Estrela Polaris
2 Não nos deixe indefessos
Milhares de pontos brilhantes a minha volta, estrelas, mesmo que eu tentasse eu não conseguia tocá-las, então apenas flutuei entre elas como se fizesse parte daquilo tudo. Respirei fundo enquanto olhava em volta, não tinha muito o que fazer ali de qualquer forma, peguei uma mecha do meu cabelo e encarei por um tempo, ele brilhava na mesma intensidade das outras estrelas. Fecho os olhos e quando os abro novamente eu já não estava mais entre as estrelas, não.... eu conhecia aquele lugar, era minha casa, Gabe, não estava por perto, ouvi meus pais falarem na cozinha, então sai da sala e fiquei perto da porta sem abri-la.
— Não podemos ficar com eles aqui, você sabe disso! — escuto meu pai falar furiosamente
— Claro que podemos, são nossos filhos, Henry! — mamãe dizia com voz de choro
— O Gabe não vai poder ser sustentado por muito mais tempo, não temos dinheiro para isso, e da Polaris nem se fale, ela é o grande motivo de estarmos nessa encrenca
— Não é culpa dela, Henry, ela nasceu assim!
— Teremos que vende-los
— O que!?
— Muitos traficantes e piratas não sabem de nada sobre algumas lendas, profecias e historias como sabem as pessoas de outros planetas que tem uma vida estável, ela estará segura e cuidará dele
— Sabe que pessoas terríveis podem acabar os comprando...
— Isso seria melhor do que permitir que eles continuem aqui
— Henry.... — ela soluça — São nosso filhos!
— Eu sei, Mara, eu sei.... Eu os amo, tanto quanto amo você, mas....
— Apenas me deixe sozinha
Ele suspira e os escuto caminhar até a porta para abri-la, saio de lá rapidamente e me escondo perto das escadas, meu pai senta no sofá e coloca as mãos no rosto, tudo começa a clarear e logo aquele sonho inteiro era a penas uma borrão branco.
Acordo e sinto Gabe se movendo ao meu lado, meu coração agitado pelo sonho estranho, abraço meu irmãozinho e fico assim até que escuto a escotilha se abrir e alguém gritar.
— Hora de trabalhar! — grita a capitã na parte de cima do navio
— Sim, capitã. — todos dizem meio sonolentos
Todos subimos as escadas, era estranho o "céu" estar do mesmo jeito que estava antes de irmos dormir, ali estava sempre escuro, mas as estrelas estavam sempre brilhando e nós navegávamos nelas. O homem gordo com tentáculos no lugar de pelos me entrega o material de limpeza, ele parecia estar sempre irritado, o que o deixava assustador, então pensei que perguntar o nome dele não seria a melhor escolha. Amarro meu cabelo e começo a limpar o chão com a ajuda de Gabe. Descobri que era mais complicado limpar as coisas de "manhã" do que de "noite" (havia um relógio com a capitã que era nosso único guia para sabermos em que parte do dia estávamos), porque de manhã os tripulantes andavam para lá e para cá fazendo suas atividades e, na maioria das vezes, seus pés estavam sujos, o que me deixava intrigada por eu não sabia como eles se sujavam se não saiam do navio.
Depois de muito tempo consegui deixar o chão limpo, mas para isso tivemos que limpar os sapatos de todos, já era quase hora do almoço e Gabe foi mandado para cozinha para ajudar o chefe e aprender a cozinhar.
— Recruta. — escuto a capitã falar e me viro para olhar para ela
— Sim, capitã?
— Como eu disse para me chamar?
— ..... Lena?
— Melhor. — ela sorri — Venha comigo. — Lena me guia até a borda do navio e se apoia na beira. — O que vê na parte de baixo do navio?
— O que eu vejo?..... — olho para baixo sem me inclinar muito — Nada demais
Lena me carrega e me joga para fora no navio, começo a gritar, mas antes de chegar muito fundo no espaço uma rajada de vento e vez fazer uma curva e eu fui jogada para dentro do navio de novo.
— Porque fez isso? — digo ainda meio em choque e com o coração quase saltando para fora
— É um tipo de ritual de iniciação, Polaris. — fiquei surpresa por ela não me chamar de recruta — Nosso navio é protegido por uma barreira de vento que nos permite respirar por aqui e, principalmente, causa bons danos a quem quiser bater em nosso barco
— Você não podia ter apenas me contado?
— Como eu disse, é um ritual de iniciação, agora você é oficialmente parte da tripulação, então não precisa mais se chamada de recruta. — ela tira a espada da cintura e a aponta para mim
— Por favor, não me diga que terá que tirar um pouco do meu sangue para terminar a iniciação
— Claro que não, não somos bárbaros, mas você disse que treinaria comigo e eu irei fazer você ser uma das melhores espadachins desse navio, você e eu temos a vantagem de sermos menores e mais ágeis do que a maioria dos piratas, tanto desse navio quanto dos outros, é muito difícil encontrar por ai outro navio com uma capitã linda e sexy como eu, a maioria deles é uma cara gordo e barbudo que não sabe manusear a espada. — ela tira o chapéu de capitã, o deixa encima de uma barril de madeira, amarra o cabelo em um coque e se posiciona a minha frente
Lena se move rapidamente e a espada dela quase me acerta, desvio dos ataques por reflexo, mas ela não parecia dar nenhuma brecha para que eu revidasse sua investida, em pouco tempo começo a ficar cansada, era impossível eu sequer mover minha espada contra ela, a capitã para sem parecer cansada, pelo contrario, ela sorria abertamente. Sento no chão tentando recuperar o folego.
— Você nunca vai conseguir contra atacar se não souber se mover direito. — ela estende a mão para mim e me levanta — Podemos começar com a sua posição, vamos, fique na posição
Eu tento fazer a mesma posição que ela ficara no começo, um pé mais a frente e outro um pouco para trás, a espada na mão direita e a mão esquerda estendida no ar para fazer um bloqueio rápido com a espada, se necessário, mas parece não a consigo fazer direito, pois Lena balança a cabeça negativamente.
— Você está fazendo isso de um jeito muito rígido, tente relaxar os músculos. — ela vai para trás de mim e coloca as mãos no meu ombro — Relaxe. — eu relaxo os ombros e ela os aperta levemente dizendo um "muito bem"
As mãos dela descem para meus quadris enquanto ela tentar ajeitar minha posição, ela ajeita meus braços e a posição das minhas pernas, depois se afasta me encarando de cima a baixo com os braços cruzados.
— Bem melhor. — sorri — Agora tente me atacar. — diz soltando a espada no chão
— Tem certeza?
— Absoluta
Me dou um impulso e tento acerta-la com a espada, Lena desvia graciosamente para longe de mim sem ao menos que conseguir acompanhar direito, tento atacar novamente e ela continua desviando como se não fosse nada, os cabelos dela se soltam e caem sobre seu ombro direito.
— Não se distraia, Polaris, vai precisar estar perfeita se quiser ajudar a tripulação. — ela coloca o chapéu de volta — Te aconselho a treinar seus movimentos e ser um pouco mais ágil, porque desse jeito eu consigo desviar de você com uma venda e uma mão nas costas. — diz passando a mão no meu queixo e voltando para a sua cabine
— Sim, Lena. — digo suspirando, e me deitando no chão cansada — Você sujou o chão, babaca
— Eu escutei. — ela grita cantarolando dentro da cabine, o que me faz rir e me levantar
— Mas obrigada por toda a ajuda. — sussurro pegando de volta os materiais de limpeza
Depois de um tempo o almoço ficara pronto, Gabe havia se saído bem na cozinha ajudando o chefe, a carne de porco estava ótima e todos comiam felizes. Meu irmãozinho se senta perto de mim e me dá um grande abraço me contando como tinha sido legal trabalhar na cozinha, estava feliz que agora tínhamos um... "lar".... se é que podemos pensar no navio como isso, mas agora todas essas pessoas em volta eram nossa família e não conhecíamos grande parte deles. Minha linha de pensamentos foi rapidamente interrompida por uma barulho vindo da lateral do navio.
Lena e alguns outros sobem para o deque rapidamente enquanto eu seguro Gabe o impedindo de ir para onde poderia ser perigoso, em pouco segundos a voz da capitã ecoa para baixo.
— TODOS EM SEUS POSTOS, A HYDRA NOS ENCONTROU, RÁPIDO HOMENS RÁPIDO
O chefe pegou Gabe e o levou para os fundos onde eles estariam seguros, subi as escadas onde a maioria dos tripulantes já estavam se preparando para atacar, eu não via nada perto do navio, mas escuto um sibilo alto e todos fazem silencio... Uma grande cobra com cabeça de dragão estava tentando atravessar a barreira de vento, o corpo dela era quase transparente, mas alguns pontos brilhantes eram vistos dentro ela.
— Uma constelação... — digo baixo enquanto escuto os homens gritarem e correrem para atacar a Hydra
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