Eternal Flame – O Fim
5 Jennifer
Notas iniciais
No dia seguinte meu avô Carlisle realizou vários exames em mim logo de manhã para verificar o porquê de meu desmaio repentino. Porém não havia nada de errado, pelo contrário, os exames mostravam que eu estava muito saudável, o que tornava tudo ainda mais estranho.
– Tem certeza de que não há nada Carlisle? – Jacob checou pela milésima vez, enquanto voltávamos para casa depois de passar a manhã no hospital.
– Não, absolutamente nada – ele respondeu com convicção.
Jake coçou a cabeça. A expressão carregada de preocupação enquanto fitava meu rosto no banco de trás do carro.
– Ela está bem, Jacob – meu avô concluiu enquanto estacionava o carro na frente da mansão.
– É, eu estou bem! – frisei. – Eu juro.
– Sim, eu sei que está. Mas mesmo assim eu continuo preocupado.
– Não fique – murmurei afagando seu rosto com a mão.
– Não havia nada de errado no exame – Carlisle avisou a todos quando atravessávamos a porta da frente.
Todos ficaram um tanto espantados, mas nada comparado à preocupação de Jacob.
– Talvez seja apenas estresse – disse meu pai.
– Ou alguém o causou – Rosalie completou, olhando discretamente na direção de Arthur.
– Seja lá o que aconteceu, o importante é que eu estou bem. De verdade! – eu disse com a voz elevada para que todos na casa escutassem. Então cruzei os braços e comecei a subir a escada da mansão.
Jacob caminhava atrás de mim, até que apurou os passos e envolveu minha cintura com seus grandes braços. Estremeci e me virei para beijá-lo. Nossos lábios se tocaram gentilmente, para depois tornar-se um beijo cada vez mais intenso. Jacob apertou minha cintura com mais firmeza e eu entrelacei os dedos em seus cabelos.
O pigarrear de Edward e a risada gutural de Emmett nos lembrou que ainda estávamos na escada, com uma multidão nos observando.
– Uau, Jacob! – Paul zombou, abraçando-se a Rachel, que estava com um pequeno sorriso nos lábios.
Senti minhas bochechas pinicarem. Afundei meu rosto no pescoço de Jacob.
– Ah, cale essa boca – Jake revidou.
Mais uma risada de Emmett ecoou pela casa, acompanhada de risadas menores; Rosalie grunhiu, jogando seus cabelos loiros pra trás; Jasper concentrou seu olhar em mim e eu me senti um pouco menos nervosa e encabulada – ele estava controlando meus sentimentos. Teria que me lembrar de agradecer a isso depois.
Eu e o lobo caminhamos até meu quarto no terceiro andar, ignorando os risos ou os comentários maliciosos de Emmett depois que desaparecemos de vista.
– Ai, me desculpe – murmurei enquanto trancava a porta do quarto. – Eu devia ter me controlado – escondi meu rosto entre as mãos.
– Não se preocupe Ness – ele tranquilizou-me, tirando as mãos de meu rosto vermelho e traçando desenhos com a ponta do dedo no mesmo. – Eu também perdi meu controle. O que não é nada difícil quando estou com você.
Eu sorri enquanto analisava todos os traços de seu rosto e chegava à mesma conclusão de sempre: Jacob era perfeito. Seus olhos de um negro intenso, contrastando com os cabelos da mesma cor; os lábios voluptuosos, motivo do meu desejo constante; seus dentes perfeitos que formavam o seu lindo sorriso.
– Por que está me olhando assim? – Jake questionou.
– Estou pensando na tamanha sorte que tenho por ter você comigo.
Jacob sorriu radiante e um choque atravessou todo o meu corpo quando ele trilhou beijos pelo meu pescoço. Mordi o lábio com força para conter um gemido.
E, mais uma vez, estávamos mergulhados em um beijo avassalador. Nossas línguas travavam uma batalha sem fim. Jacob afagava minhas costas com as mãos espalmadas sobre minha camisa, o que fazia com que cada parte do meu corpo sentisse mais desejo por Jacob.
– É melhor diminuirmos o ritmo – o lobo balbuciou com os lábios ainda colados aos meus. – Seu pai está aqui, e eu duvido que ele perca uma oportunidade de nos repreender.
Eu tive de afastar meus lábios dos dele, relutante. Abracei seus ombros e ele me ergueu, colocando os meus pés sobre os dele e então começamos uma dança particular. Não havia música, apenas nossos pés girando no piso de madeira polido.
– Dançaremos assim no nosso casamento, mas será na areia – comentou ele.
– Areia? – questionei confusa.
– Ah, eu me esqueci de contar a você. Eu e Alice conversamos ontem à noite enquanto você dormia e decidimos que o casamento será em La Push.
– La Push? – repeti efusivamente alegre.
– Isso mesmo! Achei que você iria gostar – afirmou ele.
– Gostar? Eu amei! – dei pulos animados e abracei Jacob. – E a lua de mel?
– No chalé de Edward e Bella.
Aquilo soou como música para os meus ouvidos. O casamento seria na praia onde eu e Jake tivemos inúmeros encontros e a lua de mel – onde finalmente seriamos um só – seria no lugar onde eu vivi até minha pré-adolescencia.
– Uau, Jake! Você e tia Alice foram incríveis nas escolhas, no meu ponto de vista! – admiti.
– Ótimo – Jacob murmurou enquanto envolvia meus ombros com seus braços. – Estou ansioso para daqui algumas semanas, quando eu estarei em La Push, sob as espessas nuvens de Forks, esperando você aparecer vestida com um vestido branco, caminhando lentamente na minha direção com um salto alto, andando sobre alguma plataforma que estará em cima da areia. Eu estarei com lágrimas nos olhos, ansiando por dizer eu aceito e nos beijarmos, concluindo o matrimônio – comentou ele, pegando minhas duas mãos com delicadeza e segurando-as com força enquanto olhava intensamente no fundo dos meus olhos.
Lágrimas idiotas começaram a brotar dos meus olhos, fazendo-os arder. Eu não queria deixá-las sair, mas com um descuido mínimo uma delas contornou meu rosto. Bufei enquanto limpava a lágrima com o polegar.
– Jacob... – balbuciei não conseguindo mais conter as lágrimas. Atirei-me em seus braços e ele pegou-me sem dificuldade, tirando meus pés do chão.
(...)
Estávamos novamente no andar de baixo, depois de tomarmos coragem de nos mostrarmos de novo.
Esme havia feito chá para mim e Jacob, que tomávamos enquanto jogávamos uma partida de baralho na mesma mesa em que eu e tio Jazz jogamos xadrez ontem.
De repente houve batidas ritmadas na porta. Minha avó levantou-se do sofá da sala e caminhou em ritmo extremamente humano até a porta e a abriu.
– Olá, você deve ser Esme, não é? – perguntou uma voz feminina do lado de fora da porta, mas eu não conseguia ver quem era. – Eu sou Jennifer, irmã de Arthur. Muito prazer. Meu irmão me disse muito sobre vocês, então resolvi visitá-los.
– Irmã! – Arthur comemorou indo na direção dela, que acabava de entrar na mansão. – Achei que chegaria mais tarde – ele deu um abraço em Jennifer.
Finalmente eu pude ver seu rosto. Os cabelos loiros caiam como cascatas em seus ombros, os olhos eram azuis como os de Arthur, mas não cinzentos e sim de um azul bem claro, talvez até esverdeados. Vestia um vestido preto, salto agulha e luvas de couro. Jennifer era extremamente bonita, quase com uma beleza vampiresca.
– Não se intimidem, ela sabe sobre vocês – avisou Arthur, gesticulando na direção da irmã.
Jennifer caminhou rumo a mim, o sapato fazendo uma série de barulhos no piso.
– Olá Renesmee – cumprimentou, tirando a luva de couro e estendendo a mão pra mim. Eu a apertei. – Meu irmão me contou de você, que é uma garota muito gentil – ela sorriu e me deu um rápido abraço. – Tenho certeza de que seremos grandes amigas – Jenny piscou.
– Assim espero – pisquei de volta.
A humana se virou e deu de cara com Seth, que ficou completamente imóvel quando a viu. Os olhos ficaram vazios, como se ele estivesse bem longe da realidade.
Meu pai sorriu quando ouviu os pensamentos dele e fitou a mim e a Jacob, como se tivéssemos algo semelhante diante do que estava acontecendo.
– O que há com Seth? – perguntei a Jacob, num sussurro quase inaudível.
– A coisa mais poderosa para os lobos Nessie... Seth teve o imprinting com Jennifer – respondeu. Seus olhos negros brilharam intensamente a cada palavra dita.
Logo Seth piscou, agora parecia estar consciente. Ele sorriu para Jenny como jamais sorriu. Um sorriso sincero que ia de orelha a orelha.
– Há algo de errado com o garoto? – ela indagou, afastando-se dele. Parecia bem assustada.
Todos se entreolharam por um longo tempo, esperando que alguém respondesse à pergunta de Jennifer. Até que Jacob tomou a iniciativa.
– Seth teve um imprinting por você – explicou. – É uma coisa de lobo... é como uma paixão à primeira vista, mas bem mais forte. Agora você é a alma gêmea de Seth e ele será seu protetor, ou o que você quiser. Seth está incondicionalmente ligado a você agora.
Jenny tremeu. Ela levantou os olhos para Seth, depois os abaixou novamente. Ela engoliu em seco e mordeu o lábio inferior com força.
– Imprinting? – murmurou com a voz completamente fraca, depois de um longo tempo em silêncio.
Olhei ao redor para observar a reação dos outros. Arthur era quem mais estava assustado. Ele estava entrando em estado de choque.
– Então q-quer dizer que Seth está a-apaixonado por m-mim? – gaguejou Jennifer.
– Mais do que isso – dessa vez Seth foi quem se manifestou. – É uma ligação muito forte, e não tem como fugir... é para sempre.
As palavras do lobo causaram bastante transtorno na humana, que ficou boquiaberta.
– Mas você não é obrigada a corresponder – completou Jacob. – Só o fato de ser amiga de Seth já pode ser o suficiente. Eu também tive um imprinting por Renesme – ele envolveu minha cintura, puxando-me para mais perto –, mas ela correspondeu. Agora estamos noivos e nos casaremos em breve.
O queixo de Jenny caiu ainda mais. Ela não tinha ideia de como reagir a isso. Depois de alguns segundos em meio a devaneios, ela despencou em uma poltrona da sala, colocando a cabeça entre as mãos.
– Vou buscar uma água para ela – anunciou Bella correndo de forma inumana até a cozinha. Depois de alguns segundos voltou com um copo cheio e o ofereceu a Jennifer.
– Obrigada – ela agradeceu pegando o copo de água com uma das mãos trêmulas. – Acho que vou precisar de um tempo para processar isso.
Minha mãe assentiu e fez com que todos saíssem do cômodo. Apenas Arthur ficou ali, sentado no sofá e conversando com a irmã seriamente. Arthur estava com a expressão bem severa – a testa vincada, com as sobrancelhas praticamente unidas e os lábios franziam quando ele não estava discutindo com Jennifer.
Depois de alguns minutos de conversa séria, Arthur foi atrás de Leah e a humana ficou analisando o fundo do copo vazio impacientemente.
– Bonito, não? – Jacob perguntou atrás de mim, fazendo-me dar um pequeno salto assustado. Ele estava se referindo ao imprinting de Seth.
– Claro, é uma pena que a pobre Jenny ficou bem atordoada com tudo isso – murmurei apontando para ela.
– Foi algo que a pegou de surpresa... mas não há como controlar.
– Renesmee – Jennifer me chamou. Eu fui até o respectivo lugar onde ela estava, e sentei-me na poltrona ao lado dela. – Será que podemos ir até seu quarto? Preciso me distrair um pouco.
– Sim, é claro! – concordei guiando-a até o terceiro andar.
– Sua casa é gigantesca – afirmou ela, esquadrilhando os corredores em que passávamos.
– Era de um vampiro amigo de meu avô Carlisle. Aí ele precisava sair da cidade e nos vendeu a casa, pois estávamos nos mudando também. Há apenas três dias que estamos morando aqui – contei.
– Hum – balbuciou tocando em uma estátua de gesso em meio a duas grandes janelas que iam do chão ao teto.
– Bom, aqui é o meu quarto – anunciei abrindo a porta de madeira branca.
– Minha nossa! – exclamou adentrando o cômodo. – Isso aqui é enorme. Olhe essas cortinas... e esse guarda roupa! – disse gesticulando para os mesmos.
– Minha tia Alice cuida da decoração... às vezes ela exagera um pouco – ri sem graça, sentando-me na cama e dando indicando o espaço ao meu lado para que ela também se sentasse.
– Exagerado? Isso aqui é perfeito!
Jennifer era muito legal, tanto que era até um pouco estranho. Mas eu me sentia bem perto dela, então qualquer aspecto negativo era deixado de lado.
– Você pode me mostrar suas roupas? Porque eu fiquei espantada com o tamanho desse móvel – apontou para o guarda-roupa.
– Claro que sim – respondi abrindo a porta de correr do mesmo. – É minha tia quem seleciona as roupas também.
– Uau, ela está de parabéns! As roupas são ótimas! Acho que tenho mais uma pessoa para fazer amizade – comentou ela, rodopiando graciosamente pelo cômodo para depois despencar na cama.
– Você já fez aulas de balé? – perguntei depois de observar seus giros bem-feitos.
– Sim, quando em era pequena fiz alguns anos – respondeu passando o pé pela perna de apoio até chegar à altura do joelho, formando um passé.
– Alice me deu algumas aulas – comentei tentando fazer o mesmo passo, porém não obtendo o mesmo êxito.
– Tente manter mais o equilíbrio – sugeriu. – Só assim conseguirá.
Fiz o mesmo, erguendo um pouco mais o pé na perna de apoio.
– Isso! – ela me sorriu e fez um plié para concluir.
– Bom, mas... voltando ao assunto Seth – comecei. Jenny mudou de expressão na mesma hora. – O que você acha dele... do imprinting... tudo isso?
– É bem complicado. Quero dizer, eu não o conheço direito e num estalar de dedos ele se apaixona perdidamente por mim... É um verdadeiro choque.
– Eu devo concordar com você, mas acho que você deveria dar alguma chance para Seth, ao menos como um amigo. Ele é um cara legal e merece ser correspondido.
– Ok, mas me prometa que todos respeitarão meu tempo – pediu.
– Trato feito – cruzei os dedos em um juramento.
– Então acho que vou pensar no assunto.
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