Estrela Polaris

3 Planeta quase desabitado


Com as espadas em mãos, os piratas soltam todos junto se uma grito de guerra e vão para cima da Hydra, que tentava atravessar o escudo de vento, seu corpo esguio a ajudou na missão de penetrar a barreira, mesmo que com muito danos, os grandes homens tentam impedir que ela perfure o casco do navio enquanto a mesma começa a se enrolar nele, os fortes golpes de espada não pareciam causar mais do que arranhões na besta.

”Não vão conseguir com isso”, penso enquanto impulsivamente pego uma espada jogada no chão e corro até o outro lado do deque e começo a tentar chamar a Hydra com esperança de que algum dos homens a atacasse assim que ela se distraísse comigo e acabasse logo com ela. Infelizmente, não foi o que aconteceu, a Hydra atendeu ao meus chamado olhando diretamente para mim, mas assim que o fez, ela lançou sua cabeça com a mandíbula aberta em minha direção, com o susto eu deslizei para baixo do corpo dela e cravei a espada nela de olhos fechados de medo. Alguns segundos passaram até que eu notasse que ela não estava se movendo para tentar arrancar minha cabeça, abro uma fresta do olho direito e noto que cravei a espada em uma de suas estrelas, Alphard, talvez aquele fosse sei coração, tendo visto que agora ela parecia morta, retiro a espada com dificuldade e saio debaixo da criatura, os homens assustadores do navio se reuniam em volta de mim comemoração e me parabenizando com “tapinhas” bem dolorosos nas minhas costas.

— Você! — escuto a voz de Lena na parte superior do deque onde ficava o leme — Olhe o estrago que causou no meu navio! — ela aponta para a Hydra que quebrou uma parte do casco e do deque — Sabe o trabalho que vamos ter para concertar isso?

— Eu MATEI a criatura, deveria estar me agradecendo! — grito com raiva

— Poderia ter feito isso sem comprometer o que nos mantém vivos nesse fim de mundo, mais um estrago nesse casco e certamente estaríamos flutuando dispersos nesse abismo de estrelas a nossa volta, e sem ar ainda por cima, você iria desfazer o que nos mantém respirando! — diz descendo de onde estava e andando até mim até ficarmos cara a cara enquanto cruza os braços e olha para mim com desdém

— Eu...... — tento começar a falar, mas logo desisto, então apenas bufo e olho irritadamente para o chão com os braços também cruzados — Sim, capitã. — digo sarcasticamente com um leve tom de desgosto na voz

— Bom ouvir isso, senhorita Polaris. — ela põe os braços pra trás das costas assumindo uma posição ereta com a cabeça erguida — Muito bem, senhores, vamos traçar um curso para o planeta florestado mais próximo, precisamos reparar esses danos antes que o navio perca completamente seu equilibro e a barreira acabe sendo quebrada

— Sim, capitã! — dizem em coro fazendo uma continência, todos o fazem, menos eu, que ainda encarava o chão irritadamente

— Eu fui clara para todos? — ela pergunta olhando diretamente para mim

— Sim, capitã. — levanto a cabeça para olhá-la nos olhos e faço o mesmo movimento que os outros fizeram

— Ótimo. — ela se vira e caminha calmamente de volta ao leme

Durante toda a viagem fiquei na parte inferior do navio com Gabe e o chefe, Gabe descascava batatas enquanto o chefe abria uma lula colorida muito estranho e tirava todos os seus órgão.

— Não consigo acredita em como aquela mulher é uma cabeça dura, eu ajudo a salvar a vida dela e ela me agradece me dando um sermão! — digo em tom arrogante enquanto cortava as verduras

— Vai com calma, floco de neve, aquele megera ainda é nossa capitã — o chefe diz rindo

— Achei que a leal tripulação dela não falasse assim a “maravilhosa capitã”. — respondo dando uma leve risada

— Aquelas marionetes lá encima não, mas eu não vou me portar educadamente perante ela, sou um caso à parte da tripulação

— O que quer dizer?

— Eu e a capitã nos conhecemos a muito tempo, não significa que somos exatamente melhores amigos, mas a conheço melhor do que aquele fantoches lá encima, por isso ela não realmente se importa que eu não seja formal com ela. — ele se espreguiça fazendo um grunhido — Além do mais, ela sabe que eu posso cuspir na comida dela se ela me tratar do jeito que te tratou hoje. — ele gargalha

— Deve ser ótimo ser você aqui nesse navio, não tem que obedecer a ninguém, não tem que lutar contra monstros e fica sempre sozinho aqui sem ninguém para incomodar. — suspiro apoiando a cabeça nas mãos, mas antes que o chefe pudesse responder sentimos o navio chacoalhar

— Acho que atracamos, deveria ir lá para cima antes que a capitã venha aqui te procurar, eu cuido do pequeno

— Boa sorte lá encima, mana. — Gabe fala sorrindo

— Eu volto logo. — acaricio a cabeça dele e subo as escadas para a parte superior

Haviamos parado em um planeta que não parecia habitado, nele haviam muitas árvores estranhas com aspecto arredondado, mesmo que tivessem a forma de uma árvore normal, tinha a aparência de uma árvore feita de balão, o chão era lamacento e eu não escutava nenhum som de animal em volta, nem mesmo pássaros pareciam voar sob aquele céu amarelado.

— Pois bem, senhores, dividam-se em 2 grupos. — Lena diz a frente de toda a tripulação e faz uma linha no ar com seu indicador no meio deles, que se separam formando dois grupos — Grupo 1 recolhe madeira e grupo 2 recolhe seiva

Os homens se preparam para descer do navio, noto que a Hydra não estava mais ali, talvez a tivessem jogado para fora do navio enquanto eu estava na cozinha, só não sabia como fizeram isso com a barreira de vento em volta de nós.

— Polaris. — escuto Lena gritando para mim à distância — Você vem comigo buscar suprimentos para o navio

— Sim, capitã. — digo indo em direção a ela

Nós e o resto da tripulação colocamos botas de borracha bem longas para atravessemos aquele chão lamacento, os grupo de dividiram e nós ficamos passando pelas árvores a procura de algo que parecesse comestível, mas aquelas árvores só davam umas frutas roxas muito grandes e estranhas, elas pareciam ter espinhos com pintar arredondadas e tinham um cheiro terrível, nenhum de nós estava muito disposta a ser a cobaia que iria descobrir se ela era comestível.

— O que fazem por aqui? — escutamos uma voz à distância

Ficamos quietas olhando em volta, Lena desembainhou sua espada e estava preparada para atacar qualquer coisa que se mexesse.

— Vamos com calma, vamos com calma. — escutando a voz que agora parecia assustada — Não querem matar um homem quase extinto certo? — o homenzinho sai detrás das árvores com as mãos para o alto

Ele era baixinho e gordinho, a pele dele era de uma cor perolada, sua cabeça tinha uma formato bem redondo e ele era careca, de sua cabeça saia apenas uma antena longa com a ponta redonda que pendia para frente.

— Quem é você? — pergunta Lena apontando a espada para o homenzinho

— Dalua, senhorita, Homem Dalua. — responde com voz trêmula enquanto seu corpo inteiro tremia junto

— Homem... Dalua?

— Isso, senhorita, éramos um grande e sábio povo de Homens, senhorita, mas muitos de nós morrendo nas garras da Mãe Ursa

— O que aconteceu? — ela pergunta guardando a arma fazendo o homem se sentir mais calmo

— A Ursa, a grande Ursa! Ela ficou furiosa quando seu filho se perdeu, o coração do sol!

— Já escutei um pouco dessa lenda antes

— Não é lenda, senhorita, a Grande Ursa, assim como como nossa lua, era nossa grande deusa, mas quando ela se enfureceu, comeu nossa lua e matou nosso povo, eu fui um dos últimos e tive que me refugiar aqui

— Então está vivendo aqui sozinho todo esse tempo?

— A exatamente 18 séculos, 3 décadas, 5 anos, 8 meses, 24 dias, 16 horas e 30 segundos!

— Você é realmente desocupado. — ela suspira — De toda forma, faz muito tempo, a Ursa não deve mais estar escravizando seu povo ou algo assim, não que eu saiba pelo menos, e viajo bastante por aí, então eu saberia se houvesse uma constelação gigante atacando planetas

— Mesmo? A senhorita acha que poderia me levar para casa?

— O que ganhamos com isso?

— Lena. — eu sussurro para ela — O povo dele pode ter alguma dica sobre o coração do sol

— E-eu poderia recolher frutas comestíveis para vocês! — ele diz depois de um tempo pensando

— 2 coelhos com uma cajadada só. — ela sorri — Muito bem, Homenzinho Dalua, você conseguiu uma viagem para casa

— Mesmo? Ah, minha senhorita, muito obrigado! — ele abraça nossas pernas

— Ok, sem exagero, apenas nos mostre a comida

— É pra já, senhorita!

Ele nós levou pra uma parte distante da floresta onde haviam frutas coloridas de um aspecto convidativo, provamos algumas e elas tinham realmente uma gosto ótimo, apesar de ter sigo um pouco complicado levá-las ao navio por causa da distância dos locais, ainda conseguimos levar muitas conosco em 6 ou 7 viagens cansativas.

De noite, os homens da tripulação começaram a trabalhar nos reparos pra partirmos logo de manhã. Eu me sentei na ponta do navio com os pés balançando para fora, a brisa fria que movimentava as ondas e batia no meu rosto me distraia junto com o som das ondas batendo naquela terra lamacenta, o céu noturno daquele lugar tinha uma cor meio roxa, mas eu me senti confortável olhando as mesmas estrelas de sempre, escuto alguém atrás de mim se proximando.

— Tirando uma folga? — pergunta Lena se sentando perto de mim

— Tem algum trabalho para mim, capitã?

— Lena

— Achei que a capitã gostava mais de ser chamada assim, como hoje de manhã

— Você guarda muito rancor para alguém tão jovem. — ela bagunca meu cabelo — Eu sou a capitã aqui, acha que eu deveria deixar as coisas impunes para você assim? Eu a trarei exatamente como faria com qualquer um dos outros, não darei preferência para você

— Poderia ao menos ter agradecido por eu ter salvo seu precioso navio. — digo friamente sem olhar pra ela

— Tem razão. — ela passa a mão pelo meu ombro e aproxima seus lábios de meu ouvido — Obrigada, Polaris. — ela sussurra e o movimento de seus lábios faz com que eu os sinta tocando gentilmente minha orelha, me fazendo corar involuntariamente e me afastar

— Um agradecimento normal bastava. — digo me virando para ela

— Nada é o suficiente para você?

— Esqueça. — suspiro e continuo olhando para o horizonte

— No que está pensando? — pergunta depois de um momento de silêncio

— Eu não sei, varias coisas

— Diga uma

— Talvez...... meu lugar

— Seu lugar?

— É, algo como....... onde exatamente eu deveria ir? Onde é o meu verdadeiro lugar nisso tudo?

— Bem, eu não sei onde vai ser seu lugar definitivo no futuro, mas..... sei onde é seu lugar agora

Ela me olha gentilmente com um leve sorriso, notei que ela lentamente se aproximava de mim, o que me fez começar a ficar nervosa e suar frio, que que ela chegou apenas a alguns míseros centímetros de distância no meu rosto.

— Seu lugar é limpando aqueles restos de madeira no deque. — ela sorri maldosamente

— Você é terrível. — digo seriamente me levantando para ir embora

— Não seja assim. — ela segura meu pulso e me puxa me fazendo dar um giro e me enrolar em seus braços, estava frente a frente com ela novamente — É seu trabalho afinal, você escolheu ficar, estou apenas fazendo minha parte

— Já entendi, agora pode me soltar. — falo evitando olhar em seus olhos

— Só quando você olhar para mim e der um sorriso

— Não vou fazer isso, você é estranha!

— Eu tenho a noite toda, só vou te soltar quando fizer o que eu pedi. — ela ri

— Jantar na mesa! — escutamos o chefe gritar das escadas e todos param de trabalhar para irem comer

— Talvez não à noite toda. — Lena me solta me fazendo girar — Numa próxima vez, quem sabe. — anda calmamente em direção às escadas, me deixando apenas com a visão de suas costas indo embora, sua silhueta à luz dos lampiões pendurados nos mastros me parecia extremamente atrativa naquele momento, ela estava sem aquele grande casaco vermelho de capitã e seu seu chapéu, os grandes cabelos negros balançando em suas costas acompanhando o movimento de seus quadris eram quase hipnotizantes

”Como eu a detesto”, penso por fim querendo dar uma conclusão final aos pensamentos confusos que ela me trazia com suas brincadeiras maldosas. Olho uma última vez para cima e me viro suspirando em direção a cozinha.