Escrevendo Uma Nova Historia
20 Salve-me pois estou caindo
Notas iniciais
Projeto Violetta
As indústrias Tikatijah estão abrindo o novo projeto denominado "Projeto Violetta", no qual pessoas com doenças mentais estarão servindo de experimento para projetos governamentais.
Serão introduzidas altas dosagens de medicamento fortes e controlados para os pacientes que se mostrarem resistente ao serem submetidos a...
–Será que podemos pular a parte onde fico interessada? – Evan e eu estávamos sentado no chão ensanguentado do pequeno helicóptero, e eu estava quase arrancando aquele documento de suas mãos. Todas as outras estavam se lamentado sozinhas sobre seus ferimentos, do qual nenhuma saiu ilesa.
–Você poderia parar de ser tão impaciente? – Evan revirou os olhos.
–Só quero saber como uma autista consegue ser uma das garotas mais inteligente que já conheci? – Meus olhos focaram na garota com mexas roxas sentada e tremula.
–Alguns autistas tem o Q.I mais alto do que qualquer pessoa normal. – Explicou enquanto lia algumas informações importantes.
–Desculpe, Sr. Sou mais inteligente que você. – Foi minha vez de revirar os olhos.
–Aqui, essa é a descrição de Lou Ellen. – Ele apontou para o papel onde a foto de Lou Ellen estava impressa na direta.
Nome: Lou Ellen Ellukabeth
Sobrenome: Di Métis
Idade: 15
Nacionalidade: França
Doença mental: Autismo
Remédios principais: Lítio, Alprazolam,Haloperidol,Fluoxetina, (...)
Submetido: Tratamentos de choques, torturas, abuso mental(...)
–Meu Deus. – Sussurrei depois de ler a ficha detalhadamente. Lou Ellen não foi apenas uma garota que participou de um projeto, ela era um rato de laboratório. Não acredito que seus pais autorizaram uma pessoa a fazer esse tipo de coisa com ela, não era possível que a crueldade tenha sido tanta.
–Agora eu entendo porque o projeto não era legalizado , isso aqui é horrível. – Evan estava surpreso, porém não se mostrava transtornado da mesma maneira que eu estava. – Blue deve ter tido uma boa discussão para mantê-la viva.
–Por que?
–Depois que viram que as vitimas do projeto não conseguiriam viver como agentes ou espiões normais, eles deram uma ordem de execução. Lou Ellen deve ser uma das poucas sobreviventes, isso é, se não foi a única.
– Então quer dizer que as coisas que aconteceram não foi o suficiente para eles? Que além de serem torturados fisicamente e mentalmente, queriam matar todos?
–Bem vinda a meu mundo. Não se deve ter piedade de ninguém Sophie, pena é desconhecida para aqueles que buscam o poder.
–Mais um motivo para... Ah! – Minha barriga latejou como se estivesse recebendo um soco. O grito saiu inevitável de minha garganta e isso atraiu as atenções.
–O que foi? – Perguntou Evan preocupado.
Quando iria respondê-lo, uma rajada de sangue saiu pela minha boca e não dava para conter. Me deitei vomitando mais sangue e sentindo o ar fugir dos meus pulmões.
–Ela deve estar tendo uma hemorragia interna. – Disse Isadora se agachando ao meu lado.
–Não dá pra conter aqui, mais se continuar desse jeito ela pode perder quase todo o sangue de seu corpo. – Evan dizia entre dentes mostrando sua fúria.
–Não parecia que ela estava tão machucada. – Comentou Katherine pela primeira vez sem sarcasmo, ou fazendo piadas.
–Esse é o problema, quando os machucados são esternos como o da Rosylin ou da Elizabeth, quando o machucado é interno fica complicado saber como resolver. – Isabella mantinha um tom serio, parecia que ela era uma doutora.
–Evan. – O rapaz me colocou em seu colo e começou a fazer carinho em meu braço como se eu fosse um bebê. Suspirei ao olhar aqueles intensos olhos azuis.
–Está tudo bem, você vai ficar bem. – Mesmo que Evan estivesse tentando me convencer, a dor me dizia a verdade, a dor me dilacerava por dentro.
–Eu não quero morrer. – Confessei colocando a mão no meu abdômen, não havia sangue ali, mas sentia explodir.
–Você não vai, não vou deixar isso acontecer. – Seus olhos transmitiam medo, queria saber se era porque eu iria morrer, ou porque ele não teve tempo para me beijar.
–Relaxe, conhecera muitas garotas loiras com quem se importar e beijar.
–Não quero nenhuma que não se chame Sophie Charlotte Dreals.
–Se não soubesse como espiões mentem tão bem, eu teria acreditado.
–Eu tenho morfina, pode ajudar para que ela não sinta dor. – Disse Isabella se aproximando de mim.
–Se me enfiar essa injeção de novo eu irei quebrar suas mãos. – Não quero ficar apagada de novo. Da ultima vez eu fui que nem um porco para o matadouro.
–Você não precisará sentir toda essa dor! – Disse Elizabeth indignada.
–Eu prefiro morrer com essa dor a ser apaga de novo.
–Porem eu não quero correr esse risco.- A injeção foi injetada no meu pescoço e o efeito foi de imediato. A ultima coisa que pude ver foi Evan sussurrar um “me desculpe”.
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Pov. Autora
Não demorou muito até que Evan chegasse na A.E.P.G do Japão. Assim que aterrissaram, foram recebidos com o olhar irritado de Cristian e de vários agentes ao seu redor, achando que Evan estava com algum pensamento inimigo na sua cabeça.
–Abaixe essas armas, cavaleiros. Eu não sou papai Noel mais estou trazendo presentes. – Evan foi o primeiro a sair com o corpo desfalecido de Sophie em seus braços, Cristian não demonstrou sua preocupação mais uma gota de suor caia na sua testa. “Sophie Dreals está ferida, Sophie Dreals está ferida... E eu estou morto”, pensava enquanto via Evan gritar por ajuda.
Alexander chegou no momento em que Rosylin tentava se manter de pé. Sem hesitar, Alexander tomou a moça em seus braços e correu para a sala de cirurgia, onde sabia que tirariam a bala do ombro da Rosylin sem demora.
Elizabeth estava sendo carregada por Isabella, que mesmo ferida, não pensou em deixar a ruiva ir andando até a cirurgia. " E meu dever cuidar dela, não importa o quanto estou ferida" pensava Isabella enquanto sua irmã deixava um rastro de sangue.
Grace saiu sem encarar ninguém e aquilo preocupou Katerina. Ashley se apoiava em Isadora e caminharam juntas até a ala hospitalar, mesmo machucadas as duas não conseguiam evitar de fazer piadas sobre a situação. Juliet deu uma olhada em Lou Ellen antes de sair, a morena começou a pensar consigo mesma sobre o estranho surto da garota. "Pelo que eu sei aquilo não é normal, não pelo que eu soube de Lou Ellen", refletia Juliet enquanto seguia as outras em silencio. Lou Ellen saiu com muito esforço do helicóptero e não pensou duas vezes antes de se sentar na pista de pouso e refletir sobre o que havia acontecido.
Ela perdeu o controle, ela estava perdida.
Depois de deixar Sophie na sala de cirurgia, Evan caminhava furioso até a sala do comandante da missão, Cristian "Darkness" Buckeman.
–Como você pode manda-las para morrer naquela ilha?! — Gritou Evan entrando sem bater na porta. Cristian bateu em sua mesa já prevendo que Reymonds iria questiona-lo, já sabendo que ele não seria o primeiro.
–Se eu dizer que não era minha intenção, você acredita? — Cristian levantou seus olhos e tentava convencer Evan.
–Você está de brincadeira? — `Perguntou Evan dando risada — Acha que eu não falei serio quando disse que NÃO ERA PRA MACHUCAR SOPHIE? — Evan segurou o pescoço de Cristian e o levantou até a parede. Em questão de músculos, Cristian perdia feio para Evan. Mesmo Evan sendo mais juvenil, os músculos havia sido produzido mais cedo do que era permitido, ele foi educado para ser uma arma de matar.
– Você acha que eu seria burro o suficiente para mandar os tesouros de Blue para a morte? Tente pensar, Evan. — Sussurrava Cristian sem desviar seus olhos de seu oponente.
–Eu quero uma boa explicação para não fazer você em picadinhos e jantar seu coração. — Evan soltou Cristian e se sentou no seu lugar, dando uma de autoritário e mostrando que Cristian não poderia impedir de que ele fizesse o que quisesse. Infelizmente, Evan estava no controle.
–Eu as mandei buscar o arquivo que Blue queria de volta, era uma missão simples. Não sabíamos que a ilha ainda era protegida, nem da importância daqueles arquivos. Só soube que elas estavam sendo atacadas quando Katerina emitiu o sinal de perigo, porem não tínhamos como ajuda-las a tempo. Eu não machucaria nenhum fio de cabelo dessas garotas, ainda mais Sophie. — Evan sabia que cada palavra de Cristian era mentira, ele mesmo usava essa desculpa quando fracassava sobre uma ordem de seu chefe.
–Você tem duas escolha, Darkness. Eu posso ferrar com a tua vida e você nunca mais saberá o que é respirar novamente. Ou você esquecerá que salvei Sophie e eu não conto para Blue o que fez com os brinquedos dele.
–Adoro quando estou tão cercados de opções. — Comentou Cristian fechando os olhos e pensando no que Evan disse.
–Bem, já que estamos nós entendo tão bem... Vamos conversar sobre que porra que estão fazendo com Lou Ellen?
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De todos os graves ferimentos que todas sofreram com a missão, os que se destacavam eram; o grande pedaço de madeira atravessado na perna de Elizabeth, a bala alojada no ombro de Rosylin, e claro, a hemorragia interna de Sophie.
As que sobraram, quase todas já que Katerina e Isabela estavam estranhamente ausentes, ficaram esperando noticias sobre suas companheiras. Cada uma com sua própria forma de se mostrar preocupação.
–Eu não teria coragem de fazer o que ela fez. — Comentou, por fim, Isadora. Quebrando o silencio que habitava na sala.
–De quem está falando? Por que Rosylin também voltou por nós, e isso é algo muito estranho dela. — Ashley enrolava as pontas do seu cabelo nervosa, esperando noticias boas.
–Ela estava sob ordens, isso qualquer uma teria coragem de fazer. — Respondeu Juliet abrindo a ferida de seu braço com sua unha e tornado a fecha-lo não demonstrando dor.
–Sophie procurou todas nós como se fôssemos sua família, ela se importou com nossas vidas. — Comentou Grace sentada afastada das garotas, porém em alto tom para que todas ouvissem.
–Ela pegou Elizabeth e a salvou quando tudo estava perdido, quando ela poderia apenas ter se salvado. — Disse Isadora em um tom impressionado. — E mais uma vez pergunto se alguém teria coragem de fazer o que ela fez?
–Eu não teria. — Ashley foi sincera na resposta enquanto apertava seu pé quebrado.
–Eu não teria. — Confessou também Juliet.
–Eu não teria pensado duas vezes, teria ido embora.. — O tom de voz de Grace saiu identifico ao de Katerina, assim como sua frase.
–E talvez seja por isso que Sophie é melhor do que nós, porque ela não pensou em si mesma ou na situação. Ela queria salvar tanto Elizabeth, quanto nós. — Isadora inclinou a cabeça para trás, deixando seu rosto amostra.
–E agora está morrendo por isso. Então pergunte-se, qual é o preço de uma boa atitude? — Katerina passou pelo grupo e jogou a frase no ar. Fazendo com que o silencio voltasse e todas começassem a se questionar.
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A cirurgia de Elizabeth foi a primeira a acabar, o que resultou em sucesso. Sua perna estava enfaixada e a mesma se encontrava de repouso, feliz por não ter perdido uns dos membros mais precioso de seu corpo.
–Me agradeça por ser a pessoa mais maravilhosa do mundo. — Isabella entrou no quarto com um pacote branco nas mãos. Sua testa estava marcada com três pontos bem no centro, mostrando que seus ferimentos já haviam sido consertado.
–Você trouxe bolo de chocolate? — Elizabeth mordeu a boca só de pensar no gosto se derretendo em sua língua.
–E claro que sim! Não é desse jeito que comemoramos nossa vitória? — Isabella abriu o pacote mostrando o bolo mais gostoso que já tinham visto. Elizabeth deu um tapa na testa ao lembrar das regras da medica.
–Sinto muito Bella, eu não posso comer chocolate por conta dos remédios...
–Elizabeth Pesatti está obedecendo alguém? Isso é uma tremenda novidade! — Isabella guardou o bolo na caixa e deixou em cima da banqueta ao lado da cama.
–Cala a boca, Testa rachada. — Elizabeth bateu na testa da amiga fazendo uma careta.
–Vadia!
As duas riram juntas até que Elizabeth foi obrigada a perguntar.
–E a Sophie? Ela está bem?
–A cirurgia ainda não acabou. Parece que ela está perdendo muito sangue e a situação dela está estável. Não sei se ela consegue...
–Não fala isso! — Elizabeth respirou, não queria admitir para si mesma que Sophie Dreals estava para morrer. — Bella, ela salvou minha vida! Quando ninguém estaria disposto a correr esse risco, quando não havia esperança. Então, por favor, não me deixe não ter esperança por ela.
–Quem diria que depois de tanto tempo, eu iria descobrir que você ainda sente compaixão. — Isabella não falou num tom que magoasse Elizabeth, porque era a única verdade que as duas conheciam.
–Quando alguém está morrendo por ter salvado sua vida, você descobre que até o mais frio dos corações e capaz de sentir.
Isabella olhava orgulhosa para a irmã mais nova, sentindo que Elizabeth estava perto de se tornar uma garota boa. Ela devia isso a Sophie Dreals.
–Mesmo o coração mais frio ainda pode te fazer inveja comendo o bolo de chocolate todinho na sua frente! — Isabella pegou o bolo e começou a provocar Elizabeth, que acabou se divertindo mais do que deveria. As duas se completavam, mesmo sem Elizabeth saber, as duas se tratavam como irmãs.
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Evan caminhava furioso pela pequena agencia da A.E.P.G. Seus olhos pareciam explodir ao ser dominado pela sua fúria. Todos que o via sentia medo de se quer olha-lo, o mesmo medo que se habitava nós piores dias de Blue, de quem Evan havia sido aprendiz. Quando olhou o numero do quarto que estava procurando, Evan respirou ao tentar se lembrar de ser gentil. " Garotas tem sua delicadeza, sua própria maneira de lidar com pressões. São apenas rosas, com um espinho venenoso em cada pétala, porém, isso não o impede de arranca-lo se pegar no lugar certo. " , a lição de Blue passava por sua cabeça e, então o rapaz não resolveu matar Rosylin, não naquela noite.
O quarto que Rosylin estava era idêntico ao que ele instalou Sophie. Cortinas beges e longas, a chata claridade das luzes florescentes, o pequeno gabinete ao lado da cama do paciente... Quase quarto de hospital para ricos. Eles não estavam cuidando de simples ricos, não nessa ocasião.
–Acho que devo agradecer ao meu salvador.- Rosylin Santini estava acordada depois que a bala foi tirada de seu ombro. A primeira visita que achou que receberia era de Alexander, seu sorriso se desmanchou ao ver que estava enganada. Terrivelmente enganada.
–Não sabia que me esperava tanto assim. — Comentou Evan, com um terrível humor sombrio.- Nunca tinha te visto num estado tão... Glamoroso. — A loira tinha os cabelos preso em um rabo de cavalo mal feito por Alexander, a pele estava mais pálida e frágil, talvez por causa da luz ou de estar se sentindo enjoada. Os olhos azuis esbugalhou-se ao ver Evan parado em sua porta. Ela nunca pareceu tão frágil em toda vida dela, e fragilidade era uma das palavras proibidas no mundo deles.
– O que esta fazendo aqui? — Sua voz saiu cansada e entorpecida, ainda se sentia fraca por conta dos calmantes. Porém estar entorpecida no mesmo cômodo que Evan Reymonds não era seguro.
–Vim fazer uma visita. Por que a surpresa? — Evan arqueou as sobrancelhas enquanto remexia no quarto.
–Estava esperando que você viesse depois de minha recuperação.
–Ah! — Ele jogou as mãos ao ar, fazendo seu típico teatrinho. — Eu fiquei tão "preocupado" com sua situação que resolvi visitar você mais cedo.
–Não sei se devo temer sua tom irônico, ou seu tom nervoso. — Rosylin se encolheu na parede tentando se esconder da fúria de Evan.
–Mais eu ainda nem comecei! — Ele se virou para ela com os olhos brilhantes como duas chamas azuis de puro ódio. — Nem disse o tamanho do nojo que tenho por você ser tão imunda do jeito que é. — Para Evan, Rosylin Santini era o tipo de espiã que ele detestava; a que nunca cumpre uma ordem.
–Eu sinto muito, Evan. Não poderia largar tudo e salvar Sophie, elas iriam descobrir que eu sou uma traidora.
–Não me interessa suas desculpas. Não me importo com o que você deveria ter feito ou não. Mais se Sophie não sobreviver, se lembre; tem uma lapide guardada para você. — Evan se aproximou da garota e começou a apertar seu ombro operado, arrancando lágrimas de dor. — Você terá que aprender a completar uma missão, você não pode fraquejar.
–Eu prometo que ela não se machucara mais... Eu prometo que não irei fraquejar. — Rosylin chorava conforme a dor aumentava, porem, Evan pouco se importava. — Mais o chefe não ira gostar de saber que você me matou, você iria sofrer as consequências.
–Você aprenderá da maneira mais difícil o que eu posso e não posso fazer. Uma vadiazinha que nem você não se intrometerá nos meus planos, mesmo que pra isso eu tenha que quebrar o seu pescoço.
–O que está acontecendo? — Perguntou Alexander se deparando com a cena; Rosylin chorando e Evan a torturando. Serrou seus punhos pronto para bater em Evan sem hesitar.
–Só estou fazendo uma visita a uma velha amiga. — Evan se retirou da sala com um sorrisinho cruel. Rosylin começou a chorar desesperada sabendo que ela já estava mais que ferrada;
–O que foi Rosy? O que ele te fez? — Alexander pegou sua mão preocupado.
–Preciso que faça uma coisa por mim.
–Qualquer coisa.
–Preciso que veja se Sophie está viva.
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Pov. Sophie
Minha cirurgia havia acabado e eu já estava no quarto de descanso. Era difícil me decidir se queria estar viva ou ter morrido.
Horrível estar dentro de toda aquela agencia, e ao mesmo tempo se sentir tão por fora. Não sei onde Evan esta, nem o que aconteceu com Lou Ellen, e não procurar Grace para saber o que estava havendo com ela.
–Eu posso entrar? — Alexander estava parado na porta com um sorriso doce. Assenti com a cabeça já que meu corpo parecia estar preso a alguma coisa, impossibilitando qualquer movimento meu.
–Parece bem melhor. — Ele se sentou na poltrona ao meu lado e ficou me encarando por um tempo.
–Fisicamente estou um desastre, mais queria sair e ver a confusão que deve estar ai fora. Mentalmente... eu sinto como se fosse uma janela quebrada; eu ainda estou lá mais não posso evitar que nada entre.
–Essa missão quase as matou, não estou surpreso por estar desse jeito.
–Sinto que posso confiar em você, Alexander. — Olhei no fundo daqueles olhos azuis e isso só concluiu o que eu falei. — Mais do que qualquer pessoa dessa agencia, ou talvez eu esteja procurando alguém para dizer essas bobagens.
Ele sorriu como se entendesse bem o que eu estava falando e segurou minha mão.
–Também sinto isso em relação a você. E não é nada demais conversar sobre o que aconteceu. Sinto que todas vocês precisam conversar, só que tem medo de dizer.
–Ou medo de se lembrar. Sabe qual é o momento mais desesperador? — Ele negou com a cabeça — Quando você acha que tudo ira acabar... que está quase na superfície, e consegue sentir o ar entrar em seus pulmões, poderia até sorrir ao sair daquele azul infinito. Dai a explosão acontece, e você é arrastada para as aguas arrebatadoras. Sua esperança acaba e você chega perto de morrer, eu desejei que pudesse morrer.
–Vocês são verdadeiras guerreiras. São poucos que enfrentam essas coisas e sobrevivem para contar.
–Não éramos para ter sobrevivido, mais em algum momento enquanto morria, senti que era meu dever salva-las.
–Se o mundo fosse como você não viveríamos nesse caos que é hoje. — Ainda segurando minha mão, Alexander começou a esfrega-la com seu polegar. — Rosylin está preocupada com você.
–Diga a ela que estou muito bem, não precisa se preocupar. Eles conseguiram tirar a bala? — A imagem do ombro da loira estava bem viva na minha memoria.
– Sim, nenhuma garota ficou com danos irrecuperáveis. De todos os acidentes o seu foi o pior.
–Serio? — Minha voz saiu mais surpresa do que gostaria. Não parecia que eu estava tão mal.
–Sophie você ficou quatro dias em coma. Seu corpo teve que estabilizar até que você voltasse a sí. Você renasceu de novo.
–Pra mim eu apenas atravessei uma janela.
–Você não atravessou apenas uma janela. Estilhaços de vidro alojaram no seu braço, provavelmente você forçou o braço segurando Elizabeth e isso fez com que a penetração fosse pior. Você e Elizabeth eram as mais próximas da ilha na hora da explosão, algo deve ter sido bem forte que quando bateu em você fez com que tivesse hemorragia interna. Mesmo depois de sentir tanta dor você não desistiu até encontrar todas e traze-las vivas... Que tipo de pessoa consegue ser tão heroica e sobreviver a isso?
– Meu pai me dizia que mesmo quando temos medo, não devemos dar as costas para um companheiro. "Morra para salvar uma vida, mais não para ser mais uma a morrer". — Lembra das lições que meu pai ensinava fez com que eu entendesse porque me sacrifiquei por Elizabeth, eu não serei mais uma.
–Seu pai era fuzileiro, não é? — Percebi uma hesitação em sua voz, mais não encontrei razões para questiona-lo.
–Um dos melhores. Ele ficaria feliz em saber que eu aprendi alguma coisa com suas lições de moral. — Sorri ao me lembrar do meu pai, e Alexander me acompanhou.
–Tenho certeza que sim. — Alexander se levantou e caminhou até a porta. — Preciso ver como as coisas estão, consegue sobreviver sem mim?
–Não! — Arregalei meus olhos, suplicando uma mentira. — Eu não sei o que estava fazendo da minha vida sem você, eu não posso respirar se você se for...
–Engraçadinha. — O rapaz esboçou um sorriso ao sair do quarto.
Fazia tanto tempo que não brincava tão espontaneamente com alguém, mais tempo do que conseguia me lembrar... A ultima vez foi com a minha mãe...As lágrimas escorriam pelo meu rosto ao lembrar da calorosa e gentil mulher que havia me dado a luz, era difícil perceber que o nome "mãe" entraria apenas para lembrança. A mais dolorosa lembrança.
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Pov. Autora
Passou duas semanas depois da missão quase suicida, e Sophie ainda estava de recuperação. Todas as outras tinham voltado com a sua rotina e as coisas pareciam ter entrado no eixo novamente, bem, quase todas. Lou Ellen tinha se isolado em sua própria mente, na sua própria cadeia interior, e parecia mais perturbada do que antes. Nenhuma garota se importou, na verdade, nenhuma tinha superado o surto de Lou Ellen e todas queriam se manter o mais longe que podiam da menina.
Lou Ellen estava constantemente perturbada por suas terríveis memorias depois de ter sido vitima do "projeto Violetta". Foi numa noite tranquila quando todos perceberam que Lou Ellen estava transtornada.
Sophie estava dormindo no seu quarto quando escutou os sussurros de Lou Ellen pelo corredor. Não conseguiu reconhecer com quem a garota falava, porque não tinha ninguém ali pra se falar.
–Lou? — Perguntou Sophie tentando se levantar para ter certeza.
"era um quarto escuro, e meu alvo estava no centro. Era difícil controlar o medo, era complicado respirar. Não dava pra ter certeza de que eu conseguiria, mais era a única coisa que eu poderia fazer para me salvar." A mente transtornada de Lou Ellen estava relembrando coisas de que deveria ter esquecido.
–Lou o que você está fazendo aqui? — Lou Ellen estava com uma saia até o joelho e suas famosas meias compridas. Seus cabelos estavam transados mais a diferença que Sophie encontrou foi no seu olhar; estava perdido e desfocado, como se não a estivesse vendo.
"Meu alvo foi encontrado, e lembrei da ordem que Marius tinha dado; rasgue a garganta sem hesitar, se não será a sua no lugar dele."
Lou Ellen agarrou o pescoço de Sophie e a pendurou na parede. Se Sophie estivesse recuperada, Lou Ellen não teria chance contra ela, não poderia machuca-la. Mais Sophie não estava forte o suficiente e isso facilitou o trabalho de Lou ao tentar matar.
–Lou, por favor, é a Sophie. — A loira pegou nas mãos de Lou Ellen e cravou suas unhas. Automaticamente ela deu um passo para trás confusa pela reação dela.
"e claro que vai tentar mentir e dizer que é seu amigo ou algo que você precisa amar. Mais eu não tenho ninguém e nunca vou ter."
Quando Lou Ellen foi pra cima de Sophia, a loira desencadeou uma força descomunal e transferiu um soco bem na cara da morena.
–Eu sabia que você estava mentindo, todos mentem. — Falou Lou Ellen enquanto estava caída no chão.
–Lou, eu não quero machucar você. Então por favor... Lembre-se de quem eu sou.
–Você é a minha vitima, eu preciso te matar.
A rasteira que Lou deu fez Sophie cair no chão vulnerável, sem pensar duas vezes, Lou Ellen agarrou o pescoço de Sophie e apertou com toda sua força. A loira se debatia, gritava, tentava de alguma forma trazer Lou Ellen a sua conciencia.
–Cai fora daqui! — Gritou Grace jogando o corpo magrelo de Lou para a porta.
Lou Ellen arregalou os olhos ao perceber o que estava fazendo de verdade, e antes de sair ela sussurrou para a loira.
–Me desculpe.
Grace começou a andar pela sala transtornada e nervosa até que Sophie gritou;
–Grace, olhe para mim. — Peguei em seu braço tentando fazer com que me olhasse.
–Sophie se você tentar me convencer de que Lou Ellen não é uma vadia louca eu juro que te dou um soco. — Grace não era do tipo violenta, fora de ordens tinha batido em alguém se não fosse para sua própria defesa. Talvez nem ela mesma soubesse o porquê de estar tão irritada com Lou Ellen, só sabia que queria mata-la.
– Eu não vou te convencer de nada, já que parece ter suas próprias conclusões. Mais precisamos conversar, e você não pode ficar adiando isso. — Sophie se sentou na cama tentando trazer sua racionalidade de volta, tentando não demonstrar medo. — Grace, diga o que está acontecendo com você?
–Por que você se importa? Não basta ter dado uma de heroína e agora quer resolver todos os problemas? — Grace gesticulava para o ar como se estivesse sozinha, não parecendo se importar com a presença de Sophie.
–Estou conversando com Grace, ou com Katerina? — Porque eu sei que a Grace que conheço nunca iria falar assim comigo. — Sophie fez com que Grace se questionasse pela primeira vez a maneira que estava agindo dês da missão.
–Sophie, eu estou com medo. — Sussurrou se sentando ao lado da loira.
–Eu também Grace...Mais não podemos deixar o medo nós dominar.
–Eu não tenho medo, eu tenho traumas!
–Assim como todas daqui! Apenas não podemos deixar que isso defina nossas escolhas, ou nosso jeito de ser. Você é do jeito que é não por causa de seus traumas, mais sim porque você escolheu ser assim.
–Grace, eu estou aqui para ser sua amiga, e quando sentir que pode superar seus traumas, eu estarei do seu lado. — Sophie segurou sua mão, demonstrando que ela estava sendo sua amiga, assim como Alexander foi pra ela.
– Você deve ser um anjo. — Grace abraçou Sophie, e naquele momento as duas tiveram certeza que teriam muito caminho pela frente para enfrentar seus traumas.
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Pov. Sophie
As semanas de recuperação foram intensas e cansativas. Evan foi embora assim que acordei do coma e começo a sentir saudades dele. Todas as garotas vieram me visitar e eu fiquei feliz com isso, pela primeira vez elas estavam sendo gentis com alguém e eu queria fazer uma grande festa, porém foi proibida.
Um assunto não estava deixando com que eu dormisse, e eu sabia que precisava resolve-lo. Então parecia até automático eu me dirigir até a sala de Cristian para ter uma conversinha sobre; Lou Ellen.
–Eu não esperava você aqui. — Cristian abriu a porta me deixando passar por ela.
–Eu não vou demorar.
–Sei que não vai. — O sorriso dele pareceu pervertido demais para acreditar que ele não pensou besteira. — Diga-me Sophie, o que trás você aqui?
–Quero dizer que você precisa arrumar alguém que ajude Lou Ellen com a sua deficiência mental.
Seus olhos me fitaram curiosa, talvez se perguntando como eu descobri.
–Por que está se importando com a garota que quase te matou?
–Porque ela não fez de propósito. Vamos ser sinceros, Cristian. eu sei sobre Lou Ellen e o projeto Violetta. Você deve até saber como eu sei, então não preciso de sermão. Mais sabemos que Lou Ellen está perdendo o controle e isso pode ser perigo.
–Você acha que em um surto psicótico ela iria matar você e todos daqui? Uma agencia altamente capacitada para cuidar de uma garota de cinquenta quilos.
–Acho que não sabe com quem está lidando. Não se esqueça de que somos treinadas para esses tipos de missões, as mais improváveis possível.
–Isso é uma ameaça?
–Acha que eu seria idiota de ameaçar você?
Ele ficou em silencio, seus olhos passava pelo meu corpo e o sorriso pervertido voltou em seus lábios.
–Pode deixar, eu cuidarei para que uma pessoa cuide de Lou Ellen.
–Então meu assunto aqui está acabado.
Me dirigi até a porta com um sorriso vitorioso nós lábios. Só que Cristian impediu minha passagem com seu corpo me dando um susto.
–Você não pode achar que chegará aqui como uma rainha e eu irei me curvar a você. Apenas um aviso Sophie; nunca subestime seu inimigo.
–Isso vale o mesmo pra você, Cristian.
Dias se passaram até que convenci Cristian a procurar ajuda para Lou, e com isso acho que arrumei uma briga com meu chefe.
Cheguei mais cedo para tomar café quando ví Isabella sentada sozinha.
–Cade sua companheira? — Me referi a Elizabeth.
–Ainda dormindo. Vocês duas são bem parecidas nesse aspecto; dorminhocas.
Dei uma risada falsa antes de perguntar o que queria saber dês da missão.
–Você me pediu para salvar Elizabeth, no dia da missão.
–Sim, e já agradeci por isso.
–Bem... Eu quero saber porque.
A loira empalideceu ao meu lado, eu havia mexido em seu ponto fraco.
–Por que ela é minha amiga.
–Você acha que eu sou idiota o suficiente para acreditar que você quase morreria por uma amiga?
A pergunta não foi respondida porque as outras chegaram. Mais eu sentia que aquilo estava corroendo sua mente.
Estávamos todas tomando café da manhã no dia em que a ajuda chegou. Devo dizer com um grande estilo e beleza.
–Prazer, eu sou Nicholas.
Então minhas esperanças estava depositada no Nicholas, eu só queria saber se valeria mesmo a pena.
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