Esse é o Meu Pai
7 Acampar!?
Meses se passaram desde que se mudaram para casa nova, onde Fukano era treinado por Shun e Ikki. Tudo estava caminhando como o planejado.
Shun iria cursar mais uma faculdade dali um mês, arrumou um estagio que começaria, também, dali um mês e tinha tempo para dedicar-se a educação e treinamento do menino. Ikki se tornou mais presente como tinha prometido, porém, ainda gostava de sumir, trabalhava em só Atena sabe o que, sempre tinha dinheiro no bolso, também passou a ser mais sociável e amável, como antigamente, o que deixava irmão e sobrinho verdadeiramente felizes. Fukano estava indo muito bem na escola e estava ficando cada vez mais forte, como era de se esperar, estava começando a ter lutas violentas com os mais velhos, mas nem tanto assim, porque ele se segurava e os mais velhos também se seguravam.
A casa foi adaptada aos três. A sala de estar se tornou a sala comum, onde ficava a TV, DVD, Vídeo Game, biblioteca e os jogos. O escritório era quase todo ocupado com os livros da faculdade de Shun, só uma pequena pilha de livros que pertencia a Fukano, não tinha um único livro de Ikki lá dentro. A cozinha era dia de Shun, dia de Ikki, o que pegasse as panelas primeiro era dono da cozinha. Os quartos não merecem comentários, o negocio era territorial.
A vida que levavam desde que se mudaram não teve grandes aventuras, mas esse dia é especial.
Shun e Ikki entraram de fininho no quarto de Fukano, que ainda dormia, era bem cedo. Ikki foi para junto da janela e Shun para de junto da cama com uma caixa em mãos.
¬ FELIZ ANIVERSARIO!! — gritaram juntos.
A cortina foi aberta por Ikki e o menino pulou na cama, pronto para defender qualquer ataque que recebesse, como não tinha nenhum sinal de perigo, ele relaxou e se jogou na cama com cara de susto.
¬ Tio Ikki? — olhou para um depois para o outro. — Papa?
Ikki se sentou na cama do menino sorrindo, um sorriso copiado do de Shun, que aliais, nem ligava mais quando era chamado de Papa.
¬ Que cara de bunda é essa? — Ikki perguntou arrancando as cobertas do menino. — É teu aniversario, se anime.
Shun então estendeu a caixa. Era um presente, o embrulho era azul escuro com o laço verde e tinha um típico cartãozinho de felicitações. O menino pegou o presente como se fosse uma bomba.
¬ É meu e do Ikki. — Fukano começou a abrir o embrulho. — Vimos que você não parava de olhar para isso sempre que passávamos pela loja de antiguidades. — ao abrir o embrulho sua expressão se iluminou.
Era uma Câmera Polaroide Antiga, fazias semanas que Fukano só a admirava atrás da vitrine da loja de antiguidades, ele sempre quis uma desde que viu a que o Grande Mestre possuía, ficou admirado e ganhou até o direito de tirar uma foto com ela, desde então estava louco querendo uma. Segurava a câmera com cuidado e pratica, parecia hipnotizado com o objeto.
¬ Gostou? — Shun cortou o transe do menino.
¬ EU AMEI!! — Fukano pulou nos dois, abraçando-os pelo pescoço, quase derrubando-os. — Vocês são os melhores!!
¬ Olha o meu ego... — Ikki comentou todo convencido.
Fukano se afastou e arrumou a maquina, encostando-a no rosto.
¬ Digam “X”.
Ikki abraçou o irmão pelo ombro com um sorriso de orelha a orelha, Shun também sorria e abraçava o irmão pelo ombro. Essa foto pararia num retrato.
¬ “X”!!
Pouco depois, Fukano corria pela casa tirando foto de tudo, ele podia ser facilmente encontrado pelo rastro de fotografias, Shun começou a ter dores imaginarias nas costas só de pensar em recolher todas as fotos. Fukano não parou por nada, era de tarde quando ele estava tirando foto do jardim, detalhe, ele ainda estava do jeito que acordou.
Shun e Ikki estavam observando Fukano tirar foto de tudo, até da arvore que o menino socava todos os dias, tal como Ikki socava arvores na infância. Shun acabou lembrando que o menino estava ficando cada vez mais fortes e que aquela arvore um dia não aguentaria, mesmo tendo um tronco da grossura de uma chaminé de navio.
¬ Acho melhor ele trocar de arvore, vai acabar quebrando aquela ali ao meio. — comentou.
¬ Bobagem. — Ikki respondeu risonho. — Eu soquei arvores durante o treinamento e você... — se lembrou de que Shun dava um soco e logo em seguida chorava. — Também socou, com menos frequência e mais choro, mas socou. — ignorando as memorias. — Aquela arvore vai aguentar o treinamento dele, agora quando ele se tornar Cavaleiro, a arvore aguentar ou não, já é outra história.
Shun pareceu pensar um pouco.
¬ Porque tem tanta certeza de que ele conseguira? — era uma duvida cruel. — Se esse menino é treinado desde que aprendeu a andar, significa que a armadura em questão é muito forte, como pode ter tanta certeza de que ele será capaz de alcançá-la? Olhe para ele, é igualzinho a mim na idade dele.
Fukano ria com tudo o que via e tirava foto de tudo, ele era muito parecido com Shun. A mesma inocência, o mesmo jeitinho, a mesma cara de choro, até a força do menino era equiparada a de Shun, contida, porém absurda. Fukano era muito forte, apenas se segurava, era determinado, corajoso, honrado e otimista, um menino com fé. E MUITO protetor.
¬ Por isso mesmo. — respondeu.
¬ Hun!?
¬ Ele é igual a você. — continuou. — Ele é forte, determinado e positivo como você. Mas também não podemos esquecer que aquele menino é metade June, ou seja, ele é corajoso e honrado como a mãe. — Shun voltou a olhar o menino segundo os olhos de Ikki. — Ele também tem algo meu pelo que vejo, a vontade quase absurda de proteger quem ama. — o menino parou de correr só para tirar foto de um sapo, o que arrancou risos de seus espectadores. — Fukano tem muitas qualidades ao seu favor, em especial o senso de responsabilidade.
Nunca houve verdade maior.
¬ OE!! — Ikki gritou. — FUKANO!! — o menino parou com tudo na hora. — VEM CÁ MENINO!!
Ele foi correndo para perto da sacada, parando logo abaixo da sacada. Ele tinha um sorriso de orelha a orelha, com a câmera bem segura nas mãos e o pijama de Pokémons amarrotado.
¬ Diga, Tio Ikki.
¬ Que tal eu, você e Shun acamparmos esse fim de semana? — propôs. — Como complemento do seu presente de aniversario e prévia do aniversario de Shun? Até porque, são só quatro dias de diferença.
Dois virginianos e um leonino, que família feliz. Shun olhou para o irmão com pura descrença.
¬ Você faz de propósito ou se esquece mesmo que eu tenho faculdade e estagio?
¬ Ah, vá tomar banho, Shun! — Ikki evitava dizer palavrões na frente de Fukano. — Vai ser só uns dias seu chato. Você vai estar aqui a tempo de cursar a faculdade e trabalhar.
Eles ouviram um grito de alegria, olharam para baixo mas não viram Fukano, ouviram passos na escada e virão o menino entrar correndo no próprio quarto. Ao chegarem na porta viram-no separando roupas e objetos dentro de uma mala, se trocar, correr para o banheiro, voltar, pegar a mala, descer as escadas correndo e colocar a mala do lado da porta. O menino então olhou para eles e como não havia sinais de ação, Fukano subiu correndo as escadas e começou a fazer a mala dos mais velhos.
¬ Isso é uma nova definição para palavra: feliz. — Ikki comentou um tanto quanto impressionado.
Com tudo pronto e arrumado, eles saíram para acampar, mas por insistência de Shun, eles teriam um pequeno atraso. Ikki tinha parado o carro do lado de uma grande mansão, que, por mais estranho que fosse, sempre tinha os portões abertos.
¬ Shun. Tem certeza? — Ikki perguntou preocupado e até mesmo amedrontado, mas era por outras razões. — Bem, você sabe como eles são.
¬ Eles não vão me comer, Ikki.
Shun saio do carro após responder o irmão e verificar Fukano, que estava cochilando no banco de trás. Ikki, então, colocou a cabeça para fora.
¬ Mas esse não é o meu medo.
Shun sabia que o medo do irmão na verdade era ser seguido pelos moradores do lugar. Shun entrou no lugar sem frescura alguma, ainda tinha as chaves das portas, andou pelo lugar a procura de seus moradores. Não demorou muito para achar um, ou melhor, para ser achado.
¬ Shun!? — quem o chamou secava o cabelo, pelo jeito tinha acabado de sair do banho. — SHUN!! Cara, a quanto tempo!? — Seiya praticamente pulou no amigo. — Virou um isolado que nem o Ikki. Como tem passado? E ainda por cima cresceu. Quem te deu o direito de ficar maior que eu? Mesmo só sendo 2cm? — ele não parava nem pra respirar. — HYOGA!! — gritou o mais alto que pode. — OLHA SÓ QUEM TÁ AQUI!!
¬ Por Atena! — ele estava no alto da escada com uma colher na boca e um pote de sorvete na mão. — Seiya, pare de grit... — o rapaz russo travou no lugar ao ver o japonês de cabelo castanho esverdeado. — Shun!?
¬ Yo. — acenou sorridente como pode no abraço de Seiya.
¬ SHIRYU!! — Hyoga gritou enquanto descia as escadas correndo e jogando o sorvete para o alto. — VEM CÁ!! — também gritava o mais alto que podia, chamando a atenção do chinês, que saíra da cozinha.
¬ Até tu Hyoga? — disse olhando para o companheiro e depois para o causador de tudo. — Shun!?
Logo Shun se viu sendo abraçado, ou sufocado, depende do ponto de vista, pelos três ocupantes da casa. Fazia mais de um ano que não via nenhum dos amigos, a vida que levava não lhe dava tal luxo, mas tentava manter contato por telefonemas e cartas.
¬ Também senti a falta de vocês. — tentava respirar em meio ao abraço apertado.
¬ Você sumiu. — Seiya parecia um hiperativo. — Pensamos que tinha virado um antissocial que nem seu irmão.
¬ O antissocial está ouvindo tudo. — a voz era do Ikki, mas o Cavaleiro de Fênix não estava no recinto. — Tô ouvindo os berros daqui!
¬ Esse foi o cosmo do Ikki? — Shiryu sempre tem a pergunta certa.
Com exceção de Shun, todos estavam confusos. O que Ikki estava fazendo por ali?
¬ Ele tá me esperando no carro. — o silencio dominou.
¬ Carro!?
A reação deles era compreensível. Eles eram órfãos, que por causa dos deveres como Cavaleiros não puderam cursar uma escola, não tiveram muito contato com o que se chamava de vida normal. Depois que a paz reinou, mesmo que temporariamente, os Cavaleiros se viram perdidos, teriam que se adaptar e ter uma vida normal, mas isso era difícil, pois não tinham a educação adequada, família ou casa. Eles dependiam da Fundação Kido, mas teriam que seguir sozinhos, o máximo que fundação poderia fazer era oferecer casa e comida.
¬ Eu e Ikki seguimos em frente, não vivemos as custas da Saori. — Shun se desvencilhou dos amigos em busca de ar antes de responder.
¬ Não precisa ser grosso. — Seiya se fez de ofendido.
¬ Grosso, nada. — retrucou Hyoga. — Ele está certo, nós vivemos as custas da Saori, enquanto devíamos estar fazendo alguma coisa para nos virar sozinhos. — Hyoga se virou para Shun, que tinha se sentado em um sofá. — Aliais, o tem feito Shun?
¬ Bem... — um monte de coisas não vale. — Eu vou fazer um estagio, estou fazendo a minha segunda faculdade e tenho minha própria casa.
Shun viu os olhos dos amigos crescerem e Seiya abaixou a cabeça, aparentemente, magoado. Era tão inacreditável assim?
¬ Me senti humilhado agora. — Seiya comentou, mas logo sorriu, mostrando que era mais uma brincadeira do Cavaleiro de Pégaso. — Estamos felizes por você, Shun.
Shun sorriu. Adoraria ficar sentado e aproveitar a companhia dos amigos, mas infelizmente isso ficaria para outro dia, tinha algo a fazer primeiro.
¬ Mas isso é irrelevante no momento, virei vê-los outro dia. — disse se levantando. — Só vim avisar que irei ficar fora por algum tempo.
¬ Como assim? — Shiryu tinha a testa franzida.
¬ É que vou acampar.
¬ Acampar!? — Seiya se animou. — Porque não disse antes? Nós também.
¬ Vamos juntos então. — propôs Hyoga, que pelo jeito, partilhava da animação de Seiya.
¬ Nani!?
Hyoga então começou a empurrar Shun em direção a saída, enquanto Seiya e Shiryu estavam correndo atrás das últimas coisas. Shun podia ouvir as discussões.
¬ Seiya, onde estão as malas? — Shiryu gritou dos quartos.
¬ Já estão na vã. — respondeu enquanto jogava a toalha em algum lugar.
¬ E o que estamos esperando? — Hyoga perguntou por cima do ombro.
Shun se tornou refém de Hyoga, que sabia que enquanto Shun não entrasse naquele carro, Ikki permaneceria no mesmo lugar. Logo Seiya e Shiryu apareceram com a vã, Hyoga foi para junto do carro e deu uma explicação rápida para Ikki, já que Shun ainda estava tentando se achar. Com tudo pronto, Hyoga liberou Shun e foi para vã.
Shun entrou no carro em silencio, notou que o irmão mal se mexia, só o observava com uma expressão que dizia: Desgraçado!!
¬ Que foi!? — Shun sabia estar se aventurando em terreno minado.
¬ Acho melhor eu ficar quieto. — Ikki se virou para frente, encolhendo a cabeça entre os ombros, ligou o carro e segurou o volante como se o estivesse estrangulando. — Do contrario. — continuou. — Vou cortar todos os laços com você pelo que direi e vou matar os babacas nos seguindo ou achar um pobre coitado para atropelar.
Shun engoliu seco. Esse acampamento iria dar trabalho...
Fale com o autor