sentando no banquinho que havia ali. – Me desculpa, eu estou confusa. Esquece o que eu disse.
– Você também me deixa assim. – Revelei de uma só vez, fazendo com que ela fosse atingida num ápice, porque logo ela levantou a cabeça e me olhou surpreendida.
– Mas … — Ela tentou, em vão, pois as palavras morreram na sua boca.
– Qual o problema? – Questionei, estendendo a minha mão para ela, fazendo-a se levantar até que ficássemos frente a frente de novo. – Querida … — Prendi o lábio entre os dentes de nervoso, me esforçando para não perder o meu olhar nos seus lábios convidativos. – Acho que isso não é tão confuso assim, é?
Ela me encarou, seu olhar trémulo, sua mão ainda na minha suando frio, e sua respiração irregular batendo no meu rosto.
– Mas … — Ela tentou novamente, apertando a minha mão. – Você é uma mulher. – Desvendou, praticamente num sussurro como se estivesse confessando um crime.
Eu não soube que lhe responder, mas a sua fragilidade naquele momento era tão visível, quase palpável, que eu não consegui achar palavras para descrever beleza maior que a dela. Então, eu fiz a única coisa ao meu alcance que conseguiria transmitir aquilo que eu estava sentindo no peito.
Tomei-a num abraço, e apertei-a tão forte, como se eu a quisesse fundir em mim para sempre. Primeiramente ela não teve reação, apenas se deixou apertar contra o meu corpo, mas depois de alguns segundos, a senti me abraçando de volta. E aquela era definitivamente uma das sensações mais maravilhosas que eu já havia sentido na vida.
– Você … — Escutei a sua voz sussurrando pertinho do meu pescoço, me arrepiando a pele inteira. — ... você é a mulher da minha vida. – Ela completou, me apertando o impossível contra ela.
– Você não acredita em mim? – Escutei sua voz martelando na minha cabeça, me trazendo de volta para o presente. – Você é a mulher da minha vida. – Ela afirmou com convicção.
– Eu sei disso querida. – Respondi com um sorriso triste no rosto. – Meu receio, por outro lado, é que ele continue sendo o homem da sua vida.
Ela abanou a cabeça levemente, tentando me assegurar de que aquilo que eu dizia não era verdade, mas sinceramente, eu acho que ela tentava se assegurar mais a ela mesma do que a mim.
– Você quer adiar? – A pergunta dela me pegou de surpresa, fazendo com que eu demonstrasse confusão. – Se você não se sente confortável ainda com esse assunto … podemos falar com Henry outro dia.
Fiquei em silêncio apenas a encarando por instantes, remoendo mais uma vez tudo aquilo, e por fim, tomei uma decisão, respondendo-lhe com firmeza:
– Para quê adiar o inevitável? – Atirei-lhe de forma retórica, dando-lhe a indicação silenciosa que era altura de sair dali. – O nosso filho merece conhecer o pai. – Completei com um meio sorriso rasgado em sarcasmo.
Fale com o autor