Estudante de Ocultismo

1 Cap. 1: Vida de Estudante


Chovia lá fora. Chovia muito. Meu corpo simplesmente não obedecia meus comandos. A minha cama estava tão quente, tão boa. Queria sentir aquela sensação mais um pouco. Mas tinha de ir para a escola.
-Merda. –Falei, olhando a hora no relógio de parede.
Levantei e me arrumei, depois peguei a bicicleta e pedalei para a faculdade. Não ficava tão longe, mas a chuva corroia minhas energias enquanto eu pedalava.
A bicicleta rangia bem baixo, uma melodia grave e enjoativa. Ao chegar na faculdade a chuva tinha parado, vai ver era só eu que estava com azar.
Ao chegar na faculdade, fui direto para a sala, sentei próximo à janela, abri um livro de psicologia e esperei pela aula.
Do lado de fora, um pássaro cantava no galho de uma cerejeira. O tédio já estava tomando conta. “Cadê aquele professor?”
Logo depois o professor entrou na sala e começou seu discurso. Depois que a aula acabou, fiquei um pouco sentado na carteira, olhando os pingos da chuva, que voltava lentamente, descerem o vidro da janela. Algo me fez ficar sentado lá por alguns minutos. Eu sempre fui um pouco sensitivo. Depois de esperar, levantei com um impulso e andei em direção ao corredor.
Próximo ao banheiro, dois alunos gritavam feito loucos com um garoto menor. Andei em direção a eles.

-Você quer morrer moleque? Me dá logo o seu dinheiro seu nerd de merda! –Gritava um dos homens segurando o garoto na parede com as duas mãos.
-Tudo bem. –Disse o garoto.
O garoto colocou a mão no bolso e tirou a carteira, mas antes de ele entrega-la para os valentões, eu tomei rapidamente de sua mão.
-Desculpem, mas eu quero o dinheiro do garoto. –Falei, olhando desafiador os olhos dos valentões.
-Jack Salutari, não é? –Perguntou um deles. –Desculpe, mas o dinheiro é nosso!
Ambos eram maiores que eu, mas eu era rápido, graças a minha experiência. Esquivei dos socos, e defendi alguns, logo os dois pararam.
-Mas que porra é essa? –Falou um dos valentões, ele parecia assustado.
O maior dos dois tentou lutar sozinho contra mim. Um dos socos passou raspando meu rosto. Peguei o braço dele e o entortei quase o quebrando. O grandão gritou e eu o derrubei no chão.
-Não voltem a mexer com este garoto. –Falei, devolvendo a carteira para o moleque que quase a perdeu.
Desci até o refeitório, e lanchei uma pizza quente pra cacete, quase queimei a língua. Depois de comer, fui até o telhado, ao chegar, lá, percebi que o vento ficou mais forte e o ar mais frio, parecia que iria nevar. Fui até o centro do telhado e a porta se fechou sozinha. Tirei um livro da mochila.
O livro era pesado e tinha um pentagrama na capa, era um livro velho que achei há um tempo, este livro me fez o que eu sou hoje.
-Sabia que tinha um por aqui, vocês adoram causar confusão e tumulto, e eu senti o cheiro de enxofre. –Falei, abrindo o livro em certa página.
Logo depois que parei de falar, apareceu um algo nas sombras. Pele e osso, o demônio andava em minha direção como um quadrúpede, rápido e forte, com garras manchadas de sangue de pecadores. Pele vermelha.
Ágil, o Demônio pulou em cima de mim, jogando meu livro longe.
-Maldito. –Falei.
Coloquei as duas mãos em seu pescoço, mas ele era mais forte, e me jogou de costas na parede, parecia ter quebrado um osso. Cai de ombros no chão, recuperando o fôlego.
-Você não deveria se meter em assuntos alheios garoto, ou vai morrer. –Disse o demônio enquanto andava na minha direção, agora em duas pernas.
-Eu já decorei algumas palavras do livro! –Falei. -Sanctum potestate!
Em minhas mãos, uma luz branca se juntava, o brilho parecia cegar o demônio.
Joguei a luz no peito do demônio, que voou e bateu na grade de proteção. Corri até meu livro e comecei a tentar manda-lo de volta ao inferno.
-Revertimini ad inferos Daemon tenebrarum nomine Belzebub!
O demônio gritava muito alto, mas somente eu podia ouvi-lo.
Abaixo do demônio, se abriu o inferno, e eu o chutei para o “andar de baixo”. Logo depois, o chão voltou a ser chão, e eu limpei minhas roupas.
-Esses demônios estão cada vez mais inteligentes. Filhos da puta. –Falei, cuspindo no chão.
Desci ao refeitório novamente, tinha perdido minha aula. Comprei algo para comer e fui para casa. Ao chegar lá, vi duas senhoras na minha porta, estavam me esperando.
-Moço, Preciso da sua ajuda, minha filha está possuída, e o padre não conseguiu salvá-la, eu soube que você mexe com ocultismo, faça alguma coisa pela minha filha, por favor! –Dizia a senhora quase chorando.
Suspirei de cansaço e deixei a bicicleta dentro de casa, sai e tranquei a porta.
-Vamos lá! –Falei para a velha, que agradeceu.
Ao chegar lá, muitas pessoas estavam próximos ao quarto onde a menina estava gritando. Três homens que pareciam padres estavam na frente da porta. Aproximei-me, pedindo licença.
-Desculpe filho, mas você não pode entrar, ou Lúcifer possuirá seu corpo também. –Disse um dos padres.
-Malditos hipócritas. –Falei, empurrando o padre da frente da porta.
-O nosso Bispo já está resolvendo a situação, não precisamos dos seus serviços, bruxo! –Falou o outro padre, que tinha cara de gay.
-Seu Bispo está morto. –Falei, abrindo a porta.
Os pedaços do Bispo estavam por todo o lado, e sangue cobria todo o piso, teto e paredes do quarto. A garota estava no teto, com os pés grudados lá, e pendurada de cabeça para baixo. Não era a garota, e sim um espírito que tinha possuído seu corpo. O Espírito voou em direção à porta.
-Ela vai nos matar se sair do quarto! –Gritou uma mulher que estava desesperada.
Rapidamente eu saquei um amuleto, que na verdade era um pedaço de osso de um padre pecador tingido com sangue seco de um inocente. Pendurei o amuleto na maçaneta, e o espírito parou no ar e caiu no chão, olhando furioso para min.
Entrei no quarto e fechei a porta.
-Agora somos só nós dois. –Falei, tirando um pingente de ouro em forma de três lanças que se cruzavam na cabeça de um demônio.
Coloquei o pingente na testa do espírito, enfraquecido por causa do amuleto na maçaneta da porta, e ele começou a gritar. O pingente queimava a testa do espírito, sem queimar a garota.
-Me diga você já matou a garota? –Perguntei.
-Ainda não! Mas posso fazer isso se você continuar. –Falou o espírito.
-Não se eu for mais rápido! –Falei rapidamente começando o ritual. -Rapientem corporis, hoc ipsum quod est non habere? Pro Yialos, ego calce!
Devagar, eu tirei o pingente da testa da garota, e o espírito veio grudado pela testa, saindo aos poucos do corpo da garota que permanecia no chão. O espírito gritava agora desesperadamente, enquanto eu o puxava do corpo da garota. Depois que o retirei completamente, o pingente o absorveu.
-Revertere in mundum! –Falei, finalizando o ritual.
Calmamente, guardei meu amuleto e meu pingente. Abri a porta, todos olhavam perplexos por eu ter sobrevivido.
-Esta feito. –Falei.
Todos entraram no quarto, chorando, correndo em direção à garota. Eu fui me retirando do local. Do lado de fora, os dois padres que ficaram do lado de fora durante o exorcismo mal feito do Bispo, me olhavam com ódio. Sorri para eles. Os padres se viraram e foram embora.
Voltei para o meu quarto, um pequeno quadrado no enorme Japão. Minha casa estava muito bagunçada, mas minha mente a derrotava completamente neste quesito.
Joguei-me na cama, e dormi, totalmente exausto, sonhei com o meu livro de ocultismo.
--------------Fim do primeiro ato-------------------------------