Eternal Love

7 Terrible Love


Notas iniciais
Obrigado pelos comentários.

É um amor terrível e eu estou caminhando com aranhas
É um amor terrível e eu estou caminhando
É uma companhia tranquila, é uma companhia tranquila — Birdy, terrible love.

Sou sugada por um buraco negro.

Não há luz. Não há porta. Não há saída.

Eu continuo caindo num buraco sem fim. Sem volta. Esperava que tivesse um chão. Eu sempre achei que quando morresse iria encontrar paz. Mas a morte é agoniante. Eu acho que isso é a morte. Tem algo pior de você não saber o que fazer nem onde está? Se está morta ou em um pesadelo que demora de acabar?

Gostaria de saber. Gostaria de saber tudo. Sem segredos.

Se apenas uma pequena parte fosse revelada a mim, se apenas um pedacinho de algo que poderá me afetar, mesmo que me machucasse, preferia saber.

Aperto os olhos com força, se eu abri-los igual fiz há alguns segundos ficarei mais agoniada.

Estou com frio. A meu redor está tudo gelado, mas pelo que eu me lembre, não é inverno. Ao menos quando eu estava na terra não era inverno.

Será que a morte será como um deja-vú? Viver tudo pelo o que já passamos.

Sinto meus cabelos longos no meu rosto, devido a queda que ainda acontece. Coloco meus braços ao redor do meu corpo com o objetivo de me esquentar. Isso não dura, pois, de uma hora para outra o frio passa.

E eu finalmente encontro o chão.

O impacto deveria me matar. Segundo o tempo em que estava caindo e também a física lógica eu deveria estar em pedacinhos pelo chão. Mas isso não acontece. Apenas sinto uma pontada nas costas e a quentura do impacto inesperado.

Onde estou?

O lugar parece conhecido.

Meus ossos tremem. E o pânico se estabelece.

Ao meu redor as ruas ainda estão calçadas de modo antigo, com pedras. Não tem poste de luz ainda, são apenas caixas onde contém algo que parece fogo queimando. Nas esquinas há carros de 1920, todos bonitos e brilhando, como se seus donos os limpassem todos os dias.

Ando por meio delas.

As casas são de uma estrutura antiga. Tinha visto casas desse tipo nos livros de história.

Vejo em minha direção uma mulher com o vestido branco até os joelhos, tem bainhas no fim dele. Ela usa varias pérolas – nos pulsos, pescoço, e nas orelhas – seu cabelo é tão bem alinhado que me pergunto como elas fazem aquilo. Ela tem uma touca preta, enfeitada com pérolas. Seu rosto é mais pálido que o normal, sua boca é de um vermelho vinho e seus olhos não estão em destaque, mas são negros.

— Olá. — digo, mas não recebo uma resposta em troca. Ela passa direto por mim, como se não pudesse me ver.

Sigo-a. Adianto um pouco os meus passos para que consiga alcançá-la.

— Hey, você pode me ver? — tento novamente, mas não obtenho resposta. Ela continua andando. — Eu estou aqui! Por favor! — desta vez eu grito. Mas não chamo a sua atenção.

Vejo a mulher entrando em um espaço. Logo em seguida ouço musica alta, conversas e solas altas se batendo contra o chão. Então entro em um grande salão.

Ele é iluminado e está lotado de pessoas com roupas do ano de 1920. O salão tem um grande lustre de cristal. Risadas altas são ouvidas. Pessoas bebendo, mulheres sorrindo sedutoramente. No palco, uma mulher negra canta. Ela está estonteante. Sua voz é potente e boa de ser ouvida.

Eu estou em 1920! Mas como?

Olho mais atentamente ao redor. É como se fosse um circulo. Tem quase três camadas – posso assim dizer. O meio é a pista de dança, e em frente o palco. A segunda camada é onde eu estou, onde tem um bar. Pequenas mesas redondas. Vejo homens com o fardamento do exército. Já a terceira camada é como se fosse área VIP, homens elegantes com olhar superior. Bonitos. Todos bebendo.

Sinto meu estômago ser revirado. Ameaço botar tudo pra fora. Um grunhido sai de minha barriga. E isso tudo é quando eu o vejo. Eu vejo o Stefan.

Ele está lindo, não está com o topete normal. Seu cabelo está jogado para o lado e bem alinhado. Em seu terno preto, tem uma rosa branca. Ele se apoia na barra que tem ali e sorri para a pista de dança.

Vou até a camada três, preciso falar com Stefan. Preciso que ele me veja. Passo por mulheres que tem uma beleza invejável.

Quando chego perto dele eu sorrio, e corro em sua direção.

— Stefan! Stefan, você me vê? Querido, diga que me vê! — mas ele não faz nada, e nem me olha.

O olhar de Stefan está para algo que vêm de trás de mim. O sorriso dele é enorme. Stefan sorri para duas pessoas atrás de mim, que caminham até ele elegantemente. Uma mulher loira, a mais bela loira que eu já vi. Seu traje é superior e estonteante, ela parece ofuscar todas as mulheres que estão no salão. O homem ao seu lado sorri, ele é loiro, seu cabelo é do mesmo tom que o de Stefan, os olhos são verdes e tem o sorriso maroto implantado em seu rosto.

— Stefan. — diz o loiro, quando chega perto dele.

— Klaus.

A postura deles é séria, seus rostos parecem de psicopatas. Um olhar assassino e frio. Minha nuca começa a formigar e dou um passo para trás. A reação dos dois não dura muito tempo pois, Klaus solta o braço da loira e da um abraço bruto em Stefan, com tapinhas nas costas e é retribuído.

— Stefan, irmão. Pensei que já tinha ido. — diz Klaus.

— Ah, caro Mikaelson. Tenho ainda muitas coisas aqui, — ele olha para a loira. — não posso deixar tudo para trás. — ele se aproxima da mulher que levanta sua mão delicada.

Stefan beija as costas de sua mão e sorri galante.

A loira cora.

E eu tenho vontade de vomitar por conta desta cena.

— Rebekah, querida. Sempre estonteante.

— E você, sempre tentando conquistar as mulheres.

— Dá certo.

— Eu sei, você me conquista todo dia. — queria bater em Rebekah. Quero falar que Stefan é meu.

Aperto minhas mãos, me ferindo. Sei que eles não podem me ver. Estou tonta.

Stefan se aproxima da loira e a beija. Isso é o suficiente para mim sair dali correndo.

Quando saio, vou direto para um beco escuro. Minha mente está embaralhada, tentando processar tudo. Minha visão está turva, embaçada por conta das lágrimas que teimam em escorrer. Aperto minha barriga e escorrego pela parede de tijolos, me sentando no chão sujo.

Tem uma grande lata de lixo em minha frente. Papelões espalhados por todo o beco. É noite e tudo o que eu quero é fugir daquele lugar. Voltar para o tempo em que vivo. Aquilo já foi o suficiente.

Minha privacidade não dura muito tempo. Vejo um casal entrando no beco. Não consigo saber exatamente como é a fisionomia deles. Apenas sei a cor do cabelo da mulher que é castanho, por conta da luz do luar.

Eles começam a se beijar, e ouço gemidos. Quero sair dali o mais rápido. Não quero ver aquilo. Contudo, quando estou prestes a sair do beco ouço um grito abafado. O homem está com o rosto afundado no pescoço da mulher, prendendo ela na parede. Em seguida ele para, não ouço mais gritos e a mulher cai no chão imóvel, morta.

Era um vampiro.

Por instinto me aproximo e quando chego perto o suficiente para ver o rosto dele, me assusto.

Prendo o grito com a mão e cambaleio para trás, pois, quem está saindo daquele beco com a boca melada de sangue, com um sorriso diabólico e um lenço para limpar seu rosto é Stefan. Meu namorado.

Stefan é um assassino. Ele é igual a todos os vampiros. Fui enganada. E então, a escuridão chega novamente e o buraco me suga daquele lugar. Fico agradecida. Aperto os olhos deixando as lágrimas descerem e grito. Meu corpo está tremendo. E por instinto, ponho a mão no meu ventre.

É um amor terrível e eu estou caminhando
Vai demorar um oceano para se terminar