Escrevendo Uma Nova Historia
19 Salve-se
Notas iniciais
Tudo que conseguia sentir era a água em meus pulmões, não conseguia enxergar uma saída. A água era cristalina, e a luz pairava muito longe para tentar segui-la, mais eu ansiava por ar, precisava de ar... E a garota ruiva que eu segurava também.
Quando consegui subir a superfície o ar me atingiu como aquelas bombas que destruíram aquela casa. Nunca precisei tanto em respirar como naquela hora, eu detestava nadar, detestava entrar em piscinas e detestava o fato de meus traumas não me permitirem se divertir com algo que parecia tão bom. Elizabeth ainda estava inconsciente, e para meu desespero não teríamos tempo o suficiente para chegarmos até o inicio da ilha, apenas um milagre nós salvaria; mas isso não queria dizer que eu não iria tentar, não poderia morrer naquele lugar com uma vida em minhas mãos, não me permitiria isso.
Voltei nadando a ilha e coloquei Elizabeth num monte de terra que havia lá. Depois me joguei tentando recuperar minha calma, não era fácil, bombas, salto, água e medo eram só o que dominava meus pensamentos, mais eu deveria procurar um jeito de sair dali.
Elizabeth começou a acordar ao meu lado e isso me trouxe a tona, a nossa situação não era uma das melhores. As garotas já deveriam ter pegado o carro e ido sem nós, a bomba explodiria a qualquer minuto e não teria como fugir para que não fôssemos pegas.
–Sophie? – Perguntou Elizabeth assustada.
–Sim, ainda em carne e osso. – Levantei e procurei o que eu poderia fazer para não morrer.
–Cristian armou para todas nós, não tem como sobrevivermos a isso. – Elizabeth começava a se lamentar e eu pensei no papel em baixo do meu braço. Felizmente a pasta estava intacta porque a mesma era toda plastificada e por isso a água não a estragou. A única coisa que me interessou naquela pasta foi quando eu vi; L.E.E. De Metís, sobrenome de Lou Ellen.
–Acho que eu já tenho nossa salvação. – A ideia surgiu como aquela luz incomoda quando abrem a janela do quarto. Nunca imaginaria que um colar salvaria a vida de todas nós.
Pov. Autora
Isabella e Katerina se unirão ao grupo a tempo de ver a bomba atingir o cômodo que Elizabeth e Sophie estavam.
–Não! – Gritou Isabella correndo até a entrada da igreja.
–Não pode entrar lá, acabara morrendo se tentar. – Katerina tentava segurar sua parceira com toda a força que tinha.
–Não posso deixa-la morrer, não posso deixa-la morrer... – Repetia Isabella descontrolada.
–Precisamos ir Elizabeth, só temos dez minutos para chegar até ao começo e se todas nós morrermos por sua causa eu juro que mato você. – Lou Ellen fuzilava Isabella enquanto tentava convencer a loira de entrar no carro.
–Nós precisamos ir Katerina, faça alguma coisa com ela! – Gritou Grace vendo mais agentes se aproximarem do pequeno grupo.
–Se vocês não perceberam não estamos com armas o suficiente para segurar todos. – Ashley atirou na cabeça de um agente e comunicou as outras garotas.
–Sophie prometeu que iria cuidar dela, vamos ao menos esperar que ela cumpre sua promessa enquanto estivermos no carro. – Rosylin cortou a mão do homem a sua frente e correu para o carro.
–Tudo bem, vamos! – Isabella tomou controle de seu emocional e correu para entrar na captiva preta que a aguardava.
A divisão dos carros foi; Isabella e Grace foram ao banco de trás e deixaram o lugar vago para Juliet entrar assim que terminasse de matar o agente que estava a perseguindo. Katerina foi direto ao banco do motorista e ligou o carro.
–Eu não vou entrar num carro que a Katerina está dirigindo! – Gritou Lou Ellen desesperada.
–Você vai sim se não quiser morrer! – Gritou Rosylin a empurrando para dentro do carro. O carro estava cheio com Isabella do lado direito, Lou Ellen no meio, Grace no lado esquerdo, Juliet na frente e Katerina dirigindo.
–Rosylin, vá buscar Ashley e Isadora. – Comandou Isabella imperativa.
–Tudo bem. – Sem as garotas perceberem uma bala tinha pegado ombro de Rosylin e a dor que a loira sentia era indescritível. Sem pensar duas vezes Katerina começou a dirigir estrada a baixo indo em direção ao ponto de encontro. No caminho era quase impossível não passar por cima de todos os agentes que estavam a perseguindo o que deixava Katerina mais animada para correr.
Ashley ainda estava em cima das arvores atirando em todos os agentes, porém Isadora teve que descer para impedir aqueles que tentavam ultrapassar.
–Parece que estão indo sem nós Isadora. – Disse Ashley atirando no cara que estava atrás de Isadora e ela nem percebeu.
–Se eu morrer eu irei culpa-la, você que quis ficar aqui para deixar sua “amiguinha” ir na frente. – Respondeu ela no chão enquanto prendia a cabeça de outro agente com as pernas e quebrando o pescoço dele.
–Eu não queria acreditar que ela iria me deixar pra trás de novo. – Comentou Ashley em um tom decepcionado.
–Então não acredite. – Surpreendendo Ashley, Rosylin estacionou o carro abaixo da arvore em que ela estava e Ashley pulou sem se preocupar.
–Já estava na hora. – Comentou Isadora entrando atrás no carro.
–Dê graças a Deus de que eu estou muito boazinha para não deixa-las para trás. – Respondeu Rosylin colocando o cabelo loiro em cima da ferida para tentar disfarçar.
–Se você me deixasse para trás de novo eu juro que iria te matar. – Ashley se sentou no banco da frente e Rosylin deu partida no carro.
–Talvez nós duas morrêssemos se nós não conseguimos chegar ao avião a tempo.
–Então pode correr loirinha porque eu não estou a fim de morrer sem antes conhecer Jared Leto. – Isadora fez Rosylin e Ashley rirem com a sua obsessão pelo cantor.
–Está faltando gente nesse carro. – Reparou Ashley.
–Sophie e Elizabeth não conseguiram voltar da igreja, receio que já estão mortas com todas as bombas que as atingiram. – Rosylin tentava não se mostrar desesperada pelo fato de sua missão talvez estiver morta.
–Meu Deus. – Sussurrou Isadora, era aquilo que todas as garotas estavam pensando.
–Katerina vá devagar! – Gritava Lou Ellen a cada arvore que Katerina batia.
–Se eu for devagar iremos chegar bem rápido ao nosso caixão. – Respondeu à morena se desviando de uma arvore muito robusta para tentar quebrar com sua Captiva.
–Lou Ellen não ajuda você ficar gritando desse jeito, Katerina pela primeira vez está autorizada a correr o mais rápido que pode. – Ordenou Isabella assumindo as rédeas.
–Lou, precisamos de um plano. Elizabeth e Sophie devem estar no meio da ilha se estiverem vivas, Rosylin talvez não consiga nos alcançar a tempo de a ilha não explodir e a parta ainda esta com Sophie e Elizabeth, o que vamos fazer? – Perguntou Grace preocupada.
–Eu não sei. – Lou Ellen começou a ficar pálida e tremia bruscamente.
–Lou nós precisamos que você nós diga o que fazer não que vire um fantasma! – Gritou Katerina irritada observando a imagem da garota pelo retrovisor.
–EU NÃO SEI! – Gritou Lou abaixando a cabeça e começando a chorar. As garotas se desesperaram ao ver a garota descontrolada do jeito que estava.
–Lou... – Sussurrou Grace docemente tentando acalma-la.
–PARE DE ME COBRAR, EU NÃO QUERO FAZER ISSO!
–Me deus, tudo do que precisávamos era da nossa estrategista surtando agora. – Comentou Juliet. A garota observou que tinham apenas um minuto para sair da ilha antes que a bomba as matasse.
–NÓS SO TEMOS UM MINUTO! – Gritou Juliet para Isabella.
–Iremos morrer, iremos morrer, iremos morrer... — Repetia Lou Ellen.
–Isabella eu não sei o que fazer, ainda estamos longe do inicio da ilha. – Katerina tentava se apressar mais não era o suficiente.
–Água. – Respondeu Isabella. – Estamos ao redor da ilha, jogue o carro na água e não sofreremos o impacto. Escutou-me Rosylin? – Perguntou Isabella para a sua companheira que estava quase atrás dela.
–Tudo bem.
Katerina virou o carro com brutalidade e não pensou duas vezes antes de jogar o carro nas águas cristalinas que cercavam a ilha.
O carro onde as cinco garotas estavam afundava rapidamente e sem controle. Katerina foi a primeira a sair e já percebeu que Grace não conseguia sair, que ela estava presa. O desespero abatia aquelas garotas ao se encontrarem tão imponentes ao terrível mar. Aquilo era uma coisa que Isabella não previu, e nenhumas das garotas conseguiam lidar com seus traumas de água.
Juliet,que havia se soltado de seu cinto, agarrou Lou Ellen e a ajudou sair pela parte da frente. Katerina puxava Grace para fora e a mesma não se esqueceu de segurar a mão de Isabella e puxa-la para cima. Para elas parecia que não tinha fim, porque elas estavam mais fundo do que as outras. Quando a bomba explodiu todas foram arremessadas como se fosse papel no mar.
Rosylin, Ashley e Isadora não encontraram dificuldades em sair do carro que afundava e conseguiram respirar antes que a ilha literalmente explodisse.
–Abaixam-se. – Gritou Rosylin no momento que a ilha explodiu e as arrastou para longe da ilha. O impacto da bomba fez com que as águas as afastassem uma da outra e algumas como Grace e Isabella ficaram desesperadas ao não conseguirem encontrar ninguém para se apoiar, ninguém para salvá-las.
–Você nunca conseguiria sobreviver sem mim, não é? – Perguntou Elizabeth sorrido segurando Isabella na superfície quando ela conseguiu relaxar e boiar.
–Você está viva! – Isabella não acreditava que sua irmã tinha se salvado da explosão e a noticia tinha sido melhor do que sentir o ar em seus pulmões de novo.
– Não poderia deixa-la aqui sem minha proteção. – Respondeu Elizabeth sentindo sua perna latejar de dor.
–Agradeça a mim por ser a garota que pensa nos outros. – Sophie segurava a desacordada Grace em seus braços enquanto nadava no imenso mar. – Quando é que você vai nós buscar? – Perguntou Sophie furiosa ao Cristian. Depois de ter salvando Elizabeth a loira pensou na explicação do colar Evan havia dado. “Ele funciona como localizador quando em perigo, assim mandarei alguém para ir busca-la” . Ela não sabia o porquê, mais confiava que Evan iria mesmo busca-la naquele fim de mundo.
–Estou acima de vocês. – Uma escada se estendeu acima da cabeça de Sophie e ela sorriu ao vê-lo.
–Evan. – Sussurrou Sophie. Ela começou a bater na cara de Grace fazendo a mesma acordar.
–Achei que estava morta. – Falou Grace subindo na escada sem perguntar quem era.
–Eu achei isso de você também. — Respondeu Sophie empurrando Isabella primeiro.
–A Elizabeth sofreu danos na perna por isso peça para Evan ajuda-la a subir. – Comunicou Sophie antes de começar a subir.
–Nós precisamos levar Elizabeth no hospital. – Evan analisava a perna da garota tentando estancar o sangue.
–Eu não vou sair daqui sem as outras. – Sophie mantinha o olhar determinado e isso irritou Evan.
–Essas garotas não estava nem ai se vocês iriam morrer ou não mais você insiste em dar a vida por elas?
–Eu não vou sair daqui sem elas, goste você ou não. — Respondeu Sophie.
Não foi difícil encontrar o resto da equipe, em poucos as garotas se reuniram e partiram para bem longe daquela ilha maldita.
–Eu nunca mais vou querer saber de ilhas por algum tempo. – Rosylin estava deitada sofrendo com a bala ainda no corpo dela.
–Acho que Cristian queria nós executar e por isso acabou nós mandando pra cá. – Falou Ashley pensativa.
Nenhuma tinha saído intacta da missão, o sangue se espalhava pelo helicóptero e ninguém sabia distinguir de quem pertencia. As que sangravam mais era Rosylin; com sua bala no ombro, e Elizabeth com sua perna perfurada por uma madeira na hora do impacto da casa. Mais ninguém se preocupava com o físico quando o que mais estava machucado era o emocional.
Pov. Sophie
Evan tinha me chamado para um canto enquanto as garotas se lamentavam com seus machucados.
–Você está bem? – Perguntou Evan alisando meu rosto.
–Não... Você sabe o que aconteceu hoje? Todas as garotas desse helicóptero quase morreram tentando achar um arquivo, Elizabeth pode perder a perna, Rosylin pode acabar com seu braço paralisado por conta da bala, Ashley torceu o pé por conta da queda e nem percebeu a dor enquanto tentava não se morrer afogada, Isabella rachou a testa ao meio, Katerine quebrou o braço, Isadora está com um arranhão no pescoço, Grace não quer falar com ninguém porque ela esta traumatizada, Juliet está tentando controlar Lou Ellen para que ela não pule do helicóptero porque ela está com uma porra de ataque.
–Eu não quero saber delas, eu quero saber sobre você. – Evan mantinha aqueles olhos mandões que sempre me irritava.
–Eu pulei de uma janela, segurei Elizabeth, consegui manter a pasta intacta e salvei minhas amigas, eu deveria estar bem?
–Não, você deveria estar tão mal quanto elas.
–Mais não posso ficar assim, porque eu preciso sair disso viva e se eu pensar em tudo que passamos hoje eu juro que pegarei qualquer arma e me mataria.
–Então vamos mudar de assunto, o que tem na pasta?
Me lembrei do que tinha visto mais cedo na ilha e percebi que não havia soltado a pasta por nada. Quando abri percebi que algumas palavras estavam escritas em japonês.
–Eu apenas entendi o nome de Lou Ellen, o resto está tudo em japonês.
–Meu Deus. – Evan arregalou os olhos ao ver o que continha ali.
–O que foi? – Perguntei ansiosa.
–Ela foi submetida ao projeto Violetta.- Respondeu entre sussurros.
–O que isso significa?
–O projeto Violetta foi submetido as pessoas que tinham problemas mentais, porém uma habilidade maior, uma organização japonesa pegava todas as crianças que consideram uma “espécie” diferente e as treinava como se fossem criadas a serem dessa maneira. Controlavam tudo até a CIA descobrir o que elas faziam para tirar todos os bloqueios mentais e induzir a pessoa escolhida fazer o que quiser.
–Então Lou Ellen tem doença mental?
–Lou Ellen é autista. – Respondeu Evan me fazendo olhar para a garota que estava tremendo de medo de todas nós.
–Você precisa me explicar essa historia direito. – Conclui, não seria possível que eles não poupariam nem um autista, não seria possível que Lou Ellen tivesse alguma doença, mais se pensar pelo lado lógico, aquela seria a única explicação para que Lou Ellen ficasse em crise quando se mais precisava, porque ela nunca lutava, porque ela era sempre excluída; ela nunca teve escolha.
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