Escrevendo O Destino
10 9. Face a face
Notas iniciais
Estou com o braço direito machucado, e estou proibidíssima de usar o PC! Mas como eu sou teimosa, digitei o capítulo só com a mão esquerda hihihihi
Por isso, eu não consegui responder ainda aos reviews dos dois últimos capítulos! (Eu tinha que escolher: ou digitava um capítulo, ou respondia os reviews! Daí imaginei que vcs queriam o capítulo, né!) Mas eu li todos, viu? E vou responder um por um, assim que meu braço ficar bom.
Quero agradecer muito às leitoras Princess Dance, Blue Dream e LorenaMartins pelas recomendações! Obrigada, suas lindas!!
No capítulo de hoje, DC e Mô cantam esta música: http://www.youtube.com/watch?v=ctAWPmcHoF8
Boa leitura!
Capítulo 9
Face a face
Mônica ficou pensativa por um momento, que pra mim pareceu uma eternidade.
Enfim, ela segurou minha mão e me olhou nos olhos.
– Do Contra… Você se lembra do que me respondeu quando eu te pedi em namoro?
– Claro, Mônica.
– Você se lembra das palavras exatas?
– Das palavras exatas? Mais ou menos…
– Você me disse: “Agora eu não quero mais. Quer dizer, hoje não. Quem sabe outro dia?”
– E daí?
– Eu não entendi na época, mas hoje eu vejo que são palavras muito sábias. E vou te responder do mesmo jeito: hoje eu não posso aceitar seu pedido. Quem sabe outro dia?
– Isso é por vingança, Mônica? Porque eu te disse não daquela vez?
– Não, seu teimoso. Você tá me escutando? Eu disse: quem sabe outro dia?
– Você tá me dizendo pra esperar? Mais do que eu já esperei?
– Eu tô te dizendo que, quando você voltar do Japão, a gente conversa sobre isso.
– Mas por que esperar, se nós dois queremos isso tanto? Eu tô vendo que você também quer.
– Eu seria leviana se dissesse “sim” hoje, DC. Porque eu sei que você não é igual ao Cebola. Quando você entrar num relacionamento, vai ser com tudo. Não vai ficar dando desculpas pra cair fora. Se eu te dissesse que sim, hoje, você iria pro seu intercâmbio?
– Hummmm… difícil essa pergunta.
– Tá vendo só? O que vai te acontecer vai ser uma coisa maravilhosa. Eu não vou tirar isso de você. Eu não quero te deixar dividido entre mim e sua viagem. E essa é uma oportunidade fantástica. No sábado, no almoço, sua mãe me contou que seus avós moram lá em Tóquio, não é?
– Isso.
– E você vai morar com eles, suponho.
– Vou.
– Pense no quanto isso vai ser importante pra você. E pra eles também. Pense no quanto você vai aprender, no seu crescimento profissional. Seu futuro depende disso. E talvez não só o seu, mas o dos seus avós lá e da sua família aqui. E também da futura família que você vai formar um dia. Você não nasceu pra ficar aqui no Limoeiro, Do Contra. Você nasceu pra alçar voos mais altos. Eu, por minha vez, preciso estudar pro vestibular. Eu quero ser médica um dia, e preciso me dedicar muito pra isso.
– Mas eu não quero alçar voos altos se eles me levarem pra longe de você.
– Você vai aprender a voar agora. E, quando aprender, pode voltar pra me buscar.
– E se nesse meio tempo você mudar de ideia? E se você descobrir que, no fim das contas, seu destino era com o Cebola mesmo? Ou com o Toni, ou com o Felipe?
– Esse é um risco que nós dois vamos ter que correr. Quem me garante que você também não vai cair de amores por uma japonesa?
– Ah, difícil. Pelo que eu conheço das japonesas da minha família, elas são muito delicadas, graciosas, não perdem a cabeça, falam baixinho, são frágeis como porcelana. Ou seja, totalmente o oposto do que me atrai.
– Você tá insinuando que eu não sou delicada e que sou estourada?! Ah, seu…! – ela me acertou com o Sansão.
– Eu, insinuando isso? Imagina!
Nós dois rimos.
Depois de um tempinho, ela ficou séria novamente.
– Você entende agora, DC? Entende o que a gente precisa fazer?
– É, acho que você tem razão.
– O que eu proponho, então, é que nós dois continuemos bons amigos por enquanto, aproveitando o máximo desse um mês que nos resta. E, quando você voltar, a gente vê o que faz.
Segurei o queixo dela.
– Então, resumindo, sua resposta é não.
– Não.
– De boa. Eu nem queria namorar você mesmo.
Ela me deu um tapinha de brincadeira no ombro.
– Seu bobo.
– Sua chata. Promete que vai me esperar?
– Promete que vai voltar?
– Prometo.
Nos beijamos. Desta vez, um beijo calmo, tranquilo. Depois, ficamos abraçados um ao outro por um bom tempo.
Ela olhou o relógio e suspirou.
– Assim, sem querer quebrar o clima nem nada, mas a gente tem que fazer o trabalho de Literatura.
– Ah, é! Hoje a gente tinha programado de gravar o dueto de Monte Castelo.
Ela olhou pela janela.
– Mas, com essa chuva, nem vai rolar de gravar a cena externa na pracinha, como a gente tava querendo.
– Eu discordo. Rola sim! A chuva tá fina. A cena vai ficar mais legal ainda. Vamos chamar o Nimbus e a Marina. Eles ficaram de ajudar a gente.
– Certo. Enquanto você chama os dois, eu vou me trocar pra cena. Por sorte, trouxe na mochila a roupa já.
– Você pode se trocar no banheiro. É a segunda porta à direita no corredor. Também vou aproveitar pra re-escrever a cena incluindo a parte da chuva. Mas antes, mais um beijo de não-namorados.
Puxei ela pelo braço, e nos beijamos de novo. Eu podia me acostumar com isso.
– Nimbus, aumenta a luz aqui! Atores, nos seus lugares! Vamos começar! – Marina comandou. Ela era uma diretora e tanto. – Luz, câmera, ação!
Mônica anda sozinha, com um guarda-chuva, e olha o céu.
Mônica: Ainda que eu falasse a língua dos homens / E falasse a língua dos anjos / Sem amor eu nada seria
Eduardo entra em cena, mas os dois ainda não se veem:
Eduardo: É só o amor / É só o amor / Que conhece o que é verdade / O amor é bom, não quer o mal / Não sente inveja ou se envaidece
Eduardo e Mônica estão de costas um para o outro.
Mônica: O amor é fogo que arde sem se ver
Eduardo: É ferida que dói e não se sente
Mônica: É um contentamento descontente
Eduardo: É dor que desatina sem doer
Eduardo e Mônica viram de frente um para o outro e se dão as mãos.
Eduardo e Mônica: Ainda que eu falasse a língua dos homens / E falasse a língua dos anjos / Sem amor eu nada seria
Eduardo: É um não querer mais que bem querer
Mônica: É solitário andar por entre a gente
Eduardo: É um não contentar-se de contente
Mônica: É cuidar que se ganhe em se perder
Eduardo: É um estar-se preso por vontade / É servir a quem vence, o vencedor / É um ter, com quem nos mata, lealdade / Tão contrário a si é o mesmo amor
Mônica deixa cair no chão o guarda-chuva. Eduardo e Mônica colocam as mãos no rosto um do outro. A câmera fecha no rosto dos atores.
Eduardo e Mônica: Estou acordado e todos dormem / Todos dormem / Todos dormem
Eduardo: Agora vejo em parte
Mônica: Mas então veremos face a face
Eduardo e Mônica: É só o amor / É só o amor / Que conhece o que é verdade / Ainda que eu falasse a língua dos homens / E falasse a língua dos anjos / Sem amor, eu nada seria
Fim da cena
O brilho no olhar dela estava diferente.
Ela sussurrou pra mim:
– Nós agora só vemos em parte, mas nós vamos ver por inteiro, Do Contra.
Ainda com as mãos no rosto um do outro, nos beijamos. Nos lábios dela, o gosto da chuva.
Não namorar a Mônica podia ser melhor do que eu imaginava.
Notas finais
Comentem, viu? Vou demorar uns dias pra responder, pois a prioridade vai ser postar os capítulos, mas eu leio todos os reviews! O mouse eu ainda consigo usar com a mão esquerda hehehehe
Já são 41 leitores! Vou adorar saber quem é cada um. Mandem um oi! Me avisem se estão gostando (e se não estão gostando também).
Não vou prometer data do próximo capítulo, mas no fim de semana com certeza sai pelo menos um!
Bjokas e até o próximo!
Fale com o autor