Eternal Flame – O Fim
4 Acontecimento Estranho
Notas iniciais
Uma brecha de sol atravessava as cortinas de seda do meu quarto e eu tive de acordar. Espreguicei-me voluptuosamente. Eu estava com um ótimo humor naquela manhã e meu coração batia descompassado quando eu pensava em Jacob. Ele poderia estar acordado uma hora dessas.
Levantei da cama com um pequeno salto e ignorei o fato de eu ainda estar de pijamas. Desci as escadas mais rápido do que meus pés permitiam. Eu precisava ver Jake, senti-lo, ouvir um Eu te amo saindo de seus lábios grossos.
Porém, quando cheguei à sala, fui dominada por uma leve tristeza quando encontrei apenas meu pai, Jasper e Emmett no cômodo.
– Cadê todo mundo? – foi o que consegui dizer em meio a minha voz ofegante.
– As mulheres foram fazer compras, como sempre – tio Emm revirou os olhos. – Menos Leah que saiu por aí com o namorado. Jacob foi desmontar alguma coisa na floresta, para depois ir caçar com os outros lobos e Carlisle foi conseguir emprego no hospital da cidade.
Bufei, batendo o pé impaciente.
– Que tal uma partida de xadrez comigo enquanto isso, Ness? – Jasper propôs.
– Ok, pode ser Jazz. Preciso me distrair um pouco, talvez – murmurei, sentando-me em uma pequena mesa no canto da sala, onde ele também estava. Jasper arrumava as peças no tabuleiro em uma velocidade inumana.
– Pronta para perder? – meu tio fitou meu rosto com um olhar desafiador e um sorriso presunçoso.
– Vai sonhando – ri, movimentando uma das peças do jogo.
E assim, iniciamos uma partida silenciosa de xadrez. Com isso, consegui desviar meus pensamentos de Jacob por alguns minutos.
– Xeque mate – balbuciou meu tio sorrindo, enquanto derrubava meu rei.
– Quero revanche – pedi, batendo o punho na mesa. Tio Jazz ajeitou as peças novamente.
Começamos novamente o jogo, até que um cheiro amadeirado semelhante atingiu em cheio o meu olfato. Jacob havia chego.
Levantei da mesa abruptamente, derrubando o tabuleiro no chão. Jasper resmungou, mas eu não dei à mínima. Corri até o jardim e meu coração deu um solavanco quando encontrei meu lobo ali, vestindo apenas uma bermuda, sem camisa ou sapato. Um sorriso radiante nos lábios, os braços estendidos para me abraçar. Atirei-me em seus braços, não me importando com mais nada.
– Eu estava com tanta saudade – admiti com a voz abafada.
– Eu também minha pequena. Não via à hora de chegar e ver você – ele afagou o topo da minha cabeça, colando meu rosto em seu peito. – E aí, como foi sua noite?
– Dormi melhor do que nunca – respondi com um enorme sorriso, analisando cada pedaço de seu rosto. – Sonhei com você – comentei, dando-lhe um beijo rápido.
– Na caçada contei para os lobos sobre o casamento. Seth foi quem mais se animou, é claro. Os outros ficaram meio indiferentes – Jake deu de ombros.
Escutei um barulho de motor vindo de algum lugar próximo. Logo dois carros estacionaram na frente da casa e desceram dali Bella, Alice, Rose, Esme, Rebecca, Rachel, Kim e Claire. Fiquei feliz ao vê-las novamente.
– Bom dia filha – minha mãe deu um pequeno beijo maternal em minha testa e então entrou na casa.
As outras cumprimentaram ou acenaram com um sorriso amigável, menos Rose que fechou a cara, mas eu não me importei.
– Tudo está tão perfeito – admiti, colocando o rosto de Jacob entre minhas duas mãos. – Parece que é apenas um sonho bom, mas é real. Nunca me senti tão bem.
Jacob me pegou desprevenida em um beijo intenso. Nossas línguas se chocavam diversas vezes e eu necessitava de fôlego com urgência, porém não queria me distanciar nem um centímetro sequer do lobo. Ficamos por vários e deliciosos minutos nos beijando abrasadoramente, até que Jake concluiu o ato. Fiquei meio desapontada no início, afinal, cada beijo nosso me fazia querer mais.
– Ness... Hoje tenho alguns compromissos com a matilha. Vou ficar fora por algumas horas – explicou ele e eu fiz um bico manhoso. – Você aguenta?
– Acho que posso suportar – fingi não me importar muito, mas na verdade eu estava novamente desapontada.
– Esse é o problema de ser um alfa... Não posso curtir minha namorada pelo tempo que desejo – ele fez uma pequena careta de reprovação.
– Concordo – dei uma gargalhada mínima.
De repente ouvimos alguns uivos estridentes, e Jacob logo deduziu que fosse a matilha.
– Tenho que ir meu amor – disse ele, dando-me um selinho rápido. – Mas eu volto!
– Ok, não se apresse – murmurei relutante. Não era isso o que eu realmente queria dizer.
Jacob assentiu, então se metamorfoseou e desapareceu na mata. Suspirei, mas eu tinha que aceitar. Não queria nem pensar na hipótese de Jacob estar se sentindo preso no relacionamento. Eu sabia que isso não devia acontecer, afinal, eu sou alvo do imprinting de Jake, mas eu não podia descartar a possibilidade.
(...)
Depois de um bom banho e um passeio pela floresta com meu pai, eu estava assistindo a um filme na TV a cabo com Emmett e Arthur. A mansão estava bem quieta sem os lobisomens por perto. Apenas havia alguns barulhos de passos ou quando um de nós ajeitava a postura no sofá. O celular de Arthur tocou, e ele foi para os fundos da casa para atender. Talvez não quisesse incomodar.
– Já estão pensando nas coisas do casamento? – tio Emm me perguntou, não desviando os olhos da TV.
– Ainda é meio cedo – respondi normalmente.
– E sobre a lua de mel?
– Também não.
– Tomara que não quebrem o quarto na lua de mel como Edward e Bella fizeram. Esme teve de gastar um bom dinheiro para comprar novas camas.
Ri timidamente. Emmett sempre dava um jeito de comentar alguma coisa insana.
– Minha irmã acabou de me ligar – disse Arthur, entrando na casa novamente. – Ela disse que virá nos visitar amanhã.
Meu tio deu de ombros, já eu dei um meio sorriso amigável.
– Como é o nome dela? – perguntei.
– Jennifer, mas ela prefere que a chamem apenas de Jenny.
– Legal. Teremos mais uma convidada para meu casamento – pisquei.
– Você e Jacob vão se casar? – questionou surpreso.
– Sim, você não sabia?
– Não! Ninguém comentou nada comigo.
– Ele me pediu em casamento ontem – mostrei o anel em meu dedo para ele.
– Boa sorte pra vocês – desejou ele.
– Obrigada – agradeci e ele se retirou do cômodo.
– Odeio esse cara – Emmett comentou fechando a cara. – Sempre tenho um mau pressentimento em relação a ele.
– O que há de errado com ele? – perguntei incrédula. – Jacob e Rachel também têm a mesma percepção, mas eu não vejo nada demais. Ele é apenas um humano qualquer.
– Sei lá, é estranho. Parece que cada palavra dele é falsa, não confiável.
– Você está assistindo a muitos filmes de mistério, Emmett – zombei.
Ele me deu um pequeno soco no braço, mas já foi o suficiente para que eu sentisse dor.
(...)
Demorou mais alguns minutos para que Jacob e o resto da matilha chegassem. Um alívio percorreu pelo meu corpo quando ele me abraçou apertado enquanto me dizia palavras bonitas.
– Demorei muito? – perguntou a mim. Seu hálito quente batendo em meu rosto alegre.
– É claro que não, mas já foi o suficiente para que eu sentisse sua falta.
Ele sorriu radiante e então estendeu a mão.
– Quer ver o crepúsculo comigo? – perguntou, apontando para o sol que se punha.
– Claro – assenti e ele me conduziu até o lado de fora da casa.
Chegamos até lá e nos sentamos na grama do jardim. Era o crepúsculo mais lindo que eu havia visto. O sol se escondendo atrás das montanhas e deixando rastros laranja pelo céu. Era uma visão espetacular, principalmente em meio à floresta em que vivíamos.
– Bonito, não? – Jacob sussurrou.
– Muito – concordei.
– É mesmo – Bella apareceu atrás de nós. Eu me virei para olhá-la e vi que seu rosto perfeito brilhava como um diamante. – Realmente é muito bonito – mamãe sorriu, observando a paisagem e então se sentou conosco.
Eu abracei seu braço gélido, mas eu já estava super acostumada com a temperatura fria dos vampiros, então nada me ocorreu.
Depois de meia hora o crepúsculo se transformou em um estrelado céu noturno e então nós três voltamos para dentro da casa. Eu estava cansada, então deite-me no colo de Jacob no sofá. Eu olhei para Arthur, sentado do outro lado do sofá. Ele sorriu pra mim e minha cabeça pesou, com uma dor aguda na têmpora. Logo tudo escureceu e eu não me lembrava de mais nada.
Algo estava me puxando cada vez mais fundo e eu estava ficando cada vez mais impotente e frágil. Eu lutava contra essa força estranha, mas era completamente inútil.
(...)
Vários sussurros invadiam a minha mente e eu abri os olhos lentamente. Pestanejei, tentando fazer com que minha visão embaçada normalizasse.
– Nessie! Ah, Nessie finalmente você acordou – Jacob comemorou, dando um beijo de leve em meus lábios secos.
– O q-que a-aconteceu? – gaguejei. Eu estava anestesiada.
– Ninguém sabe, querida. Você simplesmente apagou – Edward explicou. – E nos deu um grande susto.
– Foi bizarro. Mas o importante é que você está bem – Jake disse, segurando minha mão. – Se algo acontecesse com você...
– Nem fale algo desse tipo, Jacob! – Bella repreendeu, sentada ao lado da cama onde eu estava deitada.
Duas batidas na porta do quarto.
– Posso entrar? – Arthur perguntou do outro lado do cômodo.
Eles se entreolharam por alguns segundos.
– Deixe-o – pedi. – Pode entrar Arthur – avisei a ele.
O loiro abriu a porta do quarto lentamente.
– Podemos conversar a sós? – ele perguntou aos outros.
Jacob o fuzilou com os olhos.
– Não se preocupe meu amor, é só uma conversa – tranquilizei-o.
– Ok – ele concordou relutante e então saiu do quarto, juntamente com os outros que ali estavam.
– Como está Nessie? – Arthur perguntou, despencando na poltrona ao lado da minha cama.
– Eu estou confusa. Não sei ao certo o que aconteceu – confessei.
– A sua família está achando que eu fui o culpado pelo seu desmaio. Eu não entendo...
– Eu não acredito neles – afirmei antes que ele pudesse terminar. – Não se sinta culpado por nada.
– Obrigado Renesmee. Como eu já disse, você é muito gentil – ele sorriu, levantou-se da poltrona e abriu a porta do cômodo. Jacob entrou no quarto assim que Arthur saiu.
– O que ele queria? – indagou sério.
– Apenas saber como eu estava me sentindo – menti.
– Não de ouvidos a esse cara. Já disse a você que não confio nem um pouco nele.
Fiz uma careta, cruzando com dificuldade os braços dormentes.
– Desculpe pelas minhas implicâncias Ness, mas eu prometi que não deixaria ninguém machucar você. Eu te amo.
– Eu também – retribui sorrindo.
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